EntreContos

Detox Literário.

Devaneios Masculinos (Dom Jhuan)

— Evandro, meu amigo! — Traz aí uma rodada dá mais gelada que você tiver na casa. 

Sentamos à mesa Carlão, eu e outros dois amigos da oficina. No momento em que estamos sendo servidos, percebo que, é quase hora dela passar. A mulher mais cobiçada do bairro. Quando ela passa todos param para vê-la. Eu procuro não demonstrar muito o meu interesse bebendo tranquilamente a minha cerveja. Além do mais, minha esposa me mata se suspeitar que eu esteja cortejando a vizinha. A mulher é jogo duro. 

Raquel e Emily se tornaram grandes amigas. Raquel, minha esposa, sempre teve o maldito hábito de ser a vizinha simpática. Do tipo que sai emprestando uma ou outra xícara de açúcar para qualquer um que bater na nossa porta. Emily, a vizinha, aproveita. Quase sempre aparece para pedir ou entregar alguma coisa que tenha emprestado, para o meu desespero. 

Lá vem ela, sempre muito bem vestida e com trajes que valorizam muito a sua silhueta. Eu tento não a admirar muito, mas, é impossível. Saia preta justa, blusa de seda decotada na cor branca e salto alto, seios avantajados, um conjunto perfeito. Sigo dando aquela espiada rápida de esguelha enquanto os outros caras vão à loucura com o seu manequim 36. Eles se excitam. Eu me excito. O desejo é incontrolável. Uma coçada rápida para ajeitar o bichano que está quase pulando fora da calça. 

— Que delícia. — Eu sussurro.

— Falou o que aí Thomaz? — Carlão me pergunta.

— Que a mulher…digo… — Que a cerveja está uma delícia Carlão. 

— Eu respondo gaguejando. Com receio de que algum deles tenha notado a minha inquietação.

O desejo incontrolável me obriga a voltar para casa mais cedo que o de costume. Minha mulher me espera com o jantar quase pronto a ser servido. Entro correndo, desesperado para que ela não me veja. O tesão tomou posse de mim. Subo as escadas desabotoando a camisa, tirando a calça e deixando os sapatos em um canto qualquer. Um banho gelado deve resolver o problema.

— Meu amor! — Você já voltou? — Minha esposa grita da cozinha.

— Amor, eu estou no banho! — Respondo.

— Seja rápido! — Vamos ter visita para o jantar.

Não dou muita atenção para o que ela diz. Tento saciar o meu desejo me aliviando enquanto a água fria escorre pelo meu corpo. No auge da minha inquietude é custoso controlar tanta vontade. Sempre tive tendência a sentir atração por mulheres proibidas. Um fetiche que me persegue desde a puberdade. Por esta razão me casei cedo demais. 

Raquel e eu fizemos bodas de trigo recentemente. No início a paixão era ardente, fogosa e o sexo, inigualável. Eu a conheci no baile de formandos do ensino médio. Uma jovem exuberante e linda, consideravelmente excitante. Eu era um dos rapazes mais paqueradores da minha turma. O cara que todas as garotas queriam tirar uma casquinha. Alto, corpo atlético, covinha no queixo, musculatura bem definida. Seis dias da semana malhando me rendiam as mais belas conquistas. Só que, nem tudo são flores. Eu podia ter a garota que quisesse, no momento que quisesse, mas, por alguma razão, só conseguia sentir tesão pelas que eu não podia ter. Devaneios masculinos. Isto me fez ter certeza de que era hora de firmar uma relação e controlar os meus desejos compulsivos. Sem mencionar o montante de problemas que me meti por causa de mulheres proibidas.

Raquel surgiu para dar controle na minha vida. Mulher forte, determinada. Não demorou muito a se tornar gerente de vendas de uma das mais conceituadas empresas da região. Sua personalidade forte é uma das suas características mais marcantes. Foi persistente e persuasiva até que, enfim, conseguiu me conquistar. Logo eu que nunca fui muito adepto a mulheres que tomam iniciativa. Eu sou do tipo de cara que curti mesmo intimidar. O tipo que mostra tudo que tem para oferecer na primeira investida. O que não me falta é vigor e isto me fez ser um homem cobiçado. Com Raquel a situação foi um pouco diferente do normal. Fora ela que chegou me dominando assim que me roubou um primeiro beijo. A garota conhecia os segredos de uma boa conquista. Seus jogos excitantes me levavam aos extremos dos meus desejos. Beijos melados, mãos perdidas dedilhando o meu abdômen. Isto me mata. De vez em quando, suas mãos suaves friccionavam minhas partes mais potentes. Com muito jeitinho aquilo foi me aprisionando. Qualquer homem que se prese vai à loucura com esta sequência de eventos. Nosso primeiro ato sexual fora um tanto, incomum. 

Fizemos amor em cima de um “Dodge Charger RT anos 80” estacionado na garagem da casa dos pais dela. Um clássico. Foi uma loucura poder fazer amor estando junto de uma das minhas grandes paixões, carros antigos. Os pais dela assistiam tevê no andar de cima enquanto nós, apaixonados pombinhos, nos acariciávamos sobre o extenso capô do veículo. Fui logo mostrando para ela todo valor de sua conquista enquanto nos beijávamos, insistentemente. Habituado a ser aquele que administra os acontecimentos, fui surpreendido assim que seus lábios carnudos tocaram minhas partes íntimas. Um desejo absurdo. — Que mulher potente. — Eu dizia. 

Minhas mãos tocavam sua pele sedosa e macia.  Meus olhos reviravam enquanto meu corpo trêmulo gemia. O movimento de vai e vem que ela faz com a língua sempre foi único. Tornei-me refém da sua magia. Cinco ou seis encontros depois decidimos que o melhor a fazer era dar continuidade na nossa felicidade. O fator preocupante é que, homens como eu, estão sempre em busca de novos prazeres. Durante meses diversificamos. Nossas cavalgadas íntimas e posições extravagantes nos elevavam a outros níveis de prazer. 

Cerca de um ano depois alguma coisa mudou na relação. Comecei a perceber que Raquel se tornou um pouco mais do que apenas uma mulher dominante. Sua postura determinante imperava sobre autoridade governante da nossa relação. Fui perdendo espaço até mesmo dentro da nossa casa. Ainda me irrito ao recordar que minhas miniaturas de carros antigos foram pouco a pouco ganhando os fundos das gavetas. Para manter a paixão segui deixando tudo exatamente como ela sempre quis, inclusive eu. A rotina e o dia a dia estressante também contribuíram para mudar pontos importantes na relação. Ambos chegamos do trabalho, fazemos amor e nos preparamos para dormir. Uma sequência fatídica. Insuportavelmente cansativa na vida de um casal. Por esta razão criei o hábito de sair do trabalho e parar no bar do Evandro para tomar uma gelada na companhia dos meus. A oficina é desgastante. E, apesar de muito bem remunerado, o trabalho é bastante estressante. Nos meses seguintes a “pegação no pé” rolou solta. Chegou ao ponto de ela aparecer no bar para fazer uma cena. Venho tentando ser um cara fiel. Do tipo capaz de fazer tudo pela mulher que ama. 

Tento me desvencilhar daquela vida de sexos e conquistas fáceis que não me levavam a lugar nenhum. O casamento acabou se tornando uma decepcionante e exaustiva rotina. Começo a cogitar saídas extremas. Traição, separação.

Mas, o difícil mesmo é ter de chegar em casa e aguentar a mulher falando na minha cabeça. A patroa não mede palavras. A partir daí surgiram às desconfianças, o medo e a insegurança por parte dela. Não posso culpá-la, meu histórico de infidelidades passadas não me precede. Ameaças constantes, agressões casuais, brigas, discussões e, por fim, atos de insanidade. Ela chegou a me cortar só por imaginar que eu pudesse estar lhe traindo de alguma forma. Excesso de insegurança. Sempre fui um homem viril, mas, nunca adepto a ideia de tratar uma mulher com agressividade. A masculinidade não tem nada a ver com virilidade. Um homem não deixa de ser menos homem se trata sua mulher com amor e com o devido respeito. Com a Raquel eu quis que fosse assim. Esta acabou se tornando minha vã filosofia de vida. 

Quando Raquel aparecia no bar onde eu tentava relaxar das tensões, eu a ignorava. Forçava-me a eliminar da minha mente suas palavras de fúria e pensar nos bons momentos que tínhamos vivido. Infelizmente sua personalidade narcisista têm nos levado ao fim de uma relação intensa e de muito prazer.

— Amor! Por que está demorando tanto no banho?

— Eu já estou descendo! — Eu respondo mais tranquilo.

É aqui que tudo parece finalmente ter chegado ao fim. Foi um erro ter descido. Ou, melhor dizendo, foi um erro ter voltado para casa na situação que eu estava. 

Estando um pouco mais à vontade, desço sem camisa. É noite de lua cheia e deve fazer um 30º na região. Um descuido! Minha esposa me abraça assim que me vê. Isto até que me conforta. Chego a pensar que ela está tentando refazer o que temos de melhor entre nós. De-repente, ela entra. 

Emily estava à espera na sala de visitas. Raquel e eu estamos nos beijando. Imediatamente sinto algo estranho. Aquele frio na barriga que nos faz sentir que estamos diante de uma situação de grande perigo. Emily não se incomoda com o que vê e se senta confortavelmente. Raquel parece não ter notado a presença de Emily e não para de me beijar. 

Eu estranho o seu assédio desproporcional com o momento. A vizinha fica ali, sentada e nos olhando, usando aquelas roupas que me chamam tanto a atenção. Da para ver nitidamente o bico do peito dela saltando para fora da sua blusa de seda. Novamente eu me excito. Não controlo à vontade. Raquel sente que estou armado e me aperta com força. Eu suspiro… Tento recuar, sem sucesso.

Emily parece bem à vontade e começa a passar a mão nos mamilos. — Santo Deus! — O que eu faço? — Eu me pergunto.

Puxo discretamente Raquel pelo corredor tentando sair daquela situação desconfortante. Só que, ela não para de me masturbar. Meteu diretamente a mão na minha calça ao ponto de eu ficar ainda mais potente diante da mulher que cobiço. Meu coração acelera tanto que parece que vou infartar. Minha respiração ofegante é controlada pelo beijo molhado que só a minha esposa têm. Mesmo assim eu não paro de pensar nela, a vizinha demoníaca que segue desnuda próxima a minha mesa de jantar.

Eu começo a gozar por dentro da calça. O fluído orgânico leitoso do prazer escorre pelas minhas pernas peludas. Não é raro eu ter este tipo de orgasmo. A ejaculação contínua sempre foi um problema. Raquel não se contenta e continua sua massagem. Parece desejar mais do meu líquido da vida. A situação é embaraçosa. Emily está na cozinha enquanto Raquel e eu temos um raro momento de prazer. Algo que não nos acontecia há uns seis meses. Não foi por acaso que eu me rendi aos encantos da minha esposa. Apesar de toda a minha excitação pela vizinha, minha esposa é quem conduz meu grande apetite sexual.

Quando penso que acabou, Raquel desabotoa a minha calça, segura-o fortemente com as duas mãos e, usa de toda sua magia labial. Parece-me mais uma das suas tentativas de controle do meu prazer. Começo a me sentir um homem pecaminoso. Descontente por ficar excitado com uma mulher que vi pouquíssimas vezes. Não demora muito e lá vem ele, mais e mais do gozo da vida. 

— Isto é bom demais. — Eu digo em voz alta.

Ela nem me responde. Simplesmente começa a tirar o restante da minha roupa ali mesmo. Eu não resisto, continuo inerte, entregue as suas vontades. Esta mulher sempre soube como me dominar. 

Assim que Raquel tira a blusa percebo que ela está usando uma lingerie vermelha que dei de presente para ela. Algo que muito me excita. O peito dela esfrega no meu enquanto suas pernas roçam sobre as minhas. Ela se curva. Eu me posiciono para possui-la de forma tradicional. Fizemos amor de muitas formas, mas, nenhuma com tanta intensidade. 

A luz da lua entra pelas arestas das portas. Sigo gemendo de tanto tesão. — Finalmente, sou eu quem a domina. Penso. Poucos minutos depois ela grita. — Ahhhhhh…! Com toda certeza está para atingir o precioso orgasmo feminino. — Não pare! — Ela diz. 

Sigo freneticamente dando a minha mulher todo prazer que meu corpo lhe permite. Estamos absurdamente conectados. Uma suave brisa nos refresca durante este nosso momento de intensidade. — Eu te amo! — Ela me diz com lágrimas nos olhos.

Ainda um pouco espantado com tudo, eu me recomponho. Raquel, sem roupas, vai em direção à cozinha, sem se preocupar. Deve ter se esquecido da presença de Emily. Eu me esqueci completamente da vizinha durante a melhor de todas as transas da minha vida. Volto timidamente. Para minha surpresa, não tem ninguém. Isto me assusta ainda mais.

— Raquel! — Onde ela está?

— Está se referindo a quem meu amor?

—Não íamos ter visita para o jantar? — Eu pergunto com a face corada.

— Sim amor, mas minha mãe ligou dizendo que só poderá vir no final de semana.

Outro dos meus devaneios masculinos… 

Ou terá sido pura insanidade? 

Será que desejei tanto a vizinha que minha mente a projetou me levando a incapacidade de discernir entre o real e o imaginário? 

Homens! 

Somos todos assim? 

O fato é que uma apimentada me fez muito bem. Por causa dos inúmeros fatores estressantes da relação, sentir tesão pela Raquel parecia uma das coisas mais improváveis de acontecer. Tento me acalmar. 

Eu me sento no mesmo lugar onde ela estava. Acendo um cigarro e fico ali imaginando o que teria acontecido comigo. Entre uns tragos e outros não paro de pensar nela. 

— Santo vigor que não me apetece. 

Mesmo depois de vivenciar uma das mais prazerosas transas que já tive, parece que não consigo fazer outra coisa a não ser pensar com a cabeça de baixo.

Raquel retorna usando as mesmas roupas que Emily usa. Para me deixar ainda mais insano, com o bico de peito saltando para fora da blusa de seda. 

— Maldito fetiche.

— Será que estou satisfeito? — Meu corpo fala por si. 

Ela também parece não estar satisfeita. Puxo lentamente a cadeira para trás mostrando a ela toda potência do homem que reside em mim. Ela tira a blusa e novamente envolve nossos corpos. Desta vez, cavalga como um anjo sobre a minha virilidade. Eu me entrego as suas carícias. Fidelizamos nossos votos de amor demonstrando um ao outro todo afeto que nos uniu.

Nos meses seguintes, um pouco mais das suas surpresas. O amor finalmente nos presenteia com o que existe de mais belo numa relação. Ela segue na oitava semana de gestação. Nunca me senti tão homem em toda minha vida. Tudo que nos destruía parece se reconstruir dentro de mim. A paternidade chega como uma dádiva. Não creio que exista elo mais forte entre um homem e sua mulher.

Carlão, agora cotado para padrinho, me ajuda com a pintura do quarto do bebê. Eu me emociono quando vejo que Raquel o decora com as minhas miniaturas de carros antigos. Finalmente eu começo a me sentir verdadeiramente feliz. 

Logo estarei ensinando o Juninho a andar a cavalo, consertar carros antigos e mostrar que no fundo somos todos, dominados por elas. Não há homem que resista a isto.

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Informação

Publicado em 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série C.