EntreContos

Detox Literário.

Tempos Difíceis (Leonardo Jardim e Wender Lemes)

temposDificeis

Julio bateu com o grande martelo de borracha na picareta repetidamente até concluir a obra: um paralelepípedo extraído de uma pedra bruta. Colocou o objeto numa pilha com centenas de outros iguais. Limpou o rosto empoeirado com as costas das mãos, pegou mais uma pedra e recomeçou o trabalho.

Quando concluiu a meta do dia, o sol já havia se despedido da terra, banhando o mundo com um frio manto de escuridão. Não tinha estrelas naquele dia, mas não era comum que aparecessem. Pouco se via ao olhar o céu além do brilho sombrio e fosco da lua envolta em poluição.

Entregou as ferramentas para seu supervisor e recebeu em troca um ticket de comida após uma rápida inspeção.

— Preciso também de remédios — pediu.

— Não tenho — o homem respondeu indiferente.

— Mas meu filho está doente… — lamentou. — Você prometeu…

— Só deve chegar semana que vem.

— Não! Eu preciso antes disso… — ele argumentou, mas o superior o ignorou e já havia se encaminhando para vistoriar outro trabalhador.

Irritado e muito frustrado, Julio prosseguiu em direção à banca de comida e trocou o ticket por uma quentinha. Era o seu pagamento pelo trabalho do dia. Aquela era a única comida que sua esposa e filhos receberiam naquele dia.

No caminho de casa, cruzou com uma carroça que passou ao seu lado. Algumas de crianças choravam no interior, presas por correntes, a maioria meninas. Julio não sabia o que seria feito com elas, mas conhecia o destino: a Fortaleza — para onde também eram levados os paralelepípedos que ele fabricava e quase tudo o que era produzido por ali.

Adentrou no acampamento com centenas de casas de madeira construídas num terreno lamacento. Avistou o barraco onde morava com a família e, antes de entrar, olhou para uma fogueira acessa a alguns metros dali. Uns homens riam alto ao redor do fogo para afugentar seus demônios.

— Trouxe o remédio? — sua esposa perguntou antes mesmo que ele pudesse tirar as botas.

— Hoje não tinha de novo…

— Julio, pelo amor de Deus! Você não percebe que estão te enrolando. Nosso filho vai morrer se não tomar o comprimido logo, está ardendo em febre.

Ele encostou a mão na testa do bebê e percebeu que ela não estava exagerando.

— Vou resolver isso.

Deixou a quentinha na mesa, beijou a filha de quatro anos que dormia no chão e saiu de casa sem se despedir. Há tempos sua relação com a esposa estava fria como a chuva no inverno. Na vida difícil que levava, não podiam pensar em muita coisa a não ser manterem-se vivos.

Aproximou-se da fogueira onde seus amigos contavam piadas e se drogavam-se. Já havia frequentado muito aquele grupo, mas decidira afastar-se antes que afundasse junto deles no abismo da dependência química.

— Maicon! — ele chamou. — Maicon!

— Que foi, cara? — um homem com barba cheia e olhos vazios virou para ele com um isqueiro aceso queimando um tubo de vidro. A fumaça tóxica escapava e serpenteava indiferente rumo ao céu embaçado.

— Maicon, preciso de remédios.

— Porra, Julio, de novo, cara!? Você acha que isso nasce em árvore?

— Só mais dessa vez. O Lucas tá com febre ainda… sem o antibiótico vai morrer.

— Você sabe o que eu penso do seu bebê, né, Julio? — Maicon perguntou, com uma voz muito rouca.

— Sei, mas não tenho coragem…

— Na Fortaleza ele vai ter uma vida melhor, cara… — Maicon disse antes de sugar um pouco da fumaça. Seus olhos viraram como se quisessem olhar para dentro do cérebro.

— Você tem ou não o remédio? — perguntou, mas o outro não respondeu. Estava em algum plano distante da realidade. Não haveria mais como dialogar nos próximos minutos.

— Tenta com o Jorge Maria — disse um outro drogado, que Julio não reconheceu. Um jovem que devia ter entrado no grupo depois que ele saiu. — Ele deve ter o remédio.

— Vou tentar — respondeu, deixando-os livres em suas viagens a mundos melhores. — Obrigado. — Jorge Maria era o maior traficante da região. Tinha tudo o que não podia ser obtido sem tickets de trabalho. Mas, obviamente, cobrava muito caro.

Caminhou pelo chão lodoso desviando de corpos caídos pelas ruelas do acampamento — mortos os desmaiados, ele não tinha certeza — e de urubus que ignoravam sua presença e pareciam ter a mesma dúvida. Após deixar os casebres para trás, observou a única construção de alvenaria do local. Na porta, dois homens armados com lanças de madeira com ponta de ferro fundido e facões presos na cintura.

— Preciso falar com Jorge Maria — ele disse para os vigias.

— Ele não quer ser incomodado — um deles respondeu.

— Mas meu filho está doente. Preciso falar com ele…

— Deixe ele entrar — uma voz disse lá dentro.

Os seguranças abriram a porta e Julio entrou no barraco de tijolos sem qualquer acabamento, mas uma moradia muito luxuosa considerando os padrões do acampamento. Jorge Maria estava sentado numa cadeira. À sua frente uma mesa com diversas quinquilharias, a maioria Julio nem sabia para que servia. Uma delas, porém, ele conhecia muito bem: uma arma de fogo estava pousada na frente do traficante, como um sinal de aviso. Aquele era o único revólver das redondezas que ainda podia atirar e Jorge Maria sabia usar isso ao seu favor.

O traficante tinha um rosto bruto, com algumas cicatrizes e o nariz quebrado, mas a barba estava feita e a boca possuía quase todos os dentes — que ele exibia num sorriso aberto.

— Sente-se, meu querido — apontou para uma cadeira. — O que deseja?

Usava uma camisa de botão e levava pendurado por um barbante no peito um disco brilhante que reluzia em uma miríade de cores refletidas pelo lampião pendurado na parede. Era impossível não olhar para aquele objeto hipnotizante.

— Antibiótico — ele finalmente respondeu após sair do transe. — Meu filho está doente.

— O bebê?

— Sim, esse.

— Hum — ele abriu uma gaveta sob a mesa e remexeu algumas coisas. — Acho que tenho o que preciso. — Retirou um saco com uns comprimidos dentro. — Mas você sabe que sou um comerciante, né?

— É, eu sei. O que quer por isso? — estendeu a mão para pegar os remédios, mas Jorge Maria recuou um pouco, impedindo-o. Apesar disso, ele mantinha aquele terrível sorriso amigável.

— Antibióticos são muito raros, sabia? Quase nunca são vistos aqui fora.

— Eu sei. Diga logo o que quer.

— Calma, meu amigo. Considerando que tenho um apreço muito grande por você, vou fazer um preço especial: — disse, ainda com o sorriso brilhante no rosto. O disco hipnótico, que alguns diziam que um dia serviu para tocar música, cintilava com suas cores de arco-íris. — Eu quero sua filha.

— Minha… minha filha? — seu coração disparou.

— Sim, meu querido. Sua outra filha. Aquela maiorzinha.

— Não, a Joana, não. Não posso fazer isso…

— Sei que é difícil, Julio. Uma menina é sempre um xodó pro papai, né? — Estendeu a mão e segurou no ombro apertando forte. — Mas pense objetivamente: você tem dois filhos. Terá um só se não pegar esses comprimidos. Um menino tem muito mais chance de trabalho que meninas nesses dias. Além disso, você sabe da preferência dos nobres da Fortaleza por lindas garotinhas, como a sua, não é?

— Não posso fazer isso com ela — ele choramingou. Lembrava do sorriso feliz de Joana quando chegava a tempo de vê-la acordada e como ela adorava ouvir suas histórias. Da forma carinhosa como ela o tratava quando ele brigava com a mãe dela e do instinto materno que tinha com o irmão mais novo.

— Lá ela vai ter uma vida muito melhor, querido. Um teto estável, banho todos os dias e duas refeições por dia. Na Fortaleza ela será uma leide.

— Tem de existir um outro jeito — ele disse com o rosto entre as mãos.

— Olha só como gosto de você: — Pegou um comprimido no saquinho e entregou para Julio. — Não precisa me responder hoje. Dê esse aqui a ele e amanhã você me dá a resposta, OK?

— OK — disse, apático, pegando a precioso remédio.

— Levante essa cabeça, meu amigo — segurou o queixo dele. Julio viu seu reflexo no disco pendurado no peito do traficante. Viu o homem acabado em que se tornara, incapaz de salvar seus filhos desses tempos difíceis. — Agora vá. Sua família depende de você.

O pai de Joana e Lucas levantou-se com o punho fechado, quase esmagando o comprimido. Olhou o saco de remédios na mão do outro, o revólver na mesa e pensou em fazer uma loucura. Não daria certo, ele refletiu a tempo. Morreria ali e o bebê também, logo depois.

Arrastou-se pelo caminho de volta com um peso nas costas maior que a pilha de tijolos de pedra que produzia todos os dias. Não tinha ideia do que fazer. Não podia entregar sua filha para aqueles nobres babacas fazerem sei-lá-o-que com ela. Tampouco deixaria seu filho morrer de febre.

Chegou em casa, abriu a porta e a esposa cochilava com o bebê no colo deitados nuns trapos que eles usavam como cama. Amassou o comprimido com uma colher e colocou na boca do filho, que resmungou, mas não acordou. Observou Joana dormindo um pouco mais longe, deitou ao lado da garota e a abraçou carinhosamente. Uma lágrima teimava em formar em sua órbita. Ela, sentindo o peso do braço do pai, abriu aqueles pequenos olhos brilhantes e disse, embriagada de sono, mas com um lindo sorriso:

— Que bom que você chegou, papai. — E voltou a dormir.

Julio não extraiu um segundo sequer de sono daquela noite. A crueldade do momento era o martelo de borracha a deformar sua sanidade. As batidas seguiram até o amanhecer – e dali pelo restante do dia.

– São tempos difíceis, camarada – a frase arrebatou-o de seu martírio interior. A face do rapaz a lhe dirigir a palavra era estranhamente familiar, mas não sabia definir de onde.

– Por que você disse isso?

– Ora, e por que não diria? É uma porcaria de vida, marretando esses blocos até os braços caírem só para ter um prato de comida ou um trago de tranquilidade ao fim do dia.

– Não deixa de ser verdade. Qual o seu nome?

– Cambuca. O seu é Julio, não é?

De repente, a imagem daquele jovem se encaixou com um estalo entre as engrenagens de sua memória. Cambuca era o mesmo que, na noite anterior, lhe recomendara visitar Jorge Maria.

– Sim. Eu não tinha te reconhecido antes.

– Não tem problema. Você deve estar passando por muita coisa.

Julio não conseguia entender muito bem o olhar de Cambuca, mas parecia expressar algo que deixara aquele mundo há muito tempo. Oscilando entre a fadiga e a abstinência explícitas, vislumbrou uma nesga de compaixão.

Ao final daquele dia, após mais uma tentativa fracassada de conseguir medicamentos com o supervisor, os dois seguiram pelas vielas lamacentas do acampamento.

– A conversa com o Jorge Maria rendeu alguma coisa?

– Ele quer que eu abra mão de minha filha pra salvar o bebê.

– É um desgraçado…

Julio era metade de uma consciência a dialogar com o novo amigo. Sua outra metade se afogava em desespero até que, como um resfolegar indispensável, vomitou um pouco da salgada angústia pelos olhos e deu fôlego a si:

– Não sei o que fazer. Não posso sacrificar nenhum deles.

– Talvez, não precise. Só temos que encontrar um jeito.

– Tudo o que tenho feito desde sempre é procurar esse maldito jeito, Cambuca, mas ele simplesmente não existe.

– Claro que existe. Tem que existir.

De certa forma, a fé cega do jovem fazia revirar o estômago de Julio. Em uma realidade como aquela, o ato de crer por si só era quase um pecado.

– E o que você me sugere? Entregar a Joana para algum maníaco do outro lado do muro, ou ver o Lucas definhar? Ou melhor, quem sabe eu possa simplesmente cagar o maldito remédio duas vezes ao dia?!

Por mais irritante que sua calma pudesse ser, Cambuca não movia um músculo, nem tentava desviar seu olhar do estarrecido homem.

– O supervisor tem entregado cada vez menos medicamentos. Por outro lado, o Jorge Maria nunca está em falta. Não é curioso?

– O que você quer dizer, Cambuca?

– Quero dizer que alguém está lucrando muito com a desgraça alheia. Afinal, desgraça não nos falta.

– Mas se isso for verdade…. se eles estão desviando o remédio, como eu poderia consegui-lo?

– Se a mercadoria chega ao Jorge Maria, ela vem de algum lugar.

Ninguém em sã consciência cogitaria roubar algo de um comerciante. Todavia, a sã consciência de Julio já o havia deixado há muito tempo.

***

O Supervisor explorava a madrugada com seus passos curtos e o segredo para o sucesso a tiracolo. Seu nome era Haroldo, mais por praxe que por necessidade, pois ninguém o chamava assim. Seu pai fora supervisor, também o seu avô antes dele – e por “Supervisor” eram conhecidos. Haroldo, no entanto, não nascera para perpetuar a sina de sua família.

O destino, com seus tentáculos invisíveis, tentava mantê-lo no mesmo caminho dos antepassados, fadado à repetição da mediocridade, mas ele sempre quis mais. A oportunidade para a grandeza surgiu da mente criativa de outro pioneiro (um tal Jorge Maria).

– Veja bem, Supervisor…

– É Haroldo.

– Ok… Haroldo: você só precisa guardar os comprimidos e dizer aos peões que eles não chegaram. Eu os comprarei de você por um valor justo para nós dois.

– E se alguém descobrir?

– Ninguém vai descobrir. Quem não tá fritando os miolos com alguma substância, tá chafurdando na própria miséria. Acha mesmo que uma privação a mais faz diferença para esses pobres diabos?

– E quanto aos meus relatórios?

– Registre os remédios como “entregues”. Vocês os traz quando todo mundo estiver dormindo, os idiotas virão até mim para comprar o que já deveria ser deles. Todos vivem doentes, teremos sempre a demanda e a oferta. É genial, percebe?

O plano realmente era promissor e correu muito bem até uma fatal madrugada. Haroldo ouviu o muxoxo de lama sob sapatos atrás de si, mas seus reflexos não foram ágeis o suficiente para salvaguardar-lhe do primeiro golpe na nuca.

– Sinto muito, Supervisor.

– É Harol… – tentou dizer já com os joelhos vertidos ao chão. O pedregulho atingiu sua têmpora esquerda antes que pudesse terminar sua ladainha. Não existia mais Haroldo, ou Supervisor, ou pai, ou avô, ou sina, apenas mais um corpo devolvido ao barro.

***

Julio repousou o pacote cheio de remédios sobre a mesa, o olhar confuso, culposamente feliz até certo ponto. Descalçou suas botas embrejadas tentando não acordar ninguém. Sentado, observou sua família um pouco mais antes de dormir. Na manhã seguinte, o estampido de mãos pesadas contra sua porta despertou-lhe para a figura interrogativa da mulher.

– Onde conseguiu isso tudo? – ela sussurrou apontando para o pacote.

Julio apressou-se a escondê-lo.

– O Cambuca me ajudou. Isso importa?

Mais algumas batidas intermediaram o diálogo.

– Claro que importa, não quero você metido em confusão… Cambuca? Isso é nome de gente? Aposto que é mais um dos seus amigos drogados…

– Mas que raio, mulher! Eu trouxe essa porcaria! Já não basta?! – gritou, com a mão na maçaneta, inocente da ingrata ceifadora que lhe esperava do lado de fora. Somente a lâmina fria de um facão contra o pescoço conseguiu trazê-lo à luz de seus atos.

– Bom dia, meu amigo… – foram as palavras que escaparam entre o sorriso cerrado de Jorge Maria. Seus dois capangas fecharam a porta após sua entrada.

– O que você quer? – disse Julio, com o máximo de coragem que um homem com um facão na jugular poderia emular.

– O que eu quero? Um bom comerciante como eu precisa de várias coisas, Julio: carisma, contatos, inteligência, oportunismo… um revólver em cima da mesa também não faz mal, eu admito. Mas, suponhamos que você não seja tão ambicioso e se contente sendo um comerciante mequetrefe. Neste caso, você só precisa de uma coisa. Sabe qual é?

– Não. – Jorge Maria não tirava sua lâmina da garganta de Julio. Alguns filetes de sangue começavam a escorrer, para o agrado do bruto.

– É claro que você não sabe! Se soubesse, eu não estaria aqui hoje! Mas vou te contar esse segredo: o mínimo que um aprendiz precisa saber é MA – TE – MÁ – TI – CA! Percebe?

O bebê reclamava baixinho em meio a todo aquele reboliço. Joana tentava acalmá-lo, tremendo de apreensão ao ver o pai daquele jeito, segurando-se para não piorar as coisas, conforme silenciosamente instruía o olhar de sua mãe.

– Agora, meu querido, veja bem: eu te chamei de amigo, te dei um comprimido de brinde e esperei você voltar no dia seguinte com a sua filha nos braços, ou com uma resposta estúpida qualquer, mas você nunca apareceu. Pra piorar as coisas, meu fornecedor de antibióticos também me deu o cano. Muito azar em uma só noite, não é? Diferente de você, ele não estava em casa quando eu o visitei. É aí que entra a minha velha amiga matemática, consegue acompanhar?

Julio o encarava em silêncio, torcendo para que aquele maníaco deixasse sua família em paz. Enquanto isso, os capangas reviravam a casa com inata satisfação.

– Pois é, eu fiz as contas e elas me trouxeram até aqui. O seu showzinho antes de me deixar entrar só provou que dois mais dois são quatro, meu querido.

Neste momento, um dos brutamontes – como um cão a apanhar algo para seu dono – exibiu orgulhoso o saquinho cheio de comprimidos que encontrara entre os panos de dormir. Julio observava seu reflexo no arco-íris vítreo pendurado ao pescoço do comerciante. Como último capricho de uma esquizofrenia desenvolvida, não via sua imagem velha e decaída, mas o fantasma de um jovem drogado – o jovem que lhe guiara nos últimos dias. Cambuca nada mais era que o próprio Julio a se assombrar em vida.

– Você já achou o que veio buscar. Por favor, as crianças não te fizeram nada.

– O que você pensa que eu sou, Julio? Nunca machucaria crianças. Pagam mais por elas intactas.

A lâmina deixou o pescoço do homem com a relutância dos enamorados. Julio vergou-se sob o peso do alívio mais breve de sua vida, só para que a ponta metálica pudesse varar-lhe as tripas desavisadas.

– Você, meu amigo, por outro lado, não vale nada. Dê meus cumprimentos ao capiroto.

Assim, o comerciante deixou o barraco levando consigo seus dois comparsas, o pacote de remédios, um facão ensanguentado e a vida do anfitrião.

Julio era dois olhos lacrimejantes ao sentir a delicadeza da filha em seu último afago, sem poder encarar a esposa, a quem abandonaria com um fardo tão pesado, ou o bebê, que provavelmente o encontraria sem demora no outro lado do caminho.

– Tempos difíceis… que bom que você está crescendo, filha. – entre tosses vermelhas, foram as últimas palavras de um pai problemático.

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36 comentários em “Tempos Difíceis (Leonardo Jardim e Wender Lemes)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Se houvesse um troféu para conto mais doloroso, este ganharia fácil. Uma atmosfera distópica brilhantemente estabelecida, comparando-se à realidade de muitos rincões aqui no Brasil. Sim, há uma crítica social embutida sem parecer forçada, com exploradores e explorados. Nesse contexto, o drama familiar apresentado cativa e nos faz torcer por Julio, na esperança de que, afinal, tudo se resolva. Contudo, a trama anda de braços dados com a realidade e o que temos no fim é exatamente o que ocorre na rotina de muitas pessoas. Não há esperança, não há salvação. No fim, a gente morre. É complicado julgar essa opção dos autores, em especial do segundo autor, porque como escritores e como leitores, tentamos trazer à tona, no mais, algo que nos provoque enlevo, alívio e bem estar. No entanto, a literatura também deve nos deixar desconfortáveis, apresentando-nos opções difíceis de lidar, colocando afaca em nosso pescoço. Pela coragem desse texto, e pelo tema atual, merece mais do que parabéns.

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Impressionante a forma como os dois autores se completaram de forma a se tornar um único autor. Essa é a verdadeira magia deste desafio (e que muitos autores, inclusive eu, não entenderam na hora de complementar o texto do colega).

    O conto inteiro quase todo está sem falhas. A única coisa que senti de negativa foi “puxa, mais um drama…”. Mas está muitíssimo bem escrito, pelos dois autores, a narrativa está fluida, proporcionando uma leitura prazerosa. O final fechou bem a obra, com o pai morrendo e salvando a filha.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Aqui no entrecontos existem dois estilos marcantes: um de contos populares, como ficção científica, policiais, terror, e outro literário, que preza construções e imagens poéticas, literárias. Neste desafio, foi extremamente interessante ver um autor de um estilo tentar completar um de estilo oposto, principalmente quando tenta seguir o fio da meada. Esse conto é um exemplo claro. O primeiro autor começa com uma distopia, uma ficção científica ágil, que bem poderia dar origem a um filme, e o segundo, que tem estilo altamente literário, que já inicia com a metáfora da marreta, e termina em tom de tragédia shakespeariana. Isso produziu no conto um efeito surreal, fantástico, nunca visto antes na história do entrecontos, que aproveito para parabenizar pela ideia genial deste desafio. Como pequeno questionamento, tive a impressão que não daria para escrever um conto dentro do limite das palavras. Muitos mistérios teriam que ficar, evidentemente, sem resolver, como a história das meninas sequestradas.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Que história triste hein!?
    Vocês souberam criar um bom ambiente para contar a história de vocês. Quero dar meus parabéns inicialmente ao autor que começou a história. Foi uma ótima ideia. Você conseguiu captar o sofrimento que deve ser trabalhar para ganhar a conta exata da comida e ainda ter o sofrimento muito maior que é ver os filhos com fome e doentes e não saber o que mais fazer. Fiquei bastante envolvido com a história. Pow, eu tenho uma menina de 5 anos e um menino de 1 ano em casa. Essa história bateu doído aqui. Gostei também dos diálogos entre o bandidão e o pai de família. Ficou muito real e verossímil. Deu a idéia daquele cara que é extremamente perigoso, mas que fala como se fosse seu amigo de infância e como se quisesse mesmo te ajudar. Muito bom.
    Tenho apenas duas críticas ao conto de vocês e as duas são com relação ao final. Primeiro, não entendi porque o bandidão matou o pai de família, mas foi embora sem levar a menina com ele. Ele ainda disse que as crianças “valiam mais intactas”. Mas matou o cara e deixou as crianças. A minha outra crítica é quanto às últimas palavras do pai. Não achei justo com o personagem dizer que foram “as últimas palavras de um pai problemático”. Pow, o cara fez o possível e o impossível pela família. Estava se sacrificando como podia. Ele não era um pai problemático.
    Fora isso, gostei bastante do conto e vocês estão de parabéns!
    Um abraço!

  5. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: o misto de drama social com ficção distópica parece uma salada um tanto complexa, mas que foi bem conduzida pelos dois autores,
    INTEGRAÇÃO: a sequência, ainda que um tanto diferente na linguagem, acabou se integrando com a primeira parte.
    CONCLUSÃO: apesar dos diálogos e situações tenderem ao óbvio, no sentido de serem quase novelescos, o resultado geral do texto acabou sendo bom.

  6. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    achei interessante esta história, que me pareceu desenvolvida só por uma pessoa tal o cuidado apresentado no desenvolvimento da história. Bom ritmo no desenvolvimento do conto e com uma trama empolgante, mostrando um mundo underground interessante. Lamento que esta faceta não tenha sido mais apresentado e desenvolvido, pois iria enriquecer o texto. Muitos parabéns para esta dupla

  7. catarinacunha2015
    19 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Um drama social bem escrito. Tem grande dilema a ser explorado e o autor não deixou alternativa viável. Os clichês pulam na nossa cara sem muito impacto.

    PIOR MOMENTO: Chegou em casa, abriu a porta e a esposa cochilava com o bebê no colo deitados nuns trapos que eles usavam como cama.” – A pontuação equivocada me assustou, pensei que o cara tinha aberto a esposa também.

    MELHOR MOMENTO: “Seus olhos viraram como se quisessem olhar para dentro do cérebro.” – Boa tradução para o efeito do “baque” no drogado.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Passou não só o bastão, como também a camiseta, a calça, o tênis, as meias, etc. Se vira aí com o dramalhão.

    2ª PARTE: Soube respeitas o dramalhão e ainda deu um up grade na narrativa. Correu pelado pela pista sem perder o bastão.

    PIOR MOMENTO: “ Julio observava seu reflexo no arco-íris vítreo pendurado ao pescoço do comerciante.” – Não entendi esse arco-íris. Viagem psicodélica ou um colar mesmo?

    MELHOR MOMENTO: “A lâmina deixou o pescoço do homem com a relutância dos enamorados. Julio vergou-se sob o peso do alívio mais breve de sua vida, só para que a ponta metálica pudesse varar-lhe as tripas desavisadas.” – Aqui está a prova de que é possível descrever uma cena dramática de forma criativa e sem ser piegas.

    EFEITO DA DUPLA: Não compraria o livro da dupla, mas aplaudo o esforço dramático.

  8. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Uau! O que foi isso? Tudo bem que esse é só o quarto conto que estou lendo, mas já imagino que seja um dos melhores! Antes de qualquer coisa, parabéns aos dois autores!
    O mais incrível sem dúvida é o entrosamento dos dois, como se se conhecessem e tivessem planejado a história. Simplesmente não dá pra perceber a mudança de escritor. Precisei fuçar muito e deduzi a mudança pela diferença no uso dos travessões. Se não fosse por isso, dificilmente acharia o momento em que se alterou o autor.
    Enfim, o mais importante nesse desafio acredito que seja a capacidade de conduzir a história com exatidão e dar uma conclusão plausível, e nisso o conto está perfeito.
    Só queria analisar mais algumas coisas:
    Primeiro, gostei muito da referência da vida sofrida do protagonista ao que vivemos atualmente. Achei muito simbólica a frase “– Ora, e por que não diria? É uma porcaria de vida, marretando esses blocos até os braços caírem só para ter um prato de comida ou um trago de tranquilidade ao fim do dia.” Acredito que essa passagem seja o ponto alto do conto, a cereja no bolo.
    Em relação ao enredo e aos diálogos, tudo impecável e convincente.
    Em geral, tudo bem casado, tudo conciso e congruente, e muito bem conectado. Não tenho críticas a fazer. Parabéns!
    * Terminei as leituras e avaliações e voltei aqui pra dizer que esse foi realmente o melhor conto do desafio, inclusive sendo meu único 10. Parabéns!

  9. Evandro Furtado
    18 de agosto de 2016

    Complemento – upgrade

    A primeira parte já havia sido muito boa, mas o segundo autor conseguiu se superar. Eu, aqui do meu sofá, tive vontade de entrar no texto e começar a distribuir porrada. Provavelmente não funcionaria, mesmo no mundo real. Mas isso prova que a trama foi bem desenvolvida. O melhor vilão é aquele que a gente odeia até o fundo da alma. Esse Jorge Maria, filho de uma cabrita!!!

  10. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    Achei o conto muito bom. Temática pesada em uma escrita leve e precisa. A história flui muito bem.

    Parabéns!!!

  11. Bia Machado
    16 de agosto de 2016

    – Conflito: 2/3 – Que triste essa vida, realmente tempos difíceis. E ainda por cima, a esquizofrenia, não muito bem aproveitada, não tanto como poderia. O conflito instaurado é cheio de possibilidades.

    – Clímax: 2/3 – Me desanimou um pouco a condução.E o clímax não ficou como poderia também, inclusive o final me desanimou um pouco. Aquela última frase não ficou à altura do desenvolvimento… =(

    – Estrutura: 2/3 – Achei que o conto ficou bem estruturado, no sentido de que um autor continuou bem a ideia do outro, pareciam até um apenas. O que me incomodou na estrutura foram alguns erros, lapsos de revisão…

    – Espaço (ambientação): 1/2 – O mundo criado é bem triste, sufocante, mas poderia ser mais detalhado.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Mediano. Em alguns momentos me agradou, em outros, principalmente na segunda parte, não gostei muito da forma como se deu o desenvolvimento de algumas personagens secundárias, senti um pouco de descuido do segundo autor, parece que correu um pouco, talvez por conta do limite de palavras?

    – Narração (Ritmo): 1/2 – Não tem um ritmo apenas em todo o conto, há quebras. Mas no geral gostei, manteve meu interesse até o final.

    – Diálogos: 1/2 – Medianos, poderiam ser mais cuidados, mas contribuem com a narrativa.

    – Emoção: 2/2 – Gostei, prendeu minha atenção, embora tenha desgostado em alguns poucos momentos.

  12. Pedro Luna
    16 de agosto de 2016

    Hum, a trama até é interessante, mas no fim ficou uma frustração. Não pelo final negativo, pois não tenho problemas quanto a isso, mas sim pela sensação de o conto não ter levado a lugar nenhum. No fim, o cara rouba os remédios e acaba morto. Meio previsível e bad. De positivo, o clima pesado de uma vida pesada e sem futuro.

  13. Renata Rothstein
    16 de agosto de 2016

    Gostei muito deste conto. A dura realidade de Julio, sua insanidade, o desfecho triste, tudo ficou muito bem alicerçado, os elementos do texto foram utilizados com muito talento.
    Apenas faço uma ressalva quanto à falta de um aprofundamento sobre o cenário da história, talvez pela própria falta de espaço, no conjunto no entanto está ótimo.
    Nota 8,6

  14. Wesley Nunes
    16 de agosto de 2016

    A linguagem utilizada na narração e principalmente nos diálogos é marcante e ela demonstra com perfeição o modo de falar de um cidadão comum que vive em uma realidade não muito diferente da de muitos brasileiros. Isso acaba gerando identificação com o leitor.

    O autor demonstra em detalhes uma difícil realidade. As descrições são sucintas, mas passam o peso e a intenção de cada cena. O autor insere a tensão em seu conto logo no início e eu gostei desta escolha. Um conto deve causar impacto e ser rápido, e os dois autores seguiram essa premissa com hesito.
    Em relação a construção do personagem Julio, ela está impecável. O protagonista possui um passado, possui personalidade, um modo de pensar e apego a sua família. É fácil se apegar a esse personagem tão bem construído e o leitor torce para que ele seja vitorioso em sua jornada.

    Conforme prosseguia a história, senti que estava lendo algo em um cenário distópico. O autor não se chama Aldous Huxley atoa. Posso afirmar que desbravei através da leitura uma versão brasileira de admirável mundo novo.
    Para concluir, achei o desfecho excelente e corajoso.
    Os dois autores trabalharam muito bem em conjunto e merecem todos os elogios.

  15. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Dessa vez, por mais que tentasse, não consegui ver a emenda. O continuador criou um simulacro perfeito da escrita do iniciador. Isso pode ser considerado uma qualidade; certo talento para o mimetismo verbal. Mas também pode ser uma experiência monótona e sem graça. Não vou poder tecer nenhuma consideração sobre a diferença entre os autores, pois não notei nenhum. O conto é do tipo vidas desesperadas que terminam em desgraça. Esse tipo de narrativa deveria emocionar, mas aqui foi fria e mecânica: não senti a menor empatia por Julio, nem por um instante sequer. Pelo que eu entendi, a história se passa num futuro distópico, já que só isso explicaria todos usarem lanças e facas por só haver uma arma de fogo no local. Seria uma mostrar mais características desse mundo Mad Maxiano, em de se concentrar só no drama. Um conto que poderia ser bom, mas ficou fraca pela falta de emoção, e talvez um pouco mais de ambientação. Valeu como um exercício de escrita scifidistópica para os dois autores. Desejo pra vocês muito Boa Sorte!

  16. Anorkinda Neide
    15 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase
    Bom texto. Com um baita problema a ser resolvido, nao tanto pelo colega q continuar, mas pelo pai mesmo.. rrsrs Uma distopia, geralmente não gosto delas, mas aqui pela boa execução tenho que admitir q foi uma boa leitura.
    .
    Comentario segunda fase
    A continuação seguiu o ritmo inicial, talvez os dialogos com um pouco menos de naturalidade, q do início… O cara surtou e criou uma persona q o levou a fazer asneira… acontece! rsrs
    .
    União dos textos
    Acho que encaixou legal, um problema sem solução tinha que acabar mal mesmo, infelizmente. Acho que a narrativa ficou eficiente no todo.
    Abraços

  17. Simoni Dário
    15 de agosto de 2016

    Olá
    O texto ficou mediano, prende a atenção, me deixou curiosa, não é uma leitura travada, mas o final deixou a desejar. Quase não percebi a troca de mãos dos autores, o que é positivo e o ritmo continuou bom, mantendo o meu interesse até o final. Como disse, o fim ficou do tipo fácil, a agonia criada durante o conto terminou na morte do protagonista e bem, talvez você, autor complementar, tenha resolvido deixar o final por conta do leitor, mas no caso, aqui, não me agradou. Mas como resultado total cumpriu a função e acabou sendo uma boa leitura. Parabéns aos autores.
    Abraço

  18. Thomás Bertozzi
    14 de agosto de 2016

    Quando li sobre uma Fortaleza, pensei que o conto guardasse relação “Enganando o tempo”, mas não.

    Senti falta de uma dica, pelo menos,que esclarecesse o contexto da trama , a qual me pareceu inserida em um futuro apocalíptico.

  19. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    O conto é uma pequena distopia do mundo atual. Dor, dificuldade, sofrimento. O personagem central, se vê na difícil tarefa de lutar contra esse mundo também muito difícil. Nota-se aqui um lacuna no conto, não sabemos como é a saúde, se não existe mais hospitais, ou médicos… Julio busca ajuda com um traficante, entretanto a única coisa que se tem notícia dos nossos tempos é a carga horária de trabalho. A questão das crianças que são escravizadas e mostradas no conto com correntes, pode ser uma simbologia do futuro. Futuro esse acorrentado, sem perspectiva, sem fé ou esperança. Como se diz no título “Trata-se de Tempos difíceis” . A continuação seguiu a mesma temática do inicio. E quando Julio tenta sair do orbita do seu padrão, paga-se com a sua própria vida. NOTA:7

  20. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    Muito bom, Nota-se o esforço do segundo autor(a) pra não deixar a peteca cair, e conseguiu. Uma boa ambientação, consegui imaginar bem o estado calamitoso de pobreza, e ainda, 2 filhos a tira colo, quando ñ podia sustentar nem a si mesmo. Pensando aqui no final, a saga era sobre se ele conseguia ou nao salvar os 2 filhos, com a mrte do cara, ao menos o bebe iria morrer. e talvez tds se ele era o unico q trabalhava. A conclusao q o autor achou foi matar o personagem, sem concluir a historinha dele . O tal final em aberto.. realmente, as vzs, parece q fica em aberto qnd nao sabem o q fazer dele. E ai, a pessoa monta toda a historia, mas nao sabe q fim por, e deixa assim, RS ‘Não é minha modalidade de final preferida, e levo isso em conta. Acho q quem lê, espera uma conclusao. RS’ De qualquer forma, a narrativa ficou muito boa, mal dá pra perceber a mudança d ‘roteirista’, e também poucos erros de português

  21. Matheus Pacheco
    12 de agosto de 2016

    Uma coisa que me fez pensar essa semana inteira (Eu li no começo da semana e por algum motivo eu tive tempo agora) mas “Se drogavam-se” é gramaticalmente correto?
    Perdoem-me pela demora por comentar. Mas tirando aquele trecho o resto do conto está de boa, e eu ainda digo que uma escrita simples conquista muito mais que aquelas rebuscadas.
    Abração amigos

  22. palcodapalavrablog
    11 de agosto de 2016

    O ambiente e a trama criados na parte do conto, transportaram-me para um episódio de Sense 8.

    O problema que o primeiro escritor propôs, foi sem dúvida um grande desafio, que o segundo escritor abraçou com competência.

    O final da história, talvez, pudesse ter-se utilizado de algum elemento de catarse, justificando e conduzindo o leitor, rumo à morte do protagonista.

    Ainda assim, a história envolve quem a lê, do inicio ao fim.

    Parabéns para os escritores.

  23. Davenir Viganon
    11 de agosto de 2016

    Olá. Esse conto começa com um mundo distópico clássico que poderia muito bem ser algum lugar muito pobre do mundo. Deixou um bom dilema para o continuador que felizmente fugiu do final feliz porém finais infelizes são comuns nas distopias. Acho que tudo ficou bem feito mas sem aquela coisa surpreendente que eu esperava (talvez eu seja muito chato kkkk). No fim das contas foi um bom conto!

  24. Andreza Araujo
    11 de agosto de 2016

    Nossa, esse texto me deixou pra baixo, tô me sentindo mal. Normalmente eu não gosto de finais felizes, gosto de textos fortes, mas no caso de Tempos Difíceis eu torci por um encerramento feliz para a família.

    A narração com todos os seus detalhes e sentimentos está impecável, o leitor consegue entrar na história. Só fiquei na dúvida sobre o que de fato acontecia na tal Fortaleza e também com as crianças que eram levadas para lá.

    A história mostra até onde um pai pode ir para salvar os seus filhos, e no caso do Julio o preço foi a morte, restando para a mãe uma difícil decisão a tomar. E mesmo que ela salve o filho (ou os filhos), como vai conseguir sustentá-los agora que está sozinha?

    Não gostei do conto, me deixou triste. kkkkkk Brincadeira, o texto é bom, se não fosse, não me traria este turbilhão de sentimentos.

  25. apolorockstar
    10 de agosto de 2016

    o conto teve um inicio fantástico, a linguagem foi muito bem empregada e usaram muitos jogos de palavras o que deu uma riqueza ao texto, porem muito na história ficou solto, faltou ainda muita coisa para se explicar desse universo, o que aconteceu para o mundo ficar desse jeito? o que era esse castelo que a s meninas eram levadas? quem eram eles ? onde estavam? ainda ficaram muitas nuvens que penso eu precisaria de mais texto para esclarecer, fora isso e uma confusão nas palavras ,até descobrir que JUlio tinha um filho e uma filha, o conto e bom

  26. angst447
    10 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – O título simples e repetido como mantra ao final do conto.
    R – Alguns poucos lapsos de revisão encontrados:
    Vocês os traz > Você os traz
    Reboliço > rebuliço (confusão)
    E – Boa colagem das duas partes, sem que se perceba a emenda feita, Não percebi conflito de estilos dos dois autores. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama retrata um panorama bastante miserável tanto material quanto moral. O desespero de um pai diante da impossibilidade de cuidar adequadamente do filho doente. Percebia certa semelhança com o filme A Escolha de Sofia, quando Julio é pressionado a escolher entre a filha e o filho. Na terrível situação, ele resolve adotar medidas mais drásticas, roubando o medicamento. Somente o final, que está bastante bom, me incomodou um pouco, porque supus que o tal Cambuca levaria as duas crianças como compensação pelos seus prejuízos.
    A – A leitura flui muito bem, tanto na primeira parte quanto na segunda. A presença de diálogos agiliza a narrativa, tornando a experiência bastante agradável. Apesar do tema pesado, o conto não se torna maçante e não cansa o leitor. Ótimo ritmo.
    🙂

  27. Brian Oliveira Lancaster
    8 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Tempos Difíceis (Aldous Huxley)
    CA: Texto estilo distópico, com uma carga bem dramática. Um enredo simples, mas que deixa pontas interessantes, por exemplo, “o que é a Fortaleza?”. Um cotidiano trágico. – 9,0
    MAR: O desenvolvimento corre bem, sem grandes reviravoltas, bem pontuado com dilemas morais. Só não captei muito bem o cenário em si. Parece alguma cidade brasileira, mas também pode se passar no exterior. Talvez o autor(a) tenha deixado nebuloso de propósito. – 8,5
    GO: Algumas coisinhas clichês, mas contém pontos criativos como tentar adequar o texto a uma espécie de distopia urbana. A escrita também é simples, mas flui bem. – 8,5
    [8,6]

    JUN: Continuação excelente e de mesmo nível. O segundo autor conseguiu emular as características anteriores e ainda acrescentar novos detalhes à trama, com forte inspiração em Clube da Luta ao deixar o protagonista conversar “sozinho”. Até achei que se enveredaria para o lado fantástico, mas o autor preferiu ser mais pé no chão. – 9,0
    I: O dia a dia de uma distopia não tão distante, com um final direto, frio e cruel, como o enredo pedia. – 8,5
    OR: Destaco o final sem volta. Até pensei que alguém iria se salvar, mas não foi o caso. Ganha pontos por fugir do lugar-comum. Não é muito do meu estilo, mas as duas partes estão bem escritas. Poderia ter se aprofundado mais na questão da Fortaleza – fiquei curioso. – 8,5
    [8,6]

    Final: 8,6

  28. Rubem Cabral
    7 de agosto de 2016

    Olá, Aldous.

    Gostei mais da primeira parte, pois a segunda apenas fechou algumas pontas, embora o autor tenha se decidido por uma corajosa pegada “real”. Alguns elementos, penso, poderiam ser desenvolvidos, feito explicar o que realmente acontecia no castelo, etc.

    A fusão de estilos foi bem homogênea, praticamente não se nota qdo o primeiro autor sai e quando o segundo entra.

    Nota: 7.5

  29. Marco Aurélio Saraiva
    5 de agosto de 2016

    Tempos difíceis mesmo!

    O paralelo com a peça “quase” homônima de Charlie Chaplin foi um toque interessante. São os tempos modernos, afinal, extrapolados ao máximo, transformando-se em uma distopia localizada. Há tantos paralelos com a sociedade atual que este conto faz que não sei por onde começar a pensar. As diferenças sociais; a INdiferença do povo de países mais abastados aos povos moribundos e sofredores da áfrica ou da ásia; a forma como o governo pode nos oferecer tantas coisas que, ao invés disso, acabamos tendo que procurar em outro lugar, gastando nosso dinheiro e fomentando justamente este tipo de atrocidade com o dinheiro público… a lista é enorme. Ao invés de discutir isso, vou direto à critica ao conto.

    Escrita muito boa. Poucos erros; narração limpa; trama bem construída; personagens bem definidos e trabalhados. O mistério sobre Cambuca (quem ele era afinal? Um alter ego? Um agente duplo? Um filho da puta?) também foi um toque interessantíssimo e a falta de explicação era necessária, deixando para o leitor a decisão de quem ele realmente era.

    Sobre a diferença entre a primeira e a segunda parte… que partes? Quando terminei de ler o conto, tive que ir até o post de regras pra ver se era ESSE o conto sem continuação… .e não era!! Ambos os autores foram tão sinergéticos que não senti a transição nem as diferenças de estilo. Parabéns!!!!

    Por outro lado, um “downside” foi o final. Deixei este comentário para o final por que ele me soa mais como “opinião pessoal” do que crítica. Para mim, o conto pedia um final mais light. O sofrimento é tanto durante todo o conto que torna a leitura pesada. O final não tira este peso: mantém ele lá. Você sai da leitura encurvado. Julio não conseguiu salvar o seu filho. Ele morreu, então a família perdeu também o único apoio financeiro. O futuro no início do conto era tenebroso, mas no final era um negrume total.

    Mas, como dizem muitos, “a vida é assim também”…

  30. Jowilton Amaral da Costa
    5 de agosto de 2016

    Bom conto. As duas partes estão muito boas e bem compatíveis uma com a outra. Encontrei pequenos deslizes de revisão na primeira parte, coisa pouca, mas, deu para perceber. A distopia – isto é uma distopia, não é? – foi bem ambientada. Uma boa história, bem narrada, uma trama beabá que funcionou e com um final que eu não esperava. Boa sorte, meus caros.

  31. mariasantino1
    4 de agosto de 2016

    Olá, autores.

    Então, esse é o conto o qual dei a maior nota até agora, 4 para cada parte. Muito bom perceber que os personagens não foram descaracterizados entre um escritor e outro, não houve perda, o cerne, um pai protegendo sua família, ainda permaneceu no decurso do texto e o todas as ações, portanto, estão dentro do universo previamente criado, não há grandes saltos, dessa forma todas as ações são cabíveis para os personagens. Me chamou a atenção quando o primeiro autor terminou o conto com a fala da criança para o pai e o retorno ao sono, e o término feito pelo outro escritor com a fala do pai para a criança e aí o sono eterno. Eu gostei, me importei com os personagens, quis saber o que iria acontecer, mas acabei achando o final extremamente dramático.

    O conto perde pontos pela repetição do Jargão “Tempos difíceis”, pela apatia da mãe frente ao ocorrido e por ser pintada somente como empecílio na vida do Júlio, por não ter belas construções frasais (pois caberiam) e pelo clichêzão de “Fortaleza”.

    Fiquei curiosa quanto a ambientação do conto, seria algo futurista? Porque do modo que foi apresentado, me pareceu mais com tribos africanas de filmes como Districto 9, Chappie e até mesmo os E.U.A do filme Predador II.

    Parabéns pelo ritmo narrativo nas duas partes.
    Boa sorte no desafio.
    Nota: 8

  32. Amanda Gomez
    1 de agosto de 2016

    Olá, Autores.

    Eu já havia lido a primeira parte sem o complemente, e fatalmente imaginei diversas coisas que poderiam ser feitas para o seguimento. Estou um tantinho frustrada, talvez. Porque o meu interesse seria em ver além desse ‘’ campo de concentração’’ apresentado inicialmente, seria interessante abordar o que acontece com as meninas na fortaleza.

    O que aconteceu no mundo, para estar nessa situação? É um conto que deixa bastante lacunas abertas, o final por si só é aberto, fica a dúvida se eles levaram ou não a filha dele, ou se só matando o pobre homem, já resolvia a questão. O menino de certo morreria.

    É um conto bem pesado, emocionalmente falando, causa uma certa revolta como a condição humana estar sendo tratada. A escrita se assemelhou bastante, quem complementou tomo esse cuidado. É fluida. Mesmo deixando esse inconcluso, eu gostei bastante do conto, como um todo. Acho que casou bem… a impressão que fica é que terá uma continuação. O que seria uma boa, porque eu realmente gostaria saber sobre o destino das meninas. rsrs. (Eu já falei isso?)

    Sobre o protagonista, o que me chamou atenção foi justamente as últimas palavras e conclusão final, de que a esposa teria um fardo pesado, e que nada mais ele poderia fazer. Quem sabe até mesmo um alivio. É bem chato saber que a rotina de sofrimento continua, e nada mudou. Mas finais felizes não são para todos não é mesmo?

    Parabéns pelo conto!

  33. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2016

    Ah, esqueci de comentar: o lance da esquizofrenia não me agradou muito. Mas é mais gosto pessoal mesmo.

  34. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Tempos Difíceis

    TÉCNICA: * * * *
    O conto começou com uma má impressão, numa primeira frase onde faltou uma vírgula pelo menos.
    Alguns deslizes:

    – se drogavam-se
    >>> sobrou um “se”

    – Acho que tenho o que preciso
    >>> precisa

    – a precioso
    >>> o

    Algumas boas figuras: “Seus olhos viraram como se quisessem olhar para dentro do cérebro”
    Outras já meio batidas: “fria como a chuva no inverno”

    Mas, no geral, foi muito bem, com bastante fluidez narrativa.
    Tive impressão que na segunda parte, imagino que depois da troca de autor, começaram a surgir mais adjetivos e expressões que quebravam um pouco o clima, tipo “babacas”. Mas no geral a qualidade se manteve.

    ATENÇÃO: * * * *
    O texto prendeu bastante a minha atenção.

    TRAMA: * * * *
    Não tem nenhum elemento necessariamente original, mas soube trabalhar muito bem a ambientação os personagens e criar um belo conflito.

    UNIDADE: * * * * *
    Talvez tenha sido impressão, mas me parece que na transição houve um descompasso na cadência narrativa (o segundo autor me pareceu mais acelerado no começo).
    No mais, pareceu um autor só escrevendo e complementando muito bem as ideias.

    NOTA FINAL: 8,5

  35. olisomar pires
    1 de agosto de 2016

    Uma viagem esse conto. Geralmente textos com a apresentação da maldade crua, sem sentido, pragmática, me assustam, mas esse conto falou-me de covardia somente. Muito bem escrito e desenvolvido, a estória deslancha sem problemas e nos gera questionamentos. Portanto, a literatura cumpre sua missão aqui. Notei dois errinhos de concordância . Nada grave. Parabéns aos autores.

  36. Gilson Raimundo
    31 de julho de 2016

    Um conto pós-apocaliptico em orquestrado, no início pensei que era algo da idade média. Os autores se completaram não deixando a peteca cair, não é fácil distinguir os dois pois a pegada se mantem… Cambuca, isto é nome de gente? Também me perguntei. Trocar ticket por uma quentinha não ficou legal, dois termos que não deveriam ser usados para assegurar a credibilidade… A duvida agora fica por saber o que se passava na fortaleza, srá que vai ter uma continuação…. parabéns pelo sincronismo nesta boa hisdtória…

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Publicado às 13 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .