EntreContos

Detox Literário.

O Estranho Desaparecimento de Eleanor Rigby (Tatiane Mara)

lennon

O estranho desaparecimento de Eleanor Rigby

Novamente repito: eu não sou padre. Meu nome é John Mackenzie, professor. Fui seminarista sim, intencionava ingressar nas fileiras de Nosso Senhor, mas o caminho de Deus tem muitas portas e o amor é uma delas. Quando conheci Eleanor, soube imediatamente que não poderia jamais esquecê-la ou tê-la como simples amiga. Eu a amei instantaneamente. E ela a mim, acredito. Saí da vida pré-eclesiástica e nos casamos há cinco anos. Temos sido felizes desde então. Oh! Meu Deus ! Proteja minha doce Eleanor, onde quer que esteja, eu não conseguiria viver sem ela.

Deveríamos estar em campo procurando por minha amada, mas os senhores insistem em ouvir repetidamente meu testemunho, talvez procurando falhas ou incoerências, quem sabe,  mais preocupados em apresentar um culpado que solucionar um mistério, aparentemente insolúvel. Suspeito que os senhores já intuem  o que aconteceu mas não o admitem por medo. O que houve com ela ? Eu não posso ter imaginado aquilo, é horrível demais. Eu … não sei o que pensar, mas contarei novamente, até à eternidade se preciso ou obrigado, minha intenção é esclarecer tudo, não posso nem desejo conviver com essa escuridão. Não ouso sequer repousar e, talvez, rever em sonhos aquelas imagens que tanto me angustiam. Eu a amo.

Eleanor é escritora. Seu trabalho é sua vida e sua alma. Ela não escreve somente, suas palavras no papel são uma confissão do que lhe vai no íntimo. Seus personagens tornam-se mais que filhos, os quais ainda não tivemos realmente por causa de sua obstinada recusa em abandonar suas crias literárias. Alguns diriam que ela é obcecada. Eu vejo apenas talento em demasia, paixão pela arte. Um dia teremos nossos filhos, sim nós os teremos … Desculpem-me, eu não sou emotivo assim, mas não posso lembrar do seu trabalho, quem cuidará dele, se ela realmente não voltar ? NÃO, ela voltará, eu creio. Deus me ajude !

Sim, continuarei. Sua editora encomendou um romance. Disseram que o mercado estava pronto, mais que isso, exigia o assunto. Seria ou será um livro de terror. De tempos em tempos, parece que os leitores debandam em massa para um assunto ou outro, dessa vez, de acordo com os agentes literários, o mundo pedia estórias de assombrações, visagens, mortos-vivos, vampiros, qualquer coisa nesse sentido. Eleanor se empolgou imediatamente. É um tema que admira muito, a diverte profundamente, a intriga, a seduz. Não sei a causa dessa preferência, ela nunca me disse. Apenas mencionou, certa vez, de forma muito leve, que minha formação religiosa a cativava, como se eu tivesse sido um sacerdote conhecedor de mistérios insondáveis.  Então ela aceitou o trabalho, penso mesmo que o faria até gratuitamente.

Durante semanas, Eleanor pesquisou tudo que podia sobre o tema. Leu, investigou, conversou com pessoas esquisitas. Viajamos para outras cidades, entrevistamos dezenas, senão uma centena . É tudo tão amplo e fantástico. As pessoas vêem tudo e de tudo ou pelo menos, dizem ter visto. Eleanor acreditava. Eu percebi que ela estava mudando, ficando mais soturna, preocupada. Nada mencionei, porque atribuí ao cansaço do trabalho. Respeitei sua dedicação. Calei-me quando deveria tê-la alertado. Ainda mais, sabendo eu, que o Mal realmente existe, seja em que forma for. Eu deveria tê-la afastado desse caminho. Fui um tolo !

Preciso de um copo d’água, por favor. Minha garganta dói terrivelmente.

Há quinze dias, Eleanor se reuniu com um grupo religioso. Eu não participei. Ela só me contou que eram três pessoas muito influentes no submundo esotérico e que lhe haviam fornecido importante conhecimento sobrenatural. Ela estava excitadíssima, transfigurada – O mundo não será mais o mesmo – ela disse. Não faço idéia do que seja que lhe contaram ou do que ela tenha descoberto. Ela não teve chance de explicar. Se pudesse voltar no tempo, eu a impediria de continuar o projeto, mas não posso, não podemos, somos todos escravos do desconhecido.

Então, há dois dias, ela me comunicou que faria uma viagem. Desejava ir sozinha. Não o permiti, em hipótese alguma. Apesar de minha estultícia, pressentia algo ruim. Exigi saber, assim como iria junto para onde quer que fosse. Ainda relutante, tentou me convencer a ficar, explicou que não havia nada demais, iria conhecer um cemitério antigo, não muito distante de uma cidade, no interior do país. Ela queria ou precisava, não sei o termo exato utilizado, passar uma noite no local, essa noite específica e fatídica. Isso me gelou inteiramente.  – Que coisa mais estapafúrdia – falei. Argumentei, pedi, implorei. De nada adiantou. Quase não a reconhecia. Parecia estar sob efeito de alguma potente droga. Viajamos.

Durante o trajeto, Eleanor consultava suas anotações, que cresceram exponencialmente após o encontro com o grupo religioso secreto. Não conseguimos conversar muito sobre outra coisa. Tudo girava em torno daquela noite. – John, se isso for verdade, ficaremos famosos e ricos – ela dizia. – Mas o que é ? – Eu perguntava e ela não sabia responder ou não queria, não sei. E se fechava em seus pensamentos.

Chegamos ao local ainda com o sol alto. Passamos por uma cidadezinha abandonada por Deus. Tudo muito quieto. Parado. Expectante. Nem diminuímos a velocidade. Eleanor tinha uma mapa antigo. Foi-lhe entregue por alguém na última reunião que citei. Havia símbolos estranhos no papel. Uma língua desconhecida pra mim, mas que Eleanor interpretava facilmente, me pareceu. Eu era apenas um acompanhante nesse momento. Segui as instruções que ela me passava, viramos à direita após a derradeira rua do povoado e prosseguimos por estradinhas secundárias. No início a paisagem era clara, com boa visão para o horizonte. Alguns quilômetros após, notei que o mundo havia mudado. Havia sombra. Árvores em profusão. Algo pantanoso no ar. A atmosfera estava se amoldando ao caso. Dentro do carro, nós não nos falávamos mais.

– Pare ! – ela gritou de repente. Apertei os freios com toda força, preocupado com algum atropelamento que não teria avistado.

– O que foi, Eleanor ? perguntei assustado.

– O sinal. Eu vi o sinal marcado. Precisamos descer e continuar a pé fora do caminho – ela respondeu.

Eu nunca soube que sinal era esse. Saímos do carro e não reconheci nada como um suposto marco. Havia sim uma trilha pequena, meio escondida entre duas pedras maiores. Pegamos nossas coisas , tranquei o carro e segui Eleanor dentro da mata. Não sei dizer quanto tempo andamos, não foi muito, presumo que uma hora. Até que se abriu à nossa frente uma ampla clareira. Com túmulos de todas as formas: jazigos, lápides, pequenas cruzes. Centenas deles. Curiosamente, estava tudo limpo e bem cuidado, apesar de se encontrar em local de difícil acesso. Ao redor de nós, a mata escura fazia as vezes de muro.

– Chegamos – ela disse entusiasmada. Armamos nossa barraca ao lado de uma construçãozinha em forma de capela e esperamos.

A noite veio rápido. Uma escuridão total. Nossas lanternas quase não conseguiam penetrar naquele vácuo. Eu não sabia o que imaginar. Eleanor nada dizia.

Agora as coisas se complicam. Não tenho muita certeza de nada. Mas me aterei à minha memória o máximo possível.

Calados dentro da barraca, no escuro, cansado da viagem, adormeci. Não se admirem com minha capacidade de ser inútil. Basta-me minha culpa me perseguindo. Quando acordei, Eleanor não estava ao meu lado. Saí imediatamente para o vazio, não enxerguei nada. Chamei por ela, bem baixinho, não me perguntem porquê. Eu estava com medo. Pareceu-me ter visto luzes mais adiante e fui na sua direção. O coração me batia como um louco.

-Eleanor, Eleanor – eu cochichava como se estivesse sendo vigiado ou procurado.

Foi quando a lanterna dela no chão em frente a um jazigo enorme chamou-me a vista, pois brilhava. Havia um portão de ferro trabalhado e um enorme cadeado aberto. Aproximei-me devagar. Tudo estava tão quieto que eu ouvia meus pelos se eriçando. Olhei para dentro do jazigo, joguei o raio de luz ali que me mostrou apenas a entrada de um túnel.

Quando encostei a mão no portão para abri-lo e entrar, ouvi o grito mais macabro e medonho de toda minha vida: -NÃO ENTRE, FUJA !

Era Eleanor.

Ela se jogou contra o portão me empurrando. Sua face estava aterradora. Sua blusa estava rasgada e havia três imensos vergões em seu peito.

FUJA E NÃO VOLTE ! – Ela gritou alucinada.

Antes que me desse conta, ela pressionou o cadeado no portão e o trancou.

Nesse instante, uma garra apossou-se do seu pescoço e a puxou de volta para o interior. Ela não gritou mais. Não me esquecerei daquela mão com suas unhas gigantescas e o cheiro nauseabundo que a acompanhava.

Virei-me imediatamente para encontrar um pedra e arrebentar a fechadura. O que vi, congelou-me. Três pessoas vestidas de negro estavam às minhas costas: – Vá e não volte, ela seguiu seu destino – me disseram.

Então corri como um louco. Abandonei meu amor. Escondi-me na mata até amanhecer e estou aqui. Agora vocês, em trio, me dizem que não há cemitério algum, nem povoado algum. Vamos procurá-los.

Eu não sou um assassino.  Onde estou ? onde ela está ? respondam-me…

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44 comentários em “O Estranho Desaparecimento de Eleanor Rigby (Tatiane Mara)

  1. Simoni Dário
    15 de outubro de 2016

    Olá Lennon

    O texto é bom e bem escrito e foi me prendendo e atiçando a curiosidade. Em alguns trechos achei cansativo, mas logo retornei para a fluidez narrativa.

    Pobre John, tentando convencer (a polícia?, psiquiatra?) da sua inocência.

    Eu imaginei que o enredo tomaria outro caminho, do tipo oferendas humanas, mas o final foi uma surpresa e acho que fechou bem o suspense.

    A narrativa é competente, tem criatividade. Não gostei tanto como gostaria, mas foi uma leitura curiosa.

    Bom desafio.
    Abraço.

  2. Rodrigues
    15 de outubro de 2016

    Achei bom que não se tratava de um conto completamente baseado na música dos Beatles, que acho bem chata. Apesar das estruturas de textos terem sido escritas com competência, não consegui enxergar nenhum ponto de identificação, sequer com a trama, sequer com o personagem, por gosto pessoal mesmo. Acho que muito disso ocorreu pela iconografia escolhida pelo escritor, que concluiu a história sem muito a revelar, mas também não estragou com um final mirabolante.

  3. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    42. O Estranho Desaparecimento de Eleanor Rigby (Lennon)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a expectativa gerada por um título pode ser frustrada por ser seguida de uma derivação (estilo Beethoven, o cão). No entanto, a construção criativa do autor como obra livremente adaptada (inspirada, mas não subordinada a) deve ser enaltecida.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Deceptivo.

  4. Marcelo Nunes
    13 de outubro de 2016

    Olá Lennon.
    Uma leitura fluida e uma escrita limpa. O tema ganhou quase nada de destaque no texto, ficou como um plano de fundo. Não consegui entender qual foi a intenção do autor.

    Se Eleanor, veio fechar o portão e trancar o cadeado, porque ela não fugiu com ele?

    Parabéns e boa sorte neste desafio.
    Abraço!

  5. Pedro Luna
    13 de outubro de 2016

    Olá. O conto prende a atenção. Achei interessante que ele não tem aquele tipo de escrita que te faz voar pelas palavras. Aqui a leitura segue lenta, mas não por isso deixa de prender o leitor. O mistério foi bem trabalhado e o leitor não consegue largar a leitura antes de saber o que aconteceu.

    Porém, o desfecho não condiz com o suspense levantado. Acho que alguns parágrafos do início, onde o narrador lamenta a situação e repete várias vezes que ama a mulher e que quer encontrá-la, poderiam ser encurtados e fornecido as palavras necessárias para o autor desenvolver a ambientação no final. O cemitério figurou pouco, e não levantou a intriga necessária. Assim como o desfecho de Eleanor no túnel, com a garra a segurando. O que diabos aconteceu mesmo?

    Talvez, se não houvesse limite, o autor explicaria a situação, mas não gostei de ter ficado boiando. Sinto muito. E não digo isso esculachando o conto, mas sim que estava bom demais até eu me dar conta que o mistério não ia ser sanado, ou se foi (com detalhes no texto, o que sempre é uma possibilidade), não ficou claro o suficiente.

    Aqui explico uma questão: certos tipos de texto já começam densos e intrigantes, daquele tipo de leitura que você sabe que existem segredos escondidos nas palavras, que possivelmente revelam coisas sobre o fim e tal. Esse tipo de texto geralmente é intrincado e exige muito do leitor. Mas aqui, o que vemos, apesar do estilo lento do autor, é um texto fácil de ler, que até o final estava explicando tudo de uma maneira bacana e prometendo um mistério. E nesse tipo de texto, um final pouco explicado, ou que faça o leitor precisar buscar pistas no texto, não soa bem. Não soa porque é uma leitura do tipo ‘THRILLER’, e nesse tipo de texto o leitor só quer entender tudo no final e sorrir.

    Aqui, não ficou claro pra mim a situação no final e a ligação que isso teria com a sociedade secreta.

    Mas foi uma boa leitura. Abraços.

  6. Fil Felix
    12 de outubro de 2016

    Quem acabou com o sonho de Eleanor?

    GERAL

    A escrita é muito interessante. Não tem grandes malabarismos textuais, bastante tranquila de ler. Fiquei envolvido com a história que, quando chegou no cemitério, eu nem lembrava que precisa estar dentro do desafio. Adorei o título, não sou fã de Beatles e peguei a referência ao pesquisar o título/ pseudônimo, então se houve alguma outra referência acabei boiando. Até os 90% do conto achei bom, a narrativa consegue prender o leitor e ficamos interessados pela Eleanor (até porque é escritora) e querendo descobrir o que realmente aconteceu. Um ponto bastante positivo, principalmente por se tratar de um suspense/ mistério, é conseguir captar essa atenção e levar o leitor por um caminho.

    ERRORr

    Os 10% finais do conto eu achei menos interessante, principalmente por cair no velho susto. Uma criatura que pega a amada Eleanor (um lobisomem?) e a sugestão que os três interrogadores seriam os três encapuzados. Para um conto de mistério, um pouco explicado demais.

  7. Anderson Henrique
    12 de outubro de 2016

    História de terror padrão. Lembrou-me de uma do Lovecraft que não recordo o nome, mas o encerramento é bem parecido. Gostei do texto, suspense crescente, final arrepiante. A fluidez da leitura agradou. Deixa mais perguntas do que respostas. Um bom conto.

  8. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Mais uma grata surpresa! O começo não tava me agradando muito, mas o desenrolar foi muito bom! Inclusive conseguiu me deixar curioso, e isso é bem raro. Fiquei ansioso pra descobrir logo o que aconteceu com a bendita. Tudo ficou bem explicadinho e bem convincente. O clima de suspense é a cereja no bolo, e o autor demonstrou uma bela capacidade descritiva das situações e sensações.
    Porém, os últimos parágrafos não me agradaram tanto quanto o restante. Achei que o fim podia ter sido mais impactante, sei la. Principalmente os dois últimos parágrafos. Mas isso não estragou de forma alguma a obra como um todo, que tá bem interessante.

  9. Bia Machado
    11 de outubro de 2016

    Tema: Embora meio “nebuloso”, acredito que se enquadra ao tema. O bom foi ter fugido do lugar comum.

    Enredo: Esse é um conto que me prendeu muito mais (ou totalmente) pela narrativa do que pelo enredo. Que é interessante, em alguns pontos, mas em outros, durante a leitura me cansaram, em outros a suspensão da descrença não foi a suficiente para aceitar que fosse daquele jeito. A situação da publicação do livro,da pesquisa para sua escrita, por exemplo, é tão fora da realidade, ao menos pra mim faltaram elementos que pudessem me ajudar a aceitar melhor esse ponto dentro da história. O bom é que o conto não se limitou à música, criou um caminho próprio.

    Personagens: A narrativa prende a atenção e faz crescer a curiosidade, foi boa a narrativa em primeira pessoa, então. Eleanor poderia ter sido mais bem aproveitada. Ficou muito delimitada pelo ângulo narrativo do MacKenzie.

    Emoção: Prendeu minha atenção, despertou minha curiosidade e me fez querer um tratamento melhor dado às personagens, rs. Acredito, então, que o saldo foi positivo.

    Alguns toques: Um conto desse, onde se pretende manter a dúvida do que realmente aconteceu deve ser narrado em primeira pessoa, sim, o que fazer então com Eleanor, para que não fique tanto em um viés secundário? Eis a questão.

  10. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Confesso que estava esperando um spin-off da canção dos Beatles, a história de Eleanor Rigby e os motivos que a levaram para o cemitério da igreja do Padre McKenzie. Talvez por isso tenha ficado frustrado com a premissa adotada pelo autor. Não esperava, mesmo, uma história de terror ou suspense no lugar de uma ode à solidão. De todo modo, não posso deixar de dizer que a escrita me surpreendeu positivamente. A mão é firme e o contexto desenvolvido, muito bom naquilo a que se propõe. Há, de fato, um suspense crescente e eu, a certo ponto, me vi compelido a continuar a leitura para, afinal, saber aonde tudo ia dar. Não houve uma reviravolta surpreendente nem nada que o valha, mas o arremate ficou redondo. Também há que se louvar o trabalho pelo estilo de narrativa adotado. De fato, o depoimento permite interpretar o final como aberto, sem saber se McKenzie diz a verdade ou não, se foi ele mesmo o responsável pelo desaparecimento de Eleanor ou se realmente ela foi vítima de criaturas demoníacas. Enfim, apesar do desapontamento inicial, devo dizer que o conto apresentou boas qualidades. Espero ver outros trabalhos do autor por aqui.

  11. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Uma história com um bom inicio, mas depois perdeu a força e deixou algumas pontas soltas, que fazem a trama perder-se, e, foi pena pois tens aqui uma excelente trama e podes avançar com algo mais impactante – um romance? ou simplesmente um conto sem o espartilho do limite do número de palavras. Parabéns e refaz este texto, ele merece.

  12. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    O conto bebe, na minha opinião, do mestre Lovecraft. É um trabalho competente, bem escrito, sem grandes construções frasais, mas que cumpre o prometido. A história não cativou, infelizmente. Talvez pelo fato de ter sido cativo, por muitos anos, dessa literatura de Lovecraft, de Poe e dos mestres do gênero. O esoterismo, a noite auspiciosa para se passar no cemitério, símbolos estranhos, tudo isso são fórmulas por demais utilizadas nos contos que bebem do mesmo tema. Gosto, claro, mas acho que faltou um arejar: uma nova forma de contar uma história gótica.

    No mais, é um trabalho bem produzido.

    Parabéns.

  13. Amanda Gomez
    29 de setembro de 2016

    Olá, Lennon

    Estou meio chateada, porque fiquei meio de fora de algumas mensagens que o autor passou aqui, não lembro dessa música, se ouvi, se ouvi provavelmente nunca busquei uma tradução para entender com exatidão… na verdade fiz isso agora pouco depois que terminei o conto é, não foi o que eu esperava. rs

    Enfim, vamos do início. Durante todo o relado de John eu fiquei ansiosa por mais de Eleonore, queria conhecer mais sobre a pessoa dela, pois com certeza é a personagem que chama atenção, e não o marido. A opção pela narrativa/depoimento, não me incomodou, só me senti meio enganada, pois pela premissa, histórias com um titulo desses e uma narrativa intimista tendem a ter muitas surpresas…. Não teve, e estou chateada porque eu queria muito ter amado o conto, ele tem uma atmosfera muito própria que eu gosto bastante.

    Acho que o defeito, se posso chamar assim, foi a “má” execução da obra e si, ele não está… como posso dizer… redondo.

    A parte do desaparecimento, apesar de raiva tem impacto, o terror aparece e a parte da garra foi bem legal.

    É isso, boa sorte no desafio. 🙂

    • Amanda Gomez
      29 de setembro de 2016

      Corrigindo….Raiva > Rápido.

  14. Thiago Amaral
    28 de setembro de 2016

    Oi!

    Mas que laboratório essa mulher fez pra escrever uma história, hein? huahu

    O conto é interessante por sua forma narrativa, o depoimento de Mckenzie. Contudo, a história não me apresentou nada de especial. O próprio cemitério pareceu um mero detalhe, e a captura de Eleanor tão rapidinha, nem vi direito. Gostei das garras que a pegaram, pelo menos.

    Suspeito que o autor tentou dar um twist na letra da música, tornando-a bem mais sombria, com Mckenzie sendo o assassino que se afasta do túmulo limpando suas mãos. À luz dessa leitura, fica interessante imaginar que ambos se casaram e continuaram solitários. Nesse sentido, é legal ver o narrador como sendo não-confiável, mas não percebi elementos suficientes para saber se deveria pensar assim ou se estou analisando demais. Do jeito que o texto está, qualquer aproximação entre história e canção parece um pouco forçada.

    No geral, formalmente interessante, mas não entregou muita coisa.

    Boa sorte.

  15. mariasantino1
    26 de setembro de 2016

    Olá!

    Então, eu queria ter gostado mais do conto, porque o relato promete, cria expectativa, mas não cumpre muito, no sentido de se fechar redondo. Acho que vc só usou os nomes para fazer alguma homenagem, mas parou aí, nos nomes, porque a canção fala de solidão e indiferença, que acaba unindo o padre e a moça acidental/tragicamente (por assim dizer), mas seu conto não trilha por esse caminho.
    Não curto muito narrativas em primeira pessoa, muito menos relatos, porque já li alguns consagrados como os do Lovecraft, e acaba que tudo o que vem depois fica sempre à sombra. Mas reconheço que isso tem mais a ver com questão de gosto, embora acredite que seu texto ficaria mais interessante com o uso do narrador universal.
    Agora sobre o que o cara diz sentir pela escritora, me pareceu meio furado, porque ele a abandonou lá com o bicho de garras, e sendo assim tão apaixonado, seria mais crível que alguém o encontrasse delirando, ou destituído de voz após ter chamado por ela, sabe? Que ama mesmo (como o John disse que ama) não abandona — em minha concepção.
    Enfim, não gostei do conto como ele está, mas acho de verdade, que você tem um trabalho que pode render uma novela bacana, com algumas mudanças e maiores explicações.

    Boa sorte no desafio.

  16. Maria Flora
    26 de setembro de 2016

    O conto se baseia em uma narrativa confusa que nos mostra o estado de espírito do personagem. Percebe-se a tensão. Talvez por ser um conto, traz a sensação de faltar a descrição de lugares, situações e personagens. A própria Eleanor teria de aparecer mais. O contrário de John, que está presente demais, eu diria. Perturbou os outros elementos da trama. Esta, por sinal, é boa. O início lembra um trem já em travessia há um tempo. Pode-se voltar no tempo para melhorar a entrada na estória. Desejo-lhe boa sorte.

  17. Davenir Viganon
    25 de setembro de 2016

    Olá Lennon
    O título já aponta o mistério, ficando a cargo do como e do porquê o atrativo para continuar lendo.
    Não sou muito ligado em Beatles, então qualquer referência a não ser o nome do pseudônimo e do título passou em branco para mim. O conto segue uma fórmula de relato (característico do terror e do fantástico). A estória é padrão e a ambientação ficou no meio termo, fizeram seu papel, sem ser brilhante. Ficou mediano. As construções de frases são boas, mas nada de muito impactante aconteceu. Gostei da Eleanor, pena que ela aparecia pouco, devido ao protagonista não ser um bom relator. (pena que ela sumiu, talvez, por ser escritora, contasse com mais detalhes…) O que tomou conta do conto mesmo, é o tom aflito do marido, isso é bom. Aparentava, inicialmente, que ele se sentia culpado pelo desaparecimento e, no fim, não houve surpresas, era isso mesmo. O ruim do marido, john, é que ele não fala nada do que sabe porque não sabe de nada.
    O relato em 1ª pessoa nos permite colocar dubiedades, interpretações e a grande possibilidade do narrador estar mentindo ou ter uma visão enganosa das coisas. Acho que das duas uma: ou ele mentiu bem e não percebi ou você não explorou essas possibilidades.
    Um abraço.

  18. Pétrya Bischoff
    22 de setembro de 2016

    Pois bem, sr. Lennon. Beatles é uma das minhas bandas favoritas, mesmo destoando das outras vertentes que ouço. Eu mesma já escrevi um conto aqui com várias referências musicais deles, há uns três anos… Eu sempre acho interessante contar uma história acerca de uma música, fiz duas vezes no EC. Vamos, então, à avaliação:

    A escrita não apresenta grandes pretensões mas está perfeitamente encaixada na proposta, creio eu. Não é absolutamente simples, tampouco possui firulas ou armadilhas onde o próprio autor poderia escorregar. Gostei que tenhas conseguido te manter fiel durante todo o conto.

    A narrativa cai no lugar comum do personagem contando o acontecido sem compreender o que aconteceu, parecendo tanto louco quanto culpado, o que deixa aquela dúvida acerca do real desenrolar dos acontecimentos. Essa dúvida é interessante, se bem desenvolvida. Entretanto, não senti nenhuma surpresa, pareceu-me mais uma lenda urbana de cemitério.

    A ambientação não recebeu tanto espaço nesse texto, já que o autor preocupou-se muito mais em contar o acontecido. Isso não desmerece o conto propriamente, mas em questões de gosto, não me agrada, pois adoro belas e demoradas descrições acerca de lugares e situações. Sequer a descrição do acampamento e do cemitério causou-me algum sentimento de medo.

    De maneia geral, um conto sem muito potencial. Mas não creio que por demérito do escritor, e sim pela não tão boa escolha de trama.

    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  19. Felipe T.S
    22 de setembro de 2016

    Olá!

    Mais uma narrativa seguindo o padrão das clássicas histórias de terror sobre relatos/confissões sobrenaturais.

    A narrativa como um todo é razoável, poucas coisas sobrando, o escritor tem um bom vocabulário. Anoite algumas coisas em relação:

    “Novamente repito” – soou redundante. Pq não deixar apenas “Repito:” por exemplo?
    É possível omitir alguns “Eu”, passei por vários que são desnecessários e ficam sobrando nas frases.

    “não sei o termo exato” – não precisa usar o “utilizado”

    “Parecia estar sob efeito de alguma potente droga” – Na minha opinião essa sentença destoa do estilo
    da narrativa, acredito que o autor pode reformular, mantendo o mesmo sentido.

    “Basta-me minha culpa me perseguindo.” Me, me…

    Sobre a trama, acredito que seja o mesmo problema que outra história que li nessa edição do desafio. O narrador conta sua história, de início criando uma atmosfera de suspense e depois, é sucumbido por suas próprias palavras. Veja bem, não há aqui, nada que levante a dúvida, é apenas um relato, que no fim podemos ou não acreditar. Isso é muito chato, justamente pq o texto não traz recurso nenhum para colocar em questão a sinceridade dos fatos narrados ou a simples abertura para um crime. Não vi nenhum tipo de articulação no discurso do narrador e isso me frustrou, principalmente com o fim abrupto. Mas pode ser que a intenção do autor era apenas realizar um relato fechado, de um homem assustado e sofrendo de amor.

    De qualquer forma, a história apesar de no geral estar bem feita, não me agradou. Como dica, recomendo que preste um pouco mais atenção na questão do psicológico do personagem. Veja bem, se ele passou por essa experiência, ele poderia estar mais abalado e outra, no fim, seria tão bom se você abrisse a possibilidade do tormento do desconhecido, que permanece após a visão do monstro ou da culpa por ter perdido o grande amor. Bom, já falei demais, espero ter ajudado de alguma forma. Você tem uma ideia boa, acredito que para ficar melhor, basta apenas você temperá-la com alguma coisa que faça a narrativa do seu personagem sair do padrão “foi isso que aconteceu”.

    Abraço!

  20. José Geraldo
    21 de setembro de 2016

    O conto me parece ter uma referência a “O Depoimento de Randolph Carter”, de H. P. Lovecrat, que não é um dos melhores do mestre, embora importante no desenvolvimento de seu estilo. Também Randolph Carter é um inocente que acompanha alguém que tem um objetivo místico e vão a um lugar que depois não existe mais. A criatura que captura Eleanor me parece, também, com um dos Ghouls da mitologia lovecraftiana (me perdoem o termo em inglês, pois, a não ser pelos contos dele que eu mesmo traduzi para a Clock Tower, eu só tenho acesso a o mestre no original).

    Em relação a inspiração na canção, ela está bem pouco fiel. Não apenas por fazer McKenzie deixar de ser padre (isso nem era necessário, ele poderia ser um padre anglicano ou presbiteriano), mas por remover vários elementos importantes da clássica canção. Na letra de Paul McCartney, Eleanor é uma beata solteirona que cata arroz na igreja após os casamentos enquanto espera seu homem. A canção menciona as pessoas solitárias “all the lonely people” e o Padre McKenzie é outra dessas pessoas. Eleanor e ele não se encontram de fato, ambos são solitários. Ela morre e é sepultada sozinha (“along with her name” sugere que ela não tinha marido) enquanto McKenzie continua cuidando de uam igreja que cada vez perde mais fieis (“writing sermons that no one will hear”).

    Citei trechos da letra para mostrar que, mesmo se inspirando na canção, o autor não deveria ter usado o título e os nomes, porque ele fez mudanças grandes demais na narrativa original. Este conto NÃO É a história de Eleanor Rigby, uma mulher solitária e infeliz que morreu sem conhecer o amor e teve seu enterro conduzido por um padre igualmente solitário. Todo o empoderamento da Eleanor desde conto faz dela OUTRA PESSOA, ainda que tenha o mesmo nome.

    Aqui devo também comentar que esta canção dos Beatles é uma das provas de como o mundo emburreceu e ficou insensível nos últimos cinquenta anos. Escrita por jovens que tinham menos de vinte e cinco anos, essa canção melancólica de letra filosófica foi um grande sucesso de público e de crítica, mas hoje em dia uma canção equivalente não seria escrita por ninguém com menos de quarenta anos e não seria ouvida nem em FMs alternativas. Há até mesmo um estudo científico provando que nos últimos cinquenta anos a música ficou mais alta, menos sutil, menos variada, mais simples e menos conectada com a vida real das pessoas. Mais alientante enfim.

    Para terminar, gostaria de dizer que, apesar dessas pesadas críticas acima escritas, o texto não chega a ser ruim , é apenas convencional e empregou errado a referência. Mas não é dos piores do desafio.

  21. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Uma atmosfera bem conhecida, mesmo assim, o formato interrogatório deu um ar de novidade aos clichês conhecidos. Demorou um pouco para entender o que estava acontecendo, mas depois achei interessante o formato.
    ME: Creio que nas partes em que o protagonista divaga, fora do relato, um itálico cairia bem. Ficaria mais fácil de diferenciar o fluxo de pensamento. É uma narração pura, talvez por isso eu tenha sentido falta de algo mais elaborado. No entanto, o restante, bem como a revelação final, me agradou.

  22. Gilson Raimundo
    21 de setembro de 2016

    Um título vitoriano para um conto incompleto, parece manchete de jornal. A história deve ser um balão de ensaio, o autor deve ter algo mais a dizer que não coube no limite de palavras deixando tudo vago (a mulher se envolve com um culto misterioso, desaparece e o marido se torna o principal suspeito) é um dos enredos mais batidos nos contos de suspense, ao usá-lo, o autor deveria trazer algo novo na trama e não repetir o que sempre é contado, senti que em muitos momentos a história ia deslanchar

  23. catarinacunha2015
    20 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Que amor trágico seria esse por Eleonor? O que aconteceu com ela? Qual o motivo do desespero? Senta que lá vem suspense!

    TRAMA bem narrada em primeira pessoa sempre me chama a atenção. Senti um descontrole, como ocorre com muitos contos curtos, de passagens desnecessárias (gordura) no começo e um esforço para não passar do limite no momento mais importante: o ataque da coisa e seus porquês. Pena, faltou equilíbrio técnico. A premissa é boa, merece uma dieta básica e uma continuação.

    AMBIENTE muito bem trabalhado. Embora o título (homenagem à música de Lennon e Maca) tenha desviado totalmente do conto, exceto o nome da falecida e do padre. Se ao menos tivesse um enredo beijando nossa inteligência.

    EFEITO sumidouro. Um redemoinho engoliu tudo: a trama, o suspense talentoso, a escritora e minha paciência.

  24. Jowilton Amaral da Costa
    20 de setembro de 2016

    Bom conto. O suspense conseguido é muito bom, nos deixa apreensivos para sabermos o que acontecera para Eleonor ter desaparecido. A trama se destaca mais que os personagens. No fim, entendi que ele estava numa delegacia dando o depoimento para três policias, e também eram três vultos que ele viu no cemitério dizendo-o que fosse embora. Os policias que disseram que não havia cemitério nenhum eram os mesmos vultos que estavam no cemitério a noite? Acho que sim, não tenho certeza. Ficou a dúvida pairando no ar, provavelmente proposital. Gostei, boa sorte.

  25. Fabio Baptista
    19 de setembro de 2016

    Achei bacana a lembrança da música (off: na primeira vez que ouvi, não gostei. Hoje é uma das minhas preferidas dos Beatles), mas não vi muita relação dentro da trama.

    O jeito de contar é um tanto acelerado, talvez simulando o ritmo frenético do depoimento. Mesmo sendo aparentemente proposital, não me causou uma boa impressão. A trama é igualmente corrida, e o desfecho, repentino em demasia.

    Não gostei muito do resultado, infelizmente.

    – encontrar um pedra
    >>> “uma”… só encontrei essa gralha, no finalzinho

    Abraço!

  26. Phillip Klem
    19 de setembro de 2016

    Boa noite John.
    Bem interessante a maneira como você usou elementos da música para compor alguns detalhes da trama. Foi uma ótima ideia.
    Quanto ao enredo, foi bom. Um pouco cansativo por se tratar de um monólogo descritivo, mas não chegou a ser ruim.
    Algumas frases me desagradaram um pouquino, como: “Algo pantanoso no ar”, e outras no estilo.
    A parte que mais me desagradou foi o final.
    Achei que você aprofundou-se muito pouco no que estava acontecendo e nos deixou meio que o escuro. Isso às vezes é bom, mas, nesse caso, deixou o conto incompleto e um gosto de “cadê o sentido?” na nossa boca.
    No mais, você tem potencial e criatividade. Não pare de escrever!
    Boa sorte e até a próxima.

  27. Fheluany Nogueira
    18 de setembro de 2016

    “Eleanor Rigby morreu na igreja/ E foi enterrada com seu nome/ Ninguém apareceu/ Padre McKenzie limpando a sujeira/ De suas mãos enquanto se afasta do túmulo / Ninguém foi salvo”._ Excelente recurso aproveitar este rock clássico para incluir o tema. E pena que o Cemitério tenha ganhado tão pouco destaque no conto.

    Narrativa bem construída, mesmo que o depoimento, em forma de monólogo, permita que se tenha visão parcial dos fatos, talvez, por isso o temor do personagem de que não acreditem nele. A introdução ficou delongada e o desfecho mais corrido.

    O texto proporciona leitura fluente e agradável.É uma história bem marcante.

  28. Pedro Coelho
    18 de setembro de 2016

    Texto bem intimista, adentra com profundidade na visão do personagem principal. Achei que o cemitério demorou um pouco pra chegar e ficou um pouco em segundo plano, a introdução acabou ficando um pouco detalhista demais e se tornou um pouco maçante. Alguns pontos não foram muito explorados, como os religiosos esotéricos, e o julgamento. O final também ficou um pouco estranho, esse lance dele dormir não entendi direito. Mas enfim, nada que tornasse o texto ruim, é uma boa estória e com uma boa ideia.

  29. Anorkinda Neide
    17 de setembro de 2016

    Pois é, estes monólogos são um tanto cansativos. Quando apresentam os sentimentos e pensamentos do personagem/narrador, a gente mergulha em seu íntimo, mas narração de fatos traz a visão única de uma das partes envolvidas, não dando oportunidades ao leitor de ter uma visão geral da situação. Acho que pra um texto destes ser realmente bom é preciso uma certa mestria do escritor em cativar o leitor com algo encantador, o que não aconteceu aqui.
    O enredo me lembrou O inominável de Lovecraft, acho q é este conto, andei lendo varios dele por estes dias, com a pessoa q vai descobrir algo, se arrepende tardiamente da descoberta e luta para q seu companheiro de aventura fuja de um destino cruel. Achei bastante estranho o narrador dizer q nao sabe o que aconteceu à esposa, se ele viu a garra lhe pegando pelo pescoço, ele sabe o que aconteceu!
    Não vi nenhum elemento q me fizesse duvidar de sua narração, a nao se o fato q mencionei acima, de q só temos a visão dele da história, mas não vi pq duvidar do homem. Gostei do trio sinistro que captou a escritora para uma armadilha e capturou o marido, mas pq? quem sao eles? ele foi oferecida como sacrificio a algum monstro, Deus, Demônio?
    Achei que toda a introdução sobre as pesquisas dela sobre terror foi longa demais com detalhes q nao foram relevantes para a história, poderia ter usado o espaço para falar mais dos religiosos sinistros e do q ela esperava encontrar no cemitério.
    É isso. Quanto ao texto, achei as frases meio truncadas, algumas difíceis de ler como esta: ‘Eu … não sei o que pensar, mas contarei novamente, até à eternidade se preciso ou obrigado, minha intenção é esclarecer tudo, não posso nem desejo conviver com essa escuridão.’ ..’se preciso ou obrigado’… nao ficou claro isso.
    É uma boa historia, como outros disseram, quem sabe numa estrutura diferente ,hein? pense nisso.
    Abraços e boa sorte

  30. Jefferson Lemos
    17 de setembro de 2016

    Olá, Rigby.

    Inicialmente, o conto me agradou bastante, quando comecei a ler em voz alta. O clima criado no tecer das palavras do narrador criou a atmosfera da história e a iniciou muito bem. O texto está bem escrito e com ideias bem claras, porém…

    A história parou de me chamar a atenção assim que ele assume essa postura confusa, que fica latente no decorrer da trama, e que me afastou um pouco do interesse pelo o que estava acontecendo. O desenvolvimento continuou seguindo essa mesma linha, e por mais que o conto tenha sido bem escrito, senti que faltou alguma coisa na narrativa que pudesse ser uma cereja no topo do bolo, saca? O recurso da primeira pessoa é bom, mas acredito que a confusão, mesmo fazendo parte das características da trama, atrapalhou um pouquinho o desenvolvimento da mesma. E os fatos, apesar de interessantes, aconteceram um pouco nublados demais, sem a devida explicação.

    O final foi a parte que menos me agradou na história; Talvez pelo fato de esperar algo mais elaborado.
    Mas de qualquer forma, é um conto bem escrito.

    Parabéns e boa sorte!

  31. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Hmm… A leitura não me agradou muito. Por tratar-se praticamente de um monólogo, onde o narrador é um personagem sendo interrogado por outras pessoas que não possuem vozes, o texto soa pouco verossímil. Tipo aquelas cenas de novela onde o ator fala ao telefone sozinho, e repete em voz alta as “pseudo-perguntas” recebidas para que o público saiba o que o personagem está ouvindo através do fone. Este tipo de interação não soa muito natural. Mas a história é boa e vai causando o desejo no leitor de chegar até o final para desvendar a trama. O fim é levemente aberto, deixando espaço para o leitor imaginar seu veredicto. De 1 a 10, eu daria nota 6.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Está bem escrito. Porém, penso que a forma escolhida pelo(a) autor(a) não foi muito feliz para contar a história. A narrativa ficou um pouco pesada e, principalmente, forçada. Talvez uma voz na 3ª pessoa, ou mesmo diálogos com os interlocutores do protagonista, fizessem o texto fluir com maior naturalidade. O final também ficou corrido, embora o formato em aberto tenha sido uma boa sacação.

    EU EDITOR (o lado negro da força) –> Continue escrevendo! 😉

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  32. mhs1971
    14 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Olha, me desculpe expor que não tenho muita paciência ao tipo de narrador se um protagonista confuso.
    É um tipo difícil de ser feito quem não tem experiência ou que não sabe dosar os elementos na narrativa, sem irritar ou confundir o leitor. Há quem goste (adore uma leitura confusa), mas não´é o meu caso.
    Primeiro, não se apresenta se é um depoimento, apesar que cairia no velho clichê de começo de depoimentos ser uma apresentação do tipo “não leia e se arriscar,que seja por sua conta” ou “que minhas palavras não sejam confiáveis, mas que preciso deixar registrado”, etc, Enfim, blablabla…
    Há inserções desnecessárias e que fariam sentido em textos mais longos, mas que foram colocados um tanto apressados, perdendo o contexto dentro do texto.
    O conto necessitaria uma releitura para acertar esses detalhes que melhorariam o texto em geral.
    A finalização foi interessante, mas se tivesse ocorrido uma apresentação inicial ou uma contextualização que estaria ligada à situação de depoimento, daria uma finalização a contento.
    Mas quem sabe, com o fim do Desafio, retrabalhando nele, não sairia um baita conto, hein?
    Sorte e abraços

  33. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    13 de setembro de 2016

    Oi, Lennon,

    Achei seu conto muito interessante. O fato de o final deixar o julgamento dos reais “atos” do marido para o leitor, me agrada muito. Uma obra que não se encerra em si e convida quem lê à uma espé´cie de interação. O marido pode ser um louco, assassino, vítima, enfim.

    A narrativa flui muito bem, mesclando elementos de mistério, sobrenatural e o cotidiano do casal.

    Me peguei cantando: “Ah… look at all the lonely people…”

    Parabéns.
    Desejo muito sucesso nesse desafio.

  34. angst447
    13 de setembro de 2016

    A narrativa em tom de confissão me fez lembrar do meu conto Sem Pecados. Acho uma manobra muito interessa, mas bem arriscada, puxar o leitor com essa forma de narração. No entanto, acho que funcionou bem aqui.

    Nem me passou pela cabeça, classificar o marido em alguém corajoso ou medroso. O fato é que a mulher foi capturada por forças estranhas, selvagens e que deviam sim, ser temidas. Ou tudo pode não ter passado de alucinação do pobre homem, que talvez, tenha mesmo assassinado a mulher, durante um surto. Mente criativa ele tem para contar uma história cheia de mistério e elementos fantásticos e de terror.

    A leitura flui bem, sem entraves, sem erros ortográficos perceptíveis.

    O tal cemitério pode nem existir de fato, mas foi citado na narrativa do marido desconsolado.

    No final, há uma coincidência que não me pareceu gratuita:
    – Três pessoas vestidas de negro estavam às minhas costas
    – Agora vocês, em trio
    Seriam os três interrogadores os mesmos três que falaram para ele ir embora?

    Enfim, o conto está bem escrito e desenvolvido com habilidade. Fiquei com um gostinho de filme de terror no final, mas nada que me azedasse o humor.

    Boa sorte!

  35. Wender Lemes
    13 de setembro de 2016

    Olá! Foi uma bela desconstrução da canção a que faz referência. Acredito que, no original, o padre Mackenzie seria apenas o responsável pelo enterro de Eleanor Rigby, mas no conto ele deixa de ser padre e passa a ser o companheiro dela. Gostei das pontas soltas que deixou. No final das contas, poderia ser um apelo ao fantástico, um devaneio do protagonista, ou uma mentira estapafúrdia para se livrar das suspeitas de assassinato. É uma trama que pede continuação. A narrativa se sustenta bem e ganha fluidez no decorrer do conto, embora o fato de ser um monólogo a torne um pouco lenta à primeira vista. Parabéns e boa sorte.

  36. Evelyn
    12 de setembro de 2016

    Oi, Lennon,
    Seu texto é muito bom! Bem escrito. Fluído. Personagens bem construídos. Coerentes. Gosto disso em texto. E no final da leitura ficou a dúvida cruel. Ele é ou não inocente? Confesso que a tendência é acreditar nele, mas…
    Parabéns pelo texto.
    Abraço!

  37. Pedro Teixeira
    12 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)! Narrativa coesa e com um bom ritmo, que remete aos clássicos do terror. Os personagens estão muito bem desenvolvidos. Nota-se uma habilidade em criar ambientação com poucas palavras. Me parece que mais perto do fim a narração ficou um pouquinho corrida, mas nada que tire o brilho do conto. É daqueles que deixam a gente pensando um bocado depois de ler. Parabéns e boa sorte no desafio!

  38. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! É um conto muito bom! Até agora, foi o mais equilibrado de todos. Um grande mistério de terror cheio de toques góticos. E ainda existe a ambiguidade de deixar o leitor imaginando se a história é real ou ele é louco e matou a esposa. Bom, esse aspecto da narrativa acho meio bobagem: sabemos que todos devem pensar que o relato é real, já que a outra opção, ele ser louco e assassino, não teria graça nenhuma. Não consigo entender as reações de Eleannor: por que fechar a porta e trancar o cadeado? Não seria melhor abrir o portão e fugir com John? Estou elogiando demais aqui, talvez a história seja minha, afinal, tem meu estilo… Melhor não falar mais nada. Muito bom conto, parabéns, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  39. Evandro Furtado
    12 de setembro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    O autor não só entrega um texto limpo, praticamente livre de problemas de ortografia (só encontrei um, mas que não travou em nada a leitura) como também dá uma velocidade natural ao contar. O relato flui leve, como se estivéssemos sentados e ouvindo o personagem-narrador nos contar sua história de fato.

    Personagens – Outstanding

    John – típico personagens Poeniano. Confuso e amedrontado, beirando a loucura. Narra os fatos com particular precisão, mas não tem certeza do que está dizendo. Apaixonado por Eleanor, sente na obrigação de cuidar dela. É um romântico, no sentido mais puro da palavra. Sente-se culpado por tê-la abandonado, no entanto.
    Eleanor – baseada nas descrições de John e, portanto, imprecisamente, podemos delineá-la como uma escritora clássica. Reservada, gosta de ficar sozinha. Apaixonada pelo fantástico, afastou-se do mundo e, por consequência, se tornou alvo fácil de círculos ocultistas. Corajosa e independente, não precisa de John para suas aventuras, ao contrário do que ele acredita. Eleanor o ama, mas tem dificuldades em demonstrá-lo.

    Trama – Oustanding

    Gostei das referência logo no início, claro que isso aumentou o nível de exigência ao máximo, mas aqui estamos. O autor cumpriu com as expectativas. A cadência foi precisa, a evolução dos acontecimentos se deu de forma natural. O conflito foi criado e resolvido brilhantemente.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Outstanding

    Relato narrado com a perspectiva de primeira pessoa. Muito bem articulado com o gênero. Nuances de Poe, Lovecraft e mesmo King. Atmosfera sombria criada a partir da narrativa. Linguagem empregada remetendo a um estilo gótico clássico.

    Efeito Catártico – Oustanding

    Não só o autor conseguiu aplicar todos os pontos com maestria como também os articulou muito bem. Tudo conversou. A emulação de um estilo estabelecido e, por consequência, a utilização de alguns clichês, não interferiram no efeito final causado pela obra. Fechamento muito bem feito.

    Resultado Final – Outstanding

  40. Priscila Pereira
    12 de setembro de 2016

    Olá Lennon, eu gostei muito do seu conto, muito bem escrito, envolvente, não consegui parar de ler até chegar ao fim. A leitura é fácil e agradável, o tema é muito interessante. Não sei se sou ingênua, mas eu acreditei no John. Chamaram ele de medroso, mas diante de uma coisa tão terrível e sobrenatural acho que ninguém é muito corajoso. Não sei se estou certa, mas o final me pareceu que as três pessoas que o interrogavam eram as mesmas três vestidas de negro e tudo foi um plano de sacrificar a Eleanor e culpar a única testemunha.

  41. Olisomar Pires
    12 de setembro de 2016

    Belíssimo conto. Escrito em primeira pessoa, o narrador é o esposo da suposta desaparecida e relata os fatos até o momento do desenlace. Ele apresenta sua versão do caso de uma forma dramática. Alguém disse que foi exagerada, talvez essa fosse a intenção do narrador. Os culpados agem assim. rsrsr

    O estilo do conto é clássico, lembrei-me de Lovercraft, há uma sensação de medo do início ao fim. O desfecho com o “onde estou, onde ela está ?” causa arrepio, pois sugere que também o marido foi capturado ou que está realmente fingindo.

    Muito bem escrito. Não há entraves ou dificuldades na leitura. Gostei.

    Boa sorte no desafio.

  42. Iolandinha Pinheiro
    12 de setembro de 2016

    Interessante, inusitado, e adorei a escolha do nome da personagem ser o nome da garota da música, uma das minhas preferidas dos Beatles. Achei legal a maneira como o conto foi desenvolvido, através de um depoimento, já fiz um conto assim e pretendo fazer outros. Gostei do desenrolar envolvente e com uma suspense bem trabalhada tornando o conto com uma fluidez interessante. Lembrei de algumas obras clássicas pela dramaticidade impressa ao texto, que achei um pouco exagerada. Concordo com quem falou que o personagem era medroso. Dizia que amava muito, mas desistiu fácil. Claro isso é uma escolha do escritor, e para mim, o leitor não deveria querer reescrever o texto. Também gostei do final deixar o leitor em dúvida, sobre a inocência do narrador. Enfim. Seu conto me agradou. Parabéns e sorte no desafio.

  43. matilde chihale
    12 de setembro de 2016

    interessante, so achei om John medroso, afinal ele estava apaixonado.

E Então? O que achou?

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Publicado às 11 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .