EntreContos

Detox Literário.

Loki Libertado (Ricardo de Lohem)

lokiLoki grita quando o veneno cai em seu rosto. Sua mulher, Sigyn, se apressa em segurar a tigela de madeira acima da face do deus. Ela usa a outra mão para limpar a cabeça de seu marido, dando um pequeno alívio a Loki. Mas esse alívio não dura para sempre: logo a tigela se enche, e Sigyn é obrigada a esvaziá-la de novo.

A origem do veneno que tortura Loki, O Deus da Língua de Prata, é uma serpente, presa em uma estalactite acima do deus. O animal verte peçonha por suas presas sem cessar.

Há séculos Loki, o Deus da Astúcia, está aprisionado naquela caverna, atado por cordas que ninguém pode romper. Há séculos esse ciclo de dor alternada com pequeno alívio se repete. Quando acabará sua pena? Quando ele será libertado?

Surge um rosto no campo de visão de Loki.

– Thor.

O Deus do Trovão está terrivelmente sério.

– Loki.

O Deus da Astúcia grita mais uma vez. Thor fala, indo diretamente ao ponto, como de hábito:

– Odin morreu.

Loki fica surpreso.

– Odin, nosso pai, morreu?

– Sim – responde Thor –, ele foi assassinado.

– E querem que eu descubra quem foi – adivinha Loki.

– Isso mesmo. Em troca, você ficará livre de sua pena.

– Se Odin morreu, eu tenho o direito de concorrer ao trono. Também sou filho dele.

O rosto de Thor se enche de cólera.

– Maldito Deus da Mentira, como se atreve a pensar numa coisa dessas? Você matou Baldur, o Deus da Beleza, sem outro motivo além de inveja! Não, você nunca será o Deus dos Deuses. O Deus da Trapaça se tornar o Senhor de Asgard? Como um assassino mesquinho poderia se tornar o Pai de Todos? Jamais! Nossa proposta é: descubra quem matou nosso pai, Odin, e você ficará livre. Só isso, nada mais! O que me diz?

Claro que Loki aceitou. Thor então tira do pescoço um pingente na forma de um minúsculo martelo, que começa a crescer em sua mão, até se tornar um grande martelo de guerra de cabo curto: o Mjölnir. O Deus do Trovão joga o martelo na direção da serpente, esmagando sua cabeça e estraçalhando a estalactite, na qual ela estava amarrada. O martelo volta fielmente para a mão de seu dono, assume as dimensões do pingente, e logo está de volta ao pescoço do deus. Thor então faz um gesto e os nós que atavam Loki se desfazem. Ele está livre! Loki foi libertado. Por quanto tempo?

O Deus da Astúcia diz para sua mulher aguardar em casa o curso dos acontecimentos e vai embora com seu irmão.

Thor e Loki saem da escura caverna e seguem até o Bifrost, a ponte de arco-íris que une Midgard, o Mundo Comum, ao Asgard, o Mundo dos Deuses.

 

★★★

 

No Valhalla, o grande Palácio dos Aesir, Loki examina atentamente o corpo de Odin, o Pai dos Deuses. Ao seu lado estão Thor e Tyr, o Deus de Uma Só Mão. Um pouco afastada, Frigga, a mulher de Odin, chora baixinho. Ela é consolada por Freya, sua irmã, a Deusa da Beleza, que derrama algumas lágrimas douradas.

O corpo do Pai de Todos, está em péssimo estado: a barriga despedaçada, sem as vísceras; o tórax teve as costelas afastadas, coração e pulmões estão ausentes. E por último, a cabeça: tinha sumido.

– Onde ele foi encontrado? – pergunta Loki.

– A poucos metros de Hlidskjalf – responde Thor. – O trono estava manchado de sangue.

Hlidskjalf:  o trono do Deus dos Deuses. Os que se sentam em Hlidskjalf podem ver o que acontece em qualquer lugar dos nove mundos, menos dois: atrás do próprio trono e embaixo dele. Esconder-se nesses lugares e atacar Odin de surpresa seria uma ótima tática, pensa Loki.

O Deus da Astúcia examina os ferimentos do corpo.

– Sei o que está pensando, Loki –, diz Tyr. – Os ferimentos parecem feitos por um lobo; nós imediatamente pensamos em Fenrir. Fui até onde ele está aprisionado, ele continua preso, o Maior de Todos os Lobos não é o assassino.

– Mais alguém foi atacado? – pergunta Loki.

– Não, mas ouve um roubo – responde Thor –, levaram Bodnar.

Bodnar e Zonar: dois cântaros que contém o Vinho da Sabedoria, feito com o sangue de Kvasir, capaz de aumentar enormemente a inteligência e poder daquele que o beber.

Os olhos do Deus da Astúcia brilham, e ele diz:

– O assassino levou a cabeça de Odin para que ela não o denunciasse. Mas eu acho que já sei onde está o culpado.

★★★

 

Em uma caverna situada em uma remota montanha em Jötunheim, o Mundo dos Gigantes, está ocorrendo uma reunião de lobos. Dois deuses lobos lideram todo o evento: Skohl e Hahti, os filhos de Fenrir, que são, depois de seu pai, os mais poderosos deuses lobos dos nove mundos.

Skohl em particular é o centro das atenções; todos lhe dirigem palavras elogiosas, trazem presentes e se inclinam diante dele. Mesmo Hahti, seu irmão, parece que o trata como um superior.

Um pequeno lobo de pelo negro-azulado se aproxima. Ele inclina sua cabeça diante de Skohl com grande respeito.

– Nunca te vi por aqui – diz Hahti, hostilmente –, quem é você?

O pequeno lobo inclina sua cabeça para Hahti e coloca o rabo entre as pernas.

– Grande Hahti, Filho de Fenrir, eu sou Gandur, o Deus dos Lobos da Noite. Venho de Svartálfar, o mundo dos Anões da Escuridão, para prestar homenagem ao grande Skohl!

Todos os lobos presentes se entusiasmam com essas palavra de Gandur e dão vivas para Skohl.

Depois que os lobos se acalmam, Gandur fala novamente.

– Grande Skohl, será que eu poderia fazer uma pergunta?

– Fale! – responde o irmão de Hahti.

– Será que o senhor poderia, por favor, me contar qual é a razão dessas homenagens? É que até agora não me disseram.

– Criatura imbecil! – responde Skohl, furioso. – Então veio de tão longe e nem sabe por que está aqui?

Skohl estufa o peito e fala, cheio de orgulho.

– Eu, Skohl, tenho a honra de ter matado Odin, o Deus dos Deuses. Não apenas o matei, como comi seu coração e engoli sua cabeça, que agora está no meu estômago, me nutrindo com sua sabedoria.

Gandur sorri, se levanta sobre as patas traseiras e assume a forma de Loki, O Metamorfo.

– Loki? – diz Skohl, surpreso.

– Sim, eu sou Loki, O Deus Metamorfo; O Deus das Dez Mil Formas. Sabe Skohl, fiquei decepcionado com você. Como não conseguiu reconhecer o próprio avô? Você é um deus ou um animal estúpido?

Skohl não responde nada. Loki estende a mão.

– Entregue já a cabeça de Odin.

O Filho de Fenrir e Irmão de Hahti regurgita a cabeça do Deus das Batalhas; Loki a guarda em um saco de couro.

– Agora entregue Bodnar.

Skohl se apavora.

– Não está mais comigo, Loki; eu juro!

– Então, com quem está?

 

★★★

 

O Deus Metamorfo levou para Asgard a cabeça de Odin e as notícias do paradeiro de Bodnar.

– Hela? – exclama Thor.

– Sim – responde o Deus da Astúcia –, Skohl entregou o Vinho da Sabedoria para minha filha. Mas vamos tratar disso depois; primeiro, vamos ouvir o que Odin tem a nos dizer.

Na sala estão, além do Deus do Trovão e do Deus da Astúcia, Frigga, Freya, Tyr e Vidar, o filho de Odin. Loki coloca a cabeça de Odin na mesa. O Deus dos Deuses abre seu único olho e fala.

deus– Habitantes de Asgard, ouçam todos vocês. Como todos sabem, eu fui morto por Skohl, o Filho de Fenrir. Minha morte deve ser vingada, mas antes há duas questões, muito mais importantes, a serem resolvidas. A primeira é a sucessão ao trono; a segunda, trazer Bodnar de volta para Asgard. Eu agora unirei as duas questões em uma só.

– Bodnar deve estar em Niflheim, o Inferno de Gelo, já que está com Hela, a Rainha do Inferno. Que seja organizada uma expedição parar recuperar o cântaro com o Vinho da Sabedoria. Quem primeiro o trouxer de volta para Asgard, será o novo Rei dos Deuses.

– Podem participar da sucessão os que forem meus parentes diretos em primeiro grau, e meus filhos e descendentes em qualquer grau. A única exceção é Loki: ele não poderá participar, sua tarefa será, com sua inteligência e habilidades, ajudar a todos para que a missão seja bem sucedida. Em troca, seu crime contra Baldur será perdoado, e ele poderá continuar livre.

Ao ouvir seus sonhos de se tornar o novo Deus dos Deuses serem despedaçados de maneira tão direta e seca, Loki começa a derramar lágrimas.

A cabeça do Deus dos Deuses continua a falar.

– Isso é tudo. Que se cumpra o Destino.

E sem mover os lábios, Odin ainda pensou.

“Ele se cumprirá. Consigam vocês Bodnar de volta ou não, ele se cumprirá.”

Depois de falar tudo que achava que devia ser dito, e pensar o que queria pensar, a cabeça de Odin fechou seu olho e sua boca pela última vez, se tornando fria e imóvel como um verdadeiro cadáver. O Deus dos Deuses, o Pai das Batalhas, estava morto. Seu corpo foi cremado em um barco, à moda dos vikings.

Thor se tornou o primeiro candidato ao trono. Os outros foram Vidar e Vali, filhos filho do Deus das Batalhas; Brynhilde, Valkíria e filha predileta do Pai de Todos; e finalmente Volsung, semideus bisneto de Odin. Na expedição também irão Thialfi, o fiel servidor de Thor e único humano a participar da empreitada, e Tyr, que vai apenas para ajudar, assim como Loki.

 

★★★

 

O grupo formado para trazer Bodnar de volta para Asgard se aproxima dos muros de Niflheim. Em cima do muro, à espera deles, está Hela, a Rainha dos Mortos. Ela tem a aparência de uma jovem mulher horripilante, a pele cinzento-amarelada e fria, os braços e pernas secos, como os de um esqueleto, o rosto cadavérico, como uma morta-viva.

– Loki, ela é sua filha – diz Thor –, vá falar com ela.filha

O Deus da Trapaça se adianta e fala com a Rainha do Inferno.

– Hela, filha de meu sangue, devolva Bodnar, antes que algo de mal aconteça.

A Senhora de Niflheim ri das palavras de seu pai, um riso assustar, que vai até as orelhas e mostra todos os seus brancos dentes.

– Loki, agora que você quer algo de mim é que se lembra que é meu pai? Por que não usou doces palavras quando Odin me lançou ao inferno? Por que não intercedeu por mim? Agora é tarde demais para pedir favores. Bodnar está atrás desses muros; se vocês o querem, venham pegar. Mas aviso que, para entrarem em Niflheim, vão ter que enfrentar o exército dos mortos.

Brynhilde sorri, fazendo não com a cabeça.

– O exército dos mortos? – diz a Valkíria, em tom de desprezo. – Um bando de mortos-vivos não é nada para os Deuses de Asgard. É só essa sua ameaça, Hela? Pensei que fosse mais poderosa.

– Brynhilde, pare com isso – diz Loki –, essas provocações não vão ajudar em nada, nós devemos tentar recuperar Bodnar do modo mais pacífico que for possível.

Hela ri com toda a força, e abre tanto a boca que seu queixo quase encosta no pescoço. A Rainha de Niflheim então diz:

– Brynhilde, tenho uma surpresa pra você. Veja!

Hela faz um gesto como erguendo as duas mãos, e uma neblina se ergue do chão na frente da Valkíria. A neblina rapidamente se dissipa, e surge um belo guerreiro portanto uma espada.

Brynhilde muda totalmente de expressão: a boca se entreabre, os olhos mostram surpresa. Lágrimas começam a escorrer pela face da deusa. Com a voz cheia de emoção, ela fala:

– Sigurd?

Sigurd. O amado de Brynhilde. Pereceu uma trama sórdida, em parte urdida pela própria deusa que o amava. Ela se arrependeu para sempre do que fez.

O morto-vivo não esboça nenhuma reação; ele é apenas uma sombra de Sigurd. Brynhilde corre para abraçar o amor de sua vida.

– Brynhilde – grita Tyr –, esse não é Sigurd, é apenas um vestígio em Niflheim do que um dia ele foi, não se aproxime dele!

As palavras do deus não surtem nenhum efeito: a Valkíria abraça seu amado e chora.

– Sigurd, me perdoe, por favor, me perdoe; eu te amo, você é tudo pra mim.

A deusa interrompe o abraço por um momento e olha para baixo. Sigurd enfiou a espada em sua barriga, o sangue escorre. Ela olha para ele e sorri entre lágrimas.

– Você quer me matar, Sigurd? Então me mate, meu amor. Quero ficar pra sempre com você, mesmo que seja aqui, no inferno. Me mate agora!

A sombra de Sigurd ergue sua espada para cortar a cabeça de Brynhilde; quando a arma começa a se mover para o golpe fatal, a lâmina da espada se parte em mil pedaços com o impacto do Mjölnir.

A Valkíria dá sua lança para a sombra.

– Use isso, meu amor. Rápido, me mate, assim vamos ficar juntos pra sempre.

Vali avança e crava sua espada no peito da sombra de Sigurd. O morto-vivo cai.

Brynhilde se ajoelha e tenta abraçar o corpo de Sigurd, mas ele se desmancha em seus braços. Logo não resta nada da sombra de seu amado. Ela arranha o chão, tentando apanhar alguma partícula que tenha restado dele, mas nada mais resta, apenas as lembranças. A deusa chora, ninguém ousa intervir. Ela se levanta, os olhos perdidos não enxergam ninguém, sobe em seu cavalo e vai embora. Ninguém diz uma palavra até ela desaparecer de vista.

 

★★★

 

Com a espada na mão, Vali se aproxima dos muros e fala com a Senhora do Mundo Inferior.

– Hela, eu sou Vali, filho de Odin. Eu nasci para a glória da batalha; em um dia me tornei um adulto, pois fui gerado para defender a honra de Asgard. Suas ilusões não podem me fazer nada, eu a desafio! Traga de volta qualquer um dos mortos, e eu o derrotarei!

Hela sorri.

– Vali, você sabe muito bem para que nasceu. Se você não lembra, tem uma pessoa que quer falar com você sobre isso.

Um neblina surge diante de Vali, e quando ela se dissipa, surge um homem alto, de olhos fechados. Chocado, Vidar exclama:

– Hodur?

– Sim, Vali, eu sou seu irmão Hodur. Você me matou, sem que eu tivesse feito nada para merecer isso.

– Como não fez nada? – replica Vali –, Você matou Baldur!

– Eu não matei Baldur. Foi Loki: ele me disse que flecha não poderia ferir o Deus Dourado; ele guiou minha mão, pois eu não poderia acertar um alvo com meus olhos cegos. Nada disso foi levado em conta. Você me matou, não teve piedade de seu irmão. Não é justo que você viva, e eu não.

Vali deixa cair sua espada. Hodur apanha um arco e flecha e mira para a frente.

– Irmão, preciso da sua ajuda. Lembre que eu sou cego.

Vali ajuda Hodur a apontar a direcionar a ponta da flecha para a frente, e depois anda para trás alguns passos.

– Pronto, Hodur: pode disparar quando quiser.

Hodur, seu arco e sua flecha são despedaçados pelo Mjölnir

– Acabou, Vali – diz Tyr.

– Não acabou! – responde ele. – Eu matei Hodur, e ele era inocente. Não posso ser o Rei dos Deuses.

Perturbado, Vali sobe em seu cavalo e vai embora.

 

★★★

 

Os quatro ficam calados algum tempo, até que Tyr resolve quebrar o silêncio.

– Acho que todos concordam que subestimamos Hela: Brynhilde e Vali sobreviveram por pouco. É bem possível que nenhum de nós seja páreo para ela. O que vamos fazer agora?

– Tive uma ideia! – exclama Loki, tirando sua capa e rasgando em tiras. – Vocês conseguem lutar com essas sombras sem vê-las?

– Para mim não há problema – responde Thor –, os corpos gelados deles são fáceis de sentir até de longe.

Os outros concordam com a cabeça. Loki então dá uma faixa de pano para cada um.

– Coloquem essas vendas nos olhos. Hela lançará contra nós as sombras de nossos passados, e todas as outras que ela puder conseguir. Simplesmente golpeiem essas memórias do que se foi. Não ouçam nada que elas disserem; continuem golpeando, até destruírem todas.

As instruções de Loki são seguidas com rigor. Todos colocam vendas, com exceção do próprio Deus da Astúcia. “Hela, esse método não nunca vai funcionar comigo; eu sei muito bem lidar com as sombras do meu passado,” pensa ele.

A batalha começa. As sombras invocadas pela Rainha de Niflheim atacam os deuses, primeiro uma a uma, depois milhares de uma vez. Os asgardianos golpeiam a todas, sem ouvir suas vozes de acusação, súplica, amor, amizade; tudo que pudesse corromper e deturpar suas mentes foi usado pela Rainha do Inferno. Mas eles não prestam atenção, e continuam golpeando sem cessar. Finalmente, a voz de Loki é ouvida.

– Terminou!

Eles tiram suas vendas, e veem que o exército das sombras foi destruído. Hela desapareceu.

Um ruído e os portões de Niflheim se abrem diante deles; O caminho para o Inferno de Gelo agora está livre.

★★★

 

Os candidatos ao trono de Asgard caminham pelo gelo eterno de Niflheim. De repente, um obstáculo inesperado: uma parede de gelo.

– Deixem isso comigo – diz Thor, empunhado seu martelo.

thorO Deus do Trovão lança o Mjölnir e despedaça o gelo, fazendo a parede desaparecer num instante. Uma nuvem de vapor se ergue, e se pode ver que algo enorme se move dentro dela.

Jörmungand: A Maior de Todas As Serpentes investe contra Thor, a luta é tão rápida que olhos humanos teriam dificuldade de acompanhar os movimentos. A Serpente tenta picar o Deus, ele tanta esmagar o monstro com seu martelo, e tudo termina com Jörmungand mergulhando no fundo das águas frias de Gjöll.

– Meus olhos! – grita Thor.

– Thor está ferido! – grita Thialfi, aflito. O veneno da serpente havia caído nos olhos e no rosto do deus, que agora está com os olhos queimados e envenenado; nessas condições, ele não pode continuar.

Thialfi coloca o Filho da Terra na carruagem e parte para Asgard à toda velocidade. No caminho, passarão por Midgard, para levar com eles a curandeira Groa, que pode curar qualquer doença ou ferimento em no máximo um dia. Antes que a carruagem partisse, Thor deu um conselho:

– Tragam Bodnar, e tragam rápido! Se os gigantes de gelo e os deuses do inferno beberem o Vinho da Sabedoria, se tornarão tão poderosos, que Asgard não poderá mais lidar com eles, e a paz estará ameaçada nos nove mundos.

Loki pensa consigo mesmo: “Acho que Hela já tomou o Vinho de Bodnar. Pensando bem, acho não: tenho certeza.”.

 

★★★

 

A Expedição agora se reduz a quatro: Tyr, Vidar, Volsung e Loki. Eles seguem em sua busca, pois sabem que Bodnar está em Niflheim, único local no qual Hela poderia guardar esse tesouro em segurança.

Ao longe, parece que algo se aproxima. Um lobo. Um lobo enorme vem correndo em alta velocidade. Ele para diante do grupo. É enorme, cinza-claro, e tem chamas geladas de ódio nos olhos.

– Skohl? – pergunta Loki –, é você?

– Sim, sou eu sou. Viu como mudei, pai de meu pai? – fala o Deus Lobo. – Eu não sou mais o mesmo de antes; bebi o Vinho da Sabedoria. Agora sou invencível.

Loki pensa consigo mesmo.

“Esse idiota só aumentou em tamanho. Quem é invencível e conta isso para todos deu o primeiro passo para deixar de sê-lo.”

O grande lobo se volta para Vidar.

– Vidar, eu matei Odin, seu pai, e agora estou louco de vontade de matar o filho. Ele implorou pra não morrer, sabia disso?

Vidar se enche de tanto ódio que morde seu próprio braço

– Isso é mentira! Você vai morrer agora, animal imundo!

vidarVidar se lança contra o lobo. A luta é violenta, O lobo tenta engolir Vidar, sem sucesso; o deus golpeia Skohl com sua espada repetidas vezes, até o lobo ficar vermelho de tanto sangue. Depois de muita luta, Vidar sobe nas costas do neto de Loki e enfia sua espada na nuca do lobo.

Skohl está morto; Vidar venceu, mas um segundo depois, cai sem forças. Ficou muito ferido durante a luta. Tyr resolve levá-lo de volta ao Valhalla. Ante, fala com Loki.

– Loki, agora só resta Volsung. Ajude ele a trazer Bodnar. Se o semideus fracassar e trono de Asgard continuar vazio, é você, Loki, quem irá pagar por isso. O triunfo dele será a garantia de sua liberdade, lembre-se disso!

Com uma expressão de desgosto pelas ameaças sofridas, o Deus da Língua de Prata responde.

– Vou fazer tudo que puder, Tyr.

Tyr sobe em seu cavalo e vai embora com Vidar.

 

★★★

 

Várias horas depois, Thor está praticamente curado. Seus olhos voltaram ao normal, graças ao poder de Gora. Vidar também está recuperado de seus ferimentos. Eles aguardam no Valhalla a volta do Semideus e do Deus da Astúcia.

Na porta do grande salão, aparece Volsung. Em suas mãos, Bodnar.

– Volsung, você conseguiu! – diz Tyr.

Thor se aproxima.

– Como determinado por Odin, você será o novo Deus dos Deuses. Agora, vamos comer, e durante a refeição você nos contará como conseguiu trazer Bodnar de volta para Asgard.

Thor olha em volta, como procurando alguém.

– Onde está Loki? – pergunta ele.

O Semideus respondeu.

– Vocês saberão de tudo quando eu lhes contar como recuperei Bodnar.

Eles então se sentam na mesa de banquetes começam a beber e comer.  Bebem saboroso hidromel em copos de chifre e desfrutam da deliciosa carne do javali Sehrímnir, sabendo que amanhã poderão disfrutar de idêntico prazer, pois o animal ressuscita todos os dias, só para ser novamente morto e devorado.  Em meio à essa alegria, Volsung começa seu relato.

– Depois que todos se foram, eu e Loki caminhamos pelo gelo eterno de Niflheim, até que avistamos Naströnd, a Mansão dos Corpos, a grande casa feita de serpentes. Entramos dentro dela, e numa grande sala encontramos o dragão Nidhogg dormindo. Bem do lado, estava Bodnar. Loki então propôs um plano: “Volsung, vá buscar Bodnar; eu fico perto do focinho de Nidhogg.  Se ele acordar, eu posso distraí-lo enquanto você foge.” Assim fizemos. Eu apanhei o cântaro, enquanto O Deus da Mentira aguardava perto do focinho do monstro. Fui até Loki, para irmos embora, e de repente ele gritou: “Nidhogg, acorde! Volsung está roubando Bodnar!” O dragão acordou, e no mesmo instante Loki se transformou em uma mosca e fugiu por uma janela da Mansão. Eu desembainhei minha espada e lutei duas horas sem descanso com Nidhogg. Pensei que fosse perecer, mas finalmente apareceu uma oportunidade, e saltei por uma janela, a mesma que o Loki, O Deus Traidor, usou. Vim direto para o Valhalla, pois sabia que o mais importante era recuperar o Vinho da Sabedoria.

Terminado o relato de Volsung, Heimdall, o Deus de Olhos Aguçados, examina atentamente a sala e percebe uma mosca pousada em uma mesa próxima. O deus apanha o inseto e o examina atentamente. Por fim, esmaga a criatura entre os dedos.

– Era só uma mosca.

– Precisamos ficar atentos – diz Tyr –, Loki pode estar planejando algo para se vingar de todos nós.

– Iremos atrás dele – afirma Thor –, mas antes é preciso que se cumpra a vontade de Odin.

 

★★★

conan

A cerimônia de coroação de Volsung se deu conforme o esperado. A vigilância foi redobrada para impedir a interferência do Deus da Maldade.

Volsung recebeu o Manto Azul de Deus dos Deuses e a lança Gungnir, e disse as palavras pronunciadas por todos aqueles que assumem o trono dos Aesir.

 

 

 

“Eu sou o Deus dos Deuses;”

“Eu sou o Pai de Todos;”

“Eu sou o Senhor de Asgard;”

“Eu sou Volsung.”

Volsung então se sentou no Hlidskjalf e todos aplaudiram seu novo rei.

 

★★★

 

Em seu quarto, Volsung se olha no espelho. Ele repete mentalmente, para si mesmo, as palavras da coroação.

Eu sou o Deus dos Deuses;

Eu sou o Pai de Todos;

Eu sou o Senhor de Asgard.

Um sorriso nasce em seus lábios.

Eu sou Loki!

FIM

 

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14 comentários em “Loki Libertado (Ricardo de Lohem)

  1. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Li esse conto por “acidente”, pois não estava no meu grupo de ” obrigatórios”. Por conta disso, e como o autor não foi desclassificado, decidi deixar minhas impressões de cada aspecto do conto como feedback (que considero o maior benefício do EC):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): a trama é interessante e, como era de se esperar quando se trata de Loki, tem uma importante reviravolta. No entanto, a história patina um pouco no meio com o excesso de personagens da mitologia (nem todos conhecidos por mim). Nesse momento, eu perdi um pouco o fio da meada, para recuperá-lo apenas no fim. A primeira trapaça de Loki, quando ele engana os lobos e recupera a cabeça de Loki, também pareceu fácil de mais. Enfim, é uma boa história, mas precisa de uns cortes e ajustes.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): o texto prende a atenção (exceto pelo momento que já citei acima) e as imagens são nítidas. O tempo verbal da narrativa me pareceu um pouco estranho, acho que ficaria melhor no passado. As explicações da mitologia funcionaram bem até que ficou excessivo. Encontrei alguns problemas de revisão também. No geral, uma técnica mediana. Ouça as dicas dos colegas e em breve estará bastante afiada.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): mitologia nórdica anda em alta no momento. O texto possui, porém, uma história criativa.

    🎯 Tema (⭐⭐): mitologia nórdica é bastante fantástica.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): a saída final é legal e, embora eu esperasse ser enganado pelo Loki, acabei realmente sendo. A trapaça do deus me deixou com um sorriso no final do conto.

  2. Eduardo Matias dos Santos
    18 de março de 2016

    Hugim e Munim aproved. Você fez uma releitura de lendas nórdicas já existentes, apresentando personagens amplamente conhecidos. Isso demanda muita responsabiliade. Quando se trabalha com um sistema mitológico consagrado, as pessoas anseiam por algo novo, e não praticamente igual às lendas milenares já existenres neste legendarium, como a Marvel fez com Thor, pondo áliens e tal. Eu discordo completamente deste ponto. É muito interessante ler estas obras mais ortodoxas, com um ar mitológico profundo e consistente. Entretanto, eu gostaria de apresentar alguns pontos: 1) sobre o tempo verbal escolhido, talvez você o tenha escolhido para trazer a narrativa mais próxima, dando um aspecto imediato. Esta técnica é um pouco arriscada. Eu já a vi em alguns livros, como O Selvagem da Ópera e Farinelli, livros escritos para virarem filme, o que faz sentido, uma vez que essa narrativa dá um aspecto cinematografico. Cuidado, esta tecnica pode deixar o texto massante. 2) o final aspira ser impactante e você pode lapida-lo para alcançar melhor este objetivo. Por exemplo, você poderia revelar Loki de maneira mais subjetiva, com uma tremida em sua imagem ou uma rapida mudanca em seus olhos, pense um pouco sobre isso. 3) o texto parece claro e fluido para alguém que conheça a mitologia nórdica, mas sera que teria o mesmo impacto em alguém menos familiarizado com ela? No mais, boa sorte, no concurso e na carreira.

  3. Pedro Luna
    18 de março de 2016

    Gostei do texto. Achei fora do tema. Mitologia nórdica, não fantasia. Tirando isso, o conto é interessante e o excesso de nomes e personagens não comprometeu. Achei a personalidade de Loki bem forjada e os acontecimentos são muitos, e interessantes, como o embate com o lobo e os desafios no inferno de gelo. Parecia Caveleiros do Zodíaco e a ideia de superar obstáculos um a um. Mas não gostei do fim. Loki realmente enganou a todo mundo? Uma turma acostumada ao seu jeito e forma de ser? Achei meio fraco esse final, principalmente porque a ação é interrompida justo para se chegar a esse final (o relato faz parte da enganação), mas ao invés de chocar, me deixou a sensação de perca de ritmo.

  4. andreluiz1997
    15 de março de 2016

    Esse plot twist ao final foi sensacional, apesar de que em algumas partes do conto eu senti que a trama iria se perder na questão principal, o que não aconteceu, felizmente. Você soube conquistar os amantes da mitologia nórdica, proporcionando uma viagem nas lendas e nos mitos dos deuses de Asgard, que eu particularmente adoro. Além daquilo que já comentei, não tenho nada a mais para criticar. Boa sorte!

  5. Marco Piscies
    15 de março de 2016

    A mitologia nórdica condensada em um conto de 4 mil palavras. Parabéns por usar tão bem nomes famosos e não famosos desta mitologia fantástica!

    Alguns desfechos foram mais fracos do que a mitologia original, como a referência de Thor derrotando Jormungandr. Esta história é muito mais épica quando pensada que isto acontecerá no Ragnarok e que ele acaba MORRENDO com o seu veneno ao invés de simplesmente curado. Outros desfechos foram muito mais interessantes do que a mitologia original, como a história de Volsung,

    No geral, o sentimento que ficou foi que a história contada aqui é grandiosa demais para apenas 4 mil palavras. Tudo foi muito corrido e muito “contado” ao invés de “mostrado”. A escrita, que é muito simplificada, não convida o leitor a se envolver no enredo e não atiça nenhum tipo de curiosidade. O final, por exemplo, pode ser previsto desde que Thor convida Loki para ajudar na busca do assassino do seu pai.

    Algumas sacadas são geniais. O fato dos lobos roubarem a cabeça de Odin para que ele não os delatasse, por exemplo, tem muito do “quê” mitológico da narrativa. Infelizmente, muitas outras passagens são superficiais demais e acabam deixando o gosto amargo da “pressa” na mente do leitor.

    Um exemplo simples:

    “Eles então se sentam na mesa de banquetes começam a beber e comer. Bebem saboroso hidromel em copos de chifre e desfrutam da deliciosa carne do javali Sehrímnir, sabendo que amanhã poderão disfrutar de idêntico prazer, pois o animal ressuscita todos os dias, só para ser novamente morto e devorado. Em meio à essa alegria, Volsung começa seu relato.”

    Primeiro, os problemas de revisão: “disfrutar” passou batido. Depois, a frase “Em meio à essa alegria” não convence. Que alegria? Não vi ninguém feliz. Não vi nenhuma risada, não materializei, na minha mente, um banquete alegre. Só materializei um javali lendário que se regenera e pessoas bebendo em chifres.
    Por fim, a explicação de o que era Sehímnir. Isto acontece durante todo o conto: cada nome diferente tem uma explicação, cada nome pessoal vem acompanhado da descrição (Fulano, o Deus de Alguma Coisa). Isto pode parecer que facilita a leitura dos leigos na mitologia nórdica, mas para mim só deixa a leitura ainda mais pesada.

    Enfim… novamente, como vi em outros contos aqui, uma história épica e com muito potencial mas mal executada pela pressa e falta de espaço.

  6. Swylmar Ferreira
    15 de março de 2016

    Muito bom enredo baseado na mitologia nórdica o que exigiu um bom trabalho de pesquisa do autor. É criativo e tem pertinência com o temário exigido. É bem escrito embora se encontre alguns erros. Os diálogos são claros, ajudando bastante o conto. Pena que tem uma conclusão esperada, ou seja com Loki enganando a todos para se tornar o rei dos deuses.
    A nota é 7,6.

  7. Simoni Dário
    14 de março de 2016

    Olá Orgo.
    Não consegui acompanhar o conto. Muitos personagens, o Thor é conhecido por mim apenas por partes do filme que na verdade não assisti e tenho pouco conhecimento sobre o Deus ou super herói dos quadrinhos. Ainda assim, vi semelhanças com as tais partes do filme do Thor. Então, como um dos critérios avaliados aqui é a criatividade, tenho a sensação que você criou um texto, com muitos personagens, mas com alguns conhecidos, e se não conhecidos, inspirados em alguns já conhecidos. E com o ambiente tive a mesma sensação.De qualquer forma, não conectei com a história. No começo até estava fluindo, mas não demorou e a história ficou cansativa e enfadonha para mim.
    Percebi que a narrativa é feita com muito entusiasmo pelo autor, como se a cada parágrafo quisesse colocar mais ação e aventura no texto e esse detalhe é muito legal de perceber, mostra que o autor tem paixão pela escrita e pela própria obra. Nesse quesito está de parabéns, no mais, o gosto pessoal falou mais forte, desculpe autor.
    Bom desafio!

  8. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    O texto parece mais um catálogo dos deuses nórdicos. São muitos personagens e grande parte não possui relevância, surgem e se vão no mesmo parágrafo. Além disso, cada Deus está acompanhado de uma breve apresentação de suas atribuições e seu papel na sociedade nórdica. O texto é bastante didático. Funcionaria como compêndio, não como um conto. Há alguns problemas ortográficos (disfrutar no lugar de desfrutar e etc.). O final é consistente, mas é previsível.
    Nota 5

  9. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    O texto parece mais um catálogo dos deuses nórdicos. São muitos personagens e grande parte não possui relevância, surgem e se vão no mesmo parágrafo. Além disso, cada Deus está acompanhado de uma breve apresentação de suas atribuições e seu papel na sociedade nórdica. O texto é bastante didático. Funcionaria como compêndio, não como um conto. Há alguns problemas ortográficos (disfrutar no lugar de desfrutar e etc.). O final é consistente, mas é previsível.

  10. Carlucci Sampayo
    13 de março de 2016

    Para o Deus da Mentira não há verdades que ele não coloque a seu favor. Começando pelo final, esperado pela lenda titânica de Loki, era mesmo possível. E este final coroa o conto com seu personagem principal, libertado de seu castigo, porém não de sua natureza reptícia de mentiras e engodos. A mitologia nórdica é um prato cheio para a fantasia e aqui, neste conto, como uma fanfic bem elaborada, o enredo é bastante bem desenvolvido, com personagens incidentais de grande valor; embora pessoalmente eu veja que a aceitação da derrota de Brynhilde, Vali, Vidar e Thor sejam um pouco inverossímeis, têm estas no conto a função de completar a trama bem urdida por Loki, que, eternamente se utilizará de todos os artifícios contra quem o impeça de alçar ao trono de Asgard e tornar-se o Pai de Todos. Considero que Hela, a filha de Loki, que inicialmente parecia determinada a ter para si o Bodnar, em meio ao conto, é esquecida e a narrativa toma outro rumo, onde os heróis derrotados por suas fraquezas (cada um a seu modo e culpa; exceto Thor, é claro!) deixam a missão e somente a astúcia de Loki – já célebre e conhecida e, portanto, neste passo, devia ser previsível -, é premiada no final do enredo. Talvez o aspecto ingenuidade ou simplicidade aliado ao fator surpresa tenha sido o mote do conto, eis que a personalidade de alguns dos personagens míticos foi e é amplamente divulgada – Loki, Thor, Brynhilde, Odin -, e no texto o autor dá novos contornos a estes, diante dos eventos. Criatividade e bom desenvolvimento de cenários, narrativa bem construída, inserção de personagens de importância e relevo na trama; magia e mitologia num só passo, fantasia alçando voo. Muito bom conto. Nota 9,75

  11. Anorkinda Neide
    10 de março de 2016

    Olá!
    Olha.. essa profusão de deuses me cansou um pouco… muita informação para o espaço de um conto. Mas acho que vc sabe disso… mas arriscou pq se divertiu.. acertei?
    Achei várias ‘cenas’ um tanto simplistas, a propria morte de Odin… mas pouco entendo de mitologia para dizer se está superficial ou não a tua narração.
    Gostei apenas do Loki declamando-se em frente ao espelho.. rsrs
    Mas tenho q te dar os parabens pelo empenho, pela obra que criastes.
    Abração

  12. Emerson Braga
    8 de março de 2016

    Olá, Orgo. Primeiramente, gostaria de dizer que achei ousada e interessante sua escolha em narrar o texto utilizando-se de verbos no presente do indicativo. Em muitos momentos, funcionou. Mas, em outros, pareceu que você estava apenas compilando elementos, como se redigisse o rascunho da história que pretendia escrever. Os períodos e orações também precisavam ser costurados com mais cuidado.
    Não conheço profundamente a mitologia de Thor, Odin, Loki etc. Portanto, não saberia julgar o quanto há de originalidade em seu conto. Enfim, fica difícil de identificar o que saiu de sua mente e o que já faz parte do universo dos deuses nórdicos aqui apresentados e da mitologia que os rege.
    Mas posso dizer que a história me prendeu. Achei as reviravoltas empolgantes, o ritmo – ao menos na maior parte do tempo – estava adequado e o formato de seu texto me pareceu bastante visual, o que aguça a imaginação de quem o lê.
    Seu jeito de contar uma história é cativante, mas não sei quanto tem de você nesse trabalho.
    Boa sorte.

    Nota: 6,0

  13. Evie Dutra
    6 de março de 2016

    Eu estava gostando bastante do conto mas confesso que previ o final quando o segundo deus subiu no cavalo e foi embora. Não que isso seja ruim mas, particularmente, gosto de finais inesperados.
    Reconheço que você tem muita criatividade e sua escrita é muito boa. Apesar de não ser um tema que eu aprecie muito, seu conto me manteve interessada o tempo todo, desejando saber o que aconteceria em seguida.
    Adorei as imagens que você utilizou pois enriqueceram seu conto.
    Quando comecei a ler imaginei que seria uma leitura bem cansativa, devido ao tema e ao tamanho da história.. mas me surpreendi bastante. Foi bem interessante e fácil de ler.
    Encontrei alguns erros por falta de atenção (palavras faltando, escritas de forma errada e a palavra “deus” escrita ora com letra maiúscula ora minúscula) mas, fora isso, o conto está impecável.
    Gostei bastante. Parabéns!

  14. Fabio Baptista
    6 de março de 2016

    Bom, aqui fica difícil não deixar o gosto pessoal influenciar na nota.
    Essas histórias de Asgard me arrebatam, não tem jeito.

    No começo torci o nariz para a narração no tempo presente, mas no decorrer me acostumei.

    Achei que o autor conseguiu construir bem o climão de “lenda”, até usando umas coisas que podem soar (e na verdade são) “nada a ver”, tipo o Loki virar lobo e entrar no meio da reunião dos deuses lobos que acabaram de matar Odin e ninguém falar nada, contar as coisas pra ele e ficar por isso mesmo.

    Só no final (previsível) que deu uma escorregada… acredito que Heimdall conseguiria ver a farsa. Mas é só um detalhe.

    Ótimo conto.

    – Não, mas ouve um roubo
    >>> houve

    – Ele inclina sua cabeça
    >>> alguns seu(s)/sua(s) podem ser omitidos ou substituídos por artigos. Aqui, um exemplo.

    – O Deus Metamorfo levou para Asgard a cabeça de Odin
    >>> o “ruim” de narrar no presente é que mais cedo ou mais tarde aprece um verbo no passado…

    – belo guerreiro portanto uma espada
    >>> portando

    – Como não fez nada? – replica Vali –, Você matou Baldur!
    >>> Teria usado:
    >>> Como não fez nada? – replica Vali. – Você matou Baldur!

    – Hela, esse método não nunca vai
    >>> sobrou um “não”

    – disfrutar
    >>> desfrutar

    NOTA: 8,5

    Abraço!

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Grupo 3 e marcado .