EntreContos

Literatura que desafia.

Enganando o tempo (Marco Piscies e Victor O. de Faria)

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Eram um povo peculiar. As pessoas viviam cercadas por muralhas maciças que se disfarçavam de montanhas, e cobertas por uma abóbada translúcida que os fazia esquecer do seu enclausuramento.

Lá dentro, o tempo não passava.

Viveriam para sempre – o mundo limitado aos poucos quilômetros quadrados cercados pelas muralhas irregulares. Eles não entendiam aquela tecnologia. Seus registros mais antigos falavam de um mundo destruído e de conhecimentos perdidos; nada falavam sobre manipular o tempo, tampouco sobre criar plantações e animais onde o tempo não existia. Por isso, tinham que sair constantemente para trazer alimento para dentro das muralhas.

O tempo passava, afinal. Só. Que. Bem. Devagar.

A forma justa de fazer as coisas foi um rodízio. Todo ano, cada setor designava oitenta pessoas para sair da Grande Cidade e servir durante um ano nas Fazendas, onde o tempo passava normalmente. Em média, cada pessoa servia uma vez a cada dez anos. Não sair para o serviço na lavoura era um dos poucos crimes reconhecidos pela legislação.

Na cidade onde o tempo havia parado, era crime viver para sempre.

As crianças nasciam do lado de fora, onde cresciam até os doze anos, quando finalmente eram admitidas dentro das muralhas. A partir de então, a vida era infinita até que acabasse. A cada dez anos, o seu nome no painel de anúncios.

O maldito painel de anúncios.

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Os olhos de Fernando fitavam o seu nome no painel digital. Estava tão absorto que não percebeu a aproximação da Diretora de Setor, apesar dos saltos altos a denunciarem.

– Finalmente trabalharemos juntos lá fora, ein? – Ela falou. Apesar do tom naturalmente autoritário, Jani sorria descontraída. Fernando respondeu com um sorriso tristonho e um aceno com a cabeça. Ela estranhou.

– O que deu em você hoje? Está no mundo da lua? Ou… ah, não me diga que você está com…

– … complexo dos quatrocentos anos. – Ele completou, com um sorriso.

Se a voz da diretora intimidava, seu sorriso acalmava a alma. Jani soltou uma risada sincera e, de forma natural, repousou a mão no peito de Fernando. Ele adorava aquilo, assim como adorava todos os outros pequenos detalhes e nuances do seu comportamento.

– Só você mesmo, Fernando.

Com dois tapinhas carinhosos em seu peito, ela se retirou imponente, da mesma forma que chegou. Os olhos de Fernando acompanharam o rebolar da diretora.

– Eu sei que você está olhando. Agora vá para casa e arrume as coisas. Em dois dias nos encontramos na Avenida.

Fernando riu e respondeu antes que ela estivesse longe demais.

– Vi um nome familiar neste painel.

De forma brusca, a sinfonia dos saltos altos foi interrompida. Jani virou-se.

– Qual?

– Yuri Leear. Seu filho. Primeira vez dele na lavoura?

– Sim, mas você já sabia disso.

Mesmo de longe, Fernando pôde mirar os seus olhos.

– O tempo passa rápido, né?

Jani soltou uma risada nasal, acompanhada de um sorriso desconcertado. Foi ele quem prosseguiu.

– Você pode se fazer de durona, mas eu não sou o único aqui com crise dos quatrocentos anos.

Ela apontou um dedo ameaçador na sua direção, balançando a cabeça em reprovação. Pareceu puxar o ar para responder à altura, mas apenas riu e voltou a seguir o seu caminho.

– Dois dias! Não se atrase!

Os olhos sorridentes de Fernando não desviaram do rebolado suntuoso até que desaparecesse atrás de uma esquina.

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Os dois dias passaram como dois minutos. Em pouco tempo Fernando, Jani, seu filho Yuri e outros setenta e sete trabalhadores acenavam para o portão que se fechava. Cada aceno, um segundo a menos de vida. Fernando sentia cada célula do seu corpo se decompondo vagarosamente. Respirou fundo. Não havia o que fazer senão esperar o tempo passar.

As Fazendas eram cercadas por muros tal qual a Grande Cidade, mas estes eram translúcidos, permitindo que contemplassem o exterior. A cúpula não existia lá fora. As chuvas eram constantes e refrescantes, enchendo de sensações diferentes o tempo que passavam ali, envelhecendo aos poucos.

Certa vez naquele ano, choveu durante o dia, mas o céu, ao invés de fechar suas cortinas de nuvens negras, permaneceu azul. O vento fazia as plantações dançarem em uníssono. Yuri correu para fora, tirou a camisa e abriu os braços, sentindo o corpo todo ser banhado pela bênção que vinha de cima. Fernando puxou Jani para fora. Os três dançaram na chuva em meio a risadas, transformando a penúria em alegria.

Após a chuva, o sol parecia brilhar ainda mais. Com as roupas grudadas ao corpo, o trio sentou-se em um terreno elevado, contemplando os raios solares abrirem caminho por entre as nuvens, descendo sobre a terra mais belos do que qualquer pintura que os tentasse representar. Era arte em forma viva.

Jani abraçava seu filho com um dos braços e, ao seu lado, deixou que sua mão caísse distraída sobre a mão de Fernando.

– É bonito, não é? – Foi o que ele conseguiu falar.

– Sim. Percebe como o céu parece mais bonito do que o resto da paisagem? Como se estivesse mais limpo?

– É, dá para ver uma diferença.

– É gritante, na verdade, mas você não tem como comparar por que nunca viu a paisagem lá fora. O muro de proteção distorce as cores e tira um pouco da vida.

– Você já saiu dos muros?

– Saio sempre que venho para cá. Um dia eu te mostro.

Fernando tinha certeza de que se beijariam ali, naquele momento, caso Yuri não estivesse ao lado. Ao invés disso, retornaram cada qual ao seu alojamento, a fim de tratar de roupas ensopadas e corações ansiosos.

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Os meses seguintes transformaram o trabalho em rotina. O beijo que Fernando antecipou não aconteceu. Jani parecia sempre atarefada com algo mais importante, e ele decidiu não se intrometer. Esperava o momento ideal.

No último dia de serviço nas lavouras, o momento ideal bateu à porta.

– Fernando, vem aqui, eu quero te mostrar uma coisa.

A voz de Jani tinha o tempero autoritário de sempre, mas parecia também urgente. Ele abriu a porta de imediato, mas a diretora não deixou espaço para perguntas. Começou a andar assim que ele surgiu, fazendo com que apertasse o passo para acompanhá-la. A caminhada seguiu em silêncio até que o seu destino ficasse óbvio.

– Estamos indo para fora?

– Eu falei que ia te mostrar como era lá fora, não falei?

Ela abriu um sorriso que talvez apenas ele soubesse que era falso. Algo nela falava além de suas palavras. Uma leve inclinação dos lábios; um olhar que não se mantinha no lugar. Era como se Jani quisesse chorar, mas o orgulho a impedisse.

Fernando aquietou-se e seguiu os comandos da diretora. Armaram-se com fuzis de assalto para defender-se de possíveis criaturas selvagens, assinaram alguns papéis e colocaram os pés do lado de fora dos muros de proteção. O portão fechou-se pesado atrás deles, enquanto Fernando fitava o fuzil, tentando lembrar-se das aulas que teve sobre seu manuseio. Jani passou por ele e cutucou-o no braço. Ele olhou para frente. Teve que segurar uma lágrima que quis sair apressada de um dos olhos.

Fernando conhecida o verde da relva; a cor da copa das árvores; as cores dos arbustos e das frutas. Mas tudo aquilo, quando estendido até encontrar-se com o céu no horizonte, exalava outra forma de arte que encheu os seus pulmões com assombro. Repentinamente, o fuzil nas suas mãos parecia errado. A vontade era de jogar a arma de fogo por sobre os muros e voar sem rumo pelos céus.

– Tenha cuidado, aqui nós estamos expostos.

Como uma bateria antiaérea, as palavras de Jani o derrubaram do seu voo. A diretora embrenhou-se no matagal. Fernando a seguiu de perto.

Foram quatro horas de caminhada, a maior parte em silêncio constrangedor. Jani conhecia o caminho e andava na frente em ritmo militar. Chegaram por fim à beira de um penhasco. Lá em baixo, após a queda de duzentos metros, a meio caminho entre eles e o horizonte, havia um vilarejo com casas feitas de tijolo e ruas feitas de pedra. Para o assombro de Fernando, haviam pessoas lá.

– O quê…

– É um vilarejo. – Ela explicou.

– Mas eles…

– Vivem por volta de sessenta a oitenta anos. Alguns sortudos vão até os cem. – Ela completou, novamente, os seus pensamentos.

Incrédulo, Fernando não conseguia desviar os olhos daquele lugar. Então é verdade, eles existem mesmo, ele pensava, lembrando-se de todos os livros que leu sobre os povos da antiguidade. Não há tempo hábil para fazerem nada. Quando conseguem construir algo, o seu tempo…

Os pensamentos se desfizeram quando ele olhou para Jani e viu que seus olhos não seguravam mais as lágrimas. Os lábios rosados tremiam com a força que ela fazia para resistir ao pranto.

– Jani? O que aconteceu?

– Me beija…

Silêncio. Fernando sentia a dor da amada, mesmo que não soubesse sua razão. Queria tocá-la; queria torná-la sua. Ela repetiu o convite sem falar. Seus lábios trêmulos desenharam as palavras, e ele entendeu. Segurou seu rosto com as mãos e a beijou. O gosto de Jani em seus lábios misturou-se com o gosto das lágrimas. Sem entender, ele também chorou. Por um momento não havia mais Jani e nem havia mais Fernando. Uma mistura dos dois entrelaçava-se em línguas, carícias e lágrimas.

Então Jani afastou a sua boca da dele, fechou os olhos, respirou fundo, deu um passo para trás e apontou o fuzil na sua direção.

– J… Jani?

– Eu gosto de você pra cacete, merda. Acho que te amo.

Ele levantou os braços e esperou. Não sabia o que falar. Seu coração corria os cem metros rasos. O que estava acontecendo? Será que ela sabia?

– Quantos anos você tem?

Ela perguntou, inquisidora, como se lesse os seus pensamentos.

– Jani…

– QUANTOS?

– Quatrocentos e…

– MENTIRA! Quantos anos você tem, merda? Eu sei de tudo, Fernando, eu sei…

A inabalável diretora chorava copiosamente. Sua mão vacilou. Fernando deu um passo à frente…

… e sentiu o cano do fuzil na sua testa.

– Fica onde você está. Responde a pergunta.

Ele suspirou. Ela sabia. Ela sabia mesmo.

– Mil novecentos e trinte e sete.

Jani não quis acreditar. Ela sabia, mas não queria acreditar.

– POR QUÊ?

– Eu…

Um tiro de fuzil fez os pássaros ao redor saírem em revoada, criando uma cortina viva que cobriu o céu. Quando o bater de asas tornou-se um som distante, apenas o choro de dor de Fernando, ao chão, podia ser ouvido. A perna alvejada jazia imóvel.

– Jani você não entende…

O peito de Jani subia e descia menos apressado. O vermelho do rosto era agora mais raiva do que tristeza. As palavras saíram de sua boca congeladas.

– Eles ouviram o tiro. Devem chegar em pouco tempo, para ver o que aconteceu. Eles sabem cuidar desse ferimento, você vai sobreviver. Vai ser difícil aprender a língua deles.

Ele ouvia, estupefato. A natureza ao redor da perna tingia-se de vermelho.

– Jani… eu não… via sentido… eu buscava uma razão. Sempre busquei. E agora encontrei! Não preciso mais mentir. Eu te amo, e quero ficar velho com você. Sem trapaças! Sem… sem…

O olhar gélido da amada fez as palavras morrerem na sua boca.

– Quantos você teve que matar para manter o seu segredo?

Silêncio. Vergonha. Fernando baixou os olhos.

– E das que você matou, para quantas falou estas mesmas palavras?

Mais silêncio. Covardia. Pensou em pegar o fuzil. Seus olhos o denunciaram.

– O pente está vazio. – Ela falou. Então, começou a refazer o caminho na direção das Fazendas.

– Existem outros como eu! – Ele gritou – Eu posso mostrar pra você. Podemos fazer uma parceria!

– Eu vou encontrá-los, assim como encontrei você. – Ela gritou de volta.

Jani parou para olhá-lo uma última vez. Ainda havia paixão em seus olhos marejados, mas também raiva. Será que ela sabe que eu realmente a amei? Ele pensou, quando a viu virar as costas para sempre.

Arrastou-se até uma árvore, onde pôde sentar-se ereto. Dali, tinha uma visão privilegiada do mundo.

Tanta coisa para ver, ele pensou.

E tão pouco tempo…

~ ~ ~

Seus devaneios foram interrompidos quando escutou o farfalhar característico das folhas de Outono. Procurou não se mexer. Já tinha ouvido falar em criaturas selvagens que atacavam uma presa ferida. Se permanecesse imóvel, de olhos fechados, contendo a respiração, talvez o animal o deixasse em paz.

Cruzou os braços e minimizou a contração do peito. Estava cada vez mais perto. Quase sentia a aproximação do vulto desconhecido. O som de galhos pisoteados aumentou sua ansiedade. A respiração quente do ser não identificado o fez temer a morte pela primeira vez.

Mas a lambida que recebeu no rosto o tirou do transe mental. Um lobo cinza, de olhos azuis, sentou ao seu lado. Não demorou muito para que seus companheiros aparecessem. Eram homens altos e fortes, de pele morena, diferente de seu próprio tom pálido. Talvez a exposição direta ao Sol colaborasse nesse sentido. Conversavam entre si num idioma incompreensível.

Encolheu-se quando um deles se agachou e verificou o ferimento. Os outros dois retiraram ferramentas pontiagudas de seus cintos e apontaram. Não era forte o suficiente para reagir. O pavor estampado em seu rosto não os incomodou. Quando o primeiro facão voou na direção contrária, percebeu que, na realidade, preparavam duas talas de madeira.

O primeiro fez um gesto universal, abrindo a palma da mão e pedindo calma. Colocou uma em cada lado. Cortou um cipó fino, que se desprendia da árvore nativa, e o amarrou em sua perna. Um deles estendeu o braço e aguardou. Foi puxado lentamente enquanto tentava se manter de pé.  Os outros sinalizaram e seguiram pelo mesmo caminho em que vieram. O esperto animal foi na frente.

Fernando sentia calafrios. Ali fora não havia a proteção e cuidado das inteligências ocultas da Grande Cidade. Ao longe, as casas de tijolos irregulares, com uma exótica arquitetura moderna, traziam uma sensação nostálgica de tempos imemoriais. As ruas pequenas, recobertas de pedras brancas, completavam o cenário incomum.

A visão turva colaborava para a estranheza. Embrenharam-se pela mata virgem. Uma ave colorida deu um rasante tão próximo que foram obrigados a diminuir o passo. O hipnotizante movimento de suas inúmeras caudas arco-íris, de uma beleza ímpar, trouxe consigo lembranças perdidas… Um rosto feminino dizia-lhe algumas palavras. Encoberto de sangue, era tocado por uma mão frágil e pequena, enquanto raios castigavam a longa estrutura murada. Um pássaro, exatamente igual, fugia da enorme onda de estática provocada pela tempestade… Levou as mãos à cabeça. Seu corpo desabou sobre a relva macia e folhas quebradiças, levando consigo doze horas de uma vida.

~ ~ ~

A luminosidade que vinha de fora era intensa, mais quente e mais viva. Fernando escutou um ruído engraçado. Sobre seu peito, um felino branco de olhos verdes o encarava de forma autoritária, enquanto balançava a cauda. O animal doméstico pulou antes que pudesse fazer qualquer coisa. Sua perna direita estava completamente enfaixada. Retirou as cobertas e analisou o ambiente. Parecia uma casa de campo comum, sem grandes atrativos, mas de madeira excelente. Apenas os painéis holográficos, presos de forma rústica às paredes, quebravam a monotonia daquele amálgama cultural. Uma criança, aparentando doze anos, espiava através da porta. Fernando balbuciou algumas palavras.

— Consegue me entender? – gesticulou.

Apavorada, saiu correndo.

Desistiu. Notou que ao seu lado, sobre a escrivaninha, havia uma espécie de louça de mármore com o projétil retirado. A habilidade daquele povo nativo era espantosa. Enquanto estava perdido em divagações, um vulto branco surgiu em sua porta. Ainda estava sob o efeito de fortes medicamentos. Fixou os olhos na distinta figura. Sua vestimenta era uma manta branca costurada, com uma cinta de couro presa ao dorso e faixas azuis nas extremidades. Sua aparência era diferente dos homens que o haviam trazido. Seu rosto levemente enrugado exalava experiência. Ouviu um som familiar, apesar de um pouco distante.

— Como se sente? – perguntou o senhor de cabelos brancos, articulando cada palavra.

Era sua língua!

— B-Bem…

— Ótimo. Não estou tão senil quanto imaginava. O que houve com você, filho?

Fernando não precisava, e nem queria, contar os detalhes. Resumiu tudo em uma única sentença.

— Uma longa história… Sou da Grande Cidade.

— Por que resolveu sair de lá?

— Sinceramente, não sei. Desde que saí, uma vontade arrebatadora de permanecer aqui fora me desnorteou. Mas estou decidido a voltar…

— Um amor não correspondido?

Parecia ler sua mente.

— Como sabe?

— Filho, já tenho idade suficiente para entender as emoções humanas. O motivo sempre é uma mulher. Chame de intuição!

— Eu… Tenho que voltar lá.

— Faça um favor a si mesmo. Esqueça. A vida aqui é uma benção. Temos tudo o que precisamos – um belo lugar para morar, alimento em abundância e uma convivência pacífica com os animais. Vocês tiveram o privilégio de ver uma ave-do-paraíso, não foi? Sabia que elas são raríssimas?

Era muita informação para um dia só.

— Eu preciso voltar!

— Filho. Aquilo é uma prisão.

Aquelas palavras mexeram com seus sentimentos. Revidou.

— Como pode desdenhar de nossa salvação?

— Estagnação, você quer dizer. Percebo que não compreende a passagem do tempo aqui fora. Por acaso sabe quem construiu a Grande Cidade?

— Não vem ao caso.

— Você “acha” que vivemos pouco. Mas preste atenção ao que acabei de dizer. “Vivemos”. Vocês apenas seguem uma rotina, dia após dia, ano após ano, século após século. Mesmo assim, não ouso questionar SEUS motivos.

Fernando começava a se irritar. Para sua surpresa ele se aproximou, trazendo consigo uma tela transparente.

— Desculpe, filho. É que vocês, os exilados, são teimosos demais. Você não é o primeiro a aparecer por aqui. Este povoado existe apenas para ajudar os que resolvem sair. Quero lhe mostrar uma coisa.

Fernando não entendia muito bem aquelas figuras de linguagem. No entanto, aquele senhor parecia guardar respostas mais profundas. Olhou de forma cautelosa para as imagens que surgiam na tela.

— O que vou lhe mostrar agora é um registro perdido, recuperado pelas gerações passadas. Talvez algumas imagens não façam sentido, pois deveríamos esquecer as coisas anteriores, e o tempo tem sido eficaz nesse sentido. Em alguns anos, isso será completamente apagado de nossas memórias. Veja…

A tela exibiu um aparelho circular monstruoso, profano, com três siglas pintadas em sua lateral. A foto a seguir trazia um documento, onde apareciam por extenso e em letras maiores.

— “LHC”…

Aquilo significava alguma coisa, pensou. A terceira foto preenchia a tela com uma inesperada explosão de magnitude desconhecida. A quarta foto trazia uma imensa esfera cristalina no meio do continente africano. A quinta, uma terra completamente devastada.

Fernando analisava cada detalhe. Seu inconsciente entendia, mas não queria acreditar.

A sexta foto, contrariando as expectativas, exibia um exponencial crescimento da fauna local. E por fim, a sétima, trazia uma pequena parcela de sobreviventes nos mais diversos cantos do mundo, enquanto a maioria, infelizmente, permanecia presa dentro da estranha redoma, sem ao menos saber como haviam sido transportadas para lá.

Sem saber como reagir, seus neurônios trouxeram de volta as imagens anteriores ao seu desmaio. Quem seria a moça que o deixava aos pés da grande muralha? Sua mãe? Uma chama de esperança reacendeu seu coração.

— O senhor tem o registro das últimas guerras?

— Que guerras, filho?

Lembrou-se da sensação ao pegar o rifle. Parecia errado, de alguma forma.

— Guerras… Batalhas… Armamento pesado… Coisas do tipo.

— Não sabemos o que é isso. Temos apenas ferramentas úteis para o dia a dia.

— Não… Sabem?

De repente, Fernando notou que o rosto daquele senhor parecia mais jovem a cada minuto. Tudo aquilo era loucura demais. Somente uma pessoa teria a resposta – Jani. Mancou até a porta.

— Aonde vai nesse estado?

— À floresta. Conheço muito bem Jani. Ela voltará amanhã, no mesmo lugar, para ter certeza de que fez a coisa certa. Sua consciência…

— Consciência. Nem sempre é um guia confiável… Espere! Se você deseja tanto reencontrá-la, leve este livro com você. – abriu a escrivaninha. — Talvez o ajude a tomar algumas decisões. Espero que compreenda sua mensagem.

Entregou um livro extremamente velho, de bordas costuradas, capa vermelha e folhas amareladas. Uma valiosa relíquia feita de couro e papel. Pagariam uma fortuna por ele!

— Não posso aceitar.

— Pode sim. Estarei lhe esperando, caso deseje voltar.

— Obrigado… Senhor…

— Isaiah.

Deixou a casa ao meio-dia, levando consigo o artefato e um par de muletas improvisadas. O pequeno rapaz o aguardava na entrada, com o gato no colo. Ele apenas sorriu. Fernando passou a mão em sua cabeça. A trilha, recoberta por mata nativa e flores diversas, permanecia aberta.

O véu do crepúsculo anunciava que o manto da noite se aproximava rapidamente…

Depois de uma longa caminhada, sem percalços, recostou-se à mesma árvore onde Jani o havia deixado. Sentia uma imensa paz naquele lugar. Mas por que insistiam em chamá-los de “exilados”? Sem encontrar respostas, adormeceu, deixando o livro cair sob a grama macia.

~ ~ ~

A reconfortante luz amarela o despertou. Sentia-se bem, até mais jovem. Já não sabia o que pensar. Viver ali fora parecia mais agradável, mais natural, mais puro.

Como havia imaginado, escutou o som de galhos e folhas sendo arrastadas. Ignorou o livro aberto e se apoiou no tronco, levantando em seguida. A silhueta esguia surgiu por entre a mata nativa. Não teve dúvidas. Era ela.

— Você está bem? – ele perguntou.

— Não era pra você voltar. – Jani respondeu, escondendo a face nas sombras.

— Eu voltei por você!

— Mas que droga, Fernando. Eu tinha salvado sua vida!

— Só queria estar ao seu lado novamente.

Jani observou o objeto caído ao chão.

— Você já leu o livro deles?

— Não.

— Está em nossa língua por um único motivo.

— Qual?

— Saber a que lugar pertencemos.

Fernando observou a página aberta, pela primeira vez. A escrita foi tomando forma, pouco a pouco, e toda a nuvem sombria de seus pensamentos foi se dissipando, enquanto procurava entender o significado oculto.

Ele fará julgamento entre as nações

E resolverá as questões referentes a muitos povos.

Eles transformarão as suas espadas em arados,

E as suas lanças em podadeiras.

Nação não levantará espada contra nação,

Nem aprenderão mais a guerra.

Um pássaro gorjeou, interrompendo a leitura. A raríssima ave-do-paraíso planou e pousou exatamente em cima do livro. Jani tinha algo a confessar.

— Meu pai… Há muito tempo atrás… Alvejou uma mãe indefesa, que trazia seu filho recém-nascido aos pés da muralha. Chovia muito naquele dia… Por causa daquele ato impensado, ele foi sentenciado a viver lá fora, até que morresse.

Fernando começava a ligar os pontos.

— Certo dia, meu marido foi verificar como ele estava… E nunca mais voltou. Só então compreendi a verdade fundamental. Os dois mundos deviam viver separados.

As frágeis conexões se intensificaram, encaixando as peças que faltavam.

— Quer dizer que seu pai matou minha mãe?

— Eu… Lamento…

O pássaro voou, virando as páginas do conhecimento antigo. Fernando, em um ato impensado, aproveitou a distração e retirou o fuzil das mãos trêmulas. Ela o encarou, sem expressão.

— Vamos… Atire! Acho que mereço.

Fernando recarregou a arma e apontou. Seu coração pulsava em uníssono. Podia ouvir a contagem regressiva…

5…

4…

3…

2…

Lembrou-se do que havia lido.

…1.

Colocou o dedo no gatilho. Um tiro de fuzil fez os pássaros ao redor saírem em revoada, criando uma cortina viva que cobriu o céu.

— Agora você também não poderá mais voltar.

Jogou a arma longe e estendeu a mão para Jani, que se retorcia de dor. A perna alvejada jazia imóvel.

— Você é maluco! E meu filho?

— Ele virá. “O motivo sempre é uma mulher”, disse um sábio.

Jani ainda podia caminhar. Para seu espanto, os pensamentos ruins começavam a desaparecer. Com a mente livre de preocupações, permitiu ser carregada pelo novo destino. As folhas da aurora anunciavam uma nova estação…

E o livro, agora menos valioso, permaneceu ali, onde a brisa suave insistia em folhear suas páginas. Uma mensagem simples, porém reveladora, jamais seria entendida.

Vi aquele que é mau e cruel

Expandir-se como uma árvore frondosa em seu solo nativo.

Mas ele de repente desapareceu e deixou de existir;

Eu o procurava, e ele não podia ser encontrado.

Na cidade onde o tempo havia parado, era crime viver para sempre.

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55 comentários em “Enganando o tempo (Marco Piscies e Victor O. de Faria)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Muito bom o conto. Uma premissa instigante, algo como a Redoma do SK, brilhantemente concebida, onde o tempo simplesmente não corre. A vida, então, ou melhor, o envelhecimento, é percebido somente fora. Nesse contexto, surge o questionamento sobre o que é “viver” e a marcante diferença com o simples “existir”. Esse é o maior mérito do conto, no momento em que traz à tona o questionamento universal – de maneira bastante criativa – sobre o que importa realmente. Excelente também o entrosamento entre os autores. O segundo deu sequência ao estilo estabelecido de modo exemplar, com a mesma profundidade e com o mesmo empenho. Enfim, um conto muito bom. Parabéns!

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Obrigado Gustavo! Que bom que gostou.

      Tenho que ler “Sob a Redoma” ainda… tem outros livros que o pessoal nos outros comentários falaram que lembram esta temática. Vou dar uma olhada!

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Gostei desse.

    A ideia me pareceu interessante, apesar de não ser tão original. A redoma me pareceu bastante com o conceito daquele livro do Orfanato (que agora está virando filme), ou até mesmo com a sala do templo do Dragon Ball Z (mas nessa eles só vão de vez em quando, pra treinar).

    Achei engraçado a parte que a diretora dá um tiro na perna do cara (de forma desnecessária até), e depois, no final, de forma irônica, o cara também dá um tiro na diretora, fechando bem a história.

    Ambos os autores se entrosaram muito bem, e cumpriram seus papeis nesse desafio. Foi um bom conto.

    • Marco Aurélio Saraiva
      20 de agosto de 2016

      Obrigado Thales!

      Jani deu um tiro na perna de Fernando para impedir que ele a seguisse de volta! =)

      Ao menos, é o que eu imagino que ela quisesse fazer. Rs rs.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Esse é outro conto em que os autores têm um estilo marcante, tão marcante que dá perfeitamente para perceber um corte no conto. A primeira parte é de um tom evidente de mistério, ficção e privilegia a criação de mundos. A segunda, ainda que tenha acompanhado bem a primeira, é muito mais filosófica. Nota-se que o segundo autor tentou, e conseguiu, na medida do possível, acompanhar o conto, de um estilo muito diferente do seu. Para isso o segundo autor, evidentemente, inspirou-se na “Lenda” de Matheson. De qualquer forma, gostei do conto, que me lembrou muito os “Filhos de Matusalém” de Heinlein, um dos livros preferidos da infância. Um conto bem acima da média, parabéns aos autores.

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Obrigado Wilson! Estou colocando “Filhos de Matusalém” na minha lista de leitura, rs rs rs.

      Abraço!

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Acho que, ao mesmo tempo, gostei e não gostei da história de vocês. Sem dúvida é uma história muito criativa. Eu fui lendo, fui lendo e, de repente, acabou! As 4 mil palavras passaram tão rápido que eu nem vi.
    A construção do mundo foi muito legal. Gostei bastante da ideia de uma cidade onde as pessoas vivem para sempre e que o tempo só passa quando estão fora dela. Achei a sacada da “crise dos quatrocentos anos” muito boa.
    Mas eu não consegui entender algumas coisas… Primeiro, como é que o cara tinha mil, novecentos e lá vai predrada e, ao mesmo tempo, era filho da Jani? Se ela era mãe dele, como é que ela ficou surpresa pela idade do cara? Como é que o pai dela matou a mãe do carinha e, ao mesmo tempo, ela era mãe dele? (ela criou a criança?) Como, e por que, o carinha precisava matar pessoas para poder viver mais tempo? Isso não ficou muito claro.
    Bem, dúvidas à parte, gostei da história e do mundo que vocês criaram. Acho apenas que essas questões que apresentei acima poderiam ficar um pouco mais claras em versões futuras do conto. Parabéns!
    Um abraço!

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Oi Thiago!

      Pois é, a diferença de idades foi um furo na enredo. Não tinha como Jani e Fernando terem crescido juntos se a diferença entre eles é de mil e quinhentos anos!

      Sobre Fernando ter que matar pessoas para viver mais tempo: o que eu quis dizer ali é que sempre que alguém descobria que Fernando estava “enganando o tempo”, no sentido de ir contra a lei e viver para sempre (nunca saindo da Cidade), ele tinha que matar aquela pessoa para manter o seu segredo intacto.

      Mas concordo que terei que lançar uma versão mais clara do conto no futuro!

  5. Thiago Rodrigues de Melo
    19 de agosto de 2016

    TESTe

  6. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Louvável como o segundo autor emulou o estilo e mergulhou na trama. Acabou que o conto ficou completo no sentido de oferecer uma apresentação, conflito, clímax e desfecho. Particularmente estou levando em conta a constância e também (sempre levo) a dimensão, a mensagem, sabe? Contos que repassam alguma coisa (sem ser panfletário, didático), tá pra mim. Enfim, pode se dizer que o presente texto tem uma pegada de ficção científica (a redoma, os telões, o lance com o tempo…) sem se aprofundar muito no gênero. Achei um bom texto e pelo decurso narrativo e inserção dos elementos ele se concluiu muito bem, É pausado, repassa imagens e evoca sensações, mas achei que o drama do fuzil, bem como a resolução com o mesmo tiro de fuzil, um pouco forçado. Tipo, eles estavam bem e de repente um dramalhão pula da moita.
    Mesmo assim a competência da levada agradou bastante.

    Boa sorte no desafio.

    Nota 8,5

  7. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a fantasia de uma Shangri-lá idílica e um mundo externo a descobrir prometia uma aventura avatariana; só que o desenvolvimento conduziu a história para um caminho confuso, de vingança e reencontro.
    INTEGRAÇÃO: apesar de uma marca externa de emenda, as histórias se completam.
    CONCLUSÃO: o resultado final ficou razoável. Ponto negativo pode ser apontado no diálogos, que realmente são uma arte difícil de dominar. E a poesia final, que ao invés de explicar, complicou o meu entendimento.

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Obrigado Daniel.

      Este não foi dos meus melhores contos. Não sinto que dei o meu máximo. Estou gostando de ler todos os comentários como seu, para anotar o que deve melhorar.

      Abraço!

  8. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    temática muito interessante mas que se perdeu pelo meio, comecei por gostar muito, mas penso que ainda o primeiro autor levou o texto para sítios que me desmotivaram esta leitura. De qualquer modo os dois autores seguiram a mesma linha de desenvolvimento do conto e ficou um texto bem coerente.

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Que pena o conto não ter seguido uma linha que você se interessasse. De qualquer forma, obrigado pelo feedback Vitor!

  9. catarinacunha2015
    19 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: A premissa é muito boa. Mundos paralelos interferindo no tempo. A narrativa é fluida com vocabulário bem acessível. A trama deixou vários buracos que terão que ser tapados. Não senti emoção alguma na narrativa, por isso me assustei com o chororô dos personagens.

    PIOR MOMENTO: “A partir de então, a vida era infinita até que acabasse.” – Frase linda, mas não faz o menor sentido no contexto.

    MELHOR MOMENTO: “O tempo passava, afinal. Só. Que. Bem. Devagar.” – Gostei de o autor subverter a ordem gramatical para conseguir o efeito da passagem lenta do tempo. Quer coisa mais lenta do que pontuar dentro da mesma ideia?

    PASSAGEM DO BASTÃO: Abriu um mundo de possibilidades. Maravilhoso, mas perigoso. É como passar vários bastões ao mesmo tempo, confundir o parceiro que pode não conseguir pegar nenhum.

    2ª PARTE: Surge a emoção sem que a perda científica danifique a trama. Há maior volume de significados existenciais e os personagens crescem.

    PIOR MOMENTO: “Ali fora não havia a proteção e cuidado das inteligências ocultas da Grande Cidade.” – O que seria uma inteligência oculta? Escondida ou do ocultismo? E se antônimo seria inteligência explícita? Não entendi.

    MELHOR MOMENTO: “— Você “acha” que vivemos pouco. Mas preste atenção ao que acabei de dizer. “Vivemos”. Vocês apenas seguem uma rotina, dia após dia, ano após ano, século após século.” – O coautor consegue aqui sintetizar a mensagem do conto.

    EFEITO DA DUPLA: Inusitada, mas eficiente.

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Poxa, não sentiu emoção? Acho que mandei mal mesmo neste conto, rs. Tentei trabalhar a relação crescente entre Jani e Fernando e o fato de que, no final, Jani já sabia de tudo e teve que se afastar dele para não sentir muito a despedida inevitável.

      O que eu quis dizer com “A vida era infinita até que acabasse” era que eles, teoricamente, poderiam viver para sempre… mas eram obrigados a sair da Cidade de tempos em tempos e lá fora o tempo passava, ou seja, um dia morreriam de qualquer forma.

      Obrigado pelas notas sinceras Catarina. Vou melhorar!

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    O texto está muito bem escrito, gostei bastante da técnica dos dois autores. Porém, acho que a história se perdeu um pouco na segunda metade. Por um lado, o autor trouxe uns conceitos interessantes, mas por outro, acho que não conseguiu responder a algumas questões levantadas na primeira metade, então fiquei com a impressão de uma ótima conclusão pra questão não levantadas.
    Por exemplo, tenho a impressão que a troca de escritores aconteceu após a descoberta da idade do Fernando. Nesse ponto da história, fica implícita alguma ação ilícita dele, para esconder sua idade, dando a impressão de implica-lo em algum acontecimento que remetesse ao início de tudo. Mas acho que essa questão acabou ficando inexplorada, e não consegui entender a relação com os acontecimentos finais, como o fato de o pai de Jani ter matado a mãe de Fernando.
    Enfim, interessante e bem escrito, me entreteve, mas deixou dúvidas no ar.
    De antemão peço desculpas caso a falha de interpretação tenha sido por minha conta, rsrs.

    • Marco Aurélio Saraiva
      21 de agosto de 2016

      Você não falhou na interpretação não, Luis! O corte entre a minha parte e a parte do Davenir foi certinho onde você falou mesmo. Ele realmente não trabalhou estas questões, mas não vejo que havia como responder a todas as respostas no espaço limitado que tínhamos. Eu vejo este conto como um daqueles que “não precisam responder todas as perguntas para passar uma mensagem”.

      Obrigado pelo feedback!

  11. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    O tema desse conto renderia um livro, ou mais. Gosto desse tipo de histórias, mostrando possíveis sociedades.

    A linguagem é bem simples, e isenta de erros. muito bom. A história parece ter sido escrita por uma pessoa só.

    Em geral, muito bom texto!

  12. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): gostei bastante da ambientação e dos personagens, mas acredito que algumas pontas ficaram em aberto, como por exemplo o plot das pessoas com mais de mil anos (quem são elas e por que a diretora está caçando-as). Os motivos da criação da cúpula e da aldeia também não ficaram muito claros para mim. Apesar desses problemas, gostei da história no geral.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa nas duas partes, com um pouco mais de capricho na primeira parte. Digo isso, mas a segunda também está muito boa.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): esses conceitos de cúpulas e vida eterna são comuns, mas o conto não abusa desses clichês.

    👥 Dupla (⭐▫): o segundo autor deixou algumas pontas deixadas pelo primeiro de fora. Foram boas histórias com os mesmos personagens, vistas de forma independente. Juntas, parece que não encaixaram tão bem.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto prende a atenção e o relacionamento dos personagens é bom. As pontas soltas, porém, deixaram um gosto um pouco amargo.

    • Marco Aurélio Saraiva
      26 de agosto de 2016

      Obrigado Leonardo =)

      Eu deixei pontas soltas de propósito. Não vi como explicar a cúpula e a aldeia, então simplesmente “fiz elas existirem” e torci para que prendesse o leitor o suficiente para que ele não sentisse a necessidade de “entender o motivo das coisas” no pouco espaço que eu tinha. Acho que para muitos isso não funcionou.

      Valeu !

  13. Evandro Furtado
    17 de agosto de 2016

    Complemento: mesmo nível

    Conto bastante interessante no geral. Ambas as partes conseguiram articular bem as ideias, apresentando bem o universo e seus personagens. A trama foi bem construída, com boa articulação entre as duas partes. A linguagem empregada também manteve o tom, sem erros que pudessem dificultar a leitura do texto.

  14. Anorkinda Neide
    17 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase
    Confuso. Teria q esmiuçar as explicações para lhe fazer perguntas quanto ao enredo, tomaria muito tempo.. rsrs Há frases de efeito, até bonitas, mas q fogem ao contexto, por exemplo, o banho de chuva transformando a penúria em alegria.. q penúria? eles foram plantar pra abastecer os moradores da cúpula, nao vi penúria nisso. Enquanto dedicavam-se à lavoura, envelheciam, coisa q nao ocorria dentro da cúpula, mas nao o suficiente para morrer de velhice, pois voltavam à cúpula, é isso? Achei estranho q eles tivessem autorização para sair e o cara superhipermegavelho nao conhecesse a aldeia com pessoas ‘normais’e nunca tivera saído antes. Enfim, muitas pontas soltas, dando muito trabalho para o proximo coleguinha… rsrs
    .
    Comentario segunda fase
    A continuação ficou um romance com final feliz… hehe Curti. Embora tb me desse aquele trabalho de reler mil vezes e refletir muito para entender um pouco do enredo, mas grande parte é culpa minha mesmo. Mas nao desgostei de ficar muito tempo com a historia em minha mente, ao contrario, é rica e faz pensar.
    .
    Uniao dos textos
    Bem,, é o último conto que comento, tô pra lá de desinspirada, desculpe se nao disse muita coisa coerente. Achei q os dois textos fecharam bem dentro do possível neste enredo pra lá de maluco. Poderia ser uma historia mais densa, aprofundada e coisa e tal, mas para isso teriam q escrever um livro inteiro, Entao acho q é historia demais para um conto. Isso! Cheguei a uma conclusao! haha Boa sorte aos autores e abraços

    • Marco Aurélio Saraiva
      26 de agosto de 2016

      Também achei isso, Anorkinda! Acho que quisemos contar muito em pouco tempo.

      A “Penúria” é que eles estavam, justamente, envelhecendo do lado de fora. Um dia iriam morrer por ter que sair da cúpula de tempos em tempos. O homem “megavelho” estava “burlando” a lei por quê nunca saía para trabalhar, então vivia para sempre. Mas ok, você não foi a única que não entendeu isso. Falhei nas explicações.

      Bem, obrigado pelo comentário!

  15. Renata Rothstein
    16 de agosto de 2016

    Um bom conto, embora alguns pontas tenham ficado um tanto quanto soltas. Bom, lá vai: estou um pouco confusa com fatos como Jani saber o que seu pai havia feito à mãe de Fernando – e nada disso pesar em sua decisão de punir o homem que a amava – a idade de Fernando, que contrariava as regras, mas eram também descumprimentos por parte de Jani e seu pai (“contemporâneo da mãe de Fernando, pelos meus cálculos), e a presença de Yuri, filho de Jani, cuja função também acabou se perdendo pelo caminho, enfim, alguns detalhes que deixaram brechas quanto à coesão, e eu, como leitora, me senti mesmo perdida..
    Mas, por ser extremamente bem escrito, no final das contas gostei muitíssimo.
    Nota 9,2

    • Marco Aurélio Saraiva
      26 de agosto de 2016

      Obrigado renata!

      Sim, a história do pai de Jani na segunda metade acabou criando um furo no enredo. E sim, também acho que Yuri não teve função nenhuma no enredo, foi um personagem sem conteúdo. Falha minha.

      Abraço!

  16. Pedro Luna
    16 de agosto de 2016

    Uma história interessante, mas não empolgante. Achei interessante a situação do rodízio de pessoas, mas alguns pequenos detalhes quebraram o clima do conto como os fuzis, o personagem do sábio, que sempre tem palavras a oferecer. Sei lá, deram um caráter clichê ao conto. Bom, a escrita foi boa, mas a história não me chamou muito a atenção.

    • Marco Aurélio Saraiva
      26 de agosto de 2016

      Valeu Pedro. Pena não ter te chamado a atenção =)

      Eu teria que ter trabalhado melhor o esquema dos fuzis. A ideia era que eles saíam da cidade com medo, por causa da vida selvagem do lado de fora. Não consegui criar esse clima, então realmente os fuzis ficaram discrepantes. O segundo autor até recuperou um pouco do clima de medo de estar no exterior, mas acho que também não foi o suficiente.

      Obrigado pelo comentário!

  17. Wesley Nunes
    16 de agosto de 2016

    A linguagem utilizada na narração e principalmente nos diálogos é marcante e ela demonstra com perfeição o modo de falar de um cidadão comum que vive em uma realidade não muito diferente da de muitos brasileiros. Isso acaba gerando identificação com o leitor.

    O autor demonstra em detalhes uma difícil realidade. As descrições são sucintas, mas passam o peso e a intenção de cada cena. O autor insere a tensão em seu conto logo no início e eu gostei desta escolha. Um conto deve causar impacto e ser rápido, e os dois autores seguiram essa premissa com hesito.

    Em relação a construção do personagem Julio, ela está impecável. O protagonista possui um passado, possui personalidade, um modo de pensar e apego a sua família. É fácil se apegar a esse personagem tão bem construído e o leitor torce para que ele seja vitorioso em sua jornada.

    Conforme prosseguia a história, senti que estava lendo algo em um cenário distópico. O autor não se chama Aldous Huxley atoa. Posso afirmar que desbravei através da leitura uma versão brasileira de admirável mundo novo.

    Para concluir, achei o desfecho excelente e corajoso.

    Os dois autores trabalharam muito bem em conjunto e merecem todos os elogios.

  18. Bia Machado
    16 de agosto de 2016

    – Conflito: 2/3 – Existe, mas é mal aproveitado. Talvez tenha exagerado um pouco, ao menos essa foi a sensação que eu tive.

    – Clímax: 1/3 – Faltou trabalhar melhor. Acredito que comigo a tal da suspensão da descrença não tenha acontecido, daí minha opinião.

    – Estrutura: 2/3 – Para mim houve uma unidade, não senti a mudança de autor. Mas a estrutura deixa a desejar na questão da pontuação, principalmente, com tantas reticências.

    – Espaço (ambientação): 1/2 – Interessante, gostei dessa ideia, mas da forma como foi executada, pra mim faltou algo.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 1/3 – Mediano, não se aprofundou como poderia. Em grande maioria, pra mim, não me chamaram a atenção.

    – Narração (Ritmo): 1/2 – Pra mim foi bem arrastada. E ainda aquelas reticências pra tudo que é lado.

    – Diálogos: 1/2 – Pra mim foram fracos. Gosto muito dos diálogos, quando são bons o texto me ganha (esse “me ganha” ficou estranho, não?), nesse caso não criei empatia.

    – Emoção: 1/2 – Foi uma leitura obrigatória, infelizmente. Gosto desses temas diferentes, mas o texto me cansou já no início.

  19. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Primeiro, gostei da referência do pseudônimo, “Dali”, e sua relação com o título/tema do conto: o quadro de Salvador Dali, “A Persistência da Memória”, aquele com os relógios derretendo. Aliás, o primeiro autor podia ter enviado uma imagem desse quadro, teria ficado perfeito, ainda que excessivamente óbvio, mas às vezes a beleza está na simplicidade. Não percebi emendas, foi uma fusão com emulação perfeita do estilo do primeiro autor pelo segundo, terei que tratar o conto como um todo. Histórias de pessoas que querem
    deixar de ser imortais sempre me incomodaram… Por que alguém desejaria renunciar a esse condição? Só se ela viesse acompanhada de algum sofrimento ou limitação tremendos, o que não é caso dessa história. Deixando essa reflexão de lado, achei o conto bastante bom, com uma complexa estrutura e uma mensagem moral que não parece fora de lugar porque está perfeitamente integradas ao contexto, inclusive as referências bíblicas soaram bastante naturais no mundo criado pelos autores. O conto de vocês é bom, parabéns! Desejo Boa Sorte!

  20. Simoni Dário
    15 de agosto de 2016

    Olá
    Um texto bem escrito mas que prendeu relativamente a atenção. Achei a leitura um pouco travada, não entendi algumas passagens necessitando voltar na leitura para compreensão. Senti uma mistura de Avatar com O Doador de Memórias, o que atrapalhou bastante. Não notei a troca de autores e isso é positivo, mas da história absorvi pouco. O conto não funcionou comigo porque não conectei com o enredo, mas reconheço que a dupla tem talento. Parabéns aos autores.
    Abraço

  21. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    O Conto é uma metáfora da alma humana. Alma que vive aprisionada em um corpo que apenas sobrevive nesse mundo. O corpo pode ser representado como A Grande Cidade. Cercado por muros. è Limitado. Já para fora dos muros, encontra-se a alma. Lugar de liberdade onde podemos expor com clareza todo o nossos sentimento. Nota-se sempre em contos como esse a questão dos nativos sendo o lugar onde se pode encontrar a verdadeira felicidade. A natureza busca a natureza. O livro deduzo que seja a bíblia sagrada. A questão de enganar o tempo é vidar uma vida que tenha significados. Conto bem redigido, personagens ambientados pelo meio. NOTA:8

  22. Marco Aurélio Saraiva
    13 de agosto de 2016

    Parabéns ao meu co-autor =)

    Quem quer que seja, escreve muito bem. Suas descrições são muito boas e seguras, com construções e imagens muito bonitas.

    Não gostei do desfecho do conto. Acho que minha história pedia algo mais “ganancioso”, algo que não fornecesse uma resposta assim tão rápida ao leitor. Algo mesmo que não fornecesse resposta alguma; apenas a continuação de um drama que havia tido início quando Jani disparara o rifle. Mas isto pode ser apenas eu falando de algo que tinha em mente para o meu conto.

    Quando o conto tornou-se seu, ele ganhou um desfecho ligeiro mas, ao menos, explicou tudo o que tinha que explicar. Gostei da adição do lobo e da ave-do-paraíso. Até mesmo da bíblia, apesar de achar um tanto clichê. O conceito dos “exilados” e de como viver no lado de fora é, também, uma bênção, são conceitos que eu queria mesmo explorar; apenas não queria deixar tudo respondido e mastigado como foi feito por você. Mas, novamente, o conto tornou-se seu e tudo o que falo aqui é opinião pessoal de um autor que tinha achado que tinha escrito um conto autossuficiente mas, na verdade, já tinha uma ideia de continuação, rs rs rs.

    Parabéns!!!!

    • Brian Oliveira Lancaster
      20 de agosto de 2016

      Peço desculpas ao amigo. Mas seu texto tinha MUITAS coisas para explicar (e ainda faltou tempo para várias), e como estava mais emotivo no período, acabei levando para o lado mais intimista, mas pinçando vários pontos que você deixou. Seu escopo era excelente, e quis fazer de uma forma diferente, mas era grande demais. A “bolha” literalmente cresceu muito, foi difícil criar um desfecho satisfatório. Tentei fugir de alguns clichês e sem querer caí em outros. Peço desculpas novamente.

      • Marco Aurélio Saraiva
        26 de agosto de 2016

        Cara, foi bom! Acho que minhas reclamações são mais pessoais do que técnicas. Eu notei que deixei muita coisa em aberto e, como falei anteriormente, foi de propósito. Sabia que não tinha como explicar, hahahahha! Desculpa ter te deixado numa situação dessas.

        Abração!!

  23. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: o texto foi bem regido em questões de enredo e de uso da linguagem. As duas perspectivas em relação à vida eterna fazem muito sentido – tanto o lado do desejo incondicional sobre a perpetuação de si mesmo, quanto a visão de que a eternidade é prejudicial ao humano.
    Criatividade: pelo que entendi, seria uma sociedade após uma espécie de guerra mundial que praticamente extinguiria a vida humana na terra, levando consigo os vestígios de qualquer história. Isto proporciona um bom cenário, embora eu acredite ser uma ideia principal um pouco inocente. Não acredito que apagar a história nos faria menos violentos com nossos semelhantes – ou nos faria esquecer o conceito de guerra, como proposto.
    Unidade: goste do conto em sua completude. A proposta inicial foi bem aproveitada, proporcionando um final ligeiramente feliz, a despeito da maioria dos outros contos.
    Parabéns e boa sorte.

  24. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    Gostei ! Uma distopia com muitas similaridades em relação a outras distopias conhecidas. Achei legal ter um lugar onde o tempo havia parado e as pessoas viviam tanto tempo, e então do lado de fora, valorizaram o tempo normal que elas tem. Isso, me soou um tanto clichê no mundo da distopia, a normalidade dos dias de hoje exaltada em contrapartida com o novo, que gerlmente são robos ou algo assim, mas nesse caso, era apenas a imortalidade. Para continuar no mesmo caminho de outras distopias, aquele romance tinha que estar lá, aquele que demora pra acontecer, de pessoas de “mundos” diferentes;; ai, aquela cena em que eles tem que se separar, de forma dramática, aqui representada com o tiro, mas não fatal – o amor falou mais forte – ela salvou o amado, mesmo tendo que deixa-lo. E este amado, era perseguido pelo “novo governo”, que queria sua execução, pois ele infringiu uma de suas regras. Mas é salvo por alguém que traiu o sistema. Depois dessas intempéries, o final feliz: os 2 pombinhos ficam juntos, no ambiente ideal, no caso o mundo normal fora da redoma. Enfim, teve tudo que sempre vemos em distopias,apenas a distopia em si que foi diferente. HEHE’ Mas eu gostei. Prbés

  25. angst447
    12 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – Bom título, desperta a curiosidade.
    R – Não encontrei lapsos de revisão, apenas este:
    haviam pessoas lá. > HAVIA pessoas lá. (o verbo HAVER no sentido de EXISTIR fica sempre no singular)
    E – Boa sintonia entre as duas partes do conto, quase imperceptível a emenda feita, Não percebi conflito de estilos dos dois autores. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama retrata um povo em conflito com o passar do tempo. Não se pode viver para sempre, mas o tempo não passa. Contraditório talvez, mas uma ideia bem interessante. Tive de reler alguns parágrafos da segunda parte para entender a história de Fernando. O pai de Jani havia matado a mãe de Fernando quando ele era um bebê?
    A – A narrativa flui muito bem, tanto na primeira parte quanto na segunda. Os diálogos e parágrafos curtos, frases quase telegráficas tornam a leitura ágil, facilitando a compreensão e capturando o interesse do leitor.
    🙂

  26. Thomás Bertozzi
    11 de agosto de 2016

    Uma trama bem feita, apesar de ser um tema já abordado em muitas outras histórias
    Alguma confusão com o verbo haver. Mas só.

    E quem não quer viver para sempre, não é?
    no geral, um bom texto e bom entrosamento entre os autores

  27. palcodapalavrablog
    11 de agosto de 2016

    O conto, com as duas partes somadas, se transforma quase em uma fábula sobre o paradoxo do tempo em nossas vidas. O clima da trama me remeteu a filmes como “O Livro de Eli” e “ Eu Sou a Lenda”, embora as histórias sejam muito diferentes.

    Ambas as partes do texto foram escritas de maneira envolvente e criando uma expectativa que conduz o leitor com interesse vivo até o final.

    Parabenizo a dupla.

  28. Davenir Viganon
    11 de agosto de 2016

    Olá. Caramba, muito bacana esse mundo que criaste, caro iniciador do conto. O mundo onde o tempo anda muito lentamente mas que nãos e pode produzir alimento obrigando a cada um dar uma cota dessa quase “imortalidade”. Os personagens travam um jogo pela sobrevivência pois apesar dos personagens gostarem do “lado de fora” é relativamente como entrar num local e ver seu corpo deteriorar-se rapidamente. Ideia genial jogada para o continuador. A segunda parte teve uma missão bem difícil e acho que fez bem o suficiente, mas como sei que outro continuou não dá pra ter a certeza que a segunda parte está coerente com o que o primeiro autor queria. De qualquer forma gostei do resultado.

  29. Andreza Araujo
    10 de agosto de 2016

    Eu gosto de textos assim meio viajados, despertam o melhor e o pior na figura do homem, como fica evidente através da paixão do personagem Fernando e também no seu crime de querer viver para sempre. Sensacional a ideia de que se o tempo ali dentro não passava e a conclusão de que não seria possível criar animais ou plantas.

    Gostei do romance, fica claro desde o início que rola um clima entre os dois. E o final só reforçou isso. Eu estava na torcida por um final feliz, porque gostei do casal, eles eram intensos, fortes, principalmente a mulher, já que o homem no final do conto tava até romântico demais, digamos, haha.

    Eu não entendi uma coisa, se era o último dia de serviço na lavoura, como ela pôde voltar no dia seguinte? Afinal, ela só deveria ficar ali fora da redoma pelo mesmo tempo que os demais.

    Algumas coisas eu não entendi, por exemplo, não consegui visualizar as vestimentas de nenhum deles em nenhuma parte do conto, e gostaria de ter percebido melhor este ponto, bem como alguma característica física deles. É como se os personagens fossem grandes borrões brancos pra mim. Consegui visualizar bem o mundo deles e os sentimentos, mas não a figura deles.

    Outra coisa, se as crianças eram criadas fora dali até os doze anos, quem cuidava das crianças? As pessoas sorteadas para ir até a lavoura? Por que a mãe do bebê Fernando foi levá-lo ao pé da muralha, queria que o filho fosse criado dentro da redoma? A filosofia do povoado não é achar que fora da muralha é um mundo melhor? Não entendi essa passagem sobre a mãe do Fernando. E como o pai dela matou a mãe dele…? O cara não tem quase dois mil anos de idade? A matemática não bate, pois um idoso dentro da redoma deve ter no máximo uns mil anos, já que a cada dez anos eles envelhecem um ano. E por que a mulher não poderia voltar pras muralhas depois de levar um tiro?

    Ainda acho o texto inteiro sensacional, mas fiquei com essas dúvidas aí.

  30. apolorockstar
    8 de agosto de 2016

    um conto bastante intenso, o tema de distopia está muito em alta, senti muitas referencias do mito da caverna, de enxergar o mundo verdadeiro e uma consequência de viver nele, que é melhor do que se esconder no falso. foi muito belo como trabalhou o tema de viver para sempre, embora seja um pouco clichê essa imortalidade indesejada, mesmo sendo um clichê não deixa de ser um conto ruim. a linguagem na segunda parte ficou um pouco truncada, mas o jeito de escrita se aproximou nos dois autores, conseguiram trabalhar bem em equipe ,parabéns

  31. Matheus Pacheco
    8 de agosto de 2016

    Amigão que escreveu a primeira parte do conto, eu não entendi o problema que Jani tinha com o Fernando por causa da idade de mil anos. Mas em minha humilde opinião, deve realmente ser muito mais legal viver com a galera fora da cúpula do que no marasmo da eternidade.
    Abração amigos

  32. Jowilton Amaral da Costa
    7 de agosto de 2016

    Bom conto. Muito bem narrado. As duas partes se completam muito bem. A forma que foi feita a ligação é quase imperceptível. A história é boa e cativante, trás uma tom melancólico que eu gosto muito. O ponto negativo, ao meu ver, é que o leitor ainda fica muito desinformado sobre os moradores protegidos pela redoma, quem seriam as inteligências ocultas, como chegaram ali, quem a construiu, entre outras coisas que não foram totalmente esclarecidas..A leitura nos faz despertar a curiosidade sobre estes acontecimento, mas, infelizmente o texto não os elucida com eficiência, deixando uma pontinha de frustração. Mas, gostei do texto. Pareceu-me que ao final do conto. ele ainda precisasse de mais uma continuação. A última frase eu achei excelente. Boa sorte.

  33. Rubem Cabral
    7 de agosto de 2016

    Olá, Dali.

    É um bom conto, contudo, com um enredo assim, eu esperava bem mais, pois o potencial do tema, de uma cidade onde o tempo praticamente não passa convivendo com outra onde o tempo é normal, puxa, isso poderia render algo grandioso…

    Algumas coisas tbm me incomodaram, feito os tiros nas pernas e alguns diálogos que não soaram muito naturais.

    A junção das partes, contudo, foi bem orgânica e a “costura” ficou muito boa.

    Senti tbm falta de mais desenvolvimento das personagens, que ficaram com personalidades meio pálidas, não consegui, por exemplo, visualizá-los.

    Nota: 7.0

  34. Amanda Gomez
    6 de agosto de 2016

    O conto fez lembrar-me algumas histórias distópicas que já li. Não que tenha alguma semelhança real, é somente o mesmo plano de fundo usado.
    A palavra ‘’ tempo’’ foi bastante repetida no início, e isso causou uma certa impaciência de minha parte. O texto todo me parece enorme, a escrita embora bem feita (principalmente na segunda parte) não foi tão fluida quanto achei que seria. Li o conto parcelado em duas vezes hehe.

    Depois de terminar, fiquei cá com meus botões tentando entender o que eu realmente achei. Eu não gostei dos personagens, e talvez a forma como eles foram apresentados, não tem química no casal, achei o romance bem sem graça, pra ser sincera. Parece que veio no nada… Tanto Jani, quanto Fernando não tem carisma. Pelo menos eu não senti.

    Não sei se entendi direito, me perdoem se não. Mas as pessoas cresciam até os 13 anos e depois disso ficavam congeladas nesse tempo, até que o nome fosse escrito e elas pudessem trabalhar uma vez por ano…E no caso, envelhecer durante esse tempo? Não consegui visualizar a forma física dos personagens, por conta desse impasse. Na verdade imaginei Jani e Fernando como dois adultos normais, com seus vinte e tantos anos, ela até mais velha que ele. Mas como eles tem mais de 400 anos, acho que cola.

    Bem, baseada nessa confusão de idade. A parte diatópica da história, chega a ser interessante, mas acho que ela não é bem explicada… ou as cenas não foram muito empolgantes. Tipo, os tiros nas pernas. Foi estranho. ‘’ Te dou um tiro, e tudo ficará bem agora’’ Afinal o que vai ficar bem? Quais as consequências dos atos deles?

    O homem velho e sábio, mostrando as coisas da vida, pra ele, foi de certa forma bem clichê. Nossa… eu estou meio rabugenta, acho. Mas o conto não funcionou para mim. Toda a temática é ótima, mas o desenvolvimento não conseguiu suprir a ideia original. Dou parabéns a quem deu continuidade e seguiu praticamente à risca o que o autor inicial queria… ou devo dizer que devia ter feito diferente? Não sei.

    No fim, acho que o problema central, é que a complexidade da ideia não coube no conto apresentando, deu a impressão que a história em si não estava muito nítida na mente de quem escreveu, ou foi prejudicada por algum corte ou limites.
    Digo parabéns a Dupla, que em matéria de afinidade, acho que se saiu muito bem. Mesmo que o conto não tenha funcionando pra mim, vejo o esforço e a criatividade nítida.

    Parabéns!

  35. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Enganando o Tempo

    TÉCNICA: * * *
    Boa gramática e fluidez narrativa durante todo o conto.
    Nenhum detalhe que ficasse gravado na memória, porém.

    – haviam pessoas
    >>> havia

    – sob a grama
    >>> sobre

    ATENÇÃO: * * *
    Conseguiu prender a atenção, mas não muito.
    O maior destaque nesse quesito foi o momento em que o personagem é coagido a revelar a verdadeira idade.

    TRAMA: * * *
    Achei criativa a ideia da redoma onde o tempo não passa e até gostei de não ter entrado em explicações científicas sobre os motivos disso.
    As imagens que são mostradas a ele do LHC são suficientes nesse sentido.

    Porém achei que alguns elementos acabaram tornando as coisas desnecessariamente confusas, tipo mencionar o filho dela ir pra fazenda (não vi muita relevância para essa informação) e, sobretudo, essa questão do pai matar a mãe… sei lá, ficou meio nonsense tipo o “Martha” do Batman vs Superman.

    Em certo momento também ficou um climinha de autoajuda que me desagradou.

    UNIDADE: * * * * *
    Integração perfeita, não notei a transição.

    NOTA FINAL: 7

  36. olisomar pires
    1 de agosto de 2016

    Interação bastante positiva entre as partes. Concreta antes e poética depois, com equilíbrio. A trama foi muito bem aproveitada Dentro do estilo leve.

  37. Gilson Raimundo
    31 de julho de 2016

    Muito bem autores, temos duas histórias que se mesclam, o complemento não destoa tanto do início, porém o segundo autor deixou as lacunas abertas pelo primeiro sem uma satisfação…. não sei se entendi perfeitamente. Fernando teria estourado em muito seu prazo de vida, a diretora parecia caçar estas pessoas e mesmo tão velho ele desconhecia o vilarejo escondido… o segundo autor coloca o pai da moça como a pessoa que matou a mãe do Fernando. O primeiro autor criou bons mistérios que o segundo ignorou, como ele vivia tanto, quantas pessoas matou? Duas boas histórias que ainda devem ser terminadas, estas aberturas tiraram o brilho do conto que no começo parecia uma mistura de “Jogos Vorazes” com “Terra Nova”

E Então? O que achou?

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Publicado às 13 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .