EntreContos

Literatura que desafia.

Hermano (Wender Lemes)

hermano

Sentado com sua cuia à porta do casebre, via dois cabritinhos pulando na baixada distante. Aquela cena alivia-lhe o peito, de certa forma, do peso que a manhã lhe incutia. A carranca de Pepe desmanchou-se por um instante quando um dos caprinos, traído por suas patas ainda inseguras, foi de cara ao chão, enquanto seu irmão tentava ajudá-lo a se levantar – notavelmente sem muito sucesso – empurrando seu traseiro.

Por um devaneio, imaginou-se cabritando nas terras de sua chácara, ciente de que pertencia a uma entidade longínqua, mas feliz por ser livre em seu próprio universo.

Pepe sorveu um gole de mate quente, conforme exigiam as manhãs na zona rural, sem perceber os passos que se aproximavam.

– Se continuar com essa cara de bobo, vão duvidar da sua fibra, meu amigo.

Evandro Godinho era um homem de face serena, ostentando seus quarenta e poucos anos (não muito mais velho que Pepe). A vida severa na roça concedia aos dois amigos uma espécie de juventude postergada. Evandro portava sinais de calvície iminente, Pepe estalava os joelhos ao se agachar, mas a vitalidade de ambos era inquestionável.

– Não se pode mais apreciar algo simples?

– Não com um trabuco escondido embaixo da mesa – replicou o recém-chegado. A sinceridade de Godinho em nada sugeria acidez ou mau-humor. Era, sim, apenas o que se propunha ser: sinceridade. Por outro lado, não deixava de “esfriar” o mate do amigo. – Teve notícias de Ana?

– Está presa em San José. Um advogado me trouxe uma correspondência dela semana passada.

– Sinto muito. Não gosto de vê-los nessa situação, apenas fico feliz que ela esteja viva.

– É verdade, eu a espero pelo resto da vida, se for preciso.

– Esse coração velho está mesmo amolecendo – riu-se Godinho.

– Preciso te mostrar o que consegui por esses dias – disse Pepe levantando-se e espanando a poeira da calça. A lembrança de Ana deixava-o agitado.

Curioso, o amigo o seguiu até os fundos do casebre, onde os detalhes cromados de um fusca azul refletiam o sol nascente do outro lado do horizonte.

Pepe abriu o capô do automóvel e Godinho pôde notar sobre o estepe a opacidade que destoava do restante da manhã. A luz entrava e perdia-se em linhas de metal escuro. Armas de fogo.

– Raúl te passou mais alguma orientação sobre hoje?

– Não, disse apenas para termos cuidado. Bordaberry está tentando nos sufocar de todos os modos, Pepe.

– Está, mas já derramamos sangue demais…

No início da década de 70, Juan María Bordaberry liderou o golpe de estado que instauraria uma ditadura de aproximadamente doze anos no Uruguai. Por outro lado, o Movimento de Liberação Nacional – Tupamaros manifestava-se como uma ameaça direta aos interesses do ditador. Sendo assim, uma de suas estratégias era capturar os líderes guerrilheiros, entre eles o próprio Pepe, e usá-los como reféns – sujeitos a fuzilamento sob qualquer indício de retaliação.

– Eu só gostaria de saber se o que estamos fazendo é mesmo o certo.

Os olhos de Godinho estavam fixos nas armas ali expostas, mas seu pensamento seguia os rastros de sofrimento que aqueles objetos foscos representavam – rastros que fugiam para muito além de sua capacidade imaginativa. Então, a voz do amigo maltrapilho ao seu lado o trouxe de volta para o mundo palpável:

– Certo ou não, é pelo seu direito de se questionar que lutamos.

As palavras de Pepe costumavam ter aquela profundidade estranha, pressupunham que escavar sentidos não fosse levar a lugar nenhum. Conscientemente incapaz de entender por completo o amigo, Godinho limitava-se a sorrir.

Era o início de um dia tumultuado, os Tupamaros preparavam mais um assalto a banco em Montevideo. Às vezes, civis precipitavam-se, inocentes acabavam multilados, mortos. Infelizmente, alguém inventou as causas nobres para justificar as atrocidades que nos acometem. Não é a nobreza um afago ao ego?

***

O grupo de Pepe estava posicionado. Alguns homens do lado de fora, um carro estacionado atrás do banco. Pepe, Godinho e dois outros guerrilheiros aguardavam o sinal combinado do lado de dentro. A maioria dos clientes não chegou a perceber, mas o ar dentro do banco estava ligeiramente mais difícil de se respirar. Alguns dos funcionários mais novos não conseguiam deixar de transparecer a euforia provocada por aquele momento – tempos de medo às seis da tarde.

Uma explosão do outro lado da avenida iniciou os protocolos de segurança do banco. O para-choques de um DKW emitiu algumas faíscas ao aterrizar próximo a um dos guardas da porta. A entrada foi fechada rapidamente, houve um pouco de tumulto. Gente de fora que queria entrar, gente de dentro queria sair.

Um menino chorava no colo de sua mãe em frente a um dos caixas, até que o homem de cabelos escuros e barba por fazer atrás deles se abaixou:

– Vai ficar tudo bem, sua mãe vai cuidar de você – disse Pepe. De alguma forma, a sinceridade do homem acalmou a criança, que lhe retribuiu o pequeno afeto apertando seu ralo bigode entre os dedos e rindo.

A cena foi interrompida pela voz de Godinho:

– Não se mexam e ficará tudo bem. Isto é um assalto!

Os dois guardas que estavam ali foram rendidos pelo grupo, enquanto Godinho arremessava um saco de estopa para os funcionários atrás do balcão.

– Sejam rápidos e tudo acabará em breve, não reajam.

Enquanto isto, Pepe coordenava os reféns, levando todos para um único canto da sala. Sentiu algo se remexer em seu estômago ao ver transformar-se em tristeza a expressão de contentamento da mãe que ajudara há pouco. Há em nós cantos escuros que a nobreza não alcança.

O ato corria como o planejado. Com a entrada lacrada por conta da explosão de antes, nenhum desavisado seria envolvido, nem as pessoas tentariam escapar ou fazer qualquer alarde. Ninguém teve tempo de acender as luzes, o acizentado do final da tarde provia a pouca visibilidade de que precisavam e evitava que alguém de fora percebesse o que se passava.

É uma pena, mas falamos de pessoas.

Um dos funcionários sacou uma pistola escondida sob o balcão. Godinho já tinha o saco de estopa cheio em mãos, o grupo preparava-se para sair quando dois disparos ensurdeceram as pessoas e arrancaram gritos de sustos.

Uma dor excruciante subiu pela coxa direita de Pepe. Tamanha era sua pungência que chegou a cair de joelhos. Nem mesmo percebeu que o outro disparo havia lhe pegado, de raspão, o ombro esquerdo.

Godinho não pensou duas vezes, um terceiro estrondo tomou o interior do banco. O funcionário insurgente foi ao chão – vivo, mas com um buraco na barriga que lhe renderia uma cicatriz vitalícia.

– Vão logo! – gritou Pepe, esforçando-se inutilmente para ficar novamente em pé.

– Eu não vou te deixar aqui – retrucou Godinho, mas Pepe já estava decidido. Seus ferimentos apenas atrasariam o grupo, cada minuto a mais que passassem ali era um minuto a mais em que as pessoas estariam em risco.

– Vai logo, desgraçado, eu fico com os reféns, os guardas não vão seguir vocês.

Godinho olhou para os guardas que, a contragosto, confirmaram o que dizia seu amigo.

– Você…

– VAI!

Ao sair, tropeçou em algo – só mais tarde veio a perceber que era seu próprio arrependimento. O restante do grupo o esperava na saída. Pepe tinha as mãos trêmulas meladas pelo próprio sangue, a visão turva, não conseguiria puxar o gatilho, menos ainda manter reféns, mas os guardas não se moveram. Por mais que o ímpeto de tomar alguma atitude fosse forte, deviam algo àquele homem caído no chão. Deviam a ele uma noite sem mais percalços.

Ao perceber que aquela missão estava cumprida, Pepe pôde se entregar ao pulsar lancinante que lhe tomava os sentidos. Em alguns segundos, o que era turvo virou escuridão. Era noite do lado de fora, também era do lado de dentro.

***

Pepe acordou na enfermaria da prisão de Punta Carretas, ainda em Montevideo. Sentia a perna direita dormente, tentou se mover, mas estava acorrentado à maca. Percebeu então que tinha companhia. Sentado em um banquinho próximo a ele aguardava um senhor calvo de porte rígido, uniformizado. Os olhos azuis do visitante inspecionavam-lhe dos pés à cabeça, medindo suas condições, ignorando as algemas que impediam seus movimentos. Aqueles olhos azuis sabiam que reais ameaças não se limitam com correntes. O visitante era um “velho de guerra”.

– O senhor tem sorte.

– Acho que tenho – respondeu Pepe.

– Se fosse outra pessoa, teria sido executada lá mesmo, mas você não é, sua face foi reconhecida, compreende?

– Bordaberry vê mais uso para mim vivo, não é?

– Exato.

– E o que acontece comigo agora?

– Por mim, ficaria preso aqui pelo resto dos seus dias miseráveis. Bordaberry quer que você saiba, no entanto, que sua estadia será menos dolorosa se cooperar conosco.

– Qual o seu nome?

– Mirtillo.

– Senhor Mirtillo, pode dizer a Bordaberry que de mim não terá nada, nem pela dor, nem por qualquer outro meio.

Os olhos azuis já esperavam aquele tipo de resposta. Mirtillo levantou-se, condescendente, parou ao chegar à porta da enfermaria.

– Prepare-se para ficar um bom tempo aqui, senhor Ulpiano.

– Estou preparado – respondeu Pepe -, nunca me entendi como inocente.

Aquela frase pareceu engraçada ao homem de olhos azuis.

– Acho que é a primeira vez que ouço isso por aqui.

Apenas seus amigos mais antigos, como Godinho, o conheciam por Pepe. Para a polícia e para seus demais companheiros de guerrilha, seu nome era Ulpiano. Sua vida foi poupada pela importância que ele tinha entre os Tupamaros. Pepe não era um grande guerrilheiro, era um grande homem. Raúl Sendic, “líder máximo” entre os Tupamaros, era capaz de levar muitos à guerra, mas apenas Pepe conseguia lhes dar um motivo digno para lutar. Assim, Pepe/Ulpiano foi mantido em cárcere por vários anos durante a ditadura, mesmo após a destituição de Bordaberry.

***

Pelas grades de sua cela, ela via o mar.

– É bonito, não é?

– É.

– Acho que eles fazem de propósito.

– O que eles fazem de propósito? – perguntou Ana.

– Nos deixam de frente para algo tão bonito.

– E por que eles fariam isso? Ninguém se preocupa com a nossa vista.

– Ah, mas ela aumenta a agonia de estar aqui. É uma tortura invisível. Nos deixam pensando no que perdemos.

– Pois eu penso no que ainda terei de volta.

Por cinco anos, Ana e Ulpiano trocaram cartas através de advogados. Uma comunicação escassa, ainda que persistente. A relação dos dois nasceu no ambiente mais improvável: enquanto fugiam da polícia. Tudo talvez tenha começado simplesmente pela vontade de ver o companheiro de guerrilha vivo, mas o espírito de Ulpiano conquistou Ana, a força de Ana conquistou Ulpiano. Aos poucos, deixaram de ser apenas parte do mesmo grupo, passaram a ser parte da mesma vida.

Ironicamente, o casal só veio a se conhecer melhor após o cárcere. A vida de guerrilha os ocupava demais. Presos, tinham todo o tempo do mundo para pensar um no outro e no futuro que desejavam ter.

Um dia, Ana resolveu lhe contar um de seus últimos segredos:

“Querido Ulpiano,

Os dias têm sido cada vez mais longos.

Tenho pensado no que disse sobre Rincón del Cierro.

Nada me faria mais feliz que envelhecer com você em sua chácara.

Acho que nossos tempos de Tupamaros estão muito distantes, então não vejo motivo para nos tratarmos como Ana e Ulpiano. Embora o modo como nos apelidamos não mude o que vivemos juntos, gostaria muito de chamá-lo pelo nome que seus pais te deram.

 

Amo-te.

Lucía Topolansky.”

 

A resposta demorou mais que o usual a chegar. Com o tempo, um vazio inexplicável começou a crescer no peito da mulher. Lucía não sabia até então, mas a próxima carta que receberia seria a última.

***

De volta à Punta Carretas, Pepe comia feliz o pão que o diabo amassou. Ainda não havia começado a escrever a resposta a Lucía. Seu contentamento era tamanho que não conseguia colocá-lo em palavras. Ao mesmo tempo, sentia-se inseguro com tanta felicidade, as coisas não poderiam ser tão boas para ele. Então, de sua cela, ouviu passos calmos chegarem pelo corredor. Passos calmos e certos como a morte.

– Parece que eu estava enganado, Ulpiano. Você não vai passar tanto tempo aqui quanto eu pensei.

A voz de familiar de Mirtillo causou-lhe um calafrio. Do lado de dentro das grades via os olhos azuis faiscantes.

– O que aconteceu?

– Um ataque. Pode acreditar? Depois de anos sem notícias daqueles desgraçados, seus amigos resolveram matar novamente?

– Quem?

– Não faz diferença para você. Só vim avisá-lo que nosso governo cumpre o que promete. Sua execução está marcada para a próxima semana.

– Mas… Ei… Mirtillo! EEEIII!

Tão serenos quanto chegaram, seus passos se foram, Mirtillo deixou aquela sombra sobre o pensamento de Pepe. Uma última tortura.

– Deixe-o, Ulpiano, só pode ser um blefe – disse um de seus companheiros de cela.

Realmente, poderia ser, mas por que aquele homem se daria tal trabalho? Além do mais, Mirtillo não parecia do tipo que blefava. Aquela dúvida lhe corroeu as tripas por dias, até perceber que o único nome que não conseguia tirar da mente quando imaginava a própria morte era “Lucía Topolansky”. Não poderia partir e deixá-la sem resposta.

Pepe não acreditava em Deus, sorte ou destino, nem via o que lhe acontecia como um castigo divino por seus atos. Também não questionava a justiça de sua execução, sabia ter feito mal a muitas pessoas – por mais que seus ideais o forçassem a ver o mal que fazia como algo necessário. Assim, sua sentença de morte trazia-lhe a insatisfação da partida antecipada, mas não qualquer tipo de revolta.

Com a lucidez que um condenado pode ter, concentrou suas forças na última carta que escreveu.

***

Às quinze horas do dia 25 de Agosto de 1975, o fogo extinguiu o fôlego. Pepe foi fuzilado cinco anos após sua prisão, como marco da última morte Tupamara de que se tem registro. Um marco triste, porque a inocência é um conceito estranho quando falamos de pessoas. Assim, rapidamente e sem muito o que dizer, faleceu um homem que poderia ter sido o presidente do Uruguai – a vida é algo frágil onde quer que se manifeste, é isso que lhe incute valor. Por um momento, a imagem de Lucía lhe tomava a mente. Só esperava que ela recebesse sua carta. No momento seguinte, era noite ali dentro outra vez.

***

“Querida Lucía,

Não quero te deixar triste.

Gostaria que pudéssemos viver os nossos sonhos, mas às vezes os sonhos de todos são maiores que os sonhos de cada um.

Sobretudo, queria que soubesse: você me fez muito feliz.

Realmente, não há mais sentido em escondermos nomes, você pode me chamar de Pepe, é como algumas das pessoas a quem mais considero me chamam.

Também serei para sempre seu Ulpiano,

E meus pais me nomearam José Alberto Mujica.”

***

Sentado à porta do casebre com uma cuia que não lhe pertencia, um velho calvo honrava a lembrança de um grande amigo. Não havia mais cabritos, a morada estava caindo aos pedaços, a chácara virara um matagal sem fim, mas aquele pedaço empoeirado de tábua em que Pepe costumava se sentar ainda era o mesmo. Desde a morte do amigo, todos os anos Godinho preparava o mate em sua cuia, sentava-se no mesmo lugar e via o sol nascer. Continuava sem entender o que se passava na cabeça daquele velho louco, e isto o fazia sorrir.

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32 comentários em “Hermano (Wender Lemes)

  1. Wender Lemes
    4 de junho de 2016

    Olá, pessoal. Parabéns a todos e obrigado por todas as leituras e pontuações tão generosas com meu conto. Devo dizer que optei por não responder aos comentários durante o desafio no intuito de não influenciar as opiniões – acabou sendo uma boa decisão, pois vocês se deram muito bem sem mim. Acho que, a partir do momento em que torno minha criação pública, cada um a entenderá de uma forma diferente, e é isto que torna a arte tão importante. Tentando explicar ou defender meu conto, eu acabaria indo na direção contrária ao que acredito, acabaria indo contra esse exercício de desprendimento que considero “escrever para o outro”. Em todo caso, tenham certeza de que cada comentário foi extremamente construtivo e que também foi um prazer opinar sobre suas obras. Aguardo ansioso por um próximo encontro. Forte abraço.

    P.S.: Claudia, para não me contradizer, vou te deixar essa dúvida sobre o Blueberry kkkk.

    • angst447
      5 de junho de 2016

      Custar sanar esta dúvida atroz? Ainda sobre nomes, percebi um desdobramento Bordaberry > Blueberry (=Mirtilo). Ou foi viagem minha?

      • Wender Lemes
        5 de junho de 2016

        Custaria a graça dessa pulga atrás da orelha, fosse minha resposta positiva ou não. Vou chamar de benefício da dúvida 😀

  2. Pedro Luna
    3 de junho de 2016

    Olá. Acho que esse foi o único, ou um dos únicos que me surpreendeu no fim. Apesar do nome Pepe, só no final vi que era o Mujica. Achei bom o texto, bem escrito, cheio de cenas diferentes (ele vendo os cabritos, o assalto, a prisão). A explicação da ditadura também ficou bem verossímil.

    Só achei poético demais em alguns momentos (noite do lado de fora, e também do lado de dentro). Isso parece idiota de ser dito, mas acho que as melhores partes do texto tiveram uma crueza que faltou em outros momentos.

    No geral, grande trampo.

  3. Simoni Dário
    3 de junho de 2016

    Olá Hermano.
    Um texto de qualidade com uma narrativa poética muito agradável de ler. Desconheço essa parte da História e gostei muito de conhecê-la por aqui, ainda que às avessas. Gosto de romances e senti a tristeza pela morte do Mujica no seu conto por conta das emoções ali muito bem narradas. As cenas todas foram bem descritas e o sentimento dos personagens bem trabalhados. Pontos para o romance. Parabéns!

  4. Andreza Araujo
    3 de junho de 2016

    Uau… acho que foi o conto mais bem escrito, na minha opnião, e olha que só faltam outros quatro para ler.

    Vou explicar. A narrativa é incrivelmente fluida. Possui bom domínio da nossa língua, o vocabulário é rico e digno, mas sem deixar o texto enfadonho ou pomposo demais.

    Fui levada para dentro das cenas, dos personagens, das angústias, dos amores e de toda a ação. Algumas frases são realmente inspiradoras, onde precisei parar a leitura para reler a frase, e reler uma terceira vez, apenas para refletir sobre ela e me deliciar. Destaque para “Era noite do lado de fora, também era do lado de dentro.”

    Olha, não tenho muito o que falar, cumpriu bem o tema numa história que me prendeu a atenção completamente. Os personagens são cativantes. Meus sinceros parabéns.

  5. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    Boa sacada a ideia da tortura “psicológica” do Pepe, assim como muitas ideias interessantes no texto. Os diálogos são bem adultos, maduros, respaldados em tramas bem urdidas. O conto é muito bom. Só não entendi o Selga dizer que a América Latina é endireitada. Para todo lado que eu me viro só vejo discursos esquerdistas, há muito tempo. Guerrilheiros como Guevara são endeusados, falar em luta de classes, elites dominantes, é a moda, é até um maneira de se esquivar da justiça. Mas Pepe Mujica, apesar dos erros, pelo menos é mais coerente que maioria.

    • Eduardo Selga
      3 de junho de 2016

      Wilson, eu disse que a América do Sul está “endireitada” porque ela está passando por uma modificação em seu direcionamento político, com a direita neoliberal ampliando seus espaços e até assumindo o poder, como nos casos do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Equador e Venezuela. É um movimento de caráter conservador que percorre na verdade as três Américas e a Europa.

  6. Swylmar Ferreira
    2 de junho de 2016

    Um conto legal, principalmente no inicio fazendo a leitura fluir fácil, bem escrito com RHA retratando a vida alternativa de Pepe Mujica. Achei a trama um pouco crua, me pareceu faltar algo que desse liga melhor. Os diálogos ajudaram muito o conto.
    Boa sorte.

  7. Virginia Cunha Barros
    2 de junho de 2016

    Oooh meu deus, eu vou chorar! Que conto bonito, a ação, o romance, claro, a troca de cartas… o autor realmente sabe emocionar uma pessoa! A riqueza e profundidade dos personagens é de espantar mesmo. “O fogo extinguiu o fôlego” poxaa achei muito linda essa frase e essa: “era noite ali dentro outra vez”, esse conto me deixou muito sensível, não posso opinar muito. Parabéns!

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Aplausos!

    Um conto muito bonito, poético em sua execução. Gostei demais do uso das palavras, dos verbos e das construções frasais. O RHA voltado exclusivamente para Mujica, no entanto, acabou podando o que poderia ter sido uma história maior. A resistência contra a ditadura no Uruguai foi, assim como aqui no Brasil, um momento extremamente polarizado – extremos que perduram até hoje – e gostaria que muitos desses questionamentos políticos viessem à tona na narrativa.

    É um trabalho excelente.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  9. Thomás
    1 de junho de 2016

    Olá Godinho

    Gostei do seu conto, no geral, apesar de ter achado a narrativa toda meio “reta”, como num livro didático, sabe?

    Senti falta das consequências da morte para além do círculo pessoal de Mujica..

    Ainda assim, uma bela história.

  10. Thiago de Melo
    1 de junho de 2016

    Olá, Godinho,

    Gostei do seu conto. Acho que vc escreve muito bem e conseguiu inserir pequenos detalhes na narrativa que ajudam o leitor a se transportar para a história, principalmente nos diálogos. A parte em que os presos estão vendo o mar ficou muito boa na minha opinião.
    Não encontrei nenhuma erro de ortografia ou de gramática no seu texto, o que é sempre um ponto positivo.
    Achei que quanto ao tema deste desafio, história alternativa, você cumpriu com o que foi pedido, mas não senti que esse foi o foco do seu texto. Vc continua história de Pepe Mujica, mas, em vez de sair da cadeia e eventualmente virar presidente, ele foi executado. Achei que faltou um pouco da parte “alternativa” do desafio.
    De toda forma, gostei do seu texto e te desejo sorte no desafio.

    Um abraço.

  11. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: interessante a ambientação no Uruguai da década de 70, e a virada de Pepe Mujica ser executado. Mas essa RHA não conduz ao que seria o país sem ele, talvez transformando um personagem histórico em apenas mais uma vítima da ditadura, uma história individual e romântica. Não é crítica isso, é constatação somente. Acho que poderia ter mostrado o que a falta dele como presidente poderia ter causado ao país.

    TÉCNICA: escrita fluente, profissional até. Algumas frases me pareceram soltas, como: “É uma pena, mas falamos de pessoas” (?) e “Não é a nobreza um afago ao ego?”

    EFEITO: no geral, foi uma história agradável de ler; e, mesmo sem surpreender (já tinha identificado a personagem no início), demonstrou o domínio do escritor na técnica narrativa. Boa sorte!

  12. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    Conto bem escrito mas com falta de emoção, o texto parece demasiado descritivo sem picos de interesse, é muito linear, faltando altos e baixos, não sei se me percebes. Mas ficou demonstrado que dominas a escrita e técnicas literárias. Muitos parabéns.

  13. Pedro Teixeira
    29 de maio de 2016

    Olá, autor! No geral gostei bastante, a narrativa é segura e bem conduzida, com sentenças muito bem construídas. É um conto inteligente e instigante. Só achei um pouco fora do lugar os juízos de valor do narrador, acredito que ficaria melhor se conseguisse transmitir isso como pensamentos, questionamentos dos personagens, enriquecendo seus perfis psicológicos. De resto, um conto muito bom. Parabéns e boa sorte no desafio!

  14. Leonardo Jardim
    25 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐⭐▫): é singela, bonita e simples. Esquecendo a figura histórica mostrada no texto (que pessoalmente admiro bastante e percebi quem era desde o início pela foto e apelido), é um texto sobre guerrilheiros, suas motivações e aspirações. Sobre colocar dar a vida em troca de uma causa. O único ponto negativo é o personagem Godinho, que acabou ficando meio solto na trama para voltar apenas no final (a cena seria mais bonita, por exemplo, se Lúcia também estivesse lá).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): muito boa, com sentenças bastante inspiradas, quase poéticas. A cena inicial é linda e nostálgica. Não cheguei a encontrar defeitos que resultassem em desconto de pontos.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto trata de motes comuns, como revolução e guerrilhas latino-americanas, mas de uma forma que passa longe do clichê.

    🎯 Tema (⭐⭐): Mujica foi executado por seus crimes e não te tornou presidente uruguaio. Gostaria de saber um pouco mais sobre as consequências disso, mas não é suficiente para descontar pontos.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): como já disse, admiro muito Mujica e gostei bastante da forma como sua história foi abordada (e alterada). Não cheguei a ficar emocionado, mas me envolvi bastante com os personagens. Para um impacto perfeito só faltou mais força na última cena (como a presença de Lúcia, que já citei, por exemplo).

    💬 Trecho de destaque: “o fogo extinguiu o fôlego”

  15. Pedro Arthur Crivello
    24 de maio de 2016

    confesso que não sabia muita coisa sobre a história do Uruguai e gostei do personagem que você escolheu. sua RHA é mostrada de forma impecável , sem forçar nem nada, uma simples mudança de eventos que muda o rumo da história para sempre. sua gramatica foi muito bem usada , embora acho que poderia explorar mais as palavras e criar um vocabulário mais rico. foi muito bem trabalhada a emoção ,acima dos fatos históricos, o que foi um ponto interessante e contou pontos para o a história ficar mais interessante

  16. Fabio Baptista
    21 de maio de 2016

    Conto muito bem escrito, gramaticalmente impecável, com algumas frases bonitas aparecendo para enfeitar o texto e um toque poético (sem exagero, o que agrada meu gosto pessoal). A única coisa na parte técnica que não me agradou muito foram certos juízos de valor feitos pelo narrador, tipo: “É uma pena, mas falamos de pessoas”. Esse tipo de intervenção às vezes soa meio forçada e infelizmente foi o caso aqui, na minha opinião.

    O enredo não me conquistou. Eu demorei para entender de quem se tratava (só descobri no final, na verdade) e em determinados pontos (principalmente na parte do banco) fiquei até meio entediado, tendo que voltar para tentar entender quem era quem, sem saber direito para quem “torcer” ou quais eram os objetivos dos personagens.

    Lendo os comentários dos colegas após a leitura, consegui assimilar melhor a história e perceber a completa adequação ao tema e o cuidado e a sensibilidade do autor, porém, nesse ponto, o impacto já não era o mesmo.

    Em resumo, ganha pontos pela qualidade da escrita, mas infelizmente não me empolgou.

    Abraço!

  17. Gustavo Castro Araujo
    21 de maio de 2016

    Bom texto, bela sacada e ótima escrita. Uma RHA envolvente e instigante. E se Pepe Mujica tivesse experimentado o destino comum (e fatal) dos guerrilheiros que se levantaram contra os regimes ditatoriais na América Latina? Pelo que se nota, teria sido “apenas mais um”.

    De todo modo, o maior mérito deste conto não é exatamente a (ótima) narrativa, mas sim a ideia proposta. Se um conto é bom na medida em que faz pensar, na medida em que acende discussões, na medida em que provoca o leitor, podemos dizer que este se sobressai positivamente. Independentemente de ideologia, a trama traz a lume a incômoda questão: até que ponto foi válida a adoção da luta armada pelos insatisfeitos com os governantes de plantão? Até que ponto esses irresignados — talvez ingênuos — jovens buscavam defender a democracia? Este conto não parece querer justificar ou explicar essas atitudes, preferindo focar no amor impossível entre Pepe e Lucía. Mas lança a semente.

    Dá para ver pelos comentários o incômodo causado, o que permite concluir que o conto cumpre muito bem o objetivo de tirar o leitor da zona de conforto. Ótimo trabalho!

  18. Catarina
    21 de maio de 2016

    A ilustração, logo no COMEÇO, estragou a única surpresa do FIM. O FLUXO é competente, mas o estilo sem emoção não me agradou. A TRAMA traz uma realidade ALTERNATIVA em que fica a dúvida: O que teria sido do Uruguai sem a liderança de Mujica? A passagem: “Infelizmente, alguém inventou as causas nobres para justificar as atrocidades que nos acometem. Não é a nobreza um afago ao ego?” deixa clara a posição política do autor do conto e não de um personagem ou do narrador. Faltou técnica.

    • Olisomar Pires
      21 de maio de 2016

      Olá, Catarina. Duas dúvidas: essa não seria a fala ou os pensamentos do personagem “Godinho” ? Por outro lado, se o agressor não justificar de algum modo o ato que comete, ele não passaria de um simples delinquente ? Caso positivo para a primeira e/ou segunda indagação, entendo que não seja o narrador expressando a opinião do autor, mas dos personagens à margem da lei, seja individual (Godinho) ou coletiva.

  19. angst447
    18 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Uma só palavra. O essencial que resumiu o todo.

    * Enredo – Não sou muito ligada em História, muito menos em política, embora não me considere tampouco uma alienada. Portanto, demorei um pouco para me situar dentro da narrativa e confesso que ao ler Mujica, primeiro me veio a imagem do Zé do Caixão (pela associação com Mojica). Ainda sobre nomes, percebi um desdobramento Bordaberry > Blueberry (=Mirtilo). Ou foi viagem minha?

    * Tema – O conto abordou o tema proposto, apresentando a sua versão de RHA.

    * Revisão – Não notei falhas de revisão. O autor domina bem o manejo das palavras. Frases de efeito espalhadas por todo o texto, revelando uma tonalidade poética, por vezes.

    * Aderência – O início do conto atraiu minha atenção por apresentar uma cena aparentemente corriqueira, na tranquilidade, mas com um toque poético e nostálgico. Algumas passagens ficaram um pouco arrastadas, mas talvez isso tenha sido necessário para manter a atmosfera mais pesada. O final triste, porém bonito, foi quase perfeito. Bom trabalho!

  20. Ricardo de Lohem
    18 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! O José Mujica ter sido assassinado e não ter virado presidente do Uruguai, por que você se interessou por esse tema? Pensando bem, com algumas modificações, o conto poderia ter se tornado fascinante: a) O presidente do Uruguai não teria sido José Alberto Mujica, mas sim o nosso José Mojica Marins, que teria se naturalizado uruguaio. Imaginem só: Zé do Caixão, presidente do Uruguai! Outra opção: b) O José Mujica teria se naturalizado brasileiro e virado presidente daqui, legalizando a maconha. Também teria sido muito divertido! Agora falando sério: O tema não me parece interessante, ou não foi explorado de modo a interessar quem não gosta do assunto, mas o conto está bem escrito, bastante poético, tem RHA de verdade, são pontos positivos, você parece que sabe mesmo escrever uma história. Parabéns! Desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  21. Evandro Furtado
    18 de maio de 2016

    Ups: Palmas pra você. Que coisa linda, cara! Frases de efeito perambulando pelo texto, personagens bem construídos com belos backgrounds. E mais, você me salvou de uma boa ao revelas o nome no final. Já tava abrindo uma guia na Wikipedia aqui.
    Downs: N/A
    Off-topic: Achei que o nome dele era Rachacuca, kkkkkkkkkkkkkkkkk.

  22. Brian Oliveira Lancaster
    18 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Gostei mais do contexto do que a história em si. Confuso, não? A atmosfera é boa, mas demorou um tanto para descobrir qual era o cenário escolhido e fui ter certeza somente o final. As partes com explicações didáticas cortaram um pouco o ritmo do texto, talvez se estivessem espalhadas, ou mesmo entre parênteses, ficaria melhor para quem lê.
    E: Um clima interessante de interior quase abrasileirado, com emoções reveladas através de diálogos. A história tem vários picos, mas do meio para frente torna-se cotidiana até demais. Volta algumas explicações, mas pelo menos, na parte de troca de cartas e cenários, o enredo consegue gerar interesse novamente, com um final bem pontuado e que satisfaz.
    A: A Rha ficou mais específica perto do fim, ao ver o nome conhecido do protagonista. Então, tudo fez mais sentido. No geral, alcançou o objetivo, mas é um pouco confusa para quem não conhece a história real, desde o início. Mas, ressalto novamente, todo o clima foi cativante.
    O: Notei apenas uma ou outra frase construída de forma estranha, mas o restante foi bem conduzido, simples, fluente e eficiente.

  23. Anorkinda Neide
    16 de maio de 2016

    Olá!
    Um bom conto, bem executado, emociona até com o lado sabrinesco.. rsrs
    Se Mujica tivesse sido assassinado não viria a presidir o Uruguai. Uma homenagem. Bacana,
    Parabens pelo conto.

  24. Davenir Viganon
    16 de maio de 2016

    RHA: Pepe Mujica foi executado por Bordaberry durante a ditadura no Uruguai.
    O texto muito bacana de ler. Provavelmente quem não é apreciador da figura de Pepe Mujica enxergará algo de “ideológico”, pois é muito mais fácil enxergar a ideologia nos outros do que em si mesmo. A ideologia está ali obviamente, como está em todos os textos. Nossa visão de mundo aparece em tudo que fazemos. Inclusive textos literários. Quanto ao tema, senti falta de saber como seria esse mundo alternativo? Resta nossa imaginação preencher o vazio. (o minha imaginação, viu um mundo com uma esquerda latino-americana fragilizada, sem uma pessoa admirável) Porém acredito que o autor deveria dar ao menos um vislumbre de sua visão. O conto em si me agrada, apesar de não haver muita profundidade no personagem. Queria uma versão do autor do Mujica. A estória ficou bonita e triste. Mostrou o que este mundo alternativo perdeu. Parabéns.

  25. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA apresentada: Pepe Mujica teria sido executado por seus crimes.

    Tempo da ação: 1969 a 1975.

    Idioma: Bem escrito, não visualizei erros explícitos.

    Ritmo e desenvolvimento: Muito bom o ritmo, os diálogos dão vida à estória de forma impressionante, gostei muito. De igual forma o desenvolvimento das etapas do conto são muito boas.

    Conclusão: Bom conto, bem escrito, as personagens, embora romanceadas um pouco (Pepe não era um grande guerrilheiro, era um grande homem) não esconderam totalmente a crueza dos seus atos reais (sabia ter feito mal a muitas pessoas – por mais que seus ideais o forçassem a ver o mal que fazia) – A história, muitas vezes, é bastante compreensiva com a maldade. em muito ajudada pela propaganda ideológica – De toda forma, o conto é convincente, por sua qualidade literária.

  26. JULIANA CALAFANGE
    14 de maio de 2016

    Gostei muito da sua linguagem, leve e fluida, mesmo não aprofundando muito os personagens, fiquei envolvida emocionalmente com a história. Mas achei q vc podia ter ido um pouco mais adiante. Na verdade, o “e se” do tema proposto, no seu texto, termina no momento em q começa. Gostaria de imaginar o que teria acontecido no Uruguai, caso Pepe tivesse sido morto. Mas vc nos deixa com gostinho de quero mais… De qualquer forma agradeço a Deus pela história verdadeira não ter sido assim. Grande Mujica!

  27. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Muito bem escrito, emocionalmente denso.

  28. Eduardo Selga
    14 de maio de 2016

    A decisão do(a) autor(a) em dar à narrativa ficcional sobre o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica um tom ligeiramente lírico, fazendo uso de uma personagem que na vida real é sua esposa, Lucía Topolansky, resultou num conto de boa qualidade, embora, acredito, os personagens tenham sido pouco trabalhados em detrimento do enredo. Isso não é exatamente uma falha, é legítima questão de escolha: fazer do personagem instrumento do enredo ou o enredo constrói o personagem? Ocorre que, em minha opinião, o enredo pede uma construção mais detalhada de personagens, apesar da falta de espaço.

    À medida que o desfecho chegava fui entristecendo, Não por má qualidade literária, posto que o texto é bom, mas porque a narrativa “não deixa” Pepe Mujica ser presidente, fuzilado por Bordaberry, ditador do Uruguai nos anos 1970. É triste. Em uma América do Sul tão “endireitada”, lideranças de esquerda fazem falta. Ainda bem que é apenas ficção.

    Ao fim, temos o seguinte trecho: “Continuava sem entender o que se passava na cabeça daquele velho louco, e isto o fazia sorrir”. Funciona muito bem por retomar o início do conto, mas me parece que lá no começo não existem dados suficientes para Godinho considera-lo um “velho louco”, no sentido de fora de algum padrão comportamental, exceto pelo fato de ser um guerrilheiro. Mas isso o Godinho também era. Provavelmente “velho louco” se relacione ao fato de a amizade, quando intensa, causar esse tipo de frase extrovertida e com pouco sentido objetivo, apenas uma demonstração de carinho. Ainda assim, por causa da ambiguidade, não me pareceu perfeita.

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Informação

Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .