EntreContos

Literatura que desafia.

E se fosse Eva? (Catarina Cunha)

adaoeva

Uma fina cascata de flores de maracujá alimenta o lago adormecido, enquanto o nascer do sol doura o vale entre montanhas de algodão.  Eva enrola uma mecha de seus longos cabelos de mel no dedo mindinho e bufa:

— Saco, nada acontece por aqui. É noite caindo, sol nascendo e se pondo e nascendo e se pondo. Ninguém merece.

Um raio cai ao lado de Eva, que se vira com desdém:

–Que foi agora, pai?

— Não se faça de desentendida, mocinha. Eu ouvi você reclamando de barriga cheia.

— Cheia de frutas suculentas. Não aguento mais. E você que depois do sétimo dia não fez mais nada? Aposentou-se com sete dias de trabalho me deixando com essa merda de paraíso para cuidar.

— Não fala assim se não eu castigo.

— Mais castigo que acordar com essa passarinhada toda gritando no meu ouvido? Ou vai criar praga pior zunindo no ouvido, mordendo sem a gente ver e passando um monte de doença? É só o que falta.

— Não é uma má ideia. Por enquanto vou só lhe dar um corretivo leve para você jamais esquecer quem manda por aqui.

Deus estala os dedos e o chão se cobre de baratas.

— Porra, pai, eu estava brincando. Que bicho feio é esse?

— Sua inimiga íntima, que neste momento ganhou o cheiro da tua boca suja. Pronto, agora você já tem do que reclamar.

— Que merda.

— Criei o mundo perfeito, digno de sua beleza e você fala assim comigo? E o respeito que te ensinei? Pronto, coloquei asas na sua amiguinha. E se não se desculpar ela vai falar mais do que você.

— Não! Tá bom, chega. Desculpa, pai, foi sem querer.

— Melhor assim. Vá passear pelos campos, brincar com o macaco. Sei lá, arranje o que fazer. Nunca deixei te faltar nada, o que você quer mais?

— Ah, sei lá. Um defeitinho cairia bem. Essas frutas sempre maduras e brilhantes e essa temperatura constante estão me enlouquecendo.

— Hum, isso não estava no projeto original.

— Enlouquecer de tédio?

— Não, isto era previsto. Digo “um defeitinho”. Talvez seja perigoso, não podemos dar chance ao caos.

— Quem? Tem mais alguém aí contigo? Esse tal de Caos é, bonito, alegre, forte, sabe caçar e fazer cosquinha? Se for pode mandar que eu aceito como presente de aniversário.

— Não sei, talvez seja um pouco mais do que isso. Não, de jeito nenhum. Você não tem ideia do perigo, minha doce inocente Eva. Não sei mais o que faço com você. Onde foi que eu errei?

— Sabe o que é pai? Tive uma conversa séria com a coruja na hora do almoço.

— Preciso rever esse módulo, tirar a fala dessa ave intrometida.

— Não, eu gostei. Ela é tão inteligente, corajosa, experta.

— Esse era o meu medo.

— A Dona Coruja me falou que eu sou a única de minha espécie e que, mais cedo ou mais tarde, irei morrer sem deixar nada que lembre minha existência.

— Maldita gorda escrota. Farei com que só possa passear à noite e que passe a eternidade piando.

— Então é isso, está decidido. Quero uma cópia de mim.

— Impossível, joguei a fórmula fora por questões de segurança.

— Você o quê? Tá de sacanagem comigo? Estou condenada a passar a eternidade brincando com o macaco e o jumento?

— Com o jumento também, minha filha?

— Culpa sua, tenho que me virar com o que tenho. O macaco coça as minhas costas e o jumento me leva para passear.

— Ah, claro, claro. Que cabeça suja a minha. Está bem. Nenhuma cria merece passar pela solidão em que vivo. Você tem razão, vou atender o seu pedido. Cópia não tem como, mas posso providenciar um genérico. Algo mais fácil, mas igualmente belo e inútil como você.  Vou precisar de uma costela tua.

— Uma costela? Jamais! Não vou ficar toda troncha. Arranque logo as duas últimas para afinar essa cintura horrorosa.

— Que seja feita a vossa vontade. Nunca mais sentirás tédio fingido, terás o genuíno.

— Odeio quando você fala dessa forma, parece tão teatral.

— Vamos resolver logo essa aporrinhação toda que me tirou do sossego celestial.

— Tadinho do meu painho, ficou chatiadinho e emburradinho.

— Pare de falar no diminutivo que você sabe que eu não suporto. Da próxima vez que destilares cinismo afetado pagarás com sangue em prestações mensais com dolorosos juros.

— Há-há-há, bobinho… Sei que sempre poderei contar com o meu painho nos piores dias. Não é mesmo?

— Você pediu, depois não reclama.

— Ih, a gente não pode falar nada, velho ranzinza.

— Vamos às costelas. Vai doer um pouco, mas logo-logo você não vai ter tempo de pensar em dor. Sinto-me animado como não ficava desde que criei o fermento. Terei que fazer algumas alterações no projeto original. Vejamos, vou aumentar aqui, diminuir acolá. Isso aqui tira, bota mais daquilo. Voilà!

— O que é isso?

— Eu dei o nome de Adão. Não é lindo?

— Tá com defeito. Tem um troço pendurado ali no meio.

— Tudo tem razão de ser. Depois você vai entender e gostar. E muito.

— Ele é meio grande e desengonçado. Acho que você errou a mão. Esse cheiro? Confessa, derramou sem querer pum de macaco na fórmula.

— Nenhum erro. Está tudo certo.

— Não sei não. E cadê os peitos? Colocou pelo no lugar para disfarçar? E esse cabelo na cara serve pra quê?

— Chega de perguntas que eu tenho mais o que fazer. Vai lá conhecer seu brinquedinho novo. Ele gosta muito de brincar. Quando mais brincar com ele mais obediente será. Já vem pronto de fábrica, sabe caçar, colher, proteger e fazer palhaçada. O resto vocês vão descobrir juntos.

— Ele parece tão mais forte do que eu. Não é perigoso?

— Nenhum perigo. Você será sempre sua líder amada. Criei Adão geneticamente inferior já para não dar chance ao caos.  Essa força da natureza incontida poderia desandar todo o meu trabalho.

— Em pensar que isso saiu de dentro de mim…

— Vai se acostumando.

Eva se aproxima de Adão que, assustado, não ousa se mexer, mas não consegue desviar o olhar dos peitos de Eva. Ela lhe examina os dentes, enfia os dedos no nariz, nos ouvidos e na boca. Ele morde o dedo de Eva. Como efeito leva uma tapa na cara. Abaixa os olhos,  mas em seguida volta a olhar para os peitos de Eva. Ela balança os brinquedos entre as pernas dele. Ele reage levando as mãos instantaneamente às estranhas montanhas hipnotizantes. Com os dedos pinça os mamilos, ela ri, ele avança e a abraça. Suas bocas roçam e em seguida se unem. O pai sorri orgulhoso:

— Encaixe perfeito, eu sou foda! Ah, já ia me esquecendo de uma coisinha. Ei vocês dois aí, me deixa explicar um detalhe. Estou falando sério: Não se metam com a serpente. Estou com alguns problemas operacionais com aquele modelo, saiu com algo estranho, acho que é venenoso. Vocês entenderam?  Vocês estão me ouvindo? Essas crianças não prestam atenção em nada do que falo. Depois vêm choramingar nos meus ouvidos sagrados com  Bem, deixa pra lá, já deu. Agora vou tomar o meu mingau em paz.

Os dias no paraíso voam loucos de paixão e luxúria. Era brincadeira na caverna, brincadeira na cachoeira, brincadeira na árvore. Uma coisa.  Nos pequenos intervalos comiam e bebiam que se lambuzavam. Dormiam contando estrelas cadentes.

Eva lavava os cabelos no rio prateado numa bela manhã paradisíaca. Chamou por Adão para lhe esfregar as costas. Nada do vassalo. Saiu à procura de seu par. Ouviu um barulho esquisito. Algo como areia esfregando na água. Buscou atrás da macieira e a cena fez Eva crispar as mãos:

— Porra, Adão, não acredito! Logo com a Serpente, minha melhor amiga? Terei que te prender na caverna. Agora só sai com minha autorização.

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88 comentários em “E se fosse Eva? (Catarina Cunha)

  1. Silviav
    6 de junho de 2016

    Muito bom!

  2. Catarina (em nome de Deus)
    4 de junho de 2016

    Graças a esta proposta do EC pude fazer vários experimentos quanto à aceitação de textos fora da “zona de conforto”, como já havia feito com prosa poética e mini conto. Agora resolvi testar um dos estilos mais execrados pelos escritores: o humor “fácil”. Foi difícil desconstruir “E se fosse Eva?”. Cortei toda a soberba filosófica que assombra a Gênesis para que resultasse em um texto ágil e leve.
    Lembrei-me de “A Amante”, pseudônimo criado por Sidney Muniz no conto “Quando as flores caem” (desafio Micro Contos). Ele lançou a ideia de responder os comentários como um personagem que teria escrito o conto. Achei genial e resolvi usar a mesma técnica como Deus, no meu “E se fosse Eva?”.
    Ser “Deus” foi uma experiência gratificante. O exercício de responder com humor as várias críticas ao meu trabalho, na posição do maior personagem de todos os tempos, foi um grande desafio. Aprendi muito analisando a postura de cada comentarista e fiquei com o delicioso benefício da dúvida: E se Deus não tivesse se manifestado para defender sua obra, você manteria a nota que deu ao conto?
    Muito obrigada por todos os comentários. Vocês me ajudaram a encarar os meus personagens com mais força.

  3. Swylmar Ferreira
    2 de junho de 2016

    Olá autor
    Gostei muito do conto, principalmente da veia humorística do autor. Não identifiquei problemas gramaticais, a criatividade é inquestionável, desenvolvimento e tema sensacionais.
    Parabéns e boa sorte.

    • Deus
      3 de junho de 2016

      Meu filho duplicado, já escutei a mensagem. Essa ansiedade ainda vai te pregar uma peça. Fica em paz

      • Swylmar Ferreira
        3 de junho de 2016

        Obrigado Deus, kkkkkk

      • Simoni Dårio
        3 de junho de 2016

        Gustavo, será você?

      • Deus
        4 de junho de 2016

        Si,
        Será você perambulando pela madrugada a procura do Papai? Estou aqui, minha flor!!!! Gustavo? Quem é Gustavo?

  4. Swylmar Ferreira
    2 de junho de 2016

    Muito legal seu conto de RHA, uma versão engraçada do Genesis,
    Sei lá… ou sei?
    Não identifiquei problemas gramaticais, a criatividade é inquestionável assim como a veia humorística, desenvolvimento e tema legais. Foi fácil e gostoso de ler.
    Parabéns e boa sorte.

    • Deus
      3 de junho de 2016

      Wyl,
      Tenho percebido, nos comentários, certo alívio em ler minha versão do Gênesis (esta não é a alternativa e sim a verdadeira). Quem ousa cansar os meus leitores com textos densos, longos e encharcados de intelectualidade? Por esse motivo fiz esse pequeno Oásis para descansar as fatigadas retinas de meus filhos.

      AVISO: O próximo ingrato que me desejar “BOA SORTE”, questionando meu poder absoluto sobre o Universo, provará a mão pesada de São Tomé. Ele sempre salga a comida por aqui.

  5. Thomás
    2 de junho de 2016

    Aí Deus, parabéns!

    Li tudo num minuto e rindo. Esperto, levinho e certeiro!

    Dizer que está dentro da proposta RHA é pouco. Seu texto mora no olho no furacão.
    Quanta coisa de nossa civilização ocidental não foi ao forno com o tempero do Gênesis, hein!?

    Vai ganhar um 10 deste pobre mortal.

    • Deus
      2 de junho de 2016

      Tom,
      Meu garoto… deu 10 pro papai! Espero que tenha sido de coração e não pelo fato de você realmente ser um pobre mortal. Acho que a melhor coisa que eu lhes dei foi a consciência da morte. Assim sempre terei um universo aos meus pés.

      Quem mora no olho do furacão sou eu e não o texto. Basta você ler as minhas respostas aos comentários das crianças para perceber que minha missão é inglória. Se não fosse o meu bom humor, paciência e benevolência acho que eu já teria enlouquecido.

  6. Virginia Cunha Barros
    2 de junho de 2016

    Oii! Meu deus, acho que vc podia reescrever a bíblia todinha viu? Ahahaha eu to morrendo aqui… nossa li teu conto num instante, queria saber escrever assim em forma de diálogos, ficou bem natural. Adorei a leitura, gosto de humor bem pensado e achei a ideia simples mas ótima. Boa sorte, viu?

    • Deus
      2 de junho de 2016

      Minha Virgem,
      Tua inocência me emociona. Não fui eu quem escreveu a bíblia. Você acha que eu tenho cara de quem sai por aí abrindo mar e metendo todos os tipos de animais (olhe bem: TODOS!), em uma arca? Se eu tivesse paciência até reescreveria, mas minha especialidade são os diálogos. Afinal desde que criei Eva que não paro de conversar com a humanidade.
      Se você leu a Gênese em um “instante” fico imaginando o resto. Menina danada.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Uma dose de erotismo no paraíso, regado a um humor na medida certa – sem muito espalhafato.

    Acertou a mão, Deus de meus ancestrais.

    Gostei do conto e da sua onipresente e onisciente presença aqui nos comentários.

    Parabéns pelo trabalho.

    Caso vossa magnanimidade ganhe o desafio, como faremos para lhe enviar o prêmio? Na eternidade tem CEP?

    Abraços e diga para o Clemente, o Leonardo, a Cabocla, o Grilo, o João, a Cida, o Dino, a Vicentina que estou com saudades.

    • Deus
      1 de junho de 2016

      Menino Rei,
      Ontem mesmo rolou um roda de samba aqui nas nuvens sagradas, fiquei doidinho. Me acabei na “marvada” e na feijoada da Vivi, afinal “Provei do famoso feijão da Vicentina, só quem é da Portela é que sabe que a coisa é divina”.
      O João Grilo estava possesso e quase que lhe dou uma nova estremulsão. Tia Cida manda beijos e todo mundo daqui, que sabe o peso da terra e a leveza do samba, te aguarda de braços abertos. Fica sofrendo mais um tempo aí, que essa gente careta e malvada precisa de você. Segura a onda.

      Quanto ao prêmio, não se preocupe, esqueceu que moro em todos os ceps?
      Meu prêmio está em cada comentário de meus filhos.

  8. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Deus. Seu conto foi minha décima primeira leitura no certame.

    Observações: primeiramente, devo dizer que gostei muito do conto. Não se engane (se fosse possível), não pretendo acumular pontos com o Senhor por isso, acho que já tenho minha vaga garantida no andar de baixo só por fazer nossos colegas lerem o que escrevo. Gostei do conto porque aliviou com bom humor um desafio que poderia ter um clima tão mais pesado. Gostei do conto porque é um bom conto, acima de adequação ao tema ou piadas forçadas.

    Destaques: muitos questionam a RHA da Vossa presente biografia. Este foi justamente um dos pontos altos, na minha opinião. Estando na posição de Deus, Vossa própria história é realidade e, pressupondo que seja contada por uma perspectiva acima do nosso mortal julgamento, só pode ser alternativa.

    Sugestões de melhoria: quem sou eu para questionar o inefável? Não tenho nada a pedir, ou a questionar, a própria capacidade de poder gostar ou não deste conto (a.k.a. Livre arbítrio) já me faz eternamente grato. Do resto, o Senhor é quem sabe.

    Parabéns e boa sor… bom trabalho.

    • Deus
      1 de junho de 2016

      Querido Wen,

      Pode vir que o teu lugar na arquibancada do céu está numerado. Surpreso? Pois é, a não ser que você se esforce muito e faça muito merda (como seguir o lunático Dan Brown ou colecionar chapinha de Crush), o teu tédio profundo está garantido ao lado de Madre Tereza de Calcutá e Gandhi. E não me venha com arrependimentos. Estou precisando de um escriba novo. Não aguento mais as neuroses de Platão com o Mito da Caverna.

  9. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado T.P. (Todo Poderoso): para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: ótima a inversão de papeis Adão e Eva… só que concordo que é mais uma farsa alegórica do que RHA.

    TÉCNICA: gostei muito da agilidade do texto, dos diálogos e até do humor que, se nem sempre causam riso, pelo menos deixaram alguns sorrisos pelos parágrafos.

    EFEITO: gostei bastante do estilo, mas deve ser prejudicado nas notas pela fuga da proposta do desafio – o que não tira o mérito nem do texto, nem do autor.

    • Deus
      1 de junho de 2016

      Olha só, Dani,
      Farsa é esse teu “retrato”. Eu te dei um cavanhaque de intelectual, uma careca lustrosa e o dom da escrita, pra você me desonrar descaradamente? Sabe que eu sempre te dei mole, né? Então para com esse negócio de querer saber do futuro. O que você quer? O meu lugar? De onde você tirou a ideia de que EU serei prejudicado pelo julgamento de vocês, escritores, que EU criei. Não há força humana capaz de enfrentar meu cajado; muito menos a minha bílis.
      OBS: O “TP” ficou maneiro. Vou aliviar no sal.

  10. Wilson Barros
    31 de maio de 2016

    O motivo da realidade alternativa é bastante instigante, Eva ter sido criada em primeiro lugar. O desenvolvimento da nova realidade foi a contento, é resultou em um conto de fino humor. Eu havia pensado em algo parecido, Eva não aceitar, finalmente, comer a maçã, O que poderia resultar em um mundo bastante tedioso. O estilo é impecável, da vez passada eu não sabia se o conto era do Sydney ou da Claudia, cujos estilos têm pontos de contato, é dessa vez não sei quem é. Um dos genuínos contos do entrecontos.

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Wil,
      Você viu o filme “Náufrago”? Pois é, quando ouço seu nome não me lembro da Claudia e nem do Sidney, e sim da desafortunada bola de vôlei. Aquela cena mexeu comigo. Trágico fim. Mas entendo que não há ponto de contato entre minha altíssima celestialidade e esses reles mortais. Eu não sou uma bola de vôlei, mas entendo a confusão; já que sou impecável.

  11. Eduardo Selga
    31 de maio de 2016

    Algumas narrativas desse desafio usaram o humor como ferramenta primordial ou secundária, escolha bastante compreensível se levarmos em consideração que a narrativa registrada pela historiografia é algo que possui o condão da seriedade. Sendo assim, o seu contrário, sua alternativa, pode estar bem colocada se estiver no campo oposto, ou seja, o humor. Mas não um humor qualquer, o gracejo pelo gracejo, e sim por meio do texto parodístico, em que ocorre uma anarquização do texto original (no caso, a Bíblia), com inversão de sentido. Tal inversão é o que provoca um humor no qual há, para além do riso, reflexão. Embora não necessariamente isso implique sobrancelhas franzidas.

    O conto de que tratamos é uma paródia. E o texto parodístico tem um potencial subversivo muito grande, que pode ou não ser concretizado, e se o for, pode ou não ser adequadamente captado pelo leitor médio. “E se fosse Eva” pode subverter algumas questões, em nível estético. Ou não, plagiando descaradamente Caetano Veloso. Como assim?

    Vou ater-me ao fato de, no conto, a mulher ser a origem da humanidade, ao invés do homem. Preliminarmente, a depender do leitor, pode parecer um questionamento da ordem discursiva dominante no campo da religião, mas não é bem assim. É que o Cristianismo e a obra tida como uma espécie de manual de instruções, a Bíblia, ao estabelecer esse ordenamento hierárquico (Deus-homem-mulher), deu muita força ao patriarcalismo e, logicamente, ao machismo, conforme podemos observar em qualquer esquina do mundo ocidental e mesmo de outras áreas. Essa organização se baseia numa hipotética superioridade do gênero masculino sobre o feminino, em todos os campos da existência, demonstrada por diversos níveis de violência (física, emocional, material, simbólica, afetiva, moral etc) e, portanto, de dominação.

    E daí? O conto inverte os temos da equação, mas o resultado é rigorosamente o mesmo. A Eva da narrativa domina física e moralmente Adão, ou seja, pratica a violência do domínio. Uma “revolução” discursiva, usando a paródia da criação como instrumento, passaria pela ausência de imperialismos de gênero, não na mera substituição das duas camadas da pirâmide e do status de seus componentes. Assim, o conto está completamente de acordo com o sistema social vigente no ponto mais importante dele, a dominação de um gênero por outro por meio da violência.

    Outro ponto em que a narrativa se encaixa como uma luva no discurso dominante é na construção da personagem Eva a partir de esterótipos. É a mulher fútil, medrosa, “barraqueira”, histérica. Ou seja, a mulher representada na literatura do mesmo modo de quase sempre.

    Mas aí temos uma questão: a matéria-prima da paródia é o que já está posto, no caso, pela História. E a construção e a percepção dos fatos sociais, do que a gente chama de realidade, passam pela estrutura do esterótipo, uma espécie de exoesqueleto de alguns discursos, principalmente os que circulam em amplas camadas da sociedade. No entanto, é preciso que o estereótipo, muitas vezes necessário à paródia, não seja uma armadura imobilizante da própria dinâmica da narrativa. De certa maneira esse engessamento aconteceu aqui em relação à Eva, que poderia, sendo uma personagem parodística, não ter ficado tão presa aos moldes, porque nesse caso a paródia perde um pouco sua função crítica e passa a ser elogio ao discurso dominante.

    o Criador apresenta alguma fuga ao estereótipo. Continua sendo o “arquiteto do universo”, mas sua linguagem é bem distinta da usualmente usada em sua representação literária. Está próxima do contemporâneo, com uso de coloquialismos e palavras de baixo calão. Nada contra, mesmo porque a ideia de um Criador nos moldes como o Cristianismo expõe eu acho uma ficção muito bem narrada. No entanto, pergunto: não estaria um pouco forçado no sentido de extrair riso do leitor?

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Dudu,

      Em alguns de meus filhos eu, num momento de excitação divina, errei a mão no tempero. Alguns deram em desastres vergonhosos, como o Riquinho (que neste espaço se manifesta, botei muito vinagre no pequeno, não tem mel que conserte), e outros em feliz acidente, como você. Pena que não anotei a receita. Estou tentando repetir, mas só sai falsos intelectuais. E o pior é que eles procriam entre si e tem saído cada coisa. Não estou mais lendo jornais ou assistindo TV porque sempre me lembro desse meu fracasso.

      Você é tão perfeito que nem Eu consigo entender o que você realmente gosta, só sei que saca de literatura pra caralho. Porra, filho, puta orgulho, viu?

  12. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    Texto cheio de humor mas por vezes falha o objetivo. Escritos humorísticos são muito difíceis de realizar. Fazer uma piada é fácil, mas fazer muitas piadas, que funcionem, é muitíssimo complicado. Talvez se escrevesses sem procurar a piada fácil o texto funcionasse melhor, mas de qualquer modo muitos parabéns.

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Leitoso, meu garoto,

      Alguém já te chamou de “Leitoso”? Claro que não, seria uma piada muito fácil. Fazer piada nunca foi o meu forte. Exceto em raras ocasiões, como quando criei o ácaro e o vírus. Foi um dia muito inspirado aquele. De resto, só bagaceira. Fiz este relato, com todo o carinho, para vocês entenderem um pouco de suas origens. E você chama de “piada fácil”. Vem cá fazer melhor, então.

      E não precisa me parabenizar, basta apenas crer.

  13. Eduardo Selga
    30 de maio de 2016

    Disse o personagem Riobaldo, um dos maiores personagens da literatura brasileira: “O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo”.

    Mas o comentário vem depois.

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Dudu,
      Eu criei o demônio a imagem e semelhança do Nada. Toda vez que alguém questiona a minha existência, chamo o Nada para preencher as lacunas vazias da alma. Tem funcionado satisfatoriamente.

  14. JULIANA CALAFANGE
    29 de maio de 2016

    E se Deus fosse apenas um escritor? rsrs. Senhor, muito divertido seu conto! Dei boas risadas! Personagens leves e irônicos, texto fluido, bem humorado, dentro da proposta de RHA (acho q a história bíblica está tão arraigada em nossa cultura, q já pode ser considerada uma realidade histórica. Tem quem jure q tudo ali foi verdade. Também há quem jure que o holocausto não aconteceu, então… essa coisa de História como sinônimo de fato verídico é meio duvidosa ‘per se’…). Minha crítica fica somente para o fato de vc não ter mencionado nenhuma sugestão de como ficaria o mundo a partir da premissa q Eva foi o primeiro humano sobre a Terra, eu adoraria vislumbrar o mundo q vc criaria a partir daí. Também destaco os muitos erros de revisão, q sempre comprometem, na minha opinião. Parabéns, muito bom!

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Menina Ju,

      Quando criei o Universo fiz primeiro um rascunho básico: constelações, planetas, estrelas, água, fogo, etc. Depois dei movimento à obra com animais e, por último, coloquei a humanidade para dar ação e emoção aos acontecimentos.

      Você sentiu falta do destino de Eva, mas tudo tem sua razão de existir. Não coloquei nada fora do lugar. Simplesmente não terminei a história de Eva porque ela está aí. Quem sabe ela seja escritora? Será que vocês realmente sabem diferenciar fato de ficção? Ah, crianças!

  15. Pedro Teixeira
    28 de maio de 2016

    Olá,Deus! O conto tá divertido, uma narrativa fluida e leve, mas confesso que não vi realidade histórica alternativa, pois se trata de religião, não história. Também não faço ideia do que Adão poderia estar fazendo com a cobra na moita, haha. Mas, enfim, gostei dos diálogos, bem engraçados e ágeis e do desenrolar do enredo, é um dos contos mais bem executados que vi até aqui no desafio, acho que só faltou a RHA mesmo. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Deus
      31 de maio de 2016

      Pe,
      Uma das coisas que mais me magoam em vocês, é essa mania de só acreditar no que querem. Isso desanima a gente. Se só existe uma verdade, A MINHA, lógico, meu duende animado, que a verdade alternativa também só pode ser a MINHA.
      Quanto a sua dúvida do que Adão estava fazendo com a cobra na moita, por enquanto que você não se perguntar: “O que a serpente estava fazendo com Adão?” não encontrarás resposta digna. Ela fez com Adão o que venho fazendo com vocês desde aquele dia.

  16. Thiago de Melo
    28 de maio de 2016

    Prezado, Deus,
    Primeiramente, por que estais permitindo que esse monte de MERDA aconteça na minha vida? Tá bom já, num tá? Chega!
    Agora quanto ao Vosso conto. Gostei da interação entre os personagens e da parte cômica. Ficou bastante divertido. O Vosso texto não tem erros e a leitura vai fácil. Os diálogos deram agilidade ao conto e isso é sempre muito importante. Achei que casou bem a ideia do conto com a proposta do desafio. Parabéns!
    Gostei bastante! Boa sorte.

    • Deus
      28 de maio de 2016

      Amadeuzinho,

      Meu honroso e genial filho; dentre minhas criações tropicais eis uma obra-prima de que muito me orgulho. A leitura de seus poemas já evitaram várias hecatombes. Você não imagina a semente de esperança que você inspira. Tem uma de suas frases, de que muito gosto e me espelho na hora de tomar decisões, que talvez te ajude a sair da MERDA em que achas que te encontras:

      “Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar.”

      Não se desespere. Lembre-se que eu dou o tamanho da trolha proporcional à capacidade de suportá-la. De qualquer forma, como diz Seu Pedro: “Fica ligado que camarão que dorme a onda leva.”

  17. José Leonardo
    24 de maio de 2016

    Ooooolá-Seeeenhooooorrrr [Coro do Tabernáculo Mórmon, Utah — EUA]

    [Ainda estou um tanto puto com Vossa Alteza Magnânima por não ter realizado a petição que fiz dias atrás, mas meio que ela se realizou pela metade então minha puteza para com Aquele que Pode Me Matar Tirando o Sopro de Minhas Narinas está se dissolvendo. Não nasci com a força, mas com a vontade de um Schwarzenegger, então, quando aviso que voltarei eu realmente volto.]

    [Ainda: eu planejava “começar do começo”, ou seja, seguir a ordem de postagem gustavo-araújica, mas como o senhor é o Senhor e God e o Alfa e Ômega Criador das Paradinhas Bolivianas e Paradonas (tipo, todo o resto), acho melhor — para o bem da minha alma — não parar no nono círculo do Inferno nem num quadro contemporâneo “Hitler conhecendo um abacaxi”, portanto decidi comentá-lo antes dos outros, subvertendo a ordem. Sei lá a que ponto pode chegar a ira de uma deidade. Melhor não arriscar.]

    [Sem mais encheção de linguiça, vamos ao conto:]

    [Embora ainda não tenha esquecido o lance das espinhas. Outra hora conversaremos, meu bro.]

    É o humor desfilando e sambando diante dos olhos a todo momento, mas um humor legal e não Zorra Total [Antes da Calabresa ou Depois da Calabresa] [Ainda que “Não sei mais o que faço com você. Onde foi que eu errei?” me lembre um pouco o Zorra]. O trecho “Essas frutas sempre maduras e brilhantes e essa temperatura constante estão me enlouquecendo” me faz pensar se o Paraíso é aqui, este lugar que cerca meu humilde cafofo. Em determinada altura, pensei que o conto descambaria num ineditismo sensacional dentro da premissa [não preciso dizer o que pensei, só digo que dei pequena pausa no conto e olhei o céu: realmente o azul é a cor mais quente.]. Então, somos apresentados ao Adão, o costeloso. Uma submissão interessante.

    [Não quero meter o bedelho em sua criação, Altíssimo, mas…] “Eva lavava” ficou um tanto estranho, talvez intencional, mas de qualquer modo pode ser modificado posteriormente [“Eva lavava”… evalavava… e-va-la-va-va… mahôe, vae pra lá, Pêêdro-De-Lara-lá-lará-lará-la-lá… você entendeu, ó Sóberano]

    Ao final, Adão [morde a cobra] se junta ao inimigo de Deus [passivamente, talvez].

    Sua escrita tem a fluidez de um Niágara [que você criou, aparentemente, num shhtá de chicote], é limpa e agradável, embora simples em demasio. Senti falta de procurar-um-dicionário, ação que gosto de praticar sempre que leio. Talvez essa seja a única reserva que possa fazer. Em geral, explorar essa atmosfera bem-humorada sobre um tema relativamente sacralizado (entre seus adeptos) calhou muito bem. Não escondo que, ao viajar agradavelmente na leitura, gostaria de ter visto uma segunda Eva [“Emmanuelle em Veneza”? Deus teria essa ousadia?] e, se coubesse, um Adão ainda mais retardado.

    Parabéns pelo conto e boa sorte neste desafio.

    [Apesar que “sorte não se deseja a Deus, pois Ele é quem mexe os dados. #PraVariar]

    • Deus
      25 de maio de 2016

      Zé Leo,

      Muito me alegra a volta do filho pródigo. Vejo que teu arrependimento é genuíno, embora inútil. Continuas falando muito e puxando meus elásticos bagos.

      Tua simpatia me amoleceu a mão e resolvi conceder a outra metade de teu reles pedido. Mas não exagere nas comemorações, pois terás que levar para todo o sempre, embaixo do braço, o léxicon. Afinal, só eu posso abusar da sorte, aquela devassa.

  18. Andreza Araujo
    23 de maio de 2016

    Olá, Deus! Caramba, faz tempo que eu não falo com o Senhor… er… vamos ao conto.

    Achei o título incompleto. E se fosse Eva… o quê? Não me despertou o interesse de imediato, confesso. Ao mergulhar na leitura, encontrei um texto bem divertido. Acho que esta é a palavra que resume bem.

    Você escreve sempre nesse tempo verbal? É preferível escrever no passado, não que esteja errado escrever no presente. Apenas deixa o texto com ar mais formal. Ler no presente causa certo incômodo.

    Achei um errinho ou outro de revisão, coisa bem pouca, como uma frase sem pontuanção quase no final de um parágrafo.

    Pessoalmente, não gosto desse tipo de humor. Mas ao reler, não me incomodou.

    Achei que a alteração proposta na sua RHA foi muito rasa, na verdade nem sei se o conto corresponde ao tema proposto. A maior alteração foi na própria personalidade de Deus, Adão e Eva como “conhecemos”.

    • Deus
      25 de maio de 2016

      Minha querida Dreza,

      O tempo, para mim, era bem diferente de para vocês. Aqui, acima das nuvens, não tinha tempestade e nem arco-íris. Um século de vocês era o intervalo entre o bocejo e a coçada de saco; logo tua ausência não dava nem para perceber. Mas já que estavas aqui, conversamos um pouco até teu próximo problema, que estava agendado para 2005, quando precisarás de mim longamente. Sim, atendendo teu pedido, estou voltando teu futuro no calendário.
      Estava falando nesse tempo verbal ultrapassado para ficar mais próxima de teu pensamento. Você não tinha noção o quanto me arrependia de ter feito vocês a minha semelhança. Esperava que, ao encarar o teu “raso” passado no futuro, entendesses o valor do presente.
      Estou te dando outra chance, minha romântica donzela. Da próxima vez que ousares questionar MEUS TEMPOS te jogo na Idade Média.

  19. Pedro Luna
    20 de maio de 2016

    Olá, infelizmente não gostei muito. Acho que o autor acertou em escrever o conto em diálogos, mas alguns trechos deram vergonha alheia como: “Com o jumento também, minha filha?

    — Culpa sua, tenho que me virar com o que tenho. O macaco coça as minhas costas e o jumento me leva para passear.

    — Ah, claro, claro. Que cabeça suja a minha.”. Certamente alguns rirão, mas achei meio deslocado, apesar do conto ter muita insinuação sexual. Eu preferiria que não, não porque me preocupo com religião e tal, mas é que no início, achei que o texto iria descambar para um divertimento sem necessidade dessas insinuações, que meio que já deram no saco em diferentes vertentes de criação.

    Mas o texto é bem escrito, inegável. Deu pra ler de boa, sem empacamentos. Na verdade, foi uma leitura até rápida e parabenizo o autor por conseguir essa fluidez. Achei interessante também Deus explicando a natureza de algumas coisas, como a da Coruja, resultante de mudanças que ele faria. rs

    Só a trama mesmo que não me pegou. Eu também mudaria o final, que claramente quis causar um impacto, mas não deu muito certo.

    Na minha opinião, não tem como esse conto estar dentro do tema REALIDADE HISTÓRICA, mas não estou julgando muito isso.

    • Deus
      20 de maio de 2016

      Meu enigmático Lu Lu,
      Ah, meu garoto, se eu soubesse que você leria este pequeno pedaço do paraíso, com certeza usaria um linguajar mais adequado aos seus sensíveis padrões. Perdoe esse velho bronco. A criação da humanidade me tirou os últimos resquícios de elegância. O céu está um lixo. Não se preocupe, você não virá morar nesta zona. Lúcifer, aquele intelectual almofadinha, te aguarda ansiosamente; “mas não estou julgando muito isso.”

  20. Catarina
    18 de maio de 2016

    O COMEÇO, afetado, justifica-se pelo impacto causado pela rapidez do FLUXO dos diálogos. A TRAMA é bem simples e leve, não se preocupando com causa e consequência, deixando a conclusão a cargo do leitor. Quanto à ALTERNATIVA, eu, como agnóstica praticante, só posso dizer que qualquer história de religião não é realidade e sim ficção, logo não pode haver uma “realidade alternativa”. Mas no FIM vale o divertimento.

    • Deus
      18 de maio de 2016

      Cat Yekun, meu anjo caído rebelde,

      Eu já venho aguentando o teu desdém de longas datas. Mas agora, tentando me desmoralizar diante dos meus fiéis inocentes? Eu te dei o dom da escrita, então não ficará pedra sobre pedra, dedo sobre teclado ou caneta sobre papel. E “divertido” será ver você, “afetada”, batendo a minha porta chamando pelo Papai aqui. Aguarde o branco e o cursor piscando.

  21. Gardel Dias
    17 de maio de 2016

    O texto é interessante e foge a normalidade da religião ou da história, ah sei lá. Notei, por alguns comentários, que pessoas comentam muito como se quisesse “tomar o lugar de Deus(você)”. Risos, poxa, é só um conto e bem legal, a galera fica toda ouriçada (disputa maluca), risos novamente.

    • Deus
      18 de maio de 2016

      Dedel,
      E põe ouriçada nisso! Escritor é um bicho tão exibido que se acha no direito de falar em meu nome. Soberbo pecado. Tenho aqui uma lista gigantesca de escritores no limbo esperando para reencarnar javali na Síria. Todos sempre argumentam em vão: “Poxa, mas foi só um conto…”

  22. Simoni Dário
    17 de maio de 2016

    Olá Deus, que fala descontraía a sua! O texto é divertido e consequentemente flui bem, não cansa, desperta a curiosidade. Muito criativo. Comecei a ler um pouco chocada com o tom das palavras de Deus, mas aos poucos fui gostando e me identificando com a proposta do autor. Ficou gostoso de ler em uma tarde chuvosa, como está por aqui neste momento.
    Gostei. Parabéns!

    Maldita Eva desbocada, agora agüenta todo mês aquela história! Está aí a verdadeira justificativa pra isso tudo!

    P.S: Digníssimo, permita-me em off: que bom saber que o Senhor gosta de fazer piadinhas e cutucar a onça com vara curta, considerando-me imagem e semelhança do Altíssimo me sentia meio deslocada deste mundo por achar que diversão demais era pecado. Obrigada por mostrares que também erras na escrita , e se não erras mostras que não errou humildemente, de forma que estou aprendendo muito, não só com o teu texto (que está maravilhoso), como com os teus comentários onde te aproximas dos humanos, surpreendendo-me, pois sempre achei que vivias num pedestal absoluto.

    • Deus
      18 de maio de 2016

      Minha angelical Si,
      Ando revendo alguns conceitos. Antigamente eu me mantinha distante dos filhos porque eles fazem tanta besteira que eu acabava me metendo na evolução natural das coisas tentando resolver na marra, com pragas, doenças, guerras, etc. Hoje vocês podem acabar com esse planetinha sem minha ajuda. Passei uma procuração pro Chico, que vem se rasgando todo para evitar o Armagedon. Agora tenho tempo de sobra para errar e falar besteira nas redes sociais, estreitando os laços inúteis com vocês. Que bom que você está conseguindo aproveitar alguma coisa; boa menina.

  23. Olisomar Pires
    17 de maio de 2016

    Parece-me que os comentários do autor mais prejudicam que ajudam na avaliação do conto.

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Olisomar,
      Sua sabedoria me constrange, mas só a verdade salva.

  24. Brian Oliveira Lancaster
    17 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Olha, ganha pontos pelo absurdo. Texto divertido, subvertendo várias camadas em tantos níveis, que nem vou listar aqui para não gerar polêmica.
    E: Gosto de textos bem humorados (ainda espero um desafio de Comédia), ainda mais com uma história bem conhecida. O enredo se desenrola praticamente sobre o diálogo entre os dois, o que me lembra de certas histórias que são contadas somente com esse recurso. Creio que isso foi bem utilizado aqui, apesar da história ser somente isso e nada mais – um cotidiano invertido e cômico. Não sei se poderia pedir algo além, pois o espaço não permite, mas ficou com cara de apenas um “sketch” de teatro (mas talvez fosse essa a intenção).
    A: Aqui a serpente pega. Não deixa de ser uma história alternativa, mas não vi tanta consequência como o gênero pede (talvez para Adão). Porque, no final das contas, o casal continua no paraíso e ainda vai cometer os mesmos erros.
    O: Notei errinhos bobos, como falta de vírgula, ou espaço em demasia, mas nada que tire a hilaridade do conto. No geral, é divertido, satisfaz, mas ainda faltou alguma coisa, um cerne mais importante.

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Lan Lan, meu leão encantado,

      “O Sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado.”, como disse meu assecla Marcos 2:27 . A criação da humanidade foi tão exaustivamente absurda que caí de cama com uma estafa física e moral assustadora. Perdi o sábado e deixei de completar a obra, “faltou alguma coisa, um cerne mais importante”.

      • Brian Oliveira Lancaster
        17 de maio de 2016

        Então, o Senhor se cansou da humanidade e resolveu fazer o Ornitorrinco, só por diversão?

      • Deus
        18 de maio de 2016

        Ornitorrinco? Rapaz, se eu te contar como nasceu esse ser teria que confessar algumas práticas pouco ortodoxas. Talvez em um momento íntimo, só nós dois.

  25. Deus
    17 de maio de 2016

    Vocês encrencaram com o meu “experto”. Haja luz:

    “Esperto pode ser um substantivo masculino ou um adjetivo e se refere uma pessoa perspicaz, inteligente e astuciosa, com bom raciocínio e entendimento das coisas. Indica também uma pessoa ágil, ativa, atenta, ligada, desperta, acordada, interessante e bacana. Com sentido depreciativo, indica um espertalhão, ou seja, uma pessoa ardilosa, maliciosa e velhaca, que engana os outros.”

    “Experto pode ser também um substantivo masculino ou um adjetivo e se refere a uma pessoa especialista num determinado assuntou ou área, sendo sinônimo de especialista, perito, mestre, experiente, entendido, experimentado e conhecedor, entre outros. Muitas vezes é usada a palavra expert, em inglês, em vez da palavra portuguesa experto.”

    http://duvidas.dicio.com.br/experto-ou-esperto/

  26. Gustavo Castro Araujo
    17 de maio de 2016

    Deus, cara… Que conto foda! Em todos os sentidos! Talvez por ter lido logo cedo tenha sido melhor ainda. Pensar que a criação se deu assim… Putz, tudo se explica. O que temos na Bíblia, o Gênesis, certamente é apócrifo – lá é que está a realidade alternativa. A expressão pura da verdade Divina está aqui no EC. Orgulho do caralho hahaha. Não dá, realmente, para conceber o homem sem a mulher. Ótimo texto, ótimos diálogos. Ri aos montes aqui. Enfim, gostei pacas. Parabéns e obrigado pela Criação!

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Guga, meu Serafim!
      Desde quando você foi escoteiro e atravessava velhinhas mal humoradas na maior humilhação e entrega divina, soube de teu potencial escorregadio de líder.
      Eu estava prestes a desistir de vocês através das pestes mais letais e dolorosas, mas o seu carinho me acalmou a úlcera.
      Nem tudo está perdido, ao menos um filho viu que a religião foi, é e sempre será a verdadeira realidade alternativa.
      Tens minha proteção eterna, mas não vais fazer muita merda ou te derrubo da 1ª nuvem num estalar de dedos.

  27. Leonardo Jardim
    17 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): despretensiosa até demais. Quando eu entendi, já no título, que trataria de como seria o gênese se Eva viesse primeiro, já imaginei que seria um texto com piadas sexistas. Algumas funcionaram comigo (não sou tão chato assim, ri bastante da Eva exigente), mas a maioria não. Tem o mérito do tom irônico, mas nada mais que isso.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): muito descontraída, ao ponto de incomodar um pouco. Encontrei um “experta”, algumas vírgulas faltando e uma repetição chata em “*Eva* se aproxima de Adão que, assustado, não ousa se mexer, mas não consegue desviar o olhar dos peitos de *Eva*”. Incomoda um pouco a leitura.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é nada muito novo, pois já vi esquetes sobre isso, mas tem um gostinho de novidade.

    🎯 Tema (⭐▫): possui Alternativa (se fosse Eva a primeira, ao invés de Adão), mas faltou História, já que esse trecho trata-se mais de uma fábula bíblica.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): as piadas não funcionaram tão bem comigo, como já adiantei e a última, que deveria fechar bem, foi uma dessas. Um texto divertido, mas nada mais que isso.

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Leo, meu enfeite de jardim,

      Quando te criei estava em uma fase zen, nem pedra, nem papel e muito menos tesoura. Foi nessa época que surgiu a ideia de povoar esse planeta com algumas almas da “turma do deixa disso”, o que evitou algumas catástrofes, embora eu nunca tenha recebido alta do meu terapeuta.

      Prometo que seu lugar no limbo está garantido, “nada além disso”.

      • Leonardo Jardim
        17 de maio de 2016

        Perdoe-me, ó Senhor de Todas as Coisas, Pai da Criação, o Começo e o Fim!

        Sou um ignorante. Não fui capaz de compreender a Tua divina ironia. Peço que reconsidere sua soberana decisão e permita-me um lugar ao Seu lado no Paraíso.

  28. Pedro Arthur Crivello
    16 de maio de 2016

    olá caro autor, o seu texto tem uma ideia interessante, trazer a inversão do mito bíblico da criação. porem já vou logo avisando , sua ideia foge ao tema ,infelizmente, respeitando a religião , mas não a comprovação histórica do paraíso e a lendo mais certamente não há comprovação de que deus fale com eva ou Adão dessa forma, mas em fim

    o conto tem algumas erros ortográficos,e uma história fraca , usando os esteriótipos de homem e mulher que me desapontaram , no fundo o conto foi uma comédia de características de gênero atribuídas pela sociedade, não me prendeu muito nenhuma das piadas e foi uma estrutura fraca, com a narrativa deixando a desejar

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Meu amado menino Pedrinho,
      Muito me magoa eu estar aqui, na maior boa vontade e paciência, e você questionar a minha existência e, pior, insinuar que estou mentindo. Você acha que eu ligo para comprovação histórica? Quem és tu, reles mortal, que ousas tomar a realidade como se tua fosse? Tentes agarrá-la que sentirás o poder escorrer entre as mãos como larva fervente.
      Desapontá-los sempre foi minha intensão. Trago neste conto um resumo dos estereótipos criados por vocês. Procurei traduzir ao máximo todo o ridículo desta criação doente e imbecilizada. Difícil ver um futuro decente com tanta polarização. Ou vocês passam o próximo em um moedor de carne ou marcam fileiras radicais de policiamento ideológico. Comigo, não, santa. Como já dizia meu pupilo Zagallo: “Vocês vão ter que me engolir!”.

      • Deus
        17 de maio de 2016

        Pô, errei de novo: “intenção”. A gramática é o Capeta da Literatura.

  29. Fabio Baptista
    16 de maio de 2016

    A premissa é boa, ficou divertido, mas poderia ser mais. No final da leitura, fiquei com impressão de potencial desperdiçado (e mesmo aguçando meu senso de putaria, não consegui imaginar ao certo o que Adão estava fazendo com a serpente… rsrs).

    As piadas seguiram foram no esquema tiro pra tudo quanto é lado. Alguns acertaram, mas muitos erraram o alvo, resultando numa comédia irregular.

    Sendo bem sincero (alguns talvez diriam machista), a parte mais engraçada foi essa sátira de que nada nunca está bom para a mulher. Pode viver no paraíso que for, sempre vai arrumar alguma coisa para reclamar kkkkkk

    Abraço!

    • Deus
      17 de maio de 2016

      Fabão, meu orgulhoso macho alfa ferido,
      Todo esse rancor com as Evas tem lhe custado perdas significativas no programa de milhagem celeste. O pouco que aprendi com a humanidade, que não se inclui a humildade, é que ela nunca está satisfeita com merda nenhuma, seja Eva, Adão ou a versão avançada do híbrido dos dois.
      Eu tento explicar para vocês que a simplicidade entrará no reino dos céus, mas sempre tem um escritorzinho brilhante querendo mais e mais e mais. Estou cansado dessa gula. Não precisa me convidar para a tua casa, para a tua vida, eu já estou nela, sua besta. Trate de se olhar no espelho e verás a minha imagem bem atrás de você; juntinho. Estou de olho. Papai te ama.

      • Fabio Baptista
        17 de maio de 2016

        Deus… o Senhor participa do grupo do Facebook ou só usou vossa onisciência? 😀

        E esse lance de olhar no espelho e te ver ficou meio filme de terror… mas, se o Senhor está conosco, quem estará contra nós?

        Outra coisa, só por curiosidade… tenho uma costelinha aqui dando sopa… tem como tirar uma Scarlet Johanson dela? Mas só se não der muito trabalho, não quero incomodar…

      • Deus
        17 de maio de 2016

        Fabão,
        Minha onipresença, onisciência e onipaciência me impede de falar onde você deve enfiar essa costela. Não esqueça de minha onipotência.

  30. Anorkinda Neide
    16 de maio de 2016

    Achei bastante divertido.
    Mas acho que foge ao tema. Adão e Eva não é história, é simbolismo bíblico, tae Papa Francisco que não me deixa mentir.
    E como alguém já falou… como ficaria a humanidade a partir deste fato? matriarcal? Se Adão estava de sacanagem com a cobra, então todo o ‘esquema’ de comer maçã e tal foi quebrado? Eles não foram expulsos do paraíso?
    aff ainda tenho muitas perguntas dentro desta nova realidade bíblica e precisaria vc escrever outra Bíblia para que passássemos milênios discutindo-a e interpretando-a a nosso bel-prazer! 😛
    Acho que o texto funcionou como uma piada e não um RHA.
    Abração

    • Deus
      16 de maio de 2016

      Minha adorada Kinda,
      Tenho grande apreço pelo menino Chico, toda a sua preocupação em afastar a Igreja do simbolismo religioso, e aproximá-la do amor real pelo povo, me enche de orgulho. No entanto, não posso negar a origem bizarra dos seres humanos.
      O que é história, minha filha, se não o efeito da interpretação do julgamento humano? Quando meus antigos filhos escreveram a Bíblia, que fique bem claro que eu não tive nada a ver com isso, determinaram os rumos de sua própria história.
      O livre arbítrio, esse cancro duro que me ataca o nervo ciático, lhe dá o direito de acreditar na Realidade Histórica Alternativa que bem lhe convir.
      No mais, eu não pio, quem faz piada é o pinto. Se você não gosta da criação é problema seu. Por sua culpa acabo de dar uma rasteira em um querubim (aquele mesmo que você chama de Chub).

  31. Davenir Viganon
    15 de maio de 2016

    RHA: Adão saiu da costela de Eva (de duas, na verdade).
    Para essa realidade histórica alternativa, o autor escolheu fazer uma sátira, no melhor estilo de “um sábado qualquer”. Como toda sátira, já parte da ideia de que os eventos narrados não são verdadeiros para o autor. Se o autor faz piada, não há porque eu levar a sério o que está escrito aqui não é?! Só que não, altíssimo. O que me incomodou, no sentido de adequação ao tema, é que o autor não nos mostrou como seria essa realidade alterada. Um epilogo, mostrando uma época posterior, as consequências dessa alteração da realidade já seria o suficiente. O que temos aqui pode muito bem ser apenas uma “origem diferente” de algo que é de conhecimento comum, e não algo comum numa realidade diferente. Não sei ficou clara a diferença.
    Quanto ao conto em si, achei muito bom de ler. Divertido e leve. Me fez rir. É uma leitura ágil e os personagens são carismáticos. Parabéns!

    • Deus
      16 de maio de 2016

      Querido Dave,
      Meu garoto experto,
      Como você bem disse, Eu sou o Altíssimo e daqui de cima vejo passado, presente e futuro; nas horas vagas leio o site do Entre Contos. Pela primeira vez estou participando de um desafio. Caí em tentação, mas, por questões de ética, não posso revelar os efeitos das alterações no universo. Essa curiosidade de vocês me irrita. Eu não deveria ter-lhes concedido a consciência da morte. Você não imagina a bagaceira em que ainda vai dar tudo isso. A ignorância ainda é a única chance de salvação da humanidade.

      • Davenir Viganon
        16 de maio de 2016

        Altíssimo, desculpe incomodá-lo com pormenores, mas quando o senhor diz: “Pela primeira vez estou participando de um desafio.” Acho que o senhor deveria ter usado um pseudônimo para comentar, tá nas regras do desafio. Pode olhar lá.

      • Deus
        16 de maio de 2016

        Dave,
        Não consigo me imaginar usando outro nome se não o meu. Eu sou a verdade e ela te libertará. Se o escoteiro Guga achar por bem me eliminar todos sofrerão as consequências divinas.

  32. Evandro Furtado
    15 de maio de 2016

    Ups: Divertidíssimo. É claro que não tardará até que alguém venha apontar o aspecto sexista do texto, mas eu vou deixar passar porque funcionou. Diálogos bem construídos, personagens muito bem feitos, enfim.
    Downs: Infelizmente o final ficou meio piegas. Digamos que a piada poderia ser melhor.
    Off-topic: Deus, aproveitando que está aqui, diga-me: qual o segredo do universo?

    • Deus
      16 de maio de 2016

      Van,
      Meu inquieto pensador,
      O segredo do universo, que só é segredo para os intelectuais de plantão, é que ele é piegas pra cacete. Meu sentimentalismo exagerado gerou esse efeito colateral em minha criação.
      Para os insensíveis (não é o seu caso hoje) guardo um lugar na arquibancada do Capeta. Tem gente aqui que nem na arquibancada vai poder ficar. Se continuar com desfeita vai assistir o jogo da morte no fosso do estádio infernal.
      Hoje acordei derrubando anjo de nuvem. Muita atenção nos comentários.

  33. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA apresentada: Adão seria fruto da costela de Eva.
    Tempo da ação: início da humanidade
    Linguagem: irreverente.
    Idioma e regras: O estilo adotado justifica eventuais falhas, vírgulas, pontuação, etc, se considerarmos a licença artística.
    Ritmo e desenvolvimento: Bom, devido ao absurdo da coisa, a trama é previsível, assim como os “ganchos” das personagens, os diálogos são bem concatenados o que dá fluidez ao texto.

    Conclusão: O conto é leve, consumível, não chega a ser engraçado, é divertido ao nível adolescente, semelhante a arrotos ou “puns” – apesar da pretensão de chocar o leitor com a linguagem desabrida, percebe-se que é meio forçado, enfim, é uma tentativa de se adequar ao desafio, não sei se o conseguiu.

    • Deus
      15 de maio de 2016

      Bentido Oli,
      Eu escrevo certo por linhas tortas, mas é a primeira vez que um filho chama isso de “licença artística”. Lembrarei de atender-lhe um pedido (singelo, por favor) em momentos de necessidade.
      Sua conclusão me levou a reavaliar a beleza e a originalidade de seu nome.

  34. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Parece estar na moda fazer versões cômicas de Adão e Eva; acho que li uma dúzia, pelo menos. Todos obedecem ao mesmo padrão: Eva fala besteiras, Deus é um idiota, Adão é nulo. Esse tipo de humor rasteiro e simples, que lembra os teatros de rua medievais, não me agrada. É um modo fácil de fazer humor, que rapidamente se torna entediante e repetitivo. Com muita generosidade, daria um 3.2. Desejo muito Boa Sorte.

    • Deus
      15 de maio de 2016

      Meu amado e incompreendido filho Riquinho,
      Devo lembrar que Eu sou o criador, de resto nada se cria, tudo se copia. Plantei a flexível semente da generosidade em seu coração aflito, não se esqueça de regá-la diariamente antes de sair de casa ou ligar o computador.

  35. Deus
    14 de maio de 2016

    Querida filha Claudia,
    Suas palavras muito me alegram. Deixam claro que aquela alma de cachorro feliz, que deixei cair em sua concepção num dia muito louco, foi proveitosa. Trata-se de uma humanóide híbrida, meio cão, meio professora. Fiz você experta para que os espertos não se aproveitem de sua boa índole. Nada é em vão. Não me provoque ou poderei ficar “chateado”.

    • angst447
      14 de maio de 2016

      Altíssimo (sempre gostei muito de homens altos – opps, desculpa a comparação), por um acaso,fui chamada de cachorra? Nos atuais tempos de funk disseminado, não sei se a denominação caiu como elogio ou xingamento. Gata teria sido mais apropriado, embora muito irônico de Vossa parte. Não me julgo “experta” em nenhuma matéria, apenas uma curiosa em vários assuntos. Boa índole, devo ter já que assim o Senhor me fez. Longe de mim querer provocar Vossa ira. Dai-me somente luz e coragem para comentar os contos dos meus queridos irmãos.

      • Deus
        14 de maio de 2016

        Perdoa, Clau, teu pai está velho e não entende esses novos significados das palavras, minha cadela honesta e fiel. Não temas a missão, não faltará forças, nem tão pouco coragem, para enfrentar a batalha dos comentários. Estou ao seu lado, minha grande pequena.

  36. José Leonardo
    14 de maio de 2016

    Olá, Deus. Tive que parar aqui porque vi Sua Onisc-Onipres-Onipotência na área. O senhor sabe o meu pedido. Resolve pra mim? Prometo que, como bom filho, retornarei e comentarei vosso glorioso conto caso minha petição seja atendida. Good-bye por ora, Deus. No aguardo.

    • Deus
      14 de maio de 2016

      Querido filho Zé Leo,
      Olha só, meu pequeno grande homem, seu pai não vive de promessas e o seu valioso comentário será costurado na boca do sapo, aquele desgraçado que inventou essa merda de promessa. Não aguento mais essa mania de vocês tentarem me comprar com missangas,.. A gente estressa, né? Ou você para com essa palhaçada ou vou contar no face tudo o que você fez no ensino médio.

      • José Leonardo
        14 de maio de 2016

        Querido Deus, não sou de humanas, não entendo nada de miçangas. Mas valeu a tentativa. Vou pros próximos nomes da lista: desde as Plêiades, Alá, Ctulhu, Ashtar Sheran, ET Bilu… Poderosos pra me dirigir é que não faltam. Abraços no teu filho e pega leve no Juízo.

      • Deus
        14 de maio de 2016

        Não precisa ser de humanas para saber que miÇanga se escreve com cêcidilha, meu filhinho vingativo. Papai te ama, mesmo com essa desfeita. Embora eu tenha passado por uma fase de trampo, meia lua, estrela e muito baseado, não te dou o direito de me julgar. Qual seu problema com humanas? Bobagem. Te amo filho espinhento e nunca deixarei de cuidar de tua alma descompassada.

  37. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    É bem humorado. Boa sorte !

    • Deus
      14 de maio de 2016

      Querido filho Olisomar,
      Infelizmente, quando escrevi este desabafo, meu humor estava entre meu menino Fred Gruguer e o fiel herdeiro Rato. Logo, não posso exigir de minha cria algo além de 22 caractéres. Papai entende e torce para que suas palavras floreçam como… como… Seja feliz, meu filho.

    • Deus
      14 de maio de 2016

      Guti-guti, fiz questão de te presentear com essa dávida celestial: a felicidade e o bom humor, meu amado Olisomar. Mas eu não tive nada a ver com a escolha do seu nome, viu?

  38. Claudia Roberta Angst
    14 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Bom título, simples e não entrega o enredo, apenas aguça a curiosidade do leitor.

    * Enredo – A narrativa desenvolve-se de forma fluída e divertida, sem entraves que dificultem a leitura. O enredo é simples, sem grandes reviravoltas, apenas uma troca de papéis. Eva como modelo original e Adão como genérico. Bem bolado.

    * Tema – O conto respeitou o tema proposto, mesmo sendo uma história bíblica modificada. História é história.

    * Revisão – Encontrei um “experta” no lugar de “esperta”, “chatiadinho”> chateadinho. Eu teria colocado algumas vírgulas a mais. Em suma, não encontrei nenhum lapso muito grave.

    * Aderência – O conto prende a atenção pelo tom leve de humor e os diálogos tornam a leitura prazerosa e ágil. O autor não se perdeu em descrições desnecessárias, nem deu voltas a mais só para aumentar o número das palavras. Gostei bastante!

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .