EntreContos

Detox Literário.

Livre! (Renata Rothstein e Bia Machado)

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Eu. Elias Arruda Cordeiro, 58 anos, pai de família, morador de São Cristóvão, professor de geografia, profissão de uma vida inteira, mal remunerada e mal escolhida (agora percebo: quanto tempo eu perdi).

SE olha que sou até bom, naquilo que faço. Ou fiz.

Elias. Recém diagnosticado com o vírus HIV.

Isso. Tenho AIDS, nesse momento vivo e morro o tormento. Me arrebento e todo aquele “aos poucos”, é de uma vez só. A última vez (?), é assim que sempre me sinto.

Pressinto dias difíceis, nos laudos de cada novo exame que vou buscar, no posto de saúde especializado em Infectologia, para onde me encaminharam, depois do trágico diagnóstico.

Quanto de um desconhecido Elias, meu outro eu – morre – escondido no meio de uma praça pública particular, debaixo de um tapete de ouro protetor dado pelos Céus, um céu imaginário, eu sei, mas que alivia os meus dias.

Não me interessa se estou me enganando – minha mãe me ensinou a orar, e hoje, é o que mais tenho feito. Sem efeito, é bom que se diga.

Engraçado, o que era tão certo, de alguma forma milagrosa – acabou dando errado. Falo sobre o desespero, que não vivi.

Não choro, não rogo, não imploro. Só penso.

Pensando – dizem – morreu um burro. Pobre burro. Ou sortudo, já não sei.

Enfim, desejo que o burro realmente esteja em bom lugar, porque ter um lugar para chamar de seu, é um baita de um luxo.

Os meus lugares agora são vastos e tantos e hoje, mais vivo, percebo, sou o meu melhor lugar.
Isso eu queria saber, enquanto ainda era cedo.

O mundo é para ser voado ( fui inspirado por um livro que li, quando era jovem: “O mundo é para ser voado”, de Vivina de Assis Viana), e eu, sensação eterna de algemas medonhas e invisíveis tolhendo, dirigindo, medindo, mandando. Cobrando.

Durante um bom (maneira de dizer, bom não foi, nunca!) e suportável tempo eu vigiei, atento, as amarras que, diuturnamente, foram colocadas em mim. Por mim – diziam. Eu, acreditando, polindo as algemas com o fogo frio da confusa e cômoda conformação. Sem culpa, sem culpados. Acordei.

E, entre alegre e preocupado, olhei em volta, e vi meu choro e meu sangue e meus sonhos, perdendo-se na areia, um a um, enquanto os controladores, legisladores e justiceiros botavam sua banca cheia de inverdades ali, à mostra, altos preços, disputados como um verdadeiro maná, comprado e disseminado como o que de importante há, tudo tão passageiro. Traiçoeiro.

Rasguei os trapos que atavam meus pulsos, os trapos que me faziam parte do circuito, os tratos que me faziam mudo, mutilado, nulo. Mudei.

Emudeci.

Outra etapa da vida, um novo ritmo ao sonho, exponho meu sorriso triste e corajoso e os meus últimos planos, sem sobressaltos.

Preparo as sementes, paciente. Elas crescem e acontecem, sem atropelos, movidos pelo que há de urgente.

Contraditório.

Desejos acesos pelo fogo da febre e da pressa, que explode em intermináveis sequências de anseios, realidades e luta.

É tudo tão claro e bonito, e eu caminho pela rua, com olhos de adeus. Vou ao postinho do bairro, buscar o coquetel, distribuído graciosamente de 2 em 2 meses (às vezes).

A pele ferida que não sara, nunca, e uma bendita tosse, insistente – é só o que há para assombrar e me fazer pensar que dentro de mim, nas estradas do meu corpo, corre um vírus, adquirido num momento maldito, num coito mal resolvido e desnecessário, mas que está aqui, brincando de ampulheta, dentro de mim: uma bomba-relógio, eis o que sou.

Dou risada de mim mesmo e mesmo assim, não me queixo.

Vou explodir a qualquer momento, sempre fui homem forte e não temo a morte, e vejo que até rimou.
Agora estou assim, eu dei para pensar poesia. É. Talvez eu pudesse ter sido um poeta, um doutor, um ourives, ou até mesmo o que sou: professor de geografia.

Até gosto bastante do que eu fazia: ensinava não só as fronteiras, mas como pensar nas possibilidades que elas nos oferecem, e, modéstia à parte, sou ótimo em ultrapassagem de fronteiras.

Para ser franco, só me enganei naquele Carnaval de 2002, perdido entre drogas e álcool e mulheres baratas e eu, e o meu tipo inseguro e complexado pela incapacidade de ser sociável. Só queria era me divertir.

Carnaval e birita, mulher que ta aí, na vida: deu mole, tá atendido!

E foi assim que eu contraí o vírus que me mata, dia após dia, mesmo que não se faça notar.

Paro para pensar. Concluo: eu espero de braços abertos a libertação, não culpo ninguém, mas ainda tenho, e sei, pelo que lutar.

Sigo um dia de cada vez, e erro, tentando acertar, com a coragem da vida, ávida, a me encorajar.

De novo o mundo girando ao meu redor , passado, futuro e presente se misturando e transferindo, ferindo.

A consciência da minha realidade grita nos meus nervos que só querem o esquecimento.

Como quem acorda sem vontade de um sonho bom, repentinamente lembro de tudo: estou morto. Irremediavelmente morto. Há dois anos, já.

Na verdade eu já morri, antes mesmo dessa história começar. Bem que eu notei minha confusão.

E do meu delírio sobraram essas pobres letras, e a vontade tão imensa de poder recomeçar.

Mirtes. Minha mulher, a viúva, visita meu túmulo, ajoelha-se e ora.

Eu vejo em seus olhos a raiva e o desejo de não chorar, de se vingar, mas como? – pensa.

Mulher boa e honesta, que só carrega a própria história, e a doença, transmitida por quem, um dia, lhe jurou fidelidade.

Não posso voltar atrás, e meu perdão invisível explode na tarde quente do Catumbi: Mirtes levanta, enxuga os olhos, pede aos céus misericórdia para minha pobre alma, me xinga outra vez, chora.

Arrependida, vai embora.

Outra vez a solidão me abraça: sou livre. E tristemente passeio, anseio estar num pesadelo, e quem sabe – um dia – merecer o perdão.

Sento no túmulo tão bonito que um alguém com grana da minha família comprou, há muito tempo atrás, e sou tão irreal que o céu normalmente azul tem a cor que eu desejar, e quando a solidão me abraça, o lilás da esperança é defenestrado da minha vida após a morte pelo sombrio e ameaçador céu negro e pesado, e a mesma história lenta e dolorida repete-se ininterruptamente na minha mente, numa indesejável e crescente lucidez, recomeçando.

Sou apenas um morto. Livre!

Eu. Elias Arruda Cordeiro, 58 anos, pai de família, morador de São Cristóvão…

“Não, de novo essa história mal contada, definitivamente não!”

Era preciso dar um basta naquilo.

— Chega, Elias. Agora só eu posso te escutar. E já escutei demais dessas mentirinhas.

Ele se voltou para a direção da voz e viu uma mulher parada em cima de uma lápide. Emudeceu enquanto ela caminhava em sua direção. Usava macacão e botas de couro de saltos altíssimos. A pele escura e o porte altivo davam-lhe o ar de princesa etíope.

— Pois é, Elias. Não vai adiantar nada ficar repetindo essa história pela eternidade. Não é assim que se evolui, meu amigo. Só o ano está certo em tudo isso aí que você repetiu e repetiu, o resto…

— Que quer dizer?

— Pode ficar tranquilo. Pensa que eu não sei que a colombina daquele carnaval fatídico na verdade era um pierrô? E você, professor de Geografia? Sei. Você até tentou, é verdade, mas se não fosse aquele seu amigo dono de cursinho te arrumar umas aulas, você ia ter que se virar com outra coisa, porque largou a faculdade no meio e não voltou mais. E a Mirtes, infectada? Você esqueceu o desinteresse que tinha por ela, pelo visto, há quanto tempo você a evitava? Melhor pra ela. A raiva dela aqui no seu túmulo é por causa do empréstimo que você pegou para suas viagens de “encontro consigo mesmo” e sobrou nas costas de quem?

— Mas…

— Não precisa se preocupar, que ela vai ganhar na loteria, quitar tudo e viver na boa ainda por um bom tempo, porque uma hora a pessoa deixa de ser trouxa, não é verdade?

— Quem é você, afinal?

— Prazer, Elias. Sou Azrael.

— Você é meu anjo da guarda?

— Imagina, o seu anjo da guarda já foi remanejado, ainda no seu velório. Aí sobra pra mim. Sou um dos anjos da Morte.

Talvez agora ele saísse dali, fosse para o purgatório, ou algo parecido. Se existia um céu, decerto que não era o seu destino.

— Vem, vamos tomar alguma coisa — convidou-o e já foi andando, sendo seguida por um Elias de passos receosos. Tomar alguma coisa? Que história era aquela? Depois de morto, o que é que se tomava? — Qualquer coisa, Elias. Até aquela cerveja estupidamente gelada, que era a sua perdição.

— Como isso é possível?

— Ah, bom, digamos que aqui, desse lado, se você não é evoluído o bastante não muda muita coisa. Só se salvam do marasmo os que precisam ser punidos urgentemente. Ou os que não precisam, mas esses estão cada vez mais raros. Os que ainda não se deram conta do que aconteceu ficam por aí, vivendo a realidade dos vivos, até que um dia…

O homem ficou esperando pela continuação, o arremate da resposta, mas Azrael apenas o olhava, lendo o pensamento dele e sabendo que ele esperava por uma resposta sobre o que viria depois daquele “até que um dia…”.

— Existe, sim, algo como o céu, Elias. Mas esquece aquela ideia batida de um portão entre nuvens fofinhas e branquinhas, guardado por São Pedro.

Entraram em um bar e Azrael ensinou: bastava encostar em um dos clientes para absorver a sensação de que tomava ou comia a mesma coisa que o vivo. Escolheu um homem que tinha acabado de chegar e começava a saborear o primeiro gole. Deliciou-se com o gosto da bebida. Se fosse a única vez, a última, antes de ir para outro lugar, que fosse bem aproveitada.

Sem saber por que, se lembrou do que tinha acontecido de verdade. É, não tinha sido com uma mulher aquele carnaval irresponsável. E não tinha nem perguntado o nome dele, em meio a tantas latinhas. Pensou que assim seria mais fácil esquecer. Ledo engano.

— Ele ainda não veio para cá. Ainda está vivinho. Agora falta pouco, mas ele se cuidou muito, mereceu esse tempinho a mais.

— O que vai acontecer comigo agora? Você não apareceu pra mim à toa.

Azrael confirmou. Ao menos naquela hora ele parecia um pouco mais esperto. Explicou que estava ali para indicar o estágio que ele deveria cumprir para subir um degrau na evolução.

— Degrau? Um?

— Tá achando pouco?

— Não, mas… que quer dizer com estágio? Trabalhar?

— Dá pra chamar assim. Um trabalho que deve ser feito. Mas não é qualquer coisa. Você vai cuidar de Puriel. Pelo tempo que for preciso. E o tempo que for preciso é o tempo que ele achar que você deve cuidar dele.

Como assim, quem era Puriel? E por que precisava ser cuidado? Assim que fez a si mesmo aquelas perguntas, um ser que ele qualificou como estranho surgiu do nada. Uma menina estranha. Assustadora, para falar a verdade. O cabelo, negro e comprido, parecia emplastado de gordura. A pele, mais branca que leite, onde se podia enxergar as veias bem finas que davam a impressão de que se desmanchariam a qualquer momento. Profundas olheiras faziam um contraste perturbador com as pupilas de um tom róseo.

— Papai?

Azrael gargalhou.

— Elias, finalmente, apresento-lhe Puriel.

— Pensei que fosse um anjo – Elias conseguiu sentir o odor fétido da boca da criatura assim que ela o chamou de “papai”. O que significava tudo aquilo?

— Sou um anjo, sim. Por um tempo, porém, serei sua filhinha. A que foi renegada, a abortada em uma clínica de um carniceiro. Aquela a quem sentiu alívio quando soube que não chegaria a nascer.

O espírito de Elias sentiu um calafrio. Fazia tanto tempo.  Aquele triste episódio tinha sido carregado por ele como uma cruz por toda a vida. Quantas vezes tinha imaginado o rosto da criança enjeitada? Sempre teve a sensação de que seria uma menina. Não tinha mais contato com a mãe da criança, namorada de juventude, vizinha da casa dos pais por muitos anos. Melhor assim. Quis o destino que a encontrasse uma vez, do outro lado do balcão de um bar da periferia, onde tinha entrado para tomar um café puro depois de uma noite boêmia. Ela fez como se não o conhecesse e Elias agiu da mesma forma, depois de alguns segundos de espanto, não conseguindo acreditar que aquela mulher de rosto sofrido e parecendo ter o dobro do peso dele tinha sido uma das moças mais lindas e mais cobiçadas pelos rapazes do colégio. Sentiu-se mal por vários dias.

— Quantas lembranças, papai. Não precisa recordar tudo de uma vez só. Temos a eternidade toda, se precisar.

Azrael tinha ido embora sem nem mesmo se despedir. Em um segundo ele e Puriel já não estavam mais no bar. Agora Elias podia ver grande parte da cidade, já que tinha sido transportado pelo anjo para o topo de um prédio.

— Vamos, papai, salte. E depois, salte de novo e mais uma vez, depois de saltar de novo. É o que desejo que faça agora, para me alegrar. Por algum tempo é isso o que quero.

— E se eu não quiser?

Com um gesto, Puriel abriu um grande buraco no concreto, de onde saía um ar muito quente. Lá dentro podiam ser vistas almas gritando por socorro, suplicando por perdão.

— Você tem essa outra opção, papai.

— Que tipo de anjo é você, afinal?

—  Sou Puriel. O anjo da Punição. E a Punição vem sempre na dose necessária, nem mais, nem menos, esteja certo disso. Sou justo. E gosto quando alguém faz o que peço. De vez em quando preciso de algo para me distrair. Gostei de você, papai. Vamos nos dar bem, tenho certeza. Agora vá, salte. Vamos ver quantas vezes aguenta. Aposto que não consegue nem cem vezes.

 

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73 comentários em “Livre! (Renata Rothstein e Bia Machado)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Gostei muito da primeira parte. Não é o tipo de narrativa que me atrai à primeira vista, mas a vida de Elias, a maneira como foi contada, amarga, derrotada, sem qualquer esperança, acabou me ganhando. Parágrafos curtos e ágeis, cadência bem firmada. É como se ouvíssemos o respirar difícil de alguém condenado desde as primeiras linhas. Em meio a isso, construções belíssimas. Destaco o seguinte trecho: “nas estradas do meu corpo, corre um vírus, adquirido num momento maldito, num coito mal resolvido e desnecessário, mas que está aqui, brincando de ampulheta, dentro de mim: uma bomba-relógio, eis o que sou.”. Porém, essa qualidade ímpar traduziu-se numa dificuldade imensa para o segundo autor. Devido ao estilo diferenciado do primeiro, restou ao segundo enveredar por outro caminho. Saiu de cena a amargura e o intimismo, entrando no lugar uma narrativa de fantasia que, embora bem escrita, mudou totalmente o rumo da história. Elias deixa de ser um personagem cativante e por quem sentimos pena no início, para se revelar um vilão merecedor de todo o mal, de todo o sofrimento que se abate sobre ele. Não sei se curti muito essa mudança. A mim pareceu uma história diferente e não uma continuação. O que quero dizer é que, como conjunto o conto não funciona, as metades não “conversam” devido à mudança de perspectiva. Diga-se que ambas as partes estão bem escritas, permitindo um bom fluxo de leitura. Ocorre apenas que não combinam. O resultado foi duas metades bem escritas, mas que no fim não formaram um todo interessante.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Gustavo, pelo pouco que te conheço eu já sabia que você não gostaria da segunda parte, e isso não é problema algum, é apenas uma constatação. Não foi fácil continuar o conto seguindo a mesma linha da Renata, foi o que você disse: não é o estilo que costumo seguir, nunca escrevi algo no estilo do primeiro texto e ainda mais em primeira pessoa, então pra mim eu me sairia pior ainda se forçasse uma continuação no mesmo ritmo da primeira parte. Não consegui me envolver a ponto do Elias me cativar, da forma como você se sentiu cativado e isso me deixou muito angustiada. Talvez eu tenha interpretado mal a respeito de “continuação”, quando cheguei a te perguntar a respeito de eu poder mudar, você falou apenas sobre o foco narrativo e eu acabei mudando até o enredo… E fiquei angustiada até hoje, quando pude falar com a Renata. Se algum dia eu tiver que continuar o texto de alguém, vou seguir a ideia inicial, custe o que custar. Obrigada pelo comentário!

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Mais um conto seguindo a linha de drama que a galera decidiu adotar nesse desafio… Parece até que o tema desta vez foi “Drama”.

    A história como um todo não me fisgou muito. O começo eu já estava achando meio desinteressante, apesar da escrita estar fluida, que facilitava a leitura. Mas a segunda parte me decepcionou. O coautor seguiu por uma outra linha. Não foi uma mudança radical que destoou toda a linha de narração, mas senti que o segundo autor quis ser ousado, mas acabou não se saindo muito bem, pois se empolgou na hora de punir ainda mais o personagem principal por seus erros, jogando-o cada vez mais no fundo do poço. O final até que ficou bacana, apesar de ter seguido com essa linha de super punição. Achei divertido a garotinha que era filha abortada dele.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Thales, que pena que não gostou, na verdade continuei o texto dessa forma não por ousadia, mas por realmente não saber como seguir da forma que terminou a primeira parte. A garotinha na verdade era o anjo, travestido da filha abortada dele. Não soube dosar muito bem e também acho que me excedi. Ainda bem que a autora da primeira parte me perdoou, rs. Obrigada pelo comentário.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Apesar de Filadélfia&companhia a AIDS ainda é um tema pouco frequente em contos. A primeira parte claramente demonstrou segurança do autor no queria dizer. Na segunda, entretanto, o novo autor não pareceu estar à vontade com o assunto, depreendendo muito esforço para manter o conto em pé. Isso é plenamente compreensível, pois estava bem complicado continuar. Nota-se que ambos os escritores são muito bons, ainda que a parceira não tenha funcionado plenamente.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Olá, Wilson, obrigada pelo comentário. Eu, que escrevi a segunda parte, afirmo que realmente não foi fácil continuar, fiquei mesmo pouco à vontade. Abraço! 😉

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Obrigado pela história que vocês construíram para este desafio. De início não gostei muito do ritmo do conto. Achei muito parado, muito monólogo interior e sem nada de muito palpável acontecendo. Acho importante chamar a atenção para a construção das frases na primeira parte. Acho que as frases meio truncadas, muito curtas, intercaladas com palavras soltas dificultaram muito a compreensão do texto. Já era uma memória interior na cabeça do personagem, com pensamentos que vão e vêm mas que apresentam pouco desenrolar. Se essa ideia é escrita de forma complicada, vai dificultar demais a vida do leitor. Acho que seria melhor tentar fazer um texto um pouco mais fluido e explorar a história mais do que tentar destacar muito a linguagem.
    Quanto à segunda parte, achei que deu uma melhorada boa no conto de forma geral. As coisas começaram a acontecer e eu, como leitor, pude ir junto com o Elias tentando entender o que estava acontecendo com ele, bem naquele estilo “de onde viemos, para onde vamos etc”. Achei interessante o anjo confrontar a alma do defunto com as faltas que ele cometeu em vida. É um tipo de “conta” que poucas pessoas estão esperando pagar, e que menos pessoas ainda conseguiriam pagar. Achei que a entrada de Puriel na história foi a chave de ouro. Eu já estava tão envolvido com a dinâmica da conversa entre o personagem principal e o primeiro anjo que, passar para Puriel foi uma transição fácil e bem no estilo “a próxima fase vai ser mais difícil”.
    Parabéns!

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      hahaha, “a próxima fase vai ser mais difícil”, gostei disso, rs. Obrigada pela leitura, Thiago!

  5. Andreza Araujo
    19 de agosto de 2016

    Mas é o que…? O que houve? Que final é esse? Hahaha

    Olha, o texto muda completamente. E eu achei ótimo. Vou explicar. O início é muito introspectivo, quase não tem enredo, sabe? Gosto de textos assim mais íntimos, mas sinto falta de uma história para corroborar os pensamentos do personagem. Então a gente descobre que ele já está morto, desde o início do conto. Então o segundo autor inventa uma história após a morte, uau, foi incrível.

    O autor poderia apenas ter falado sobre a vida de Elias e fim. Mas não! Dois anjos foram apresentados para ele a fim de que a alma do sujeito evoluísse, e também pagasse pelos seus pecados em vida, digamos. O final chega a ser macabro. Há uma antítese ali, a própria menina inocente que na verdade é o anjo da punição.

    A história mudou completamente, até mesmo ao reescrever os detalhes da vida de Elias. Antes, ele se vangloriava por ser professor de geografia, depois a gente percebe que ele só se tornou professor com ajuda de outros. E também teve a questão do parceiro que transmitiu a doença para ele ser homem e não mulher.

    Olha, não sei se o autor que começou este conto gostou das modificações, eu digo que adorei, foram várias reviravoltas dentro do mesmo conto.

    Não é o meu conto favorito do atual concurso, mas apreciei a leitura e me fez refletir bastante.

    Em tempo: acho que o protagonista deixou de ser livre com esse final, hein?!

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: o mote da proximidade da morte e do drama de enfrentar a doença fornecem amplo campo para desenvolvimento do drama.
    INTEGRAÇÃO: a emenda entre os texto, bastante perceptível entre os textos, e o que mais a torna estranha é a mudança da voz narrativa de primeira para terceira pessoa.
    CONCLUSÃO: como ponto positivo, o questionamento sobre a sinceridade do personagem principal, o narrador não-confiável. Como ponto negativo, o moralismo da punição, num discurso quase ameaçador aos pecadores

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Daniel, obrigada pelo comentário. Quanto à voz narrativa, expliquei em um post aqui o porquê de arriscar a mudança, mesmo sabendo que soaria estranho para a maioria. E de forma alguma quis fazer discurso moralista ameaçador aos pecadores, até porque nem acredito em anjos, inferno etc., foi apenas a forma como levei o enredo, apenas uma ficção. Não pretendia, de forma alguma, transmitir a ideia de que “olha, se você não seguir o caminho da retidão, veja o que te espera”, enfim, se meu texto pareceu doutrinador/ameaçador, certamente a culpa é minha.

  7. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    uma primeira parte muito forte, que na minha opinião perdeu força com o aparecimento dos anjos. Mas gostei bastante deste texto, principalmente da primeira parte, muito forte e com frases que nos deixam a olhar para as paredes à procura de respostas. Excelente, muitos parabéns

  8. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    o conto é muito bom. tem uma narrativa fluida, uma premissa interessante e é bastante claro, a mudança de narrador de primeira pessoa para terceira pessoa, feita pelo coautor, não atrapalho o desenvolvimento do texto (embora no inicio ainda seja confuso). gostei das referencias de anjos, principalmente colocando eles como uma representação feminina

  9. Simoni Dário
    18 de agosto de 2016

    Olá

    Ficou bem claro onde termina a primeira parte e onde entra o complemento.
    Na parte inicial, um texto que não prendeu a minha atenção, leitura simples e com falta de criatividade em torno do enredo “- merecer o perdão”.
    A segunda parte já foi mais objetiva e rica nos detalhes, mas na minha visão perdeu a conexão com o início da história ficando vago e perdido.
    O final foi água com açúcar.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    A história tá muito bem escrita, mas acabou ficando um pouco entediante. Por várias vezes eu me peguei baixando a barra pra ver se faltava muito pra terminar. E não por falta de qualidade de escrita, mas achei que se perdeu demais em divagações e esqueceu do enredo, principalmente a primeira metade. Acho legal reflexões e divagações, mas quando em demasia, corre o risco de acabar ficando maçante. A segunda metade até que fluiu um pouco melhor, e teve um fim legal.
    Gramatical e estruturalmente o texto tá praticamente impecável, só achei que o primeiro autor podia tomar um pouco de cuidado com o excesso de pontuação, pra não deixar o texto muito travado.

  11. Pedro Luna
    17 de agosto de 2016

    Bom, o conto é bizarro. Achei que a segunda parte foi inteligente em utilizar o intenso lamento do personagem (que é toda a primeira parte), como uma fuga mental do mesmo. A verdade era outra. Achei divertido a aparição de azrael, e torci um pouco o cenho para a aparição do anjo que de repente é a filha abortada do cara, mas ela se mostrou ser bem sinistra. A primeira parte, preciso confessar, desanimou um pouco a leitura, pois foram intensos lamentos que acredito, se o autor não mudasse, iriam seguir até o final sem apresentar uma história. Um drama que depois virou comédia de humor negro. No geral, bacana.

  12. Danilo Pereira
    17 de agosto de 2016

    O conto em sua parte inicial me parece mais uma lamentação. Só existe uma descrição de uma vida contata em primeira pessoa. Sem muitas características de um conto, onde o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Não percebi em nenhuma parte esse clímax. Na segunda Parte há um pequeno enredo, mais como uma dualidade da vida, em que se mostra uma visão cristã em que a milhares de anos é falado e profetizado (o que voce fizer de errado aqui, voce pagará depois na outra vida) O conto segue a linha de drama,entretanto achei limitado. NOTA:6

  13. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    Bem dark, hein?

    A impressão que tive foi a de que a primeira parte da história tentou dar um contato psicológico com o personagem, humanizá-lo, enquanto que a segunda parte resolveu puní-lo.

    A primeira parte fornece uma vida um tanto comum marcada pela tragédia, inclusive tentando tirar o estigma de que a AIDS acomete apenas os homossexuais. A segunda parte parece acreditar que tudo tem um motivo, e usa a doença também como punição.

    O que era triste e reflexivo se tornou tortura moralista, perdendo bastante força.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Junior, não achei que fosse passar a parte que escrevi como uma tortura moralista e a punição do Elias não foi por conta da doença. Me desculpe se não consegui deixar isso de forma clara na parte que escrevi.

      • Junior Lima
        20 de agosto de 2016

        Oi, Bia.

        Então, realmente lendo sua parte me passou essa impressão, de um autor religioso colocando suas visões na história. Mas não acho isso necessariamente ruim, só destoou da outra parte. Se o conto fosse assim desde o início poderia ser até divertido pra mim, que não levo essas ideias tão a sério.

        Acho que só se torna um problema se você tinha alguma outra intenção, alguma mensagem ou moral. Se não, acho até legal que a sua parte tenha dado margem a interpretações inesperadas. Parece que você só tentou colocar uma ideia bacana e interessante e, nesse caso, é normal que os outros comecem a tirar conclusões haha

    • Caligo Editora
      21 de agosto de 2016

      Sim, entendi, Júnior, obrigada!

  14. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): muito enrolada no início, fica indo e vindo sem criar identificação nem emocionar. Depois, muda completamente, desdiz coisas importantes ditas antes e cria uma pós vida meio sem sentido. Infelizmente não gostei muito.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): os dois autores apresentam ténica um tanto oscilante, sem brilho, qie incomoda em algumas partes.

    Uma observação: travessão quando usado fora do diálogo funciona como parênteses, ou seja, se for removido, não deveria alterar o sentido da frase.

    Ex.: de alguma forma milagrosa – acabou dando errado (esse travessão deveria ser removido)

    💡 Criatividade (⭐▫▫): utiliza motes comuns: morte, angústia, anjos da morte e punição.

    👥 Dupla (⭐▫): o segundo desrespeitou a (pouca) história contada no início. Ficou aquela sensação de ter lido à toa a primeira parte, pois logo no início da segunda, ele jogou fora o que a primeira havia me dito.

    🎭 Impacto (⭐▫▫▫▫): não gostei do texto nem na primeira parte, nem na segunda e muito menos na união das duas 😦

    Obs.: essa crítica é dura, mas é feita ao texto e não aos autores pessoalmente (que nem sei quem são). Espero que os autores entendam que a fiz com objetivo de passar o meu feedback (travestido de análise técnica) quando li o texto. Caso não concorde, podem optar por ignorar essa crítica e seguir adiante. Continuem a escrever e eu espero gostar mais da próxima.

  15. catarinacunha2015
    16 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Aviso: este comentário contém criticas desagradáveis. Caso ainda não esteja preparado para isso, pare de ler agora.
    O texto é fraco. O vocabulário e as construções são pobres, exemplo: “Preparo as sementes, paciente. Elas crescem e acontecem, sem atropelos, movidos pelo que há de urgente.” Vejo mais como um desabafo, elucubrações existenciais de autoflagelo, revolta do oprimido. O texto é repetitivo, a trama é ínfima e não há clímax. Ouso dizer que foi muita inspiração para pouca transpiração.

    PIOR MOMENTO: “Eu, acreditando, polindo as algemas com o fogo frio da confusa e cômoda conformação” – Construção estranha. Parece mais um jogo de palavras e não ficou clara a comodidade confusa da conformação.

    MELHOR MOMENTO: “Os meus lugares agora são vastos e tantos e hoje, mais vivo, percebo, sou o meu melhor lugar.” – Bonito este pensamento!

    PASSAGEM DO BASTÃO: Quebrou o bastão para passar para o colega.

    2ªPARTE: Fez das tripas cérebro, colou o bastão e carregou heroicamente. Deu vida ao conto criando personagens fortes e trama equilibrada. Fez dos erros da primeira parte o trunfo para escrever a segunda. Parabéns.

    PIOR MOMENTO: “A que foi renegada, a abortada em uma clínica de um carniceiro.” – Frase de efeito chinfrim.
    MELHOR MOMENTO: “Só se salvam do marasmo os que precisam ser punidos urgentemente.” – Síntese das duas partes do conto.

    EFEITO DA DUPLA: Se alguém ficou deprimido com a primeira parte ficou curado com a segunda.

  16. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Um homem pega o vírus da AIDS, toma o coquetel, mas mesmo assim morre, ao que parece, em pouquíssimo tempo. Em qual época se passa a história? Não pode ser na atual, na qual se vive, muitas vezes indefinidamente, com o vírus HIV sem adoecer graças aos medicamentos. A AIDS se tornou uma doença crônica tratável, que muito raramente leva ao óbito.
    Seria bom ter especificado a época, porque se for mesmo a atual, estamos diante de uma incongruência científico-factual que pode tornar sua históra muito pouco verossímil. A primeira metade do conto é muito chata, Elias se lamentando o tempo todo, cheio de culpa e amargura. A segunda metade.. É pior! De repente sai o drama e entra um humor tosco bastante mal-vindo. E de repente Elias se contaminou com um homem, não mulher. Parece que o autor 2 é adepto da ideia que sexo entre homem e mulher não transmite o vírus da AIDS… Uma coisa que foi preservada da parte 1 para a 2 foi o moralismo; justo a que devia ter sido descartada. “— Ele ainda não veio para cá. Ainda está vivinho. Agora falta pouco, mas ele se cuidou muito, mereceu esse tempinho a mais”. Quer dizer, morrer de uma doença é uma punição moral? Normalmente não discuto as mensagens que os autores tentam passar, mas esse tipo de mentalidade me irrita demais, não
    consigo manter a frieza analítica. E no final ele vai ser punido indefinidamente, contrariando o título da história, “Livre!”. Achei falta de respeito como o autor 1 o 2 ter feito um final que faz o título perder todo o sentido, que o contraria, afinal, o títulol é “Livre!” e ele terminou preso numa punição sem fim definido. Terminando, não gostei da primeira parte, e a segunda foi pior ainda. Boa Sorte pra vocês.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Bem, não escrevi a primeira parte do conto, mas sobre a questão do tratamento do vírus da AIDS, há três minha cunhada faleceu disso, em pouquíssimo tempo. Infelizmente ela não sabia disso e, pior, não levava uma vida muito regrada. Quando descobriu, já estava internada por dores que sentia inexplicáveis e saiu do hospital morta. Por isso eu, a segunda autora, também acho que no caso do narrador-personagem ficou especificar datas, tempo da doença etc…, pois Elias me pareceu mais capaz de ter descoberto a doença logo no início… Quero crer que tenha sido em uma época em que isso era mais comum.

      Sobre a minha parte, não foi minha intenção transformar tudo em um humor tosco bastante mal-vindo e não sou nem de longe adepta dessa ideia de que na relação homem-mulher não se pode transmitir AIDS, não fale por mim, ok? Eu não sou o Elias. Então eu só posso escrever um conto com base nas minhas ideias? Claro que não, porque estou escrevendo ficção, né, por favor. Uma pena que tenha sentido um tom de moralismo.

      “Quer dizer, morrer de uma doença é uma punição moral? Normalmente não discuto as mensagens que os autores tentam passar, mas esse tipo de mentalidade me irrita demais, não consigo manter a frieza analítica.” Ok, Ricardo, mas quem disse que eu estava querendo passar alguma mensagem moralista? Foi só a construção da personagem. Ela é assim, certo? A escritora, eu, não. Se você achou isso de mim, deveria ter esperado pra saber quem eu era e ter vindo dizer isso diretamente a mim, sem ficar alimentando coisa que não existe.

      “E no final ele vai ser punido indefinidamente, contrariando o título da história, ‘Livre!’. Achei falta de respeito como o autor 1 o 2 ter feito um final que faz o título perder todo o sentido, que o contraria, afinal, o títulol é ‘Livre!’ e ele terminou preso numa punição sem fim definido”. Eu não quis desrespeitar ninguém com a ideia que segui sendo contrária ao título, apenas usei justamente o título como um dos fatores, já que ele tinha escondido muita coisa… Bem, enfim, seus argumentos foram mais com base no que você acha que eu quis fazer, com o que você acha que foi a minha intenção do que com base no que você realmente leu. Se tivesse comentado sobre o enredo, sobre a caracterização das personagens, sobre a estrutura narrativa, teria mais argumentos, porém, da forma como comentou, você ficou só no achismo e calcou sua avaliação apenas nisso, queira desculpar por dizer isso, mas agradeço pelo tempo gasto com a leitura e seu comentário. Quanto a isso, lamento profundamente, não foi minha intenção e com certeza também não foi a intenção da Renata. Um abraço.

  17. Jowilton Amaral da Costa
    15 de agosto de 2016

    Caramba, são duas partes bem diferentes no mesmo conto. Na primeira parte há uma construção poética e melancólica, que se iniciou bastante travada, mas, que vai fluindo com o decorrer da leitura. O ar sério, um tanto sombrio, foi mudado para uma fantasia de humor-negro. Até aqui foi o conto que eu li que mais deu uma guinada na segunda parte, tanto de estilos como de enredo, além de mudança de voz narrativa, passando da primeira para a terceira pessoa.. Se fossem dois contos distintos, talvez eu tivesse gostado dos dois, um pouquinho mais do primeiro. Como conto único, para mim não funcionou muito bem. Boa sorte.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Ok, Jowilton, obrigada. Para esse desafio escrevi dois textos bem diferentes e nenhum deles não funcionou com você. A gente segue tentando. 😉

  18. angst447
    15 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – Bom título, curto, sem mais delongas…rs.
    R – Não encontrei grandes lapsos de revisão, apenas:
    mulher que ta aí, na vida > mulher que tá aí
    há muito tempo atrás > redundância > há muito tempo
    Algumas vírgulas mal empregadas, mas de resto, tudo certinho.
    E – O primeiro autor seguiu uma linha calcada na prosa poética. Parágrafos curtos, telegráficos, buscando um impacto de versos melancólicos. O segundo autor parece ter achado tudo um “porre” e resolveu virar a mesa. Tacou lá um anjo da morte zombeteiro que trouxe junto uma discípula da Samara. Apesar de não ter seguido a linha de raciocínio do coleguinha, o “continuísta” conseguiu dar prosseguimento à narração. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama traz as reflexões de um portador de HIV, já com manifestações da doença. A princípio, não me pareceu que ele estivesse morto, mas aí logo vem a afirmação da sua “passagem”. Acho que ficaria melhor se o autor tivesse ocultado a forma de transmissão do vírus. Isso daria um ar misterioso e evitaria eventuais discursos moralistas. No entanto, o conto descambou mesmo para uma ladainha “crime e castigo”. O pecador – traiu a mulher com outro homem e ainda por cima, tinha favorecido um aborto no passado. Logo, deveria ser punido. E qual a punição mais clichê disponível? Os quintos dos infernos, com chamas e todas suas torturas demoníacas. Francamente…
    A – A narrativa flui muito bem, principalmente no início, com a agilidade dos parágrafos curtinhos, um toque de ironia aqui e ali. Os diálogos na segunda parte também funcionam bem, apesar da ideia contida neles ser bem pouco original e com ares de lição de moral. O conto ficou entre algo divertido e uma aula de catequese. Faltou decidir que caminho seguir e assumir a escolha. Enfim, metade de mim gostou, a outra metade está irritada.

    🙂

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Bem, expliquei em um post aqui que de forma alguma fui por outro caminho por achar a narrativa “um porre”, mas sim por não saber como continuar daquela forma, naquela narrativa em primeira pessoa de um morto. Se fosse em terceira pessoa, talvez… Assumo minha falta de capacidade para prosa poética, então como ser o Elias? Como continuar sendo o Elias do jeito que a primeira autora foi? Pra mim me soaria muito artificial. Os anjos foram como um desafio, pois não sou fã de histórias do tipo. Talvez influência de algumas coisas que estava lendo. O anjo da punição, longe de mim fazer uma discípula da Samara. Estava pesquisando sobre essa mitologia angelical e achei algumas coisas sobre existirem anjos para cada coisa: da Morte, da Punição e nessa mitologia Puriel é realmente o anjo que pune. Ele não é assim, pode tomar a forma que quiser. E olha que nem vi esses filmes da Samara… Esse momento em que descobri que o Elias estava morto foi complicado. Como continuar o conto sem ter que ressuscitá-lo, sem ter que fazer parecer um sonho, sem ter que transforma a coisa em um relato espírita ou uma versão de “Ghost”? Nos dias em que passei pensando sobre isso, realmente não consegui encontrar outra saída. Não me passou pela cabeça que ir para o inferno fosse a punição mais clichê possível, adoro “O Auto da Compadecida”, do Suassuna e lá temos o diabo, temos as pessoas que serão salvas do inferno, outras que ficarão no purgatório… Eu nem acredito em nada disso, uma pena que tenha optado pela opção mais clichê disponível, da próxima vez farei uma pesquisa sobre clichês viáveis e inviáveis para tentar não irritar alguém. Também não quis dar lição de moral em ninguém, jamais escrevi algo com essa intenção. Se ficou uma aula de catequese peço desculpas, porque apesar de batizada na Igreja Católica, quando tinha 5 anos, não fiz catecismo e nem crismei, segui outra doutrina. Você diz que faltou decidir que caminho seguir e assumir a escolha, mas não foi isso que eu fiz? Sabia que haveria críticas a respeito da mudança de voz narrativa e tudo mais, cheguei a consultar o Gustavo sobre se eu podia modificar o enredo do jeito que eu achasse ser possível para tentar fazer minha parte e me foi dito que eu poderia fazer como achasse melhor. E sei que esse “melhor” não foi o mais correto para a história da Renata, mas foi o que possibilitou que eu conseguisse cumprir todas as etapas do desafio e não ficar de fora mais uma vez. Uma pena que, para isso, tenha desrespeitado tanto a ideia da primeira autora. E se um dia cair nessa de ter que escrever uma continuação para um conto de outro autor, seguirei à risca suas ideias. Obrigada pelo comentário.

  19. Wesley Nunes
    15 de agosto de 2016

    O autor saber empregar o tom confessional em seu texto e o leitor consegue sentir as emoções do personagem. É interessante acompanhar o fluxo do pensamento do narrador e quanto mais ele mergulha em seus pensamentos/vida mais o autor utiliza o tom poético. O texto se torna intenso com o mergulhar nos pensamentos e na vida do personagem até o momento em que ele nos relata a grande catástrofe.

    Menciono a minha surpresa ao descobrir que estava sendo conduzido por um morto e ele me revela que se mantém preso a um looping das lembranças das suas tristezas.

    Percebi uns raros escorregões no começo, mas nada que prejudique o texto.

    Analise parte 2

    Gosto da ponta deixada pelo primeiro autor. O segundo autor é corajoso e vai desconstruindo toda a história da primeira parte. Esse recurso foi bem utilizado e o leitor sente-se curioso para saber a verdadeira história. A escrita é fluida e ele imprimi um humor sutil em seu conto.

    Todo o universo pós vida criado é incrível. Ele é bem estruturado e cresce na mente do leitor. Fiquei curioso sobre essas regras celestiais, esses anjos e essas punições. Eu leria diversas histórias neste universo.
    O final é bem feito e o desfecho macabro, mas também sutil atiça a mente do leitor. Entretanto, esse desfecho é iniciado e fechado somente no final do conto. Em todo texto não percebi nenhum indicio desse relacionamento perdido de Elias e de que a partir dele foi feito um aborto.

    Parabenizo um autor pela condução do leitor e outro pela construção do universo.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Wesley, agradeço pela análise da parte que escrevi. 😉

  20. Bia Machado
    13 de agosto de 2016

    Ao/À autor/autora da primeira parte. Em primeiro lugar, quero pedir desculpas, caso tenha ofendido você com uma continuação a qual acredito que você não esperava. Se eu não tivesse deixado de participar dos dois desafios anteriores, teria ficado sem participar desse, justamente por esse pedir um conto escrito por dois autores. Não sei, acho que fora desse contexto jamais aceitaria ou conseguiria.

    O que senti quando fiquei sabendo que continuaria seu conto foi um pouco de desânimo. Não pela qualidade do conto, mas por ter que continuar um estilo de texto que não é o que me costuma agradar. Li e reli várias vezes. Tive medo, mas claro, desafios são feitos justamente para se vencer medos. E o personagem estar morto me desapontou ainda mais. Isso, pra mim, delimitava muito a forma de como conduzir. Essa foi uma dificuldade inicial. Conforme fui relendo, o que acabou mais me preocupando foi a narração, em primeira pessoa. A narração em primeira pessoa é muito particular. É quase o autor ali, meio que psicografando as ações da personagem. Eu não tive empatia com o Elias. Da forma como você o apresentou, não sentia vontade de escrever uma continuação eu tendo que ser o Elias. Você pode dizer que é uma fraqueza minha, mas foi assim que me senti. Sem condições de na segunda parte ser o Elias. Achei que continuando na primeira pessoa o tom seria muito artificial. Então resolvi partir pra terceira pessoa. Escrever fora do prisma do personagem principal…

    A ideia me surgiu pela vontade de escrever algo diferente do que tenho escrito. Não sou fã de histórias com anjos. Então resolvi colocar anjos na história, para me desafiar. A personalidade do anjo da morte e da punição eu quis fazer bem diferente dos anjos como geralmente pintam. E foi bem divertido. E conforme ia pensando no enredo, tentava me distanciar do que o Elias tinha mostrado. Gosto de ir contra o que a maioria pensa que poderia ser. Espero que não pense que quis desmerecer o Elias colocando-o como um mentiroso e irresponsável. Só quis trabalhar a partir das fraquezas que ele poderia ter e que pudesse estar ocultando. Não acredito em anjos, não acredito em “céu e inferno”, então levei a coisa muito como se fosse uma mitologia (e talvez seja isso mesmo). Com relação à punição, eu tinha que pensar em algo que pudesse justificar o castigo que ele receberia. Sou a favor da mulher poder escolher entre abortar ou não, sem precisar se arriscar ao fazer isso de forma clandestina. Eu não faria isso, entende? Mas não consideraria quem o fizesse um criminoso, cada um com sua consciência. Não quis dizer aqui algo do tipo: “olha, quem faz aborto merece ser punido”, claro que não. O Elias foi punido mais pela insensibilidade, pela frieza dele em tocar a vida e a princípio agir como se “tanto faz, tanto fez”, pelo medo de assumir algo, o que senti na personagem já na primeira parte, da forma como você o fez relatar passagens de sua vida. Tenho a minha crença, mas aqui de forma alguma eu acrescentei a questão religiosa da coisa ao pensar nos pecadinhos do Elias que ele escondeu de si mesmo. Poderia ter sido qualquer outro pecado, mas foi o de esconder um aborto e seguir a vida sem se importar com a mãe da criança, foi o que pensei. Se tivesse mais um dia para postar, talvez tivesse mudado essa parte. Talvez. A questão de desmentir o fato de ele ter se infectado com uma mulher e sim com um homossexual, também não teve nada a ver com preconceito aos que possam ter pensado dessa forma, apenas coloquei por outro parâmetro a coisa, isso vem de uma insatisfação minha de grande parte da literatura brasileira ainda ter aquela visão meio que fechada, apenas homem-mulher, parece que não existem deficientes, parece que só existem brancos, vez em quando um negro (que geralmente não é o principal, ou se é, veja em qual condição social ele aparece), então ok, quanto a isso eu assumo uma vontade de ver esses paradigmas cada vez mais deixados de lado, e sempre que possível farei isso, apenas porque gosto de me pautar na vida real, principalmente, mesmo trabalhando com um texto de temática fantástica.

    Confesso que minhas personagens, os dois anjos, são meus queridinhos. Aí já imaginei a Punição daquele jeito, então já viu. Para finalizar, achei que você assumiu um discurso meio que derrotista com relação a quem é soropositivo. Você não especificou a época, mas hoje em dia, já há algum tempo até, ninguém precisa morrer de AIDS se não quiser, se se cuidar, se tiver acesso à medicação. Achei que o drama ficou muito extenso na primeira parte, enfim… Mais uma vez, peço que me desculpe se “viajei demais” na segunda parte. E aprendi a lição: nunca mais faço isso, de completar o texto dos outros (o que afinal parece que nem acabei fazendo, pois minha história ficou como algo à parte… Ou não?). Foi uma experiência para nunca mais, rs.Desafiadora demais, mas também incômoda demais. Um grande abraço e boa sorte com suas escritas! 😉

  21. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: uma breve revisão seria bem-vinda (especialmente ao começo) para corrigir deslizes como “SE olha que sou até bom, naquilo que faço.”. A técnica melhora no decorrer da história, mas a temática não me foi muito cativante.
    Criatividade: achei o complemento especialmente criativo. Os diálogos geralmente tornam o conto mais dinâmico, interessante mesmo. Foi este o caso, em minha opinião, passei a me interessar mais quando Azrael apareceu e desconstruiu o monólogo póstumo que vinha sendo feito.
    Unidade: não foram duas partes exatamente inseparáveis, indistinguíveis, mas complementaram-se de forma razoável. Como disse, a segunda parte é mais uma desconstrução da primeira que um complemento, mas o conjunto da obra ficou legal.
    Parabéns e boa sorte!

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Wender, obrigada pelo comentário. Realmente não foi fácil continuar o texto da Renata. Acabei indo por outro rumo, a intenção não era desconstruir, mas tentar fazer a coisa do meu jeito, por não conseguir continuar do jeito da Renata. Abraço!

  22. mariasantino1
    12 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Apreciei a quebra, porque senti que a técnica ainda precisa ser lapidada, claro, posso estar enganada, mas o texto cheio de rimas e construções ficou meio forçado, sabe? Como se quisesse a todo tempo soar bonito a todo custo e não com naturalidade. Encontrei algumas construções bem inspiradas como: Me arrebento e todo aquele “aos poucos”, é de uma vez” e “Os meus lugares agora são vastos e tantos e hoje, mais vivo, percebo, sou o meu melhor lugar.”. Então, o conto começa com um ritmo lento,incrementando sensações e sentimentos que, particularmente me agradam, mas a técnica faz a fluidez truncar, não permite que se entre por inteiro na vibe, e o resultado é que ficamos (eu fiquei) meio-a-meio. A complementação foi boa porque quebrou o ritmo e acrescentou o inesperado. O personagem foi mantido (e isso é importante) e houve humor.

    Então, em resumo, o conto ficou interessante com a complementação, mas não conseguiu se destacar entre os demais.

    Boa sorte no desafio.

    Sucesso!

    Nota: 7

  23. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    É, classifico o conto como “diferente”, Rs’ Acho q teve umas divagações confusas no ínicio, não consegui captar a que o personagem estava se referindo, se é q se referia a alguma coisa. Poderia ter explorado mais o sofrimento gerado pela doença, talvez ter dito algo sobre preconceito, ou dificuldades em fazer as coisas, não sei. Achei legal no fim que não foi uma mulher q passou a doença, kk’ E na parte final, com a Puniel, vemos que realmente o autor(a) se deixou levar pela imaginação, o que achei bastante interessante, um ponto positivo. Um ponto negativo, foi o momento em que reencontrou a ex-namorada no balcão e ela descrita como gorda, não mais a mesma que os rapazes cobiçavam, não sei, achei um pouco incomodo essa associação de obesidade a feiúra e desinteresse de outras pessoas. Enfim, o conto começou de um jeito, e terminou de outro totalmente diferente. Ia em linha reta até de repente virar pra esquerda, pra direita, entrar em um túnel e sair numa ponte. Mas, curiosamente, não ficou algo incoerente, ou incabível, a mudança de rumos do conto foi bem direcionada, de forma que quase não foi sentida durante a leitura. Parabéns

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Bruna, obrigada por seus apontamentos. A parte da ex-namorada ser gorda não foi intencional, foi só porque geralmente quando encontramos alguém que há muito tempo não vemos ela parece sempre ter aumentado de peso, ao menos isso aconteceu comigo mais de uma vez… O mundo está ficando mais gordo a cada época devido à indústria da alimentação fast food e eu me incluo nisso, pois até o início de 2015 estava 50 kg acima do meu peso e agora ainda me faltam 23 kg a reduzir para que eu não me considere mais obesa, e sei bem como as pessoas realmente relacionam gordura a feiura na maioria das vezes, enfim, não foi mesmo intencional. Mais uma vez, obrigada por seu comentário!

  24. Marco Aurélio Saraiva
    12 de agosto de 2016

    Gostei! Dois autores com estilos e ideias completamente diferentes, mas que se complementaram de forma perfeita!

    A primeira metade é poética, com uma leitura quase musical. Uma história triste – um lamento. A segunda metade pula para o sarcasmo e a contemplação. Ambas dão o que pensar, e ambas são muito bem escritas! Leitura envolvente, inicialmente divagatória mas então focada numa narrativa linear e intrigante. Gostei das construções e das rimas do primeiro autor, assim como gostei da experiência e segurança do segundo. O resultado foi muito bom.

    Uma dupla e tanto. Parabéns!

  25. Evandro Furtado
    12 de agosto de 2016

    Complemento – mesmo nível

    Nós temos dois contos, completamente diferentes em tom e trama. O primeiro, mais intimista e sério, carrega um peso poético interessante, mas a trama deixa a desejar. O segundo opta pela sátira, jogando inclusive com dados apresentados na primeira parte. Sinceramente, a diferença não me incomodou nesse conto, particularmente. Creio que o problema foi que nas duas partes ficou faltando algo, o que deixou o texto meio sem sal.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Uma pena mesmo, Evandro. Não foi uma tarefa fácil, cheguei até a consultar o Gustavo sobre se poderia modificar voz narrativa etc… e sabia que isso era um risco enorme, mas expliquei em um post aqui tudo o que me passou pela cabeça. Quanto a faltar algo, pode ser, ainda havia espaço pra mais coisa, pra tentar colocar um sal, mas… Com relação à minha parte, certamente falhei em várias coisas.

  26. Um relato pós morte, cujo ápice mostra o narrador livre da dor, embora não da culpa, a primeira parte do conto é toda conduzida pela primeira pessoa.

    Já a segunda parte, embora abra um a porta para uma nova premissa, mostrando que nem sempre somos tão inocentes dentro de nossas histórias, como imaginamos ser (o que mais me agrada nessa parte), se perde um pouco no foco de ponto de vista, ao conduzir a narrativa, em certos momentos, na primeira e em outros, na terceira pessoa.

    Parabenizo os participantes.

  27. Amanda Gomez
    8 de agosto de 2016

    Ah, eu sei, imagino que seguir a narrativa seria muito difícil mesmo, mas achei uma pena a segunda ponta deste conto não ter conseguido. Pelo menos pra mim, a mudança de ritmo foi abrupta, precisei parar um pouco e entender que a partir daquele ponto as coisas mudariam.

    Só não achei que mudaria tanto, não só a escrita mas a desconstrução do que foi contado inicialmente. Foi quase como usar o ‘’ sonho’’ para subverter e ficar mais confortável.

    Veja bem, eu gostei da continuação, a narrativa foi igualmente agradável e trouxe alguns elementos bem interessantes, mas achei, pelo menos enquanto escrevo esse comentário que a continuação desmereceu um pouco o início.

    Indo do princípio, o começo da leitura ‘poética’’ e rebuscada deu uma certa dificuldade em pegar o ritmo, uma vez feito isso, se tornou muito agradável e tirou a monotonia que as vezes, são as vozes dos personagens. Uma narrativa ritmada que faz você usar vários tons de ‘’ voz’’ enquanto lê.

    A melancolia da história contada é muito bonita, ache tudo muito bem feito, e fui pega de surpresa ao constatar que o autor jazia morto fazia tempo. Os motivos que levaram a tal fim, também foi bem consistentes. A cena em que fala da esposa, que hora pede por sua alma, hora lhe xinga, foi muito real…. Transparente. Me senti na pele do personagem.

    A segunda parte e bem competente, mesmo com as ressalvas citadas acima, eu não sei o que faria se fosse eu a pegar conto, provavelmente não teria conseguido fazer algo tão bacana.

    O Que me incomodou um tanto, foi a necessidade que autor teve de desconstruir o que já estava certo,’ mudar’’ a sexualidade do professor…. Que acabou que não era professor era só um pobre coitado que teve uma vida sem graça e tudo mais… Pq? Por que ele não podia ser um professor de geografia, com uma vida pacata que cometeu um grande erro na vida? Não precisava!

    O anjo da punição foi uma boa sacada… o uso do misticismo, como sentir os prazeres humano ao sugar a energia dos vivos, também.

    Adorei o conto, foi um pouco prejudicado na continuação, na minha humilde opinião, mas como já disse, foi competente, diante do tamanho do desafio que deve ter sido continua-lo.

    Parabéns, Parabéns!

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Amanda, você tem razão, foi mesmo uma pena eu não ter conseguido continuar o conto no mesmo ritmo da Renata. E concordo com você também com relação meio que a ser um “recurso do sonho”, meio torto… Eu quase usei o recurso do sonho, mas sei lá, desisti, achei que ficaria artificial demais por conta do tom da narrativa em primeira pessoa.

      “O Que me incomodou um tanto, foi a necessidade que autor teve de desconstruir o que já estava certo,’ mudar’’ a sexualidade do professor…. Que acabou que não era professor era só um pobre coitado que teve uma vida sem graça e tudo mais… Pq? Por que ele não podia ser um professor de geografia, com uma vida pacata que cometeu um grande erro na vida? Não precisava!” – Não precisava, eu sei, mas não foi uma necessidade de desconstruir, foi apenas a ideia que me ocorreu. E por alguns dias fiquei tentando tomar outro rumo, mas infelizmente falhei, desculpe. Obrigada por seu comentário sincero.

  28. Thomás Bertozzi
    8 de agosto de 2016

    Muito bom! A trama dá uma guinada quando (suponho eu ) entra o segundo autor.
    Sai de um tom melancólico e intimista para uma algo mais movimentado.

    A marcação entre autor e coautor é bem definida, mas achei que os textos se complementaram bem e são, ambos, muito envolventes, gostosos de ler.

    OBS: a perspectiva da morte iminente tem sido muito abordada neste desafio…

  29. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    Eu achei a segunda parte mais “sacada” que a primeira, porque eu achei mais bem construída (mas que sou para falar de construção.) e por estar com um toque mais engraçado que o primeiro, jamais tirando o mérito ou desconsiderando a primeira.
    Abração amigos

  30. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Livre! (Marjorie Ribeiro)
    CA: Um desenvolvimento bem diferente, pendendo para a prosa poética em várias partes. Um texto bastante intimista, apesar de toques de fantasia urbana (ao final). É bem melancólico, e isso me agradou. – 9,0
    MAR: Possui uma leitura um pouco travada, com rimas suaves aqui e ali que, felizmente, combinaram com o teor e atmosfera em geral. A história em si é bem contada, através dos olhos do próprio protagonista. – 8,5
    GO: Um estilo levemente desconhecido (ou alguém se camuflou?). Se for um autor novo, ganha pontos pela ousadia. É quase uma crônica, triste e profunda. Ainda assim, as divisões “espalhadas” me incomodaram um pouco. – 8,0
    [8,5]

    JUN: Uma inversão de papeis bem interessante (mais pro final). Manteve o mesmo estilo e ainda aplicou uma dose de ironia certeira. – 8,5
    I: Enredo bem construído, com pé no fantástico, mais reflexivo. O tom mudou um pouquinho na segunda parte, mas não foi tão gritante a ponto de desconectar o contexto. A resolução escolhida fugiu do lugar comum, e isso conta pontos. – 8,0
    OR: História simples, mas com várias camadas distribuídas. Começa poético, passa para o cotidiano e se transforma em fantástico. O texto possui muitas nuances e causa emoções diversas. – 8,5
    [8,3]

    Final: 8,4

  31. Davenir Viganon
    5 de agosto de 2016

    Olá. O autor que começou a estória deu uma de fominha e conduziu a bola até a pequena área e finalizou a jogada. Fez um bonito gol, ou seja, o conto se fechou e foi bem bacana. O problema é que o continuador ficou com um pepino de, no mínimo, 1000 palavras para resolver. Basicamente só restava ao continuador contar a viagem pós-morte do Elias. Eu não quero começar nenhuma treta ( ͡° ͜ʖ ͡°) mas acho que o continuador quis se vingar do primeiro e descontou no Elias. Consequência: o Elias ficou como um hipócrita, pois era um gay enrustido e estava mentindo. Enfim, eu até estava gostando do passeio espírita mas o discurso contra o aborto não me desceu. A impressão geral que fiquei é que os dois autores não se entenderam bem.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      De maneira alguma foi vingança. Apenas não sabia o que fazer com um narrador-personagem morto. Foi muito medo de ter que escrever um conto que classificassem como “espírita”, ou outra versão de “Ghost, do outro lado da vida”. E até pensar como faria isso demorou bastante… A questão do aborto de forma alguma foi um discurso contra, apenas foi um caminho que segui, e eu lá sei se a vida pós morte pune alguém por causa de aborto? Na doutrina espírita, a qual sigo, sim, há uma consequência para quem faz/provoca aborto, mas aqui era um texto de ficção. Eu fiquei chateada comigo mesma por não ter feito uma continuação mais de acordo com a primeira parte, mas ainda bem que a Renata foi super compreensiva.

  32. Anorkinda Neide
    5 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Texto limpo, claro, mas que não empolga. Não entendi porque os parágrafos são pequenos, acabou fazendo muitas pausas na leitura.
    .
    Comentário segunda fase:
    Trouxe alguma ação e diálogos, isso foi bom. Anjos totalmente fora dos padrões que colocou um fim até justo para o personagem chato.
    .
    União dos textos:
    Ficou bem diferenciada uma parte da outra, o começo, devaneios de um fantasma e depois verdades são reveladas, uma filha abortada aparece e o pune. Não ficou boa a fusão, embora entenda que a segunda parte ficou boa, nao entrou no ritmo da primeira.
    Boa sorte aos autores
    Abração

  33. Fabio Baptista
    4 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Livre!

    TÉCNICA: * * * *

    Muito boa, nas duas partes.
    A primeira, mais poética, agradável, apesar de escorregar vez ou outra no excesso de rebuscamento.
    A segunda, mais fluída, inserindo bem o cenário quase de terror.

    – SE olha
    >>> sobrou um S

    – porque ter um lugar para chamar de seu, é um baita de um luxo
    – e eu caminho pela rua, com olhos de adeus
    >>> gostei bastante dessas frases

    – ininterruptamente na minha mente
    >>> esse mente/mente não ficou legal

    ATENÇÃO: * * * *
    Conseguiu prender minha atenção durante todo o texto, primeiro pelo tema pesado (HIV), depois pela inserção dos elementos fantásticos.

    TRAMA: * * * *
    Gostei dos assuntos abordados, da ambientação da caracterização do personagem e das dúvidas inseridas depois, sobre o que ele havia falado sobre si mesmo.
    A mudança de clima, de um cotidiano dramático para um terror psicológico, também me agradou, pela surpresa.

    Só a parte em que ele se revela já morto que foi muito abrupta e não me desceu legal.

    UNIDADE: * * * *
    É possível ver a troca de autores, principalmente pela mudança de 1º para 3º pessoa.
    Mas a unidade do conto é preservada e o complemento vai além dos caminhos mais óbvios que poderiam ser seguidos.

    NOTA FINAL: 8

  34. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Um belo exemplo de como o segundo autor consertou tudo. Nao que a primeira parte nâo tenha valor, mas ela seguia num ritmo enfadonho, a choradeira de sempre, com destsque p algumas passagens boas. .. mas aí apareceu o complemento e salvou o conto com destreza e criatividade fantasticas. Seria interessante saber como o autor original cimplementaria seu texto . Em todo caso, um texto inspirador. Parabens aos autores.

    • Bia Machado
      20 de agosto de 2016

      Oi, Olisomar, acho que exagerei, tentando outro rumo. Ainda bem que a Renata, autora do conto, compreendeu. Obrigada pelo comentário!

  35. Gilson Raimundo
    1 de agosto de 2016

    Um monologo dramático e sem atrativos na primeira parte, o segundo auto da uma dinâmica ao texto que parecia fechado, ficou bom a história do Pierot, parabéns segundo autor por alavancar este conto, o castigo vem na dose certa, o anjo da punição ficou um pouco forçado pois parece que o limite do conto chegava ao fim, faltou um pouco o desenvolvimento desta parte, mas vc segundo autor, deu brilho a chama do Elias moribundo.

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Publicado às 12 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .