EntreContos

Detox Literário.

Mensageiro (Wender Lemes e Jefferson Lemos)

mensageiro

Tantas vezes visitei a cobertura deste prédio só pelo prazer de olhar para baixo e rir das miudezas da vida. De repente, eu pareço me apequenar junto a todo o resto. Sempre temi um momento de vertigem ou uma cãibra que pudessem me empurrar para o outro lado da jornada. Não hoje. Hoje, penso em saltar.

Vocês devem estar se perguntando o que levaria alguém a este tipo de pensamento. Acho que não me faria mal ceder-lhes uma última gentileza. Gostaria de partir do princípio, porém, sinceramente, não tenho nenhuma lembrança de meu nascimento – podem muito bem me chamar de filho de chocadeira, não conseguirei provar o contrário. Nunca conheci meus pais, nem família ou infeliz presente que pudesse me contar como vim ao mundo. É por isto que minha história começa com minhas primeiras memórias, e elas cheiram a fezes e pólvora.

Fui mantido em cativeiro por semanas a fio, confinado à companhia de meus semelhantes e ao fedor de seus excrementos (não que eu não evacuasse também, longe de mim). Por outro lado, meu caminho começou a mudar quando aquele homem fardado me tirou do cárcere.

Como disse, estas são algumas de minhas primeiras memórias. Tudo o que eu conhecia de mim estava soterrado naquele ninho de coliformes fecais e piolhos. Tentem imaginar minha frustração quando um indivíduo suspeito me arrancou de lá e, após horas de aflição velada, fui abandonado, pequenino, ao orvalho da noite. Senti vontade de ir atrás daquele filho de rapariga, gritar a plenos pulmões: “Volte aqui e acabe o que começou!”.

Despejado no meio do caminho, órfão de desfecho, era como se eu não valesse minha própria morte – ou uma viagem completa.

A verdade é que algo me corroía por estar ali, sem saber o que fazer. A liberdade é o demônio de tamancos para quem nasceu sem ela. Alguns me chamarão de covarde, mas, quando a fúria pelo descarte se abrandou, só o que eu queria era voltar para meu lugar de origem.

Aquela deve ter sido a noite mais longa de minha vida. Podem acreditar, o raiar do dia chegou antes que eu desse um passo em qualquer direção – ignorante de meu destino. Todavia, aquela bola amarela no horizonte parecia motivar algo primitivo em mim, um instinto que eu nem imaginava possuir. Leste era o meu caminho, foi a certeza que a manhã me trouxe.

Na contramão da carruagem de Apolo eu vaguei, então. Levei quase o dia todo, mas consegui voltar ao acampamento militar – chamem este acontecimento de milagre, ou de qualquer termo chulo de vossas preferências. Que me matassem ali, ou me deixassem ter uma conversa franca com aquele miserável fardado que me tratara como lixo.

Para minha surpresa, ninguém me impediu de entrar. O homem que eu queria morto aguardava com o jantar servido e um sorriso anfitrião no rosto.

– Coma, amiguinho, você merece – ele disse.

Minha vontade era mandá-lo ingerir aquela refeição pelo sentido oposto ao usual…

Minto. Eu havia viajado faminto o dia inteiro, meu real desejo era comer até estourar o bucho e, a despeito da vergonha intrínseca deste ato, comi.

Ele me observava e falava baboseiras sobre sua família, sobre a guerra, sobre as dificuldades de comunicação, sobre deuses e doenças, como se quisesse ganhar minha confiança após me tratar de maneira tão execrável.

– Você tem um nome? – ele me perguntou quando acabei de comer, mas resignei-me ao silêncio dos empanturrados. Não obstante minha clara indisposição para o diálogo, resolveu me levar ao local que eu mais queria ver – O meu é Goldenberg – completou.

No momento em que abriu a porta, sua alcunha tornou-se algo dispensável, poderia ser Jubileu das Tangas que eu não ligaria. O saudoso fedor de casa invadiu novamente minhas narinas. Antes que pudesse perceber, estava eu novamente no lugar de onde nunca deveria ter saído. Só então, mais uma vez preso e satisfeito entre velhos amigos, o cansaço tomou minha consciência.

Quem me dera meu martírio houvesse acabado naquele sono. Tantas outras vezes Goldenberg me levou aos lugares mais distantes e lá me deixou. Como que por um instinto nefasto, uma maldição de viúva, eu sempre conseguia achar o caminho de volta.

O que mais me deixava confuso era a gentileza com que ele me recebia, a despeito de sua hipocrisia ao se desfazer de minha presença. Com o tempo, comecei a perceber que não odiava aquele soldado, não verdadeiramente. Passei a ver suas rotineiras despedidas como se fosse um pai a entregar seu filho ao mundo – já esperando seu retorno.

– Você é o mais rápido de todos, Hermes. Será nosso melhor mensageiro.

Sim, ele me deu esse nome: Hermes… lembrava-me herpes. Goldenberg insistia ser o nome de um deus muito rápido, então acabei ficando feliz mesmo assim. Pois é, feliz acima de todos os desprazeres passados.

No final das contas, ele estava certo, fui o mais rápido – e um dos mais eficazes, modéstia à parte. Esgueirando-me entre os campos de batalha, nunca fui capturado ou abatido. Isto é mais do que praticamente qualquer outro pombo-correio possa dizer. Tudo por uma guerra que nem era minha.

A propósito, vocês não se equivocaram sobre mim: pombo de nascimento, correio por profissão. Peço perdão caso os tenha enganado por mais tempo que o necessário (enganei?), mas eu temia uma insensibilidade discriminatória de vossas partes, se me conhecessem por pássaro logo de início. Só espero que ninguém perca o interesse em minha história apenas porque ostento uma figura aplumada.

Esta epopeia seguiu seu curso até que, para contentamento geral das pessoas de bem, a guerra que me criou estivesse para encontrar seu fim.

– Hoje é um bom dia, seu penoso. Leve essa mensagem ao Goldenberg, teremos paz! Finalmente, teremos paz…

Enquanto o aliado amarrava a confirmação de trégua em minha canela para que eu a levasse de volta para casa, comecei a pensar nos prospectos de uma mensagem como aquela. O que seria de mim e dos meus companheiros com o fim da guerra? O que seria de Goldenberg?

Nós, pombos mensageiros, padecemos da pior síndrome de Estocolmo. Por mais que me doesse admitir, minha Estocolmo era Goldenberg e o pombal. Meu amado cárcere estava condenado pela nota que eu trazia como derradeira missão.

Hoje, sou um pombo comum no topo de um prédio e, cogitando a tardia queda sem retorno, tudo me leva a crer que eu seria apenas mais um cadáver na calçada. Naquele dia, entretanto, tive o destino de muitos em minhas patas.

Diferente de toda aquela tensão propagada por tinta de caneta em papel velho, no presente não carrego nada além de idade sob as plumas de minhas asas.

Há, no tempo, uma certa infinidade que parece fazer as horas virarem dias, e os dias virarem semanas e as semanas virarem meses… e nesse ritmo ele corre, impreterivelmente em direção a um fim anunciado para todas as coisas.

Gosto desse sol da tarde que clama o crepúsculo, aduzindo boas lembranças enquanto a praça delineia sua silhueta mais abaixo. É bom voar por aqui e pensar. Nas coisas que se foram e que ainda estão por vir. Lembrar-me da primeira vez que me deparei com esse aglomerado de concreto: tão titânico e inquebrável. Como tanques de guerra empilhados para formar paredes; blocos; quarteirões e toda sorte de fauna urbana que caminha, voa e rasteja pelas sarjetas e becos já familiares.

Não que eu fosse alguém sensível, mas os horrores da guerra ainda me apavoravam. Na primeira noite, despedi-me de Goldenberg com um aperto no peito incapaz de descrever.

– Você serviu bem, companheiro – ele disse, com um afeto genuíno na voz. – Saiba que sempre que voltar aqui, terá comida, água e um local para dormir – apontou para o terraço de seu apartamento e me encarou. – Você ajudou a salvar o mundo, meu amigo. Você é um herói.

Terminou de falar e me soltou, jogando-me para o ar com um empurrão. De início, eu não queria voar. As asas bateram pelo medo do vão que existia entre meu corpo e o chão. Olhei Goldenberg por uma última vez, e então desapareci. Tentei, por vezes, encontrar aquele mesmo topo de prédio, mas a cada investida os telhados eram diferentes. As caixas d’água eram mais redondas, ou maiores, ou com um suporte mais robusto. Mas nunca eram o que deveriam ser. O mal da cidade grande é a necessidade de tornar-se igual; criam padrões onde o pomposo e espalhafatoso é quem dita. Sua maquiagem engana mente, corpo e alma. Perdi-me nessa selva e nunca mais encontrei o caminho de casa.

Não me esqueci de Goldenberg, e as tardes na praça aguçam minha nostalgia, talvez por isso volto para o mesmo lugar, todos os dias, na esperança de transportar o passado para o presente. Nem que seja numa ínfima parte.

Mas nem tudo foi perdido nessa transição estranha e indesejável.

Conheci Eustáquio no decorrer dos dias e da adaptação. Foi a fome que nunca cessava que me levou até a praça, e um pouco também da aparente perda de direção naquele labirinto psicodélico; prédios, carros, letreiros e chapas de metal chumbadas sobre edifícios. As paredes cinza se misturavam com os vitrais coloridos e isso embolava minha cabeça.  O cheiro de migalhas me arrastou para aquele banquinho, que a partir daquele momento seria um pombal sem seus cheiros característicos – longe do fedor de excrementos e gente doente. À minha frente sentava-se um velho já em seu fim de vida. Olhos baços, um sorriso frouxo e mais marcas no rosto do que se poderia contar. O suéter verde combinava com a boina creme e a calça que seguia a mesma cor. O saquinho pardo na mão era um chamariz para meu estômago roncador.

Cisquei, me aproximando devagar, e esperei que ele jogasse os farelos. Quando então o fez, uma multidão de asas se refestelou sobre a calçada, e eu estava naquele meio. O velho permaneceu ali, preso em um estado de felicidade única que ninguém conseguia compreender (talvez nós, as aves, tivéssemos uma leve noção do que ele passava). Até que, por fim, esvaziou a sacola e a amassou, levantando e partindo. Fiquei observando seu caminhar torto e cansado, e me lembrei de Goldenberg. De certa forma, eu viveria tudo de novo. Mas agora as conversas seriam entre olhares e o ar teria um cheiro menos danoso. Talvez sair de um padrão e entrar em outro não fosse tão ruim. Meu êxodo, afinal, teria bons momentos.

Vivemos essa rotina durante longos meses…  um ritual, pode-se dizer. Ele estava sempre no mesmo lugar, com uma sacola idêntica e o sorriso bobo de quem aproveita cada momento em seu mundo particular – com um estranho brilho de descoberta em seu olhar, como se estivesse nos vendo pela primeira vez. Havia uma aparente perda de memória que tornava cada reencontro um novo encontro, e acho que isso é o que fazia aqueles passeios dele parecerem especiais. Sentava, sorria, perscrutava, enquanto jogava os farelos, conversando em silêncio com cada um de nós, e por fim desaparecia junto ao sol crepuscular.  Criamos esse ciclo vicioso e nos repetidos encontros fui me sentindo mais parte daquele panorama: uma ave no meio de tantas outras, contemplando um saco de papel pardo e um senhor de idade aparentemente infinita.

Houve um dia, porém, que cumpri com todos os passos protocolares. Voei sobre as mesmas avenidas, mirando o amarelado metálico dos táxis cortando o chão do asfalto e dobrando esquinas repletas de vidas. Avistei o pulmão verde em meio ao enxame insolúvel da vida urbana, e desci.

O banco da praça estava vazio.

Sem mais nem menos, ele se foi. As outras aves perambulavam ao redor, impacientes, e no passar das horas a praça foi esvaziando. Até só restar eu.

Fui embora sem saber o que fazer. Voltando com a mesma regularidade e encontrando apenas um banco vazio e um frio não característico para aquela época do ano. Sozinho, de novo. Sem o sadismo antes empregado e a síndrome de Estocolmo. Era apenas um lugar onde as tardes eram agradáveis e as presenças aproveitáveis. Saudade me definia.

E hoje, enquanto voo para o mesmo lugar, penso nisso tudo. Talvez pelo tempo frio que cisma em adentrar nos ossos e expurgar toda a melancolia que existe por dentro e por fora. Vejo o banco, agora preenchido, e me aproximo. Voando baixo, toco o chão e o observo…

O homem chora, cabisbaixo, esfregando os olhos para disfarçar a tristeza. Encara o aglomerado de árvores que cresce do outro lado do parque e então vira, mirando seus olhos em mim. É Goldenberg. Um pouco mais sério, um pouco mais velho, mas com as mesmas feições características.

– Ei, amigo – ele diz, meio vazio. – Será que ele te alimentava?

Ao que tudo indica, por um acaso muito estranho do destino, Goldenberg conhecia o velho dos farelos.

Ele não me reconheceu.

– Acho que essa coisa de lidar com aves é de família – sorri, com sinceridade, continuando. – Eu também já tive um amigo alado, certa vez, Ele era rápido e seu nome era Hermes.

As pessoas lhe dirigem olhares tortos e se afastam. Algumas, reparam nele e depois em mim, sorrindo. Ele não se importa.

– Meu pai era doente, sabia? Ele tinha uma doença chamada Alzheimer. Provavelmente ele se esquecia de você todo fim de noite. Mas não era por mal, veja bem. Ele não tinha controle sobre aquilo… – depois de uma longa pausa, enquanto os tímidos raios de sol que atravessam as nuvens iluminam seu rosto, ele conclui. – Já eu, tornei meu esquecimento uma regra. Nunca tive problemas com memória, mas deixei meu pai de lado por tantas outras coisas, que agora me sinto perdido. Aonde foi que tudo ficou para trás? Quando foi que abandonei a vida de quem deu a vida por mim?

O homem sentado divagando sobre suas escolhas é o mesmo de que me lembro. Acho que só precisaria de um uniforme e tudo seria como antigamente; um monólogo sobre suas experiências enquanto eu apenas o encarava, admirado. Mantenho certa distância enquanto ele continua.

– Eu não deveria ter feito isso, esquecido dele. Mas hoje do que adianta, não é? Isso vai trazê-lo de volta? Eu ter procurado saber onde ele passava suas tardes não mudou em nada o descaso que tive. Pelo contrário, só serviu para me mostrar a gravidade da minha falha. Você tem sorte por ser uma ave, sabia? Você, Hermes e todos os outros pássaros por aqui. Eu daria tudo para estar no seu lugar agora. Sumindo pela cidade e vivendo sem rumo. Como estou hoje, sem rumo. Mas sendo humano a coisa é diferente.

Ele se mexe, desconfortável. Não pelo o que está ao seu redor, mas sim pelo que parece rodopiar dentro de sua cabeça. E agora já chora sem pudor, sem se importar em limpar da face as marcas de sua irrevogável indiferença. Nada mais fala durante o tempo que fica comigo. Em dado momento, apenas levanta, virando-me as costas e seguindo adiante. Tento falar, dar-lhe algum consolo.

– Pruu – é a única coisa que sai de meu bico.

Ele se vai – desaparecendo como uma silhueta coberta pela névoa – e novamente estou sozinho. Agora, mais do que nunca e repleto de certezas na cabeça. As vontades não são suprimidas e tendem a crescer. A natureza das coisas, como dizem, é tornar-se aquilo que nasceram para ser. Eu já me tornei tudo o que podia, e agora preciso descansar.

Minhas asas cansadas sobem para o prédio mais alto.

Vejo o mundo com os olhos de quem não espera novidades. Cansado, sim, mas feliz. Com deveres cumpridos e direitos devidamente gozados. O sol crepuscular me visa do horizonte, e vejo seu brilho sendo engolfado pelas pedras da cidade enquanto caio. Aqui todos somos engolidos por alguma coisa desse novo mundo. Espasmos involuntários nas asas me prendem à vida, mas eu sou mais forte que ela.

Um último e derradeiro pensamentos antes do fim. Necessário, libertador, enervante… mortal.

 

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38 comentários em “Mensageiro (Wender Lemes e Jefferson Lemos)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Muito bom o conto. A primeira metade, que estabelece os limites da amizade entre Hermes e Goldenberg, forjada por uma atmosfera de guerra, é particularmente inspirada. O autor brinca com a nossa percepção de leitores, fazendo-nos detestar o adestrador e, logo em seguida, tornando-o alguém por quem vale a pena torcer. Ótimas metáforas para as amizades forjadas a ferro e fogo. Ótimas construções, ótima perícia. De fato, é conhecida a dificuldade de soldados e mesmo repórteres em retornar à vida normal depois de uma temporada em meio ao estresse da guerra. Aqui isso é muito bem explorado – essa sensação de vazio, de abandono e de desesperança. E, o que é melhor, o segundo autor soube conduzir muito bem a narrativa dentro desses parâmetros, fazendo o leitor mergulhar nesse abismo melancólico e viciante. Enfim, um conto excelente, escrito de maneira exemplar pelos dois autores. Um dos melhores do desafio. Parabéns!

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Não gostei…

    Achei a história meio parada e desempolgante. Porém, está muitíssimo bem escrita. O autor aqui com certeza é alguém muito experiente. A revelação do pombo também ficou muito bacana. O segundo autor se enquadrou bem, e se uniu com o primeiro de forma satisfatória, o que acrescentou pontos.

    Mesmo com tudo isso, acho que por pura questão de gosto pessoal mesmo, não me senti tão atraído pelo resultado final da história.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    O estilo inicial lembra Allan Poe, em poços&pêndulos, mas depois evolui para algo poético e inefável, do estilo Claudia. O conto é pura fantasia, mais que realismo fantástico, e é muito original. A complementação ficou muito boa, quase indistinguível da primeira parte, mantendo o mesmo ritmo, principalmente nas divagações filosóficas do ser colombino. E olhe que o conto não era nada fácil de completar. Uma trilha sonora perfeita para o conto seria “Vermelho”, na voz de Vanessa da Mata. Parabéns aos dois, um grande conto.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Gostei da história que vocês contaram. Acho que ler uma história do ponto de vista de um pombo correio, pelo menos para mim, foi bastante original. Como em literatura é difícil ser o primeiro a escrever qualquer coisa, imagino que já deve haver uma trilogia sobre a saga de vida de algum pombo correio aí perdida pelo mundo, e chuto que deve ter sido escrita em tcheco. Mas pelo menos pra mim a história de vocês foi muito original.
    Chamou bastante a minha atenção a qualidade da escrita de ambos os autores, mas em especial na primeira parte. O pombinho era bastante eloquente, falando “todavia”, “não obstante”, “perscrutar” e por aí vai. Achei muito bom, TALVEZ (bem talvez), até bom demais… O risco de usar palavras muito rebuscadas e fora do linguajar comum – ainda mais quando na história não há de fato uma necessidade narrativa para esses floreios – é dar a impressão de estarmos lendo um memorando ou um ofício e não um conto.
    Fora isso, não tenho qualquer crítica ao texto de vocês. Parabéns!
    Um abraço!

  5. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Oi!

    O gancho deixado me fazia crer que o Hermes não levou a mensagem, mas ele é dúbio mesmo para que se possa guinar para outro lado. Então, gostei muito do fluxo narrativo e de perceber as duas narrativas com suas peculiaridades juntas. A melancolia oferecida pelas descrições da cidade e das sensações e sentimentos faz a narrativa ser agradável. A imagem é um puta spoiler, uma vez que se imagina a voz de uma ave, porém, a condução da trama foi bacana, ainda que o final tenha soado dramático além da conta. É estranho narrar pelos olhos de um animal e mais estranho ainda se ligar a algo assim, mas, novamente a condução e a beleza narrativa deu conta do recado.

    Não tenho muito a dizer, exceto que curti, mas desejei o descrever da missão, a guerra, porque é algo que chama a atenção, uma vez que tal ação foi real. O uso de pombos correio na guerra foi real.

    Enfim, boa sorte no desafio.

    Nota: 7,5

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: o pombo-narrador-filósofo foi uma escolha bastante criativa, só considerei que ela demorou a ser exposta, como se o autor tivesse só no meio da escrita decidido por isso, aleatoriamente.
    INTEGRAÇÃO: o autor que complementou pegou a história do ponto onde parou e deu seu toque de personalidade, sem descaracterizar a voz narrativa. Aliás, nesse desafio ficou claro que textos em primeira pessoa são dificílimos de continuar, porque a prosódia e o sotaque se perdem na transição.
    CONCLUSÃO: o texto ficou bastante aquém da expectativa, mantendo-se linear até o fim, com pequenos momentos de apreensão.

  7. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    faltou alguma emoção no desenvolvimento da trama, acabando por resultar um texto contínuo e monocórdico. A dupla conseguiu agrupar-se de modo a não ser muito perceptível a execução por quatro mãos. Boa trama, mas faltaram pontos que fizessem estremecer o leitor, mas muitos parabéns para a dupla

  8. Catarina
    19 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Achei o texto intrigante. A surpresa com a dicotomia entre a humilhação aos humanos e aos animais deu profundidade ao conto.

    PIOR MOMENTO: “Na contramão da carruagem de Apolo eu vaguei…” – Não entendi a correlação com o mito da carruagem do sol.

    MELHOR MOMENTO: “ A liberdade é o demônio de tamancos para quem nasceu sem ela.” – Imagem poderosa, boa frase de efeito.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Um pássaro suicida querendo morrer pulando de um prédio e com uma missão importante. Ô bastão escorregadio!

    2ªPARTE: Manteve íntegra a personalidade do pombo e deu intensidade aos motivos para o suícido.

    PIOR MOMENTO: “Provavelmente ele se esquecia de você todo fim de noite.” – De você quem? Do filho, do pombo, de qualquer um?

    MELHOR MOMENTO: Ele estava sempre no mesmo lugar, com uma sacola idêntica e o sorriso bobo de quem aproveita cada momento em seu mundo particular” – A melhor definição de senilidade que li até hoje.

    EFEITO DA DUPLA: Um pombo suicida é como um humano se matar afogando a cabeça num prato, mas a dupla comprou a ideia e ficou muito bom!

  9. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Bom, pra começar, achei excelente a transição entre os autores. Como acredito que esse é o quesito principal do desafio, ganhou muitos pontos. Também senti algumas simbologias interessantes no enredo, como a questão das mudanças e transformações da vida e a transitoriedade.
    Achei sensacional a revelação de que o Hermes era uma pomba. Hahahaha. Fiquei um tempo lendo o mesmo parágrafo e me deliciando. Ótima sacada! Pra mim, o ponto alto do conto.
    Achei que depois disso a história demorou um pouco pra engatar, mas não o suficiente pra eu cansar da leitura. Não gostei muito do reencontro com o Goldemberg. Não achei muito natural, nem achei que colou. Achei que o fim não seria legal quando cheguei nessa parte, mas me surpreendeu depois, acabou finalizando bem.

  10. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): boa, redonda, a sem grandes reviravoltas, mas fechada. Destaque para o pombo sentimental e suicida. Um narrador protagonista muito original.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): muito boa, exceto que a partir do momento em que Gutemberg reaparece, os verbos oscilam para o presente (o narrador está contando uma história que aconteceu no passado).

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): achei bastante criativo narrar a história do ponto de vista de um pombo.

    👥 Dupla (⭐⭐): boa, não percebi a mudança de autores.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um texto agradável, mesmo que o final tenha sido exatamente o esperado. Talvez ele desistir de se matar por um motivo interessante (um novo objetivo para a vida) trouxesse um pouco mais de impacto.

    PS.: sim, me enganou direitinho, autor 🙂

  11. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    O conto está muito bem escrito, e as duas metades entraram numa verdadeira simbiose, parecendo que o texto foi escrito por uma só pessoa.

    Contudo, a história não mexeu muito comigo. Não consegui sentir muito. Infelizmente.

  12. Bia Machado
    17 de agosto de 2016

    Evitei por um tempo esse conto não sei por que motivo. Aliás, acho que foi por conta do título. Não, não há qualquer problema com o título, foi apenas uma bobeira minha. Cheguei a esse conto com uma sensação de “ah, vou ler logo esse, será um a menos”. E no começo estranhei (aposto que era isso o que você queria, não era, primeiro(a) autor(a)? Aposto que sim. E conforme ia lendo, era uma surpresa a cada parágrafo. O pombo, as divagações do pombo, os sentimentos do pombo. Eu não achei nada de mais no “Fernão Capelo Gaivota”, até achei monótono em várias partes. Mas esse pombo e essas outras personagens que tão bem dividiram esse texto com ele… Eu não sei, não sei nem o que comentar. Pode ser que eu esteja exagerando, mas o que explica essa sensação tão gostosa de ter lido um texto que valeu a pena, do começo ao fim? E gente, são dois autores, vocês combinaram isso? Ou seja, CONFLITO, CLÍMAX, ESTRUTURA, ESPAÇO, PERSONAGENS, NARRAÇÃO, DIÁLOGOS, enfim, EMOÇÃO. EMOÇÃO, EMOÇÃO, EMOÇÃO. Parabéns! E obrigada.

    P.S.: Naquele “pruu” não deu pra segurar. =,(

  13. Renata Rothstein
    16 de agosto de 2016

    O que dizer deste conto, para além do magnífico, perfeito, excelente?
    Mensageiro de uma história emocionante, forte, bem escrita ao extremo (aliás não percebi mudança de estilo de autor para autor, outro grande ponto), com um final que, talvez, choque a alguns, mas na medida exata da missão e nome do protagonista (Hermes, deus mensageiro, e também guia de almas para o reino dos mortos), da sequência de fatos, todo o enredo caminhou para o fim – mortal.
    Nota 10

  14. Evandro Furtado
    16 de agosto de 2016

    Complemento: mesmo nível

    Que entrosamento, devo dizer. As duas partes parecem ter se encontrado, sentado na praça, jogado um bom jogo de damas, e depois escrito, juntos, esse texto. Tudo muito bem desenvolvido, balanceado, pontuado. Texto incrivelmente agradável de se ler. História consistentes, personagens cativantes. Palmas, palmas, palmas.

  15. Wesley Nunes
    16 de agosto de 2016

    O texto é narrado em um tom confessional. O conto gera impacto no leitor e muito desse impressionar é realizado pelo ótimo uso da linguagem. O narrador personagem conquista o leitor, por que não possui receio de contar a sua realidade. Em cada fala é vista uma sinceridade, gerando curiosidade e apego com o texto.

    A construção merece todos os elogios, sendo que o olhar do narrador em relação a Goldberg se altera da raiva e incompreensão para o carinho e a dependência. O autor tem domínio da escrita e é incrível ver o processo de transformação do personagem. Que primeiro se entrega a alcunha de prisioneiro e depois não se incomoda em ser um animal, muito pelo contrário, ele até gosta. Segui com a minha leitura com esses pensamentos na cabeça e percebi ou desconfiei que o assim chamado Hermes sempre foi um pássaro. Tudo aquilo que eu já tinha lido ganhou muito mais vida e foi uma incrível sensação. Por fim, gostei dos momentos em que o narrador para e conversa com o leitor.

    Devo agradecer aos autores pela leitura e pelas sensações como também parabeniza-los pelo excelente trabalho.

  16. Ricardo de Lohem
    16 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! A saga da vida de um pombo-correio de guerra narrada em primeira pessoa. Um pombo chamado Hermes, que, por coincidência, é o nome da moto do meu personagem, Alejandro de Nadie, em “A História de Pablo Valdivia” e “A chama e o chamado”. Uma ideia bastante original, sem dúvida, que resultou em um conto muito bem desenvolvido. Para melhor apreciar o
    enredo, é bom saber um pouco sobre os pombos-correio. Essa ave tem estreita relação com o ser humano há milhares de anos. Os pombos têm um incrível senso de direção e capacidade de sempre retornar ao seu ponto de origem, habilidades que o ser humano usou a seu favor. Reis, faraós, generais e imperadores souberam fazer uso desses animais, de Júlio Cesar em Roma aos generais na
    Segunda Guerra Mundial. Após a invenção de meios de comunicação mais modernos, como telégrafo e o telefone, o serviço de pombo-correio ficou obsoleto e hoje em dia a criação é voltada para o esporte. Existem clubes espalhados pelo mundo organizando corridas que por vezes movimentam muito dinheiro e apostas.As pessoas sempre perguntam: Como eles sabem para onde devem ir? E a resposta é que não se sabe ainda exatamente como. Eles apenas conseguem voltar ao ponto onde nasceram e foram criados, não importando o local ou direção onde sejam soltos. Distâncias de até 800km não são incomuns nas competições, existem casos registrados de mais de 1200Km percorridos por esses verdadeiros maratonistas do reino animal.Agora um exemplo de como era usado em grande escala pelas civilizações antigas. No império romano que tinha um território gigantesco, haviam pombais intercalados por todo o império. Funcionava em linha. Por ex: pontos: A > B > C > D. Cada pombal mantém, vamos supor, dez pombos do pombal mais próximo. Esses ficam presos e não saem para voar. Quando o pombal D precisa enviar uma mensagem ao pombal A, ele coloca a mensagem em um (ou mais) pombo do pombal C, a mensagem chegando ao ponto C eles a retransmitem ao ponto B e esses na sequência a retransmitem ao ponto A. Considerando a distância entre 500 e 1000Km entre cada ponto e que o pombo poderia fazer essa distância em apenas um dia, era absurdamente mais rápido do que enviar um mensageiro à cavalo.Nas guerras mais recentes como primeira e segunda guerra mundiais o pombo correio também foi usado! Havia um soldado ou um grupo responsável por essa comunicação entre a frente de batalha e o QG. Nessas guerras, quando os alemães perceberam que as comunicações principais estavam passando através dos pombos e não pelos rádios que eles estavam monitorando 24hr/dia, eles trataram de contra atacar criando falcões para abater os pombos, foi uma guerra a parte. Os alemães aperfeiçoaram tanto a técnica de contra ataque que os falcões foram ensinados a ignorar o instinto natural de comer os pombos e foram treinados a trazê-los de volta até a base para que a mensagem fosse interceptada e lida. Voltando agora ao conto. O segundo autor mimetizou perfeitamente o estilo do primeiro. No início, pensei que o protagonista
    fosse um falcão-peregrino, mas logo vi que estava enganado. Aliás, achei um erro do autor 2 explicitar que o protagonista era um pombo-correio: que o leitor descobrisse isso sozinho, não se tratava de um grande enigma, Não havia nenhuma necessidade de ir tão longe nas explicações. No final, uma menção ao Alzheimer, parece que demência é mesmo um tema que está muito na moda. Achei um conto muito bom, parabéns pra vocês, desejo muito Boa Sorte no Desafio.

  17. Simoni Dário
    15 de agosto de 2016

    Conto muito bem escrito. Sintonia fina entre os autores que estão de parabéns. Notei a troca narrativa bem pro final, e olhe lá. Leitura fluida e agradável. Em alguns momentos lembrei do filme Sempre ao Seu Lado e me preparei para a choradeira. É tocante, reflexivo e surpreendente. Parabéns mais uma vez aos autores.
    Abraço

  18. Simoni Dário
    15 de agosto de 2016

    Meus parabéns, um texto que parece ter sido escrito por um autor apenas. A sintonia fina dos dois autores fez com que eu tivesse percebido a mudança do tom narrativo bem mais pro final, e olhe lá. Leitura fluida, cheia de reflexões, muito bem escrita por ambos. Enfim, ótima leitura. Em alguns momentos lembrei do filme Sempre ao Seu Lado (me preparei para a choradeira). Conto bacana.
    Parabéns aos autores.
    Abraço

  19. Pedro Luna
    15 de agosto de 2016

    Um conto muito bacana. Bem escrito no todo e que fica sempre interessante, apesar da carga dramática e do fluxo de pensamento. Achei interessante que os dois autores souberam lidar com a ótica do pombo. E achei mais interessante ainda que a história de um pombo possa ter dado num conto bom. Kkk. Tem momentos tocantes. Com sinceridade, eu só daria uma pequena polida na fala de Goldenberg ao fim. Eu sei que ele já falava com Hermes, e as vezes desabafamos até com coisas inanimadas, mas acho que as palavras que ele usou, as explicações sobre o trato com o pai (se explicando para um pombo), deixou a situação meio forçada. Acho que faltou um pouco de naturalidade no desabafo. Mas de boa. O conto também toca no assunto da guerra e da falta de rumo dos que se encontram, de repente, sem ela. Bem bom.

  20. Danilo Pereira
    15 de agosto de 2016

    Conto repleto de analogias. Me lembrou muito os ensinamentos contidos no clássico “Fernão Capelo Gaivota”; onde através de um pássaro, o livro demonstra um belo ensinamento sobre liberdade. No conto o “Mensageiro”, o início me lembrou muito o despertar de ” Frankenstein” (…) não tenho nenhuma lembrança de meu nascimento (…) Nunca conheci meus pais, nem família ou infeliz presente que pudesse me contar como vim ao mundo. É por isto que minha história começa com minhas primeiras memórias, e elas cheiram a fezes e pólvora… O Conto é mais um confronto diante da cidade que a cada dia mais cresce apequenando cada vez os seres vivos. A natureza aqui é mostrada cinza, de concreto e aço. No conto notamos também sempre a questão da Síndrome de Estocolmo, um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. Nessa questão a ave. Conto bem escrito, e bem subjetivo. NOTA:8

  21. angst447
    13 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Título curto sem grandes revelações.
    R – Não encontrei grandes lapsos de revisão, apenas estes:
    As paredes cinza > as paredes cinzas
    Aonde foi que > Onde foi que…?
    E – Boa junção das duas partes do conto, quase imperceptível a emenda feita, Não percebi conflito de estilos dos dois autores. Seguiu-se o mesmo tom de prosa poética, narração reflexiva, mais contemplativa do que ação. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – Claro que me surpreendei ao constatar que Hermes era um pombo. Uma ave bastante sábia e filosófica, meditando sobre a razão de sua vida e o valor de cada um no mundo. O tom empregado é bastante melancólico, sem reviravoltas mirabolantes.
    A – O ritmo da leitura é um tanto lento, combinando com a narração filosófica do pombo. Apesar da habilidade notável dos dois escritores, o conto seguiu sem grandes atrativos. Não diria que é morno (céus, eu não faria isso com nenhum colega), mas faltou um pouco mais de tempero que diferenciasse um parágrafo do outro. O conto é bonito, bem escrito, mas fiquei um pouco deprimida quando cheguei ao seu final.

    🙂

  22. Claudia Roberta Angst
    13 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Título curto sem grandes revelações.
    R – Não encontrei grandes lapsos de revisão, apenas estes:
    As paredes cinza > as paredes cinzas
    Aonde foi que > Onde foi que…?
    E – Boa junção das duas partes do conto, quase imperceptível a emenda feita, Não percebi conflito de estilos dos dois autores. Seguiu-se o mesmo tom de prosa poética, narração reflexiva, mais contemplativa do que ação. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – Claro que me surpreendei ao constatar que Hermes era um pombo. Uma ave bastante sábia e filosófica, meditando sobre a razão de sua vida e o valor de cada um no mundo. O tom empregado é bastante melancólico, sem reviravoltas mirabolantes.
    A – O ritmo da leitura é um tanto lento, combinando com a narração filosófica do pombo. Apesar da habilidade notável dos dois escritores, o conto seguiu sem grandes atrativos. Não diria que é morno (céus, eu não faria isso com nenhum colega), mas faltou um pouco mais de tempero que diferenciasse um parágrafo do outro. O conto é bonito, bem escrito, mas fiquei um pouco deprimida quando cheguei ao seu final.

  23. Amanda Gomez
    12 de agosto de 2016

    Olá Autores!

    Não sei muito o que comentar, a história veio e foi com a mesma velocidade, digamos assim. Lendo a segunda parte a primeira fica quase esquecida… a trajetória de Hermes não chega a ser uma coisa impressionante.
    A verdade é que fiquei com certas dúvidas quanto ao tempo e espaço do conto… Tem guerra, e depois não tem mais. Há uma passagem de tempo… mas o pombo ainda vive… Ai me veio a pergunta. Quantos anos, um pombo vive? Confesso que não fui pesquisar, e deixei por isso mesmo, não tenho a real certeza desse meu questionamento.
    Temo uma posta muito legal sobre o conto… que é a foto, só depois que percebemos que se trata de um pombo, o narrador que observamos esse detalhe (pelo menos eu). Não sei se dizer se o fato de ser um animal, ajudou ou não o conto em si. Ao mesmo tempo que era um pombo, os dizeres e sua personalidade nos faz esquecer isso por um tempo.
    Talvez a história aos olhos de um pombo seria mais interessante se continuasse no que foi proposto na primeira parte. Em uma guerra… se a vida dele se passasse a todo momento nesse meio, seria curioso… ele poderia ser o plano de fundo para outros personagens, Goldenberg poderia ter isso melhor aproveitado. As mensagens enviadas e etc.. acho que o segundo autor subverteu bastante, mas não conseguiu achar uma história melhor que a primeira pra contar. Nem critico tal fato, escrever sobre um pombo está longe de ser algo fácil… para tal complexidade até que foi muito bem.
    A narrativa está boa, mas um tanto lenta… Muitas cenas repetidas… muita filosofia que não combina com o contexto geral. O pombo é ”humano” demais…
    Um conto diferente, e porque não, ousado.

    Parabéns a dupla por ter concluído o desafio.

  24. Andreza Araujo
    12 de agosto de 2016

    Claramente fui enganada. Foi apenas uma pessoa que escreveu esse conto, tenho certeza. Vou pedir pro chefe conferir isso aí.

    Opa, deixa eu parar com a brincadeira. Olha, as mentes de vocês trabalharam juntas de modo perfeito. O segundo autor não esqueceu de fazer o Hermes se jogar do alto do prédio, como sugeriu o primeiro autor no parágrafo inicial de seu conto. Até me arrepiei ao final, quando esta ideia retornou como mágica, remetendo ao início do conto.

    Está tudo lá: a trajetória de Hermes, como ele se tornou herói, e depois como caiu no esquecimento, se tornando apenas um mero pombo. E a história é tão boa e convincente que poderia facilmente ser sobre um humano, ao invés de um pássaro. Aliás, acredito que existam muitas histórias assim no mundo.

    A narrativa conquista, mesmo nos trechos mais calmos. A cena do parque é um pouco melosa, mas talvez eu tenha ficado com esta impressão por causa do contraste com a primeira parte do conto, que é tão forte, tão dura.

    O texto inteiro é brilhante, foi um prazer ler esta história.

  25. palcodapalavrablog
    11 de agosto de 2016

    A premissa da pomba, por si só, já vale o conto. Com humor sarcástico, a ave fala de seu destino sem choramingar.

    Na segunda parte, vemos um Hermes diferente. Talvez pelo fim da guerra, talvez por não ter mais para onde voltar, talvez por opção do segundo escritor.

    Com figuras de linguagem muito boas, acho que, talvez, o artificio do Alzheimer e de o velho da praça ser o pai do treinador de Hermes tenha sido um pouco desnecessário. Talvez… Talvez o velho pudesse ser o próprio Goldberg… Mas essa já seria uma outra história, não é?

    Gostei muito!

    Parabéns aos dois escritores.

  26. Thomás Bertozzi
    10 de agosto de 2016

    Eu pensei que fosse um cachorro…

    Um conto interessante, muito introspectivo, mas sem ser monótono. Ponto positivo.
    Bem escrito

    “Nós, pombos mensageiros, padecemos da pior síndrome de Estocolmo”
    Gostei dessa!

  27. Rubem Cabral
    10 de agosto de 2016

    Olá, Hermes.

    Um bom conto! Começou interessante, com essa coisa dos pombos-correio trabalhando na guerra e a amizade entre Hermes e Goldenberg. A transição, contudo, entre o cenário de guerra e a cidade me pareceu um pouco estranha, assim como o excesso de coincidências e o diálogo do Goldenberg com o Hermes na praça, muito explicativo. Pareceu-me um fechamento excessivamente dramático o do suicídio do pombo.

    Quanto à fusão, ela foi muito bem executada, não dá pra se notar exatamente quando sai um autor e entra outro.

    Nota: 8.0.

  28. Davenir Viganon
    10 de agosto de 2016

    Olá. Devo confessar que não gostei da entrega da identidade do narrador no meio do conto, simplesmente disse que era um pombo e pronto. EU até entendo que era necessário para continuar a narrativa e que a sequência tenha me agradado. Acontece que eu estava gostando bastante de juntar as peças e tentar entender quem era esse Hermes. Ainda que eu tivesse uma boa ideia de quem fosse, a graça é continuar a ler esperando a revelação no fim do conto e não no meio. Apesar dessa pequena frustração no meio eu gostei do conto.

  29. Bruna Francielle
    9 de agosto de 2016

    Estranho no mínimo. Não sei que posicionamento eu tomo. Achei que “filho de rapariga” não combinou com “Goldenberg”. Misturou palavras de cunho simples com nomes estrangeiros e uma narrativa que oscila entre o formal e o informal, entre aquelas palavras dificeis, frases elaboradas com frases simples demais. Há então, esse problema na narrativa, que não passa despercebido e incomoda pela falta de harmonia e coerencia. Achei que perdeu uma grande chance d montar um personagem interessante, pois, imaginando ele como um humano, antes da grande revelação, teria sido muitissimo interessante e misterioso tudo.. mas quando sabemos q se trata d um pombo, minha reação foi um pouco d decepção. Algumas cenas bonitas, e passagens bonitas também.. como a do velho alimentando os pombos na praça.. o tratamento de Goldemberg ao pombo.. um suicidio animal não é agradável de se imaginar. Coitado do Hermes !!! Acho q foi muita maldade matar ele no fim, ou melhor, ele se matar no fim =\ Não gostei. =\ Pq não encontrou uma pombinha e foram felizes pra sempre ? Rs’.. São minhas observações.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    8 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Mensageiro (Hermes)
    CA: A atmosfera intimista combinou bem com o contexto. É um enredo simples, porém, atrai pelo seu estilo insólito. – 8,0
    MAR: Conectar o fim ao início deu uma áurea nova ao texto. Desenvolve-se bem, com poucos detalhes marcantes, mesmo assim, uma boa “história pra pombo dormir”. – 8,0
    GO: Achei simpática a ave e suas digressões filosóficas, mas o autor(a) poderia ter se alongado um pouquinho mais em suas aventuras fora de casa. Ficou apenas um vai e vem regado a reflexões sobre a vida. – 7,0
    [7,6]

    JUN: Consegue acrescentar mais reflexões ao texto original, o que é ótimo. – 8,0
    I: Um texto sobre uma ave que reflete. E eu achando que já tinha lido de tudo por aqui. O conceito de melancolia pós-guerra caiu bem e deu um ar completamente inusitado ao contexto, mesmo com seu triste fim. – 8,0
    OR: Ganha pontos pela atmosfera exótica e pontos de vista distintos. O final vai-não-foi-mas-vai-ir combinou com o restante. – 8,0
    [8,0]

    Final: 7,8

  31. Jowilton Amaral da Costa
    7 de agosto de 2016

    Um pombo suicida, isto eu nunca vi, ou li, kkkkkkkk. Bem original. A primeira parte é muito boa. A construção da narrativa não permite em momento algum que saibamos que o narrador é um pombo. Bem legal. A segunda parte dá uma caída, fica meio vacilante e um pouco cansativa, ao meu ver. No entanto, o desfecho, com o pombo se matando, deu um bom fechamento. No geral eu gostei. Boa sorte.

  32. Matheus Pacheco
    7 de agosto de 2016

    Com toda a sinceridade do mundo, eu fui perceber que o protagonista era um pombo quase que no final do texto, porque eu achava que ele era só um homem muito observador que não falava com frequência .
    Abração amigos

  33. Marco Aurélio Saraiva
    5 de agosto de 2016

    Bela escrita! Um belo conto. Imagino a tortura que foi para o segundo autor tentar continuar o primeiro ato, já que o primeiro autor, além de escrever maravilhosamente bem, também não deixou muito espaço para continuações. Pra dizer a verdade, o primeiro ato estava praticamente fechado. E olha que eu nem tinha lido o conto antes de ser continuado.

    O resultado foi excelente: o segundo autor escreve tão bem quanto o primeiro e Eustáquio foi uma adição necessária, já que o primeiro autor tinha tirado Goldenberg da jogada de forma aparentemente irrevogável.

    O conto é muito bom, com alguns pontos de reflexão interessantes. Não consigo parar de me ligar ao pombo e em como ele poderia servir de metáfora para a nossa vida. Eu sei que isso provavelmente não era o objetivo do autor (não parecia, ao menos) mas, de qualquer forma, é uma metáfora interessante. Afinal, todos tentamos traçar um objetivo e segui-lo como guia para as nossas vidas, mesmo que soubéssemos do fim da jornada: a morte. Muitos, porém, têm os objetivos traçados por outras pessoas e, uma vez que estas pessoas se vão, perdem o chão. Foi o caso de Hermes.

    De qualquer forma, este conto, de alguma forma, me soou mais longo do que os outros. Senti como se muito mais tivera sido contato aqui neste mesmo espaço que todos os outros contos tiveram – e isso é bom. Ambos os autores souberam contar suas histórias muito bem, de forma interessante e sem cansar o leitor.

    Os pontos negativos foram:

    – Torci o nariz quando descobri que Hermes era um pombo. Depois me acostumei, mas o conto estava TÃO MAIS INTERESSANTE enquanto eu achava que Hermes era um garoto. Ficava imaginando que espécie de experimento era aquele que Goldenberg estava fazendo, soltando um garoto na selva e esperando ele voltar para alimentá-lo. Quando vi que era um pombo, tudo fez sentido… mas não de forma positiva, rs.

    – Que coincidência ein?? Eustáquio ser o pai de Goldenberg e Goldenberg voltar para o mesmo banco e conversar com hermes de novo?? Achei forçado, mas… as melhores histórias para se contar são aquelas que parecem mentira, não é? Tudo fosse muito verídico, não teria graça.

    Foi uma boa leitura. Parabéns aos escritores!

  34. Anorkinda Neide
    5 de agosto de 2016

    Comentário da primeira fase:
    Um bom texto. Mas… um pombo bem culto hein, um erudito. Sim, dá pra comprar a historia, me enganou, pensei ser um cachorro. Fizeste um gancho bem dificil, eu achei.
    .
    Comentário da segunda fase:
    Perfeição, é a palavra para a qualidade de teu texto, amigo continuista.. Parabéns, mesmo! Seguiu com as reflexões e mais, ambientou o pombo na cidade grande de forma eficiente e bonita. Meio puxado o reencontro com Goldenberg ao final e ele nao reconhecer o pombo, mas… ajudou na nostalgia do momento e, enfim, o pombo suicida-se, pobrezinho.
    .
    União dos textos:
    Achei que ficou ótimo, a princípio achei q seria muito dificil continuar este conto, mas o segundo autor não achou o mesmo, pois fez um excelente trabalho.
    Boa sorte aos autores.
    Abraços

  35. Pedro Arthur Crivello
    2 de agosto de 2016

    a linguagem é muito bem aplicada em todo o conto, quase não da pra se ver mudança na forma da escrita entre um escritor e outro. a primeira parte do conto foi bastante criativa só revelando quase no final que se tratava de um pombo o principal da história e o narrador. a segunda parte do conto foi emocionante e consegui amarrar a história como um todo com uma linguagem bastante poético.muito bonito

  36. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    A ideia do conto é muito boa: um pombo suicida. O texto se desenvolve sem atropelos. Senti apenas que o personagem goldenberg foi subutilizado. Sem erros aparentes do idioma. Bom conto, com uma carga dramatica potencial enorme. Os autores se completaram no desafio.

  37. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Mensageiro

    TÉCNICA: * * * *

    Aqui a troca de estilos ficou evidente (só falta ser esse o conto que o próprio autor continuou e eu me passar por idiota dizendo isso! :D).
    A primeira, mais do meu agrado, com boas tiradas, uma certa irônia, humor ácido e tal.
    A segunda, mais poética, reflexiva.

    Ambas muito bem escritas.

    – foi a certeza que a manhã me trouxe
    >>> old, but gold

    – Coma, amiguinho, você merece
    >>> pode confiar, amiguinho! 😀

    – aplumado
    >>> emplumado

    ATENÇÃO: * * *
    O conto me prendeu bastante a atenção pelo tempo que durou a guerra.
    As cenas urbanas não tiveram o mesmo impacto.

    TRAMA: * * * *
    A revelação da identidade do nosso amiguinho protagonista é de grande criatividade. Contos com esse tipo de revelação sempre tendem a agradar.
    Gostei mais da trama da guerra e acho que o conto teria sido mais feliz se seguisse por esse caminho mais tempo.

    UNIDADE: * * *
    Conforme disse acima, a mudança é perceptível. Embora os dois autores tenham qualidades, o todo não me pareceu uma peça coesa.

    NOTA FINAL: 7

  38. Gilson Raimundo
    31 de julho de 2016

    Você não me enganou nem um pouco, gostei bastante do ponto de vista do protagonista na primeira parte do conto, teve um trecho que acho deveria ser figura emplumada, sei-lá… os dois estilos se completaram apesar de que o segundo é menos melancólico, gostei da inserção do velhinho mas não da coincidência de ser pai do Goldenberg… as tristezas da segunda parte não justificam o desejo de suicídio inicial… a soma dos dois foi boa…

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Publicado às 13 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .