EntreContos

Literatura que desafia.

A Paixão do Demônio (Thales Soares e Catarina Cunha)

57c2aa-postagem-o-amigo-oculto

“Com Deus me deito, com Deus me levanto. Com a graça de Deus e o divino espírito santo. Amém”, rezou a garotinha em coro com sua mãe, encerrando suas preces com um longo e gracioso bocejo. Guardou os pezinhos gelados sob a coberta e fechou os olhinhos.

“Durma bem, meu amor”, disse a mãe, despedindo-se de Dominique com um beijo protetor em sua testa. “Garanto que amanhã o dia vai ser bem agitado”. Passava a mão sobre a barriga redonda e inchada, hora acariciando, hora desenhando círculos imaginários com os dedos. “O médico disse que a cegonha vai trazer seu irmãozinho amanhã”.

A mãe apagou as luzes e a menina adormeceu.

Na manhã seguinte, ao despertar de sonhos inquietantes, Dominique deu por si na cama transformada num gigantesco aracnídeo. Apesar das inúmeras pernas – ou será que eram braços? – balançando desesperadamente na frente de seus olhos, ela não se parecia com um monstro horripilante desses que fazem participações especiais em filmes de terror, mas sim com uma criatura bizarramente fofa, com cabelo de Maria Chiquinha, vestido lilás combinando com a nova tonalidade de sua pele, e corpinho de garota, com o diferencial de que agora possuía seis braços – totalizando oito membros, se contarmos com as duas pernas.

Dominique fechou os olhos e contou, calmamente, até três. Era isso o que sempre fazia quando queria se acalmar. Na maioria das vezes obtinha resultados satisfatórios.

“Um… dois…”, ao final da contagem tinha certeza de que despertaria daquele sonho horrível. Aquilo só podia ser um pesadelo. “TRÊS!”.

Nada aconteceu.

“E agora?”, pensou ela. Deu uma pausa em seus pensamentos turbulentos e, em seguida, refletiu com calma sobre a situação. Até que ter três pares de braços poderia ser bastante útil para as aulas de piano. Seria possível tocar como ninguém! Uma mão cuidaria do baixo, outra dos acordes, outras duas fariam contrapontos na melodia, e ainda sobrariam mais duas para fazer arpejos e arranjos. Por outro lado, o dia a dia na escola ficaria horrível. O bullying seria insuportável. Na verdade, por uma infinidade de razões, seria absolutamente inviável continuar tendo uma vida social.

“Um… dois…”, tentou novamente. Em algum momento sua artimanha teria que dar certo. “TRÊS!”.

Novamente, nada ocorreu.

Pensando mais um pouco sobre o assunto, Dominique lembrou-se de que já ouvira situação semelhante numa das histórias que sua mãe lia para ela antes de dormir. Era sobre um caixeiro viajante, que certa manhã acordou com aquele mesmo problema. Não se lembrava com exatidão do desfecho da história, mas sabia de antemão que não era muito agradável.

“UM… DOIS…”

“Sinto muito”, interrompeu-lhe uma voz estranha vinda de um canto escuro do quarto, observando as tentativas pífias da criança em fugir de seu trágico destino. “Posso lhe garantir que isso não é um sonho”. A voz era profunda e tranquilizadora.

Dominique não se tranquilizou.

“Quem é você?”, perguntou, erguendo o cobertor na altura de seus oito olhos. Apesar de estar ciente de que aquele fino pedaço de pano jamais lhe protegeria contra qualquer tipo de ataque, aquilo tinha um efeito psicológico reconfortante.

“Não se preocupe, meu bem, não estou aqui para lhe fazer mal algum. Sou apenas um amigo”, disse a voz, revelando seu corpo. Não havia pele, carne ou órgãos. O dono da voz misteriosa era um esqueleto. “Meu nome é Frank”.

“Você é uma caveira!”, espantou-se Dominique.

“E você é uma aranha”, Frank não possuía a musculatura necessária para exibir expressões faciais, mas de alguma forma sinistra aquela caveira parecia estar o tempo inteiro sorrindo. Era um sorriso amigável e cativante.

“Bom… na verdade, eu sou uma garotinha”, disse Dominique, sentindo-se desconfortável por ter que reafirmar aquilo que até ontem era óbvio.

“E eu, na realidade, sou uma alma condenada”, retrucou Frank.

A conversa foi temporariamente suspensa por um tremor agressivo, porém passageiro, que repentinamente assolou toda a casa. Brinquedos chocaram-se contra o chão e livros caíram da estante. E então predominaram-se sons subsequentes do terremoto, como cães eufóricos latindo na rua e carros cujos alarmes tocavam de forma incessante.

A menina – aranha – saiu debaixo do cobertor e levantou-se da cama, determinada. A vizinhança inteira provavelmente havia acordado, mas sua maior preocupação era com seus pais.

“O que foi isso?”, questionou Dominique. “Nunca teve terremotos em casa antes. Por que essas coisas estranhas tão acontecendo comigo hoje?”.

“Por causa do portal.”

“Que portal?”

“Ah. Então você não sabe?”, Frank balançou a cabeça enquanto ria baixinho com a ignorância da garota. “Venha comigo, minha doce garotinha-aranha. Certamente será bastante esclarecedor para você”.

Dominique acompanhou Frank até a cozinha. Havia alguma coisa muito errada acontecendo naquela casa. No corredor, as pinturas dos quadros pareciam ter adquirido vida e olhos curiosos acompanhavam os passos desajeitados daquela aranhinha gigante, desabituada com suas novas pernas. Na sala, o bule, por algum motivo confuso e obviamente ilógico, estava flutuando a vinte centímetros da mesa, executando pequenos movimentos de rotação. Ao chegarem à cozinha, puderam observar a origem de toda aquela insanidade. Atrás do fogão, que agora encontrava-se caído e arrebentado no chão, havia um portal vermelho e brilhante, do tamanho de uma porta comum, mas bastante macabro e chamativo.

“Esse é o portal do inferno”, disse Frank, deliciando-se com a expressão de confusão no rosto da menina, cujos olhos estavam arregalados e quatro das seis mãos tapavam a boca, enquanto as outras duas jaziam sobre o coração, acompanhando o ritmo cardíaco acelerado.

“De onde veio isso?”

“Hmm… acho que abriu ontem. Foi daí que eu vim.”

O esqueleto deu uma pausa para observar o ambiente ao seu redor. A mesa estava partida ao meio. Vários destroços de vidro e cerâmica, que outrora foram copos e pratos, estavam espalhados pelo chão. As cadeiras estavam todas jogadas e com as pernas entortadas. A energia maligna que emanava do portal do inferno, além de trazer criaturas estranhas para a realidade, estava modificando todo o ambiente. Perto da máquina de lavar, que pulava e se agitava como se estivesse trabalhando a todo vapor, Toninho, o pai de Dominique, estava parado, em estado catatônico. Com o corpo coberto por um roupão, uma xícara de café numa das mãos e o jornal daquela manhã na outra, o pai olhava fixamente para o portal.

“Pobrezinho, sua frágil mente humana não foi capaz de aturar as energias sinistras vindas do inferno”, constatou o esqueleto.

“PAPAI!”, gritou Dominique, usando quatro braços para chacoalhar o corpo do homem, tentando acordá-lo daquele transe. O pai não demonstrava reação alguma. Continuava com as pupilas dilatadas, babando, concentrado unicamente no portal, agindo como se fosse um zumbi.

“O que você me dá se eu te der uma cesta cheia de beijinhos?”, perguntou a garota, numa espécie de código. Era uma brincadeira que o pai fazia com ela – Toninho era um ávido leitor e apreciava muito as obras de William March. “Vamos, papai, por favor, responda… O que você me dá se eu te der uma cesta cheia de beijinhos?”.

Frank assistia a cena bastante intrigado, comovido com aquela demonstração de amor. Há incontáveis anos não via nada parecido. No inferno tal sentimento era proibido. Lá, como era de se imaginar, havia somente medo, tristeza e ódio.

“Eu te dou uma cesta cheia de abraços”, por fim respondeu o pai. “Filhinha, é você mesma? O q-que… o que aconteceu com você?”, perguntou enquanto passava as mãos nos pelos ralos da face da filha.

Frank ficou impressionado. Aquele curioso amor havia despertado o pai de seu aparentemente irreversível estado de transe. O esqueleto agora sentia emoções que há muito tempo não se passavam em seu coração. Felicidade e esperança.

Infelizmente, aquela paz de espírito encontrada pelas personagens não perdurou. O portal começou a se comportar de forma descontrolada. Sua tonalidade mudou de vermelho para um negro profundo e depressivo. Começou a liberar energia maligna numa escala inacreditável. Estava pulsando e latejando como se estivesse prestes a ejacular. Com um esforço final, o portal liberou aquilo de mais tenebroso que existe em todo o universo. Satã saiu de trás do fogão e agora estava ali, em pé, na cozinha da casa de Toninho.

“PUTA QUE PARIU!!!!!!!”, gritou Satã. “FINALMENTE CHEGOU O DIA!!! É HOJE!!! É HOJE!!!”.

O pai de Dominique voltou imediatamente ao seu estado de transe. Sua frágil mente não era capaz de processar toda aquela histeria. Dominique chorou, abraçada com seu pai zumbi, apoiando a cabeça em sua barriga.

“ATCHIM!!!”, Satã espirrou. Como consequência, a energia da cidade caiu durante alguns instantes; noventa e oito bebês recém-nascidos morreram durante o sono em diversos locais do mundo; dois vulcões entraram em erupção em ilhas do Pacífico; e a bolsa de valores sofreu uma queda nunca antes vista.

“MAS QUE PORRA!!! O AR ATMOSFÉRICO DO MUNDO DOS VIVOS DEVE TER ME DEIXADO COM ALERGIA. CARALHO!!!”

Frank, com seu mesmo aspecto sorridente de sempre, disse: “Hey, chefinho!”.

“QUE FOI, SEU MERDA???”

“Você não pode deixar, seja lá o que esteja te deixando tão empolgado, para outro dia?”, disse , de forma amigável. “Minha amiga e o pai dela estão passando mal com o cheiro de enxofre”.

“VÁ CHUPAR UM PINTO E PARE DE ME ENCHER O SACO, SEU BOSTA!!!”

Frank balançou a cabeça enquanto ria baixinho com a grosseria do diabo. Colocou Dominique em seu colo e, acariciando sua cabeça, tentou consolá-la.

“VAMOS LÁ!!! VAMOS LÁ, CACÊTE!!! CADÊ MEUS SERVOS???”, berrava Satã. “Estou bem aqui, chefe”, respondeu um diabrete.

“Frank…”, disse Dominique, olhando nos olhos do esqueleto – para os buracos onde seus olhos deveriam ficar, caso ele os tivesse.“Você esteve sendo tão legal comigo desde que nos conhecemos pela manhã…”.

“JÁ TERMINOU A MERDA DOS PREPARATIVOS PRO APOCALIPSE???”, Satã continuava gritando. “Quase, chefe”, respondeu o diabrete, retirando uma lista de seu bolso. “COMO ASSIM ‘QUASE’??? ESTAMOS ATRASADOS COM ESSA CASSETA, PORRA!!!”.

“O que uma pessoa boazinha como você…”, continuou Dominique, “…fazia no inferno?”

“Um dos cavaleiros do apocalipse está indisponível no momento”, relatou o diabrete. “AH, VAI TOMÁ NO CU!!!”, responde Satã, insatisfeito.

“Bom… é que…”, murmurou Frank, meio sem graça. “Em vida, eu fui um estuprador e torturador de crianças”. Os oito olhos de Dominique se arregalaram. Ela se levantou de seu colo e afastou-se imediatamente. “Por favor… como pode ver, eu mudei. Depois que meu órgão sexual foi queimado pelo fogo do inferno, eu me libertei daqueles desejos carnais que durante a vida me corromperam. Hoje eu sou diferente. Não é para isso que serve o inferno? Redenção? Ou o inferno se resume a uma punição sem propósito e eterna? Trata-se apenas de uma vingança de Deus para aqueles que não seguiram seu evangelho?”.

“HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!”, um grito de arrepiar a espinha se alastrou por toda a casa. Vinha do quarto da mãe de Dominique.

“PUTA MERDA!!! PUTA MERDA!!!”, gritava Satã, eufórico. “AGORA FODEU!!! MEU FILHO TÁ NASCENDO!!! É AGORA, CARALHO!!! VAMOS LOGO OLHAR A BOCETA DAQUELA PUTA!!!”.

Com toda aquela gritaria, o pai novamente despertou de seu estado de transe. Em meio a toda aquela bagunça, se deu conta de que alguma coisa precisava ser feita. Sua esposa estava gritando desesperadamente por ajuda. Estava sofrendo muito parindo o anticristo. Toninho, como o bom marido que era, não podia aturar aquilo de braços cruzados. Pegou uma chave escondida embaixo do tapete do escritório e abriu uma gaveta que estava trancada desde que Dominique nascera, onde guardava seus pertences mais secretos. De lá puxou um velho revólver que pertencia ao seu avô. Colocou as balas em seu devido lugar e girou a pistola como se fosse um cowboy do velho-oeste. Com determinação nos olhos, colocou o cano da arma na boca e puxou o gatilho. Seus miolos voaram longe.

Dominique soltou um berro tão alto que, por um momento, roubou a atenção do nascimento do anticristo.

O portal do inferno clareou e retornou com sua coloração rubro original. Deformou-se mais uma vez, de uma forma inquietante, e expeliu mais uma criatura vinda do interior do inferno. A criatura da vez era ninguém menos que Toninho. O pobre homem, cuja alma havia sido condenada por toda a eternidade, ajoelhou-se no chão da cozinha e chorou.

Maria se agarrou de cócoras à cabeceira da cama flutuante. Os objetos do quarto voavam a sua volta formando um redemoinho intransponível. O médico, Toninho, Dominique e Frank nada podiam fazer, enquanto Satã gargalhava com as dores de Maria.

“FORÇA PUTA SAFADA!!! NA HORA DE GOZAR COM MEU PAU VOCÊ NÃO RECLAMOU!!!!”

Toninho, agora alma penada furiosa, atacou Satã em nome da honra de sua esposa gostosa. O Capeta soltou um bafo de enxofre na cara do marido:

“ODEIO CORNO!!! SÓ TE DEIXEI PENAR NO MEU INFERNO PARA SER BABÁ DO MEU FILHO, MAS NEM PRA ISSO VOCÊ SERVE!! COOORNOOO!!!”

Com um peteleco Toninho foi pulverizado. A menina aranha clamou pelo pai olhando ao redor: “Vamos, papai, por favor, responda… O que você me dá se eu te der uma cesta cheia de beijinhos?”. A frase se repetiu como um mantra sem que houvesse resposta. A menina fechou os olhos e contou até três, até mais três, até inutilmente começar a chorar.

 Maria sentiu uma dor tão forte que o grito ficou retido no útero.  A bolsa estourou inundando o quarto. O líquido amniótico formou uma piscina onde a cama boiava. O bebê forçou o caminho de saída, mas a mãe não tinha mais forças e gemeu:

“ Meu Deus, não me abandone. Por favor, me ajude…” e desmaiou.

“Quem me incomoda na hora da minha cesta?”

“É minha mãezinha, Sr. Dr. Deus, que não consegue dar a luz para o meu querido irmãozinho vir ao mundo.” Respondeu Dominique ajoelhada nos quatro joelhos e rezando o terço com as outras quatro patinhas. (Nota do coautor: sim, nossa menina aranha tem oito pernas e todas são bracinhos fofos também).

“Mas que zona é essa? Isso lá é ambiente para uma criança vir ao mundo?” – Bradou Deus olhando a sua volta – “Quem foi o incompetente que organizou esse parto?”  Ecoou a voz de trovão.

Satã pegou um charuto e estalou os dedos para acendê-lo.  Nada, nem faísca saiu do dedão.

“CARALHO!!! QUEM OUSA ACABAR COM O MEU FLUÍDO??”

Deus apareceu ao lado de Satã, arrancou-lhe o charuto da boca e guardou no bolso de sua túnica celestial.

“Tá maluco? Quer estragar os pulmões da criança antes de nascer, seu idiota?”

“PORRA, PAI, QUE SUSTO! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? NÃO SE METE NO MEU APOCALIPSE QUE EU NÃO ME METI COM A TUA ARCA FEDIDA!!”

“Olha só, Capetinha, essa tua adolescência está durando mais do que os cinquenta milênios previstos.”

“NÃO ME CHAMA ASSIM NA FRENTE DOS MEUS DIABRETES!!!”

“Não seriam diabetes, meu filho?”

“NÃO, OS DIABINHOS SÃO MEUS E CHAMO COMO EU QUISER. E NO INFERNO NÃO TEM DIABÉTICO, GORDINHOS COMENDO DOÇURAS NÃO CAEM BEM PARA O MEU CURRÍCULO.”

“Por que essa gritaria? Eu estou do teu lado e não sou surdo.”

Satã suspirou longamente, segurou os chifres com as duas mãos e se sentou aos pés do Pai com a calda no colo.  

“Me Desculpa, Pai. Ando tão estressado com todos esses preparativos para o Apocalipse. Trabalhei tanto nisso. Agora tá essa confusão toda, tudo atrasado. Obra superfatura, desvio de caldeirão, larvas com defeito, camas de tortura desabando, maremoto com vazamento, a imprensa no meu pé: um inferno!”

“Calma, filho. Sei como é, já passei por isso com Sodoma, Gomorra e no período jurássico.”

“Ainda tem esses diabretes inúteis, parecem minions vermelhos, quanto mais a gente chicoteia mais eles se divertem. E aquele esqueleto abestalhado que pousou aqui numa sexta-feira 13 e nunca mais saiu do meu pé? Ainda me aparece uma menina aranha com laços de fita nas antenas.”

“Os diabretes são suas crias. Quanto a esse magrelo esquisito, não conheço, deve ter escorregado do limbo e eu nem vi.”

“Não desconversa, Pai, e essa humanoide aracnídea?”

“ Ah, a  menina aranha? Gracinha, tem os olhos do pai,  né? Sua irmã caçula, eu que mandei para passar um tempo com você. Quem sabe você se acerta?”

“Mas pai, o que eu fiz para merecer uma irmã caçula?”

“Este é o problema, filho ingrato, eu te dei um mundo particular, um planeta inteirinho para você brincar, e olha a merda que você fez?”

“Cuidei da humanidade, ora bolas. Não está vendo? Não deixo um dia se quer sem uma guerrinha. Trabalho duro.”

“Você não fez nada, absolutamente nada, seu abestado! Tudo o que acontece só chega aqui com a minha autorização. Nunca percebeu que você não passa de um testa de ferro?”

“DEIXA MEU FILHO NASCER PARA VOCÊ VER, VOU TOMAR O PODER EM TODO O UNIVERSO. VOU BOTAR MÚSICA SERTANEJA TOCANDO 24 HORAS, ACABAR COM O WHATSAPP E VOCÊ SERÁ MEU ESCRAVO, MEU LACAIO… Tudo bem, com algumas regalias de Criador. Não quero que me achem desrespeitoso.”

“Eu já sabia de teus planos e preparei uma surpresinha para você.”

“Não! Coral de anjoanetes, não!”

Deus enfiou seu cajado no redemoinho da Besta abrindo uma passagem recoberta de nuvens de algodão doce. Com um voleio Frank ganhou um par de asas, na verdade um par de gravetos nas costas, o que lhe caiu muito bem. Heroicamente se jogou naquela meleca doce a tempo de aparar o bebê que já coroava.  Nasceu roxo e desfalecido nos braços de Frank, não respondeu aos tapinhas nas costas.  O cordão umbilical era enorme e dançava no ar. Com as asas Frank conseguiu pegar o cordão e tentou cortá-lo com os dentes. Quanto mais ele mordia mais forte o cordão ficava. Então a irmã aranha se abraçou ao irmão o envolvendo em uma teia lilás e brilhante, como um ninho rendado.  As anjoanetes, vestidas de abelhinhas roxas, cantavam  “I’m A Survivor”  dançando  uma coreografia esdrúxula,  enquanto a orquestra de araras despejava uma chuva de gliter sobre todos. Eis que, diante de tamanho mau gosto, enfim,  o bebê chorou e o cordão se desmanchou em purpurina.

Satã pulou para pegar seu filho, mas uma luz saindo do peito da criança ofuscou sua visão.

“PUTA-QUE-PARIU, O DESGRAÇADO PUXOU O LADO DA MÃE!!”

Deus moveu o cajado em direção a Satã que ficou imobilizado. O Todo Poderoso pegou o rebento com o braço esquerdo e o encostou em seu peito. Imediatamente ele parou de chorar. Deus sorriu pegando o charuto no bolso, acendeu no chifre do Diabo e soltou uma baforada na cara do recém-nascido, olhou em volta e anunciou:

“Com vocês, o meu filho Jesus reencarnado! Capetinha, você acha mesmo que engravidaria Maria? Hahahaha, crianças… Cumprimente o seu irmãozinho. Adoro família grande! Vocês têm muito o que conversar, e nada de brincar com cruzes. Satã, esta é a sua última chance com a humanidade. Viu que festão de nascimento? Eu sou foda!”

 

Anúncios

36 comentários em “A Paixão do Demônio (Thales Soares e Catarina Cunha)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Um tremendo abacaxi para o segundo autor descascar, hein? A primeira metade está ótima, com várias tiradas engraçadas, como a menina-aranha-fofa. Tudo se encaixa perfeitamente nessa comédia sem pretensões, mas que diverte. O segundo autor conseguiu manter a pegada e até mesmo melhorou as piadas. Ri várias vezes aqui com o Diabo tomando sermão do Pai. Excelente. Um conto que no geral não chega a encher os olhos, mas que serve de alento entre tantas narrativas carregadas de drama. Bom trabalho!

  2. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Primeiro conto essencialmente intertextual do desafio. Impressionante a quantidade de contos que a “metamorfose” inspirou, além de filmes e até a música de Paulinho Moska, que ganhou o disco de ouro. O início deve ser do Thales, ou alguém que escreve muito parecido, com as mesmas fantasias góticas, um meio termo entre M R James e Lovecraft. Além, claro, do horror dantesco e do erotismo mitológico. A segunda parte continuou a irreverência, aliás até aumentou, e embora note-se que o segundo autor trata diferente as palavras, a história é a mesma. Um dos contos em que houve um bom entrosamento, parabéns.

  3. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores, que viagem louca!!! (rs)
    Galera, gostei da referência inicial ao livro de Kafka, Metamorfose, apesar de ter achado estranho inicialmente uma mãe ler Kafka para a filhinha dormir. Mas essa foi só a minha primeira estranheza no conto de vocês! Hahhaha Mal sabia eu!
    Achei o conto de vocês escrachado, daquele tipo de texto que não se leva a sério demais e que se permite ir aonde a imaginação leva. No caso de vocês a imaginação é um inferno! Haja imaginação!
    Achei meio pesado vocês citarem que o esqueletinho era estuprador de crianças. Achei que foi meio desnecessário. Ele poderia ter feito muitos outros crimes e ter ido parar no inferno por causa disso. Não que precisemos “esconder” que gente desse tipo existe. É mais porque o conto tem um estilo meio escrachado, algumas vezes até tragicômico, e achei que o passado do esqueletinho foi pesado demais para o contexto do conto.
    Devo dizer que gostei do personagem do tinhoso. Gostei das falas e da impaciência cuspidora de marimbondos dele. Achei que combinou perfeitamente com o contexto da história.
    Meus parabéns pela história de vocês!

  4. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: uma história de terror e medo que acabou se transformando num filme de Zé do Caixão.
    INTEGRAÇÃO: sabe Cérbero, o cão de duas cabeças? São vocês, com uma cabeça cortada…
    CONCLUSÃO: não me faz a cabeça, literalmente, essa coisa da escatologia, do baixo calão para chocar o leitor. Fica engraçado, mas só isso. Sinto muito.

  5. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    me desculpem os autores mas não gostei. Pensei que a segunda parte ainda fosse amarrar o texto, mas não consegui gostar. Foi bom o humor que apareceu principalmente no final do texto, mas fiquei muito longe da história. Achei irreal demais e sem qualquer ligação com nada. Problema meu com certeza, peço desculpa e vou tentar ler outra vez este texto, depois de acabar esta maratona de comentários.

  6. Andreza Araujo
    19 de agosto de 2016

    Olha, acho que foi um dos textos mais criativos deste desafio. Por outro lado, houve grande mudança entre as metades. A primeira segue mais desesperadora, dramática, absurda e introspectiva, com foco na menina. A segunda parte é mais explosiva e engraçada, com foco no satã.

    Adorei a parte onde Toninho volta logo depois de morrer, chega a ser engraçado. A leitura prendeu a minha atenção do início ao fim, e o final é inesperado. Só que em alguns trechos eu realmente torci o nariz porque não gostei da piada.

    Foi divertido ler este texto, obrigada pela bagunça que vocês fizeram, hahaha.

  7. Danilo Pereira
    18 de agosto de 2016

    O Conto no início pareceu que teria uma “pegada” mais Kafkiana, atrelado à ideia do surreal; uma total confusão entre o real e o imaginário, entretanto eis que o conto se desdobra para verdadeiro absurdo. Eis que surge Diabo, “Diabretes”, anjos, Deus e por ai vai. Achei muito forçado a segunda parte do conto. Confesso que não sei identificar em que gênero literário essa história se encaixa.. Ficção no início, Terror no meio, humor no final. O conto é muito eclético, porém muito forçado na sua imagética. NOTA:6

  8. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Não sei o que dizer…. ( Risos)

    Que doideira cara. Bom, tenho que começar por algo, então vou falar dos personagens. Vai parecer ridículo, mas não gostei do satã. Tudo bem que essa é uma versão comedia escrachada, do tipo” satã maluco da favela”, mas os xingamentos e todo o linguajar não chegou a ser engraçado.

    O esqueleto Frank e a menina salvaram o conto, por assim dizer. Gostei da interação deles. Diálogos e etc.. foi meio chocante saber do pecado de Frank no passado, chocante mesmo. A menina aranha tema dose certa de fofura, um contraste interessante com o resto da loucura da história. É que loucura!

    Essa recontagem, por assim dizer do nascimento do anti Cristo foi surreal, não vou dizer desrespeitosa, pois o autor tem o direito de escrever o que bem entender e tudo mais, mas a maior parte do tempo foi uma leitura desconfortável, por causa disso. Teve um forte apelo aqui, pra comédia, que não funcionou, achei mais bizarro que qualquer outra coisa. Mas é muito bem escrito, fluido e instigante, realmente foi uma leitura “ prazerosa no sentido de não achar um conto chato e parado.

    A história começa já bem diferente, então não sei se o autor tinha em mente alguma coisa dessa sequência, fiquei curiosa pra saber rsrs. Teve uma suave crítica a situação politica do Brasil. O coautor, me parece, se jogou com tudo na historia sem se preocupar muito no que iriam pensar, achei legal, mesmo que ilegal. haha.

    A participação especial de Deus, foi algo… Não sei explicar. Eu entendi a proposta, só acho que teve excesso de várias coisas.
    Bem, vcs explodiram minha mente aqui com esse conto, parabéns por terem concluído o Desafio.

  9. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Muito louco, achei um exagero de palavrões, quero dizer, ficou sem sentido o excesso e a forma com que foram utilizados…a parte teológica também fugiu um pouco de tudo rs, embora não faça muita diferença, mas Lúcifer, aqui chamado de Satã, não poderia ser irmão de Jesus, um anjo não pode se humanizar, e vice-versa…e…sei lá, ainda estou zonza. Divertido.
    Nota 8,0

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Achei que esse foi um dos textos que acabou prejudicado pela continuação. Não que o coautor não tenha talento pra escrever, o texto tá bem escrito e tudo, mas não gostei muito do rumo que a história tomou.
    A primeira parte tá bem interessante, foram criados um enredo e um clima legal. Acredito que muita gente vá reclamar da linguagem obscena, mas achei que combinou muito com a figura do satã. Achei a trama bem desenvolvida e os personagens carismáticos.
    Já a segunda parte, achei que pecou no desenrolar da trama. Não gostei muito da condução, e achei que os diálogos ficaram meio bobos. Por exemplo, no trecho “DEIXA MEU FILHO NASCER PARA VOCÊ VER, VOU TOMAR O PODER EM TODO O UNIVERSO. VOU BOTAR MÚSICA SERTANEJA TOCANDO 24 HORAS, ACABAR COM O WHATSAPP E VOCÊ SERÁ MEU ESCRAVO, MEU LACAIO… Tudo bem, com algumas regalias de Criador. Não quero que me achem desrespeitoso.”
    Enfim, não acho que foi de todo ruim, mas acho que o texto foi mal trabalhado.

  11. Bia Machado
    17 de agosto de 2016

    Detesto leitura dinâmica. Mas vou confessar: nesse conto tive que fazer isso. Não sei nem o que comentar… Termino a leitura me perguntando: “Pra que tudo isso?” Não gostei, não gostei mesmo. Um enredo até coerente, mas mal executado, palavrões e mais palavrões brotando, sei lá. Fiquei desanimada com esse texto. E o segundo autor descambou a coisa de vez, infelizmente. Eu esperava, sim, um milagre divino, que fizesse a coisa tomar outro rumo. Mas…

  12. Simoni Dário
    17 de agosto de 2016

    Olá
    ¨Eis que diante de tamanho mau gosto, enfim…¨ Essa frase usada no texto resume para mim o conteúdo narrativo que não me agradou em momento algum. Os palavrões jogados na parte inicial são gratuitos e sem graça. O mérito do conto ficou por conta do autor da complementação, não pelo conteúdo, mas por ter conseguido concluir um texto sem atrativos e ainda achar um final satisfatório para ele. O segundo autor se manteve na pegada esdrúxula do autor inicial, mas conseguiu pelo menos me fazer terminar de ler o texto.
    Abraço

  13. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): é uma loucura e parecia caminhar bem até Satã aparecer. Depois disso fica bastante engraçado, mas desanda depois da chegada do Criador. A partir dali ficou confuso e sem sentido para um encerramento literalmente Deus Ex Machina. No geral, fiquei com sensação de uma grande salada.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é muito boa nas duas partes. Sem dúvidas os dois são experientes suficiente para brincarem enquanto escrevem. Afinal, comédia é mais difícil que drama. Encontrei apenas o seguinte problema (não grave):

    ▪ responde (respondeu) Satã, insatisfeito.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): um pouco de Kafka no início, mas utiliza a batida representação irônica de Deus e do Diabo.

    👥 Dupla (⭐▫): não achei que o segundo autor soube continuar bem, acabou indo para a comédia escrachada e depois pro nonsense.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto me prendeu pela curiosidade no início e me divertiu no meio. No fim (principalmente na cena do nascimento), me perdeu.

  14. Jowilton Amaral da Costa
    16 de agosto de 2016

    O conto é muito louco. Está bem escrito nas duas partes. A primeira parte tem um ritmo mais alucinado. A segunda parte é tão doida quanto a primeira, mas, com um ritmo menos acelerado. A festa de nascimento foi bem esquisita, heins? Glitter?Purpurina? Sei não, hein?kkkkk Na verdade, não é um estilo de conto que eu goste. Não me despertou muitos sentimentos, não senti medo e ri muito pouco. Enfim, para mim, foi um conto médio. Boa sorte.

  15. angst447
    15 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – O título que remete aos filmes de terror (medinho!)
    R – Não encontrei lapsos de revisão que mereçam ressalva, apenas este:
    um dia se quer > um dia sequer
    E – O primeiro autor caprichou nas tintas fortes para apresentar uma narrativa quase chocante. O coautor (que até se identificou assim) continuou na mesma linha, desafiando as regras do jogo de Satã, mas respeitando os personagens e cenário traçados anteriormente. O tom continuo o mesmo, entre o terror e a comédia. Considero cumprido o objetivo do desafio, com pouca diferença entre as partes, embora eu tenha gostado mais da segunda.
    T – A trama baseia-se em uma mistureba das boas – de Metamorfose de Kafka a Bebê de Rosemary. O final ainda traz o nascimento de Jesus, através de Maria, que afinal não era Rose, mas só Mary e o demônio teve de engolir a festa. Final bem conduzido, com humor afiado, sem se deter por causa de qualquer tabu.
    A – O ritmo do conto é acelerado, com os diálogos e falatório cheio de impropérios do senhor do apocalipse. No começo, isso me incomodou um pouco, mas depois nem me dei mais conta das palavras mais pesadas. A leitura correu rápida, o que sempre acho muito bom. Valeu.
    🙂

  16. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Gostei bastante da primeira metade, uma fábula infantil de horror inspirada em “A Metamorfose” de Kafka. O problema é a segunda parte… Falar palavrões a cada quatro palavras é uma forma de humor infantil e nula, já que não tem graça nenhuma pra quem tem mais de quatro anos de idade mental. Além do humor idiota e desprezível, a história perdeu qualquer
    coerência: não é todo mundo que sabe fazer humor nonsense, e o autor 2 não demonstrou nenhum talento para isso. Um conto que podia ter sido muito bom, mas foi estragado pela continuação tosca e grotesca. Desejo para vocês Boa Sorte.

  17. Bruna Francielle
    15 de agosto de 2016

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK’ Confesso, adorei a segunda parte. Qnd Satã saiu de trás do fogão, foi quando ‘acordei’ e passei a me divertir mais com o conto; Extremamente criativo a segunda parte. A priemira, também achei.. uma menina aranha, com oito olhos, um monte d patas e q conversava com um esqueleto ? O conto todo tem criatividade. Mas a segunda parte foi a q mais gostei.. principalmente pelas doses generosas de irônia (adoro ironia). Acho q não podia ter uma segunda parte melhor. Adorei Satã.. ele ficou incrível representado assim.. os xingamentos e tudo mais, ficou ótimo mesmo. Acredito que ousou, e acertou. Parabéns

  18. catarinacunha2015
    15 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Causou-me estranheza a narrativa em forma de conto infantil ser entrecortada com uma pegada tão pesada de Satã. Gostei da ousadia.

    PIOR MOMENTO: “ralos da face” e “pulsando e latejando como se estivesse prestes a ejacular.” – Isso ficou muito esquisito. Acho que errou a mão.

    MELHOR MOMENTO: “deliciando-se com a expressão de confusão no rosto da menina, cujos olhos estavam arregalados e quatro das seis mãos tapavam a boca, enquanto as outras duas jaziam sobre o coração, acompanhando o ritmo cardíaco acelerado.” – Essa imagem ficou impagável. Muito bom imaginar uma aranha assustada.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Passagem com clímax deu impulso para o colega continuar, mas deixou o mais difícil.

    2ª PARTE: Decididamente uma missão difícil para mim. Procurei manter a pancada nonsense e não sei se consegui. Como grande parte dos autores das segundas partes deste desafio, apelei para Deus descaradamente. Acho que nossa dupla ficou bem doidinha. Eu me diverti um bocado.

  19. Wesley Nunes
    14 de agosto de 2016

    De inicio já percebo que a criatividade do autor para inventar cenas e situações é incrível. A narrativa é inquietante, pois relata coisas medonhas, mas demonstra tranquilidade. A trama surpreende a cada virada de página até culminar no apocalipse.

    Gosto da forma como o autor caracterizou Satã, usando uma linguagem xucra e alterando a tipografia e a destacando.

    O autor não tem medo de ser escrachado e isso é muito bom. O suicídio do Toninho é surpreendente e é uma excelente forma de derrubar qualquer expectativa de clichê. Entretanto, a comparação entre os problemas de Satã e os problemas do homem comum, é de certa forma algo previsível. Também senti que em muitos momentos do texto o autor forçou um humor usando referências do nosso cotidiano.

    Parabéns pela coragem e pelo texto.

  20. Marco Aurélio Saraiva
    13 de agosto de 2016

    Humor negro, branco e rosa shock com purpurina!

    O conto iniciou estranho, meio sério, então fazendo uma cópia descarada de kafka que me deixou com a pulga atrás da orelha… então veio o tom cômico que me fez entender tudo. Em meio a fofices, críticas e um apocalipse meia-boca, os autores me fizeram rir bastante. Na TV Globo, o chamado deste conto seria algo do tipo “Uma garotinha, o capeta e deus, aprontando altas confusões!”. RS RS RS!

    Gostei muito! A comédia aqui tem um quê de nonsense mas até mesmo isto tem um norte, seguindo um fluxo no enredo, guiando o leitor e, ao mesmo tempo, fazendo-o pensar e rir. Um autor complementou o outro de tal forma que não notei a transição. Para dizer a verdade, eu tinha até esquecido que eram dois autores, até o segundo autor adicionar uma “nota do co-autor”.

    Parabéns!

  21. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: nem sei por onde começar… é sério, faltam palavras para descrever algo tão… tão… ridiculamente genial. Acho que os desafios nunca mais serão os mesmos depois deste conto. Só pra não perder o costume, não achei nenhum problema na técnica.
    Criatividade: no começo, minha maior preocupação era uma mãe ler Kafka pra sua filhinha (mais que o fato da menina ter virado aranha e estar conversando com um esqueleto). Então, Satã chegou e esculhambou a porra toda, até oração que inicia o texto ganhou um sentido mais carnal no final. Podem criticar o bom gosto dos autores, mas nunca a criatividade.
    Unidade: o texto como todo foi um espetáculo do bisonho. Para mim, as duas partes a.C. e d.C. (antes e depois do Capiroto) se complementam muito bem.
    Parabéns e boa sorte!

  22. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    Esse conto me divertiu bastante. A primeira metade é brilhante. Gostei muito do equilíbrio entre a doce Dominique e o capeta boca-suja. Um dos pontos altos foi o espirro que matou recém-nascidos e causou catástrofes.

    A segunda metade continuou o clima maluco e manteve o estilo das personagens. Pena que, ao meu ver, não aproveitou tanto Dominique, Frank e Toninho. Algumas piadas não funcionaram tão bem, mas o esforço valeu e li com um sorriso no rosto. Gostei de todo o clima feliz e dança no momento do nascimento. Foi um ridículo legal.

    A frase final fechou com chave de ouro! Parabéns!

  23. Um texto nonsense, com humor sarcástico, que eu chamaria de “Auto do Demônio”, já que se trata de um nascimento.

    Quando se entra em um desafio como esse de duplas, o mínimo que se espera é que o nosso “par”, entre no jogo de cabeça. E, com certeza, o segundo autor brincou, deitou e rolou com o estilo, o tema e todas as outras ferramentas que o primeiro lhe apresentou, sem ter medo de ser feliz.

    Parabéns à dupla.

  24. Evandro Furtado
    11 de agosto de 2016

    Complemento: downgrade

    Tentei pegar exatamente o lugar onde as partes se dividem. Fiquei questionando se é onde começam os palavrões. Eles não me incomodaram não, pelo contrário, deram certa sátira à trama. Mas há um certo momento, mais para o final, que a trama perde consistência, a própria linguagem infantil que estava positivamente contrastante até então some, e o texto perde consistência. O final, infelizmente, é confuso, e não honra a maior parte do texto bastante divertida e transgressora.

  25. Anorkinda Neide
    9 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    O texto é bom, cheio de surpresas. Irreverente, uma coisa kafkiana que nao me enjoou. O portal atras do fogão foi inspirado na SenseMarcia? kkkk Gostei da coisa toda e da volta do pai suicida. Parabens pela criatividade.
    Só uma coisa, a mae lia Kafka pra menina? afff pobre criança.
    .
    Comentario segunda fase:
    Pegou o ritmo, mas meio que abusou.. hehe Tem partes engraçadas, a rigor o dialogo com Deus destoou, eu acho, mas nele tb tem trechos memoraveis. O continuinte é criativo e fez um bom trabalho aqui. Parabens.
    .
    Uniao dos textos
    Loucura total esta historia. meio que desandou um pouco no final, mas foi uma leitura interessante. Boa sorte aos autores. Abraços

  26. mariasantino1
    8 de agosto de 2016

    Olá, autores espoletas 😀 !!!

    Bem, não é minha praia contos assim, onde ao final se procura uma mensagem, algo para se refletir, para pensar, para comparar com alguma coisa vivida, com alguma decisão tomada e não se encontre. Enfim, o conto começa com o primeiro autor utilizando a surrealidade para ser elemento chamariz da narrativa. Aprecio esse lance de incrementar sentimentos e sensações para dar veracidade aos fatos inusitados. A menina-aranha que permanece fofa, o homem esqueleto que tem a voz calma… Bem, a primeira parte é divertida, o tabuísmo do Diabo cabe dentro do que se imagina que ele seja, mas faltam propósitos para esse pandemônio. Então o segundo autor optou pelo Armagedom e acho que o conto poderia ter mantido o ritmo se não pesasse a mão nas piadinhas e palavras chulas, porque, se na primeira parte elas servem para apresentar o demônio, na segunda parte soa agressiva, quer mais chocar que narrar fatos. Tem um médico que aparece de uma hora pra outra, mas, enfim. Não gostei muito mais da segunda parte que da primeira.
    Então, o conto se perde por faltar base para os eventos.

    Boa sorte no desafio

    Nota3 de 5 para a 1ª, e 2 de 5 para 2ª = 5

    • mariasantino1
      8 de agosto de 2016

      Não estou separando os deslizes gramaticais nesse desafio, mas catei esses >>> hora acariciando, hora desenhando círculos imaginários com os dedos (ora) >>>> e se sentou aos pés do Pai com a calda no colo. (cauda)

  27. Thomás Bertozzi
    7 de agosto de 2016

    (Rindo muito aqui!)
    É a segunda vez, até o momento, que vejo um colega colocar a mesma história, seja ele autor ou coautor. Gostei muito! (…e achei uma ótima ideia)

    O conto já começa com uma pinta de ficção e depois mergulha numa coisa nonsense muito divertida. Tem um ritmo excelente, típico de comédia.

    Obs: eu não ficaria feliz se minha mãe lesse “A Metamorfose” para mim antes de dormir.

  28. Pedro Luna
    7 de agosto de 2016

    Bem escrito, acredito que a segunda parte subverteu todo o pensamento da primeira, e adotou o tom do humor. Bom, não posso dizer que foi uma ideia ruim, mas não gostei muito por achar parecido com muita coisa do que já li, até mesmo aqui. Os palavrões e os personagens que deveriam ser sérios, mas são desbocados, reforçam a tentativa do conto de impactar e chamar atenção.

    Eu ri muito da cena do cara estourando os miolos contrariando as expectativas, haha, ficaria ótimo em um filme. No geral, não achei a primeira parte intrigante o bastante, e a segunda achei forçada no humor que tenta chocar.

    Agora, sem dúvidas, autores bem criativos.

  29. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    Cara, SENSACIAL, principalmente o último diálogo de Deus com o capeta.
    SENSACIAL mesmo, tirando que esse deu a real função do inferno, que é um ligar de remissão, mas pulando a parte chata, achei a narrativa engraçadíssima.
    Abração amigos

  30. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – A Paixão do Demônio (Rhoda Penmark)
    CA: Alguém incorporou Kafka. O texto se desenvolve bem, apesar dos diálogos próximos ao final ficarem um pouco confusos. O inusitado chama a atenção logo de cara. Não sou muito fã desse tipo de texto, mas não dá para negar que está bem escrito. – 8,5
    MAR: Não notei nada que me incomodasse. A escrita flui bem, assim como os trejeitos de cada personagem. – 9,0
    GO: Começa Kafka, passa por Alice e terminamos no filme Tenacious D. A mistura é interessante, não tão homogênea, mas a menina se transformando na Spider-Woman já dá o tom do restante. O insólito e fantástico se unem ao bom humor, certeiro. Tem seus méritos, mas não curto muito este estilo ou as polêmicas que podem ser geradas. – 8,0
    [8,5]

    JUN: Definição de “viagem” é pouco. Manteve o mesmo ritmo, apesar de algumas personalidades terem se deslocado um pouco, próximo ao final. Toda a ironia e sarcasmo continuam. – 8,0
    I: Uma inusitada releitura de eventos passados, misturados a dogmas e criatividade para o surreal. É bastante cômico, mas pode afastar alguns leitores mais sensíveis. – 8,0
    OR: Apesar de utilizar uma história conhecida, não deixa de ser original em vários pontos. O final seguiu a mesma linha, quase cometendo um deslize, pois as personalidades supremas ficaram meio parecidas perto do fim. Não é muito do meu gosto, mas diverte. – 8,0
    [8,0]

    Final: 8,2

  31. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: A Paixão do Demônio

    TÉCNICA: * * * *

    Bom, analisando a proposta, a escrita foi competente.
    Só acabei não vendo muita graça nas piadas, mas isso é mais gosto pessoal do que falha técnica.

    – hora acariciando, hora desenhando
    >>> ora

    – Dominique deu por si na cama transformada num gigantesco aracnídeo
    >>> Frase ambígua: foi a cama ou Dominique transformada? Depois fica claro, mas sempre é bom evitar ambiguidades.

    – aquilo tinha um efeito psicológico reconfortante
    >>> essa parte foi engraçada. Gostei!

    – parecem minions vermelhos
    >>> essa foi engraçada

    ATENÇÃO: * * *
    A primeira parte me deixou bastante preso à leitura. Gosto dessas viagens onde não se sabe direito onde vai parar.
    Com a entrada de Satã, porém, o conto foi pro inferno.

    TRAMA: * *
    Como disse acima, gosto de elementos nonsense inseridos moderadamente e com contexto na história.
    Isso foi feito na primeira parte.

    Depois, virou o absurdo pelo absurdo. O estranhamento ficou gratuito e deixou de estranhar.

    UNIDADE: * * * *
    O segundo autor manteve a estrutura do primeiro e não se pode dizer que não continuou a mesma história.
    Mas, na minha opinião, acabou viajando demais.

    NOTA FINAL: 6,5

  32. Davenir Viganon
    4 de agosto de 2016

    Olá. Seria este um terrir? Eu achei engraçado tem um tom infanto-juvenil mas com a boca muito suja do capiroto mas o final não me agradou. Até achei engraçado as referências a burocracia da administração pública, mas se estender nisso e esquecer da menina, achei uma baita desandada. Pelo esquecimento da menina na estória, nem tanto pelo que foi acrescentado, não gostei da continuação.

  33. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Desculpem. Só li até terminar por obrigação das regras. Considero os palavrões e a vulgaridade totalmente incompativeis com as personagens, o que desestimula qualquer cristão. Não é sátira, nem comedia ou divertido.

  34. Gilson Raimundo
    2 de agosto de 2016

    Caramba, se isto é literatura que Deus permita que o Brasil seja sempre analfabeto…. A primeira parte foi doce e infantil, não teve um ponto chave, parecia querer criar um conto de fadas… a segunda parte parece ter sido escrita por alguém que não se sentiu bem a ser contemplado com o primeiro texto, não há como avaliar pois sei que o autor fez uma brincadeira de péssimo gosto com seu parceiro e com nós leitores compulsórios, acho que se ele não gostou da primeira parte poderia ter nos poupado da lastima que foi a segunda que se pudesse ficaria com uma nota zero. o autor não entrou no espirito da brincadeira, ou então eu fiquei maluco de vez…

  35. Pedro Arthur Crivello
    31 de julho de 2016

    primeiro pensamento para esse conto: vei que louco!

    a história sofre muitas reviravoltas, o fluxo no começo é confuso , a segunda parte embora tenha deixado alguns personagens em segundo plano,como a menina-aranha , para entrada de Deus, a história consegue se encerrar com uma boa reviravolta, reescrevendo o apocalipse.
    a escrita é bem aplicada, sem erros de português aparentes, embora a linguagem seja moderna , não deixa de cumprir sua proposta ,colocando o texto na categoria de humor

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 9 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .