EntreContos

Detox Literário.

Amor Gótico (José Geraldo Gouvea)

Ouviram um gemido rangido e desagradável. A lua gorda de maio abriu uma janela estreita entre as nuvens e a fumaça para ver Lucinda nua. Ela riu, a lua deve ter rido de volta, fazendo-lhe cócegas na pele pálida. Então ele se afastou, constrangido e com a sensação incômoda de ter as nádegas desprotegidas contra o vento e o desconhecido.

— Já foi?

— Você não sossega esse facho, Lucinda?

— Deixe, cara. Aproveite a noite, aproveite a lua, aproveite a paisagem. E aproveite que estou aqui com você.

Ronaldo olhou em volta e não teve vontade de aproveitar coisa alguma. Havia apenas lápides sujas, flores murchas e um cheiro desagradável de velas aromáticas e cal. Tudo ia banhado por um luar inodoro e lembran­ças ruins que nem as carnes confortáveis de Lucinda podiam mudar.

— Não foi tão legal quanto eu pensei que fosse…

— Por que não?

— Sei lá, eu me sinto como se os mortos estivessem espreitando.

— Psiu, escuta!

Ronaldo calou-se, gelado como quem senta uma bunda nua em um mármore molhado de sereno. Tremeu de frio, olhou em volta, descon­fortável, tentando encontrar onde deixara a calça. Atirou o preservativo sobre a sepultura ao lado, sinalizando desistência, definitiva.

— Que é isso? — perguntou num sussurro quase mais alto que um grito.

Ouviram de novo o ruído rangente. O gemido choroso de uma alma? Ou só o tronco do velho sabugueiro se retorcendo ao vento?

Finalmente ele encontrou a calça, e a cueca dentro dela. Vestiu-as depressa e enfiou os pés nas meias, os dedos trêmulos dificultaram tudo, e foi com quase alívio que calçou as botinas.

“Ruééen…”

Aquele ruído pavoroso se ouviu de novo, mas por sorte e obra de todos os anjos de guarda ele não vinha de mais perto e nem mais longe, devia ser mesmo uma árvore.

— A gente não devia mesmo ter vindo, Lucinda.

— Está com medo?

Os olhos dela tinham um brilho engraçadinho, a desafiar com meiguice cada fantasma.  Vendo-o já de calça, vestiu de volta o tubinho preto.

— ‘Ta que pariu, eu mal me segurei nas calças da última vez.

— Medo de um rangido de árvore, Ronaldo. Honre essas calças ou vou achar que você não merecia vir aqui comigo.

O mesmo ruído, novamente. Nem mais perto e nem mais longe, apenas mais pavoroso.

— Não é possível que isso seja só uma árvore.

— E eu não acredito que eu dei para um sujeito tão medroso.

— Mas, Lucinda. Vai que…

— Vai que o que?

— Eu não tenho medo dos mortos, mas dos vivos…

— E os vivos gemem assim quando vêm assaltar?

O gemido veio de novo e Ronaldo já suava frio. Lucinda terminou de se vestir, calçou as sandálias.

— Vamos voltar para a festa.

— E nem vai querer saber o que é esse gemido aí?

— Lucinda, me entenda. Não é medo, nem nada. Mas se tem uma coisa que a gente aprende nos filmes é que nunca é uma boa ideia ir ver a ori­gem do ruído que se ouve no escuro, principalmente depois de transar. Coisas horríveis costumam acontecer a quem transa em filme de terror.

Lucinda riu. Finalmente lhe pareceu que a diferença de meros cinco anos entre os dois se fez notar: abrira-se quase num abismo, deixando o pobre garoto a afogar-se no mar confuso da adolescência enquanto Lucinda já sabia muito bem o que queria.

— Não é por nada, não. Você até me perdoe dizer isso, mas eu já me arrependi de ter ficado com você só por essa frase. De repente eu estou me sentindo com cheiro de fralda suja, por sua causa.

Ronaldo segurou a vergonha, segurou o medo, sentiu-se mínimo, menino. Olhou para Lucinda e quis entender por que aquela mulher lhe dera uma chance, e só então se deu conta de que empregava essa pala­vra pela primeira vez. Lembrou-se da oitava série, da paixão mal resol­vida por Janice, que tinha só dois anos a mais, porém já orbitava outra realidade, na qual ele era ainda um menino de joelhos ralados e com hálito de chicletes. Por um momento Lucinda o fizera sentir-se enorme, conquistador de continentes; tivera vontades e ela o satisfizera; obrigara-o a outras, é verdade, mas nenhuma de que se arrependesse, pois tivera o direito de desfilá-la como um troféu.

E eis que Lucinda o ofendia daquela forma, e ele próprio se sentia terri­velmente merecedor daquelas palavras. O amadurecimento tardio ater­rissou como um meteoro. Já não teria dito as mesmas coisas de antes, já não tinha medo do rangido, mas já não tinha o respeito de Lucinda; e isso significava que já não tinha mais nada.

— Você não entendeu, Lucinda, pode ser um ladrão, algum tipo de louco que vaga pelos cemitérios…

— Como nós?

Ah, o desastre! Essa capacidade que temos de piorar as coisas que já se encaminham para o fracasso!

— Vamos embora, Ronaldo. Hoje já deu o que tinha de dar.

Ronaldo se resignou a ir embora, arrastando correntes nos pés, claro, com o rosto febril e a alma a arder de sabedoria retrospectiva. Tentou dar-lhe a mão, ela preferia apontar a lugares irrelevantes da paisagem, apenas porque, de dentro do cemitério, eram vistos de outras posições.

Chegaram, enfim, ao lugar onde o muro era mais baixo e coberto de hera. Por ali haviam entrado, por ali sairiam.

— Me dá o pé?

Ele não entendeu por que ela o pedia. Era pelo menos dez centímetros mais alta e pesava pelo menos oito quilos a mais. Não só tinha mais facilidade que ele para alcançar o muro como ainda lhe seria uma carga difícil. Talvez ela o quisesse punir, e seus braços pagaram pelo que a língua solta cometera.

Depois que Lucinda sumiu do outro lado do muro, olhou de volta para onde estavam e ouviu ao longe o mesmo gemido. E luzes de lanternas que passavam por onde haviam estado a transar. O seu medo fora providencial para evitar que os vigias do cemitério os encontrassem, mas isso não saberia Lucinda, que já estava do outro lado, que já ia além, que já estava em outra órbita. Somente ele sabia, e era tão irrelevante a providência que os salvara e que o ferrava mais uma vez.

Agarrou a hera, chegou ao alto do muro. Conseguiu ouvir vozes: os vigias o haviam visto sobre o muro. Pulou ao chão e saiu correndo na direção do clube. Lucinda já desaparecera pelo caminho enquanto ele devaneava. Talvez ele ainda tivesse tempo de vê-la beijar outro quando chegasse de volta à festa.

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52 comentários em “Amor Gótico (José Geraldo Gouvea)

  1. Rodrigues
    15 de outubro de 2016

    Gostei da rapidez com que pude acompanhar a leitura e a simplicidade do texto. Assim como em outro conto que li neste concurso, que conta histórias de garotos, esse trabalho segue na mesma verve, apresentando somente um enredo sem reviravoltas, mas que cativa um leitor que não está esperando por uma grande virada. Parabéns, escritor.

  2. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    44. Amor Gótico (Álvaro Amoroso)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a mistura de erotismo e suspense atrai a atenção de uma grande parcela do público – o que, neste caso, foi facilitado pelo diálogo contínuo e rápido, quase metralhado pelos protagonistas. Acho que o limite impediu o autor de desenvolver mais a relação preexistente entre ambos – e onde eles acabariam chegando.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Pulp

  3. Marcelo Nunes
    13 de outubro de 2016

    Olá Álvaro.
    O texto está bem escrito e a leitura bem fluida. Os diálogos estão bons, mas não me agrada no todo. Acho que o autor perdeu força com a discussão do casal.
    E isso fez que eu perdesse o interesse pelo texto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Abraço!

  4. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Comprei a história. Quem nunca se aventurou em lugar estranho para satisfazer uma fantasia? O tom está certo, o clima no ponto também. Os personagens são críveis também (o cara goza e logo se atenta para tudo que está ao redor. Quem nunca?). Gostei da metalinguagem, de mencionar um filme de terror em um conto de cemitério. Achei que o texto cai um pouco lá pro meio, quando ele tenta se explicar (talvez por alguma coisa nos diálogos). A descrição do gemido lá no início do texto (rangido e desagradável) é um pouco estranha. Não gostei da última frase, mas talvez seja antipatia minha pelo protagonista. Um bom conto, que não foi ao terror, não recorreu ao suspense e manteve o foco ali no casal e na relação.

  5. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Apesar de ser um conto bem fluido e dos diálogos muito bem escrito, não foi um conto que me agradou por completo. Não foi de modo algum ruim, e até me surpreendeu durante o desenvolvimento, mas achei meio frustrante o desfecho. De certa forma é criativo e surpreendente, mas não me agradou muito.
    Gramatical e ortograficamente tá bem legal, e a estrutura tá boa, também. Acho que os diálogos são o ponto forte.
    Resumindo:
    Tecnicamente muito bom, mas como leitor não me entusiasmei.

  6. Bia Machado
    10 de outubro de 2016

    Tema: Sim, está dentro do tema, totalmente ambientado dentro de um cemitério, em uma situação que já foi vista em algum filme de terror adolescente por aí… Como a própria personagem cita. E isso acabou dando graça ao conto, uma metalinguagem quase sinistra, quase, rs…

    Enredo: Bem simples, despretensioso. Foca na relação do casal nesse momento sinistro, eu hein! Da forma despretensiosa como começa assim também termina.
    Apesar do cenário e da situação, é uma leitura leve.

    Personagens: Prenderam minha atenção, mas ficaram aquém do que poderiam ser. Talvez uma carga psicológica maior? Talvez, se o propósito fosse ser mais profundo do que está escrito aqui.

    Emoção: A mim não me causou muita emoção, não é o tipo de conto que me inspira ou conquista. Mas valeu a leitura.

    Alguns toques: Achei o primeiro parágrafo descrito demais, sem necessidade de tantos adjetivos. Parece que o autor/a autora quis prender a atenção com ele, mostrando certo estilo, mas acaba que ele não combina com o restante, mais despojado, um texto menos floreado e que é certo que agrada mais a quem lê.

  7. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Um conto divertido e despretensioso. Fica clara a intenção do autor em apenas entreter sem provocar o leitor. Nesse aspecto, o texto flui bem como um velho e saudoso filme de sessão da tarde. Gostei da relação, ou melhor, do temor reverencial de Ronaldo em relação a Lucinda. Quem de nós, homens, nunca passou por situação semelhante quando garoto (não me refiro a transar no cemitério, claro, mas à admiração quase paralisante em relação a uma menina-mulher-inatingível, como na canção “Ainda é Cedo”, da Legião Urbana)? Nesse quesito, o conto funciona como vetor nostálgico, especialmente para aqueles que já passaram dos 40, deixando aquele agradável gosto de sobremesa na boca. Contudo, como apontado no início, o conto se condensa nisso: uma peça de diversão aprazível e bem escrita, mas longe de ser memorável.

  8. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Resultou um texto para uma boa leitura, mas onde faltou um final mais bem trabalhado, durante a leitura estamos sempre à espera de ver onde nos levam os acontecimentos, mas depois, puf, fogem. E foi lamentável pois podia dar um conto “enorme”, marcante, mas tudo se dilui. De qualquer modo parabéns pela escrita.

  9. jggouvea
    4 de outubro de 2016

    Complicado julgar um texto que parece escrito com o objetivo de evitar polêmicas. Está claro que o autor evita aprofundamentos e tenta ficar no terreno da mera diversão.

    Há algumas tentativas de efeitos linguísticos que não funcionaram tão bem quanto o autor queria. O fato de ele ter vindo se explicar sobre duas delas indica esta falha.

    Porém há um claro profissionalismo na escrita, sem grandes erros ortográficos e com uma fluidez bastante satisfatória.

    Vou dar o meu voto também sobre a polêmica do som: na minha opinião é uma árvore (o autor diz isso claramente) rangendo ao vento. Sendo assim, o motivo de Lucinda perder o respeito pelo garoto é ele ter medo de algo que não era nada demais. Minha opinião safada: não era a primeira vez de Lucinda lá, ela conhecia a árvore. Mas era a primeira vez dele… Subtexto interessante… Se eu não estiver enganado.

  10. Simoni Dário
    3 de outubro de 2016

    Olá Álvaro

    O conto está bem escrito e os personagens são envolventes.

    O texto conta uma situação única de um casal cuja DR é dentro do cenário tema do desafio.

    Os diálogos estão bons, só não convencem porque o episódio pelo qual passam é de medo, ainda mais ouvindo barulhos estranhos dentro de um cemitério, onde só a lua é testemunha do que se passa ali.

    Demoram muito discutindo para alguém que está próximo de perigo iminente.

    Quanto à fluidez narrativa, é muito boa, próxima do real e o autor dá a impressão de que quer passar realismo pela própria discussão, comum a qualquer casal. Por isso digo que o diálogo, dentro do quadro que o autor narrou, não convence.

    Uma boa história. Deveria ter sido mais dinâmica, em minha opinião.

    Bom desafio.
    Abraço

  11. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    É um conto ágil, com uma leitura fluída e desprovida de qualquer excesso de rebusque. Isso é uma arte que, ultimamente, tem agradado muitos escritores. Me agrada também, em certas histórias. Aqui casou muito bem. Achei o conto juvenil, uma história bem simples, contada com esmero, mas sem um enredo arrebatador.

    Não tem horror, nem fantástico, nem realismo mágico. É simplesmente a vida como ela é.

    Minto.

    A vida é mais adjetivada.

    Parabéns pelo conto.

  12. Thiago Amaral
    28 de setembro de 2016

    Olá!

    Bom, no geral, o conto não me agradou tanto. A imagem inicial, de uma garota nua banhada pela Lua, até que me cativou, mas o parágrafo está escrito de um jeito esquisito. Se a intenção era parodiar um estilo mais gótico ou poético, não ficou claro pra mim.

    Acho que o problema, no meu caso, foi a ausência de qualquer coisa cativante no meio do texto. O diálogo não teve nada muito especial. No entanto, gostei do trecho: “Ronaldo se resignou a ir embora, arrastando correntes nos pés”. Uma boa metáfora!

    Apesar de tudo, gostei do final, que reverteu o clichê de filme de terror (morte sobrenatural pós-sexo) em coito interrompido (O meu, com o texto). Gostei da quebra de expectativa, que surpreendeu por não apresentar nada, apenas a vida como ela é. Ronaldo imaginando que Lucinda já o estivesse trocando na festa, a melancolia gótica adolescente. Um ótimo desfecho!

    Se o miolo do conto tivesse sido mais interessante, eu teria curtido o todo muito mais.

    Valeu!

  13. Pedro Luna
    26 de setembro de 2016

    O primeiro parágrafo é horrível, empaquei no “gemido rangido”, me desculpe falar. Mas gostei do restante. Ronaldo é muito comédia, e na moral, ele tinha razão ali. Diabo de menina maluca que gosta de dar em cemitério. rs. Se sentir pequeno diante de uma mulher é algo que já senti um dia, mas quando você para pra ver, talvez nem precisasse ser assim. O cara está num cemitério, escuta barulho e fica com medo. QUEM NUNCA? rs. Ronaldão, tamo junto.

    A escrita é divertida, o conto é divertido, não é grandioso, mas segue o bom tom até o fim. Gostei.

  14. Amanda Gomez
    25 de setembro de 2016

    Olá,

    Achei interessante o personagem dizer que o que eles estavam fazendo era tipico de filmes de terror, e no fim o conto mostrá o contrário. As vezes cemitério é só um cemitério mesmo, sem a necessidade de abordar o sobrenatural. Apesar de ter me sentindo um pouco trolada kk esperando por isso. Gostei da conclusão e, de não ter tido isso, afinal.

    A leitura é fluída, os personagens são bacanas os diálogos são bem feitos e o comportamento do cara é perfeitamente aceitável.

    Lucinda é uma piri destemida, temos que concordar, hehe.

    Gostei do conto 😀, Parabéns.

  15. mariasantino1
    25 de setembro de 2016

    Oi, tudo baum?

    Conto muito bacana de se ler. Leve, bem dosado nas descrições, com personagens que divagam, discutem e mostram suas fragilidades e desejos de uma forma nada morosa, nem forçada. Ponto positivo para a autora. Achei lindo a descrição da lua querendo ver Lucinda nua, assim como as construções de efeito para mostrar o desconforto dele, como o de ter a nádega desnuda sobre o mármore orvalhado. Você fez eles crescerem em poucas linhas e o menino até ganhou maturidade em meio às reflexões.

    Gostei da sutileza em expor as interações humanas, diferenças, insegurança e virtude. O conto consegue ser um Y.A bacana (ao menos pra mim).
    Tive alguma dificuldade em perceber quem falava o que em algumas passagens e acho que “dá o pé” deve esbarrar no regionalismo, porque para mim o correto seria “dá a mão pra eu por o pé” (como disse, deve ser coisa que numa outra região do nosso pais faz mais sentido.

    Gostei, afeiçoei, torci por ambos e o melhor, refleti.

    Não estou fazendo promessas mas seu conto pode figurar entre meus dez escolhidos. Vamo vê 😉

    Boa sorte no desafio.

    Beijo!

  16. Matheus Pacheco
    24 de setembro de 2016

    A coisa que mais me chamou a atenção no texto foi num dos pensamentos do Jovem, que quando correu para a festa, teve a impressão de ver a garota já se “enroscando” com outro cara.
    Um conto muito bom amigão, abração e boa sorte.

    • Álvaro Amoroso
      24 de setembro de 2016

      Uai? Por que? Isso foi só neura dele, por pressentir que perdera o afeto e o respeito dela. Foi algo até meio machista, que eu arrependi de escrever.

      • Olisomar Pires
        24 de setembro de 2016

        Opa, opa, os personagens não tem defeitos, mesmo que tenham os piores defeitos do mundo…. Não se arrependa de dar vida real aos seus personagens, não importa se serão machistas, assassinos, etc etc etc … 🙂

        Só pra encerrar, não acho que seja machista ter ciúmes, principalmente se teve o orgulho ferido.

    • mariasantino1
      25 de setembro de 2016

      Olha esse seu comentário, Pacheco, diz nada com nenhuma coisa. Parece que você só colheu uma frase do texto e colocou aí solta pra parecer que avaliou algo e sei que esse não é a intensão do desafio.
      Se o conto fosse meu eu ia ficar triste em receber um punhadinho de palavras assim e sei que você pode sim oferecer mais que isso.

      Bom domingo a todos.

  17. Davenir Viganon
    24 de setembro de 2016

    Olá Alvaro Amoroso
    Gostei da abordagem fugindo do terror e do fantástico, me surpreendeu pois o tútulo me fez imaginar um romance de época meloso, ou como dizemos por aqui “sabrinesco”. Mas trata-se de um conto de cotidiano, atual e em linguagem um pouco mais crua. O grande atrativo são as reflexões do Álvaro que descobriu-se imaturo frente a mulher. A situação inusitada do conto embebida do mais puro relacionamento humano, fruto de personagens bem construídos. O cemitério serviu de cenário e elemento para a atitude de Álvaro, que é o que movimenta o conto. Aquela primeira frase destoou mas ao longo da leitura, encontrei a ironia contida nela. O fim arremata bem, quase dá pra ver a cara de derrotado do Alvaro. A concepção de conquista masculina (Comi. Cara, como sou foda!) foi abalada neste conto. Gostei bastante.
    Um abraço.

  18. Maria Flora
    23 de setembro de 2016

    Oi Álvaro, seu texto é simples e bem escrito. Com começo, meio e fim concretos e completos. Falha na descrição do ambiente e do conflito psicológico das personagens. A narrativa prosseguiu coerente e soube captar a atenção na leitura. Parabéns e boa sorte!

  19. Pétrya Bischoff
    22 de setembro de 2016

    Buenas, Álvaro! Me surpreendeu, ein!

    A escrita é simples, sem floreios e, ao tentar construções mais sofisticadas, nos primeiros parágrafos, tornou-se, momentaneamente, “apenas mais um”. Entretanto, no transcorrer limitou-se a contar, simplesmente, e isso foi maravilhoso, pois creio que a pegada desse conto seja essa mesmo. Ainda bem que o fez.

    A narrativa, naqueles mesmo parágrafos, poderia ter arruinado, pois as construções da lua e dos corpos nus e lápides não encaixaria na trama e, como os momentos posteriores foram, em maioria, diálogo, o autor conseguiu sair tranquilamente da armadilha que quase criou pra si mesmo.

    A ambientação, sem grandes pretensões, apenas um casal transando no cemitério, foi suficiente para emoldurar a trama, também simples. Aliás, tenho repetido essa palavra e espero que o autor não se ofenda, pois creio que o grande trunfo do conto foi sua simplicidade. Às vezes o menos é, realmente, mais.

    Finalmente, aquele final foi maravilhoso. Havia, realmente algo, e não era sobrenatural. Afinal, é um drama adolescente, a história é sobre o guri que acha que teve uma grande conquista mas, na verdade, ainda não tem maturidade suficiente sequer pra lidar com o medo do escuro, quando muito para o sexo.

    De maneira geral, gostei bastante. Parabéns e boa sorte!

    • Álvaro Amoroso
      22 de setembro de 2016

      Na verdade aquela tentativa de poesia no primeiro parágrafo é justamente para tentar um efeito de contraste. É como se a história começasse poética, elevada, “firulada” e depois se revelasse uma coisa banal.

      Parece que não funcionou, pois os leitores focaram mais na falta de qualidade do primeiro parágrafo (intencional) do que na súbita mudança de tom, que procurou justamente enfatizar aquela questão do começo…

  20. Felipe T.S
    21 de setembro de 2016

    Olá Álvaro!

    O início do seu conto soou um pouco chato, senti que você forçou um pouco a barra com as descrições da lua (não sei se havia necessidade de uma abordagem poética, logo de início, sem ao menos descrever melhor o ambiente antes), e algumas repetições de ideias, principalmente nos 3 parágrafos que podem ser bem enxugados. Depois, quando entendemos melhor a situação e percebemos a situação do Ronaldo, as coisas melhoram e o drama que ele vive é de certa forma divertido (mas apreensivo ao mesmo tempo), ponto pra você! Queria um pouco mais de suspense na cena final, mas ainda assim, gostei muito do caminho que o texto percorreu.

    Quando li seu conto, lembrei da última história que li envolvendo sexo e cemitério, foi um conto do Sérgio Sant’Anna chamado O Homem-Mulher, dá uma conferida, tenho certeza que vc vai gostar!

    Sorte e parabéns.

  21. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Original por manter o pé no chão. Este tema gera muitas expectativas no gênero fantástico, e fiquei curioso para ver o que apareceria. O desfecho comum e irônico caiu de forma excelente, quebrando a expectativa de duas formas, deixando os clichês de lado.
    ME: A escrita tranquila, aliada ao cenário bem construído, colaborou para a atmosfera em geral. Um cotidiano de cemitério. Acho que conheço essa escrita. O desenvolvimento foi bem cadenciado e ainda deixou um gostinho de continuação.

  22. Gilson Raimundo
    21 de setembro de 2016

    Não gostei do título, pensei que seria sobre pessoas de maquiagem escura, batom preto e bandas de rock pesado, só a transa no cemitério lembrou um pouco isso. Achei a história boa com um fim abrupto tornando-a muito simples.

  23. Catarina
    20 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    “A lua gorda de maio abriu uma janela estreita entre as nuvens e a fumaça para ver Lucinda nua.” – Só essa frase já valeu o ingresso.

    TRAMA sabrinesca selvagem! Narrativa magnífica com estilo marcante. Gosto de construções autorais.

    AMBIENTE pontuado mais pelos sentidos de Ronaldo do que pelo cemitério em si.

    EFEITO – Embora o texto seja muito bom, faltou uma surpresinha. Uma cereja na empada, uma azeitona no bolo ou, quem sabe, uma mosca.

  24. Fabio Baptista
    19 de setembro de 2016

    Texto com viés sabrinesco, muito bem escrito!
    Gostei dos diálogos e das sensações transmitidas, do jovem que se sente menino diante da mulher mais experiente (quem nunca? :D).
    O clima de suspense foi bem construído e a aplicação do PDV do rapaz ficou muito boa… e só percebemos isso no final, quando os barulhos tenebrosos revelam-se de origem mundana, ou seja, boa parte do terror só estava na cabeça do garoto.

    Esse anticlímax final ficou excelente também.

    Enfim… gostei bastante!

  25. Jowilton Amaral da Costa
    19 de setembro de 2016

    Bom conto. Eu estava para torcer o nariz no início. estava achando a situação dos dois no cemitério meio boba e tal. Mas, o conto da uma guinada e a narrativa amadurece do meio para o fim, conseguindo construir bem os personagens. A trama é boa, com suspense e humor bem dosados e que culmina para um fim interessante e sem “sobrenaturalidades”. Aquele gemido rangido não me soou bem. Também acho que deveria ter umas vírgulas a mais naquele primeiro parágrafo. Boa sorte.

  26. Pedro Teixeira
    19 de setembro de 2016

    Olá, Álvaro Amoroso! Gostei do conto. Trabalha de uma forma muito sutil com a ideia de morte, no caso a morte de uma parte da personalidade de Ronaldo. As construções expressam muito bem o súbito distanciamento entre os dois, com um uso rico de metáforas, como na frase sobre o “abismo”. Os personagens tem vida própria, com toda sua gama de sentimentos e ideias, e conseguimos visualiza-los com muita facilidade. Colaboram muito para esse resultado os diálogos, convincentes, que mostram o bom ouvido do autor.
    O início estava meio travado com algumas frases de som estranho(gemido rangido) mas depois a leitura flui muito bem.Algumas poucas palavras utilizadas destoaram do conjunto, como “carnes confortáveis”.

    *ruído rangente – achei dispensável o “rangente”.

    Bom, é isso. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  27. Leandro B.
    19 de setembro de 2016

    Caramba, achei o conto muito bom.

    Senti bastante experiência na narrativa que, com uma história simples, conseguiu prender minha atenção de início ao fim. Isso, claro, não acontece por existir um extraordinário acontecimento fantástico na história, mas porque a narrativa é simplesmente gostosa de ler.

    Nem sempre precisamos de mortes, monstros e apocalipses.

    Os personagens são vivos e críveis e é excelente como, em um espaço tão curto, o autor conseguiu construir um desenvolvimento em um deles.

    O tema foi abordado de maneira direta. Poderia facilmente se passar em qualquer outro lugar com uma atmosfera de mal assombrado, para gerar o conflito de Ronaldo. Mas o cemitério é o local em que guardamos os mortos, e é interessante a presença de uma morte escondida na história.

    Ronaldo, em uma fase difícil de se estar, meio infantil, meio madura, acaba matando uma parcela de si quando percebe como suas atitudes destroem a imagem que Lucinda tinha dele. Destrói, enfim, a própria imagem que faz de si mesmo, aparentemente se tornando homem um pouco tarde demais. Morre o garoto Ronaldo. Surge o sábio retrospectivo Ronaldo.

    Gostei particularmente do final. Uma reflexão pessimista do personagem, consequência de todo desenrolar da história.

    Enfim, redondo, bem escrito, aparentemente simples, mas bastante trabalhoso (suponho).

    Parabéns pelo trabalho.

  28. Fheluany Nogueira
    18 de setembro de 2016

    Jovens em busca de emoção, a mulher mais madura, o medo pelo desconhecido.

    Conto bem escrito, linguagem e estilo bem casados, diálogos construídos com coerência. Trata-se de uma história do cotidiano com leitura agradável, um suspense leve, personagens marcantes.

    Texto bastante interessante que foge do padrão sobrenatural, gótico. Gostei.

  29. Jefferson Lemos
    17 de setembro de 2016

    Olá, Álvaro.

    Um conto muito bem escrito, redondo e com uma trajetória definida. Gostei por ser curto e dentro desse pouco espaço ter escrito bastante, aprofundando as personagens e nos dando uma noção completa do senso espacial da história.

    A trama foge um pouco do usual, e acredito que esse seja um dos pontos mais positivos, porque pelo fato de estar bem cadenciado, conseguimos perceber o desenvolvimento e nos interessar pelo o que está para acontecer, mesmo sendo uma abordagem que literariamente não tenha me agradado. Mas deixando de lado meu gosto pessoal, que não viu um grande número de atrativos na história em si, devo parabenizá-lo pelo bom trabalho.

    É um conto muito bom, e mesmo pequeno conta bastante.

    Parabéns e boa sorte!

  30. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Muito bom! Leitura fluiu redondinha, do início ao fim! História universal, que faz todo mundo que já viveu um bocadinho se sentir mais próximo dos protagonistas. A grande surpresa final é exatamente não existir uma grande surpresa final. Nem fantasmas, nem monstros, nem mortes. Certo?
    Errado… A beleza desta leitura consiste, pelo menos para mim, na existência sim, ao final, dos fantasmas (falhas e erros cometidos = culpa), monstros (a insegurança gerada pela rejeição) e mortes (a imutabilidade do término não desejado de um relacionamento afetivo). Achei genial esta reflexão que a leitura me trouxe. Claro que, à primeira vista, o final parece que ficou sem muito impacto (cadê o sobrenatural?). Mas o impacto veio. Depois… E com a grande sacação de se chamar REALIDADE. Muito bom! De 1 a 10, daria 8 ou 9, dependendo dos demais textos que ainda irei encontrar neste Desafio. Parabéns! 😉

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Domínio de narrativa. Maturidade nos diálogos (destes, fiquei até com inveja!) e, sobretudo, AUDÁCIA criativa. Optar por mostrar uma obra sem o sobrenatural em um Certame cujo tema praticamente o exigia foi, sem sombra de dúvida, uma tática muito corajosa e eficiente. A aproximação do narrador (em 3ª pessoa) com o protagonista masculino na trama transforma mentalmente o texto para a 1ª pessoa de forma sublime. Parabéns para o(a) autor(a)!

    EU EDITOR (o lado negro da força) –> Só assinar o contrato! 😀

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  31. phillipklem
    14 de setembro de 2016

    Boa noite Álvaro.
    Foi um conto muito bem escrito, sim senhor! Gostei muito da sua maturidade nos diálogos, o que é uma das coisa que eu mais aprecio em um conto.
    Seus personagens, apesar de não conhecermos muito de Lucinda, são bem construídos e bastante definidos. Quase reais.
    Gostei que você fugiu do óbvio e não escreveu um conto sobrenatural. Isso mostra que você tem uma criatividade viva e sabe pensar fora da caixa. Mesmo assim você construiu uma tensão que deu vida e interesse ao texto. Meus parabéns.
    Apesar de algumas frases não terem me agradado muito, uma boa escrita me ganha mais que uma boa história e o seu foi um dos contos mais bem escritos que eu li neste certame até agora.
    Boa sorte.

  32. Pedro Coelho
    14 de setembro de 2016

    Muito bom conto. Foge do senso comum. Se constrói com muita fluidez, com bons diálogos, alterna entre os clichés clássicos (o que não necessariamente é ruim) para construir um suspense que ficou muito bem elaborado. Personagens bem construídos e com profundidade. Gostei da ideia de não ter ido para o fantástico, ao menos não explicito, o que o diferencia da maioria dos contos sobre o assunto. O final casou bem com o restante. Ficou uma dúvida agradável sobre a origem do barulho. Apesar dos gramáticos academicistas de plantão odiarem repetições, gostei do uso delas na construção de alguns diálogos e da introdução também, na parte do “apreciar”. Usou metalinguagem e referencias a filmes de terror pra aprofundar um pouco sobre o universo do protagonista, o que também achei legal Enfim, bom conto, até agora um dos que mais gostei.

  33. José Leonardo
    14 de setembro de 2016

    Olá, Amor Gótico.

    [“Gemido rangido” é tipo ‘ããããiiieeeeeschrooqqqqqqq’, como o possível acasalamento entre as partes de uma dobradiça e seu eixo?]

    [Não me leve a mal. Estou brincando.]

    É um conto com fluidez, diálogos muito bons, apresentando a intrepidez (o comando da situação) de Lucinda e um Ronaldo medroso, um sem-vontade como um ser em estado vegetativo que fosse “usufruível” [não sei se essa palavra existe]. O título já entrega o possível mote da história e a forma como o tema será utilizado, algo que confirmamos logo nas primeiras linhas. Creio que o extraído por mim aqui é isto: o domínio de Lucinda sobre o parceiro ocasional. Achei legal a escrita, mas enredo me parece sem propósito (o que não é demérito, pelo contrário, pois o autor é pleno responsável pela mensagem que quer transmitir e mesmo por se abster disso). Desculpe-me se fui sucinto demais, mas é minha impressão geral sobre seu texto.

    Boa sorte neste desafio.

    • José Leonardo
      14 de setembro de 2016

      Olá, Álvaro Amoroso* [o comentarista aqui sempre trocando as pernas]

  34. Anorkinda Neide
    14 de setembro de 2016

    Olá!
    Olha o texto é bom, tem alguns poucos erros gramaticais e q me incomodou mesmo foi já na primeira frase: ‘gemido rangido’ fiquei muito tempo pensando como seria isso… e ainda outras expressões q não me agradaram como ‘luar inodoro’, carnes confortáveis’, enfim… estranhezas…
    Mas o psicológico do rapaz foi bem construído, entrei com ele em suas reflexões e súbito amadurecimento, isso criou identificação.
    Quanto ao enredo, realmente, o leitor pede pra se saber o q era o rangido afinal, poderia sr um portão balançando ao vento, só pra fugir de ser uma árvore, já q se falou tanto de arvore,ser uma árvore seria chatinho… rsrs
    Concluo q é um conto bom de um autor(a) que está trilhando este caminho do escrever e ainda vai aprimorar muito mais com o passar do tempo e dos desafios. 😉
    Abração e boa sorte

  35. mhs1971
    13 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Costumo ler mais de uma ver para não ter dúvidas quanto ao contexto geral do conto.
    O começo houve uma tentativa de dar uma pincelada de graça literária, mas que não se repetiu no restante do texto, o que é uma pena.
    A leitura do texto foi bem fluida mas o desenvolvimento estava muito solta, um tanto desajeitada como os personagens.
    Além disso, o fato do uso do clichê mais clássico de histórias de cemitério, a lua como referencial de imagem que remete a algo sonhador.
    O final achei muito fraco e que poderia ter um impacto ou mensagem que daria um fechamento melhor, engrandecedor.

  36. Iolandinha Pinheiro
    13 de setembro de 2016

    Olá. Vamos ao conto. No início o autor fez uma introdução com tons metafóricos que felizmente abandonou ao longo da narrativa. Imaginei inicialmente que era um casal de adultos, mas depois foram inseridas informações que nos fizeram concluir que era um adolescente e uma jovem adulta. Ronaldo, o personagem mais interessante consegue proferir uma sucessão de frases no momento indevido que acabam por cortar o clima de erotismo que Lucinda tenta manter após o sexo. Há um diálogo banal e pouco amistoso entre eles que é cortado por gemidos estranhos que permanecem inexplicados até o fim do conto. Segue uma linha de ação que se esforça para não ser surpreendente e em alguns momentos, se torna desnecessária, como a parte onde a moça pula o muro e o rapaz consegue ver as lanternas dos funcionários do cemitérios, ok, mas e os gemidos? Achei o conto interessante mas não me conquistou. Adorei este trecho “Ronaldo se resignou a ir embora, arrastando correntes nos pés, claro, com o rosto febril e a alma a arder de sabedoria retrospectiva.” De fato os melhores argumentos só aparecem depois que as discussões terminam. Um abraço e sorte no desafio.

  37. Fil Felix
    13 de setembro de 2016

    This girl is on fire!

    Lucinda é das minhas, definitivamente! Bom ver uma protagonista mulher que não faz a típica mocinha medrosa ou algo assim. Gostei de ver saindo de cena em grande estilo.

    GERAL

    O conto passou até uma verossimilhança boa, não caindo no caricato. Mas não me cativou, principalmente pelo ar de aventura adolescente. O que é triste, pois tinha alguns ganchos interessantes que, acredito, poderiam transformar em algo mais engraçado (acho que o terror não foi o foco). Brincar com os clichês dos filmes de terror, como quando diz que “todo mundo que transa e vai atrás de onde vem o ruído acaba morrendo” é legal, daria pra brincar mais com isso. Como leitor, até esperei algo como Todo Mundo em Pânico ou Histeria, que parodiam isso. Mas o final acaba levando por água a expectativa, parece que levou à nada.

    Gostei dessa frase: “— Não é por nada, não. Você até me perdoe dizer isso, mas eu já me arrependi de ter ficado com você só por essa frase. De repente eu estou me sentindo com cheiro de fralda suja, por sua causa.” Muito engraçada.

    ERROR 404

    A escrita está boa, não encontrei muita coisa que incomodasse ou atrasasse a leitura. Só percebi algumas repetições no início, como nádega/ bunda e gemido/ rangido.

  38. angst447
    13 de setembro de 2016

    O tema proposto pelo desafio foi abordado, com certeza. Dois adolescentes descobrindo sua sexualidade (ela mais a frente, claro), tentando dar um quê a mais na relação.

    “Coisas horríveis costumam acontecer a quem transa em filme de terror.” – Sexta-feira 13?

    A leitura flui fácil, sem entraves, sem lapsos ortográficos perceptíveis. O tom da narrativa é leve, juvenil, ágil devido aos diálogos. Não há o peso gótico, mesmo o conto sendo ambientado em um cemitério. O autor preferiu seguir uma linha mais light, focando a trama no relacionamento dos dois jovens.

    Não houve grande impacto no final, mas isso também não me pareceu necessário. Entendi que a moça por ser mais alta, talvez pudesse pular o muro sem a ajuda do menino, mas preferiu assim porque queria se livrar logo dele, deixando-o para trás assim que pulasse o obstáculo. Certo?

    Bom conto, sem nada de muito especial, mas que diverte na medida. Boa sorte!

  39. Wender Lemes
    12 de setembro de 2016

    Olá! Sobre a técnica, não notei nenhum problema ortográfico nem de coerência. Estranhei as construções iniciais, mas era algo estilístico, que melhorou no decorrer do texto – ou ao qual eu me adaptei. Achei aquela fala sobre os filmes de terror um pouco deslocada, talvez didática de mais, destoando da conversa mais coloquial que o casal ia tendo. Sobre o tema, enquadra-se perfeitamente, e acaba tendo o diferencial de focar-se no simples e realista, deixando o clima sombrio, porém sem recorrer ao terror. Parabéns e boa sorte.

  40. Taty
    12 de setembro de 2016

    Um estilo leve, quase adolescente. A estória é simples, não chega a ser divertida, está mais para constrangedora, não no sentido pudico. O tema do desafio foi obedecido, mas fiquei meio desapontada com a coisa como um todo. Faltou o frio na barriga, como se diz.

    Por enquanto, é isso. Um conto mediano. Por enquanto porque a depender dos demais, este poderá ter seu valor aumentado ou diminuído.

  41. Evelyn
    12 de setembro de 2016

    Ah… Eu gostei muito desse conto, mesmo não tendo nada de surpreendente no final. Eram só os vigias do cemitério. Mas o texto flui e é bem escrito e tem essa ar de aventura. Gostei muito de como tudo se desenvolveu nele.
    Parabéns!
    Abraço!

  42. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    12 de setembro de 2016

    Olá Álvaro, gostei da fluidez da história e a achei bem contada. Está certo que não há nada de catártico aqui, mas é um belo recorte de “um dia na vida de dois jovens”.

    O texto me prendeu na leitura e só senti falta do momento em que ele realmente descobre que o barulho não era nada além dos guardas. Vi que você tentou construir isso de forma mais reflexiva, mostrando a decepção do personagem.

    Para mim, o ponto alto foi o momento em que ele entende que estava saindo com uma “mulher” e não uma garota. Valeu a leitura.
    Parabéns e muito boa sorte no desafio.

  43. Evandro Furtado
    12 de setembro de 2016

    Fluídez – Average

    O texto consegue segurar as pontas na maior parte, mas há certos momentos em que a estrutura sintática traz confusão e é preciso voltar na leitura para que se compreenda, de fato, o que está acontecendo. Questões de ortografia não interferiram no desenvolvimento.

    Personagens – Outstanding

    Lucinda – fogosa e ousada, provavelmente experiente sexualmente. É atraída por aventuras e parece ter particular fetiche por executar o ato sexual em lugares exóticos. Liberta, não se prende muito às amarras da sociedade.
    Ronaldo – contrário de Lucinda, inexperiente e inseguro. Provalmente mais jovem também. Sente-se atraído sexualmente por ela, mas sua relação parece consistir em apenas uma distração para esquecer questões aparentemente não resolvidas do passado. Medroso, se encontra atado às convenções sociais. Não admite sentir medo, machista.

    Trama – Average

    Apesar da boa relação de contraste entre os personagens principais, a trama falha em amarrar as pontas soltas. O misterioso gemido, por exemplo, ponto sobre o qual tudo se desenrola, não é devidamente detalhado. O conflito criado é interessante, mas sua resolução deixa a desejar.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Good

    Estilo – Good

    A narrativa em terceira pessoa se comporta muito bem, principalmente em relação às descrições. O título sugere um texto sabrinesco, o que não se confirma. É uma narrativa simples sobre as peripécias sexuais de dois sujeitos. O autor conseguiu dar um desenvolvimento decente, apesar de não ousar. A metáfora do “pular o muro” infelizmente não funciona.

    Efeito Catártico – Weak

    Apesar de todo o potencial levantado pelo estilo e pelos excelentes personagens, a entrega do texto final falha. Não há, de fato, um clímax que tire o conto de um balaio geral. Me pareceu, de certo modo, uma cena de uma novela deslocada de seu contexto geral.

    Resultado Final – Average

    • Álvaro Amoroso
      22 de setembro de 2016

      Bem, a metáfora do muro não funcionou porque eu juro que não tem metáfora ali… rsrsrs. O muro, tal como o charuto de Freud, é só um muro. Para entrar no cemitério escondido é preciso pular um muro, já que o portão fica fechado de noite. Então o muro é apenas um limite físico, sem poesia. Na verdade a figura de linguagem que eu tentei empregar ali é uma antítese suavizada entre “a festa” (de onde eles vêm e para onde voltam) e o cemitério.

  44. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um casal vai fazer sexo no cemitério, eles brigam porque ela acha ele covarde e imaturo só por ser dois anos mais velha. Claro que os ruídos podiam ser criminosos, ele estava certo, pensei que no final ela ia se ferir ou até morrer para mostrar que ele não estava tão errado em ter medo, mas o autor preferiu que o conto tivesse uma conotação exclusivamente de “pequenos dramas do cotidiano”, aquilo que em inglês se chama “Slice of Life”. Não entendi no final por que ele estranhou tanto ela pedir o pé dele para a ajudar a pular o muro: mesmo ela sendo 10 cm mais alta, isso não quereria dizer que podia pular sem ajuda, a estranheza dele não tem nenhuma lógica. Como disse Priscila Pereira, foi bastante original a ideia de uma história passada em um cemitério sem elementos fantásticos, mas originalidade não é tudo. A história não me empolgou muito, outros devem gostar mais, desejo Boa Sorte no Desafio.

  45. Olisomar Pires
    12 de setembro de 2016

    É um bom texto. Tem até um cemitério na história. Uma aventura juvenil. Há algumas construções boas, como exemplo o “sentiu-se mínimo, menino”. Tem fluidez. Aguardava mais do desfecho, ficou meio sem graça.

    Entretanto, essa aventura poderia ter se passado num shopping, numa praça, numa rua escura, enfim, foi no cemitério porque o tema do desafio pedia isso, rsrsrsr…

    Boa sorte.

  46. Priscila Pereira
    12 de setembro de 2016

    Oi Álvaro, achei ótima a ideia de um conto sobre cemitérios sem o horror e o fantástico, já que tem grandes chances de ser um dos únicos. Achei o texto bem visual, quase como um filme daqueles de adolescentes, bem escrito, sem entraves na leitura, de fácil entendimento. Gostei também da ação misturada com pensamentos profundos do personagem. Um bom texto. Boa sorte no desafio!!

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Informação

Publicado às 11 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .