EntreContos

Detox Literário.

Mea Culpa (Daniel Reis)

mea_culpa

Confiteor Deo omnipotenti,
omnibus Sanctis, et tibi, pater:
quia peccavi nimis cogitatione,
verbo, et opere:
mea culpa,
mea culpa,
mea maxima culpa…

 

— Abençoa-me, padre, porque pequei.

In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti… Amen. Estou aqui para isso, meu filho. Diz-me, quando fizestes tua última confissão?

— Há muitos, muitos anos. Foi antes da primeira comunhão, quando ainda era criança…

— Isso é tempo demais! Por que demorastes tanto para buscar a misericórdia do Pai?

— Nem tenho tal pretensão. Tentei ler Seus Ensinamentos, entender os Desígnios, mas nunca consegui aceitá-los. Agora, cedi ao impulso de vir aqui, para um acerto de contas. E porque fiz algo inominável.

— Deus a tudo perdoa…

—Mas nem tudo é perdoável a Deus. O senhor talvez não consiga ver quem sou eu, do outro lado deste confessionário. Mas, com certeza, não se esquecerá do cheiro asqueroso que exala do meu corpo, maldição permanente de um trabalho que me envergonha.

— Qual é a sua profissão, meu filho?

— Sou um carnicero, padre. Trabalho nos açougues do bairro de San Cristóbal desde os meus treze anos. Ano em que meus pais morreram, e no qual meu único irmão partiu para Córdova, em busca de trabalho, sem dar mais notícias.

— Não há indignidade em um trabalho honesto, por mais simples que seja. Veja o exemplo do Filho de Deus…

— Jesus nunca cheirou tão mal quanto eu, padre. Nunca passou dias e noites rasgando ossos, pele e músculos; separando pelancas e gorduras dos cortes mais nobres, para que os abastados de Palermo fiquem com a melhor parte, enquanto o resto segue, em embrulhos de jornal sujo, para os imigrantes de La Boca…

— Isso não é culpa sua. Assim é a vida. A cada um, o que lhe cabe, conforme a vontade do Senhor.

— Não consigo aceitar isso; mas não é a revolta meu maior pecado. É a dificuldade em estabelecer vínculos, como um ser humano normal, o que me tornou solitário, egoísta e, por fim, criminoso. Ninguém sabe a infâmia que confesso agora. E, aliás, nem Deus deveria sabê-lo, até este momento; pois, se o soubesse, já me haveria eliminado. Sem temor, nem piedade.

*****

— Ainda que eu caminhasse pelas ruas escuras como se fossem o vale da morte, em silêncio, carregando a angústia e as ferramentas necessárias para cumprir minha obsessão, o coração não se deixava aquietar; e, ao mesmo tempo, não se envergonhava em gozar, por antecipação, o prazer de ver satisfeito aquele desejo secreto. Escolhi a trilha mais afastada dos olhares dos marinheiros bêbados e moços de frete e alcancei a rua de divisa com o Cemitério de La Recoleta, enquanto os sinos da igreja próxima anunciavam a última hora cheia antes da meia-noite. Na escalada do muro alto, a força e a perseverança dos meus dedos compensaram o tremor que senti nas pernas, ao perceber a aproximação de um vigilante noturno na rua. Enquanto seu assobio se afastava pela noite, permaneci na escuridão, deitado de costas sobre o mármore frio da sepultura próxima, até recuperar o fôlego. E esperei o momento certo para encontrar o túmulo. Mas me adianto. É preciso contar tudo, desde o começo.

*****

— Meu patrão e os empregados da carniceria não me deixariam em paz enquanto eu não conhecesse uma mulher. Como homem, quero dizer. O senhor entende isso, não é, padre?

— Posso imaginar, meu filho. Mas por que não aguardastes a esposa escolhida por Deus, para conhecê-la mediante o sagrado matrimônio?

— Ah, desconfiei que o senhor não perceberia do que se trata aqui… Deus não me deixou escolher. Porque, se eu tivesse escolha, Maria Eudoxia estaria comigo, nesta igreja, dizendo sim no altar.

*****

— O endereço estava certo, mas a fachada era bem diferente do que eu esperava. Só conhecia as casas suspeitas no Caminito de La Boca, identificáveis pelas filas de espera nas calçadas e pela alegria vulgar das damas em permanente atividade; e não imaginava que no bairro sóbrio de Montserrat houvesse uma mansão como aquela. Eu, na porta, com o único terno que consegui emprestar, aguardei até que viessem me atender. E, ao abrir, a mulher não fez questão de esconder sua expressão de nojo e surpresa.

— É claro que meus colegas me haviam pregado uma peça. Aquele não era ambiente que alguém como eu pudesse frequentar. Quis dar meia volta. Mas a curiosidade, indomável, me empurrou em frente. Ergui o chapéu para a senhorita, saudando-a com um drible – e ela afastou-se, para não se impregnar de mim. Ao final de um corredor estreito, desfilavam diversas beldades em trajes sumários, seduzindo figurões da alta sociedade; com a parca quantia arrecadada pelo correr do chapéu entre colegas, eu julguei prudente permanecer num canto, à parte do movimento. Ali, uma moça muito jovem, sentada sozinha, também se mantinha longe do burburinho. Seus cabelos longos, jogados, cobriam parte do rosto. Aproximei-me, tímido, e perguntei seu nome. Maria Eudoxia, respondeu. De imediato, pelo sotaque, soube que era trazida do Uruguai. Meneou a cabeça e continuou calada, mas não se afastou ou teve nojo de mim. E eu, mudo de espanto e atração, não conseguia tirar os olhos de sua horrenda cicatriz na face direita, até então oculta pela cabeleira. Nosso silêncio só foi rompido pelo músico e seu bandoneón, do outro lado da sala, entoando um tango com letra inadmissível em casas de respeito. Um dos velhos se aproximou e a intimou a dançar, enquanto eu permaneci estático, admirando os movimentos graciosos de seu corpo longilíneo durante o bailado, até o final; então, aparentemente contra o desejo dela, seu par a conduziu para um dos quartos no piso superior. Imediatamente, fui embora dali, enojado.

— Mas então nada fizestes que atentasse à castidade?

— Não naquela noite, padre. Mas nos dias e noites seguintes, passei a fazer campana, anotando as horas em que ela saía para fazer compras no comércio ou visitar a modista. Foram semanas, quase à custa do meu emprego, para inteirar-me de sua rotina e hábitos, até sentir que estava pronto. Mas não contava com a trapaça de Deus. Peço perdão, sim; mas preciso tomar satisfações com Ele por isso. E deixo estampada em sua consciência, padre, a mesma marca do horror que eu gostaria de ver na face do Todo-Poderoso…

*****

— Maria Eudoxia amanheceu morta, e a notícia correu a cidade até me encontrar já no trabalho, ocupado com o corte do quarto traseiro de um novilho recém-abatido. Não suportei a raiva e descontei na carcaça do animal morto mais esse golpe, tão inesperado e frio quanto a lâmina daquele cutelo ensanguentado…

Deo, miserere animae tuae

— Acompanhei de longe o enterro, no fim da tarde. Foi em um mausoléu elegante, mantido pela dona da casa de tolerância para o descanso final de suas meninas, no cemitério de La Recoleta. Madame vestiu luto, providenciou a cerimônia e fechou as portas do estabelecimento durante todo o dia. Era notória a atividade das tristes e belas moças, todas vestidas de negro, e pouca gente compareceu ou se compadeceu da morte de uma delas, além das próprias e de alguns esporádicos clientes. Esperei até que todos fossem embora antes de me aproximar do mausoléu, o único adornado com estátuas em mármore de três mulheres nuas; e do meu destino, aparentemente selado, ali dentro, pelo cadeado novo no portão de ferro.

*****

— Pela madrugada, revirei-me na cama sem conseguir dormir, imaginando o rosto fresco de Maria Eudoxia, agora aprisionado para sempre em seu esquife de luxo; e em seu corpo frio e abandonado, envolvido no cetim do último leito. Fantasiei tudo o que poderíamos ter feito, e que Deus não permitiu. Aos poucos, o plano tomou forma, mas só conseguiria realizá-lo depois do anoitecer do dia seguinte, já que era preciso escolher as ferramentas certas na carniceria.

*****

— Com a luz tênue da lua minguante, localizei as estátuas das três jovens na dança da morte, as guardiãs do mausoléu. Como em outros túmulos de La Recoleta, os mortos não ficam debaixo da terra; esquifes nas prateleiras de concreto continuam à vista, tornando fácil descobrir, ao olhar por entre as grades, qual o mais novo deles. Mas remover o cadeado do portão exigiu paciência e o uso de um arco de serra do açougue. Finalmente, entrei na cripta, ansioso por ficar ao seu lado, como se aquela fosse nossa noite de núpcias…

— Filho, tens certeza do que dizes?

—Depois de desparafusar e remover a tampa do caixão, pude finalmente vê-la vestida de branco, e sentir o cheiro sufocante das flores mortas ao seu redor. Mas percebi que seu rosto e a grande cicatriz já não estavam mais como antes. Haviam se transformado em uma máscara grotesca, pedaços de pele presos à carne viva, profundamente arranhada pelas unhas desgastadas de seus dedos crispados; e os cabelos longos, arrancados num último gesto de desespero, e grudados ao sangue seco da face…

Kyrie eleison…kyrie eleison…

— Digo então a Deus: quer a minha vingança? Aí está: nem por isso deixei de amá-la. E assim tenho feito, às escondidas, por noites e noites seguidas…

*****

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88 comentários em “Mea Culpa (Daniel Reis)

  1. Noeli Gomes
    18 de outubro de 2016

    Adorei, Daniel! A necrofilia tão ali, evidente…mas a surpresa dela ser enterrada viva nos pega de surpresa! Narrativa simples, coerente e sinistra (que eu adoro rsrsrsrs). Parabéns! E que venham mais contos para nos deliciar!

  2. Bruce Brussolo
    18 de outubro de 2016

    Daniel, sou novo nestas de criticar algo, mas me permita:Texto muito bem alinhado, pontuado e com um grau interessante de expectativa.Confesso que fui alem no pensamento da necrofilia e tudo que dalí poderia surgir. Salvem o Padre.
    abraçao e que venham muitos outros.

  3. Junior Gros
    18 de outubro de 2016

    Gostei muito desse conto. Bem amarrado e com a dose certa de suspense.
    Parabéns, meu nobre.

  4. Jowilton Amaral da Costa
    15 de outubro de 2016

    Conto muito bom. O escritor foi muito habilidoso em produzir um clima bastante sombrio, denso, quase palpável. No início me perdi um pouco com as intercalações dos diálogos, mas, acabei pegando o ritmo e a leitura fluiu a contento. Já no meio eu tinha a certeza da necrofilia, mas, não prejudicou em nada, para mim, o impacto da leitura. Boa sorte.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Jowilton, muito obrigado, as intercalações foram experimentais mesmo, mas acho que funcionaram de um jeito próprio. Um cordial abraço.

  5. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    35. Mea Culpa (J.D. Salignas)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a construção ofuscante, em espiral, levou o padre e o leitor a um crescendo de negação, até chegar ao ponto inevitável, não sem passar pelo surpreendente fim da moça, enterrada viva. Linguagem e pesquisa bastante apuradas.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Angustiante

  6. Fil Felix
    13 de outubro de 2016

    Nada de comida fresca

    GERAL

    Um conto que consegue prender a atenção do leitor. Escrita muito boa e fluída, gostei do tom realista e sombrio. O estilo narrativo também ficou bom, intercalando a conversa entre Padre e pecador e a narração do “pecado”. O final é previsível, já sabemos o que vai rolar no momento em que ele abre o túmulo. Então sem novidades, mas todo o percurso do conto, toda a “viagem”, compensou o destino. Como é uma confissão, coitado do Padre que terá que aguentar calado, enquanto seu fiel permanece dando seus pulos na calada da noite.

    ERROR

    Os parágrafos em bloco ajudaram a estruturar o texto, pausando as intercalações (essa palavra existe?), mas chegou num momento que acabaram me confundindo, pois num mesmo bloco tinha a confissão e o pecado. Não sei se foi falha minha ou não tinha essa divisão desde o início e eu que brisei.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      “Nada de comida fresca” ´- resumo criativo do tema, hein? Obrigado por me acompanhar nessa viagem, e que bom que o destino foi compensado pela paisagem no caminho. Já o padre, não tenho tanta certeza que ele continuará vivo, depois do que sabe. Melhor perguntar ao Carnicero. Abs

  7. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Tá aí um bom exemplo do uso de um tema recorrente com maestria. O conto tá tão bem conduzido, que o leitor abraça a ideia. Não é nenhuma surpresa aparecer a necrofilia em um desafio de cemitério, mas o ponto é que o texto está tão bem montado e com uma estrutura impecável, que isso deixa de ser relevante. O clima é sombrio, os diálogos são bons. O leitor já meio que vai imaginando o que irá acontecer no fim, como uma história de policial em que você fica até a última parte só confirmar as suspeitas. Excelente! Ah, o nome da cidade é Córdoba, não?

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Anderson, muito obrigado, foi um exercício mesmo, sem pretensão de reinventar nada, mas tentar contar uma boa história para os eventuais leitores. Quando à cidade, é Córdova em português e Córdoba em espanhol, você está certo também. Um grande abraço.

  8. Pedro Luna
    12 de outubro de 2016

    Olá. Alguns toques do conto me lembraram o filme Perfume. Talvez pelo protagonista perdido e marginalizado e sua paixão sem limites por uma moça.

    Bom, o conto é muito bem escrito. Tá louco. O limite do desafio é pequeno e aqui parece que tem mais palavras do que o real. O autor ou autora é muito hábil em contar história. Meus parabéns.

    Eu gostei, mas confesso que no fim fiquei um pouco decepcionado. Primeiro porque necrofilia é algo que já foi muito explorado e segundo porque a moça aparentemente foi enterrada viva, mas não encontrei no conto algo que justificasse isso ou que o carniceiro tivesse algo a ver. Ou não tem ou perdi algo, mas isso tirou o impacto do conto para mim. E no caso desse tema de necrofilia, ou o conto tem impacto ou fica mais do mesmo. O que ajudou muito aqui foi a excelente escrita e a habilidade do autor em levar o leitor pela trama.

    Um bom conto.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Interessante que eu li “O Perfume” há muito tempo e quando fui ver o filme, não me lembrava de quase nada. Agora que você falou, realmente a questão do olfato é central naquela história, mas o personagem tem um superolfato e talento para perfumes, enquanto, aqui, o meu protagonista só fede. Acho que isso resume bem… hehe. Abraço!

  9. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Bem adequado ao desafio.

    Enredo: Não é o tipo de enredo do qual costumo gostar, mas o diálogo, no caso, é muito seguro e prende a atenção. Me fez imaginar aquilo tudo contado e foi muito impressionante, nem precisou de narrador.

    Personagens: Fazem um diálogo que é bem sufocante, bem tenso. Foram bem elaborados.

    Emoção: Prendeu minha atenção, embora eu não possa dizer que gostei, mas não dá para negar a perícia do autor/autora do texto. Parabéns!

    Alguns toques: Da forma como está, sem necessidade de deixar qualquer toque.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Bia, obrigado. Realmente, não é um texto facil de se gostar, mas saiu assim e eu acabei admirando-o por isso. Mas ainda sinto um pouco desconfortável em admitir que sou “pai” desse fascínora. Foi um bom exercício, e fico contente por ter agradado a alguns dos amigos aqui. Abraços!

      • Daniel Reis
        16 de outubro de 2016

        “Facínora”, desculpe. Abs

  10. Simoni Dário
    11 de outubro de 2016

    Olá J.D

    O conto está brilhantemente bem narrado, mas ao mesmo tempo tem um tempero tão “já vi esse filme” que tive esta impressão. O final estava ali o tempo todo, presumível, mas teve a surpresa da revelação de que ela teria sido enterrada viva.

    Não sei, apesar da mestria na escrita não tive boa impressão do enredo. Aqui mesmo, no Entrecontos, já li um texto cujo enredo é entre padre e pecador ao confessionário, e talvez isso tenha me deixado com a sensação estranha de já ter visto esse filme.

    O autor conduz um pouco o leitor para o lado do “Carniceiro vai executar uma carnificina com a moça”, mas depois nos damos conta que pela narrativa competente não seria assim tão óbvio.

    Como disse, além da talentosa narrativa, a surpresa para mim foi ela ter sido enterrada viva (como isso aconteceu só o autor sabe ou perdi alguma coisa).

    Bom desafio.
    Abraços

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Simoni, obrigado pela leitura. Realmente, eu não sei por que ela morreu, mas o mal súbito parece mais coerente com a catalepsia – e, portanto, isso poderia ter ficado mais claro. Agradeço a atenta leitura. Um abraço!

  11. Marcelo Nunes
    11 de outubro de 2016

    Olá J.D.
    Muito bem escrito, uma leitura clara e fluida até o fim. Ambientação me colocou vendo algumas cenas, isso gostei bastante.

    Mas não é o tipo de texto que aprecio. Não senti emoção e nem medo desse universo. Desculpas pela sinceridade, mas não gostei.

    Parabéns pela escrita e estrutura do conto.
    Boa sorte no desafio.
    Abraço!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado pela sinceridade, Marcelo, compreendo perfeitamente. Talvez eu também não gostasse, se não tivesse passado tanto tempo tentando gostar dela. Um abraço.

  12. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Boa tarde, amigo escritor, tudo bem?
    Primeiramente, parabéns pelo claro domínio da escrita! O texto tá impecável e muito bonito plasticamente, com um uso excelente da linguagem e construções muito interessantes. Ou seja, tá muito gostoso de ler, a leitura flui naturalmente e é muito fácil se envolver e viajar na história.
    Acho que só por aí já dá pra dizer que é um dos melhores que li até agora. Além disso, gostei bastante do enredo, e gostei muito da forma como a história é contado, com o vai e vem de momentos e locais, tudo bem casado e fazendo total sentido.

    Realmente é um conto muito rico e agradável, parabéns!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Luis Guilherme, que bom que você gostou, e que a minha dificuldade em escrever e reescrever se transformou em facilidade de leitura e envolvimento. Isso já é um prêmio enorme. Grande abraço!

  13. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Apesar do enredo batido – necrofilia – o conto é muito bem executado. Há um quê de “O nome da rosa” na maneira como o diálogo entre o homem e o padre se desenrola, com uma certa reverência nas entrelinhas, que casa bem com a proposta. Também me atraiu a ambientação na Argentina. Gosto muito de textos que buscam inspiração em outras paragens, especialmente se o autor sabe trabalhar as informações locais sem parecer um guia turístico. Percebi essa perícia aqui, já que as alusões ao cemitério da Recoleta, a Palermo, ao Caminito e a outros aspectos típicos da cultura portenha foram inseridos de modo bastante natural. Aliás, é difícil imaginar um cemitério mais atraente que esse. No mais, creio que a relação entre o homem e a garota de programa foi bem construída. Embora não tenha sido possível aprofundar o contexto psicológico de ambos – provavelmente por conta do limite de palavras – creio que o enredo ficou de acordo com a proposta. O twist no final (a informação de que a garota foi enterrada viva) foi bem bolada também. Enfim, um conto acima da média e que certamente estará entre os melhores. Parabéns!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Gustavo, muito obrigado. Parte dessa confissão veio do nosso tempo de Bom Jesus, onde eu ficava apavorado de confessar cara a cara com o Frei Agostinho e depois me encontrar com ele no corredor. Já as referência à BAS surgiram ao longo do desenvolvimento da história, e apenas a época dos fatos é que ficou muito insinuada, mas não apresentada textualmente como o começo do século passado. No mais, agradeço muito as impressões e notas, e deixo um cordial abraço.

  14. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Bom texto, bem escrito e apresenta uma boa trama, parabéns. Votos para te ver no pódio e nada mais a dizer.

  15. Amanda Gomez
    6 de outubro de 2016

    Olá,

    Rapaz… Que conto!!

    Não sei dizer o que mais gostei, acho que foi a sua escrita, é muito boa, sofisticada mas com uma simplicidade ao mesmo tempo.

    Apesar do leitor já saber algumas coisas sobre a trama, o clima de suspense é bem eficaz, eu estava lendo preocupada com o fato dele já está acabado.

    O personagem é muito bem feito, as cenas intercaladas foram muito bem executadas. As descrições também permitem que até o cheiro do homem seja nítido.

    A cena final é perturbadora, e o que imaginarmos como continuidade daquela tortura deixa o leitor bem desconfortável.

    Gostei bastante no seu conto, com certeza estará bem cotado neste desafio.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Amanda, para mim também foi desconfortável, hesitei inclusive a mostrar essa história para quem não fosse do EC por vergonha de ter passado um pouco do ponto. Mas, como todo mundo que se quer fazer escritor precisa passar por isso, que seja aqui, entre amigos. Grande abraço.

  16. Pétrya Bischoff
    3 de outubro de 2016

    Buenas, Salignas! Que baita conto, homem!
    A escrita é um deleite. Muitos aqui já tentaram, inclusive com algum sucesso, assemelhar-se ou fazer lembrar Poe, mas tu foste, de longe, o melhor nisso. creio que nem tenhas tido a intenção.
    A narrativa idem; claríssima e fluída. O que é muito difícil, visto que o conto dá-se exclusivamente através dos diálogos. Quanto mais eu tento refletir acerca do conto, mais encantada fico.
    A ambientação é muito bem executada, pondo o leitor espreitando nas sombras, junto ao personagem, ou adentrando o prostíbulo, tão encabulado quanto o carnicero. Aliás, gostei, também, dessa coisa espanhola/argentina. Adoro a maneira que isso nos envolve e, sinto muito “em casa”, pois sou da fronteira do o Uruguai…
    Um conto repleto de culpa, necrofilia, morbidade e permeado por uma lenda urbana. Perfeito.
    Enfim, cara, eu nem tenho como analisar o texto, pois fiquei encantada e, certamente estará entre os meus escolhidos. Meus mais sinceros parabéns e boa sorte!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Pétrya, muito obrigado pelas impressões, fico contente que tenha oferecido uma leitura que não seja “aburrida”. Estou em outra fronteira, a tríplice, então esse “em casa” também me é familiar. Abraços!

  17. mariasantino1
    30 de setembro de 2016

    Fala aí!!!

    Em primeiro lugar já adianto que seu conto estará em minha lista. Em segundo, vamos a uma observaçãozinha (e nem sei se os colegas já falaram disso, pois estou sem óculos e só consigo ler mesmo o conto, ok?) —>> Se o padre fala na segunda pessoa do singular, o uso do plural no verbo está incorreto. Ex>>> quando fizestes (fizeste) tua última confissão?… Por que demorastes (demoraste) tanto…Mas por que não aguardastes (aguardaste) a esposa…
    Gostei sim do seu escrito, porque você criou atmosfera, e achei a conduta boa ao ponto de me colocar no lugar do padre como expectador. Claro que com mais espaço teríamos mais e nos afeiçoaríamos mais pelos personagens, pois a narrativa em primeira pessoa e conduzida em diálogos, agiliza ao ponto de se ler num só fôlego (o que é bom, porque fica objetivo) mas eu desejei mais desse argumento, ver como o personagem agiria frente as atitudes de rejeição. Provavelmente o autor também não tenha se sentido à vontade também dentro do espaço (1500 palavras), mas é louvável o que você conseguiu fazer e como deu credibilidade ao relato.

    Boa sorte no desafio.

    Abraço!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Maria Santino, agradeço imenso, esse conto DEVE ser revisado cuidadosamente quanto à conjugação verbal nas falas do padre. Obrigado por apontar isso, e pelas impressões sobre a leitura. Um abraço afetuoso!

  18. Gustavo Aquino Dos Reis
    30 de setembro de 2016

    Um conto que se desenrola com diálogos.

    A escrita é muito segura, sem rebusque, e prende a atenção.

    Achei a história muito boa, mas não tão arrebatadora.

    No entanto, é um trabalho de peso. Muito forte. Achei o cenário argentino muito bem adequado ao enredo.

    Parabéns!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Gustavo, obrigado pelas observações quanto à escrita. Estamos trabalhando nisso, para melhorar ainda mais. Grande abraço.

  19. Iolandinha Pinheiro
    30 de setembro de 2016

    Adorei o seu conto. Tudo. Estilo, linguagem, a história, o uso da confissão para contar a trama. Até o fato dela ter sido enterrada viva, coisa que odeio pois sou extremamente claustrofóbica, foi feito de uma forma diferente, já que não mostrou o desespero da vítima, mas o resultado deste desespero. Não vi problema em o conto se passar em outro país. A ambientação não é o ponto alto do conto mas nem era tão necessária, então foi eficiente nos pontos em que ocorreu. Talvez, o único problema do conto foi a falta de emoção, mas, mesmo assim, um dos melhores que li até agora. Meus parabéns e sorte no desafio.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Oi Iolanda, muito obrigado pelas palavras e pela atenção na leitura. Realmente, a ambientação não foi o ponto principal, mas contribuiu por uma questão afetiva mesmo, com o que vi em Buenos Aires. Um abraço.

  20. Thiago Amaral
    29 de setembro de 2016

    Tudo bem?

    Sem dúvida um bom texto, bem escrito e com linguagem agradável. Gostei da sutileza ao demonstrar, nas entrelinhas, o aspecto físico do açougueiro. O tamanho dos parágrafos e a estrutura entrecortada do conto me remeteram a outro, do desafio anterior.

    No entanto, pouca coisa na trama me chamou a atenção. Bonita de se ver, mas não vou ficar pensando muito sobre ela no futuro. Não tive emoções ao vivenciar esse universo. Nem o final me chocou, apesar da imagem bem construída. A necrofilia pareceu inevitável, já sabíamos que ia dar nisso.

    Uma boa história, mas não me tocou.

    Até a próxima!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Thiago, obrigado. Pena que o texto não o tocou, mas isso é normal, agradeço pelo menos a leitura atenta. Grande abraço!

      • Thiago Amaral
        18 de outubro de 2016

        Sabia que era o escritor de NDA! hauhauhauh Vou arriscar mais palpites da próxima…

        Parabéns por tudo!

  21. Catarina
    29 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    “— Abençoa-me, padre, porque pequei.” – Perfeito! Claro que quero saber que merda que o carniceiro fez!

    TRAMA muito cativante, impregnada de fúria contida, que o autor soube manipular com maestria.

    AMBIENTE claustrofóbico e escuro, tanto o confessionário quanto o mausoléu. Conheci a “La Recoleta” e entendo a escolha. Nunca vi um cemitério com beleza mais assustadora e rica como esse.

    EFEITO galinha desesperada. Não sei se pela morte horrorosa, pelo ninho de amor nojento ou por acabar de ler um conto muito melhor do que o meu. Isso dói, viu?

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Efeito galinha desesperada foi o melhor comentário ever! Agradeço imensamente e fico feliz que você gostou, mas isso de melhor que o seu é coisa da sua cabeça. Abraço!

  22. Maria Flora
    28 de setembro de 2016

    Gostei bastante de seu conto. Os personagens estão bem definidos, os diálogos bem construídos. O ambiente pode ser ampliado, com mais detalhes (culpa do limite de palavras rsrs). A trama prossegue, a narrativa nos prende e o final subtendido dá um toque de horror ao conto. Meus parabéns!!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, Maria Flora, o limite de palavras realmente tem um lado ruim, mas a meu ver a obrigação em buscar a síntese cancela isso. E os detalhes ficam por conta da imaginação do leitor. Um abraço.

  23. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2016

    Olá Salignas.
    O ponto forte do conto é o personagem bem construído. Ao contrário dos contos com relatos que costumamos ler aqui (pela afinidade com fantástico, o tema fez aparecer vários) este coloca o relato, não por carta ou depoimento diretamente ao leitor, mas como uma confissão na Igreja, para outro personagem, o açougueiro que desabafa. Ele é bem construído. Tudo, no conto, ficou bem executado. A estória tem um bom suspense, que pode parecer manjado para outros, mas sou impressionável…
    Acho que você aproveitou bem o limite de palavras. Talvez uma ou duas frases de remate no final ficaram faltando e até acho que você as escreveu, pois aqueles “*****”, lá no fim, deixaram a impressão que o texto foi decepado na versão que enviaste. Não vi grandes problemas na ambientação, no pouco que pareceu. Se havia algum motivo especial para a estória se passar na Argentina, me escapou.
    Gostei bastante.
    Um abraço.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Oi Davenir, não havia motivo especial, só por gosto pessoal meu é que escolhi algo que me impressionou, a Buenos Aires tão antiga quanto eu pude imaginar. No fim das contas, a história foi sim decepada em alguns pontos, mas a meu ver melhorou da primeira versão com 1700 palavras. Abraço!

  24. Gilson Raimundo
    26 de setembro de 2016

    Eu não gosto de contos ambientados em outras terras, só acho que muitos autores usam este artificio para copiar erroneamente um estilo pensando deixar o conto pomposo…. Não vi aqui esta tentativa, gostei da forma como os fatos se deram, já li outros parecidos, mas este tem seu destaque, pensei até ser uma simples história de serial killer, depois de um doente necrófilo, mas o requinte da morte da mulher deu vida á trama… Mesmo sendo em solo platino, este é o espirito da coisa, parece comum, porém foge do comum…

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, Gilson, a gente sempre tenta fugir do convencional, mas às vezes a história se impõe. Inclusive a locação. Abraços!

  25. mhs1971
    24 de setembro de 2016

    Olá
    Tudo bem?
    Poxa… Que conto gostoso de ler num sábado a noite. Quase não teve palavras ou termos de colocação/inserção na linha narrativa que o tornasse falho no entendimento ou suscitar dúvidas quanto ao emprego destas.
    Apenas o final, que acredito que poderia ter um pouco mais de palavras ou poética para prolongar a degustação textual.
    Mas de qualquer modo, este é um dos contos que apreciei de verdade .
    Parabéns e fique bem.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, vou analisar o final, mas como disse abaixo, foi ele que se impôs. Por mim, o padre morria degolado e fim. Mas meu protagonista não quis assim. Abração!

  26. phillipklem
    24 de setembro de 2016

    Boa noite!
    Cara, vou ser sincero…
    Não gostei da história.
    O conto, por outro lado, levando em consideração a escrita, o inegável talento e a maturidade artística do autor, está muito bom.
    Não sou muito de coisas mórbidas assim, me deixam meio enojado. Porém, se o seu conto conseguiu causar essa reação em mim, creio que você tenha atingido o seu objetivo, afinal, não é por isso que escrevemos? Para despertar emoções? Positivas ou não, não importa, elas existiram.
    Se eu tivesse que eleger algo do seu texto como sendo a melhor parte, eu diria, com certeza, os diálogos.
    Admiro quem saiba escrever diálogos tão bem que quase podemos sentir a entonação das vozes reverberando em nossos ouvidos, e você o faz com maestria.
    Meus parabéns autor, por um conto firme, maduro e fácil de se ler, mesmo deixando aquela ânsia de vômito no fundo da garganta.
    Boa sorte e abraços

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Phillip, eu também admiro o diálogo bem tramado, é uma arte que eu ainda não domino por completo e por isso foi importante para mim me forçar a isso nesse desafio. Entendo que a temática não o tenha agradado (como eu também não escolheria isso, se fosse leitor), mas como autor me senti desafiado a experimentar essa vertente. Grande abraço.

  27. José Geraldo Gouvêa
    23 de setembro de 2016

    Olha, eu não acho exagerados esses elogios todos que foram feitos pelos outros, não. Seu texto tem os seus senões, claro, mas é claramente um dos melhores. Eu gostaria de pontuar que o protagonista é muito crível, tanto que você até parece ter sido açougueiro antes… rsrs

    A única coisa que realmente me incomodou foi a ambientação em Buenos Aires. Não que eu tenha algo contra a Argentina (muy en contrario, me gusta la cultura porteña y digo, como Belchior, que el tango argentino me cae bien, mejor que un blues), mas simplesmente eu não senti sinceridade nisso. De qualquer forma, não vou deixar que isso me influencie, porque só por ambientar com sucesso na América Latina em vez da ianquelândia inspirada em filmes você já merece palmas, e um bom pedaço do resto de Tocantins.

    Não tem muito o que falar do conto em si. É bom mesmo e pronto. Toma lá o meu like e vê se não fica convencido, parça.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      José Geraldo, gostei do seu like hehehe… Com relação à ambientação, ao começar, não tinha isso claro, mas a viagem e a visita que fiz à Recoleta foram marcantes e considerei um desafio imaginar como seriam esses lugares há 70, 90, 100 anos atrás. Por isso, a linguagem rebuscada e a construção do cenário. Poderia ser no Cemitério Municipal de Curitiba, que eu conheço ainda melhor, mas achei que a Recoleta, com os túmulos acima do nível do solo, seria ideal para um profanador. Obrigado, grande abraço.

  28. Pedro Teixeira
    23 de setembro de 2016

    Olá,JD! Um bom conto calcado nos diálogos, A trama lembrou “O Enterro Prematuro” e “Berenice”, do mestre Poe. É uma escrita madura. Senti certa previsibilidade, que ao meu ver se deve àquele trecho sobre o cemitério no começo da fala. A partir daí, eu já esperava aquele desfecho. A leitura não deixou de ser prazerosa por causa disso, mas o impacto acabou se diluindo um pouco. Outro ponto a se exaltar aqui é a inteligência na construção das vozes dos personagens. Um bom trabalho. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Pedro, obrigado pelo comentário. Não conheço os contos indicados, apesar de ter os contos de Poe num livro comprado pela minha mulher, da coleção LPM. Está guardado em algum lugar pois estou de mudança, num endereço provisório, e não os li, mas agora vou procurar na bagunça. Conheço avulso o Gato Preto e a Queda da Casa de Usher, mas realmente não sou fão ou conhecedor de Poe. Um abraço.

  29. Brian Oliveira Lancaster
    23 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Interessante uso de terror ao estilo fantasia urbana (não sei se existe terror urbano). Texto denso, mas que atiça a curiosidade, ainda mais por ser uma confissão. As quebras deram um bom fôlego para o que viria.
    ME: Não sei se entendi muito bem a causa da morte da moça, mesmo assim, impressiona pelo caminho que começou a se desenhar, de forma sutil, pelo meio do texto. Escolher manter o relato focado na realidade deu o ar soturno pretendido. Aliado a escrita competente, cumpriu bem seu objetivo de gerar estranheza.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Brian, obrigado. Com relação à causa mortis de Maria Eudóxia, achei que o fato de ter sido um mal súbito (e não derivado de uma doença) deu veracidade à catalepsia dela. Mas poderia ter escrito isso – um “mal súbito”, sem dúvida. Abraço!

  30. Felipe T.S
    23 de setembro de 2016

    Olá!

    Uma trama forte, com um grande desfecho e descrições muito boas. Não percebi erros graves na narrativa. Achei que alguns momentos, principalmente no início do conto, alguns “floreios” poderiam ser evitados. Mas durante o desenvolvimento, percebi que esses, faziam parte do estilo do narrador, mesmo ele sendo um “carnicero”.

    O estilo infelizmente não me conquistou, mas afirmo que a narração foi bem conduzida, é questão de gosto mesmo. Fora a questão do gosto pessoal, um conto acima da média, com uma história bem articulada e uma narração competente. Com certeza ganharia mais pontos comigo se não seguisse o padrão confissão e diálogo, que aqui nesse caso, acabou limitando um pouco a narrativa, pois sua ideia poderia render descrições de ambiente e investidas psicológicas muito boas.

    Sorte e boa noite!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, Felipe, estou realmente tentando me desvencilhar do estilo rebuscado, mas o tema exigiu ainda isso. Nos próximos desafios, conforme o tema, espero ter chance de experimentar uma linguagem mais solta, o que vai ser um desafio para mim. Grande abraço!

  31. Fheluany Nogueira
    22 de setembro de 2016

    Bizarro: confissão de um carniceiro que se apaixona platonicamente por uma prostituta; esta sofre de catalepsia, é enterrada viva; então acontece a necrofilia e a violação continuada; nem morta a Maria Eudóxia tem sossego. Tudo isto rendeu um conto instigante e bem escrito.

    A ambientação latina ficou interessante, assim como o recurso narrativo da confissão e o latim.De cemitério mesmo somente uma cena, ou melhor algumas cenas, imaginando-se as voltas do açougueiro para rever a amada, mas valeu. Parabéns. Abraços.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Fheluany, resumiu perfeitamente o conto! Acho que parte do entendimento do conto pelos outros leitores foi facilitada pelo seu comentário. Quanto ao uso do cemitério, deixei para o clímax, antecipando a cena da invasão como teaser, uma provocação ao leitor. Abraços.

  32. Fabio Baptista
    21 de setembro de 2016

    Conto muito bem escrito e conduzido, tema forte, apresentado com diálogos inteligentes e transições de passado e presente muito bem executadas.

    Eu não curti o “Kyrie eleison” ali no final, deu uma quebrada no clima. Mas isso é só chatice minha.

    O meu preferido até aqui.

    Abraço!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Olá, Fabio! Obrigado pelas percepções. Na verdade, eu também não gostei muito do padre repetindo histérico “tende piedade, tende piedade” em latim, ficou meio gay (não há sentido pejorativo, por favor, pessoal…). Vou dizer uma coisa – na versão original, o prólogo é que seria a oração final do padre, enquanto o açogueiro cortava a garganta dele. Mas não encontrei a motivação do protagonista para fazer isso (o padre matou Eudóxia? Achei improvável…). No fim, ficou desse jeito mesmo. Obrigado por compartilhar comigo esse toque. Abraço!

  33. Anorkinda Neide
    19 de setembro de 2016

    Olá!
    Bem, eu gostei muito da maneira que a história foi conduzida, vc sabe o que tá fazendo! Texto bem claro, as idas e vindas orquestradas de forma perfeita.
    E olha que tinha tudo pra me descontentar… confissao com padre, necrofilia, açougueiro… hehe
    Eu conheci ‘bem’ um açougueiro e é assim mesmo, acho q o cheio de carne fica impregnado nas narinas do pobre homem e ele pensa q tá fedendo mesmo, sempre, mesmo à distância… 😛
    O conto se passa numa outra época nao é? nao é contemporâneo e o autor nem precisa dizer isto pq tratou o texto com muita propriedade, a ambientação na Argentina sempre me é muito gostosa, inclusive eu colocaria uns trechos em espanhol.
    Só não captei o raciocínio do protagonista ao praticar a necrofilia, pq estava bravo com Deus que lhe tirou a chance de transar com a moça? acho q mentes doentias nao tem lógica, né nao? rsrs Pow q dó q ela foi enterrada viva e agora violada em morte, ceus!! tragedia tragedia!
    Buenas, parabens pelo conto realmente forte candidato!
    Abraços

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Oi Kinda, realmente, eu achei que a localização temporal do conto estivesse clara pelo uso do latim nas orações (portanto, antes do Concílio Vaticano II, no início da década de 60) mas não sei se isso ficou muito claro mesmo. Se houvesse oportunidade e espaço, talvez eu colocasse carruagens na rua, daí melhoraria isso. Obrigado por essa observação em especial e pelo todo, no comentário. Um abraço.

  34. Evandro Furtado
    19 de setembro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    Texto fluído e muito bem cadenciado. Livre de problemas com a ortografia e/ou a sintaxe. O uso de diálogos contribuiu muito para uma leitura bastante agradável.

    Personagens – Outstanding

    O Eu Narrador – personagem principal da narrativa, creio que teha perdido qualquer menção ao seu nome. Carniceiro, vindo de uma família simples. Sem estudo. Falta-lhe auto-confiança, por isso deixou-se levar pela “pilha errada” dos companheiros. Romântico, apaixonou-se rapidamente. Solitário. Não pôde lidar bem com a morte da mulher que amava.

    Trama – Outstanding

    Muito bem desenvolvida tanto na interação narrador-padre, quanto nos flashbacks inseridos. Conflito muito bem desenvolvido e resolução singular. O leitor é levado ao clímax no melhor estilo: “Ele não vai fazer isso. Ele não vai fazer isso. Ele VAI fazer isso”.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Outstanding

    O texto é contado inteiramente sob a perspectiva dos diálogos. Não há descrições sobre as expressões do homem ou do padre, ainda assim, a cena e a forma como ambos se comportam é extremamente visível. Foi uma verdadeira descrição elíptica. Para além disso, a linguagem empregada foi de extremo bom gosto. O autor arriscou e foi muito competente diante do que se propôs a fazer.

    Efeito Catártico – Outstanding

    Necrofilia? Me ganhou já. Alguém que ousa com um tema tão polêmico e é capaz de produzir uma obra tão bela, tão fantástica, merece os parabéns. O desenvolvimento se deu de forma correta, o balanceamento entre os personagens foi perfeito, a linguagem emprega não deixou nada a desejar. Enfim, palmas.

    Resultado Final – Outstanding

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Evandro, fiquei encabulado de tanto outstanding. Procurei fazer uma leitura que não aborrecesse o leitor, e pelo jeito deu certo. Obrigado. Abração!

  35. Ricardo Gnecco Falco
    19 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> A leitura do conto fluiu perfeitamente. Não criei afeto pelas personagens apresentadas, nem muito pela história narrada, mas gostei bastante por ter sido levado facilmente pela perfeita narrativa do(a) autor(a). Senti falta desta empatia não ocorrida entre mim e as personagens (no caso do açougueiro isso é até bom!). Outro ponto que me incomodou um pouco, também, foi uma certa necessidade do(a) autor(a) de ‘chocar o leitor’, através de um repulsivo e repetitivo ato confesso ao final. Porém, tal atitude forma uníssono com o que desde o início é apresentado ao leitor. Mesmo sem ter gostado da história, devo ressaltar que está tudo redondinho. Contudo, como é o ‘EU LEITOR’ quem ao final irá, com “peso 3”, elencar uma fictícia nota ao trabalho apresentado, o ‘gostei/não gostei’ tenderá a exercer forte representatividade na avaliação deste conto que, simplesmente por isso, de 1 a 10 em minha escala pessoal, recebe por ora ‘apenas’ uma nota 8. 😉

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Escrita muito boa e trama amarradinha. Trabalho muito bem conduzido e que atesta a maestria do(a) autor(a) na confecção da presente obra. Parabéns pela sua criação! Um trabalho realmente primoroso!

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Obra magnífica!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Ricardo, meu novo amigo: agradeço as palavras e elogio a metodologia de avaliação. Noto que gerar empatia nunca foi o meu objetivo (mesmo eu tenho nojo do protagonista), mas sim deixar o leitor ao lado do padre, no confessionário. Havia um final diferente, mas a história praticamente se forçou a ficar assim, e preferi não contrariá-la. Difícil explicar, mas acredite: algumas histórias se contam por si mesmas. Grande abraço.

  36. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    18 de setembro de 2016

    Olá, J.D,

    Seu conto é muito bem escrito e conduz o leitor pelo drama do personagem central, através de um clima crescente que faz com quem lê pense: Meus Deus, o que esse homem fez, afinal?

    Fiquei aqui imaginndo se, por acaso, se trata de uma livre inspiração sobre as incríveis histórias guardadas no Cemitério da Recoleta. “Rufina Cambaceres”, talvez.

    Recriação histórica ou não, a leitura valeu muito a pena.

    Parabéns pelo belo trabalho e boa sorte no desafio.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Olá, Paula, muito obrigado. Na verdade, a história foi inventada mesmo, não fiz pesquisa preliminar, e a ambientação foi escolhida no meio da história, já que estive em Buenos Aires ano passado mochilando e passei uma tarde inteira na Recoleta. Minha filha adolescente não gostou muito, mas desde criança eu adoro ver o nome das pessoas nos túmulos e tentar imaginar o que elas fizeram na vida. Um dos túmulos que mais me impressionaram é justamente um que parece muito com essa foto. E daí resolvi que o clímax aconteceria nesse lugar. Vou procura o Rufina Cambaceres para saber do que se trata. Por tudo, agradeço.

  37. Taty
    16 de setembro de 2016

    Que conto difícil rsrsrs… é óbvio que o autor entende do riscado, pois a escrita é regular, num bom ritmo, as tensões são expostas e resolvidas.

    O texto se encerra em si mesmo, o que é positivo para algo tão complexo como o que foi apresentado.

    O tema foi obedecido.

    Um bom conto.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Taty, obrigado pela leitura. Também achei difícil o tema, mas juro que fiz o que pude para tornar a leitura, pelo menos, mais suave para o leitor. Se você chegou até o fim com essa impressão, fico satisfeito. Abraço.

  38. Claudia Roberta Angst
    16 de setembro de 2016

    Uau! Necrofilia pós um enterro de moça ainda viva. O que é isso, autor? Gostei.
    Gostei mesmo, de uma forma surpreendente até para mim.

    Muito bem escrito, com um ritmo que não cansa em momento algum. Não me senti tentada a pular parágrafos, nem mesmo uma frase. Ou seja, minha atenção ficou plugada nas suas palavras do começo ao fim.

    O personagem ser um carniceiro é bem interessante. Lida com a carne, com o material físico e nem sempre agradável ao toque. Em oposição, seu encontro com Maria Eudóxia trouxe uma aura de reconhecimento espiritual.

    Interessante também a escolha do nome Maria Eudóxia para uma prostituta, já que Eudóxia significa “de boa reputação”. Ironia bem empregada, eu diria.
    Os contrastes encontrados em todo seu texto são bem construídos – carne/espírito – amor/ódio – beleza/cicatriz – vida/morte.

    No momento em que o moço sentiu-se mais vivo do que nunca, ao ter seu desejo e amor despertado por uma mulher (que ele chegou a sonhar em levar ao altar), ele se depara com a morte. E amor foi consumido pós morte. Macabro e perfeito.

    Boa sorte!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, Claudia, mais uma vez fico feliz por agradar ao seu gosto literário, que parece muito com o meu, ao que tudo indica. Quanto ao nome da personagem, foi uma feliz coincidência, não havia procurado o significado, foi algo que surgiu do nada – estranho, não é? Será que essas coisas surgem do nada, mesmo? Então, agradeço imensamente mais uma vez o seu voto e a parabenizo também. Um abraço.

  39. Olisomar Pires
    16 de setembro de 2016

    Sem dúvida muito bem escrito. Apesar de denso, a leitura é fluente, sem entraves ou empecilhos. Um personagem complexo com seus traumas e desejos.

    Apenas noto que as falas e consciência do protagonista não combinam com seu ofício, sem desmerecer a profissão, talvez ele fosse um intelectual enrustido; ainda digo que há um certo exagero quanto ao odor do profissional, talvez ele o percebesse assim, não sei… isso tirou, a meu ver, um pouco da credibilidade da estória., poderia ter existido uma linha ou duas explicando esses detalhes.

    Em todo caso, é um belo texto, parabéns ao autor e boa sorte.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Pois é, Olisomar, tive essa dúvida também. Havia um trecho originalmente que explicava que ele havia tido uma educação esmerada, até a morte dos pais, mas acabei suprimindo essa parte porque considerei que ninguém iria pensar nisso. Parabéns e obrigado por observar isso.

  40. Priscila Pereira
    16 de setembro de 2016

    Olá J.D, seu conto está ótimo, muito bem escrito e estruturado. Tive a impressão de que ela foi enterrada viva, mas isso não ficou claro, se puder explicar… Seu conto foi o único até agora que me deixou uma impressão forte, apesar de negativa, (necrofilia não é um tema que eu admire rsrsrs) Como já disse, um ótimo conto. Boa sorte!!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Sim, Priscila, ela acordou no caixão, apavorou-se e morreu, sozinha. Somente a necrofilia, que eu também tentei evitar a todo custo, se impôs no discurso do personagem sem que eu pudesse evitar – achei que ficaria forçado. Um abraço, e obrigado!

  41. Eduardo Selga
    16 de setembro de 2016

    Todo construído a partir de diálogos, o conto aparentemente dispensa a narração, o que é meia verdade: não há a figura distante do narrador em terceira pessoa, mas a estória é contada e relativamente esmiuçada pelo protagonista à medida que conversa com o padre. Isso significa que o diálogo não é neste conto apenas um instrumento para tornar a leitura fluida: seu conteúdo certamente foi calculado de modo a permitir o mínimo possível de fuga á linha central da narrativa. Se a digressão em terceira pessoa já é um risco a depender do modo como for usada, em um diálogo inteiro é ainda mais, pois a chance de a narrativa perder-se irremediavelmente aumenta muito.

    Sobre esse aspecto gostaria de apor uma reflexão, sem questionar o direito de o autor usar a ferramenta narrativa que melhor lhe aprouver. É o seguinte: se a narrativa em diálogo, quando bem usada, possui as vantagens acima referidas, a mim me parece que ela tende a enxugar em demasia a narrativa, de modo que detalhes de personagens e ambientação deixam de receber um tratamento mais amplo. Neste conto, em especial, a psique do protagonista demonstra ser complexa (e isso enriquece o texto), mas não sabemos exatamente o quanto, pois inexiste espaço para isso. Houvesse menos diálogo e mais narração em terceira pessoa, as camadas subterrâneas do personagem poderiam ser devassadas.

    Bem elaborada a construção do protagonista, embora o simbolismo nele presente não seja de grande complexidade. O fato de ser açougueiro é a “encarnação” de sua descrença em Deus, ou melhor, de sua mágoa com ele, a ponto de querer vingar-se da divindade. Os tais “sentimentos negativos” são feios, pesam, fedem como fede o corpo do personagem, segundo ele mesmo. Aliás, o fato de ele ter um odor nauseabundo (segundo o “carnicero” uma “maldição permanente”) lembra um personagem bastante famoso da narrativa bíblica, o Anjo Caído. Nesse sentido, não me parece nada gratuita a lembrança de uma passagem da Bíblia (“Ainda que eu caminhasse pelas ruas escuras como se fossem o vale da morte),

    Há uma ligeira aproximação do conto com o romance “O corcunda de Notre-Dame”, no sentido de que na obra do século XIX o quasímodo se apaixona por uma mulher belíssima, e aqui a “deficiência” é o mau cheiro que o personagem exala ou pensa exalar de seu corpo, ou, numa outra opção, o que temos aqui é um “quasímodo invertido”, na medida em que é o rosto da mulher e sua cicatriz que “haviam se transformado em uma máscara grotesca”; lá, o quasímodo é adotado por um padre, ao passo que aqui o personagem conversa com um padre num certo tom de amizade.

    A necrofilia do desfecho não deixa de ser surpreendente, mas me parece de maior interesse esse trecho, em relação à falecida: “[…] pedaços de pele presos à carne viva, profundamente arranhada pelas unhas desgastadas de seus dedos crispados; e os cabelos longos, arrancados num último gesto de desespero, e grudados ao sangue seco da face…”, sugerindo, ao menos a mim, que ela foi enterrada viva.

    Praticamente impecável o conto em relação à gramática. Só identifiquei uma passagem que prejudica a coesão textual: “Eu, na porta, com o único terno que consegui emprestar, aguardei até que viessem me atender”. Entendo que deveria ser algo como “único terno que consegui emprestado”.

    Por fim, o texto é perfeito em coerência narrativa; muito bom em personagem; tem coesão textual só prejudicada pelo detalhe acima assinalado; a linguagem me pareceu bastante eficiente quanto a narrar o essencial e de modo fluente, mas abre mão da profundidade psicológica do protagonista e ambientação.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Prezado Selga: fico contente que tenha dedicado tempo e tanta atenção ao meu conto. Realmente, a decisão de centrar a narrativa somente nos diálogos foi uma aposta proposital, partindo do pressuposto que somente a palavra da personagem deveria ser suficiente para fornecer os dados sensoriais da história. Com isso, espero que cada leitor tenha construído em sua própria imaginação as descrições que um narrador onisciente só forneceria como interferência no discurso. Quis dar a sensação de que o leitor – e o escritor, junto com ele – estavam escutando, clandestinamente, uma confissão pavorosa. Mais uma vez, obrigado.

  42. Ricardo de Lohem
    15 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! Uma história de repressão sexual que termina em necrofilia. Do meu ponto de vista, essa história nada quase tem a ver com cemitérios propriamente ditos. Acho meio cansativo esse clichê de “pessoa reprimida sexualmente que acaba explodindo e fica louva”, isso já foi usado tantas vezes, com graus variados de sucesso narrativo, que sei lá, é difícil que eu goste desse tema. A surpresa final, a necrofilia, só assusta os não acostumados com temas mórbidos e bizarros. Não encontrei erros de gramática, lógica e coerência no texto, um aspecto positivo.Não fiquei muito impressionado, sinto, mas achei tudo regular. Boa Sorte.

  43. Wender Lemes
    15 de setembro de 2016

    Olá! Gosto da cor latina aplicada como você fez. É difícil usar um recurso como este sem dar uma impressão de superficialidade. A narrativa foi bem conduzida, inclusive nas intercalações entre o presente da confissão e os atos passados do açougueiro necrófilo. Percebe-se que o conto realmente tem qualidade quando um ato repugnante é narrado convincentemente de forma bela. Não tenho muito o que falar, o conto realmente me parece fechado (sem colocações que pudessem melhorá-lo). Sobre o tema, achei suficiente o uso como cenário no enterro de Maria Eudoxia e nas fatídicas visitas post mortem (aliás me parece irônico que a moça, que dedicava a vida a satisfazer os desejos carnais dos outros, continue na mesma peleja após o acerto de contas). Parabéns e boa sorte.

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Obrigado, Wender, as intercalações foram realmente uma experiência, se você me diz que deu certo, fico contente. Um abraço!

  44. Evelyn
    15 de setembro de 2016

    Oi, J.D.,
    Eu gostei demais do seu conto. Não sei se a questão do cemitério é para ser em todo o conto ou só precisa ser uma cena. De qualquer maneira, gostei de como usa as palavras. Gostei do diálogo. Eu não destacaria ponto negativo no seu conto. Ele acaba de tomar a dianteira daquele que eu havia elegido.
    Parabéns.
    Abraço!

    • Daniel Reis
      16 de outubro de 2016

      Oi Evelyn, que bom que você gostou. O cemitério está no clímax da história, não havia no regulamento uma interpretação de que tudo deveria acontecer em um cemitério. Por isso tomei a liberdade. Um abraço!

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Publicado às 15 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .