EntreContos

Literatura que desafia.

Túmulos em Si (Wender Lemes)

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O cheiro de tabaco velho que escapava daquela gaveta dispersava memórias antigas pelo ar. Seu Sebastião tinha a mania de sentar-se ali na beirada da cama e revirar as coisas de sua mesinha de cabeceira. Às vezes, em busca de um cortador de unhas, um selo amarelado para não colar em envelope algum, outras vezes só queria se certificar de que as migalhas do passado ainda não haviam virado pó.

Dona Josefina, parceira de tantas estações, tomara o trem das almas alguns anos antes, deixando-o sozinho naquele mundo. Desde então, sua sina era vagar pela casa buscando o que fazer, esperando a visita dos filhos e dos netos aos domingos. “A gente passa a vida pensando nas crianças e elas só lembram de nós no domingo”, matutava de vez em quando, sem rancor, até sorria um pouco – elas completavam o mesmo ciclo que ele um dia seguira.

Cansado de perseguir o próprio rastro, pegou finalmente um papelzinho de enrolar fumo e empurrou a tampa da gaveta para seu local de repouso com a gentileza de uma mãe. Vagou pelos corredores até alcançar a ampla e escura sala de estar. Abriu uma fresta da janela para que o sol tocasse a cadeira de balanço, que reclamou um pouco sob seu peso, mas não lhe negou o aconchego. Com calma, saliva, fumo e maestria, montou seu cigarrinho. Dos mesmos ingredientes dispôs para consumi-lo.

– O senhor não aprende, Seu Sebastião? Esse vício ainda lhe tira a saúde…

Uma criança pálida de olhos negros, traje de gala e uma cartola desproporcionalmente grande observava o velho do outro lado da sala. Seus dois botões cor de carvão eram sagazes, inquietos, nada coerentes com uma criatura tão jovem – não aparentava muito mais que cinco ou seis anos de idade.

– Quem é você, filho? Onde estão seus pais?

O menino sorriu com seus dentes esparsos e a cartola lhe caiu um pouco sobre a testa.

– Meus pais… meus pais estão por aí, espalhados pelo mundo. O senhor pode me chamar de Joãozinho, é meu nome mais comum.

Algumas rugas de incerteza se aprofundaram no rosto do idoso.

– E o que você quer na minha sala, Joãozinho? Como você me conhece?

– O senhor só faz perguntas aos pares? Ora, eu vim lhe fazer uma visita, nós lá do porão sentimos sua falta.

– Porão?! – apagou seu cigarro rapidamente (ouviu um “NHÉÉÉC” de alívio da cadeira ao se levantar) e começou a andar, agitado, de um lado para o outro. Sentia-se estranhamente confortável quanto à presença do menino, embora ele não dissesse coisa com coisa, um misto inconsciente de familiaridade e nostalgia – E eu lá tenho porão?!

– Claro que tem! Vem comigo, eu te mostro.

Era um pedido que ele não podia negar. Devia isto à sua curiosidade e à cisma de já ter decepcionado muito aquela criança em tempos passados.

Caminharam pelos corredores, Sebastião arrastando seu peso, Joãozinho dando pequenos saltos e conferindo cada uma das portas fechadas, até alcançarem a da cozinha. Então, o menino virou-se sorrindo, em um movimento brusco que fez sua cartola afundar sobre os olhos mais uma vez:

– É aqui!

– Essa é a minha cozinha, não é um porão.

O menino girou a maçaneta com suas pequenas mãos. Uma lufada de ar frio fez os pelos da nuca de Seu Sebastião se eriçarem. Definitivamente, aquilo estava longe de ser sua cozinha. Apertou os olhos tentando enxergar melhor o que havia ali. Todavia, apenas vultos compunham sua perspectiva.

– Quem é que faz um porão na cozinha?

– Eu sei lá? A casa é sua, homem.

Por um momento, o velho sentiu vontade de rir, Joãozinho percebeu e lhe devolveu um sorriso simples. Aquele não era um lugar para gargalhadas, pensou. O frio e a acústica incutiam-lhe um ar solene, quase como uma catedral, ou um… um…

– Cemitério.

– Como é?

– A palavra que o senhor está procurando.

– Então isso aqui é um cemitério?

– Pode-se dizer que é. Esse porão é onde o senhor enterra todos os seus sonhos.

Aquela declaração emudeceu o pobre diabo por um momento. Não sabia dizer se sua visão começava a se adaptar à falta de luminosidade, ou se a consciência de tudo é que lhe esclarecia os olhos. Fato é que os contornos do cômodo gradualmente se transformavam em formas – e delas nasciam os objetos.

As paredes cinzentas estendiam-se grandiosas, gélidas e cheias de pesar por vários metros à frente. Enquanto caminhavam, Seu Sebastião ia reparando em cada detalhe. Deparou-se com uma mesinha de madeira onde repousava o bandolim mais empoeirado que já tivera o prazer de ver. A despeito da dúvida de que aquele instrumento fosse capaz de emitir algum som, as notas que ele proferiu calaram fundo em seu peito velho.

O homem começou a arpejar um chorinho tímido que apreciava, os acordes de “Noites Cariocas” reverberaram por todos os cantos e salpicaram de vida aquele lugar tão desolado. Por fim, deitou novamente o instrumento sobre sua mesa e percebeu a presença de uma plaquinha dourada na borda: “1962: Jaz aqui a esperança natimorta de fazer-se músico”. Tão repentinamente quanto aprendera a tocar, soube que já não poderia mais fazê-lo.

Em uma próxima parada, observou um calhambeque vermelho todo enferrujado, que deveria ter sido muito bonito em tempos menos ingratos. A alma do velho quase o abandonou quando uma profusão de asas explodiu de dentro do carro. Papagaios espalharam-se pelo recinto palrando bem baixinho alguns palavrões desconexos. Passado o susto, notou um bêbado cochilando no banco de trás do veículo. Não estavam sozinhos, afinal.

– Você sabe quem são eles?

– São outros iguais a mim: partes de um velho moribundo, como o senhor, só que muito mais velho e moribundo.

– Quem?

– O tal do Humor.

Continuaram caminhando, flertando com os sonhos que ali repousavam. O final do cômodo se aproximava e, com ele, uma ansiedade invadia o peito de Sebastião.

Quando alcançaram a última parede, contemplou uma estátua de bronze extremamente fiel de si mesmo. Sentado em uma banqueta, portava roupas simples, uma boina branca e a barba por fazer. Descansava o queixo sobre a palma da mão direita, sorrindo de boca fechada. Seus olhos sábios pareciam inspecionar quem os olhasse de volta.

“1915 – ???: Grande Otelo, um dos maiores”, dizia seu epitáfio.

– Este aqui nasceu comigo?

– Nasceu. É o sonho de uma vida.

Seu Sebastião continuou se encarando por um tempo. Percebeu que aquele sorriso estático escondia mais que apenas os dentes, escondia a melancolia de nunca ter se realizado.

– Eu poderia ter sido ele, Joãozinho?

– Poderia… mas aí haveria outra estátua neste mesmo lugar. Talvez fosse o senhor no lugar dele.

O velho coçava a testa franzida, sem conseguir definir o que significava aquele aperto frio na boca do estômago.

– Sabe, Seu Sebastião, os sonhos nunca cabem em uma só vida. Pra alcançar uns, todo mundo acaba enterrando outros. Todos têm túmulos em si.

Isso trouxe-lhe a figura de dona Josefina mais uma vez à mente. A vida compartilhada com a esposa poderia facilmente figurar como o maior sonho que já realizara.

– Por que não a encontrei por aqui?

– Porque ela não pertence ao porão. Dona Josefina ainda está viva em algum cômodo da casa, sempre estará. Talvez o senhor esbarre com ela um dia desses. Quem sabe, em um sótão no banheiro?

– Seria ótimo – sorriu.

– É. A propósito, ela pediu que eu entregasse isso aqui.

Seu Sebastião agachou-se com um pouco de dificuldade e Joãozinho confiou-lhe um pequeno objeto vermelho: uma flor que o velho tomou entre as mãos com extremo cuidado.

– Foi bom passear com o senhor. – disse em tom de despedida.

Com um movimento rápido, o menino colocou sua cartola sobre a cabeça do amigo e empurrou-a para baixo até que o cenário se apagasse na escuridão do forro. Quando sentiu a pressão do chapéu se afrouxar e sumir, o velho ficou cego por alguns segundos. Suas pupilas não estavam prontas para a quantidade de luz que receberam da fresta da janela. Estava novamente sentado na cadeira de balanço.

– Joãozinho?! – chamou, sem resposta.

Por alguns instantes, questionou a própria sanidade, achou que tivesse passado pelo mais estranho dos sonhos. Realmente, havia visitado alguns sonhos, mas não do modo convencional, foi o que concluiu ao perceber as pétalas vermelhas acomodadas entre os dedos.

A memória da esposa tomou seus sentimentos mais uma vez, algumas gotas caíram sobre a flor que segurava. Não eram bem lágrimas, o homem apenas regava uma boa lembrança – logo a guardaria em sua mesinha de cabeceira.

Ouviu uma criança gritando do lado de fora da casa: “Vovô! Vovô!”, o que lhe deixou mais feliz.

– É verdade… hoje é domingo.

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52 comentários em “Túmulos em Si (Wender Lemes)

  1. Wender Lemes
    18 de outubro de 2016

    Salve, pessoal! Grande desafio, foi uma ótima experiência e fiquei muito satisfeito com o feedback e com as indicações que recebi.
    Peço desculpas por não ter respondido nada antes, mas preferi não influenciar a opinião de ninguém através dos comentários.
    Da mesma forma, não pretendo justificar minhas falhas agora, é só um retorno para quem se interessou.
    Sebastião, a princípio, era Alfredo – Josefina era Josefina mesmo. A história foi, desde o começo, sobre um ator e comediante brasileiro, mas só vim a atribuí-la ao Grande Otelo depois de já ter escrito quase tudo. Quando tentei puxar na memória alguém que cumprisse com o que eu precisava, Grande Otelo foi a primeira imagem que me surgiu. Para minha surpresa, Sebastião Prata, a.k.a. Grande Otelo, também foi casado com uma atriz de nome artístico Josephine. Eu achando que estava escolhendo um protagonista, mas ele a me escolher?
    Eu não sou lá muito crente em coincidências sobrenaturais, mas algo assim com o tema “Cemitérios” me fez gelar o pé do estômago.
    Acho que isso responde a questão do nome, Claudia, embora eu prefira mais a sua visão sobre ele e ache que ela se encaixa bem.
    Já sobre a presença do humor, acho que quis inserir pelo lado comediante que o Sebastião não teve. Papagaios falando palavrão, bêbados e até o próprio Joãozinho são arquétipos do humor que quis personificar no conto, mas acho que falhei um pouco, pois ficou estranho para a grande maioria.
    Enfim, agradeço muito pelas dicas e opiniões, fico feliz por ter agradado uma boa parte dos que leram e, aos que não convenci, prometo me esforçar mais na próxima.
    Forte abraço! Valeu!

  2. Rodrigues
    15 de outubro de 2016

    Bacana a criação desse cemitério, achei bastante inovadora perante outros contos, nele podemos ver o quão criativo alguém poderia ser no desenvolvimento do tema. Gostei dos ambientes criados, descrições, além do protagonista, que cria uma aproximação com o leitor desde os primeiros parágrafos. Notei, porém, que algo pareceu ter fugido do escritor, creio que pelo número limite de caracteres do desafio, mas é uma ideia que há de se desenvolver. Achei bom.

  3. Amanda Gomez
    14 de outubro de 2016

    Olá, Mouro.

    Seu conto é muito bonito, trás uma singularidade atraente, repleto de metáforas. Os personagem são cativantes, e apesar de necessitar de mais aprofundamento deu pra sentir bem a personalidade de ambos.

    O cemitério foi usada de forma diferente, ao mesmo tempo que é algo muito banal, somos túmulos em si, matamos, enterramos e visitamos nosso sonhos todos os dias. Alguns porém, renascem e outros conseguem vida longa.

    Gostei da forma como foi feito, o autor tem uma escrita muito gostosa, fluidez e sem entraves. Ficou faltando algo, não sei explicar exatamente o que. Mas está fe parabéns

    Boa sorte no desafio. 😉

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    43. Túmulos em Si (Mouro)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: sensibilidade e inteligência fizeram deste conto um dos poucos exemplos que transcenderam o entendimento original de cemitério como lugar de sepultar corpos, mas colocou-o como uma metáfora do arrependimento e da aceitação. O final, em aberto, pode ter múltiplas interpretações. Eu prefiro entender que o velho continua a viver pelo que fez, e não pelo que deixou de fazer.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Ofuscante.

  5. Marcelo Nunes
    13 de outubro de 2016

    Olá Mouro.
    Achei criativa a ideia de sonhos abandonados com túmulos. O início do texto é bom, a leitura achei poética. O tema foi colocado de uma forma diferente, o que foi o ponto forte na minha humilde opinião, foi o título. Mas não curto nostalgia e melancolia.

    Desejo boa sorte neste desafio.
    Abraço!

  6. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Belo conto, uma metáfora bacana. Foi pelo sentimental e acertou. Talvez exista um ou outro probleminha aí, mas nada que atrapalhe. Gostei do desenvolvimento e da conclusão. Algumas observações:

    – “O cheiro de tabaco velho que escapava daquela gaveta dispersava memórias antigas pelo ar.” Acho o verbo dispersar não funciona aqui. Sugiro rever.

    – “apagou seu cigarro rapidamente (ouviu um “NHÉÉÉC” de alívio da cadeira ao se levantar) e começou a andar, agitado, de um lado para o outro.” Achei que a reação dele não faz sentido algum.

  7. Fil Felix
    11 de outubro de 2016

    Dia de Domingo/ Noites Cariocas

    Sei que são de artistas diferentes. Mas a segunda aparece no conto, a primeira fica no ar e as duas já foram cantadas pela Gal, que amo!

    GERAL

    Particularmente, não me incomoda o fato de tudo ter sido um sonho ou do cemitério ser metafórico, ser feito de lembranças e não por defuntos. A escrita é gostosa e nos sentimos numa grande fábula, com direito a um Mestre de Cerimônias de nome João, o nome mais comum das fábulas (do pé de feijão à Maria…). É bonito, é poético, nos fala sobre os sonhos perdidos e teve uma frase que achei muito inspiradora: realmente, para realizar alguns sonhos, precisamos enterrar outros. É triste saber disso. E ainda mais triste por não ter certeza se teremos outras vidas para poder realizar os demais. Foram pontos muito positivos, principalmente por fazer o leitor ir ao além-conto, pensar e refletir.

    BUGUEI

    O texto é bastante açucarado e geralmente não faz meu estilo. Mas aqui quase que vai um pouco pro cartoon, como quando o Joãozinho abaixa a cartola e a realidade muda. Não são defeitos, só pra comentar. Um ponto que não gostei foi o final com a rosa. É um desenrolar muito batido, o sonho que na verdade não se sabe ao certo que foi um sonho, pois alguma coisa dele ficou na “realidade”.

  8. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Cara, que surpresa boa esse conto! Tô ansioso pra ler historias que fujam do básico do tema, já que cemitério meio que tá bem batido. E o mais legal é que a historia me fez refletir em vários momentos.
    O ponto alto, pra mim, foi:
    “– Eu poderia ter sido ele, Joãozinho?
    – Poderia… mas aí haveria outra estátua neste mesmo lugar. Talvez fosse o senhor no lugar dele.
    O velho coçava a testa franzida, sem conseguir definir o que significava aquele aperto frio na boca do estômago.
    – Sabe, Seu Sebastião, os sonhos nunca cabem em uma só vida. Pra alcançar uns, todo mundo acaba enterrando outros. Todos têm túmulos em si.”
    Essa parte ta incrível!
    Um dos melhores que li até agora, parabéns!

  9. Bia Machado
    10 de outubro de 2016

    Tema: Para mim está dentro do tema. Só não gostei da forma como, no texto, a
    explicação foi dada ao leitor que talvez ainda duvidasse disso. Acho que ficou desnecessário. Mas isso é porque eu não sou fã de receber explicações do autor no meio do texto.

    Enredo: É simples, não tem nada de mais, mas foi bem executado dentro do limite. Quando digo dentro do limite é bem isso, mesmo: parece que você escreveu com base no limite, e por isso ele ficou bem executado, mas tão bem que ficou “certinho” demais. Não sei se consigo me explicar direito, mas faltou um pouco de emoção, apesar do desenvolvimento melancólico, emotivo, cheio de reminiscências e significados implícitos.

    Personagens: Muito carismáticos. Capazes de levar textos maiores que esse onde foram utilizados.

    Emoção: Gostei, foi uma leitura que me levou do começo ao final, sem vontade de interromper. Mas senti falta de uma dinâmica que quebrasse a linearidade do texto. Ainda assim, um texto muito bom!

    Alguns toques: Que desenvolva mais a história, além do limite dado para esse certame. Fará bem ao autor e a quem o ler. Eu gostaria muito. O final não faz jus ao restante do texto.

  10. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Taí um trabalho que merecia mais espaço. A ideia de um velho homem revisitar seu passado e reencontrar sonhos que foram abandonados é por si bem instigante. É como redescobrir memórias enterradas, aquilo que, em algum momento da vida nos parecia a coisa mais importante do mundo, mas que, por algum motivo foi deixada de lado, seja pela substituição, seja pela perda de interesse. Seja porque crescemos. Contos assim carregam consigo certa melancolia porque fazem o leitor retroceder no tempo e ver a si mesmo lidando com esses abandonos. Aqui, infelizmente, pelo limite imposto, essa ideia ficou mais na promessa do que apresentou resultados efetivos. Não me entenda mal, caro autor, o conto ainda assim é bom. Está bem escrito e prima pelo esmero na elaboração. Mesmo nesse espaço exíguo, você conseguiu construir um protagonista cativante e inserir um aspecto fantástico sem parecer forçado, o que é louvável. Contudo, por um capricho dos deuses da escrita, você não pôde desenvolver essa ideia do modo como seria adequado. Há espaço para isso. Se posso sugerir alguma coisa é que você reescreva este texto, desdobrando-o em camadas. Estou certo de que, por sua habilidade, o resultado será dos melhores.

  11. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Texto muito interessante, embora apresente momentos que me passaram ao lado e não entendi. Mereceu uma nova leitura. Felizmente os prós foram muito mais que os contra e o conjunto resulta em uma boa leitura e que nos faz meditar nas nossas vidas também. Parabéns, parece-me que será um bom candidato ao pódio.

  12. Pedro Luna
    4 de outubro de 2016

    Infelizmente não gostei muito, e vou me explicar. Desde a definição do tema do desafio, a única certeza que eu tinha era de que ia haver algum conto com o tema “cemitério de si mesmo”, “cemitério de sonhos” e justamente esse conto prova isso. O problema é que era justamente a história que eu não queria ler, pois considero uma ideia clichê e desgastada, até mesmo uma saída fácil para abordagem ao tema. Por isso, apesar de ser bem escrito, a trama para mim ficou extremamente batida.

    Outro detalhe importa para a minha leitura. O uso de metáforas. De certa forma, esse conto me lembrou os textos de Haruki Murakami, e infelizmente as metáforas de Murakami para mim dá no mesmo que ficar olhando uma parede em branco por duas horas. Estou de saco cheio de metáforas e estou preferindo coisas simples no momento. Os seus diálogos também me lembraram os textos dele, com um personagem dialogando com outro deveras improvável (fantasmas, pedras, árvores, gatos. No caso desse conto, Joãozinho), mas fazendo isso da forma mais natural possível. Esse tipo de diálogo também me incomoda um pouco.

    No entanto, o texto tem sensibilidade e a boa escrita não deixa a leitura desagradável. É um ótimo texto, que para mim não funcionou como conto. Talvez pelo momento que vivo. Peço desculpas pelas palavras. Acho que não ficou bem uma crítica, pois estou usando o meu gosto pessoal em primeiro plano, mas fui muito sincero no que disse e prefiro a verdade que a mentira ou omissão.
    Abraços.

  13. Wender Lemes
    2 de outubro de 2016

    Olá! Gostei do conto, mas não sei se o compreendi totalmente. Percebi certa indecisão entre a vontade de emocionar, a cautela em não se exceder na emoção e um apelo literário sutil. Há originalidade no modo como o tema foi abordado, de todo modo. Entendi a presença do humor ali como algo dúbio – está em um cemitério de sonhos porque não foi concretizado, mas recusa-se a morrer, porque ainda existe algo que alegre a vida do senhor, um resquício insistente de felicidade, um dia na semana. Apesar do final meio corrido, gostei da proposta. Parabéns e boa sorte.

  14. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    Um conto extremamente sensível, bem escrito e com uma qualidade impar.

    Não existem reviravoltas, não existem aspectos do gótico oriundos de um tema que, a rigor, seguiria nessa sanha. Parabéns. Fugiu dos clichês, mas debruçou-se em outros: cemitério dos sonhos, das expectativas, das esperanças desamparadas.

    Porém, é um trabalho de respeito.

    Gostei bastante.

    Parabéns.

  15. Thiago Amaral
    28 de setembro de 2016

    Hey!

    Conto de um dos profissionais da comunidade hauhauha

    Nada muito a dizer, além de que a escrita está perfeita, em termos de narrativa e clima. A história tem significado, o qual bastante poético.

    Só não figurará no meu ranking se houver outros de igual competência, mas que surpreendam bastante.

    Obrigado!

  16. Simoni Dário
    26 de setembro de 2016

    Olá Mouro

    Uma filosofada sobre a vida e morte dos sonhos. Gostei das reflexões e principalmente por você ter usado o tema de forma inédita e muito original.

    O texto em si não me cativou de todo, é muito bem escrito e bem narrado, mas tem alguma coisa que não fluiu cem por cento e não sei o que é.

    Penso que no momento do porão e das lembranças a narrativa tornou-se cansativa a meu ver, ou melhor, não tão fluida como o restante do conto. É belo e poético sim, transmite emoções e o personagem é carismático, mas eu gostaria de ter sentido mais o que o autor quis passar, o texto é isso, tem essa intenção e o problema pode estar comigo, portanto, parabenizo pela bela narrativa e desejo um ótimo desafio.

    Ah, amei o final!
    Abraço

  17. mariasantino1
    25 de setembro de 2016

    Ah! Posso ficar com invejinha? Queria ter escrito esse conto. A sério!

    Gostei de quase tudo porque vai de encontro com o que eu gosto de ler e procuro escrever. Conto onde o personagem é pessoa simples, sofrida e abandonada. Gostei do lance do cemitério de sonhos e gostei do que foi encontrado. Infelizmente tem algumas passagens estranhas que atravancam fluidez como o fato dos objetos surgirem dos móveis, o cadilac e as pessoas contidas nele. Entendi que o velho foi outrora tanto um músico quanto um humorista (ou pelo menos alguém bem humorado). Essas partes não se mostraram claras para mim e por esse motivo não pude apreciar o conto de todo. Mas curti a melancolia, as descrições até chegar ao porão e essa construção frasal aqui que me fez refletir”os sonhos nunca cabem em uma só vida. Pra alcançar uns, todo mundo acaba enterrando outros. Todos têm túmulos em si”

    Enfim, gostei da narrativa e do personagem, bem como de como o tema foi trabalhado.

    Só uma observação>>> A contração de Senhor não é SEU com “U” como nós falamos, mas sim “SEO”. Ou seja, SEO Sebastião.

    Boa sorte no desafio.

    • mariasantino1
      25 de setembro de 2016

      Não pude apreciar o conto como um todo*

      • Brian Oliveira Lancaster
        4 de outubro de 2016

        Ei, Maria, por aqui nunca vi ninguém usar “Seo” (que lembra muito CEO, de gerente). Só o “Seu” Francisco, por exemplo. Não seria uma regra regional, onde não se aplica normas?

      • mariasantino1
        4 de outubro de 2016

        Oi, Victor!

        Então, engraçado como são as coisas. Aprendi que “seu” era um erro, e como não tenho nenhuma gramática aqui em mãos e também não acho nada na net que possa apontar isso, acredito que você está correto. Vou olhar melhor quando chegar em casa, mas adianto um “Muito obrigada”, porque assim aprendo que estive enganada todo esse tempo.

        Abraço!

  18. Davenir Viganon
    25 de setembro de 2016

    Olá Mouro.
    Gostei da da ideia de cemitério como um local onde ficam os sonhos abandonados. Você administrou bem o limite de palavras, foi direto ao assunto e dedicou boa parte do conto a viagem nesse passado. As frases e construções que conduzem a viagem ficaram boas também. O arremate foi muito bonito com a criança chegando como sinal de esperança em uma vida cheia de calos. O ritmo foi constante, sem partes chatas. O que é importante num conto que não pretende ter impacto e reviravoltas. Sebastião devia ser mais complexo, acho que esse conto pede uma atenção a construção da personalidade do protagonista. Enfim, o conto é bom.
    Um abraço.

  19. Maria Flora
    24 de setembro de 2016

    Olá, Mouro. Seu conto é muito bom, principalmente pela ideia. A comparação dos sonhos abandonados com túmulos, e assim o cemitério dos sonhos é bastante interessante. A narrativa é coerente, as palavras seguem um fluxo poético. Há uma parte confusa – O tal do Humor, faltou algo. Poderia se trabalhar mais o personagem Sebastião, seguindo o foco do início. Com emoções e ações. Meus parabéns!

  20. Maria Flora
    24 de setembro de 2016

    Olá, o conto é interessante e possui partes reflexivas, como a ideia dos sonhos não realizados como túmulos em nossas almas. A narrativa é coerente e segue uma linha. Há falhas, como esta parte – O tal do Humor, ficou um pouco confusa. O sótão como cemitérios de sonhos poderia ter mais descrições, com maior foco nas emoções do Sebastião idoso perante seu passado. Mas creio que esta falha venha da limitação de palavras. Um bom conto. Parabéns.

  21. Maria Flora
    24 de setembro de 2016

    O texto possui bom início e em poucas expressões demonstra a situação do personagem. A narrativa é linear e prossegue coerente até o final. Muito interessante a ideia dos sonhos não realizados como túmulos em nossa alma. Há partes confusas como: ” O tal do Humor”. Faltou desenvolver um pouco mais os sonhos de seu Sebastião, focando em suas emoções, enfim, no próprio personagem. Parabéns, é um bom texto!

  22. Pétrya Bischoff
    22 de setembro de 2016

    Buenas, Mouro! Que construção incrível! Daqueles que, ao término, nos trazem uma lágrima e um suspiro indefinido. Quem me conhece sabe como gosto de personagens idosos, e esse saudosismo foi muito bem desenvolvido.

    A escrita é primordial! Passei exatamente um ano longe do EC e, nesse período, entraram muitos novos escritores mas, se eu pudesse creditar a alguém, diria que há três personalidades das antigas que poderiam ter escrito esse conto maravilhoso.

    Antes do término da primeira frase eu já sabia que seria um daqueles especiais. A construção das frases é profissional, a escolha das palavras é feita de maneira a auxiliar na fluidez da leitura. Belíssimas colocações e, ainda assim, de fácil acesso ao leitores menos experientes.

    A narrativa conduz o leitor pela mão, tal qual fez o guri de cartola com o senhor. E é essa narrativa, justamente, que caracteriza o autor. É muito mais visceral que a de quem apenas conta.

    A ambientação é a cereja do bolo desse conto, todas as descrições de lugares, sujeitos e ações criam imagens mentais espetaculares. Em especial, nas pequenas ações, como abrir e descrever a gaveta, ou fazer o cigarro. O detalhe das mãos trabalhando ásperas e, ainda assim, com a delicadeza necessária para o feito.

    Remeteu-me (creio que a todos) aos fantasmas dos natais (que admito não conheço a versão original), mas isso não desmereceu o conto, como pode acontecer (e nesse mesmo desafio já vi acontecer). As dores do tempo são sempre as que mais me abalam nesses contos. Entretanto, esse conto não carrega essa tristeza das perdas, apesar de evidenciar o que poderia ter sido. E o final foi tão lindo pois, apenas de o senhor pontuar que os filhos e netos só lembram dele no domingo, “hoje é domingo”, e nada mais importa. Admito que pensei que seria sua morte, mas ver a família mais uma vez foi um adento para os dias difíceis (e quando não o é?)

    Meu favorito até o momento. Parabéns e boa sorte!

  23. José Geraldo
    21 de setembro de 2016

    Texto belíssimo, que também ‘pensa fora da caixa’ e traz uma reflexão madura sobre a vida. Leitura difícil, que requer atenção e cuidado, requer também uma mente aberta para o estilo que não é direto e seco como hoje se usa.

    O texto ainda poderia se beneficiar de uma melhor organização da sequência dos eventos a fim de maximizar o impacto do cenário. Na verdade é o que eu costumo fazer (minhas histórias geralmente são em ordem direta), mas eu acho que a cena do “porão” deveria vir primeiro, para o leitor não saber do que se trata, e a questão dos filhos só virem aos domingos poderia vir toda compactada no fim. Isso daria ao texto um ritmo mais dinâmico (eu gosto de textos que começam “in media res”) e capturaria o leitor mais facilmente.

    Estará entre as notas mais altas, sem dúvida.

  24. Maurem Kayna (@mauremk)
    21 de setembro de 2016

    Mouro, eu gostei muito do início do conto. Quando me deparei com a frase ” Esse porão é onde o senhor enterra todos os seus sonhos.”, no entanto, houve uma ruptura… Essa coisa de explicar algumas coisas, como se o leitor não fosse captar… buenas, mania minha de não curtir isso. A linguagem é o ponto forte do conto, a forma de encaixar o tema também me agradou e o argumento geral é bom, mas achei a solução do “sonho” um pouco óbvia.
    Há um ponto que me pareceu no mínimo confuso, talvez por dificuldade minha de concretizar na mente a cena do encontro de Sebastião de uma estátua de si mesmo, mas que era outro….
    De qualquer modo, foi uma leitura predominantemente prazerosa.

  25. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Excelente versão poética de um tema tão mórbido. As reflexões do dia a dia, escolhidas pelo autor e comum a todos, deram um toque especial ao contexto. O tema está bem presente no “delírio real”, lembrando muito alguns filmes dos anos 80.
    ME: Desenvolvimento tranquilo, com bastante nostalgia e melancolia. Algumas figuras de linguagem dão vazão a pensamentos que permanecem latentes mesmo após o fim da leitura. Achei o final um tanto corrido, mas a metáfora da conclusão salvou todo o restante.

  26. Felipe T.S
    21 de setembro de 2016

    Gostei do conto! O autor não desperdiça palavras, tem uma narrativa bem dosada e criou aqui, algumas construções muito bonitas. Parabéns! Há momentos reflexivos na trama e várias passagens que nos fazem lembrar de outras leituras, mais como referências ou simples alusões. Apesar da trama ser simples, ela tem bastante sentimento, acho isso muito importante. Senti falta apenas de um pouco mais de descrições, principalmente durante o “passeio” pela casa com o Joãozinho e também, só mais um pouco de acesso ao psicológico do Sebastião. De qualquer forma, um conto que foi muito prazeroso de ler. Parabéns mesmo!

  27. Gilson Raimundo
    21 de setembro de 2016

    Um texto bem criativo, deu prazer em lê-lo, pois fugiu do padrão dos cemitérios assombrados. Narrativa leve e introspectiva, titulo icônico, traçou um belo perfil da maioria dos sonhadores, bem escrito e de muito bom gosto… Parabéns.

  28. catarinacunha2015
    20 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    O título desperta curiosidade, mas o começo não engata a
    TRAMA de imediato. Desejei continuar por causa da boa narrativa.

    AMBIENTE de bucólica alegoria me agradou muito. A melancolia foi na dose certa.

    EFEITO placebo. De uma simplicidade desconcertante. Vi-me pelada numa vitrine, como o Seu Sebastião diante da senilidade.

  29. Jowilton Amaral da Costa
    20 de setembro de 2016

    Um bom conto e muito bem escrito. A história me pegou no início e confesso que iria reclamar que não havia cemitério algum no conto, mas, enfim, ele apareceu. Um cemitério de Sonhos. Muito interessante. O desenvolvimento deste cemitério é que eu achei um pouco a desejar, talvez pelo limite de palavras. Na minha opinião, a narrativa perde um pouco sua força no decorrer do conto, ainda assim, é um belo conto. Boa sorte.

  30. Fabio Baptista
    19 de setembro de 2016

    Uma boa ideia, que não foi executada totalmente a contento, na minha opinião.
    Essa metáfora do cemitério de sonhos é muito boa, mas do jeito que foi apresentada, num estilo meio daquele conto dos fantasmas do Natal (só que com um fantasma só rsrs), ficou um pouco confuso, não conseguiu transmitir 100% as sensações de oportunidade perdida.

    A escrita está boa, mas sem nenhuma construção de encher os olhos.

    E fiquei meio perdido no final.

    – dispersava memórias antigas
    >>> não sei se “dispersava” foi a melhor palavra aqui

    – palrando
    >>> pausa para o dicionário…

    Abraço!

  31. Phillip Klem
    19 de setembro de 2016

    Boa noite, Mouro.
    Sem dúvida alguma este é o meu conto favorito no certame até agora!.
    A riqueza de detalhes minimalistas impressiona e encanta, combinada ainda com uma escrita cheia de sentimento que nos torna íntimos dos personagens.
    E falando neles, o protagonista é um show à parte! Quase que eu chamei ele de vovô.
    Sua idéia de cemitério dos sonhos foi muito original e cativante. Reflexiva até.
    Quem de nós não tem seus próprios túmulos internos?
    Mesmo em uma história majoritariamente melancólica e nostálgica, você nos forneceu um final cheio de esperança.
    Muito obrigado por esse conto maravilhoso.
    Sinceramente, se você não estiver no pódio ao fim deste certame, eu vou pras ruas gritar que foi golpe!
    Meus parabéns e boa sorte.

  32. Pedro Teixeira
    19 de setembro de 2016

    Olá,Mouro! Um conto muito bom. Tenho notado neste desafio um uso rico de metáforas, e mesmo que aqui uma parte delas esteja anunciada no próprio título, não deixa de ser uma leitura bastante prazerosa. Essa viagem pelo mundo interior de Sebastião, com seus sonhos enterrados, é algo com que todos devem se identificar — eu pelo menos me identifiquei, hehe. O tom poético da narrativa casa perfeitamente com a estória. Algumas das imagens travaram um pouquinho a leitura e não tem aquela carga de significado forte o suficiente pra se impor de imediato, como a estátua e o bêbado cochilando. Ainda assim, é um belo trabalho.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  33. Fheluany Nogueira
    18 de setembro de 2016

    Narrativa romântica, tristonha e reflexiva (O que fiz da vida? O que me resta?) em que o personagem busca a purgação dos erros.

    Trata-se quase de uma alegoria, o porão como metáfora de subconsciente e “Joãozinho” o consciente. Esta abordagem do tema, dentro de Desafio, é original _ o “cemitério” das lembranças _ mas, um pouco forçada, artificial.

    Quanto á linguagem, agradaram-me bastante frases como “os sonhos nunca cabem em uma só vida. Pra alcançar uns, todo mundo acaba enterrando outros. Todos têm túmulos em si.”. A leitura foi fluente e gerou interesse.

    Parabéns pela criatividade e pela participação.

  34. Jefferson Lemos
    17 de setembro de 2016

    Olá, Mouro.

    Gostei muito do seu conto. Talvez seja a vibe em que me encontro nesse exato momento, ou o fato dessa questão ser uma coisa que me assombra (o que você quer ser quando crescer?), mas o importante é que isso aqui me atingiu em cheio.

    Gostei de como a narrativa progrediu e entrou na personagem, dedilhando melancolia em cada linha. Sebastião e Joãozinho foram muito bem construídos, e o diálogo entre eles funcionou de forma natural. Não consegui ver entraves em nenhum momento da leitura, e apesar de o conto ser bem fugaz, foi possível aproveitar e muito a viagem.

    Narrativa limpa, bons diálogos, personagens bem construídos, boa utilização do tema e do espaço em que a história se encontra.

    Parabéns, muito bom conto!
    Boa sorte!

  35. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Utilizarei o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Gostei. Principalmente do início. A leitura rola fluída e a história vai se desenrolando com facilidade. No começo, dá um certo arrepio/medo com relação a imagem do menino. Os olhos negros insinuam um terror/tensão que acaba por não vir. Ao final da leitura, fica a impressão de que o autor criou todo um universo que, devido aos limites do Desafio, não pôde ser, de todo, desenvolvido. O final ficou gostoso como o início, mas o sentimento que “faltou algo” ofusca um pouco o pós-leitura. De 1 a 10, daria nota 7, principalmente por causa da imaginação do(a) autor(a) desta história.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Está bem escrito. Porém, faltou uma revisão um pouquinho mais atenta. “Transformavam em formas” e outros poucos vacilos não chegam a estragar o texto, mas me incomodaram bastante. A ideia foi muito boa, mas talvez grandiosa demais para o espaço disponível. O começo ficou mais lento, depois aumentando um pouco o ritmo até que, chegando o final, percebe-se uma correria para fechar a história que, sim, acaba redondinha.

    EU EDITOR (o lado negro da força) –> Tá quase bom! Não desista! 😉

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  36. Pedro Coelho
    16 de setembro de 2016

    Um ótimo conto, muito criativo ao trazer o cemitério do mundo físico para o mundo das ideias, o mundo inconsciente, dos sonhos… Texto bem legal de ler, flui. Muitos símbolos e signos bem interessantes, muito descritividade sem se tornar maçante, o que é bom. Enfim bem inteligente. Parabéns. Tem certa previsibilidade quanto ao final, mas não que isso seja algo ruim, afinal porque devemos viver apenas de surpresas?

  37. Iolandinha Pinheiro
    16 de setembro de 2016

    Boa noite, autor. Como já foi dito aqui, o seu texto tem um tom de causo poético, a narrativa ultrapassa a questão de ser intimista e mergulha na alma do protagonista, nas suas lembranças, sonhos, sentimentos, projetos abortados, tudo isso conduzido por uma entidade que representa a própria consciência do Seu Sebastião. O tema proposto no desafio deixa de ser um local físico, e se torna o local, na memória emocional do ancião, onde ele guarda tudo aquilo, que por um motivo ou outro, abandonou antes de concretizar. Por isso mesmo que a dona Josefina não estava naquele cemitério. Há um momento em que Joãozinho fala que ela está viva (ainda que de fato não esteja) ele a sente assim porque o casamento foi um projeto vitorioso, deu certo. Achei interessante e criativa a abordagem do tema dada aqui. O conceito de cemitério foi transportado para um outro nível. Gostei do menino Joãozinho, que de menino não tinha nada. Falas e pensamentos de adulto, sagacidade, uma aura de mistério e aquela cartola enterrada na cabeça criaram em minha cabeça um personagem imaginário rico. No início, pensei que Joãozinho fosse uma espécie de capeta que havia vindo buscar o homem, mas ao longo do texto percebi que nada mais era que um encontro do personagem com as suas próprias angústias e frustrações, personificadas em uma criança. O final foi um pouco frustrante. No mais é um ótimo conto.

  38. Anorkinda Neide
    15 de setembro de 2016

    Olá! Olha, eu gostei bastante mesmo! Reli agora e me encantei com passagens q tinham passado ligeiras pela minha percepção. Amei o menininho e sua cartola, principalmente da forma como ele a usou para desaparecer, encantador.
    O texto está perfeito, a história é linda e usou de criatividade para abordar o tema, ao mesmo tempo tocando na ferida: sonhos sepultados. Show!
    Mas tem um senão… ficou alguma coisa por entender, ao menos para mim, não entendi alguns simbolismos ali e o Humor achei q entrou meio espalhafatoso? com os papagaios, não capturei vossa mensagem, adorável autor(a). E tb o Grande Otelo não entendi como foi parar ali, se o velhinho tivesse se tornado ator, seria ele mesmo e não outro, sei lá, me perdi mas confesso q eu sempre me perco nessas partes…rsrrs Parece tb que disse q não se tornando ator, no caso, o velhinho não se realizou? foi isso? dae discordo do menino, mas tudo bem, são visões de vida…
    Mas eu gostei do conto e vou avaliá-lo muito bem, com certeza.
    Abraço e boa sorte.

  39. Claudia Roberta Angst
    14 de setembro de 2016

    O tema proposto pelo desafio está aí, talvez não da forma convencional, mas há um cemitério imenso apresentado ao leitor. Lembranças, visões, realidade ou devaneio? O quanto é real e o quanto é fantástico?

    O conto desenvolve-se em tom poético, com a densidade pesada de areia movediça. Bom, eu curto isso. Da metade para o final, a trama ganha novas cores e ritmo, diluindo um pouco a força do tom inicial.

    Gostei das metáforas, das imagens e da ideia de um cemitério de lembranças, escondido no porão. Local inexistente no sentido físico, mas significando o submundo do inconsciente, onde todos os sonhos, lembranças e até o humor permanecem escondidos, trancados pela censura pessoal e externa.

    Interessante a escolha do nome Sebastião – derivado de “sebastós”, que quer dizer literalmente “sagrado, venerável”. O Sebastianismo em Portugal, a lenda que fala sobre um rei tido como morto que ainda estaria vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro. Assim, no conto, Sebastião é apresentado como um cemitério de lembranças preciosas a serem veneradas, mas que continuavam vivas em algum lugar. Viajei muito?

    Boa sorte!

  40. mhs1971
    13 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Ler os contos tem sido algo bem interessante por causa do desfile de estilos de escrita, tanto notadamente amadores, assim como as mais maduras e profissionais.
    É o caso que senti ao ler este conto.
    É visível o quão experiente é sua escrita e consequentemente o desenvolvimento desta.
    Achei-a muito boa, com boas ideias e seguindo longe do clichê do que é a figura clássica do cemitério, suas lápides e a lua, utilizando do conceito de morte relacionado a sonhos e ideais.
    Porém, nem tudo pode ser considerado perfeito (o que é uma pena), achei-a um tanto densa no começo, que poderia ter dado uma amenizada e colocado em mais parágrafos o seu início. Todo começo, sei que muitos querem apresentar o máximo da caracterização de personagem e ambientação para que o contexto inicial não deixe dúvidas ao leitor.
    O desenvolvimento é muito interessante, onde a abordagem de cada elemento ligado ao mistério realmente faz prender a atenção.
    Porém, a parte final foi um tanto curta e encerrada de forma um tanto tola até, faltando uma mensagem ou finalização poética que seguisse o estilo inicial da escrita ou o conceito fantástico da ideia do conto.
    Mas de longe é o conto que mais me atraiu a atenção e tomara que os demais leitores/julgadores vejam o mesmo que vi, um conto muito promissor.
    Um abraço

  41. Taty
    12 de setembro de 2016

    Um texto bonito. Há imagens muito boas, embora eu concorde que houve certo exagero em ser profundo, não que seja um demérito sempre, é preciso que o contexto justifique o mergulho ou fica meio pedante.

    Por enquanto isso. Um bom conto. Agora depende dos outros textos se o valor deste será aumentado ou diminuído.

  42. Evelyn
    12 de setembro de 2016

    Oi, Mouro…
    Esse texto é quase uma poesia, não? Me perguntei quantos cemitérios eu carrego dentro de mim. Porque ele me fez muita perguntas e algumas não têm resposta.
    Gostei de como conduziu a história. Amei a maneira como construiu os personagens. Para mim, um excelente conto.
    Parabéns.
    Abraço!

  43. Evandro Furtado
    12 de setembro de 2016

    Fluídez – Good

    O texto corre bem do começo ao fim. Não há problemas com a ortografia ou com a sintaxe. A única ressalva seria para o estilo que é, naturalmente, truncado. Isso, no entanto, não afetou o panorama geral.

    Personagens – Very Good

    Sebastião – velho solitário e saudosista. Basicamente sua vida se resume, nesse ponto, a uma constante rememoração do passado. A morte da esposa alterou drasticamente sua vida, a perda da companheira despertando-o para a realidade da velhice e a proximidade da morte. Frustrado, viveu de acordo com a ordem social e, por consequência, não seguiu seus sonhos. Se considerarmos que os fatos narrados podem ter sido uma alucinação, pode-se dizer que ele busca justificar suas falhas por meio de argumentos falhos.
    Joãozinho – Vindo do inferno ou dos sonhos malucos de Tim Burton. Um moleque pequeno que usa cartola. Por algum motivo me fez lembrar de “O Fantástico Mundo de Bob”. Pode ser apenas uma alucinação de Sebastião ou um espírito zombeteiro. Tem aura de Dickens, como alguém citou em outro comentário, no caso do fantasma do Natal Passado.

    Trama – Good

    Bem estruturada e amarrada, abre duas perspectivas: a do fantástico e a do devaneio. As duas funcionam ainda que as tais flores possam levar o leitor mais para o primeiro lado e por isso abalar ligeiramente a boa estrutura que se apresenta. O conflito, no entanto, tem pouco apelo em seu desenvolvimento. É uma boa ideia, mas falha no aspecto dramático.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Good

    Estilo – Very Good

    Narrativa em terceira pessoa que, como citado anteriormente, trabalha em duas frontes. Boas descrições e interessante uso de metáforas ao longo do texto. Há também um emprego de uma linguagem poética em alguns pontos.

    Efeito Catártico – Weak

    Não necessariamente uma boa trama aliada a um bom emprego de estilo resultam em uma boa Catarse. A principal razão é porque, nesse caso, elas não conversaram entre si. O ponto principal sobre o qual o conto se desenvolve gira em torno de uma crise de velhice em Sebastião. Creio eu que uma linguagem mais intimista, com a utilização da primeira pessoa, teria tido maior efetividade na construção do texto. Isso se evidencia com a última frase do texto, que considero a mais importante de todas. A frase é forte e se amarra muito bem com informações proporcionadas pelo autor no início da narrativa. No entanto, não alcança o efeito esperado, justamente pela falta dessa ligação Trama-Estilo.

    Resultado Final – Good

  44. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! Parece que “A Christmas Carol”, de Charles Dickens, apesar de publicado em 1843, se tornou atemporal, pois continua fazendo muito sucesso e inspirando muitas obras. Seu Sebastião é, ao que parece, uma versão mais benigna de Ebenezer Scrooge. O conto padece de um mal comum na literatura: tentar demais, se esforçar demais. O que quero dizer é que o texto tenta nitidamente ser muito mais profundo e comovente do que acaba sendo de fato. Por exemplo: “– Você sabe quem são eles? – São outros iguais a mim: partes de um velho moribundo, como o senhor, só que muito mais velho e moribundo. – Quem? – O tal do Humor”. Tentar explicitar dessa forma exagerada, talvez até ridícula, as metáforas e mensagens que o autor quer passar só torna o texto pretensioso e até meio ridículo em alguns momentos. Pensei que o protagonista fosse morrer no final, ou alguma outra revelação fosse ser feita, fiquei bastante frustrado quando tudo terminou de repente. Não muito satisfatório, um conto que poderia ter sido muito melhor se não tivesse tentado tanto ser mais do que poderia ser. Desejo pra você muito Boa Sorte.

  45. Priscila Pereira
    12 de setembro de 2016

    Oi Mouro, eu gostei muito do seu texto, bem escrito, cheio de metáforas (que eu achei) muito boas. O tema cemitérios está presente de uma forma inusitada, o que é muito bom.A história toda me encantou, é singela e cheia de sabedoria. Muito boa sorte no desafio.

  46. Olisomar Pires
    12 de setembro de 2016

    Belo conto. Poético, eu diria. “os botões cor de carvão” se referem aos olhos do garoto, eu penso e já respondendo colega que perguntou em comentário anterior.

    Há imagens muito bonitas e delicadas.

    Apesar da previsibilidade do enredo, como já anotado, acredito que o autor conseguiu fazê-lo de forma fluida.

    Entretanto, parece-me que o tema “cemitérios” não foi atendido, apesar do “todos tem túmulos em si”. Muito vago isso.

    Enfim, um texto bonito com reflexões antigas. Boa sorte !

  47. Ana Paula Giannini Rydlewski
    12 de setembro de 2016

    Dizem que o primeiro parágrafo de um texto deve, de alguma forma, ganhar o leitor. Foi isso que este conto fez comigo. O início é excelente. Prende, chama, abraça o leitor.

    A sequência, talvez pela expectativa gerada, para mim, deixou lacunas um pouquinho abertas.

    O mais importante, ao meu ver é a forma como termina, com emoção.

    “Sabe, Seu Sebastião, os sonhos nunca cabem em uma só vida. Pra alcançar uns, todo mundo acaba enterrando outros. Todos têm túmulos em si.” É uma reflexão belíssima.

    Parabéns! E Boa sorte no desafio.

    • Ricardo de Lohem
      12 de setembro de 2016

      Não acho que o primeiro parágrafo seja o mais importante de um texto: acho que é a parte menos importante, pois pode ser corrigido pelo meio, e transcendido pelo final. Não adianta o início fisgar, se o texto não tiver nada depois disso; me sinto enganado quando acontece isso. Por outro lado, um início relativamente fraco,mas que é seguido por um bom recheio e um final perfeito acaba sendo uma maravilhosa surpresa, que me impressiona muito mais.

  48. Eduardo Selga
    12 de setembro de 2016

    O tema do presente desafio suscita, por óbvio, a construção de enredos calcados no discurso do insólito, em suas mais diversas matizes (dentre as quais o fantástico, o neofantástico, o maravilhoso, o real maravilhoso, o realismo mágico, o realismo animista), cujas fronteiras nem sempre são facilmente perceptíveis.

    Este conto não foge à expectativa, ao mesmo tempo em que traz em si pouca novidade. Aliás, é bem possível que em suas principais vertentes o insólito pós-moderno esteja esgotado em tema, psiquê dos personagens e ambientação, necessitando, por isso, se reinventar. Ok, isso é outra discussão, mas talvez seja relevante para os comentaristas ao analisar contos similares e para os autores muito preocupados com originalidade no sentido de ineditismo.

    O conto repete estratégias conhecidas nos seguintes aspectos, em se tratando do discurso do insólito: a antítese velho e criança, sendo esta condutora de uma outra realidade; a transmutação de um ambiente em outro, seja um efeito “real” (com todas as aspas que essa palavra merece em se tratando de ficção), seja do psiquismo do personagem; a presença de situações e objetos que não condizem com a ambientação, como no caso do veículo com papagaios dentro; a presença de personagem-espírito.

    Ressalte-se: isso não é necessariamente uma crítica negativa, pelos motivos relacionados ao possível esgotamento, já expostos. Apesar disso, seria interessante ao (à) autor(a) procurar, dentro da pouca margem de manobra que o discurso do insólito apresenta, outras soluções quando arquitetar enredos similares.

    Um bom exemplo de fuga ao comum nessa escolha estética está no fato de os papagaios serem “partes de um velho moribundo”.Ou seja, se forem “de fato” animais, representam algo além deles mesmos; caso contrário, se eles não “existirem” como animais, se forem uma espécie de metáfora visual que o protagonista enxerga, são a personificação desse outro velho moribundo. É uma polissemia sutil e bem interessante.

    No entanto, a excelência da polissemia se perde um pouco devido ao fato de o(a) autor(a) ter escolhido uma solução fácil, em meu ponto de vista. O “outro velho moribundo” é o Humor (com maiúscula, dando-lhe status de personagem). Se por um lado é outro exemplo de personificação, por outro torna a solução meio infantil na medida em que se aproxima da fábula. Neste gênero literário, apenas para lembrar, animais, objetos e abstrações ganham personalidade e falam, interagindo com personagens que representam pessoas.

    Pode-se alegar que a fabulização é escolha razoável, pois um dos personagens é um menino, e a infância tem um universo por natureza fabular. Sim, mas o eixo do conto não passa por aí e Joãozinho, embora criança, não é neda infantil. Ao contrário, e aqui temos outro bom aspecto do conto, de criança ele tem apenas a aparência de pouco “[…] mais que cinco ou seis anos de idade”. Ele é, assim me afigura, um espírito “adulto” que se mostra enquanto menino.

    Falando naquilo que não é, a cozinha se transforma em porão ou cemitério? A resposta do menino não deixa muitas certezas, pois ele diz que “Pode-se dizer que é [um cemitério]” E continua: “Esse porão é onde o senhor enterra todos os seus sonhos”. Temos então uma cozinha que é vista simultaneamente como porão e cemitério. São dois símbolos de abandono postos um ao lado ou dentro do outro, sem que, em minha opinião, houvesse necessidade. Parece mais cemitério que porão, pelos objetos nele existentes.

    Aliás, se observarmos bem, essa cozinha-porão-cemitério é a versão macrocósmica de outro espaço de abandono: a gaveta de Seu Sebastião. Ele mesmo é um grande abandono.

    Há uma passagem que eu realmente não consegui entender. Eis: “Seus dois botões cor de carvão eram sagazes, inquietos, nada coerentes com uma criatura tão jovem – não aparentava muito mais que cinco ou seis anos de idade”. Se o narrador se refere á cartola do menino ou a ele próprio o que seriam “botões cor de carvão”?

    O conto começa muito bem, com uma bela metáfora (“Dona Josefina, parceira de tantas estações, tomara o trem das almas alguns anos antes, deixando-o sozinho naquele mundo”) e igualmente bela personificação (“Abriu uma fresta da janela para que o sol tocasse a cadeira de balanço, que reclamou um pouco sob seu peso, mas não lhe negou o aconchego”), construindo uma ambientação de abandono, alguma tristeza, e Seu Sebastião começa a ser construído.

    Entretanto, à medida que a narrativa evolui, essa pujança vai ficando de lado: a ambientação continua, mas o protagonista vai perdendo peso. E veja: não é que o menino passe a receber maior importância e isso “desidrate” Seu Sebastião, o que narrativamente pode ser muito interessante em textos longos. Não. Parece que o cuidado inicial foi esquecido.

    Assim sendo, eu diria que o texto peca um tanto em coerência narrativa e em personagem; tem boa coesão textual; a linguagem é desequilibrada, com bom uso de figuras de linguagem, mas, como disse, com certo descuido após um bom início; o enredo, inserido no discurso do insólito, é relativamente previsível.

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Publicado às 11 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .