EntreContos

Literatura que desafia.

… (Paula Giannini e Matheus Pacheco)

2016-07-08 14.20.06

Gostava assim… olhar o mar e não pensar em nada.

Era ali que eu me sentia plena. Sentada na pedra, ouvindo o quebrar das ondas contra as rochas. A cada batida mais próximo… mais alto, mais forte… E era preciso estar atenta para que a maré não subisse e eu ficasse ali, ilhada no rochedo.

Adrenalina.

Ressaca.

Eu gostava assim…

Contrariando o pai que me aconselhara a jamais subir ali, desde que um menino, sentado naquele mesmo lugar, olhando o horizonte, desaparecera engolido pela súbita lambida das águas. O rapaz nunca mais foi encontrado. Mas seu espírito, rezavam lendas, costumava aparecer, difuso, em noites de arrebentação.

Mas ainda era cedo. E a brisa polar em ensolarados dias de inverno era a minha preferida. Cortando a pele, como a maresia que lentamente corrói tudo que do mar se aproxima. E eu me deixava ficar assim, como se a vida fosse feita daquele momento único.

Singular.

Não raro a surpresa me trazia um presente. Boiando entre a espuma, objetos emergiam e submergiam, ao gosto do vai vem das marolas. Eu costumava lançar um olhar furtivo à praia, antes de mergulhar.

A curiosidade pela história por trás do “entulho” trazido pelo mar, me levava a mergulhos cada dia mais longos e profundos. E ao submergir, eu não ousava mirar a terra com medo de ser surpreendida pelos olhos amendoados de meu pai, sempre zelosos e preocupados. Meu tesouro eram conchas, latinhas, sacos plástico enrolados em linha de pescador…

Uma garrafa!

Intacta. Conservada como se nada ou muito pouco, houvesse sido beijada pelo sal dos mares.

Translúcida a ponto de dentro dela se poder ler com clareza.

“Meu nome é Neide. Eu existo e estou aqui, hoje e agora.”

Confusa com a simplicidade do recado, retirei o bilhete convulsionada por um choro que me tomou inesperado e súbito. Que mistério do universo lançara aquela garrafa a meus pés? Que dor ou sublime prazer levaram aquela mulher a escrever o bilhete lançado ao oceano? Quem era Neide? Jovem? Idosa? Apaixonada? Seria ela noiva? Casada? Tivera filhos? Ou vivera solitária, amargando a passagem de cada uma de suas horas? Seria ela Feliz?

Quem?

Estremeci em sobressalto, nem tanto pela caligrafia da desconhecida, estranhamente familiar, mas por só então perceber que tinha companhia.

– Tudo bem?

Encarei o rapaz igualmente estranho e ainda mais familiar que a letra de Neide. De onde surgira? Há quanto tempo estivera ali, me roubando a intimidade?

Sim, estava. Tudo estava bem. Eu só chorava por… Eu não saberia dizer ao certo. As vezes era assim, as palavras me faltavam e eu me perdia na busca de um sentido para… Não sabia o que estava dizendo.

– É uma bela filosofia! – O rapaz sorriu sacudindo O bilhete da garrafa. – Viver o aqui. O agora. A única coisa que importa é esse instante singular.

Neide certamente ficaria feliz em saber que seu pequeno desabafo cumprira seu objetivo, chegando em terra, ainda que já não tão firme. A maré subira muito e só agora eu havia me dado conta disso. Por quanto tempo eu estivera lá?

– Já é noite…

Olhei ao redor a fim de avistar o porto seguro amendoado de meu pai. Tudo, no entanto, parecia diferente. E minha casa iluminada já não era a única da praia da enseada.

Como isso poderia ser possível? Talvez eu delirasse, marejada pela insolação.

– Esqueci meu chapéu de palha no parapeito da minha varanda. – Apontei. Meu pai não estava lá. Tampouco a janela parecia ser a mesma.

Pânico.

Adrenalina.

Senti a água já na altura dos tornozelos.

– Isso não vai ser problema. – Eu costumava ser uma exímia nadadora.

Ou não…

Por algum motivo, me ocorria agora que, talvez, o rapaz ao meu lado fosse o espectro do menino afogado naquele mesmo mar. Talvez eu também houvesse desaparecido nas águas sem que me desse conta disso.

Desespero.

A imagem de meu pai pranteando a filha cuja vida fora colhida tão cedo, me doía sobremaneira. Ao contrário de Neide, eu jamais teria uma vida plena. Jamais me tornaria uma idosa… jamais apaixonada, noiva, casada, mulher. Nunca mais a brisa polar em meu rosto tomado pelo sol. Ou a surpresa de brinquedos misteriosos trazidos pelo mar.

Jamais voltaria a ver meu pai.

Não… eu nunca poderia me apaixonar por um jovem chamado Agnaldo. Tampouco iria conhecer o sorriso de Ulisses. O doce filho de Neide, com seus olhos amendoados e quase tão cheios de amor quanto os da difusa visão do afogado dos rochedos, materializado bem a minha frente.

– E então? Vamos lançar a garrafa ao mar, ou não?

O rapaz que agora segurava minhas mãos não era difuso como as lendas costumavam descrever. E ouvia, paciente, as elucubrações sobre a terrível história que eu acabara de criar.

O mar estava de ressaca.

E eu gostava assim.

– Vamos, dona Neide? Já jogamos essa garrafa mais de cinco vezes. Parece que o oceano não pretende engolir a sua história. Hoje não!

Submergi.

E por um instante singular voltei a ser eu mesma. Eu era Neide. E descia o rochedo amparada pelas mãos de Ulisses. Não o fantasma dos rochedos, mas meu filho. A cada dia mais parecido com o avô.

– Quantos anos eu tenho?

– Setenta e quatro.

Minhas próprias mãos não o deixavam mentir.

– Quer ficar mais um pouco? Olhar o mar e não pensar em nada?

Eu gostava assim.

E ele sabia que esse instante seria ainda mais breve que da última vez. Meus frequentes mergulhos eram mais profundos e obscuros a cada dia. E a cada submersão, eu retornava paradoxalmente mais jovem.

Eu havia me transformado em um espectro de mim mesma.

Mas não havia tempo para me lamentar. O melhor a se fazer era viver o aqui e agora. Esse instante singular, bem ao lado de meu filho.

Sorri admirando alguns frios prateados que já começavam a surgir em suas têmporas. O vento polar não parava de cantar. E como era belo. Suspirei. E tudo que consegui dizer foi…

– Papai?

Alzheimer

Papai olhou para mim novamente, sorrindo, com o cansaço evidente no rosto e os olhos vermelhos como se estivesse prestes a chorar.

—Papai… Está tudo bem?

Ele tirou o casaco, o colocou sobre meus ombros e beijou minha testa levemente com os lábios gélidos e úmidos.

—Claro que sim… que tal nós entrarmos agora?

Não queria entrar, eu gostava do frio, gostava de ver as ondas quebrando na areia e o céu estrelado que começava a se destacar tirando o lugar da escuridão, adorava imaginar os pequenos pontinhos brancos como anjos no céu do inverno glacial que estava a vir.

—Vamos entrar, já está tarde e a mamãe já deve ter feito o jantar…

Sorri para ele, me levantei e ajeitei minha roupa, não trocaria a comida da mamãe por nada nesse mundo.

Mas logo percebi uma coisa estranha em minha mão, uma garrafa de vidro com um pequeno papel enrolado dentro, curiosa, eu tirei o bilhetinho e vi que estava assinado por uma mulher com o mesmo nome que o meu.

Larguei a mão de papai e comecei a ler aquele pedaço de papel estranhamente me lançou para uma nova realidade, a realidade de ver minha vida chorando em minha frente e não poder fazer nada, de sentir um fio de impotência explodir em uma cascata colossal de ignorância a minha situação.

Sorri para ele levemente, tão leve que ele nem sequer percebeu, só consegui faze-lo se virar para mim quando finalmente falei:

—Meu filho, nunca mais quero ver outra lágrima sua.

Delicadamente passei minha mão, que deveria estar fria, por todo limite do rosto dele, limpei a sua única lágrima escorrida e dei-lhe um beijo em sua bochecha como quando criança.

Ele pegou em minha mão e a afastou de seu rosto, me levou para dentro da casa, ao entrarmos o ar gelado foi imediatamente substituído pelo ar quente e o cheiro úmido do inverno invertido para o cheiro da carne assada de mamãe.

Sentei no antigo sofá, que parecia estar mais macio e afofado que antes, e esperei sentada e sozinha até ouvir leves passos caminhando da cozinha até minha direção.

Da entrada do corredor vi mamãe entrar, carregando um prato com um vapor tão agradável que parecia dançar livremente sobre o arroz branco e carne cozida.

Coisa muito estranha eu ainda não ver meu pai, por outro lado havia um homem desconhecido sentado na poltrona ao meu lado, parecendo já estar familiarizado com o ambiente.

Mamãe sentou ao me lado e imediatamente me encolhi para perto dela, o homem me observou evidenciando sua preocupação.

Ele se levantou vagarosamente, tirou o telefone do gancho e partiu para o corredor.

Esperei ele sair da sala e perguntei baixinho para minha mãe:

–Mãe… Aquele homem… ele é amigo o papai?

Ela me olhou triste, pegou uma das almofadas e a colocou em meu colo e em seguida colocou o prato sobre a almofada delicadamente, ela então se levantou, passou pela mesma porta do desconhecido .

Aproveitei a solidão e ataquei o prato quentinho, mas depois de pouco tempo uma desconhecida entrou e se sentou ao meu lado, não achei estranho, pois mamãe sempre trazia suas amigas para a casa.

Um pouco envergonhada por estar sozinha com a desconhecida, comecei a me distanciar dela até me sentar na borda do sofá, tentando manter uma distancia que não fosse incomoda para mim.

Quando cheguei ao limite do sofá, meu prato escorregou de meu colo, caiu e espalhou o resto da comida junto com os cacos do vidro.

O som estridente me fez gritar, a desconhecida rapidamente se levantou, olhou para mim novamente, parecendo procurar algum machucado, e correu para a porta da cozinha.

Segundos depois que gritei um homem chegou do corredor com o rosto avermelhado evidenciando a preocupação.

—Você está bem, o que foi que quebrou?

A estranha retornou da cozinha com uma vassoura, afastou meus pés descalços de perto dos cacos e começou a varre-los em direção a mesma porta.

Foi então que realizei, estava na casa de desconhecidos, que de alguma maneira me sequestraram.

Aproveitando a distração com o prato e sentindo um desespero fatal corri o mais rápido possível para fora, senti o ar frio cortar meu rosto e de alguma maneira o vento gélido deve ter amortecido minhas articulações, pois não conseguia correr com o mesmo vigor de uma semana atrás.

Passei pela praia, quase me hipnotizei com a paisagem da noite estrelada e as ondas que quando quebravam produziam a mais bela musica nunca escutei.

Corri até meus pés doerem, cai entre os pedregulhos e ralei meu joelho, mas quando olhei para ele, parecia não ser meu, ele estava enrugado, parecendo o de uma velha, assim como minhas mãos.

—Dona Inês, finalmente a senhora parou de correr, por favor, venha comigo, está tarde e frio para você estar aqui fora…

Passei a mão em meu rosto e senti todas as marcas da idade, passei a mão sobre minha barriga e senti que estava muito mais magra, então passei novamente a mão sobre meu rosto para enxugar as lágrimas.

—Você não é meu filho…é?

—Não… você deve ter se confundido de novo, mas eu liguei para ele, ele daqui a pouco irá chegar… Só que a senhora precisa voltar comigo agora…

—Mas… como eu posso saber disso, eu nem sei que você?

—Eu sou amigo do seu filho se lembra? Eu sou o seu…“cuidador”.

De repente tudo me fez sentido, me jogando a real visão que transcendeu meu mundo, relembrei de toda essa longa noite, lembrei-me de meu desespero no final da tarde, de pensar que tudo que acontecia era uma falsa realidade, das duas vezes que reli a carte que eu escrevi, e de todos os outros eventos até chegar aqui.

Me ajoelhei no cascalho, minha atual situação não me fez ligar para a dor de meus joelhos serem esfolados ,  e uma única palavra veio a minha cabeça… “Alzheimer”.

O homem andou até onde estava, colocou a mãos sobre meus ombros e delicadamente me levantou, ele enganchou meu braço no dele e vagarosamente caminhamos até a casa.

Passamos pela bela paisagem que duas vezes nessa noite a contemplei de maneiras diferentes, o vento continuava a cortar e o os anjos pálidos do céu continuavam a brilhar cada vez mais forte.

Na frente da casa estava parado um carro, dentro desse carro havia um homem, que imediatamente reconheci, me desenganchei do cuidador e corri o mais rápido que pude até o carro.

O homem me viu correndo, saiu do carro e foi a meu encontro, ele me abraçou forte e a única pessoa que pude reconhecer com aquelas feições era meu avô.

 

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77 comentários em “… (Paula Giannini e Matheus Pacheco)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Gostei muito do conto. Também já escrevi sobre Alzheimer e sobre os momentos que cercam os últimos anos de vida das pessoas. É um tema universal e, por isso mesmo, fascinante. No entanto, é também um assunto difícil e que, se não for bem abordado, resulta numa narrativa piegas. Felizmente não foi o caso aqui. Creio que os autores realizaram um bom trabalho, com destaque para a primeira parte. A todo tempo me lembrei do excelente livro “Mortais”, do Atul Gawande, e da eterna luta do ser humano contra a própria mortalidade; o paradoxo de saber que exatamente essa finitude que nos torna humanos; que o fim não coincide necessariamente com a morte, mas pode vir com alguma doença; e o apego irrefreável que nutrimos pelo passado.
    Enfim, uma narrativa bela e, no conjunto, bastante competente, ainda que com certos lapsos de revisão.

    • Ana Paula Giannini Rydlewski
      21 de agosto de 2016

      Oi, Gustavo! Foi um prazer participar. A finitude é tópico recorrente em meu trabalho, obrigada pela sensibilidade. Beijão.

  2. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Mais um conto que trabalha elementos de confusão mental. Alzheimer. Visões. E um personagem perdido nesse drama. Confesso que aqui senti falta de ligações entre a primeira parte a segunda. De positivo, posso dizer que todos os meus avôs e avós sofreram com alzheimer, e por isso algumas cenas tocaram.

    • Querido Pedro,
      Obrigada por ler. Não posso dizer, que bom que se identificou. Mas a identificação é, de alguma forma, uma das buscas de quem escreve.
      Beijão

  3. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Achei a ideia bastante interessante. Sempre me sinto conquistado por mensagens dentro de garrafas. Foi divertido ler as coisas por uma perspectiva de alguém que tem alzheimer, que, aliás, foi uma revelação surpreendente na metade do texto.

    A primeira parte mantém todo um clima de mistério. A segunda parte tenta explicar essas pontas soltas, mas de forma convincente.

    Os autores se relacionaram muito bem, a escrita ficou agradável, e a ideia muito criativa.

  4. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    O estilo é muito bom, e mistura a prosa com poemas em prosa. Muito bem apresentado, ficou muito agradável de ler. O início me pareceu enveredar pela fantasia, pareceu-me que a intenção do autor era essa. A segunda parte é algo distinta da primeira, mas conseguiu contornar bem possíveis divergências no enredo e da um novo rumo à trama, o Alzheimer. De qualquer forma, o conto ficou bom em sua integralidade, mesmo que a finalização não tenha sido a intenção inicial do autor.

    • Querido Wilson,
      Boa noite. Obrigada pelo carinho em sua avaliação. Fiquei muito feliz com sua análise, principalmente, se tratando de quem escreveu um dos textos que mais gostei por aqui! Parabéns.
      Sobre a ideia da fantasia… Ao desenvolver o texto, pensei que o leitor imaginaria justamente isso. O que daria uma ajuda na confusão mental da personagem, sem cair no clichê. Quis caminhar com o conto aos poucos, em direção ao entendimento de que se tratava da doença. A palavra Alzheimer, no meio, é minha. A ideia era colocar o título no final da primeira narrativa. 😉

  5. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Meus parabéns pelo conto que vocês apresentaram nesse desafio. De início eu não entendi direito, fui lendo e me mantive firme. De repente, tudo fez sentido e eu senti uma compaixão muito grande pela personagem principal. É uma realidade muito triste e que atormenta milhares de pessoas no mundo. Ver isso sendo retratado em contos, filmes e livros é um sinal de que mais e mais pessoas estão sofrendo com essa doença. Achei a escolha do tema muito boa para o desafio.
    Confesso que o início da segunda parte me deixou meio confuso. Primeiro achei que era um menino, depois vi que era a mesma personagem da primeira parte, mas vivenciando um novo “episódio” de esquecimento/lembrança de quem era, de onde estava e de quem estava a seu redor.
    Gostei do conto, achei que as duas partes se complementaram bem, mas fiquei na dúvida se se tratam de duas histórias independentes que foram colocadas juntas ou se uma é tudo uma coisa só.
    De qualquer modo, achei um bom texto e dou meus parabéns a ambos os autores!

    • Obrigada, Thiago, por sua avaliação. A sensação de compaixão pela personagem é sinal de que o escritor consegue, de alguma forma, tocar o leitor. 😉 Fico feliz com o resultado.
      Beijão

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a memória e o esquecimento são a tônica dessa história, muito bem construída a quatro mãos pelos autores.
    INTEGRAÇÃO: junção muito bem encaixada entre as duas partes. Somente a questão de apresentar a situação como Alzheimer é que, a meu ver, era desnecessária. Se substituísse isso por “esquecimento”, sem qualificar qual a moléstia, o efeito seria o mesmo.
    CONCLUSÃO: uma boa história compartilhada conosco e entre os autores. Parabéns.

  7. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    gostei muito deste conto, muitos parabéns. Eu gosto muito de me sentar numa pedra e sentir o mar subir, e procurar coisas perdidas… mas não foi por isso que gostei do conto, mas sim por não conseguir parar de o ler até chegar ao fim. Gostei mais do início que da segunda parte, perdeu um pouco da… poesia (?). Os dois autores conseguiram-me fazer sentir o ambiente do mar e o enredo é muito envolvente. Ultima nota para deixar um parabéns especial pelo titulo apresentado, espero que acabem no pódio

  8. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Olá,

    Mais uma continuação trilhada com a mesma ‘’pegada’.. Nota-se harmonia entre as ideias. Terceiro texto sobre Alzheimer, eu acho, que leio por aqui. Quem começou este, provavelmente continuou um outro que já li.

    Achei bonito as passagens, e aforma como descreveram esse drama, de uma forma poética e sutil. Mostrando como as pessoas que sofrem desse problemas, tem memórias nítidas do passado, e vazias do futuro. Como deve ser claustrofóbico viver desta forma, sem a segurança de suas próprias lembranças. Sem saber o tempo que está, e o que perdeu.

    Confesso que devo ter me perdido em alguns momento na questão de quem é quem, e o que é real ou faz parte da confusão mental da personagem, e isso foi muito satisfatório, me fez ter uma ligação com ela… do tipo de não saber mesmo, quem é filho, pai avô. Interessante.

    O conto é introdutório, se passa basicamente em uma rotina que a senhora vive todos os dias, uma ciclo vicioso, ficou bem nítido… A escrita está boa, e a emenda é quase imperceptível. Gosto assim …

    Parabéns a dupla, um bom conto.

  9. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Emocionante, de extrema sensibilidade, tocante. Realmente viajei nas linhas e entrelinhas de …Ela, os autores estão de parabéns mil vezes.
    Fui às lágrimas, aqui.
    “…os anjos pálidos do céu continuavam a brilhar cada vez mais forte.”
    Nota 10

    • Oi, Renata, que bom que gostou. Uma boa história deve emocionar, e se emocionou é porque a missão foi, de alguma forma cumprida. Obrigada por ler e comentar. Beijão.

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    A história começou bem legal, bem interessante. Foi criado um clima legal, confuso na medida certa, deixou algumas questões no ar e reviravoltas interessantes.
    Porém, achei que a segunda parte não continuou tão bem. Abordou legal a questão do Alzheimer, mas acho que o texto se perdeu um pouco e acabou ficando confuso demais. Talvez por ter erros gramaticais e de pontuação em excesso, tenha criado essa confusão e atrapalhado um pouco. Acho importante o segundo autor dar uma conferida na parte gramatical, vai valorizar mais seus textos.
    Resumindo, em geral, a história tá boa, mas acabou decaindo um pouco e se perdendo, o que acabou atrapalhando bastante.

    • Oi, Luis Guilherme, sou autora da primeira parte. Obrigada por ler e comentar. Os toques são super importantes para o aperfeiçoamento dos autores. Beijos 😉

    • Matheus Pacheco
      22 de agosto de 2016

      Cara, eu vou implorar o perdão Paula para toda minha eternidade, você não ideia cara, eu fiquei na ideia de fazer uma coisa coisa profunda igual a primeira, mas saiu essa “coisa” confusa, e eu tentei cara, eu tentei, eu travei uma guerra gigantesca com o meu teclado e mesmo assim não me adequei.

      • Matheus, querido. Imagine, pedir perdão… Você é talentosíssimo e o desafio, por mais que todo mundo queira ganhar, é lindo, mas é uma brincadeira entre amigos, não é? Obrigada por brincar comigo! Você é 10.

  11. Bia Machado
    18 de agosto de 2016

    Gostei mais da primeira parte, parece que o segundo autor não conseguiu acompanhar, deixando pra mim a sensação de que faltou algo. Ainda assim, foi bom ler algo sobre essa temática, e a primeira parte tratou tudo com um tom bem poético. Chegou a me lembrar o livro “Para sempre Alice”, depois também vi a adaptação feita para o cinema. E a primeira parte, principalmente, me trouxe
    a lembrança da narrativa sobre essa doença. Só acho que a palavra “Alzheimer” não deveria ter sido mencionada. Quebra um pouco a sensação de surpresa de um leitor que de repente esteja em dúvida sobre o que está acontecendo, e acho que isso seria muito bom. Ao chegar nessa palavra, ou a pessoa lê o restante com mais interesse ainda, ou desanima (um pouco). É muito arriscado. Na segunda
    parte, o final ficou bacana. Considero que houve unidade entre os autores. Tem algumas coisas a acertar na revisão e como último apontamento, digo que acho que seria melhor que o conto estivesse em terceira pessoa.

    • Querida Bia, Obrigada pela leitura e pelos conselhos. 😉 Quanto à palavra “Alzheimer”, optei por colocá-la no final da primeira parte, como uma espécie de título às avessas, já que o título em si é uma brincadeira com a perda das palavras: (…)
      Sobre a terceira pessoa, optei pela primeira, para que a sensação de confusão mental de Neide fosse mais evidente. Mas, talvez você esteja certa. Enfim. Só tenho a agradecer pelas reflexões. Beijão. 😉

  12. Catarina
    18 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Tem todo um lirismo existencial. Algumas boas construções e jogo de cena.

    PIOR MOMENTO: “Alzheimer” – Não sei onde estava a cabeça do autor ao decidir terminar com essa palavra estática e destruidora de viagens. Faltou técnica para transparecer a doença sem matar a parte lúdica.

    MELHOR MOMENTO: “Conservada como se nada ou muito pouco, houvesse sido beijada pelo sal dos mares.” – Garrafa com ideias contidas são beijadas. Lindo.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Não passou o bastão, foi egoísta ao colocar essa palavra explicadora no final.

    2ªPARTE: Pegou uma missão inglória. O que fazer além de viajar pelas alucinações da personagem? E assim o fez de forma até interessante. Eu esperava alguma surpresa, emoção, sei lá; embora eu mesma não seria capaz de continuar este conto sem desrespeitá-lo. Complicado.

    PIOR MOMENTO: “O homem andou até onde estava,…” – Como alguém pode andar até onde já está? Este tipo de erro, comum em toda a segunda parte, empobreceu a narrativa, já combalida pelas repetições e falta de surpresas.

    MELHOR MOMENTO: “adorava imaginar os pequenos pontinhos brancos como anjos no céu do inverno glacial que estava a vir.” – Também quero crer que, dentro de um cérebro destruído pela doença, ainda reside pensamentos poéticos.

    EFEITO DA DUPLA: Saíram para ir ao cinema juntos e dormiram tranquilamente durante a sessão.

    • Querida Catarina, obrigada pela leitura e avaliação. Quanto a palavra no final do texto, a ideia era trabalhar com uma espécie de título às avessas, já que o título em si é uma brincadeira com a perda de palavras inerente à própria doença: (…)
      Sobre a passagem de bastão, foi por pura inexperiência por aqui. Quando me inscrevi, não pensei em como isso funcionaria e lancei mão do texto que estava escrevendo naquele momento. Quando li os outros contos e vi o final “aberto” pensei na hora: pisei na bola. Só aprendemos com os erros, não é?
      Beijão. 😉

  13. Simoni Dário
    17 de agosto de 2016

    Olá
    O texto começa muito bem, envolvendo com o tom poético. A curiosidade vai aumentando com a atmosfera bem transmitida pela ambientação e reflexão da personagem, porém perde força a partir da complementação decaindo bastante no enredo, virando para uma linguagem mais arrastada e com troca de personagens que geraram confusão durante a leitura. O final não me tocou e acho que ainda não entendi. Pareceu a mim que o autor inicial mostrou um caminho e o autor complementar não absorveu, fazendo uma manobra não tão bem sucedida a meu ver.Enfim, o texto começa bem e infelizmente decai na segunda fase. Boa sorte no desafio.
    Abraços

  14. Danilo
    17 de agosto de 2016

    conto segue uma temática muito popular. A despedida de um ente querido. Dor, sofrimento, principalmente quando aquele que parte é simplesmente a mãe. é uma história comovente e uma lembrança de que a o amor entre filho e a sua mãe é ato de liberdade diante da dor e do medo da morte. Na segunda parte do conto, teve uma visão mais kardecista, mostrando que nem a morte tem possibilidades de estreitar os laços que unem uma família. NOTA:7

  15. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    A ideia e a maneira pela qual os fatos ocorrem ficaram interessantes, mas a execução, especialmente na segunda metade, poderia ter sido melhor.

    Muitas mancadas na revisão, como palavras e acentos faltando, me incomodaram a leitura.

    Além disso, ao meu ver, a palavra “Alzheimer” não precisava aparecer no texto. Tudo poderia ter sido explicado de um jeito mais sutil. Sempre queremos que o leitor entenda do que a história se trata, mas tudo vai por água abaixo quando parece que o autor joga as coisas mastigadas na sua cara.

    Com um pouco de polimento, daria um ótimo conto.

    • Oi, Junior, obrigada por ler e analisar. Só para explicar, a ideia da palavra Alzheimer) era uma brincadeira com o título no final (fechamento da primeira parte), já que o título é (…), em analogia à falta de palavras inerente da doença.
      😉
      Beijão.

  16. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): boa na primeira parte, circular na segunda. O subtítulo estraga tudo o que vem depois, pois já sabemos que a narradora tinha Alzheimer, então tudo o que ocorre depois dele a gente sabe ser fruto da doença. Ainda assim, é angustiante ver como deve ser a vida de uma pessoa sem memória.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): muito boa na primeira parte, mas um tanto irregular na segunda. Anotei os erros abaixo:

    ▪ só consegui faze-lo (fazê-lo) se virar para mim
    ▪ Mamãe sentou ao me (meu) lado
    ▪ que não fosse incomoda (incômoda) para mim
    ▪ Segundos depois que gritei *vírgula* um homem chegou do corredor com o rosto avermelhado
    ▪ começou a varre-los (varrê-los) em direção a (à) mesma porta
    ▪ quando quebravam produziam a mais bela musica (que) nunca escutei
    ▪ reli a carte (carta) que eu escrevi
    ▪ pude reconhecer com aquelas feições *dois pontos* era meu avô

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): boa a sacada do Alzheimer pelo ponto de vista do doente, mas não chega a ser novidade total esse tipo de história.

    👥 Dupla (⭐▫): além do subtítulo tirar a graça da história, a segunda história não teve o mesmo impacto que a primeira.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um bom impacto no meio, quando descobri que tudo era fruto de um problema de memória da narradora, não depois do subtítulo o impacto diminuiu, pois já sabia o que estava acontecendo.

    • Oi, Leonardo. Obrigada pela análise e pela leitura. É muito bom ver a história do ponto de vista do leitor, principalmente, sendo ele, escritor e dos bons. Beijão

  17. mariasantino1
    16 de agosto de 2016

    Oi, Tudo bem?

    Então, esse conto me deixou com uma baita curiosidade, porque pra mim senti que fechou bem, que o complementador teria que se virar pra conseguir fazer algo. Bem, o conto é meio confuso e mesmo sabendo que essa foi uma artimanha dos contistas, ainda precisei reler algumas partes. Meu pai me pergunta todo dia a data, a hora e se brincar ele sai e fica perdido por aí (complicado). Acho que vc mostrou bem o drama, mas acho que para elucidar melhor a pessoa leitora, um narrador onisciente seria mais adequado. Bem, a personagem foi mantida, o clima também, mas faltou algo para fazer o conto se destacar entre os demais, acredito que, uma trama com mais substância poderia fazer isso acontecer.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 7

    • mariasantino1
      16 de agosto de 2016

      Catei algumas coisinhas >>>> Sorri admirando alguns frios (fios?)prateados… Mamãe sentou ao me (meu) lado… –Mãe… Aquele homem… ele é amigo o (do) papai?… reli a carte (carta) que eu escrevi

    • Oi, Maria, parabéns por seu belo trabalho! Muito bom. Quanto ao conto (…), obrigada por ler e deixar aqui sua opinião. Beijão 😉

  18. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Então o nome do conto é …? Soa bem modernista, mas difícil de ser citado, não acha? Acredito que teria sido melhor “Três pontinhos”. Ou talvez: “Três… pontinhos”, pronto, isso teria sido o ideal. A história é sobre um caso de demência. No início, fiquei em dúvida se não seria Sci-Fi ou Surreal, mas logo se tornou claro quando vi que Neide continuamente jogava a mesma garrafa no mar e a reencontrava, pensando sempre que era de outra pessoa. A segunda parte seguiu sem emendas, não haverá, portanto, comentários separados para as duas partes. Esse tipo de história é angustiante porque: a) É 100% previsível. Sabemos do que se trata, sabemos exatamente no que vai dar, só variam os detalhes; b) É uma situação sem nenhuma saída possível. Como não há solução (caso a históra seja realista), não há expectativa, pois sabemos que nada se pode esperar, e não há suspense de nenhum tipo possível, pois não pode haver reviravoltas no que se refere ao tema central em histórias de demência. Por causa do tema ter essas características que apontei, não gostei muito da história, mas vocês têm talento, o texto está bem escrito e narrado. Desejo Boa Sorte.

    • Oi, Ricardo, obrigada pelo carinho de ler e comentar. Sobre o título, (…) é devido à falta de palvras que a doença causa. Um vazio, entende? Não é três pontinhos ou reticências, mas o “hã?”. Ainda assim, é bom saber o que as pessoas pensam ao ler o que escrevemos. Beijão 😉

  19. Jowilton Amaral da Costa
    15 de agosto de 2016

    O conto é médio.A primeira parte tem um tom melancólico muito bem construído, A segunda parte destoa bastante da primeira em relação a técnica, é bem inferior a primeira. Tem vários erros e algumas construções frasais confusas, faltando elaboração. A ideia seguida pelo segundo autor foi condizente com a primeira parte, no entanto, foi mal executada. A história poderia ter ficado interessante, mas, não foi o caso aqui. A dupla não deu uma liga muito boa, que, para minha avaliação, perde pontos. Boa sorte.

  20. angst447
    15 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Ela – quem é ela?
    R – Encontrei pequenos lapsos de revisão:
    do vai vem > do vai e vem
    As vezes > às vezes
    faze-lo > fazê-lo
    distancia > distância
    varre-los > varrê-los
    musica > música
    cai > caí
    eu nem sei que você? > eu nem sei quem você é
    a carte > a carta
    colocou a mãos > colocou as mãos
    que duas vezes nessa noite a contemplei > que, duas vezes nessa noite, contemplei
    E – O primeiro autor adotou um tom mais melancólico, poético ao tratar do esquecimento da senhora. Uma mistura de devaneio, de lembranças esquecidas no mar, presença de fantasmas e amores. Parágrafos curtos, tais como versos, formando pelas passagens. O segundo autor quis deixar mais clara a dimensão da demência, mas logo entrou em um labirinto de sonhos, lembranças e possibilidade. O “continuísta” conseguiu dar prosseguimento à narração, isso é inegável. Considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama traz as reflexões de uma senhora que se apresenta como menina encantada pelo mar. Como considero o mar a alma do mundo, já achei tudo muito poético. Então, a mensagem na garrafa surge como despertador de memória. Ela era Neide, já não mais menina, mas uma senhora de 74 anos. Quem era Dona Inês? Pensei que fosse sempre Neide a personagem com Mal de Alzheimer. E o sujeito que aparece bem no final? Era o filho parecido com o avô dela, ou era mesmo o avô, pai da Inês, filho de Neide? Viu a confusão?
    A – A narrativa flui muito bem, com um ritmo cadenciado de versos. As imagens são bonitas e é fácil visualizar a situação da narradora. Apesar da confusão instalada com a citação de Dona Inês, o conto prende a atenção pela singeleza, pela delicadeza empregada para tratar de um momento familiar tão difícil e doloroso.

    🙂

    • Ana Paula Giannini Rydlewski
      20 de agosto de 2016

      Inês foi um errôneo do segundo autor…. kkkkk Alzheimer?

      • angst447
        20 de agosto de 2016

        Valeu por esclarecer, Ana Paula. Já estava pensando que o alemão estava rondando minha mente – quem é Inês? Já esqueci de uma personagem no meio do conto? rsrsrs

      • Anorkinda Neide
        21 de agosto de 2016

        Eu sou detentora do nome Neide e SEI que é absolutamente certo que as pessoas esqueçam do meu nome e nem são casos de Alzheimer, é falta de força do nome mesmo. Então, perdoei logo de cara o coautor. 🙂

      • Ops… Errôneo foi por conta do corretor de texto do celular… hahahah

    • Ah! Ela era o pseudônimo. 🙂 O título é só: (…) Beijos

  21. Wesley Nunes
    15 de agosto de 2016

    Excelente uso do tom poético. De inicio já achei interessante o tom ser usado tanto em relação a beleza do mar como também para se referir aos entulhos trazidos pela maré. Esse belo tom não se perde, mesmo o texto tendo vários momentos tensos que normalmente são escritos com uma linguagem mais seca e direta. Parabenizo o autor por manter a poesia e isso dá homogeneidade ao conto.

    A mania do personagem em se questionar e possuir uma alma sensível faz com que o leitor tenha simpatia por ela. O próprio questionar faz alusão a doença a qual o personagem possui.

    A linguagem também deve ser destacada e através dela o leitor imagina uma região e as pessoas que são o cenário da história. O autor sabe conduzir através da sua escrita e a grande revelação choca, emociona e gera um maior envolvimento com o conto.

    Sobre o Alzheimer, o autor conseguiu transmitir para o leitor a sensação de quem está com esse terrível mal.

    Por fim menciono a excelente analogia do mergulhar, do mar que traga e puxa com a doença da personagem.

    Parabéns por esse conto emocionante.

  22. Evandro Furtado
    13 de agosto de 2016

    Complemento: mesmo nível

    Que sintonia, hein? Até agora é o conto mais completo que li, nas duas partes. Ambos os autores foram fantásticos e, devo dizer, conseguiram, juntos, construir um conto maravilhoso. A forma como a trama foi construída, com essas imagens dos flashbacks e a descrição em primeira pessoa deram a atmosfera exata do drama. Realmente, fantástico.

  23. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    Talvez eu não devesse dizer isso, pis já disse hj, e estou dizendo d novo e talvez queira dizer depois, mas é um dos melhores q li até o momento. Muito boas as cenas, o drama, a retratação da doença, a narrativa, e a personagem. E a frase ““Meu nome é Neide. Eu existo e estou aqui, hoje e agora.”, achei uma das melhores q vi até agora kk Sério, até repeti essa frase utilizando meu nome, achei um exercicio interessante, risos. Talvez apenas um erro no fim ? Presumo q ela se referia ao pai ao invés do avô, pois parece que o filho parecia o pai dela, não o avô, e parecia ser o filho no carro. Cena emocionante aliás. Um conto muito bom, destaco a simplicidade com a qual foi escrito. Realmente não sou da turma que acha q qnt mais complicado, mais qualidade e melhor é a historia, acho na verdade que muitas vzs, a tentativa d criar demasiados detalhismos e alegorias deixa extremamente massante, algo que passou longe deste conto, que li rapido, sem dor RS’ Parabens, muito eficaz a narrativa. A dupla combinou

    • Bruna, querida, agradeço imensamente por suas palavras generosas (creio que falo por mim e pelo Matheus). Também acho que “menos é mais”. E sobre a frase, você acertou. Me inspirei em um exercício que uma amiga me contou que pratica desde criança. 😉 Beijão

  24. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: notei um domínio particularmente bom dos autores deste conto. As construções são poéticas na medita certa e não vi nenhum erro que exigisse a revisão mais apurada.
    Criatividade: esta temática do desvario foi uma das mais recorrentes no atual desafio. Por outro lado, há algo ligeiramente diferente neste conto que me agradou bastante quando li: a analogia do ambiente com o estado mental da protagonista. Os mergulhos cada vez mais profundos no passado. Outro ponto interessante foi a mensagem “viajando no tempo” no mar de memórias de Neide.
    Unidade: gostei do complemento deste conto. Uma boa continuação do que vinha acontecendo, sem abandonar o estilo ou deixar de aproveitar os pontos levantados pelo autor inicial.
    Parabéns e boa sorte!

  25. apolorockstar
    12 de agosto de 2016

    um conto muito bonito e interessante, expor a fragilidade de uma pessoa com alzheimer e coloca-la como narrador, pareceu-me bem convincente ,embora não sabia muito bem todos os sintomas da doença. realmente vocês usaram uma delicadeza muito grande, e o coautor seguiu o fluxo perfeito,como o primeiro autor. as figuras de liguagem foram muito belas,adorei do fundo do coração

  26. Marco Aurélio Saraiva
    12 de agosto de 2016

    Não entendi NADA. NAAAADA. Eu li o conto três vezes. Talvez seja por quê ambas as leituras me cansaram e eu não estava com muita disposição de pensar e extrapolar os conceitos do texto para algo mais concreto na minha mente. A leitura inteira foi um tanto cansativa.

    O primeiro autor, porém, demonstra habilidade. Apresentou uma escrita sem falhas, enigmática, quase proveniente de um “sonho”. O segundo autor, por outro lado, apresentou um texto cheio de falhas e sem revisão. Ambas as metades não fizeram muito sentido para mim, de qualquer forma.

  27. Andreza Araujo
    10 de agosto de 2016

    Esse texto é quase uma poesia, lindíssimo, as construções das frases são inspiradoras. Particularmente, adoro textos assim, pois quando bem escritos fazem com que a gente mergulhe nos sentimentos dos personagens.

    Ouso dizer que o segundo autor entendeu bem o texto e deu o final que a história merecia. Não saberia chutar onde um acaba e o outro começa exatamente, mas desde o início fica claro que a mulher esqueceu seu passado, pois pressente familiaridade com objetos e pessoas, apesar de não os reconhecer por completo, ou lembrar num momento para no instante seguinte esquecer outra vez.

    A releitura me fez perceber que além de sensível, é um texto que foi muito bem engendrado, a confusão entre Neide idosa e Neide menina é de arrepiar.

    Mas aí aparece um… “dona Inês” QUEM É DONA INÊS? Perderam o 10 que eu ia dar. kkkkk

    • Oi, Andreza, obrigada por suas belas palavras. Dona Inês surgiu do segundo autor. Parece que foi o corretor de texto que transformou Neide em Inês. Vai ver foi o Alzheimer. 🙂 rsrsrs Beijos

  28. Thomás Bertozzi
    8 de agosto de 2016

    Muito bom!
    O conto carrega dentro de si uma agonia. Ao ler, senti-me dentro d’água, doido para respirar.

    Autor e coautor trabalharam muito bem a instabilidade constante que é a percepção da protagonista.
    Instável como as ondas do mar.

    Parabéns!

  29. Davenir Viganon
    6 de agosto de 2016

    Olá. Gostei da estória sobre Alzheimer (não sei se era a intenção do autor inicial, mas a que ficou). Achei estranho a palavra jogada Alzheimer no meio do texto que entregou a situação. Ainda que eu não saiba se eu entenderia as cenas sem a palavra em negrito, cortou o suspense mas não tirou o brilho da narração da senhora com a doença. Ficou como viver em duas realidades e me fez lembrar da minha avó. Parabéns aos dois.

    • Querido Davenir, obrigada pelo carinho de ler e comentar o conto. Então… O Alzheimer no meio era para funcionar como uma espécie de título no final, já que o título era a falta de palvras inerente à doença. Só que o final era no meio… rsrsrrs Beijão

  30. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – … (Ela)
    CA: Atmosfera bem cadenciada, emotiva na medida certa. Um enredo simples, mas poderoso em suas camadas ocultas. – 8,5
    MAR: A leitura flui tranquilamente, com ocasionais quebras de diálogos entre protagonistas, mas fácil de compreender. O que quebrou o clima fantástico foi o título jogado no final. Sinceramente não entendi. Se foi uma dica para o próximo autor, limitou muito o campo imaginativo. – 8,0
    GO: A história cativa e gostei das nuances e trocas de pontos de vista repentinos. Casaram bem com a ideia geral e permitiu um desenvolvimento mais amplo, em qualquer área do insólito ou fantasia urbana (exceto pelo apontado acima). – 8,0
    [8,1]

    JUN: Continuação bastante confusa, mas entende-se que se trata de cenas revisitadas pela protagonista. No entanto, pareceram cortes de filmes, pois precisavam de divisões mais específicas e pausas para respiro do leitor. Há alguns probleminhas de falta de revisão também, mas não chegam a atrapalhar a história. – 7,0
    I: É um texto cativante pela sua premissa e bastante melancólico. Apesar do 1º autor restringir as possibilidades, o 2º conseguiu seguir a mesma linha, embora ainda precise avaliar os itens apontados acima. – 8,0
    OR: Um ponto de vista bem diferente sobre um problema tão comum. Tem outro texto por aqui com essa mesma pegada, mas aqui foi um pouco mais suave, apesar de ser possível notar a tristeza ao redor. – 8,0
    [7,6]

    Final: 7,9

    • Oi, Brian, boa tarde. Obrigada por uma análise tão cuidadosa. Só explico aqui, o que disse a todos os outros que estranharam a palavra no final da parte 1. Ela foi colocada ali, como uma espécie de subtítulo, já que o título era (…) – a ausência de palavras inerente à doença. Essa era a ideia, mas pelo visto não funcionou… Beijão. 😉

      • Brian Oliveira Lancaster
        24 de agosto de 2016

        Eu sei como é. No desafio Cotidiano também fiz uma brincadeira com o título e a primeira frase. Também não funcionou. Depois que você falou lá no facebook, aí caiu a ficha e fez sentido.

      • Oi, Brian, errando e acertando, não é? Assim nos aperfeiçoamos. Obrigada novamente. Beijos 😉

  31. Fabio Baptista
    4 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: …

    TÉCNICA: * * *

    Ficou um estilo poético meio forçado, na minha opinião.
    Eu acho legal quando a poesia soa natural, as palavras vão se encaixando e combinando, gerando sensações e tal.

    Aqui, me parece que algumas frases foram construídas e alguns adjetivos utilizados com intenção “premeditada” de gerar esses efeitos e acabaram ficando só confusas mesmo e um pouco artificiais.

    No complemento, muitos erros de revisão.

    – Conservada como se nada ou muito pouco, houvesse sido beijada pelo sal dos mares
    >>> isso ficou estranho

    – retirei o bilhete convulsionada por um choro
    >>> isso também…

    – Larguei a mão de papai e comecei a ler aquele pedaço de papel estranhamente me lançou para uma nova realidade
    >>> faltou no mínimo uma vírgula aí nessa frase

    – para o cheiro da carne assada de mamãe
    >>> isso soou meio… canibal. Melhor tomar cuidado com as ambiguidades.

    – caminhando da cozinha até minha direção
    >>> em minha direção

    – sentou ao me lado
    >>> meu

    – ele é amigo o papai?
    >>> do

    – Foi então que realizei
    >>> “realizei” não ficou legal

    – produziam a mais bela musica nunca escutei
    >>> música
    >>> faltou um “que”. Ficaria melhor: “que jamais escutei”.

    – cai entre os pedregulhos
    >>> caí

    – reli a carte
    >>> carta

    ATENÇÃO: * * *
    A parte da garrafa prendeu mais a atenção, mas a descrição do Alzheimer foi interessante também.

    TRAMA: * *
    Esse quesito foi prejudicado pelo complemento, infelizmente.
    A trama do início, a mensagem da garrafa, o rapaz misterioso… tudo virou fumaça, não teve continuidade e o conto partiu para outro caminho totalmente diferente.

    Acabou como uma descrição da sensação da doença. Apesar de executada de um jeito interessante (a senhora se surpreendendo com as próprias rugas foi bem bacana, por exemplo), não saiu do lugar e fez uma bagunça danada.

    UNIDADE: * * *
    O jeito de contar a história ficou até parecido, mas não consegui ver essa história como uma peça única.

    NOTA FINAL: 5,5

    • Oi, Fábio, boa tarde.
      Obrigada pela análise detalhada e atenta. Quanto à poesia… rsrsrs O meu estilo é esse. Até em dramaturgia que é minha praia mais recorrente, os atores estranham a construção inversa das frases. Mas, para mim, é algo que flui naturalmente e acabei abraçando como minha “poética”. Nada é forçado, pois gosto muito do “tecido” das palvras. Porém, foi ótimo ver que, quem lê, talvez não exergue exatamente como eu.
      Sobre o rapaz que se perde na história e tudo o mais, a ideia era essa mesmo. Já que é isso que a doença causa. Recortes de memória aleatórias, até se apagar completamente.
      Mais uma vez obrigada pelas dicas.
      Beijão 😉

  32. Anorkinda Neide
    2 de agosto de 2016

    Comentário da primeira fase:
    Bem, meu nome é Neide e este texto mexeu deveras comigo. Lindíssimo, bem escrito, lindamente escrito, por sinal. A metáfora com os esquecimentos da senhora é sutil e delicada e perfeita.
    Este tema do Alzheimer tem aparecido vez ou outra nos contos mas jamais vi tão lindamente tratado. Parabens.
    ps. nao se vc sabe mas o nome Neide significa nadadora, ou seja teu enredo tem tudo a ver.
    .
    Comentário da segunda fase:
    Acho que o autor da continuação tentou da forma que pôde, seguir na linha do primeiro autor. Tem seu mérito por isso. Quase conseguiu, não tem a poética do início mas tratou bem o tema, não há grandes acontecimentos, mas, realmente não sei o que se poderia fazer com um tema destes. Os constantes lapsos da velhinha dão uma enorme agonia no leitor. Ponto negativo, trocou o nome da personagem!
    .
    Da união das partes, leu-se um conto bonito, cheio de sensibilidade frente a esta doença perturbadora. Parabéns, autores.

    • Querida Neide, estou lendo e respondendo aos comentários aos poucos. De fato, não sabia que Neide significa nadadora. Muito obrigada pela informação. Você me fez voltar a algo que havia esquecido e que fazia muito, pesquisar mais o nome a dar aos personagens.
      Quanto aos comentários, obrigada pela generosidade.
      Beijos
      Paula Giannini

  33. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Lindo conto. Triste e doloroso. Escrito com maestria por ambos os autores. Nao consigo pensar em nada melhor ate agora. Parabens.

  34. Gilson Raimundo
    1 de agosto de 2016

    um conto com uma pegada forte, o início foi bem melhor que o fim apesar dos autores não se distanciarem tanto, gostaria que o tempo todo fosse o filho da Neide que estivesse com ela, a presença do cuidador tirou o romantismo do conto, tornou a boa senhora uma velha abandonada pela família, não sei se este era o intuito do segundo autor. Não achei o título significativo.

    • Oi, Gilson, obrigada por ler e comentar o conto. O título é uma alusão à falta de palavras que a doença causa. Gostei muito de ver seu envolvimento com a personagem, a ponto de chamá-la de “boa senhora”. Verdade, também ficaria com a opção do filho.
      Beijão
      Paula Giannini
      🙂

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Publicado às 12 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .