EntreContos

Detox Literário.

Xadrez dos Universos (Wilson Barros Júnior)

Miguel Los Mundos abriu os olhos e deparou-se mais uma vez com a estranha praia. Próximo à areia, as ondas deslizavam graciosamente. Entretanto, mar adentro, elas erguiam-se até grandes alturas, em ângulos opostos, parecendo lutar umas com as outras.

Miguel sabia que não era um sonho, nem mesmo dos mais nítidos. Apesar de tudo, sempre é possível sentir a realidade. Além do mais, aquilo parecia uma sequência à noite anterior, e sonhos nunca têm continuação.

Desta vez ele tinha-se afastado da praia, em busca de algo que ele não sabia se desejava, nem mesmo se existia. O céu brilhava, não como se estivesse limpo, mas como algo intocado. Persistia uma sensação angustiante, por algo que não se sabe o que é, uma sensação de que uma coisa não está faltando mas deveria estar.

O ar parecia conter oxigênio demais, isento das impurezas às quais Miguel estava acostumado. Nada afligia o corpo, calor, frio ou chuva. Aquela praia era tão pura que magoava os olhos e os pulmões.

Então, inexorável como um mau pensamento, Miguel descobriu o que havia de errado com aquela praia. Até onde a vista alcançasse, havia dunas, falésias e estuários, mas nada era coberto pela típica vegetação; por toda parte retorciam-se apenas restingas estéreis, como línguas extintas. Miguel duvidava que sob aquele mar imenso respirasse algum peixe, ou brilhasse a centelha de algum microorganismo.

Então, com essa pavorosa certeza, Miguel despertou de um sono para o qual não havia dormido, fugindo de um pesadelo que não havia sonhado.

 

Às 7 da manhã o Miguel los Mundos, PHD, Professor Emérito do Instituto Americano de Estudos Quânticos, tomava seu desjejum, que consistia em pedacinhos de frutas mergulhados em leite. Não gostava de jornais; o televisor disparava as notícias importantes.

“Estados Unidos enviarão mais uma vez ajuda para os países pobres do terceiro mundo.”

“Bobby Fischer escolhido craque do ano pela liga africana de futebol”

“Holanda permanece em estado de revolução. Estados Unidos recusam asilo ao ditador Vasken Reiffs”

Miguel terminou seu café da manhã e caminhou até ponto de ônibus. Em 15 minutos estava em seu gabinete, no Instituto, revisando as notas para a palestra que seria ministrada aos jornalistas.

Às nove, com o auditório lotado, Miguel começou:

 

– Senhores, sei que têm aguardado ansiosamente a apresentação da segunda maior revolução da humanidade. Sim, porque a primeira, é claro, foi a invenção do computador. Não é exagero afirmar que muitos ramos do conhecimento, hoje em dia, dependem do avanço do que denominamos Visão Científica Computacional.

As descobertas da Física Quântica sempre andaram de mãos dadas com a ciência da computação. Os mistérios do átomo, os princípios de Heisenberg e Schrödinger jamais teriam sido elucidados se não tivesse sido possível sua simulação a nível atômico-computacional.

A nova revolução, que foi a descoberta do que chamamos “entrelaçamento quântico” permitiu que pensássemos em computadores mais rápidos e menores que jamais poderíamos imaginar.  Vou explicar resumidamente o seu funcionamento.

Os computadores da geração anterior usavam “chips” de circuitos integrados, com lógica binária. Ou seja, tudo em seu interior era representado por combinações de 1 e 0, em longas cadeias, que armazenavam toda a informação necessária em gigabytes. Claro, o seu processamento, aperfeiçoado por décadas de experimentos, era rapidíssimo, e graças às ultramodernas técnicas de miniaturização, muita e muita informação, como as músicas e fotografias dos celulares dos senhores, pode caber em um pequeno cartão de memória.

Contudo, muitos processos continuam lentos. Baixar um filme, por exemplo, ainda leva de alguns segundos a minutos. Alguns processos, como o reconhecimento facial, podem levar mais tempo ainda.

Isto acontece porque sempre estivemos limitados à velocidade dos circuitos eletrônicos, e, em última análise, à velocidade da luz. Entretanto, o entrelaçamento, ou emaranhamento quântico, permitiu-nos ultrapassar essa etapa. Assim, tenho o prazer de apresentar-lhes o Parsec – I, – Miguel retirou do bolso do terno e exibiu um pequeno dispositivo, semelhante a um tablet – o primeiro computador baseado no princípio do emaranhamento quântico das partículas.

Os jornalistas levantaram-se para melhor olhar. Os flashes espocavam e os cliques dos aparelhos soavam. Após alguns instantes, todos aquietaram-se novamente e Miguel Los Mundos, o maior físico vivo, continuou:

– Este aparelho está conectado aos maiores bancos de dados dos Estados Unidos. Se alguém estiver disposto a arriscar, e não tiver nada a esconder da vida…

Marsha Érika, uma linda jornalista morena levantou-se:

– Sempre achei que as pessoas não deviam esconder nada de mim. Por que esconderia algo delas?

Houve risos. Miguel disse:

– Está bem. Então sorria – ato seguido fotografou-a, usando a própria câmera embutida do Parsec – I.

Imediatamente, em uma grande tela suspensa, surgiram dezenas de fotos de várias etapas da vida de Marsha Érika. Fotos de seu batizado, em um jornalzinho de interior; aniversários e alguns antigos eventos sociais. Seu casamento, que fora noticiado em um jornal interligado ao banco de dados.  Sua presença em coletivas do Instituto Americano de Institutos Quânticos.  Os jornalistas estavam impressionados.

– Um computador de chips poderia levar horas e até mesmo dias para reconhecer Marsha em todas essas fotos. A computação quântica torna isso possível instantaneamente. Alguém mais quer tentar? – Miguel perguntou. Muitos quiseram. Eram fotografados e apareciam em várias situações, com várias idades, provocando risos e até gargalhadas. Finalmente, Miguel abriu espaço para perguntas. Um dos jornalistas, Leon Louverture, indagou:

– Professor, como funciona este emaranhamento quântico? Ele é mais rápido que a luz?

– A velocidade da luz – respondeu imediatamente Miguel – ainda é um limitador. Entretanto, há muito descobrimos que o tempo é apenas um sentido do cérebro humano. O emaranhamento quântico apenas ilude esse sentido, dando a impressão de que tudo ocorreu instantaneamente.

Ouviu-se um murmúrio entre os espectadores. Louverture perguntou, perplexo:

– Como? Quer dizer que na verdade esse computador realizou a tarefa em várias horas,e enganou-nos fazendo pensar que foi instantaneamente?

Miguel sorriu, antes de responder:

– Bem, não é exatamente isso.  É difícil explicar sem usar as Equações Integrais de Dessalines. O tempo é uma função da mente, que não afeta as partículas emaranhadas de forma quântica. Por outro lado, a maior parte da programação é realizada em outros estados que, digamos assim, não têm a mesma assinatura, ou seja, não fazem parte do universo que nossa mente reconhece.

Os jornalistas estavam boquiabertos. François Mackandal, um jornalista que mantinha um blog sobre política, foi o primeiro a recuperar-se e perguntar:

– O seu novo computador realiza o processamento… em universos paralelos?

– De certa forma, sim – Miguel respondeu.

– Podemos… Comunicarmo-nos com esses universos? – Perguntou Renê Mi, a estonteante jornalista da “Relacional”, uma revista de modas. Miguel Los Mundos respondeu:

– Até o presente momento, não.

Os jornalistas tomavam notas febrilmente. Um computador que avançava e recuava no tempo e em universos paralelos.

– Mais perguntas? – Miguel perguntou;

Ninguém perguntou mais nada. Todos já se movimentavam para a saída, querendo dar a notícia primeiro.

 

 

Miguel saiu do prédio e dirigia-se para o ponto de ônibus.

– Buck Rogers! – o vagabundo, encarapitado na mureta do jardim, estava inegavelmente bêbado. – Deixe a sua paga!

Miguel ignorou-o e continuou seu caminho.

– Espere! Se você é mão-de-vaca, tudo bem.

A voz do bêbado assumiu um tom diferente, sério e profundo:

– Pganga arou. Pganga arou.

Miguel virou-se, aturdido. O bêbado havia desaparecido.

 

À noite, a mesma praia. Sua solidão ameaçadora, sua falta de vida e seus longos caminhos a levar a lugar algum. Ondas chocavam-se inutilmente. Ele contava os segundos que, como nos sonhos, podem ser horas ou dias, pois nos sonhos e nos lugares de onde a vida se esvaiu o tempo não tem significado.

Seu computador quântico, ao mesmo tempo telefone e despertador, retirou-o daquele lugar.

 

 

Durante o desjejum, as notícias pareciam repetir o dia anterior.

“Países pobres do terceiro mundo agradecem ajuda americana.”

“Bobby Fischer receberá prêmio da liga africana na sexta-feira”

“Ditador holandês Vasken Reiffs será julgado”

No caminho para o Instituto, Miguel ouviu um grito sufocado de criança, vindo do interior do parque. O físico escalou o muro e pulou para o chão, do lado de dentro. O local estava quase deserto, a não ser por três crianças que seguravam outra e espancavam-na.

– Ei, parem com isso!

Os três espancadores olharam-no, hesitaram um instante, e então correram, deixando o menino prostrado no chão. Miguel correu para ajudá-lo.

Após alguns instantes o menino reanimou-se. Então ergueu-se com dificuldade e olhou para Miguel, dizendo:

 

– Pganga arou. Não esqueça. Pganga arou.

Então correu o mais velozmente que pôde, desaparecendo.

 

Ao deixar o instituto, mais uma vez Miguel encontrou o bêbado. Desta vez ele apenas disse, com uma voz sussurrada:

– Não esqueça.

 

No sonho, desta vez, Miguel já tinha deixado muito para trás a praia deserta, e caminhava em uma selva imaginária, sem árvores ou qualquer tipo de vegetação. Não havia vida de forma alguma. Então surgiram os fantasmas.

Eram milhares de crianças. Todas choravam, furiosamente, como choram as crianças corajosas.  Apenas como uma manifestação biológica, sem tristeza, lágrimas de ódio.

Tão subitamente como tinham aparecido, sumiram no ar.

Miguel caminhou de volta à praia. Sentou-se na areia, esperando o fim de mais um pesadelo. Então ouviu uma gargalhada atrás de si.

Após um instante de terror, reconheceu a voz. Virou-se e encontrou o bêbado que sempre zombava dele na saída do instituto.

O bêbado olhou-o com desdém, virou-lhe as costas e começou a caminhar.

– Espere! – Miguel disse. O bêbado ignorou-e e continuou.

– Espere! – Miguel repetiu. – Espere! Pganga arou! Pganga arou!

O bêbado parou e voltou-se.

– Então você se lembra – disse.

– Lembro-me de quê?

– De quem somos.

Miguel não sabia de que ele estava falando.

– Quem somos? – Repetiu.

– Você. Mackandal. Eu. Ti Noel. Pganga Arou. O outro mundo.

– Outro mundo?

O bêbado que dizia chamar-se Ti Noel suspirou.

– Vejo que terei de explicar tudo. Novamente. Você não sabe mesmo o que aconteceu, houngan?

– Não.

Ti Noel suspirou novamente.

– Bem, eu esperava que isso pudesse acontecer. Nunca podemos saber o que pode resultar do Caiman. Vejo que terei de explicar-lhe. Bom Dieux, confesso que foi até divertido ver você chamar os espíritos lwa-yo de “partículas quânticas” e as nanchons de “universos paralelos”, houngan.  O que os cientistas desse mundo diriam, se soubessem que você é Mackandal, o maior dentre os Houngans Haitianos, pai de todos os Loas do vo-du.

– Vodu? – Perguntou fracamente Miguel, ou Mackiandal.

– Claro. Você hoje realiza com a ciência o que sempre realizamos com o vodu. Você sempre foi o mais poderoso de todos, e conhecia os segredos dos portais. Graças a seus poderes o Haiti é a nação que é hoje.

No “outro mundo”, que banimos para além da existência, o que chamam de “Estados Unidos” são o que são hoje os países em regime de ditadura, que infestam a América do Norte. As nações que integram os Estados Unidos deste mundo, ou seja, o Haiti, República Dominicana, Jamaica, Nicarágua, Cuba e todas as Antilhas são paupérrimos, mas, mesmo assim, sua miséria é explorada pelos Estados Unidos do outro mundo.

A Europa do “mundo que banimos” não é a ditadura que é hoje. Ao contrário, é um mundo próspero, sonho dos Haitianos. No Haiti as crianças morrem ao nascer, ou de fome.

O seu moderno computador está criando portais. Este mundo morto é o mesmo em ambos os Universos. Os Universos lutam entre si, e seu computador parece favorável ao “outro mundo”. Incrível. Mais uma vez o destino dos universos está em suas mãos, Houngan Mackandal. Pense nisso quando acordar.

 

Miguel de Los Mundos tomava seu desjejum. As notícias pareciam as mesmas.

“O americano Bobby Fischer derrota o russo Boris Spassky e sagra-se campeão mundial de Xadrez”

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55 comentários em “Xadrez dos Universos (Wilson Barros Júnior)

  1. Swylmar Ferreira
    3 de junho de 2016

    Conto de ficção, apresenta ao mesmo tempo realidades paralelas e realidade histórica alternativa, é adequado ao tema, ao menos de meu ponto de vista.
    É complexo e fácil de ler, apesar da tecnologia apresentada pelo autor.
    Possui um enredo muito bom, gramática muito boa ajuda ainda mais a obra, bons diálogos. O final até que me surpreendeu.
    Parabéns meu caro e boa sorte.

  2. Thiago de Melo
    3 de junho de 2016

    Amigo Escritor,

    Seu conto fez um entrelaçamento quântico nas minhas ideias. Cara, que viagem louca!
    Gostei bastante da parte da palestra. Achei que a interação entre os repórteres e o palestrante ficou bem legal e, apesar de ter visto nos comentários críticas quanto à parte científica, achei que ficou bem explicado como funcionava o novo aparelho. Quando surgiu o mendigo falando palavras estranhas e depois as crianças, aí foi o clímax do seu texto. Fiquei grudado e precisava entender o que estava acontecendo. Mais para o final do conto eu me perdi um pouco com a relação entre o aparelho, a física quântica e o vodu. Sei que você tentou fazer essa relação, mas, pra mim, esse ponto ficou muito distante do restante do texto e acabou tirando um pouco da empolgação que eu tive mais pelo meio da sua narrativa.
    Gostei muito de uma parte, nem tanto de outra.
    Um abraço!

  3. Virginia Cunha Barros
    3 de junho de 2016

    Oii! Gostei do teu conto, você escreve bem e eu não tinha visto muita tecnologia no desafio até agora. Eu confesso que as explicações científicas meio que me fazem entrar em loop infinito, mas consegui entender. Mas realmente não esperava que aparecesse vodu na história! Ficou bem mais interessante, dá vontade de ler mais, principalmente depois que o personagem diz que ele está fazendo com a ciência o que já fazia com o vodu. Esperava ler mais “viagens”, como os sonhos malucos que ele teve. Pena que acabou.

    Desejo boa sorte!

  4. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    As ideias são interessantes e a técnica é boa, produzindo um conto de fácil leitura. Só me pareceu um pouco corrido, e algo difícil de entender, devido ao assunto complexo. De todomodo, boa sorte.

  5. Thomás
    2 de junho de 2016

    Realista,
    para mim, seu conto passou como uma onda. Começo baixo, foi subindo e depois desceu.

    O ponto alto começa a partir do bêbado. Ali o a trama ganha fôlego. Entra um suspense legal, com as crianças no parque e depois, no sonho.

    Mas as explicações no final e o negócio do vudu jogou a coisa pra baixo, na minha opinião.

    No geral, achei seu texto bom, firme e adequado ao tema.

    Boa sorte!

  6. Fabio Baptista
    1 de junho de 2016

    Eu li esse conto duas vezes. Não consegui comentar logo que terminei na primeira vez e agora li novamente, porque já não me recordava dos detalhes.

    Infelizmente, devo dizer que não gostei nenhuma das vezes, mais por causa da história do que da narrativa. O começo parecia promissor, mas daí veio a questão tecnológica, que não me convenceu muito. Fez menção de melhorar com a aparição do mendigo, falando a palavra “secreta”, deu um ar de suspense e mistério.

    Porém, quando as coisas se revelam, com universo paralelo, vodu e tal, achei que descambou…

    Não foi um conto ruim, mas não bateu quase em nada com meu gosto pessoal.

    Alguns detalhes:

    – caminhou até ponto de ônibus
    >>> faltou um “o”

    – Senhores, sei que têm aguardado (…)
    >>> Eu teria colocado essa explicação entre aspas. Quando quebra o parágrafo e o cara continua falando é meio esquisito

    – Os jornalistas estavam boquiabertos
    >>> Não vi tanto motivo para espanto. Hoje o Google já faz quase isso.

    – Podemos… comunicarmo-nos
    >>> Esse “comunicarmo-nos” ficou muito artificial

    – Como choram as crianças corajosas
    >>> frase que mais gostei no texto, lembrou as metáforas de Tolstói.

    Abraço!

    • Realista
      1 de junho de 2016

      Obrigado pelas críticas, Fábio, pena você não ter gostado. Mas o Google faz quase isso? Você coloca uma foto e ele pesquisa a pessoa instantaneamente em milhares de bancos de dados?

      • Fabio Baptista
        1 de junho de 2016

        Tem um aplicativo que faz. Reconhece fotos similares, marcas, logotipos. Não sei se é muito eficaz, mas… já existe.

        O próprio Facebook com o reconhecimento facial para marcar nas fotos – ao reconhecer o rosto ali é só pesquisar o nome no Google e já era, tá a vida da pessoa inteira ali.

        Não é algo tão fora do comum assim.

    • Gustavo Castro Araujo
      1 de junho de 2016

      “Como choram as crianças corajosas” – realmente, essa frase foi de arrebentar.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Ah, entendi. Acho então que não expliquei direito, não ficou bem claro, no conto. O computador era capaz de pesquisar milhões de fotos, instantaneamente, e verificar se um rosto estava em alguma(s) delas. Isso, hoje em dia, requereria bastante tempo, levando em consideração a posição, expressão facial, idade, etc. Vou dar uma revisada.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Ti Noel!

    Mackandal!

    Toussaint!

    Haiti!

    Aplausos! Que suprema felicidade em ler teu conto, meu irmão. Adorei. Uma escrita competente, cadenciada em um ficção científica muito bem explicada – sem ser didática – e que deságua no meu querido Haiti!!!

    Alejo Carpentier, em algum lugar, no reino deste mundo, regozija-se.

    Obrigado, de verdade.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Que bom que gostou, amigo.

  8. Pedro Luna
    1 de junho de 2016

    E aê. E se eu disser que estava pensando em escrever para esse desafio um conto sobre o Bobby Fischer? Kk. É que além de já curtir o maluco, vi por esses tempos o filme O Dono do Jogo, que fala sobre ele e a rivalidade com o Bóris.

    Por isso também já saquei que o conto seria louco, e que a história já começava em outra realidade, já que ele é apresentado como jogador de futebol.

    A história é muito inventiva, e prende pelo mistério que as cenas causam. Principalmente as na praia. Na palestra, achei que iria boiar, mas até que o autor explicou bacana e no momento da leitura consegui pescar o que ele queria dizer com universos paralelos e a noção do tempo para o ser humano. Faz alguns minutos que terminei o conto, e provavelmente já não lembro mais de todos os detalhes, sou péssimo em tecnologias e física. Mas o que me foi importante é que no momento da leitura, não ficou uma chatice.

    Só acho que as revelações do físico eram impactantes demais para ele dizer: alguém tem mais perguntas? E ninguém falar nada. Eu mudaria essa cena.

    Um ponto que também me incomodou um pouco foi a aparição do bebaço e da criança. Esse tipo de personagem, que surge do nada, diz algo aparentemente sem sentido pro protagonista e some em seguida, é clichê demais. Se eles tinham algo a dizer pro cara, por que não falam logo e deixam de mistério? Kkk. Pelo menos eu penso assim. Mas é uma manobra de construção de mistério, aceitável, apesar de eu estar meio cansado dela.

    As revelações no fim ficaram bacanas, você botou até vodu no meio, criando uma relação entre tecnologia e misticismo. Bacana, se tivesse mais palavras, poderia aumentar um pouco essa parte, pois é a revelação do conto. Achei interessante a ideia do “mundo que banimos”.

    Um bom conto.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Obrigado, meu amigo, pelos elogios, críticas e sugestões. Interessante que Fischer continua mais comentado que nunca.

  9. Andreza Araujo
    1 de junho de 2016

    Cara, achei seu texto bem louco. Isto é um elogio, juro. Adoro textos loucos. A história começa com uma “viagem” na praia, a gente fica sem entender, mas de um jeito bom, instigante. Então vem a parte da palestra sobre a invenção. Eu gostei das falas, consegui acompanhar o pensamento do palestrante, digamos, haha.

    Aí quando chegou a parte do bêbado eu fiquei ainda mais interessada na sua história, tamanha a minha curiosidade pra entender essa salada, rsrs.

    As cenas com as notícias são aquela azeitona da empada (para quem gosta de azeitona). Digo, é aquele detalhe que não está presente apenas para enfeitar. Muito pelo contrário, é o modo como a gente (o leitor) percebe que o cara acordou na outra realidade. Genial.

    Sobre a parte final… achei que teve muita informação na conversa na praia, pois eu não conheço os termos que você usou. Claro que isto não é culpa sua, eu que preciso me aprofundar realizando uma pesquisa externa. Então é provável que eu não tenha compreendido o texto na totalidade, mas mesmo assim não acho que atrapalhou o entendimento de um modo geral.

    Abraços!

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Obrigado, fico feliz que tenha gostado.

  10. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Realista. Seu conto é o décimo terceiro que avalio.

    Observações: o autor dispõe de uma técnica muito boa, não consegui encontrar nenhum problema realmente prejudicial à ortografia ou à coerência da história, que é regida com maestria. Fora a própria narrativa, ainda contamos com imagens muito poéticas, como as dos “sonhos” de Miguel.

    Destaques: o comum ao se trabalhar com o tema RHA seria criar uma realidade diferente e trabalhar sobre ela, ou descrever os fatos que culminariam nesta realidade. Seu conto merece destaque por fugir a esta regra e “jogar xadrez” com duas realidades.

    Sugestões de melhoria: posso sugerir apenas uma exploração maior da segunda realidade apresentada. Do modo como você abordou, a existência de dois universos conta como um clímax para o conto, mas penso que também seria muito bom se já o soubéssemos do começo e o protagonista tentasse tirar vantagem, de algum modo, do poder que tinha.

    Parabéns e boa sorte.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Obrigado pela leitura e pela sugestão vou levar e consideração.

  11. vitormcleite
    31 de maio de 2016

    Gostei da tua escrita mas menos do enredo, principalmente o conteúdo da conferencia, há algum excesso de linguagem muito técnica e não sei se corresponde tudo à verdade. Tudo o mais é um bom texto muitos parabéns

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Valeu, Vitor Obrigado.

  12. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: como dizer isso? Vi FC causando RHA, seguidamente. E, como seu de humanas, entendo pouco ou nada de ciência para dar pitaco na verossimilhança…

    TÉCNICA: escrita limpa, mas o excesso de discursos e informações neles contidos tornam a leitura cansativa. E a quantidade de elementos são explicação faz com que o leitor se sinta ignorante, e não ajuda em nada a gente a simpatizar com a narrativa.

    EFEITO: sono. Desculpe, não consegui me concentrar nem me conectar com a história e os universos paralelos.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Lamento que não tenha gostado. De qual que modo, obrigado pela leitura e críticas, Daniel.

  13. Catarina
    31 de maio de 2016

    O COMEÇO me cativou. O Miguel estava indo bem, genial na premissa de “ princípio do emaranhamento quântico das partículas”, até virar PHD de filme americano; isto é, personagem fraco de uma fórmula batida. Lamentável o desperdício de uma boa ideia, pois vejo grande potencial criativo diante de um FLUXO engessado pelo fraco vocabulário. A ideia da TRAMA é iluminada, até para uma ALTERNATIVA FC. Sobrou inteligência, faltou arte. O FIM? Bem, até que me provem o contrário, acredito que se você precisa explicar é porque não soube demonstrar.

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Obrigado pela leitura crítica, pena que não gostou. Talvez na próxima. ..

  14. Pedro Teixeira
    29 de maio de 2016

    Olá, Realista! Uma trama muito inteligente e instigante, que bota a gente pra pensar. Gostei das palavras ditas pelo bêbado e pelo garoto, são um elemento intrigante que alimenta o mistério e a curiosidade pelo desenvolvimento. Uma coisa que me incomodou foi um “buraco” ali entre a parte que o bêbado diz ” não esqueça” e o sonho, parece que faltou uma ligação. Em relação ao Miguel, acho que dava para explorar melhor seu cotidiano, amizades,pensamentos, etc. Enfim, um conto muito bom, mas que talvez ficasse ainda melhor, mais bem desenvolvido com mais palavras e um aprofundamento do perfil psicológico do personagem principal. Parabéns e boa sorte no desafio!

  15. Simoni Dário
    29 de maio de 2016

    Olá Realista.
    Um conto interessante onde é preciso algum conhecimento de física ou de Universo. O próprio título é criativo e se bem lembro de um documentário que assisti está se descobrindo que o Universo é uma espécie de malha toda tramada como se fosse uma colcha, xadrez?! Vou parar por aqui para tentar falar coisa com coisa. Seu conto é criativo, fala de Universos paralelos e se o tempo não existe, seria possível existirem realidades acontecendo ao mesmo tempo, passado, presente e futuro e sei lá o que mais. Viu o que seu conto está fazendo comigo? Então, um texto que mexe com as faculdades mentais, ou seja, intrigante. Foi uma boa leitura, a parte de conhecimento sobre Miguel Los Mundos entendi pelo comentário do Gustavo.
    Bom, no mais¸detalhes sobre computadores e a face tecnológica do texto já não são para mim. Enfim, não gostei muito das passagens do bêbado, mas talvez fosse preciso para justificar a outra parte da história. Bom conto. Parabéns!

  16. Pedro Arthur Crivello
    28 de maio de 2016

    não sei muito bem se o conto apresenta realmente uma RHA ou uma ficção cientifica , embora eu acredite em universos paralelos eles não são cientificamente comprovados, mas essa não é a discussão. achei a narrativa meio embaralhada, o começo me deixou intrigado , até depois da palestra sobre a física quântica, porem o clímax me parece fraco que leva para um final com muitas duvidas e muito aberto para uma conclusão concisa e satisfatória. a linguagem estava bem colocada, só algumas partes que me confundi entra a narrativa e a fala do personagem principal, o que prejudicou um pouco a leitura.

  17. Anorkinda Neide
    25 de maio de 2016

    Olá!
    Bem… Já nao curto FC e dae vem uma palestra, coisa chata q é uma palestra.. 😦
    Mas gosto de realidades alternativas, mesmo não as entendendo muito bem.. rsrs
    Então perdi muito do texto com minha pré-rogativas, mas voltarei para reler, esteja certo disso.
    Gostei da parte final com a interligação com o vodu, misticismo já é mais a minha praia, como falei me debruçarei com maior zelo neste texto antes de lhe dar uma nota. Mas já aviso q a palestra.. ahh a palestra… só me pagando, sabe…. ahaha
    Abração!

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Rsrs. Sente e assista a palestra, Anorkinda!

  18. Gustavo Castro Araujo
    24 de maio de 2016

    O maior mérito deste conto é o poder de instigação, a começar pela premissa: supercomputadores subvertem a noção de tempo e permitem o vislumbre de universos paralelos. Tá lá a explicação — Heisenberg e Schrodinger desvendados por princípios quânticos — dando a base científica verossímil e despertando a curiosidade do leitor. Em seguida, a narrativa revela a verdadeira face do protagonista: Miguel de los Mundos é o rebelde haitiano que fugiu da escravidão para organizar um grupo de resistência e inspirar a independência haitiana, tornando-se também feiticeiro. Por aí já se denota que os universos paralelos se comunicam, dando fundamento concreto às diversas realidades históricas alternativas. Num mundo (o de Miguel), os EUA são uma ditadura, assim como a Europa. No outro (o de Mackandal), temos os fatos como aqui conhecemos. Pelo que pesquisei, os atos de Mackandal inspiraram um livro famoso, “El Reino de Este Mundo”, do escritor cubano Alejo Carpentier. Talvez o autor deste conto tenha se inspirado nessa obra para construir seu personagem — ou talvez eu esteja apenas desejando que isso tenha acontecido –, mas o fato é que, independente disso, a narrativa se completa de forma convincente, colocando à frente do leitor a incômoda questão: se fosse possível viver em um universo paralelo, ou melhor, se fosse possível deixar a realidade em que vivemos para mergulhar em outra, teríamos a coragem necessária? E se descobríssemos que somos, nós mesmos, pessoas diferentes moral e psicologicamente nesses outros universos? Enfim, um conto excelente, daqueles que nos deixam pensando, pensando… Parabéns!

    • Realista
      2 de junho de 2016

      Claro, Gustavo, o Reino deste mundo é o livro de cabeceira de todo “haitófilo”. Muito obrigado pela leitura e generosas ponderações.

  19. JULIANA CALAFANGE
    24 de maio de 2016

    Muito louca sua ideia, hein? Achei mais pra FC do que pra RHA, mas gostei. Só penso q o enredo precisava ser mais desenvolvido, o q talvez o limite de palavras não permita, neste desafio. Mas acho q vc deve investir nisso depois. Tem várias partes q tratam os assuntos de forma muito rápida e acaba confundindo o leitor, até porque imagino q a maioria dos leitores não entendem muito sobre física quântica e computação (e talvez menos ainda sobre a história do Haiti, infelizmente) pra alcançar as ideias que vc propõe assim de forma resumida. Isso também vale para o personagem do Mackandal e tb o do bêbado, até pra gente absorver melhor essa ideia q vc jogou de q as coisas q são consideradas científicas num universo, no outro são coisas da mitologia e da religião. Também acho que ficou frustrante esse final abrupto, logo q a gente começa a entender o que está acontecendo e o que é que aquela praia estava fazendo ali (também me lembrei do filme Contato…)!!! Fiquei imaginando o que aconteceria dali pra frente, se haveria enfim comunicação entre os universos (ideia usada pelo Asimov num dos seus contos, do qual não me lembro o nome agora), se o computador continuaria a criar universos indefinidamente (pense na confusão!), e pior: do que seria capaz a próxima geração do Parsec (tb lembrei do livro do Koontz, A Semente do Diabo, uma história de tirar o fôlego sobre um computador, batizado de Proteus, que assume seu lado “humano” até tentar engravidar uma mulher)?… Enfim, gostei muito, tb não vi problemas com a revisão, só acho que não foi muito RHA… Mas adorei ler seu conto, parabéns!

  20. angst447
    24 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar: T.R.E.T.A. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Uma boa escolha de palavras. Título interessante que não entrega muito a essência do que virá.

    * Revisão –Não encontrei lapsos na revisão que chamassem a atenção.

    * Enredo – Ficção científica não costuma me agradar, por isso li com mais cuidado para não deixar meu gosto pessoal interferir na análise do conto. O conjunto – sonhos, computação quântica e universos paralelos – parecem estar bem caracterizados dentro da trama. Apesar das oscilações entre os universos paralelos, há uma linha narrativa coerente com o tema.

    * Tema – Pelo que compreendi, o conto respeito o tema, mas de maneira ligeira, sem se ater somente às questões da RHA.

    * Aderência – Como já disse ,FC não é minha praia, talvez por isso, eu tenha tido dificuldade em me concentrar na trama. Em algumas passagens, o conto pareceu muito explicativo, o que fez a leitura perder o ritmo. Mas isso não é demérito do autor, mas sim desta que vos fala.

    • Realista
      24 de maio de 2016

      Obrigado, Claudia. Mas por que você não gosta de ficção científica, seu conto no desafio sci-fi foi tão interessante…

  21. Leonardo Jardim
    23 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): gostei bastante da ideia. O clima de estranhamento funcionou muito bem, na praia e na vida. Quando o texto chegou na parte “Não se esqueça” eu estava muito empolgado para saber o que estava acontecendo. A resolução, porém, não foi no nível da minha espectativa. Queria ter visto mais desses mundos, entender melhor essa coisa de vodu com tecnologia, etc. O texto termina logo após o diálogo que o mendigo explica parte ele. Acho que precisava de algo mais.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): boa, com algumas frases inspiradas. Não vi nenhum erro que pudesse tomar nota, exceto que em diálogos com mais de um parágrafo, coloque os parágrafos depois do primeiro entre aspas, para marcar que ainda é o personagem falando e não o narrador. Ou insira marcações do narrador entre os parágrafos. Ficou um pouco confuso desse jeito.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): achei a ideia geral de computadores fazendo processamento em outras dimensões algo fantástico. Desenvolva melhor essa ideia, quando puder.

    🎯 Tema (⭐▫): vi pouco do “outro mundo”, acho que podia focar mais nas diferenças entre esses mundos e os motivos disso.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): como já disse, gostei muito da parte inicial do texto, do estranhamento, da ideia, isso me empolgou bastante. O final confuso e abrupto, porém, diminuiu bastante o impacto.

    💬 Trecho de destaque: “Aquela praia era tão pura que magoava os olhos e os pulmões.”

    • Brian Oliveira Lancaster
      23 de maio de 2016

      “Computadores fazendo processamento em outras dimensões” – O Pensador Profundo faz isso no Guia do Mochileiro (inclusive ele cria a Terra) e é algo bem interessante de se acompanhar na leitura.

      • Leonardo Jardim
        23 de maio de 2016

        Está na minha fila de leitura, Brian. Meu único contato até hoje foi o filme…

      • Brian Oliveira Lancaster
        23 de maio de 2016

        O filme é legal, muito mais pelo carisma dos personagens (exceto a participação do maluco-com-pernas-robóticas – isso não tem no livro e no filme serve apenas de gancho sem sentido para o restante), mas faz uma salada sem tamanho dos volumes 1, 3 e 5. Isso ali é só o começo.

    • Realista
      24 de maio de 2016

      Obrigado, meus amigos. As ideias de computação em emaranhamento quântico e universos paralelos são originais de David Deutsch., em seu best-seller “A Essência da Realidade” (Lançado no Brasil pela Makron Books em 2000).

  22. Eduardo Selga
    22 de maio de 2016

    No conto, a alternativa à História está no fato de François Mackandal, escravo e líder político do povo haitiano, não ser ligado apenas às práticas espirituais: também à ciência, mas com o nome de Miguel de los Mundos. No entanto, o aspecto religioso da figura histórica posta em relevo é envolta em incertezas e mitos, e essa imagem foi fortemente reforçada por Severo Sarduy, um ficcionista cubano e importante teórico da estética neobarroca e do insólito na América Latina (uma de minhas referências quando trato do assunto). Ou seja, a habilidade dele no uso das ferramentas do vodu pode não ser fato histórico comprovado, apenas mito, muito embora ele tenha sido praticante da religião. Assim, a alternativa pode não ser considerada por algum leitor mais pragmático lá muito alternativa porque a base histórica é, em tese, frágil.

    No entanto, cabe aqui uma reflexão: o mito também não é histórico?

    Há uma corrente de pensamento que, ao abordar a relação entre ciência e religião, sustenta que a ciência muitas vezes se comporta como religião, por apresentar dogmas e sacralidades. De minha parte, acho que há pessoas ligadas à ciência que se comportam desse modo, mas talvez seja excessivo afirmar que a ciência em si pode ser uma religião.

    Digo isso porque essa narrativa aborda a dualidade ciência-religião como faces complementares de um mesmo aspecto, embora em universos distintos. Faz isso por meio do mesmo personagem, que em um universo é Mackandal e no outro é Miguel de los Mundos.

    Uma ideia interessante, mas executada um tanto confusamente, talvez pela mescla de insólito, ficção científica e realidade histórica alternativa. O primeiro é uma estética e os dois últimos gêneros narrativos. Assim, o insólito precisa perpassar os gêneros, e isso ocorre a contento, mas o balanceamento entre ficção científica e realidade histórica alternativa me parece predatório. É como se uma quisesse engolir a outra, como se disputassem espaço. Ou como se houvesse uma indecisão autoral quanto ao caminho ou à dosagem precisa.

    É provavelmente em função desse desequilíbrio que o discurso do personagem sobre os “Estados Unidos”, a Europa, países da América e os Estados Unidos (agora sem aspas) me pareceu tão embolado.

    Ao mesmo tempo, a interpenetração de universos ficou muito boa. A TV trás ao protagonista informações que dão ao leitor a certeza de que Miguel de los Mundos vive no universo paralelo. Ou não? Pode ser que ele esteja nesse universo, mas lhe cheguem notícias de outro.

    Faltou, enfim, o devido burilamento a essa ideia tão boa.

    • Realista
      24 de maio de 2016

      Obrigado pelas boas ideias, Selga. Realmente acho que faltou burilamento. Quanto ao ser o não RHA, ou se tem sci-fi demais, acho que não devemos nos preocupar tanto assim com isso. Agradeço também a forma gentil com que você se manifestou, valeu mesmo.

  23. Evandro Furtado
    22 de maio de 2016

    Ups: Você empregou um estilo de escrita bem dentro da ficção científica mesmo, com várias explicações e vocabulários bem científicos. Desenvolveu bem os personagens e a trama. Gostei do meio do texto, no qual as mudanças rápidas deram uma pegada meio surrealista.
    Downs: O final decaiu um pouco. De repente tudo mudou de ciência para magia sem maior detalhamento. O cara falando aquilo simplesmente não convenceu.
    Off-topic: O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui.

    • Realista
      24 de maio de 2016

      Obrigado pela leitura e sugestões, Evandro.

  24. Brian Oliveira Lancaster
    16 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Parsec – eu compraria um laptop com esse nome. História levemente confusa, mas intensa e criativa. Talvez separaria os sonhos da realidade com itálico, como feito uma vez no desenvolvimento, mas depois você ignorou esse recurso. Ficaria bem melhor. Compreendi a grande parte da história, mas exigiu um esforço adicional para diferenciá-las. Não sei se compreendi muito bem o final em aberto.
    E: O contexto de aleatoriedades deverá afastar os que não conhecem as nuances da FC Hard. No entanto, é uma bela história que lembra muito as palestras do Steve Jobs e suas “máquinas maravilhosas”. Ponto para a atmosfera em geral.
    A: Entendi que os sonhos, na verdade, eram outros universos. Mas posso estar enganado. Apesar de gostar bastante do ensejo, não consegui captar muito bem a “realidade” alterada. Tem uma história alternativa. Mas é alternativa da alternativa. Confuso como o seu final (estaria ele criando outra realidade?).
    O: Escrita tranquila, sem muitos termos técnicos, que facilitaram a imersão. Neste quesito, fluiu muito bem.

    • Realista
      17 de maio de 2016

      Valeu, meu brother! Realmente, tem umas partes meio confusas. Quanto ao itálico, é que não gosto muito de usar, mas provavelmente você tem razão.

  25. Davenir Viganon
    16 de maio de 2016

    RHA: François Mackandal (líder religioso no Haiti) é um cientista.
    Assim como em outro conto (O outro – Fanon) temos aqui uma coisa comum em estórias de RHA, os universos paralelos. Em “O Homem do Castelo Alto”, de Philip K. Dick, considerada obra de referência do tema, a existência ou não de um mundo paralelo é a essência do livro. Notei outra semelhança, muito bem vinda. A personagem do mesmo livro, Juliana Frink, acredita firmemente que a nossa realidade existe, porém é outro personagem que entra em contato com “nosso mundo” por meios totalmente místicos.
    No conto foi explorado ao máximo essa ideia, com a diferença que na sua estória o cientifico e o místico são duas facetas da mesma coisa. Não sou capaz de avaliar as informações científicas, talvez não precisem estar, pois a revelação da a explicação mistica, que o aproxima a Philip K. Dick.
    As notícias, já dão a entender que o mundo de Miguel é o paralelo. Bobby Fischer, famoso enxadrista, é um jogador de futebol talentoso e a Holanda (onde, no nosso mundo, se julgam os ditadores) tem seu ditador e e os EUA são outra coisa…
    O protagonista, Miguel de los Mundos, já é uma alusão a sua capacidade mística/científica (depende do mundo) de acessar outros mundos. Ficou um bom personagem em seu dilema. Ao fim, nos sonhos ele acabou por decidindo por nosso universo, pois Bob Fischer, volta a ser o enxadrista que conhecemos.
    Gostei muito do teu conto, parabéns!

    • Realista
      16 de maio de 2016

      Cara, que cultura! Valeu, Davenir, obrigado.

  26. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA apresentada: Universos paralelos.

    Tempo da ação: indistinto.

    Idioma: Não visualizei erros, a linguagem é comum o que permite o fácil entendimento e talvez, mascare algum ou outro equívoco formal.

    Ritmo e desenvolvimento: Lento o ritmo, o recurso escolhido de ” sonhos” quebra a dinâmica da estória, assim como o garoto e o bêbado que deixam “dicas” e desaparecem, num romance teriam melhor utilidade, no conto eles empacam a coisa – O desenvolvimento foi bom ( ritmo é uma coisa, desenvolvimento é outra, ou seja, apresentou o problema, intercalou as dúvidas e ocorreu o desfecho, unir essas etapas faz o ritmo, elas sozinhas são boas) – deixo de analisar a materialidade da base teórica, como fez um colega, por falta de conhecimento técnico, quando isso ocorre, credito eventuais falhas científicas á liberdade do autor.

    Conclusão: Um bom conto, só não sei se atende ao requisito de RHA, ainda que os universos paralelos tenham sua própria realidade, pareceu-me vago, algo como escrever ” o sol era azul sobre a Terra” e então contar um fato histórico sem alterá-lo. – De toda forma, é um conto interessante, embora eu desejasse maiores detalhes.

    • Realista
      16 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário é pela leitura, Olisomar. A “materialidade científica” tem fundamento científico, sim, posteriormente darei mais dados. Valeu, mais uma vez obrigado.

  27. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Ideia muito boa, apesar de haver sido explorada aqui e ali diversas vezes sob formas diferentes. O andamento do conto não é contagiante, achei os personagens mecânicos com evidente dificuldade para entrada dos “ganchos”. No geral, é um texto bom, ainda que a abordagem e a construção da narrativa tenha priorizado pelo básico.

    • Realista
      17 de maio de 2016

      Me tira uma dúvida: são dois Olisomares Pires?

      • Olisomar Pires
        17 de maio de 2016

        Olá, não, somente um Olisomar Pires… fiz dois comentários porque fui gentilmente advertido de que o primeiro estaria, digamos, superficial demais, só isso ! Certo ?

      • Realista
        17 de maio de 2016

        Claro, claro, só queria saber.

  28. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! Primeiro, não tenho dúvidas em afirmar: seu conto nada tem a ver com Realidade Histórica Alternativa… Só foi aceito por condescendência da chefia. Universos paralelos é pura Sci-Fi, ainda mais do modo que você abordou. Esquecendo um pouco essa questão da total inadequação do seu conto ao tema proposto, a parte científica da sua história está péssima. Um escritor de Sci-Fi não pode simplesmente falar o que vem à cabeça: ele deve conhecer ciência, inclusive para, quando quiser contradizê-la, ter plena consciência do que está falando. Sua história gira em torno de computação quântica, mas parece que você não pesquisou nada sobre isso. “As descobertas da Física Quântica sempre andaram de mãos dadas com a ciência da computação.”. Isso não é verdade, a computação é pura lógica, pode-se fazer um computador puramente mecânico e ele vai funcionar, embora seja muito mais lento que um eletrônico ou quântico, a física quântica e a computação não estão relacionadas diretamente uma com a outra. “Os mistérios do átomo, os princípios de Heisenberg e Schrödinger jamais teriam sido elucidados se não tivesse sido possível sua simulação a nível atômico-computacional.”. Na verdade, essas descobertas foram todas feitas até 1930, muito antes de inventarem qualquer tipo de “simulação computadorizada”. “A nova revolução, que foi a descoberta do que chamamos “entrelaçamento quântico” permitiu que pensássemos em computadores mais rápidos e menores que jamais poderíamos imaginar.” O entrelaçamento, ou emaranhamento quântico é um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos estejam de alguma forma tão ligados que um objeto não possa ser corretamente descrito sem que a sua contraparte seja mencionada – mesmo que os objetos possam estar espacialmente separados por milhões de anos-luz. Esse fenômeno, no entanto, não permite que se envie um sinal mais rápido que a luz, não podendo ser usado para aumentar a velocidade de processamento em computadores. Não é esse fenômeno que é explorado na computação quântica: esta faz uso da sobreposição e interferência de estados para processar simultaneamente várias linhas de código. Se ia falar no assunto, você devia ter estudado isso… O final cai no clichê “os antigos já sabiam isso há muito tempo”. E não dá pra entender a relação entre a computação quântica e mudança para universos paralelos. Na verdade, eu até entendi o que você quis dizer: as diferentes linhas de processamento de dados levaram ao desdobramento de universos, mas acho que esse assunto é muito complexo pra uma história de até 3 mil palavras, com o agravante de você ter dado uma base teórica errada no início, como eu já expliquei. Uma história que podia ter sido ótima, mas não se realizou seu potencial; Desejo Boa Sorte.

    • Realista
      24 de maio de 2016

      As descobertas da física quântica não acompanharam as da computação nesta RH, mas o conto é de RHA.
      O emaranhamento quântico permite que as propriedades dos qubits seja compartilhada por muitos outros instantaneamente, produzindo um aumento exponencial da velocidade de processamento em computadores quânticos.
      Computação quântica em universos paralelos foi proposto pelo físico David Deutsch, em seu livro “A essência da Realidade”. Consiste em percorrer trajetos paralelamente em vários universos, aumentando a eficiência do processamento.
      Velocidades maiores que a luz são a própria essência do emaranhamento quântico. Em 03/2013 os chineses demonstraram que o emaranhamento quântico é 10.000 vezes mais rápido que a luz.
      O problema com esses conceitos que você colou da wikipedia é que eles são muito antigos, muita coisa já foi acrescentada.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .