EntreContos

Detox Literário.

O Cavaleiro do Vento (Virgílio Gabriel)

O CAVALEIRO DO VENTO3

PRÓLOGO

Em um período não reportado em nossa história hodierna, o mundo era dividido em quatro continentes civilizados: do fogo, devido ao grande número de vulcões e calor excessivo; da água, nesta parte do globo o mar era predominante, com a exceção de pequenas ilhas; do vento, notadamente o de maior altitude, conhecido pelos moinhos gigantes; e o da terra, mais árido entre todos, onde só os guerreiros mais resistentes conseguiam sobreviver.

Além das quatro regiões citadas, existiam outros dois continentes desconhecidos para as pessoas. O da luz, localizado ao norte do globo; e das trevas, ao sul. Os mais anciãos acreditavam que ali moravam deuses, e estes eram os responsáveis por manter o equilíbrio entre o bem e o mal. Dessa forma, para a paz de todos, as pessoas deveriam deixar aquelas terras em paz.

Os nomes dos continentes, referentes a elementos, não estavam apenas ligados ao clima de cada região. Mas cada lugar possuía um cristal elemental guardião, e este era dado ao vencedor de um torneio de lutas interno. Este guerreiro, presenteado com o poder do elemento pertinente, formaria junto dos outros três heróis, a defesa do planeta. Entretanto, como uma demonstração de poder, os quatro escolhidos deveriam lutar em um desafio global. Onde ficaria claro qual seria o Reino mais forte: do fogo, da água, do vento, ou da terra; e consequentemente, mostraria quem lideraria os outros três.

 

 

CAPÍTULO I

A JORNADA COMEÇA

– Moleque vagabundo, acorda!

– Que merda…. – sussurrou na cama, virando-se para o outro lado.

– O que você disse? Ah! Agora você vai ver só!

A raivosa mulher obesa, com seus braços rechonchudos, puxou o cobertor da cama, e desceu a pancada no rapaz deitado.

– Mãeee! Calma, desculpa! Tô levantando! Ai ai ai… ai minha cabeça!

– Vamos, levanta, hoje é o grande dia!

Ryon Ne’drag, de pele clara, com cabelo preto espetado, é filho de Aaran Ne’drag, antigo cavaleiro do vento, e que após uma longa jornada pelas terras inferiores, fora morto heroicamente em batalha. Aaran era muito alto e forte, e não teve dificuldade em vencer o torneio dos Reinos, o qualificando como líder entre os quatro heróis. Sua extensa barba branca o tornava imponente, e toda a sociedade tinha admiração por seu poder, principalmente pela forma hábil como manuseava a espada. Durante a última grande guerra, sua arma fora encontrada cravada no corpo esquelético de um ser das trevas. E era essa mesma espada que o jovem Ryon, de 18 anos, apanhava agora pendurada na parede do quarto.

– Você está atrasado, toma esse sanduíche e vai comendo no caminho. Essa é a última chance de você ser gente, já que é burro demais pra escola. – Disse a mãe estendendo o lanche para o rapaz, que se atrapalhava tentando ajeitar a grande espada nas costas.

– Valeu mãe! Não esquenta, vou dar uma surra naquele povo, não tem pra ninguém!

– Só vê se não morre!

Ryon jogou uma água no rosto, enfiou o pão estranho no bolso, e seguiu rumo ao centro da cidade, onde uma caravana aguardava os lutadores daquela região. O torneio do vento, para onde se destinavam, acontecia a cada dez anos, juntamente com os respectivos eventos das outras regiões. Nele todos os guerreiros se reuniam em um coliseu, na capital, munidos das mais diversas armas, para buscar a tão almejada esfera do vento, e os poderes que dela emanavam.

Após uma longa caminhada, incomodado pelo peso e tamanho da espada, avistou a caravana. Percebeu uma pequena fila que findava em um balcão. Era ali que completavam a inscrição dos pretendentes a heróis. Ryon aguardou atrás de um homem negro, com cabelo moicano, portando um machado maior que ele nas costas. Quando chegou a vez do rapaz a sua frente, disfarçadamente ouviu o que conversava com o rapaz do balcão.

– Nome?

– Bradun O’Corur.

– Profissão?

– Mercenário e torturador do Reino.

– Altura?

– 2 metros e 15.

– Peso?

– 142 quilos.

Ryon observava um pouco assustado, não se imaginava vencendo um gigante daqueles. Pensava em que estratégias poderia usar, caso o destino os colocassem frente a frente. Nenhuma funcionava em sua cabeça.

– Próximo… Próximo? PRÓXIMO!

– Hã, desculpa, sou o Ryon…. Ryon Ne’drag.

– Profissão?

– Eu ajudo minha mãe em casa, bom, nem sempre…

– Altura?

– 1 metro e 70, mas ainda estou crescendo, só pra constar.

– Ok, peso?

– 65 quilos – Disse sussurrando ao notar que outros guerreiros em sua volta estavam apontando para ele e rindo.

– E qual arma irá utilizar?

– A espada Ne’drag!

Nesse momento o homem no balcão se assustou, e os risos a sua volta cessaram.

– Tu… tudo bem. – falou olhando para as costas do rapaz para ver a espada. – Por favor, tome o seu número e entre do vagão. Após darmos água aos cavalos, partiremos. Já estamos atrasado.

 

 

CAPÍTULO II

NASCE UM HERÓI

Após dois dias de viagem, chegaram ao destino. O coliseu, ao estilo romano, estava lotado de pessoas querendo assistir as lutas. Muitos, inclusive, brigavam na entrada por este não ter mais lugar. O jovem Ryon olhava tudo aquilo com espanto, jamais havia saído de sua pequena cidade montanhosa. Um senhor, vestido com uma roupa verde elegante, tendo o brasão do vento cravado na altura do peito, pediu para que todos os guerreiros recém chegados se juntassem.

– Cavalheiros! Eu vos saúdo em nome do Reino do Vento. Meu nome é Uslo Maduin, e fui designado para direcioná-los no torneio. Primeiramente, os senhores deverão ficar no andar subterrâneo do coliseu, onde serão servidos alimentos de ótima qualidade. Após às 13 horas realizaremos o sorteio, e na sequência, as batalhas. Qualquer dúvida, estarei sempre por perto. Por favor, me acompanhem.

Junto dos demais, Ryon seguiu entre a multidão em uma fila, com a população alvoroçada em volta comemorando os seus possíveis heróis. Desceram por uma escadinha, que levava para o andar subterrâneo da construção. A porta atrás deles foi fechada assim que o último lutador passou. Ao caminharam pelo ambiente, viram algumas frutas velhas numa mesa de madeira, e muitas camas fétidas com colchões rasgados.

– Então eram esses os alimentos de ótima qualidade? – disse um homem muito obeso entre eles, já se mostrando decepcionado.

– Senhores, temos aproximadamente 680 lutadores inscritos, de 32 municípios distintos. Um recorde para o Reino do Vento! Por favor, se alimentem e descansem, em breve trarei novas informações. – explicou Uslo.

Ali estavam apenas os inscritos do município de Violet, lar de Ryon. Provavelmente os lutadores dos outros municípios deviam estar ambientados em áreas do coliseu. O rapaz pegou uma maça velha em cima da mesa, limpou em sua roupa, e se sentou em um dos colchões. Para espanto dos outros, que estavam muito nervosos, Ryon após comer a fruta, dormiu e até roncou. Pelo menos até ser acordado por Uslo, que voltava para novas instruções.

– Senhores, como combinado, essa talvez seja a minha última aparição para muitos de vocês. Em 15 minutos aquele portão de abrirá – disse apontando para o lado – e todos vocês deverão se dirigir para a arena. O nosso torneio não tem a intenção de matar ninguém, embora muitas vezes isso seja inevitável. Todos que desistirem deverão correr para uma área neutra, marcada no chão com uma tinta branca. Quanto aos inconscientes, serão retirados ao fim da disputa, bem como os corpos dos mortos. Alguma pergunta?

– Mas não ia ter um sorteio? Como sei quem vou enfrentar? – Disse um dos guerreiros no fundo.

– Oh, me desculpem, esqueci de contar. Devido ao grande número de participantes, os lutadores se enfrentarão de uma só vez, entre os de sua região, restando apenas um. Ao fim, todos os municípios terão o seu representante para a segunda fase do torneio, somando 32 ao todo. Após subirem a arena, aguardem as ordens do rei para começar. Boa sorte!

Todos se alvoroçaram, e Ryon, ao perceber que o gigante Bradun estava ao seu lado, tratou de se levantar e ir para o outro lado. Nem estava a fim de encaram aquele grandalhão de início. O clima tenso tomou conta, cada um dos lutadores já miravam quem atacariam primeiro. E como não seria diferente, a maioria deles fitaram o jovem Ne’drag.

O guerreiro franzino ajustou suas botas, as joelheiras e cotovelarias de aço, bem como a fina e leve armadura que trajava. Ainda sentia um incomodo com o tamanho da espada, mas agora nem dava mais tempo para mudar de arma. Ryon foi treinado desde a infância por amigos de seu pai, seja na luta corporal, no uso de armas, bem como na arte da magia, que só poderia usar caso conquistasse a esfera de vento. Em toda a sua vida, não tinha lutado realmente com alguém pra valer, mas os seus treinadores sempre ressaltaram que o jovem havia herdado o talento do pai.

Assim que o portão se abriu, todos os guerreiros, apreensivos, subiram a escada. Ao fim dela, se depararam com uma enorme arena, com milhares de pessoas na plateia. O município de Violet contava com 20 competidores, e apenas um deles iria para a próxima fase. Lentamente formaram uma linha na horizontal, em direção ao rei, que estava em uma cadeira privilegiada entre a multidão. León di Maio era seu nome, e ao seu lado, estava um senhor com uma espécie de megafone, que era responsável em passar as ordens do rei de forma audível à todos.

– Nobres guerreiros do município de Violet, como podem ver, ainda há muito sangue na arena. – Os competidores olharam para os lados, e viram, além de sangue, alguns membros decepados. – É que vocês são do último município a decidir o herói representante. Assim que vossa majestade levantar o polegar, poderão começar, mas de hora, peço que entrem já em posição de batalha.

Ryon olhava para todos os lados, e não achava a maldita área branca para desistir. Se sentiu enganado. Ele notou que muitos guerreiros o encaravam, e não podia ser por menos, sem dúvida era o mais frágil entre todos. Com exceção de um velho com uma bengala, aquele com certeza estava em piores condições. A ideia de início seria sobreviver até sobrarem poucos, e só depois, pensaria em algo para conseguir parar aqueles grandalhões… talvez um milagre.

Já mirando para o lado que correria, retirou a grande espada das costas. Os concorrentes ao seu lado a olharam com admiração. Talvez aquele rapaz mirrado não fosse tão inexperiente quanto parecia. Porém Ryon não aguentou o peso da espada, e tropeçou, deixando-a cair. Não só os guerreiros ali presentes, mas todo o público do coliseu, gargalharam em alto som.

“- Que merda, agora que todo mundo vai mirar em mim mesmo”. – pensou.

Assim que o rei virou o polegar, Ryon correu desesperado. O que se via era algo não só trágico, mas engraçado. Mais da metade dos lutadores corriam atrás dele. Quando algum se aproximava, ele tentava se defender com a espada. A arena, por ser muito extensa, dificultava que fosse alcançado. Os lutadores que estavam no seu encalço, muito próximos, se cortavam entre si. A plateia ria sem parar da cena.

Após alguns minutos, para o seu pavor, viu que atrás dele estava apenas Bradun O’Corur. Ele era o grandão que estava em sua frente na fila quando se inscreveu em Violet. O gigante havia matado todos os outros sem piedade. Seu corpo, e o machado que portava, estavam banhados em sangue. Ryon estava prestes a ser alcançado, e para ter mais facilidade na movimentação, jogou a sua espada para longe.

Bradun, em vez de correr em círculos, o cercou.  Estava rindo, mesmo tendo poucos dentes na boca e um sorriso medonho.

– Essa formiguinha corre bastante! Devia estar com a mamãe em casa, e não bancando o herói. Ah! Vai chorar? Buá! buá!

Ryon, sem espada, e encurralado, tremia tentando uma posição de luta. Enquanto isso, o gigante Bradun caminhava lentamente na sua direção. Assim que ficou a poucos metros, ergueu o machado e correu para desferir o golpe… mas caiu. O corpo de Bradun O’Corur ao bater no chão, causou grande barulho, e enorme quantidade de poeira se dispersou no ar. Na medida em que ia se dissipando, Ryon avistava o velho do início da batalha, com o cajado apontando em sua direção.

Ainda sem entender o que acontecera, andou em volta do homem caído. Observou que em suas costas havia um buraco, com fumaça e brasas ao redor. Olhou novamente por toda a arena, e percebeu que somente o velhinho estava de pé. Antes que pudesse pensar se o atacaria ou não, o velhinho desapareceu e apareceu bem a sua frente. Ele dominava a magia.

– Tolo, pegue a sua espada. – Falou a menos de um metro de Ryon.

O jovem saltou para trás assustado, e dentou desferir alguns golpes. Mas eles atingiam uma espécie de barreira mágica.

– Já falei, pegue a sua espada!

Ryon olhou para os lados, e viu o brilho diferenciado de sua arma caída na areia, um pouco longe. Correu até ela, e segurou o cabo com as duas mãos. Novamente o velho se teletransportou para perto de si.

– Filho de Aaran Ne’drag, me ataque!

“– Como ele sabe…?”

– Vamos, me ataque!

Ryon desferiu novamente muitos golpes, dessa vez com a espada. Entretanto novamente pararam na barreira invisível.

– Jovem Ne’drag, essa espada é muito poderosa, mas se estiver nas mãos de alguém fraco, é apenas uma arma comum. Eu sinto poder em você, liberte-o!

Incansavelmente, voltou a golpear, mas continuava sem conseguir transpassar a barreira.

– Acho que me enganei. – Disse o velho, apontando o cajado para ele. Na sequência, lançou uma magia de fogo no ombro do rapaz.

– Ahhh! Que droga, o que quer de mim? Eu não consigo!

– Se você não despertar seu poder, é melhor que não sobreviva. Um grande mal se aproxima, e se não se tornar um guerreiro, eu mesmo terei que combate-lo. – Ao terminar de explicar, voltou a lançar golpes de fogo.

Ryon tentava de todas as formas, mas não conseguia. Apesar do corpo sangrar em diversas partes, se recusava a desistir. Recebeu diversos golpes, até que ao levar uma magia muito forte de fogo no peito, caiu desacordado.

– Seu pai teria vergonha. Mas… eu tentei. – vociferou o velho, virando as costas e indo em direção ao rei.  Porém, após alguns passos, notou que a plateia mudara de expressão repentinamente. Olhou para trás.

O garoto estava de pé, tremendo, com a espada em punhos.

– Ainda não acabou… – Disse enfraquecido.

O velho riu satisfeito, com o cenho fechado, ao ver a espada lançar luzes por toda a arena.

– Sua lição aqui terminou jovem Ne’drag. – Ao terminar a fala, colocou a mão contra o próprio peito, e lançou um feitiço em si próprio.

A plateia estava atônita, não sabiam se comemoravam, ou refletiam mais um pouco sobre aquela situação. Ryon até tentou caminhar na direção do feiticeiro, mas enfraquecido, caiu desacordado.

 

 

CAPÍTULO III

O CAVALEIRO DO VENTO

“- Sinto algo molhado em minha testa. Será que estou sonhando? Tudo isso realmente aconteceu?

            Ainda em sonolência, percebo que estou deitado em um quarto agradável, porém desconhecido. Uma mulher bela passa um pano húmido em minha testa. Nunca havia visto tanta beleza antes. Uma pele alva, com um cabelo bastante liso e preto. Seus traços lembram os anjos desenhados nas igrejas.

– Você tem muitas dúvidas querido, eu sei. Mas o tempo responderá todas, não se preocupe.

– Quem é você? Quem era aquele velho maluco? Eu estou morto?

– Calma, por favor, não fique agitado, – Disse com uma voz mansa – aquele senhor foi o herói do fogo, no período em que seu pai batalhou a guerra das trevas. Eram muito amigos, e agora se sacrificou para ajudar você e os reinos.

– Ajudar?

– Durma meu amor, você terá tempo para entender tudo na hora certa. – respondeu beijando-me a testa”.

Ryon Ne’drag levantou assustado, sentindo ainda muitas dores pelo corpo. Olhou para os lados e não viu ninguém. Foi mancando até a porta, e observou que ela estava apenas encostada. Ao empurrar, foi surpreendido por dois guardas sorridentes.

– Olá guerreiro, o senhor precisa voltar para a cama, ainda está muito ferido. – Disse o primeiro, com o outro confirmando com a cabeça.

– Não, valeu, eu estou bem. O que aconteceu?

– O senhor venceu o torneio inicial, e vai representar o município de Violet em alguns dias! És um herói!

– Herói… sei. E onde estou?

– Está hospedado em um dos quartos do castelo do vento. É convidado especial de nossa majestade, o rei León di Maio. Os outros guerreiros também estão por aqui, mas caso os encontre, peço por favor que mantenha a cordialidade.

– Acha mesmo que eu conseguiria bater em alguém? – riu o jovem. – Onde posso comer algo? Estou faminto.

– Descendo as escadas, um banquete aguarda o senhor.

– Ah, e só mais uma coisa, quem era aquela mulher que cuidou de mim?

– Senhor, ninguém entrou no quarto. Ficamos aqui vigiando em revezamento o tempo todo.

– Ok, valeu. – respondeu com expressão de confuso, desacreditando nos guardas, e se virando em direção às escadas.

Nos dias que se passaram, Ryon se alimentou como um nobre. Nunca havia visto tantos alimentos diferentes e saborosos. Rapidamente se recuperou das lesões, e ao praticar sua técnica com a espada, percebeu que algo estava diferente. Era como se o instrumento tivesse acordado, e agora se movimentava com leveza. Ele não a sentia mais pesada, parecia que a arma agora fazia parte de seu corpo.

Durante as batalhas, a destreza de Ryon, com o poder da espada Ne’drag, rapidamente o fizeram se tornar o queridinho da multidão. De todos os 32 desafiantes, era o único pequeno e veloz. Os demais eram lutadores grandalhões, com armas enormes. Além disso, descobriram que era filho de Aaran Ne’drag, antigo herói do povo. Pouco a pouco, os rivais foram sendo derrotados pelo jovem de Violet. Porém havia uma única pessoa que não torcia para o garoto, o rei. Poucos sabiam, mas o representante da capital era o seu filho, o príncipe Di Maio.

Diferente de Ryon, o jovem Di Maio viveu toda a sua vida rodeado entre os melhores cavaleiros, e consequentemente, fora treinado da forma mais adequada possível. Além de ser mais velho, era também mais forte. Sua armadura parecia ser intransponível. Durante a competição, até chegou a ser acertado, porém se manteve inabalável. Com aquele tamanho e proteção, parecia imbatível. Sua arma, igualmente a de Ryon, também era uma espada.

O príncipe fora inscrito sem o conhecimento da população, por isso lutava com um elmo fechado. O rei tinha medo de que as pessoas o achassem favorecido. Todavia, agora identificava Ryon como uma ameaça real, e seu coração paternal não poderia permitir que seu filho não se tornasse o novo cavaleiro do vento. Apesar do jovem de Violet não sacrificar aqueles a quem derrotava, para o rei, a vida era o que menos importava, ele queria era ver seu filho com o poder do cristal, e faria de tudo para que isso acontecesse.

Após muitas batalhas, os dois iriam decidir o torneiro. Estavam num nível muito acima dos demais. Ryon, que havia assistido a algumas lutas do príncipe, estava ansioso para testar a sua espada naquela armadura.

– Galera preparem um banquete caprichado, amanhã é a grande luta e preciso comer bastante! – Disse apoiado na bancada da cozinha do castelo.

– Calma jovenzinho, não sei como serve tanta comida nesse corpinho raquítico. – respondeu uma das cozinheiras rindo.

– Vamos! Vamos! Não quero cair desnutrido naquela arena! – riu

– Sente-se na sala de jantar, que levaremos pra você algo delicioso!

Enquanto Ryon se dirigia ao outro cômodo, avisou o rei indo até a cozinha. Sem saber como se dirigir à nobreza, se confundiu e fez o sinal da cruz. León di Maio apenas sorriu e o cumprimentou com a cabeça.

Naquela noite, o jovem guerreiro dormiu mal. Teve pesadelos, sentiu febre, rolou na cama. Ao levantar, estava completamente enfraquecido. A espada novamente parecia pesar muito mais do que o normal. Lavou o rosto, vestiu sua armadura padrão, e desceu para a cozinha.

– Senhor Ne’drag, gostaria de tomar café? – perguntou uma das criadas.

– Não, não, pode deixar. Não estou muito bem, está tudo rodan… – disse tropeçando e se apoiando na mesa para não cair. Não havia percebido, mas o rei estava sentado na ponta da mesa.

– Deixem ele! É só um mal-estar. Jovem Ne’drag, hoje é o seu dia. Pegue! – Disse jogando uma maçã, que bateu em seu rosto e caiu – Coma, e vá lá para a arena. Você já está se atrasando.

Abatido, se dirigiu para o coliseu escoltado por soldados. Ele foi o primeiro a entrar na arena. A multidão claramente estava do seu lado. Ele era filho de Aaran Ne’drag, herói do povo, e morador de Viole, um dos municípios mais pobres do Reino do Vento. Não tinha como não torcer para ele. O evento havia durado quase dois meses, e seu nome já era conhecido por todos os quatro continentes. Enquanto os dois duelassem essa manhã, os outros reinos organizavam suas finais em conjunto. Até a noite, o mundo teria seus novos quatro heróis.

O príncipe di Maio entrou em seguida, trajado de sua famosa armadura reluzente. Seria capaz da espada do jovem de Violet perfura-la? Era isso que todos ali aguardavam para ver.

Assim que o rei autorizou o início da batalha, era visível que Ryon andava trôpego. O seu adversário, sem piedade, o atacou por diversas vezes. Ele até conseguiu se defender com o uso da arma, mas não tinha a velocidade para contra-atacar. Depois de alguns minutos, não resistiu e desabou. O príncipe percebeu que havia algo estranho, e se recusou a ataca-lo no chão. O rei, furioso, tomou o megafone de seu auxiliar e pediu para que o seu filho terminasse aquilo.

– Cavaleiro, cumpra com sua obrigação! Isso é uma ordem!

O jovem di Maio olhou para Ryon, retirou a máscara, e ao erguer sua espada, sussurrou:

– Sinto muito…

Mas antes que o acertasse, o tempo paralisou. Novamente a bela mulher, de pele alva e rosto angelical, surgiu entre ele e o príncipe.

– Querido, é a sua chance.

– Mas, o que?

– Não vou aguentar muito tempo…

Ryon tomou força, agarrou a espada Ne’drag, e cortou a mão do príncipe. Nesse momento a mulher desapareceu, e tudo voltou a velocidade normal. A multidão entrou em choque ao verem di Maio agonizando no chão. O rei nada pôde fazer, Ryon Ne’drag era o novo cavaleiro do vento. Todos no coliseu vibravam, o jovem de Violet seria o representante do Reino do Vento.

Inconformado, o rei teve de dar o cristal do vento para o cavaleiro. A cerimônia estava linda, pessoas de todos os municípios presentes. Porém, assim que o cristal do vento tocou Ryon, nada aconteceu. Normalmente, um grande vendaval tomaria o lugar, e todos sentiriam o poder adentrando no herói. Mas com Ryon, nada aconteceu. Os nobres se olhavam sem saber o que havia acontecido. O rei, em razão disso, tentou impedir que ele fosse o escolhido, mas foi impedido pela população. Estavam do lado do filho de Aaran Ne’drag.

Talvez levasse algum tempo para que ele conseguisse absorver o poder, mas de qualquer forma, ele era o escolhido. Agora, que passara pelo torneio, deveria ir ao encontro dos demais heróis. Ryon guardou seus bens mais valiosos em bolsas, que foram penduradas num cavalo escolhido especialmente para ele. Esse era só o início, e muitas outras aventuras o esperavam.

Na saída da cidade, viu mais uma vez a moça que o ajudara.

– Meu amor, espere.

– Ah, é você, obriga…

– Não termine, quero que saiba que por onde vá, estarei com você.

– Mas quem é você, afinal?

– No tempo certo… no tempo certo saberá.

Ryon Ne’drag, assentiu com a cabeça e seguiu sua jornada.

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10 comentários em “O Cavaleiro do Vento (Virgílio Gabriel)

  1. andreluiz1997
    18 de março de 2016

    O universo que você criou para sua história me cativou, e achei muito bacana esta temática de disputas por um artefato valiosíssimo para o reino, porém achei que irá diálogos e a narração das batalhas ficou bastante artificial, que precisam de uma revisão urgente. De certa forma, foi uma narrativa boa, apesar de ser infanto-juvenil, tanto pela linguagem empregada quando pela história em si. O final também deixou a desejar, pois foi algo aberto demais e que decepcionou um pouco por não levar a lugar algum(na expectativa de que o conto sempre se resolva com ele mesmo). Boa sorte!

  2. Piscies
    18 de março de 2016

    Ué? Se eu estivesse lendo um livro, teria virado a capa para ver se tinha mais depois, rs.

    Cadê o resto da história, meu deus? Parou no meio, assim, sem conclusão?

    Achei a história um tanto fraca. O personagem principal, Ryon, não agrada. Muito choramingão e fraco… me parece os personagens principais de desenhos japoneses antigos (daqueles que você gosta de todos os personagens, até dos inimigos, menos do personagem principal, rs).

    A escrita está corrida DEMAIS. Tudo é narrado de forma tão apressada que o leitor não consegue digerir nada. As informações são jogadas sem muito jeito e sentimento. Não consigo sentir a perda do pai de Ryon, não consigo sentir conexão qualquer com a mãe de Ryon (que foi só uma personagem de um parágrafo), não consigo sentir simpatia pelo Guerreiro do Fogo que se sacrificou pelo garoto (o motivo, pelo visto, jamais saberei).

    A história tem clichês demais, como se os explorasse para ganhar credibilidade. O garoto que é um fracote mas é filho do homem mais forte do mundo. A espada mágica herdada do pai. O grande sábio que ajuda o garoto fracote a avançar. O inimigo grandalhão que aparece no início e o leitor SABER que o garoto fracote vai enfrentar. Um grande torneio para decidir o campeão dos reinos mágicos… tudo é muito… “repetido”. Li o texto como se eu já tivesse visto um pouco de cada coisa em algum lugar diferente. Nada me parecia muito original.

    De qualquer forma, uma vez melhor trabalhado, o cenário aqui descrito é promissor. Trocando os nomes dos reinos (pelamordedeus, nomes dos 4 elementos não!!!), dando mais profundidade e algum carisma ao personagem principal, descrevendo melhor o cenário que me parece magnífico… vejo aqui grande potencial.

    Boa sorte!!

  3. Pedro Luna
    18 de março de 2016

    Bom, fiquei dividido. Por um lado, a escrita é bem fluida, dá pra acompanhar legal. Mas quanto a trama, precisei considerar algumas coisas. Talvez uma ideia grande demais para espremer em um conto. A sua história me lembrou animes, filme estilo Jogos Vorazes e jogos de videogame RPG, com torneios, personagens infiltrados, lendas. Porém, nesses meios a trama se desenrola em vários capítulos ou partes, e aqui tudo vem de uma vez. Porém, você se saiu muito bem, pois ficou crível, só parecendo estar apressado ao fim, quando fala que o príncipe também está participando, entregando pro leitor (mas foi sua intenção).

    Mas algumas coisas não me desceram. Primeiro que o torneio era pra escolher os guardiões, então pq matar? Sei lá. Se a intenção era paz, porque fazer um torneio tão brutal? E digo, vale matar no torneio, cortar mão e tal, mas as falas de alguns personagens, como o protagonista, a mãe dele e o cara que recebe os lutadores, vai contra isso. Eles falam como se todos fossem participam de uma gincana, e não de um torneio moral.

    Também não entendi a mulher que aparece, porque o velho se matou, e o que houve na hora da luta entre ele e o príncipe. Se perdi algo, me desculpe. No geral, um bom trabalho.

  4. Simoni Dário
    16 de março de 2016

    Olá Sedução.
    “O Cavaleiro do Vento” foi muito bem narrado, mas o tempo todo tive a sensação de “eu já assisti esse filme”. Com certeza você escreve bem, tem uma mão excelente para narrativas, mas a história lá pelas tantas cansou um pouco, e teve um final que deixou aberta a porta para a parte 2, estou certa? Ou seja, não vi um final. Quanto à criatividade, como já falei, deixou um pouco a desejar, muitos enredos do cinema já usaram o mesmo argumento. Eu, particularmente, lembrei-me de “Coração Valente”o tempo todo. Mas, você prende a atenção da forma como escreve, e deixa a curiosidade bem ativa durante a leitura, parabéns por isso. No geral, gostei do conto.
    Bom desafio!

  5. Swylmar Ferreira
    15 de março de 2016

    Esse conto pareceu-me o capitulo inicial de um romance. Bem, vamos lá. O enredo é interessante, atraente diria. Bastante criativo – gostei especialmente da ideia de representantes de seis continentes – além de ser pertinente ao tema proposto no desafio. Precisa de breve revisão gramatical, mas nada que prejudicasse o conto. A conclusão é abstrata e como disse parece parte de uma obra maior.
    A nota é 8,1.

  6. Anorkinda Neide
    14 de março de 2016

    Olá!
    Muito fofa essa epopéia do heroi.. me afeiçoei ao garoto.
    Senti ao final uns problemas de revisao, digitação, coisa da pressa, né!!!
    Tem algumas pontas soltas, como: pq Ryon era tao pobre se seu pai fora o heroi do povo? senti falta de saber pq ele nao ‘assimilou’ o poder do vento ali na cerimonia? gostaria de ver tudo ‘perfeitinho’ com ele, para q o final ficasse com mais cara de ‘final’!
    Mas nada disso impediu q eu me divertisse com esta historia. Parabens e boa sorte!

  7. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    Escrita um pouco truncada e com problemas ortográficos e de pontuação. O personagem principal não tem qualquer carisma. O conto é finalizado sem conclusão ou explicação. Parece parte de um texto mais longo.
    Nota 4

  8. Evie Dutra
    12 de março de 2016

    ADOREI! hehehe
    Mas foi maldade sua deixar esse final inconclusivo. Quero saber quem é a bendita mulher e pq nada aconteceu quando Ryon tocou o cristal.. preciso do final desse conto! 😛
    Sua escrita é muito leve e envolvente e me manteve curiosa o tempo todo.
    Adorei a frase “Sem saber como se dirigir à nobreza, se confundiu e fez o sinal da cruz”. Fiquei rindo sozinha no trabalho, tentando disfarçar para não parecer estranho 🙂
    Parabéns e boa sorte!

  9. Emerson Braga
    9 de março de 2016

    Sedução, creio que faltou novidade em seu conto. Ao lê-lo, tive a sensação de que os universos de Avatar – A Lenda de Aang, Gladiador, Jogos Vorazes e Coração de Cavaleiro haviam sido batidos em um processador. Além de carecer de originalidade, o conto apresenta algumas dissonâncias, tipo: Como o filho de um grande guerreiro não estava preparado para um torneio que, desde seu nascimento, ele sabia que iria participar? Outra coisa: O sobrenome de Ryon e o nome da espada são os mesmos, o que me leva a não entender por que os outros competidores só reagiram quando ele falou que lutaria com a temida espada. Ora, quando ele se anunciou, todos já deviam identificá-lo como o herdeiro da poderosa arma de Aaran Ne’drag.
    Também há muitos erros de grafia, concordância, acentuação gráfica e digitação. Uma boa história é importante, mas sua apresentação não pode ser deixada de lado. O texto também possui explicações desnecessárias, repetições que parecem duvidar da capacidade do leitor de fazer associações.
    Também achei a palavra “município” deslocada para um contexto medieval. Município é uma unidade do estado como o conhecemos hoje. Teria sido mais adequado utilizar condado, ducado, vila, vilarejo, cidadela etc.
    Outra coisa que me chamou a atenção foi que o texto está todo escrito na 3ª pessoa e, sem razão alguma que justificasse seu gesto, o 2º parágrafo do 3º capítulo foi escrito na 1ª pessoa. Isso não pode ser feito de qualquer forma. É um recurso que tem que ser utilizado com sabedoria ou, preferencialmente, ser evitado.
    Pra ser sincero, acho que ficaria bem melhor se o narrador da história fosse o próprio Ryon. Sinto que você é a voz de Ryon Ne’drag, portanto, deveria ter escrito em 1ª pessoa.
    Da próxima vez, escreva algo diferente, que não se dobre àquilo que já lemos ou vimos no cinema. Ryon merecia um conto mais bem cuidado, pois ele é um personagem simpático. Você tem uma escrita empolgada, divertida. Deveria treiná-la, aprimorá-la. Recomendo muita leitura e mais atenção às regras gramaticais. Imaginação você tem, mas não está utilizando bem. Não repagine o que já viu, crie algo novo! Tenho certeza de que, muito em breve, você será capaz de nos surpreender.
    Boa sorte.

    P.S.: Não escreva coisas como “Em um período não reportado em nossa história hodierna”. Soa pedante e faz o leitor pensar em desistir da leitura na primeira frase. A simplicidade é sempre o melhor caminho. Palavras rebuscadas não acrescentam nada ao texto. Construções frasais inteligentes, sim.

    Nota: 4,0

  10. Fabio Baptista
    6 de março de 2016

    Mais um texto com pegada infanto-juvenil que torci o nariz no começo, mas que depois fui me adaptando e, nesse caso, até me empolgando com a leitura.

    Esse mote de torneio para definir um campeão já é meio batido, mas sempre funciona. A divisão dos reinos de cara me lembrou Avatar e a tal jornada do herói foi seguida à risca – o que não é ruim, mas também não gera pontos por criatividade.

    Sendo bem sincero, o que mais me incomodou aqui, e daí a nota baixa, foi que toda essa narrativa é apenas um prólogo de uma história maior. Um capítulo de um romance, ou novela, não necessariamente um conto.

    – Dessa forma, para a paz de todos, as pessoas deveriam deixar aquelas terras em paz.
    >>> poderia ter evitado um desses “paz”

    – Já estamos atrasado
    >>> concordância

    – O coliseu, ao estilo romano
    >>> essas comparações com coisas do “mundo real” não casam bem num mundo fantástico

    – O rapaz pegou uma maça
    >>> maçã

    – “- Que merda, agora (…)
    >>> só as aspas já eram suficientes para referenciar pensamento

    – e dentou desferir alguns golpes
    >>> tentou

    – avisou o rei indo até a cozinha
    >>> avistou

    NOTA: 6,5

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Grupo 3 e marcado .