EntreContos

Literatura que desafia.

E Tudo Acaba Onde Começou (Jowilton Amaral e Luis Guilherme)

acaba

Despertei com barulho de passos. “Ele tá dando sua caminhada da madrugada”, pensei. Levantei-me a contragosto. Dormir no meio da sala e num colchão no chão me deixava de mau humor. Eu resolvi dormir na sala para ficar mais próximo do quarto dele. A enorme casa ficava sempre parcialmente iluminada, para impedir que o velho colidisse com algum móvel durante suas andanças noturnas e se machucasse seriamente. Um odor azedo perfurou minhas narinas. Acendi todas as luzes. Não acreditei no que meus olhos viram. Cada cômodo do lugar estava batizado com uma generosa cagada.

— Puta Que Pariu, que porra é essa? — Assustei-me quando ele passou por mim, saindo da sala de TV, completamente nu. Sua pele extremamente branca emanava um brilho vibratório sinistro. Ele seguiu, sem dar conta da minha presença, em direção a cozinha, parando ao lado do bebedouro e ficando de cócoras pronto para despejar mais um monte de suas imundícies. Incrédulo com aquela visão, eu o repreendi:

— Levanta daí!   Endoidou? O que o senhor está fazendo? Vai fazer isso no banheiro. E tá nu por quê?

Ele se levantou e passou por mim sem dizer nada, olhando meio de lado, desconfiado, olhos vidrados, parecia em transe.

— Por que o senhor fez isso? Tá de sacanagem comigo? — Ele não respondeu e continuou andando, me olhando de soslaio, com uma expressão um tanto cínica. Seria cínica mesmo? Ou seria alucinada? Maníaca? Maléfica, talvez. Eu nunca soube responder. Com a mão direita colada ao corpo, na altura da coxa, eu pude ver que ele esticava seu dedo do meio para mim discretamente.

— Enfia essa porra no…   Não completei a frase. Eu não podia dizer aquilo pra ele. Eu não deveria nem sentir o que eu estava sentindo. Eu não podia me irritar, não podia ficar com raiva. Ou será que podia? Não, eu não podia. Não seria digno. O médico havia alertado que desorientações noturnas poderiam ocorrer devido as fortes medicações. Meu rosto avermelhou-se de vergonha e ira. Vergonha dos meus sentimentos, ira de mim, raiva de sentir raiva dele.

Eu nunca havia visto aquele tipo de atitude nele. O comum eram seus golpes verbais poderosos. Usava as palavras como uma patada de urso. Demolindo seus interlocutores.

Chamá-lo de velho era um exagero se contássemos apenas com a idade. Ele havia completado cinquenta e cinco anos no começo daquele ano. No entanto, sua aparência deteriorara a olhos vistos pouco antes de sua morte. A doença evoluíra celeremente e ele parecia ter se entregado de corpo e alma a ela. Na verdade, a alma já havia partido antes, no dia em que descobriu a enfermidade. O que restava era apenas um corpo decrépito e oco. Um homem que sempre foi tão forte, sucumbindo daquela forma, era desconcertantemente triste.

Nunca saiu da minha cabeça nosso último Natal juntos, doze anos atrás. A mulher e o filho haviam viajado para Minas Gerais. O garoto, de dez anos, foi conhecer os avós maternos. Dividimos um frango assado defumado, recheado com uma gorda farofa de miúdos, acompanhado de arroz de forno, salada de maionese e castanhas-do-Brasil. Bebemos uma garrafa de vinho barato e doce, depois entornarmos algumas cervejas. Foi a primeira e única vez que bebi com ele. Lembro que me senti um adulto, um cara crescido, eu tinha dezoito anos. Conversamos sobre futebol, política e livros do Fernando Sabino, de quem ele era fã. Rimos bastante e tivemos momentos silenciosos de pura paz e cumplicidade.

— Vou te levar pro hospital — falei enquanto dava banho nele. Ele continuava evacuando muito e as fezes saiam avermelhadas.

— Não vou pra lugar nenhum. Vou ficar aqui.

— O senhor vai sim. Eu não posso fazer nada pra acabar com essa diarreia, não sou médico, não entendo porra nenhuma disso. O senhor vai morrer se não for para o hospital. Olha aí embaixo, porra, o senhor tá cagando sangue.

— Foda-se!

— Foda-se? Foda-se porra nenhuma. Eu não vou carregar esta responsabilidade comigo. O senhor vai pro hospital. Alguma coisa deve ter rompido aí por dentro, alguma coisa da sua doença…

— Não é nada.

— Como o senhor pode afirmar que não é nada. O senhor também não é médico, seu Antônio.

— Eu tomei laxante.

— Quê?

— Tá surdo, porra? Eu tomei laxante. Eu não defecava há quatro dias. Minha barriga tava inchada e doendo pra burro. Tomei um comprimido de manhã, não funcionou, quando foi de tardezinha tomei mais dois de uma vez só.

— Puta que pariu! Agora é que o senhor vai mesmo pro hospital.

— Já falei que não vou. Além do mais, não sei porque tanto medo de eu morrer. Você caiu fora sem me dizer nada, quando fiquei sabendo já havia passado meses de sua viagem. Você só voltou quando a Juliana avisou que eu estava morrendo e que você teria que voltar. Ela teve que brigar com você, fazer chantagem emocional, se não fosse sua mãe, você não voltaria. Você tava se lixando. Então deixa de fazer drama. É só uma diarreia, daqui a pouco passa.

— Eu não te abandonei. Que conversinha é essa? Eu fui atrás da minha vida, fui estudar, tentar trabalhar no que eu gostava. Deixa de drama o senhor. Quando eu me mudei pra Califórnia o senhor estava bem, parecia saudável. Como eu poderia adivinhar que o senhor adoeceria desta forma? Não tenho bola de cristal. E outra coisa, o senhor está invertendo a situação. De nós dois, o único que pode reclamar de abandono sou eu. Não esqueça disso. Eu nunca esqueci.

— Você poderia ter ficado e trabalhado comigo na empresa. Mas, não quis. Cheio de orgulho besta e ciúme infantil. Aliás, você continua mimado como sempre. A Juliana te estragou. Quantos anos você tem mesmo, Pedro? Trinta, não é? Na sua idade eu já era casado, tinha filho e era dono de uma firma em ascensão. Comecei a trabalhar com quinze anos de idade e nunca parei de estudar. A única coisa que você fez na vida foi estudar, estudar e estudar. E hoje ainda mora com sua mãe. Voltou do exterior tão duro quanto antes, se não fosse eu depositar dinheiro pra você se manter por lá você estaria fodido, passaria fome e tudo mais.

— Eu nunca pedi dinheiro ao senhor. Nunca!

— Você não pedia, mas, sua mãe me enchia o saco todo santo dia. Dizendo que você tava na merda, enquanto eu nadava em dinheiro. Você sabe muito bem como sua mãe pode ser ferina e pé no saco quando quer.

— Deixa minha mãe fora disso.

— Não posso deixar ela fora disso, foi ela quem transformou você nesse homem sem gana, sem vontade. Um bananão. Porra, Pedro, você ainda não casou, não tem filho, não tem emprego, não tem onde cair morto, não conquistou porra nenhuma na vida e já tem trinta anos. E ainda me inventa de estudar interpretação teatral, Artes Cênicas, pelo amor de Deus! Puta trabalho de “viado” — sua boca se arreganhou num sorriso cadavérico de dentes postiços.

— Os tempos mudaram, o mundo mudou, as coisas não são como na sua época.

— É sempre a mesma ladainha de que os tempos são outros. Desculpa esfarrapada para não reconhecer o fracasso. Você é um fracassado.

Olhei-me no espelho. Eu ainda era jovem, cabelos negros, viço nos olhos e muitos sonhos na cabeça. Eu batalhava, corria atrás. Não tinha emprego fixo, contudo, tinha muito trabalho avulso. Eu não era um fracassado. Não era. Não poderia admitir que eu, com apenas trinta anos de idade, fosse um fracassado. No entanto, as palavras dele me acertaram com a força de uma machadada. A patada de urso entrando em ação.

Nossas discussões estavam cada vez mais habituais. Eu não suportava mais aquilo. Ele sempre pedia desculpas depois, alegando que os remédios o deixavam perturbado. Eu sabia muito bem que ele usava sua condição e sua aparência frágil para botar para fora toda sua fúria e crueldade.

— O único fracassado neste banheiro é o senhor — eu disse entredentes — Se gaba de ter feito tanto e hoje está aqui, sendo cuidado por mim. Pelo fracassado. Foi abandonado pela Suzaninha, não era assim que o senhor costumava chamá-la? A Suzaninha te trocou por um carinha mais novo, do mesmo jeito que você fez com a mãe, e se mandou sem nenhum remorso quando percebeu que teria de cuidar de um velho doente. Foi embora e levou com ela uma parte gorda da sua grana. Não foi? Aquela filha da… cadê seu filhinho querido? Por que ele nunca está aqui pra ajudar a cuidar do senhor. Fracassado é o senhor. Vai morrer sem ninguém do seu lado, eu mesmo tô caindo fora. Tenho certeza que o senhor cagou a casa toda de propósito para depois colocar a culpa nos remédios. O senhor é um grande mal-agradecido, é isso que o senhor é. Mal-agradecido, prepotente e cruel. Precisa de ajuda pra lavar o próprio rabo e ainda quer cantar de galo.

— Vai se foder, seu moleque!

— VAI SE FODER VOCÊ, PORRA! POR QUE VOCÊ FAZ ISSO? EU TE AMO, SEU FILHO DA PUTA! — Comecei a gritar como um louco e a esmurrar os azulejos da parede até que os nós dos meus dedos sangrassem. Uma mão forte segurou no meu ombro e uma voz familiar soou em meus ouvidos.

— Pai, o que está acontecendo aqui? Que gritaria é essa?

— Estou dando banho… em seu avô, meu filho. — Falei constrangido, olhando para o chuveiro vazio, sem entender o que estava se passando. O que meu filho fazia ali?

— Pai, venha comigo, venha. Vamos pra cama.

— Mas, seu avô…

— Não tem ninguém aqui, pai. O vô morreu há mais de trinta anos. Quando eu nasci ele já havia morrido. O senhor está alucinando novamente. O senhor misturou seus remédios com bebida de novo, não foi? Desse jeito não vai dar pai. Se o senhor não seguir à risca as recomendações médicas e isso inclui, principalmente, nunca mais beber, muito menos beber sob o efeito dos medicamentos, vai ter que voltar pra clínica. Onde está a garrafa?

—Não tem garrafa nenhuma.

— Tem sim. O senhor está fedendo a álcool. Deste jeito vou ter que internar o senhor de novo.

— Eu não vou a lugar nenhum.

— Vai sim. Eu vou internar o senhor, se o senhor não colaborar. Olha aí como está a mão do senhor, toda ferida, esmurrando a parede, gritando pra um fantasma. Isso tem que parar. Eu não estou suportando mais. Os vizinhos já estão me olhando atravessado, eles acham que eu maltrato o senhor. Amanhã vamos ao médico, seu Pedro. Sem falta.

— Já falei que não vou a lugar nenhum!

Enquanto meu filho tentava me levar pra cama olhei-me novamente no espelho e vi o rosto de um velho. Aquele não era eu, não podia ser. Aquelas feições eram do meu pai. Eu havia me transformado no meu pai?

— Vamos amanhã no médico sim senhor.

— Vai se foder, seu moleque! Quem você pensa que é pra decidir o que fazer comigo? Hein? Você não é ninguém, não tem nada, não tem mulher, não tem filho, não tem emprego. É um fracassado!

A cena se transformou brusca e rapidamente. Rápida como a montanha russa em que viajava alucinadamente, os cabelos dançando ao vento, seus gritos morrendo no peito, sufocados pelo vento intenso. Sob o sol escaldante da tarde de verão, Pedro se segurava desesperado à barra de proteção do carrinho. Suas mãos, apertadas violentamente contra o ferro frio, esbranquiçavam-se pela força da pegada. Mãos fortes e jovens, com belos e longos dedos de unhas impecáveis.

“Mãos jovens?!”

Não somente jovens, mas diferentes. Não pareciam as suas.

Retirando cuidadosamente uma das mãos do ferro protetor, girou-a diante dos olhos, observando assustado: seus dedos, novamente jovens e fortes, a palma da mão, habitualmente tão áspera e ferida pelos anos de trabalho pesado após o falecimento do pai, que o deixara fora do testamento…

“Pai? ”

Com um solavanco causado pela repentina memória do velho, Pedro olhou ansioso para o carrinho ao lado. O grito que tentou emitir jamais foi ouvido: naquele momento, passavam por um trecho de queda d’água na caverna principal do brinquedo. Transformado numa intensa crise de afogamento, o grito ecoava, morto, em suas entranhas.

Quando, por fim, o carrinho começou a reduzir sua velocidade, prestes a parar na estação de desembarque, Pedro finalmente conseguia recuperar o fôlego, e voltou a olhar para o carrinho ao lado, com o coração batendo enlouquecido.

– Pai? Está tudo bem? – a voz vinha da boca de uma criança de 12 anos, a última criança de 12 anos que esperava ver: ele mesmo. – Não falei pro senhor que eu não era novo demais pra esse brinquedo, pai? O SENHOR é que parecia morto de medo, até se afogou na queda d’água ali atrás! – O menino, pura felicidade, ria abertamente e chamava atenção dos transeuntes que desembarcavam, trêmulos e de fisionomia nauseada.

Neste momento, já na plataforma que levava ao corredor de saída, seu olhar cruzou a cabine de bilhetes, e sua mente, já confusa, colapsou. O vidro, que protegia o bilheteiro do vento cortante do vai e vem da locomotiva, refletia um menino de 12 anos de riso tranquilo que tentava em vão arrumar os cabelos negros bagunçados pelo vento, e, ao lado, um homem de duras feições e uma postura rígida que lhe rendia uma aura de respeito intrínseco.

E subitamente se lembrou. Aliás, nunca esquecera. Era a lembrança mais vívida e feliz que trazia de sua infância: aquele memorável dia que havia passado no Hopi Hari com seu pai, normalmente tão frio e distante. Aquela memória viera alimentando seus sonhos nos últimos 30 anos, desde o falecimento precoce do Seu Antônio.

Tudo era exatamente igual, mas totalmente diferente.

Pela primeira vez assistia àquela preciosa cena, que tanto remoera em seus devaneios, de uma perspectiva totalmente diferente: via o mundo pelos olhos do pai. Lentamente, retornando do choque inicial, começava a se adaptar àquele novo corpo: a vista desgastada, os braços fortes e a barriga tanquinho que nunca tivera a disciplina necessária para cultivar, e os 15 centímetros extras, que davam uma visão panorâmica que nunca antes vislumbrara.

– Pai? Está tudo bem? O senhor está branco. Essa viagem realmente mexeu com o senhor, né? – a risada morria lentamente nos lábios do menino. Teria passado dos limites? O pai nunca fora muito aberto a brincadeiras. Com esses pensamentos, a expressão de pavor que sempre antecedia as explosões de raiva do pai começava a transparecer no jovem rosto.

Aquele olhar…

Tal olhar assustado não lhe era estranho. O terror era familiar, um velho amigo. Mas aquilo era diferente, sentia que já tinha visto centenas de vezes aquela expressão aterrorizada. E subitamente sentiu um frio no estomago que não tinha nenhuma relação com o vento cortante da estação. “Felipe…”

Quantas vezes causara esse olhar em seu filho, quantas vezes testemunhara o terror em sua face, machucando, destruindo. “Me transformei no meu pai? ”

Ver o mundo pelos olhos do pai, e mais que isso, se colocar no lugar dele, causaram uma ebulição de sensações e lágrimas.

– Filho! – exclamou, voz e cabeça baixas, as gotas quentes percorrendo velozes seu rosto fatigado. – Eu sinto muito.

Mas o sussurro não se perdeu em meio à muvuca e algazarra às quais seu ouvido se habituara. Ecoou, seco, pelos azulejos brancos do banheiro. Olhou à volta, intrigado. Não havia mais vento, nem cobrador, nem carrinhos com crianças exaltadas, nem mãos jovens e corpo robusto. Apenas um velho cansado e o filho, semblante assustado. Trêmulos.

Como voltara para lá? Será que tudo aquilo nunca havia acontecido? Talvez sim, mas apenas em sua mente. E riu, ao se lembrar da resposta de Alvo Dumbledore à dúvida semelhante colocada por Harry Potter: “Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real? “

– O que disse, pai? – questionou o rapaz, incrédulo. Jamais o ouvira se desculpar, era um dos principais motivos das brigas recorrentes.

– Essas palavras doem. Acho que demorei demais para pronunciá-las, né? – um sorriso amargo surgiu nos lábios do velho.

Todos esses anos, dezenas deles, e tudo se resumia àquele dia. Fora preciso voltar ao início de tudo para compreender finalmente como terminara assim. Terminara? Seria um fim? Tarde demais, talvez?

– Todos esses anos, meu filho, – prosseguiu, recuperando-se dos devaneios – quanta mágoa devo ter causado. Quantas noites chorou por minha causa? Me pergunto se chegamos ao fim.

– Pai… – balbuciou Felipe, ainda atordoado. Tanta coisa que sempre quisera dizer, tanto a falar, mas agora que a hora finalmente chegara… “É sempre tão mais fácil gritar e ofender”, refletia, procurando palavras.

Os olhares se encontraram, e os olhos do pai transbordavam algo diferente, ímpar. Compreensão. Finalmente o pai queria ouvi-lo. Era tanto a dizer, tantas palavras que mastigara e engolira em seco por todos aqueles anos.

– Pai… – repetiu o garoto, ansioso.

Com lágrimas molhando o tímido sorriso que se abria, Felipe lembrou-se do velho poema que certa vez lera num velho livro de bolso, e que desde então trouxe consigo:

Os fins,

Os começos,

Os meios,

Todas as coisas,

Os sentidos,

As palavras,

Tudo complexo,

Indizível.

 

Tudo que poderia terminar,

Começa nesse instante.

 

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34 comentários em “E Tudo Acaba Onde Começou (Jowilton Amaral e Luis Guilherme)

  1. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Deu pra perceber bem o momento em que o primeiro autor encerrou sua parte e que o segundo autor pegou o bastão e assumiu a história. Aliás, não entendi o motivo pelo qual o primeiro autor fechou a história, dificultando a vida de seu continuador, já que ambos dividiram a mesma nota.

    O segundo autor até que conseguiu se virar bem. Numa jogada de montanha russa, inverteu o papel das personagens e jogou o leitor num outro panorama da situação.

    Parece que o final verdadeiro da história não terminou onde começou, mas quebrou todo o ciclo. Achei uma boa solução para o problema. E o poema do final ficou muito bom.

  2. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Muito bom o conto. Tema difícil, que nos traz à mente um tipo de situação que queremos evitar, mas que talvez, bem, talvez não tenhamos escolha. Cuidar dos pais na velhice, na demência, no ocaso da vida, é algo que assusta e que precisa ser desmistificado. Virar as costas é algo impossível. E, o que é pior, talvez sejamos nós mesmos, para nossos filhos, o que nossos pais representam para nós mesmo hoje. Desconfortável e dolorosamente verdadeiro. Por isso o conto acerta na mosca, por humanizar o drama, por mostrar como seria, como será. Somos nós mesmos vítimas e algozes, perdidos em meio a lembranças que talvez não aconteceram, misturando o passado não vivido a recordações verdadeiras, subvertendo realidades, tempo e espaço. Confuso, como deve ser a mente de quem já se prepara para partir. Um contaço. Excelente trabalho!

  3. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Engraçado como vários contos no desafio decidiram encerrar com uma espécie de poema. Interessante. É mais um conto com drama familiar. O que me fez gostar mais desse foi a sutil transformação que ocorre no meio do conto. Quando o personagem discute com o pai, e do nada o filho aparece e ele percebe que ele era praticamente o que tinha sido o pai. Foi bem escrito e me impressionou essa cena, porque ficou muito natural. De certa forma, me lembrou o meu avô, no fim da vida, que era chegado em caminhadas noturnas desorientadas.

  4. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    O conto começa de uma forma tenebrosa, ainda que muito vívido, real, descrevendo com perfeição coisas que realmente acontecem. Muito bem escrito. A segunda parte, ainda que de uma forma insólita, usou elementos da primeira para dar um novo rumo Henry James ao conto, com um toque de terror psicológico que aprofundou o clima conflituoso do início. Um conto de primeira, parabéns.

  5. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Brilhante, sensível, emocionante na medida certa, sem dramalhão.
    Eu fico meio sem saber o que dizer da história que os dois autores construíram e apresentaram nesse desafio. Essa história tem aspectos muito particulares que se cruzam com a minha própria história de vida, e isso só fez o conto ser ainda mais especial para mim. Gostei muito, não tenho nenhuma crítica negativa. Achei que o autor que continuou a história fez um excelente trabalho também. Eu não consigo achar um ponto no qual um autor terminou e o outro começou. É uma história completa, cheia de significados e extremamente bem escrita e bem conduzida. Só posso dar os parabéns.
    Um abraço!

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a história da complicada relação pai/filho ofereceu um bom ponto de partida, que a meu ver foi prejudicado pelo estilo “filme nacional” (que geralmente já começa com um “— Puta Que Pariu, que porra é essa?”).
    INTEGRAÇÃO: o segundo autor soube aproveitar e levar a outro nível a premissa, deslocando o eixo para outra geração e o esquecimento.
    CONCLUSÃO: no geral, o resultado foi bom. Agora, pode ser implicância minha, mas poeminha no final da narrativa sempre fica parecendo “moral da história” de fábula antiga – e nem sempre explica nada…

  7. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    história estranha mas simultaneamente igual a muitas que conhecemos na vida real, texto intrusivo pois obriga-nos a pensar. A primeira parte não me agarrou, mas a continuação veio trazer a coerencia que faltava. A minha leitura foi retomada varias vezes pois o texto obrigou-me a parar e pensar e voltar a ler, sorrir e abanar a cabeça afirmativamente. gostei muito desta 2ª parte. e como tudo acaba como começa, esta história é estranha mas…

  8. Bia Machado
    19 de agosto de 2016

    Deixei esse texto para o final só por causa do título: E tudo acaba onde começou, é, bem cheio de significados. =) Gostei do conto, a primeira parte está fechada, poderia ter terminado ali. Nessa primeira parte, achei os diálogos pouco naturais, como se tivessem sido postos ali para contar coisas das personagens, não pela situação narrada em si. O segundo autor conseguiu levar bem, com qualidade. Nesse conto não pode dizer que senti total empatia pelas personagens, mas em vários momentos senti vontade de abraçá-los, principalmente nos momentos finais.

  9. Andreza Araujo
    18 de agosto de 2016

    O início é bem consistente. A história segue uma linha temporal única, com ações claras, personagens fortes, falas diretas. E ao mesmo tempo, as cenas são comoventes por causa do assunto tratado. Meus olhos suaaaaram quando o filho gritou que ama o velho doente. Ahsuhasu

    A segunda parte já começa com uma reviravolta, e o leitor percebe que perdeu tudo o que ele sabia. Foi como encarar uma nova história, já que toda a primeira parte foi transformada em delírio. O texto faz uma confusão (proposital) entre pai, filho e neto. E entre pai velho e pai novo, filho velho e filho novo… uma bagunça! Mas uma bagunça boa, e que constrói aos poucos a personalidade do protagonista.

    Só me incomodou bastante o fato de ter alterado a pessoa da narrativa. Começa sendo narrador-personagem, depois passa para narrador-observador. Acho que o texto perdeu grande parte da sensibilidade por causa disto, porque antes enxergávamos tudo conforme a visão do protagonista.

    Se a gente parar para pensar, dá para interpretar o título de mil formas diferentes dentro desse texto. Acho que o conto trouxe isso de modo bem forte. Não é o meu texto preferido neste desafio, mas traz uma boa mensagem.

  10. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Filosófico e poético, muito sensível, daqueles que fazem a gente viajar e se perder em ‘n’ existências, gostei muito mesmo.
    Nota 9,4

  11. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Esse texto é o que continuei, então vou comentar minhas opiniões sobre ele, apesar de não precisar dar nota.
    Achei bem legal a ideia da história, tá bem fechada e tal. Confesso que foi difícil continuar um texto que já podia ter acabado em si, achei que se você usasse esse texto em outro desafio individual seria até melhor, porque ele tinha um bom fim e já fechava a ideia toda. Porém foi uma atividade legal completa-lo, espero ter atendido às suas expectativas.
    Sobre o texto, como falei, achei bem bolada a história e tem uma boa reviravolta. Só queria comentar sobre os diálogos, que não achei muito fluentes ou naturais. É como se as conversas fossem ensaiadas, sabe? Talvez se os diálogos fossem mais naturais, valorizassem ainda mais o conto. Eu procuro ler os diálogos em voz alta, ou pedir pra alguém interagir comigo, simulando o diálogo, pra ver como soa.

  12. Danilo
    18 de agosto de 2016

    O conto transmite todo um drama paternal. O filho que cuida do pai na velhice, por algum momento sente uma “Djavu”, e se vê através do próprio pai, vivenciado o drama recorrente. Achei interessante esta questão de fazer uma mudança no foco narrativo. uma hora a história é contada pelos olhos do pai, outra pelo do filho, deixando confusa a narração. Em quem confiar? NOTA:9

  13. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a ideia funcionou muito bem na primeira parte, mas à partir da segunda volta e as idas e vindas nas gerações deixou tudo confuso. Em um determinado momento, eu já não sabia se era o avô, o pai, o neto, o bisneto ou qualquer outra pessoa.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): os dois autores escreveram bem, sem firulas e sem erros. Costumo dar três estrelas quando o texto não compromete a história, mas também não chega a se sobressair à ela.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a ideia do ciclo, de como nos tornarmos nossos pais é bem legal. Não é totalmente nova, mas é criativa.

    👥 Dupla (⭐▫): o segundo autor não soube continuar tão bem a história, mas também pode-se culpar o primeiro autor que não deixou pontas o suficiente para isso.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei do início até o primeiro protagonista se ver na verdade um velho. À partir daí, os mergulhos mais profundos me deixou muito confuso e frustrado.

  14. Catarina
    16 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Nossa, que conto certeiro e profundamente triste. O título dá a dica, mas ninguém está preparado para o fim desta 1ª parte.

    PIOR MOMENTO: Que tipo de doença transforma um homem 55 anos em um velho caduco? Alzheimer precoce, tipo “Para sempre Alice”? Demência devido às drogas? Álcool?

    MELHOR MOMENTO: “O comum eram seus golpes verbais poderosos. Usava as palavras como uma patada de urso. Demolindo seus interlocutores.” – Uma descrição soberba de ataques de velhos ranzinzas.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Patada de urso. Difícil continuar.

    2ªPARTE: Perdeu em força e tentou ganhar em emoção. Não me convenceu. O poema no fim salva a pátria.

    PIOR MOMENTO: “Felipe lembrou-se do velho poema que certa vez lera num velho livro de bolso” – Exemplo de palavras repetidas que não passaria por uma revisão.

    MELHOR MOMENTO: “ Tudo que poderia terminar,
    Começa nesse instante.” – Há o retorno ao título poeticamente encaixado. Gostei.

    EFEITO DA DUPLA: Não deu liga.

  15. angst447
    16 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – Título que já dá a ideia de um ciclo, um looping
    R – Não encontrei muitos lapsos de revisão, apenas estes:
    sem dar conta da > sem se dar conta da
    em direção a cozinha > em direção à cozinha
    devido as fortes medicações > devido às fortes medicações
    E – Os dois autores não entraram em conflito, sendo que as partes encaixaram-se no mesmo tema da doença degenerativa, nas memórias perdidas. Nem mesmo os estilos destoaram um do outro. Assim, considero cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama é construída na relação pai e filho, ora na memória de um doente, ora na realidade do filho. Um pouca confusa a história dos pais e os filhos, até onde era verdade o que a mente de Pedro revelava? O começo chega ao fim e o fim volta ao começo. Nada termina, o ciclo se repete.
    A – O ritmo do conto é bom, com a dinâmica dos diálogos. Não há muita ação, mas a narrativa prende a atenção. Os versos no final suavizaram o impacto, deixando um leve gosto entre o doce e o amargo. Leitura fluiu fácil.

    🙂

  16. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá como vão? Vamos ao conto! Puxa, fiquei impressionado: esse conto é extremamente parecido com “…”, parece o mesmo conto em duas versões ligeiramente diferentes. Poderia ser o caso de o iniciador de um ser o continuador do outro, mas isso não seria o bastante, já que as primeiras partes se assemelham muito. Sei que não é possível um ter se inspirado no outro, é uma incrível coincidência, bastante impressionante. Só posso dizer que o mesmos comentários que fiz para aquele conto valem para este: não gosto do tema demência, porque é sem saída e sem grandes possibilidades além da pura tragédia, mas vocês trataram bem o tema, é um conto bem escrito, desejo para vocês Boa Sorte.

  17. Wesley Nunes
    14 de agosto de 2016

    Analise da parte 1

    O autor sabe e não tem receio de chocar o leitor. Na escrita é utilizada ao máximo o poder das descrições e criam imagens fortes na mente do leitor. Deve ser mencionado que o autor não tem só esse esmero para chocar o leitor, ele também o utiliza nos detalhes de uma refeição.

    Os diálogos são excelentes, sendo quase teatrais. Na conversa entre personagens, imaginamos um passado, um futuro e construímos a personalidade do jovem e do velho. O conflito entre o velho e o novo é muito bem estruturado e gere tensão no leitor.

    Analise da parte 2

    Ao autor dá continuidade a primeira história com maestria. De inicio pensei que o texto seguiria o mesmo tom da primeira parte, entretanto, com um novo jovem mais dócil e o novo velho seria mais amargos e com muito mais problemas. A expectativa me dominou e gostei da forma como ela foi quebrada. Logo em seguida fui jogado para um conjunto de alucinações e isso demonstra a criatividade por parte do autor.

    É interessante acompanhar a boa escrita do encadeamentos dos sonhos, que são cheios de simbolismo como também é divertido avançar no texto para saber quando tudo irá terminar e de que forma irá terminar.

    O final é agradável, retomando e finalizando o mesmo ponto deixado na parte 1.

    Parabéns aos dois autores.

  18. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    Uma completa salada, bananada narrativa. A primeira parte em primeira pessoa, que estava muito boa por sinal, já preparava-me para dizer, “um dos q mais gostei de ler”, quando de repente, muda a narrativa pra terceira pessoa. o.O’ Acho que isso não esta certo, RS’ Realmente ficou um tanto confuso. Entao, o personagem vira outro, há mais confusões, dificultando muito saber o que se passa e principalmente, com quem. RS’ Gostei sim d algumas coisas, do pedido de desculpas do pai, de finalmente terem a conversa ,diálogo para resolver ao inves d ofensas. Mas achei que prejudicou a história a mudança d narrativa , e a metarmofose ambulante que era o personagem. Realmente parece q apenas repetiu a primeira parte do conto, só q agora o filho era o pai, mas se passou a mesma coisa. Não achei criativo essa repetição, já vista aqui em outro conto. Apenas a mesma coisa, um pouquinho diferente.. =\

  19. Marco Aurélio Saraiva
    13 de agosto de 2016

    Magnífico! Nota 10!

    Texto MUITO bem trabalhado e escrito, ambos os autores são exímios, mesclaram-se bem, narraram uma única história comovente e um tanto realista. Um belíssimo conto!

    Me comovi muito com Pedro. Os erros dele são os meus erros; são os erros de qualquer pessoa comum. A forma como ele quebra o ciclo e pede desculpas foi tocante e me fez sorrir. Gostei de Felipe, gostei de Antônio. São personagens do nosso mundo, vistos com olhos comuns, narrados em seus dramas que bem poderiam ser os nossos.

    Gosto de contos que me fazem pensar, ainda mais aqueles que me fazem sorrir ao pensar, ou mesmo me entristecer. Este conto conseguiu tudo isso. Parabéns aos autores!

  20. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: muito bom. O drama é regido com propriedade e a proposta da releitura da própria história do protagonista pela ótica do pai funciona de maneira bem interessante.
    Criatividade: não é o primeiro texto a explorar o emocional através da temática da perda de faculdades mentais, então não creio que seja uma ideia inovadora (isto não foi demérito para os outros contos, nem será aqui). O estilo também não é peculiar. É uma narrativa simples, embora bem feita.
    Unidade: o aspecto foi positivo neste conto. Acredito que a própria ideia da repetição de histórias já impulsione o coautor a manter-se dentro do enredo, o que ajuda o conto a se tornar conciso. Por outro lado, há méritos por ter conseguido manter também o mesmo estilo.
    Parabéns e boa sorte!

  21. Júnior Lima
    13 de agosto de 2016

    Bom, não gostei muito dos diálogos e da escrita na primeira parte do conto. As falas, exceto pela presença de palavrões, estão muito “novela”, reproduzindo ideias demais no mesmo parágrafo e causando uma sensação artificial.
    A segunda parte deu um tom mais literário da história e acabou bem, mas a mudança de primeira pessoa para terceira no meio do caminho foi desorientadora e uma escolha estranha.

  22. apolorockstar
    12 de agosto de 2016

    o conto é muito bem escrito, tem um final bonito e até emocionante, pareceu que com a troca de escritor o conto passou para algo fantástico,não entendi muito bem, por que é difícil para uma pessoa que desenvolve qualquer tipo de demência, ou problemas neurológicos ,como Alzheimer, voltar a trás ,mas é um conto muito bom ,que tem pontos de critica quase irrelevantes

  23. Simoni Dário
    11 de agosto de 2016

    A primeira parte da história foi bem conduzida, prendendo a atenção e mexendo com as emoções. Deu para sentir a aflição do filho, a rabugice do pai, até a própria doença e os cheiros, todo o ambiente muito bem narrado. A segunda parte não prendeu tanto, as emoções ficaram na leitura sem mexer com os sentidos. Não entendi a proposta do autor nesta parte e fiquei boiando.
    Resumindo, o texto começa bem e decai no final. A leitura passou de fluida a travada comprometendo o enredo.
    Bom desafio!

  24. Na leitura do primeiro conto, imaginei o personagem enveredando para um caminho de Alzheimer ou senilidade, devido ao quadro mostrado. A história contada é dura e faz parte da realidade de muitas famílias.

    A segunda parte, por sua vez, escolheu outro caminho, não menos interessante, dando aos personagens a oportunidade do perdão.

    Parabéns aos dois escritores.

  25. Evandro Furtado
    11 de agosto de 2016

    Complemento: downgrade

    Poxa, por onde começar? A primeira parte é fantástica, muito bem escrita, trama muito boa, personagens super desenvolvidas, plot twist muito bem realizado – talvez o melhor que vi no EC até hoje, enfim. Infelizmente o segundo autor não seguiu com o barco. Mudou a narrativa de primeira pra terceira pessoa – o que causou um choque enorme no texto, negativamente – além de pegar os personagens e a trama e jogar ao vento. A verdade é que a segunda parte ficou completamente solta, sem qualquer ligação e, mesmo em si própria,confusa.

  26. Amanda Gomez
    9 de agosto de 2016

    Um belo conto!

    Teve um começo que me arrancou algumas risadas, a linguagem usada é bem fluída e real, traz uma certa facilidade pra entrar na história e nos personagens.
    Achei os diálogos do velho, um tanto surreais para a condição em que estava. Parecia lúcido demais nas palavras, ao que as atitudes não combinavam. Isso causou certa estranheza durante todo o resto do conto. Mas é só um detalhe.

    A mensagem do conto, de que sempre há tempo para recomeçar, que as vezes é mais fácil ofender que pedir desculpas, é muito bacana também. Torci para que eles tivessem esse momento de reconciliação… como mostra no conto, de ‘’ compreensão’’ entre essas criaturas tão afogadas em mágoas.

    A proposta do segundo autor de mostrar passado e futuro, como um devaneio do protagonista foi interessante. A vezes é preciso enxergar os erros do passado e imaginar o futuro, para se fazer a diferença no momento atual, achei super válido. Gostei dos personagens, e dos diálogos. A voz de ambos é bem nítida, adoro como é dessa forma, ajuda demais na interpretação… sentir os personagens.

    Senti que houve umas derrapadas no raciocínio até o final, como se o autor não estivesse muito certo do que estava fazendo, ou eu não estava muito certa se estava entendendo. Por um momento achei que a ideia de já mostrar o futuro do filho seria mais interessante do que transformar isso apenas em uma memória alternativa. Mas no fim acho que a solução dava foi a mais correta, um ‘’final feliz’’, traz conforto.

    Narrativa ótima, fluido e divertido, (mesmo que não seja a intenção).

    O poema é muito bonito, e ficou perfeito com todo o contexto.

    Parabéns aos autores, mais uma dupla que funcionou bem.

  27. Thomás Bertozzi
    7 de agosto de 2016

    Um bom texto, carregado de emoção e que mexe os sentidos, especialmente por conta dos diálogos muito bem construídos.
    Título excelente!

    A parte do parque foi um pouco confusa para mim e precisei relê-la. Ainda que a intenção do conto seja sobrepor as personagens, a narrativa poderia ser um pouco mais clara em alguns pontos (na minha opinião)

  28. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Achei uma linda sacada, o retorno na psiquê do personagem, os problemas com o pai revisitando-o e a sequência natural da vida, com o filho cuidando dele. Apenas o diálogo entre pai e filho, durante o banho imaginário, achei que as falas nao soaram naturais.
    .
    Comentário segunda fase:
    Acho que me perdi aqui… o pai no corpo do filho ou o filho no corpo do pai? O texto está bom, gostei sobretudo do final com a reflexão muito sábia de que as pessoas costumam se acomodar nas mágoas e ressentimentos sendo bastante difícil recuperar os relacionamentos e a poesia foi a cereja do bolo, MARAVILHOSA. Parabéns
    .
    União dos textos:
    Pois, me confundi bastante com a segunda parte, mas a escrita está bonita e as reflexões são profundas por todo o conto. Boa sorte, autores. Abraços

  29. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    Então tudo começou com o paradoxo do filho que não se dava com o pai, mas que não passava de uma ilusão causa por drogas que na verdade encobria um pai doente que parecia não se dar com o pai, esse paradoxo é sensacional, passando a ilusão ao imaginar o pai do primeiro personagem para o leitor.
    Abração amigos, muito bom trabalho conseguindo conter toda a trama do primeiro..

  30. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – E Tudo Acaba Onde Começou (Antônio Pedro)
    CA: Reviravolta genial. Excelente desenvolvimento de expectativas, para depois virá-las do avesso. – 9,0
    MAR: A escrita é simples, com palavras vulgares do dia a dia, mas carregada de sentimentos. E isso se sobressai. – 8,5
    GO: Não sou muito fã de textos cotidianos, pois geralmente não tem muitas sacadas geniais, mas aqui você me provou o contrário. Gostei do contexto como um todo e do ótimo plot-twist reflexivo. – 9,0
    [8,8]

    JUN: Senti uma veia poética aí, hein? Apesar das cenas serem um pouco confusas, o segundo autor conseguiu manter a mesma atmosfera e ainda aplicar-lhe várias camadas sutis, resultando num drama muito bem explorado. – 8,5
    I: Um texto emotivo sobre os efeitos da velhice, apresentado de forma suave por ambas as partes e procurando trazer “respeito” ao leitor. A sensação de vitória ao final é excelente. -9,0
    OR: Cotidianos não trazem originalidade, então o texto deve se basear quase que exclusivamente em emoções e sentimentos. Os dois lados conseguiram transmitir muito bem as preocupações e nuances do contexto, criando uma história envolvente. – 9,0
    [9,0]

    Final: 8,8

  31. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: E Tudo Acaba Onde Começou

    TÉCNICA: * * * *

    Gostei mais da primeira parte, com os diálogos mais naturais, palavrões, etc.
    O complemento puxa mais para um lado meio poético, que não me agrada tanto, mas executado com competência.

    – em direção a cozinha
    >>> à

    – devido as fortes medicações
    >>> às

    – depois entornarmos algumas cervejas
    >>> entornamos

    – Você sabe muito bem como sua mãe pode ser ferina e pé no saco quando quer
    >>> achei que alguns diálogos ficaram no meio do caminho entre a simulação literal da fala e o texto seguindo as “normas”. Dificilmente alguém usaria “ferina” no meio de uma conversa, por exemplo, o que deu uma quebrada no clima.

    ATENÇÃO: * * *
    Fiquei bem mais preso ao início, talvez por causa dos palavrões kkkk

    TRAMA: * *
    Eu estava gostando da narrativa baseada no relacionamento pai e filho.
    Mas, quando apareceu o neto e começaram os delírios, as idas e voltas no tempo, fiquei com impressão que desandou.

    UNIDADE: * * * *
    Cada autor trouxe qualidade para o texto à sua maneira. Mas não achei que as peças se encaixaram perfeitamente.

    NOTA FINAL: 6,5

  32. Davenir Viganon
    4 de agosto de 2016

    Olá. Até agora, já vi dois textos com um drama familiar no desafio (não é o tipo de texto que eu mais goste). Um eu não gostei e outro gostei bastante. O seu ficou no meio termo, os diálogos entre pai e filho na primeira parte ficaram mais interessantes e na segunda parte nem tanto. Apesar de ter gostado mais do texto no início o final ficou satisfatório.

  33. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    A primeira parte me lembrou o roteiro de muitos filmes brasileiros: fixacão por palavrões e fezes. Clássico. Mas com uma boa ideia.
    O autor complementar rearranjou as coisas, amadureceu o texto e o resultado do conjunto ficou muito bom. Contudo, ao contrário de outros textos aqui, é nítida a ruptura das partes, nao sei se é bom ou ruim isso, é só algo que se nota.

  34. Gilson Raimundo
    1 de agosto de 2016

    O primeiro paragrafo foi bem brochante, nestes desafios que temos que ler compulsoriamente textos que nem sempre nos agrada o autor deve tomar um certo cuidado pois não merecemos sofrer tanto, é muita crueldade…colchão no chão, repetiu dormir na sala, sempre parcialmente, o velho colidisse (chocasse ou tropeçasse), perfurando minhas narinas, construções frasais um tanto duvidosas terminando com uma cagada… depois melhora vertiginosamente quando entra no velho dilema entre pai e filho e as escolhas feitas por ambos, história bem comum… o cara esta dando banho no pai cagão, ai vem o filho que ele não tinha e só os dois estariam no casarão, parece que os remédios estavam me afetando… peraí, a grande sacada, era tudo uma ilusão, um delírio, havia se passado 30 anos e o rapaz agora estava na posição degradante do pai, o titulo representa bem este momento, o conto se salvou, peraí, e esta mudança de cenário que vem na maior enrolação desfazer tudo de bom que havia acontecido, todo o drama se perde em meio a uma enrolação que poderia ser dispensada. Via Raul Seixas…

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Publicado às 10 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .