EntreContos

Detox Literário.

Alguinho (Simoni Dário)

Todo dia era a mesma coisa, o quadro tava sempre torto e minha mãe não entendia por que. Eu achava que era mais fácil tirar o quadro de lá e pronto, sem confusão. Eu não sabia se aquilo no quadro era uma mulher, um monstro ou um bicho de sete cabeças, mas pra minha mãe aquilo ali certamente queria dizer alguma coisa.

Saí da sala e fui pegar um ar no quintal, era um dia da semana qualquer de muito sol e eu não tinha nada pra fazer a não ser brincar.

Brincar na rua já não era coisa que as crianças faziam. Há essa hora tava todo mundo no computador, menos eu. Só que daí eu tinha que brincar praticamente sozinho. Não que eu não gostasse de computador, gosto muito de tudo que tem tecla, teclado, botão. Mas gosto do ar, do céu azul, da brisa do mar. Peguei uma goleirinha de futebol de mesa que era do meu pai e coloquei no caminho de pedra onde os carros passavam pra garagem, peguei uma bolinha de gude e comecei a mirar na goleirinha sozinho. Peguei uma pedra um pouco pequena, um pouco grande, pra ser o goleiro, ou melhor, pra atrapalhar um pouquinho, senão ia ficar muito sem graça o meu gol. Comecei a jogar, gritar, a fazer tudo como se tivesse umas duzentas pessoas por ali, mas  percebi que por mais que eu me esforçasse, era  só eu, no meu “super” campo de futebol, sozinho.

Entrei de novo em casa, olhei em volta e percebi que se eu quisesse brincar com alguém ia ter que “entrar” no computador”. Dito e feito, tava todo mundo lá. Comecei a jogar com um, com outro, não sei quanto tempo eu fiquei, mas me diverti. Tentei convidar uns amigos pra vir aqui em casa e brincar na rua, mas ninguém se interessou. Então cansei do computador e fui pro meu quarto.

Vi, em cima da cama, o livro que ganhei da minha tia. Era de um menino-herói. Deitei ajeitando os travesseiros contra a parede, peguei o livro e comecei a ler. De repente senti a cama tremer, achei que eu tava sonhando, quando aconteceu de novo. Levantei assustado, olhei em baixo da cama, olhei em volta, e nada. As cortinas começaram a mexer e saiu de trás um menino, mais ou menos da minha idade, com um cabelo escuro arrepiado, tipo todo o cabelo em pé, como se tivesse vindo de outro planeta, de foguete, só que pelo lado de fora.

A pele dele era branca mas não pálida. Os olhos grandes, um pouco arregalados. Parecia um louquinho, desses de filme de gênio, porque ele falava, falava e falava de novo, falou tanto que eu não dava conta de entender. “O que será que é isso? Da onde “esse” coisa saiu meu Deus do céu?”

Respirei fundo e vi que ele tinha um relógio enorme no pulso, mas que ao invés de ponteiros, tinha golfinhos e barcos navegando. Taí, ele veio do fundo do mar. Fiz um sinal com a mão apontando pro pulso dele mostrando o meu, pra ver se dava pra fazer algum tipo de comunicação. Eu precisava ver se ele me entendia. Ele olhou pro relógio, botou a mão em cima e puxou o braço contra o peito como se dissesse “é meu!”. “Ih, esse moleque é doido mesmo, e pelo jeito é egoísta também”. Quando eu tentava imaginar alguma outra coisa pra puxar conversa e descobrir da onde o menino surgiu, ele franziu a testa, como se tivesse brabo e começou a rodopiar, tipo um peão. Eu enxergava um fio de cabelo só, pra cima, a rodar. Ele parou, esticou um braço pra cima e outro pra baixo como se fosse um super herói e disse:

– Oi, eu sou o Alguinho! Quer brincar comigo? Eu só posso brincar cinco minutos porque tenho que estudar depois. Foi o que a minha mãe disse.

– Cinco? Eu disse, mas nesse tempo não dá pra brincar de nada!

– Ah, que pena! Eu achei que dava, eu queria muito brincar, faz tempo que só estudo e cumpro tarefas pros meus pais. Como é teu nome? – Perguntou impulsivo.

– Ian, respondi.

– Legal, posso vir te convidar pra brincar mais vezes Ian?

– Pode, mas você vem de onde?

– A minha mãe ta me chamando, tenho que voltar.

E sumiu num rodopio que fez a cortina ir até o teto e voltar tão rápido que pensei que ela ia despencar na minha cabeça. Nisso, a minha mãe também começou a me chamar e lá fui eu, saindo da cama todo atrapalhado como se um furacão tivesse passado por ali e me deixado tonto.

A minha mãe queria saber onde eu tava, pra variar. Disse que não tinha me visto em lugar nenhum. Uma coisa das mães que eu não entendo, elas tem que ver a gente o tempo todo e em todo lugar. Eu não posso nem ler no meu quarto que ela já acha que eu sumi, coisa de mãe mesmo! Quando o meu pai ta em casa e a minha mãe não ta, não é assim, posso passar o dia inteiro no quarto que ele não pensa que eu sumi. Pai é diferente de mãe, isso eu já percebi.

No outro dia, acordei, peguei o livro do menino-herói e fiquei olhando as figuras nele. Acho que de tanto olhar fiquei meio, não sei dizer, hipi…, não sei, fiquei meio tonto, parecia que tudo tava girando em volta. Ele saiu de trás da cortina, com aquele gesto, uma mão pra cima, a outra pra baixo, o relógio tava ali, com golfinhos e barcos navegando, mas daí que reparei que ele tinha um cabeção. Ele disse oi e eu só respondi oi. Fiquei louco pra perguntar um monte de coisas, vinham muitas perguntas ao mesmo tempo na minha cabeça:

– De onde você vem? – Tomei coragem.

– Como assim? Ele perguntou.

– Da cortina é que você não vem, né?

Ele baixou a cabeça, eu vi que ele tava pensando, pensou e pensou. Rodopiava um dedão em volta do outro, e pensava e pensava. Depois de algum tempo, não sei quanto, ele levantou a cabeça, me olhou e disse:

– Não sei, você sabe de onde você vem?

– Eu? Eu sou daqui mesmo, sempre estive aqui.

– Mas sempre? Do tipo sempre mesmo?

Achei estranha aquela conversa e mudei de assunto. Resolvi convidar o esquisitinho pra brincar de uma vez. Ele aceitou. Eu gostava muito de jogar futebol de botão, ninguém mais gosta de jogar esse jogo, então pedi pra ele jogar comigo. Ele aceitou e eu fiquei muito feliz que alguém mais gostava desse jogo ainda, mas daí ele perguntou como jogava e eu entendi porque ele aceitou.

O jogo era do meu pai da infância dele, mas ele não tinha mais muito tempo pra jogar comigo. Ensinei as regras pro Alguinho e ele gostou, começamos a jogar e percebi que ele tava gostando mesmo, jogou com muita vontade. Foi legal porque ele se concentrava, e quanto mais eu via que ele queria jogar pra valer, mais eu jogava pra valer também. Foi aí que fiz uma jogada com tanta força que o meu jogador derrubou o dele no chão. Ele franziu a testa, me olhou com aquele olho arregalado e disse com as duas mãos na cintura:

– Você fez de potrósipo, de potro…, de po…, aaaai!

– De propósito? Eu disse.

– É, foi de potró… isso, não foi?

Nossa, pensei, ele fala tão rápido e deve pensar tão rápido que nem consegue falar uma palavra direito.

– Desculpe, não foi de propósito não, acontecem essas coisas quando a gente joga jogos – debochei.

Ele parou, e disse que não queria mais jogar.

– Vou pra minha casa, cansei desse jogo.

– Onde fica a sua…

E ele sumiu num giro só, como sempre, balançando a cortina. Eu comecei a ficar cansado também, e de tanto sono, acabei dormindo por cima das cobertas.

Acordei todo torto na cama, me virei e vi o livro revirado no meio do lençol, quase caindo no chão. Ri daquilo. Se eu contar, ninguém acredita, nem eu acredito direito. Bocejei forte e me lembrei que era fim de semana.

Eu gostava de ler, isso eu sei que poucos na minha idade faziam, e os que faziam não gostavam tanto quanto eu. Eu gostava de gibis, histórias de super heróis, histórias do espaço, do Universo, dos planetas, e tudo que tivesse a ver com números. Muitas vezes eu lia porque não tinha ninguém pra brincar, outras porque as histórias dos livros me interessavam muito. Tenho uma coleção de 12 livros sobre o Universo que ganhei de aniversário. Eu também sou muito curioso, isso a minha mãe sempre fala, e eu sou mesmo. Eu quero muito saber o que é aquele relógio que o Alguinho usa, porque ele pensa tanto, no que ele pensa tanto, e é claro, de que “cortina” ele veio. Ri de mim mesmo de novo, às vezes penso algumas coisas e rio sozinho.

Eu tava pensando nisso, quando de novo começou o ritual cortinas voando, tremelico, dessa vez na poltrona, e uaaaaaaaaa! Chegou o doidinho!  Já chegou tagarelando e me contando coisas que eu não entendia, dessa vez falava rápido além da conta.

– Para, para, para tudo eu disse! Que é isso na sua mão?

– Meu trabalho de aula sobre Efeitos de Evaporação em Gases Rarefeitos, olha só, terminei!

Estendeu o trabalho na minha direção, peguei, comecei a folhear e pensei: “Que é isso? A escola dele é bem mais difícil que a minha”, mas difícil mesmo, do tipo que não dá pra entender nada. Eu nunca tinha visto uma matéria igual aquela.

– Você é muito inteligente, deve ser um geniozinho!

Ele fez que não com a cabeça, disse que gostava muito de estudar qualquer assunto e que uma hora dessas a gente podia conversar sobre aquilo e ele ia me explicar o trabalho.

– Gosto de explicar pra quem se interessa. Vou ser professor um dia – comentou orgulhoso.

Fiquei um pouco assustado com a inteligência dele, e pra mudar logo de assunto, perguntei se por enquanto a gente podia só brincar. Ele fez que sim com a cabeça.

Mas aquele relógio dele me intrigava, eu nunca tinha visto nada igual.

– O que significam esses golfinhos e barcos no teu relógio?

– Os golfinhos indicam a temperatura das águas e os barcos a condição dos ventos.

– Legal, e as horas, como você sabe?

– Não sei, ele respondeu.

– Você não sabe as horas?

Ele deu de ombros.

– Onde você mora tem mar?

– Minha casa é um barco.

– Aonde ele tá? –  Eu não quis perder tempo.

– Me levando pra todos os lugares.

– Você viaja no tempo? Perguntei achando esquisita a pergunta.

– Não sei, mas tenho estado em vários lugares diferentes.

–  Uauuuu, que maneiro! Eu queria conhecer a sua casa.

De repente escuto um toc toc toc,..

–  Alguinho, Alguinho!

Minha mãe chamava. Saí correndo num susto, eu tava com o livro na mão, tropecei no chinelo, caí, levantei e dei de cara com a minha mãe na porta.

– Oi mãe, você tava chamando o Algui… mãe, você falou Alg…

– Que foi Ian, parece que viu um fantasma! Eu estava te chamando pra me ajudar com a árvore de Natal e depois podemos jantar.

Ufa, achei que ela ia brigar comigo. A cortina tava um pouco enrolada. Parei na frente dela pra minha mãe não fazer perguntas.

– Já to indo.

Olhei em volta, e tirando o pano retorcido na frente da janela, o resto tava beleza. Fui, ajudei com a árvore e jantei. Caí na cama depois com uma sensação boa de que as férias tinham começado pra valer. Eu só queria que amanhã tivesse mais e mais brincadeiras, de preferência na praia.

Acordei com o barulho do vento e da água batendo na janela. Não tive vontade de sair da cama tão cedo. Mas tive que sair, porque choveu a semana toda.

A semana chuvosa foi passando e o Alguinho aparecia quase todos os dias. Percebi que ele vinha durante a semana e que nos finais de semana, nem sinal. Ainda bem que eu tinha um amigo, porque em dias de chuva, brincar, só no computador mesmo. Brincamos muito, no jogo de botão ele ficou craque, eu também fui ficando cada vez melhor, comecei a tomar cuidado pra não derrubar os jogadores dele, e deu tudo certo. Jogamos Xadrez, Senha, Combate e Dominó. Videogame também, precisamos inventar porque era impossível sair na rua. Mas um belo dia ele veio, sentou na poltrona e ficou quieto. Eu imaginei que ele só podia estar doente e resolvi perguntar:

– Ta tudo bem?

– To um pouco cansado só, respondeu resmungando.

Pensei se a gente tinha exagerado de tanto brincar. Então propus de ele me dar aulas, eu também tinha que entrar um pouco no mundo dele, pra não ser tão egoísta. Aula nas férias não era bem o que eu queria, mas precisava me abrir. Ele melhorou o semblante, levantou, posicionou os braços naquele estilo um pra cima e outro pra baixo e disse:

– Prepare-se meu amigo, porque hoje você vai conhecer o meu mundo!

Foi até a janela e abriu a cortina. O brilho que veio dali quase me cegou.

– Uauuu, eu disse, que lugar é esse?

– Vem comigo, vamos ter que atravessar a ponte de livros!

– Que maneiro, dá pra fazer ponte de livros! Deve dar pra fazer prancha de livros, computador de livros, cama de livros, estrada de livros!

Eu ia continuar quando ouvi:

– Psh, silêncio! Ele colocou o dedo na boca.

Foi só pisar na ponte de livros que comecei a tagarelar. Então é isso! Entendi bem o que acontece com o Alguinho. Passar pela ponte faz as palavras saírem da sua boca sem controle, você fala, fala e fala descontroladamente. Olhei em volta e vi números voando por cima da minha cabeça. Era como se eu tivesse no espaço, só que em vez de estrelas e planetas, passavam fórmulas, palavras, números, muitos números. Às vezes era como se fosse um céu estrelado, mas era um céu numerado.

Eu nunca tinha estado num lugar desses! Era mágico além da conta. Do outro lado da ponte tinha um tipo de jardim com muitas árvores, um quadro negro debaixo de uma delas, e uma equação escrita nele, daquelas que eu já tinho visto alguém fazer em algum filme que assisti com meu pai outro dia. Naquele dia eu disse pro meu pai que queria saber resolver equações que nem o cara do filme:  – “Então você vai saber, é só deixar a porta da cabeça aberta pro conhecimento que ele vem. E quando ele vier, abrace com unhas e dentes!” Era isso que eu tava fazendo. Eu tinha vontade de falar e perguntar pro Alguinho o tempo todo, só que eu tinha que respeitar o mundo dele. Por enquanto eu só observava. Tinha vários prédios atrás do jardim, parecia um monte de salas de aula, mas bem mais descontraídas. Os meus pais iam gostar de conhecer esse lugar. Eles são professores. Meu pai é Engenheiro Naval e dá aula na Universidade, minha mãe dá aula numa escola perto de casa. Eles são pessoas muito inteligentes, e um dia quero ser que nem eles. Já alguns dos meus colegas, iam fugir daqui com medo de serem forçados a estudar. O Léo então, nem passava da ponte! Pensei neles e achei graça. O Alguinho me chamou e foi me colocando a par daquele lugar.

– Aqui é o centro de Equações e Números – apontando para o prédio mais próximo– os demais são salas com todos os livros sobre o Universo existentes no Universo.

– É uma biblioteca só com livros sobre o Universo?

Eu quis confirmar pra ter certeza que eu tinha entendido.

– Mais ou menos isso.

Ele respondeu com um sorriso no rosto. Notei que o Alguinho tava se sentindo importante me mostrando o mundo dele, e parecia feliz fazendo isso. Só entendi, e entendi bem, que aquele lugar era de pessoas muito, mas muito inteligentes. Aquele tipo que gosta de passar o dia inteiro estudando e quando já estudou tudo que tinha pra estudar começa a procurar mais e mais coisas pra estudar, senão fica entediado. Eu acho o meu pai meio assim, to com muita vontade de contar pra ele desse lugar. “Te dedica aos estudos, Ian, pois eles vão ser a tua ponte para o mundo”. Ele me disse isso uma vez enquanto lia uma história pra mim, eu era bem pequeno, mas me lembro como se fosse hoje. “Nossa, meu pai é um gênio. Talvez ele já conheça esse lugar.”

O Alguinho foi caminhando na minha frente e me explicando cada parte daquele pequeno mundo que ele conhecia bem. Eu fiquei feliz de ter um amigo tão inteligente. Mas a minha curiosidade pulava dentro de mim, eu queria saber tudo, mas tipo, tudo de uma vez só. O Alguinho me disse pra ter calma e disse que eu podia voltar ali quando eu quisesse. Engraçado é que a língua dele, a ansiedade, pegou em mim. Eu perguntava tanto e tão rápido que dessa vez fui eu que deixei o Alguinho tonto.

– Para, para, para Ian. Uma coisa de cada vez!

E franziu a testa. Eu já tava me acostumando com o jeito dele. Ele era legal, mas ficava brabo bem fácil. Ele tinha jeito de professor, era isso.

Entramos num dos prédios de livros do Universo e por incrível que pareça, assim que eu entrei, um dos livros praticamente saltou na minha cara. Brilhou pra mim, e curioso como sou, puxei ele imediatamente. Na capa dizia: “O mais famoso Transatlântico do mundo e a maior catástrofe marítima de todos os tempos”.

– Uaaaaaaaaaauu, gritei!

Dessa vez o Alguinho só me olhou curioso, mas não franziu a testa. Esperou meu comentário:

– Meu pai costumava brincar que se ele tivesse participado do projeto do Titanic, o navio não teria afundado, e ainda seria transformado por ele, mais tarde, quando já tivesse dado todas as voltas pelos mares do mundo, numa escola de Engenharia Naval flutuante. Todos riam quando ele falava isso.

O Alguinho também riu. Dei uma espiada no livro:

“Totem da ousadia humana, orgulho da engenharia náutica, colosso de 269 metros de comprimento e 46 mil toneladas, obra-prima de 7,5 milhões de dólares, o RMS Titanic, tido e havido como inexpugnável pelos mais insuspeitos especialistas, soçobrou em sua viagem inaugural. Ao colidir com um iceberg, nas últimas horas do dia 14 de abril, o navio afundou e levou consigo a vida de mais de 1.500 pessoas nas águas gélidas do Atlântico norte. Ao choque e à incredulidade pela notícia, soma-se agora, no rescaldo da acachapante tragédia, a ânsia pelas respostas às perguntas que não querem calar. Como um gigante do porte do Titanic pode ter simplesmente afundado pelo choque com um iceberg? Porque o maior e mais moderno navio de nosso tempo não oferecia plenas condições de segurança a todos os seus passageiros?”

Impressionado e curioso, coloquei a contra gosto o livro de volta, precisávamos continuar. Fomos andando biblioteca adentro. Era um mar de livros e eu tinha vontade de tocar em todos eles. Eu devo ser ansioso de curiosidade. A minha mãe disse que eu pareço com a minha vó, quero saber de tudo, o tempo todo e urgente! O Alguinho me propôs fazer três perguntas por dia. Ou seja, a cada visita, apenas três perguntas. Universo dele, regras dele. Difícil controlar. Passei os olhos pelas capas de livros mais maneiros do mundo.

Não sei quanto tempo fazia que a gente tava ali, mas de repente senti que era hora de voltar. Aquela história…se a minha mãe não me visse… Chamei o Alguinho e disse pra ele que eu precisava voltar.

– Talvez já tenha passado o Natal, o Ano Novo, as férias e as aulas podem estar começando. Há quanto tempo a gente tá aqui? – perguntei aflito.

– O tempo não existe Ian, respondeu ele calmamente.

“ O tempo, tempo, temp…” Aquilo ficou ecoando na minha cabeça até eu sentar na cama como que num susto. Eu tava com o cabelo molhado de suor, além de estar de tênis em cima da cama. Olhei em volta e a única coisa desarrumada no ambiente, vocês já sabem qual é.

“A matemática é a linguagem do Universo”.

Acordei sobressaltado, quem disse isso? Levantei e fui até a janela bem devagar, puxei de leve um pedacinho da cortina com uma curiosidade que até a minha vó ia invejar. Só o que vi foi o sol forte que me fez apertar os olhos várias vezes.

– Até que enfim, gritei! – Manhêêêê, paiêêê! Dia lindo, céu azul e sem ventoooo! Vamos pra praaaaaaaaaiiiiaaaaaaaa!

Desci as escadas como se eu fosse levantar vôo, mas dei de cara com a minha vó.

– Bom dia querido, a única pessoa de férias aqui por enquanto é você! Vá se arrumar que vou preparar o seu café da manhã. A boa notícia Ian, é que seus primos chegam no fim de semana. Arruma teu quarto e organiza teus brinquedos para esperá-los.

Era tudo que eu queria, arrumar o quarto pra esperar meus primos, argh!

Fui lá pra fora e senti o cheiro do mar quando uma brisa sacudiu de leve as árvores. Cadê o Alguinho? Ultimamente ele só aparecia em dia de chuva. É muito bom ter um amigo que gosta das mesmas coisas que eu. Mas ele precisava morar sei lá eu aonde? Peguei-me subindo pro quarto várias vezes e arredando a cortina. Fiz isso acho que umas mil vezes e nada. Só o que eu via era o jardim da casa do vizinho. Me lembrei dos livros da terra do Alguinho, eu nunca tinha visto tantos, nem na biblioteca da Universidade onde meu pai trabalha. Fiquei curioso com aquele do Titanic. Porque será que essas coisas acontecem, me perguntei. O navio era pra ser “inafundável” como dizia no livro.

O Alguinho disse que morava num barco. Onde será que ele ficava? Não vi nada naquele lugar que lembrasse um barco.

Fui pro meu quarto e não vi nada pra arrumar. Coisas de vó que acham que um  pé do tênis  prum lado e o outro pé do outro é bagunça geral. Tá, tem as meias no chão e…melhor parar por aqui.

Quando eu tava organizando a caixa de gibis e outros trecos, tive a sensação de ter visto uma luz, ou alguma coisa do tipo. Revirei tudo e não vi mais. Comecei a ficar preocupado. Já ando vendo coisas. Resolvi mudar de objetivo e liguei o computador. Quando ligou, apareceu na tela uma mensagem:

“Oi Ian, tomara que você leia essa mensagem hoje ainda. O livro que você pegou na mão naquele dia da sua visita na biblioteca, sumiu. Você está com ele? Responda urgente, por favor, estou no aguardo. Alguinho”.

Cocei a cabeça mil vezes. Era óbvio que eu não tava com o livro e que não tinha como o Alguinho não saber porque ele tava grudado em mim, controlando cada passo que eu dava. Achei aquilo muito estranho. Não tinha mais ninguém lá naquele momento, eu tinha certeza. Respondi:

“ Oi Alguinho, não to com o livro. O que será que aconteceu? Você pode vir aqui? Me explica essa história direito e eu te ajudo a encontrar”

A resposta me arrasou:

“Desculpe Ian, mas não posso sair daqui enquanto o livro não aparecer”.

Fiquei sem palavras diante do computador. Entendi.

Fui até a praia. Olhando que nem bobo pro mar, chorei sozinho.

Ian cresceu, casou, teve dois filhos. Tornou-se Engenheiro Naval. Nas horas vagas tornava-se escritor. Continuou morando perto do mar. Um dia retribuiu um aceno vindo de um barco o mais distante da orla que sua vista conseguia alcançar. Sentiu uma emoção profunda, uma nostalgia e uma inspiração que há tempos não lhe acompanhava. Voltou para casa. Passou pela sala, arrumou o quadro na parede, abriu devagar as cortinas, viu sua imagem refletida no vidro da janela, ajeitou os fios de cabelo em pé, sentou diante do silêncio do computador, e teclou:

Todo dia…

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31 comentários em “Alguinho (Simoni Dário)

  1. Pedro Luna
    2 de abril de 2016

    Outro conto que faz um loop, interligando o texto. Confesso que aqui não entendi a intenção. Na verdade, achei o conto fora do tema do desafio e não entendi a interação entre Ian e Alguinho. Eles eram a mesma pessoa? Já que a mãe o chama assim…

    Bom, foi uma leitura muito louca..kk. Bem escrita, mas que não me passou nada, nenhum tipo de emoção, infelizmente.

  2. André Lima dos Santos
    1 de abril de 2016

    Outra história infantil no desafio. Muito bem escrito e com uma linguagem interessantíssima (Apenas estranhei uma criança utilizar a palavra semblante, haha).
    Um incidente Incitante que me deixou extremamente curioso, mas que me frustrou por cair no clichê (Como descobrir que o menino era apenas um amigo imaginário), sendo assim, fiquei sentindo falta do elemento fantástico.

    Final bom e uma resolução bem bonita, com um loop no final.

    Um conto bom. Boa sorte no desafio!

  3. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    O conto é imaginativo, perfeito para crianças. Lembra muita coisa que li na infância, de Rachel de Quiroz a histórias em quadrinhos. O desenvolvimento é cheio de cenas maravilhosas, encantadoras, descritas em um estilo ao mesmo tempo simples e envolvente. O final é comovente em sua singeleza. Magnífico, parabéns.

  4. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Cara pálida, seu conto tem sérios problemas estruturais. Logo nos primeiros parágrafos, há uma repetição excessiva e cansativa de palavras… Por exemplo: Entre o 2º e o 9º parágrafo, a palavra “brincar” aparece 8 vezes. No 27º e 28º parágrafos, a palavra “jogo” e suas derivadas (jogar, jogador etc) aparece 13 vezes! Também há um sério problema com a utilização de aspas, como no trecho em que você escreve “entrar” no computador”… Essa aspa do meio não existe!
    Olha, sua linguagem é acessível, simples… Fiquei imaginando que idade você tem, pois você deu realmente a voz de uma criança a seu personagem principal. Isso dá verossimilhança ao texto, o que é um ponto positivo. Também há uso equivocado de pontuação, inexistência de acentuação gráfica onde deveria haver e muitos, muitos períodos confusos.
    Acho que você fica ansioso(a) na hora de escrever, o que só atrapalha. É preciso calma e concentração ao realizar uma produção textual. Ou, no mínimo, ter o cuidado de fazer uma revisão caprichada.
    No final, percebe-se que seu texto tem uma trama cíclica. Mas você deveria ter preparado melhor seus leitores para esse final bacana. Como correu com ele, tudo que senti ao ler foi frustração. Amadureça sua escrita, pois você tem a manha. Só falta leitura e prática. Recomendo o livro “Como funciona a ficção”, de James Wood. Cursos de redação e de gramática também ajudam bastante. Gostei de sua escrita, mas precisa ser refinada. Boa sorte.

    NOTA: 5,5

  5. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de abril de 2016

    Um conto muito bem escrito. Autobiográfico, diria. É uma história comovente, terna, mas que infelizmente se adequa ao certame de uma maneira muito sutil. A fantasia existe, mas, assim como muitos outros contos, é velada pelo realismo. Estamos num mundo real e essa realidade deságua numa fantasia tácita, sem grandes mitologias, sem grandes presunções narrativas.

    Não obstante, o conto foi cativante.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  6. Renan Bernardo
    31 de março de 2016

    Muito bom! O final me lembrou um certo livro do Stephen King, mas não falarei o nome pra não prejudicar a leitura de ninguém. Achei alguns trechos corridos demais, mas depois me dei conta de que tem tudo a ver com a ansiedade do personagem. Parabéns ao autor! Conto bonito.

    Nota: 9,5

  7. Piscies
    30 de março de 2016

    Hummm…

    Se foi Ian que escreveu tudo isso, depois de adulto, por quê o texto tem tom infantil, como se ele houvesse narrado aquilo enquanto ainda era criança? Foi de propósito? rs rs rs

    Perguntas idiotas à parte (rs) o conto usa da fantasia para contar as aventuras fantásticas que uma criança pode ter dentro do seu “próprio mundo”. É meio óbvio, desde o início, que Alguinho é um alter ego de Ian, nascido do seu tédio em estar sozinho e sem amigos para brincar.

    A narrativa é um pouco incômoda no início por quê eu não esperava uma criança falando comigo. O escritor mantém a pegada infantil, porém, e logo logo eu estava acostumado a ler as palavras de Ian. Só o final que ficou BEM corrido. De um parágrafo para outro já não era mais Ian narrando e sim um narrador terceiro que no final era… o próprio Ian? Confuso.

    A história de Ian/Aldinho é um pouco clichê. O conto entra numa vereda que já li tantas e tantas vezes: a criança em seu mundo de faz-de-conta, conhecendo-se através de um amigo imaginário, compensando a solidão e falta de engajamento dos pais com muita imaginação. A ideia de “conto cíclico”, que termina com o seu próprio início, é interessante mas foi um pouco mal executada aqui.

    De qualquer forma, o conto ganha pontos em usar o tema “fantasia” para algo que foge do esperado (entende-se: mundos fantásticos medievais ou futuristas, com muita tecnologia ou muita magia e espadas).

    Mesmo assim, não gostei muito do resultado final. A falta de uma trama mais profunda e a pressa na narrativa se destacaram mais do que as qualidades do texto. Acho que, dado o espaço livre para que o autor tivesse mais liberdade com a sua escrita e um pouco mais de refinamento na revisão, o conto seria um tanto melhor.

    Boa sorte!

  8. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Um conto simpático e que certamente há de agradar o público infanto-juvenil. Bem construída a amizade entre os meninos. Alguinho, aliás, é um desses personagens que cativam à primeira vista, tornando possível a identificação de quem já teve (quem não teve, aliás?) um amigo imaginário.

    No entanto, talvez pela opção de quem escreveu em adotar um estilo mais simples, decerto atento à audiência a que se destina o texto, senti falta de construções mais ousadas, mais elaboradas. Metáforas, que caem tão bem numa temática de fantasia, são praticamente inexistentes, tornando o texto um tanto seco.

    O loop no fim ficou de acordo com a proposta, arrematando bem um texto competente, ainda que apresentando certas falhas de ortografia.

    Nota: 7

  9. Rubem Cabral
    30 de março de 2016

    Olá, Cara Pálida.

    O conto é bem simpático e a trama do menino visitante de outro mundo funciona bem como conto infantil, mas não traz muita novidade em termos de construção de mundo (worldbuilding).

    Contudo, a escrita deixa a desejar, em especial pelas muitas falhas de pontuação. A variação de narrador no final (1a pessoa -> 3a pessoa), poderia ter sido melhor encaixada.

    Nota: 5,5.

  10. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Cara Pálida. Seu conto é o nono finalista que avalio.

    Observações: uma narrativa “autobiográfica” pela perspectiva de um adulto sobre a perspectiva dele mesmo quando criança… Como narrativa autobiográfica, é uma boa história, mas como conto talvez falte um pouco de solidez. Explico: um fato contado apenas por contar pode ser interessante, mas é necessário algum diferencial que o faça valer. No caso do seu conto, senti certa pressa ao contar as experiências de Ian, uma despreocupação excessiva quanto à própria história. Você criou uma boa história e poderia explorá-la melhor.

    Destaques: curti a ideia da terra dos livros e do amigo imaginário, personificação da curiosidade do protagonista. Sei que é difícil transpor a linguagem coloquial para a narração sem deixá-la “forçada”, merece pontos por ter conseguido fazê-lo bem.

    Sugestões de melhoria: no começo, quando diz “Há essa hora”, acredito que não se use o verbo haver – também tenho minhas dúvidas se seria “A” com ou sem crase, talvez alguém nos elucide depois. Sobre o conto, acho que pode melhorar se conseguir tornar as memórias mais vívidas, transparecendo o quanto elas, de fato, foram importantes para o protagonista.

    Parabéns e boa sorte.

  11. phillipklem
    26 de março de 2016

    Boa noite.
    Gostei do conto. Foi bem criativo e a escrita que você empregou, com um tom mais infantil, ajudou a construir a atmosfera do texto. Foi proposital?
    Entretanto, achei que ficou um pouco superficial, principalmente o fim.
    Não entendi o que aconteceu exatamente, quando o livro sobre o Titanic sumiu. E como o Alguinho falava com o Ian pelo computador?
    A parte que conta a vida adulta do Ian também foi muito corrida.
    É um bom conto, escrito de forma agradável, mas que precisa de um pouco de polimento e aprofundamento.
    Boa sorte amigo, e não pare de escrever.

  12. angst447
    25 de março de 2016

    Acho que é fantasia demais para a minha cabeça. Difícil acompanhar a viagem, embora eu tenha me surpreendido com tanta criatividade. Alguinho pareceu-me um amigo invisível, lembrei do fantasma Gasparzinho.
    Há alguns lapsos de revisão, mas como o narrador tem uma linguagem mais informal, não se pode levar tudo como erro. Há essa hora > A essa hora…
    Ian então tornou-se um engenheiro naval que nas horas vagas bancava o escritor? Interessante isso, claro que muitos vão se identificar com ele.
    Acho que o conto poderia ser um pouco mais curto, condensando um pouco as informações para não confundir o leitor. O final, principalmente, com a alteração do narrador, ficou bem nebuloso.
    Boa sorte!

  13. Anorkinda Neide
    25 de março de 2016

    Ohh.. gente, que fofura! Troféu chub aqui, só perde pro menino do conto A neblina, o bosque e a montanha… hehe
    Então, Alguinho era ele mesmo? Com o livro ele perdeu a inocência? Me veio agora esta ideia, pq na verdade, nas duas leituras eu fiquei sem entender…mas não faz mal porque foi tudo lindo e fluido, como um navio deslizando pelo mar da leitura.
    Obrigada por este texto.
    Abração

  14. Carlucci Sampayo
    24 de março de 2016

    Lindo conto! A Fantasia mora neste conto, desde sempre. Um amigo imaginário, o universo do saber, o amor visível pela Matemática e pelas Ciências Exatas; tudo está transparente no conto de maneira pueril, com um vocabulário simples e ao mesmo tempo determinado a demonstrar a ingenuidade da infância, os sonhos e a fantasia que estão presentes nesta fase; a crença despreocupada e ilógica que faz a magia acontecer na vida do garoto; ou seja, tudo está bem concatenado com a proposta do texto e a inserção no mundo mágico de Alguinho. Muito interessante, criativo e inteligente. A menção do Titanic e sua tragédia memorável nos revela o amor do autor pelo saber e pela procura da ciência como resposta às falhas humanas. Sensível e divertido, na medida. Considero de uma beleza única enquanto conto de fantasia e a construção, ainda que inicialmente aparente algum vocabulário coloquial, isto não retira a espontaneidade do texto, que encanta então, quando se viaja na bela história. Nota 10.

  15. catarinacunha2015
    23 de março de 2016

    O COMEÇO de um conto é importante e o quadro torto na parede ficou “a ver navios”. A VIAGEM infantil é leve e engraçada, mas o FLUXO lento e o texto, carregado de passagens desnecessárias, me entediou. FINAL satisfatório. 7

  16. Pedro Teixeira
    23 de março de 2016

    Olá, autor(a)! Texto bacana, uma estória divertida e bem conduzida. Não é meu estilo preferido, é inocente demais para meu gosto pessoal, mas é um bom conto no que se propõe. O final me pareceu um pouquinho apressado. Parabéns pela participação e boa sorte no desafio!

  17. Fabio Baptista
    23 de março de 2016

    Fica meio difícil comentar a parte técnica, porque não dá para saber até que ponto certas coisas foram propositais para se adequar à linguagem infantil e até que ponto foram falhas mesmo. O que me incomodou foram algumas transições bruscas de tempo verbal – a narrativa está no passado em sua maior parte, mas vez ou outra o Ian faz uns comentários como se estivesse acontecendo ali naquele momento.

    A marcação dos diálogos também oscilou, ora utilizando o travessão para delimitar o final da fala (prefiro dessa forma), ora continuando a narrativa sem travessão. Seria melhor padronizar.

    Fiquei com a impressão que a história se estendeu um pouco mais do que deveria, tornando corriqueira as aparições do Alguinho. Também aquele trecho falando do Titanic achei desnecessário.

    No mais, a narrativa é bastante agradável e a história gostosa de ler, sem muitas surpresas. Cheguei a pensar que o Alguinho era uma criança morta no Titanic… acho que teria sido um final melhor do que esse loop com o lance do escritor.

    Abraço!

    NOTA: 7,5

  18. Laís Helena
    20 de março de 2016

    Narrativa (1/2)
    Sua narrativa não me envolveu na história. Achei que faltaram alguns detalhes (você conta muito, em vez de mostrar), e ao mesmo tempo sobraram outros, como os momentos em que o personagem fica divagando sobre o que gosta de brincar, quem são seus pais, etc. Além disso, notei diversos problemas de revisão (logo no começo, por exemplo, faltou o acento em “por que”), e em alguns diálogos você esqueceu do travessão. A mudança de primeira para terceira pessoa no final causou estranheza.

    Enredo (1/2)
    Não gostei. Em parte talvez por não pertencer ao público, em parte porque o mundo paralelo que você criou não me convenceu. Não soou verossímil. A parte do sumiço do livro pareceu deixada de lado (entendi que era a passagem dele para o mundo de Ian, e tem relação com o barco que foi mencionado, mas onde foi parar o livro?)

    Personagens (0,5/2)
    Achei a caracterização de Ian um pouco forçada. Logo no começo do texto você já mostra que ele tem opiniões fortes sobre o que as outras crianças gostam de fazer, mas você acredita que crianças teriam uma opinião assim? Ele poderia até ficar triste por não ter os mesmos gostos que todos os demais amigos, mas dificilmente (ao menos a meu ver) desenvolveria um pensamento tão elaborado sobre os passatempos atuais das crianças e os antigos.

    Caracterização (0,5/2)
    Como mencionei acima, faltou verossimilhança no mundo que você criou. Você jogou diversos elementos, sem nenhuma coerência. Mesmo na fantasia, o leitor precisa sentir que todos esses absurdos têm alguma lógica dentro do universo onde acontecem.

    Criatividade (1/2)
    Não vi nada de novo na ideia de uma criança que conhece um mundo paralelo fantástico. A descrição que você fez é até interessante, assim como a parte envolvendo o Titanic, deixada meio no ar, mas esses elementos não foram bem explorados.

    Total: 4

  19. Rodrigues
    20 de março de 2016

    Gostei da história, mas a forma como o texto foi escrito não me prendeu muito. Achei criativo o Alguinho, a forma natural como o garoto acabou relacionando-se com ele e o passeio naquele mundo de aprendizado. O final não me agradou muito, achei muito abrupta a passagem do tempo, causou uma impressão de que foi algo jogado no conto simplesmente para que fizesse algum sentido. Acho que o autor poderia dar uma revisada, dar mais unidade ao texto e estender a história, deixando o final parecer mais natural. Achei bacana também a citação das brincadeira antigas e o fato do garoto não ser apegado à tecnologia.

  20. Bernardo Stamato
    18 de março de 2016

    Faltaram várias vírgulas ao longo do texto.

    O conto usa gíria como “tava” e “pra” no meio da narrativa e sem acentuar os desvios da forma culta padrão. Por mais que seja claro que é seja o personagem falando, gíria no meio da narrativa sem nenhuma acentuação ficou estranho.

    Além disso, o autor(a) começa os diálogos com travessão, mas não usa o travessão novamente para dividir as falas da narração, o que pode confundir os leitores.

    Por fim, tudo foi narrado em primeira pessoa, exceto o finao, o que também gerou estranhamento.

    Sobre a história, ela é simplesmente sem graça. Pelo o que eu entendi, o narrador “absorveu” o livro e ganhou/decidiu sua carreira a partir daí. O conto ficou longo tanto para uma proposta mais educativa quanto para uma fábula. Ficaria melhor se tivesse um propósito menos abstrato.

    Nota 4.

  21. Daniel Martins
    18 de março de 2016

    Um conto bastante interessante narrado pelo ponto de vista de uma criança. amigos imaginários são realmente um bom
    tema para histórias de fantasia.
    Achei a escrita um pouco longa e cansativa. Dava pra fazer o mesmo com menos palavras.
    No geral, me agradou bastante.
    7,5

  22. Leonardo Jardim
    18 de março de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐▫▫▫): a ideia é interessante, mas o conto deixa muita coisa em aberto. São várias informações inseridas que não são resolvidas, como por exemplo o livro que sumiu. A apresentação do mundo do Alguinho é legal, mas, como o restante, parece sobrar, pois é informação que não é utilizada no texto. O fim ficou corrido e trouxe um loop que, na minha opinião, estragou a magia de texto infantil que existia até ali. Se ele cresceu, deveria escrever como um adulto e o texto parece estar todo em liguagem infantil.

    📝 Técnica (⭐▫▫▫▫): como adiantei acima, o texto contém uma série de problemas comuns em textos infantis, como se fosse um fluxo de pensamento de alguém naquela idade. Mas, no fim, sabendo que ele havia crescido, ficou incoerente. Assim, sobrou um monte de repetição, ligação estranha de ideias, palavras escritas de forma muito coloquial, etc. Alguns exemplos que anotei e que estão errados independente do narrador ser uma criança ou um adulto: “minha mãe não entendia por que” (porque), “Há essa hora” (a essa hora), “– Cinco? (Travessão) Eu disse, mas nesse tempo não dá pra brincar de nada!”, “posso vir te convidar pra brincar mais vezes (vírgula) Ian?”

    💡 Criatividade (⭐▫▫): a história utiliza uma série de clichês, principalmente a do(a) menino(o) com pouca vida social que encontra um ser fantástico e passa a viver aventuras com ele.

    🎯 Tema (⭐⭐): embora não fique muito claro a origem de Alguinho (pode ser, por exemplo, tecnológica), a ponte das letras é, com certeza, um elemento fantástico.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a história até estava me agradando no geral. Apesar de todos os problemas já citados, eu havia emergido no universo criado e aceitei ser guiado. Mas o fim, deixando a história em aberto, me deixou bastante frustrado.

  23. ram9000
    18 de março de 2016

    A escrita em primeira pessoa consegue transmitir a mentalidade juvenil da protagonista. O conto é muito longo por causa do excesso de comentários irrelevantes ou repetitivos: (” O Alguinho me propôs fazer três perguntas por dia. Ou seja, a cada visita, apenas três perguntas.”); seria bom fazer uma análise para sintetizar melhor, indo mais diretamente ao assunto. Há um pequeno erro de gramática (contragosto). O enredo é adequado ao tema.

  24. ram9000
    17 de março de 2016

    A ideia tem certa graça e a escrita em primeira pessoa consegue transmitir a mentalidade juvenil da protagonista. O conto é muito longo por causa do excesso de comentários irrelevantes ou repetitivos (” O Alguinho me propôs fazer três perguntas por dia. Ou seja, a cada visita, apenas três perguntas.”); seria bom fazer uma análise para sintetizar melhor, indo mais diretamente ao assunto. Há um pequeno erro de gramática (contragosto).

  25. Thomás Bertozzi
    17 de março de 2016

    Muito bom! É uma criança de 9 anos contando a história. Muito convincente nesse sentido. Mistérios e enigmas são contados e propostos com muita leveza
    Parabéns!

    Nota: 10

  26. vitormcleite
    16 de março de 2016

    Gosto muito dos finais dos textos que atiram o leitor para o inicio. O texto está bem desenvolvido e bem estruturado. Não detectei erros que prejudicassem a leitura e tem muita fantasia, e, portanto espero bem que chegues à segunda fase. Muitos parabéns.

  27. Evandro Furtado
    15 de março de 2016

    A narrativa ficou interessante ao retratar o ponto de vista de uma criança. No entanto, ao final, você revela que é um adulto que está escrevendo e isso prejudicou um pouco. Também houve algumas mudanças de tempo verbal deslocadas no meio do texto. Um revisão mais profunda cairia bem. Quanto à história, bem construída, personagens interessantes. Eu poderia falar de profundidade, mas seu texto já é bastante longo, então acho que você fez certas escolhas de desenvolvimento um pouco diferentes daquelas que eu iria sugerir. Isso não prejudica seu texto, obviamente.

  28. Eduardo Velázquez
    14 de março de 2016

    Bom texto. Adéqua-se ao tema. A linguagem usada e gramática foram bem simples, mas nesse caso isso só transmite mais a visão de mundo de uma criança, então não é um problema. Personagens interessantes, principalmente o próprio Alguinho. Bom final. Nota: 7,5.

  29. Davenir Viganon
    11 de março de 2016

    Olá, Cara Pálida
    O conto é fofo.
    Achei estranho, na reta final a troca do narrador Ian, para um narrador onisciente sem um aviso, como aqueles * * * entre os parágrafos. A história é fofa (já disse isso 🙂 ) mas o final foi meio abrupto. Não sei se era a intenção ser melancólico como o Ian velho parecia ser.. mas acho que perdeu um pouco do sentido. Afinal, Ian e Alguinho nunca mais se viram e pronto?
    A escrita ficou bacana, como aquela naturalidade de uma criança, mas ficou confuso porque no fim tem a revelação de que aquela história digitada pelo Ian adulto. Então ele escreveu como uma criança?
    Quanto aos personagens, ficaram muito críveis e bacanas; e a adequação ao tema está 100%, o Alguinho é pura magia e o mundo paralelo de onde ele vem também.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  30. JULIANA CALAFANGE
    10 de março de 2016

    Excelente conto! Mesmo sendo grande, não cansa, ao contrário, quero muito ler e ver onde vai dar… Onde estará o bendito livro do Titanic? Vc criou uma fantasia leve, lúdica, em q o leitor se transporta para o universo infantil com tremenda facilidade. Adorei fazer essa viagem com o Ian e o Alguinho! Meus sinceros parabéns!

  31. Brian Oliveira Lancaster
    7 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Outra história bastante singela e emotiva, com toques infantis bem delineados. O tema passou raspando, pois entendi que se tratava de um duende ou algo assim. Não ficou muito claro. – 7
    G: Histórias contadas pelo ponto de vista de uma criança sempre são difíceis, pois há inúmeras nuances que deixamos passar. Aqui você “incorporou” muito bem o estilo de linguagem e fluxo de pensamento, sendo até meio rápido às vezes, mas com sentido. É um texto bonito, tem pontos a melhorar, mas me satisfez. – 8
    R: Somente em algumas partes poderia ter desacelerado um pouquinho. Ou então, utilizar as reticências para subdividir o tempo, pois se passam muitos eventos em pouco espaço de linhas. – 7
    O: Escrita leve, fluente e bem “emulada” do ponto de vista infantil. Falta algumas virgulas, mas nada que atrapalhe. – 8
    [7,5]

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 2 e marcado .