EntreContos

Literatura que desafia.

Lembranças Perdidas (Laís Helena)

Colocou-se nas pontas dos pés para alcançar a pequenina janela e perscrutou a paisagem desolada de sempre, olhos ávidos em busca de algum elemento que pudesse ressuscitar alguma lembrança perdida. Porém, a impressão que tinha não era a de que suas lembranças estavam perdidas, mas sim de que nunca haviam existido. Havia em sua mente um grande vazio que pulsava sem parar, como que urgindo para ser preenchido.

Por outro lado, não conseguia se convencer de que tinha nascido naquela cela, meses atrás.  Suas lembranças tinham de estar em algum lugar, pois sabia como segurar os talheres e como amarrar os cadarços, e ninguém ali dentro a ensinara — disso ela tinha certeza.

Contemplou o pátio onde os demais prisioneiros, que daquela altura não passavam de pequenos pontos que se moviam sobre a terra árida, trabalhavam. Já tinha aprendido que desenvolviam diversas atividades, desde regar a pouca vegetação que crescia ali até consertar partes das estranhas máquinas que eram guardadas onde ela ainda não conseguira descobrir. Ela nunca havia recebido uma tarefa, o que lamentava: seria uma ótima maneira de manter a mente ocupada.

O ruído de uma página sendo virada chamou a atenção de Raylen e ela se virou para a companheira de cela. Estava sentada sobre a estreita cama, folheando, absorta, um dicionário. Era um hábito estranho aquele, ler dicionários como se fossem livros de aventura. Entretanto, Raylen ponderou, todos precisavam de um passatempo, e o de Amanita era ler dicionários. A própria Raylen tinha seu passatempo estranho: vasculhar aquele vazio que ocupava sua mente. Era um exercício bastante incômodo, na verdade, mas estranhamente viciante. Como passar a língua em um dente dolorido.

— Você não sai dessa janela — Amanita observou.

Voltou a baixar o olhar para o dicionário, mas a outra soube que não estava lendo. Algum tempo tinha se passado quando uma resposta finalmente saltou para sua língua:

— Só queria saber por que vim parar aqui.

Amanita voltou a fitá-la.

— Eu não sei — murmurou. Com o mesmo tom impaciente que usara nas outras centenas de vezes em que fora interrogada sobre o assunto.

Raylen percorreu a pequenina cela com os olhos, como se vislumbrasse pela primeira vez as paredes constituídas por sólidos blocos de pedra pintadas de branco, as duas estreitas camas e a porta escura, que era um bloco de ferro com um pequeno retângulo na altura dos olhos. Também olhou com a mente, sentindo a vibração que vinha de dentro de cada bloco, a evidência de um emaranhado de feitiços tão complexo que ela já desistira de tentar desvendá-lo. O que, mais uma vez, a levava a se perguntar o que teria feito de tão ruim a ponto de estimulá-los a apagar todos os seus vinte e cinco anos de vida — sim, ela sabia sua própria idade — e investir em uma segurança tão elaborada, tanto do ponto de vista material quanto mágico.

Tudo o que conseguira arrancar de Amanita era que esta estava ali porque havia matado Ivani Naylesh. O nome não lhe suscitava nenhuma lembrança — nenhuma alteração naquele vazio tão incômodo —, mas ela só podia supor que era uma pessoa muito importante, se estava na cela de segurança máxima com Raylen.

Mas tinha certeza de que Amanita sabia de algo sobre o crime de Raylen. Ela tinha que saber, afinal, estavam na mesma cela e tinham chegado no mesmo dia — um dia antes de Raylen despertar para sua nova vida de celas brancas e pesadelos escuros. Era evidente que, o que quer que ela tivesse feito, estava relacionado à morte de Ivani Naylesh.

De súbito, a sala escureceu. Raylen se virou para a janela, embora já tivesse flagrado diversas e diversas vezes o vidro se tornar cada vez mais escuro, até que tudo o que podia ver do exterior se resumia ao contorno fraco das muralhas e, ao longe, das montanhas. Abaixo da janela, três pedras verdes brilhavam, fornecendo a magia necessária para escurecer o vidro. Poucos instantes depois, outra pedra, esta afixada ao teto, bem longe do alcance de Raylen, se acendeu, banhando o aposento com sua luz branca intensa que tornou as paredes e as camas ainda mais apáticas e tediosas.

— Daqui a pouco virão para nos conduzir ao refeitório — constatou Amanita.

Raylen também sentia o estômago roncar. Entretanto, estava mais preocupada em saber por que se preocupavam tanto em impedir que observasse a paisagem durante a noite. Estaria ali o segredo que permitiria que escapasse? Ou, quem sabe, o gatilho para desbloquear vinte e cinco anos de lembrança?

— Tem dois feitiços na janela — ela disse para Amanita. — Um deles serve para escurecê-la. O outro, para tornar o vidro inquebrável.

— Interessante — resmungou Amanita, num tom que sugeria que achava justamente o contrário. — Se há dois feitiços na janela, por que você acha que têm três pedras incrustadas abaixo dela?

Raylen contemplou as pedras.

— Só consegui deduzir dois feitiços da vibração que vem da janela.

— É porque você não a avaliou durante tempo suficiente. Se estivesse mais preocupada com a janela do que com o que há lá fora, teria percebido que o terceiro feitiço serve para colar o vidro à pedra. Ou um golpe suficientemente forte poderia desencaixar o vidro do buraco onde ele está.

Raylen assentiu.

— Eles pensaram em tudo, não é?

— Pode ter certeza que sim. E não só na janela, como também em todo o restante da prisão. — Fitou Raylen com um olhar cheio de censura. — O que torna essa discussão inútil. Você pode anular a magia e se livrar dessa janela. Mas como evitaria os guardas? Como iria transpor a muralha? Você seria capaz de se afastar da propriedade antes que os guardas a alcançassem? Eu já te disse mil vezes, Raylen: não há como fugir daqui. Como você mesma constatou, eles pensaram em tudo.

O silêncio retornou. Raylen continuou parada diante da janela e Amanita voltou ao seu dicionário. As páginas viravam a intervalos constantes enquanto a outra encarava o vidro escuro. O fraco contorno das muralhas e das montanhas foram desaparecendo de vez conforme o sol se punha, e quando finalmente desapareceu, Raylen enfim se rendeu e foi se sentar em sua cama.

Notou que, em vez de ler, Amanita a observava. Ler dicionários devia ser tedioso.

— Acha que é capaz de anular a magia da janela.

Raylen sequer pestanejou.

— É claro. Mas você não tinha dito…

— Sim, a segurança daqui é excelente. Mas existe uma maneira de desviarmos dela. Nada é infalível, afinal.

— É o que estou tentando te dizer há meses.

Amanita revirou os olhos.

— A segurança é infalível pois eles contam que não tenhamos um instrumento que não deveríamos ter.

Raylen piscou para ela.

— O que raios você quer dizer com isso?

Amanita fechou seu dicionário e o colocou sobre a cama, ao seu lado.

— Não posso falar. Se isso der errado e você for pega, serei acusada de cumplicidade. Mas, pense no seguinte: quando o guarda chegar para nos levar ao refeitório, você pode desmanchar as barreiras da mente dele do mesmo modo que desfaria os feitiços que reforçam a janela.

— E o que eu faço então?

Ela voltou a pegar seu dicionário.

— Quando tiver total domínio da mente do homem, saberá o que fazer.

Então se esticou sobre a cama, virou-se de costas para ela e abriu o dicionário.

Durante alguns instantes, Raylen permaneceu imóvel, olhando fixo para as costas de sua companheira, as palavras ainda rodopiando em sua mente como se buscassem uma combinação que fizesse sentido.

Então um ruído se fez ouvir na porta, e Raylen viu os músculos de Amanita se retesarem. Durante os poucos instantes que o guarda demorou para remover todas as trancas, repassou mais uma vez as palavras da amiga: Quando tiver total domínio da mente do homem, saberá o que fazer. Aquilo queria dizer que ressuscitaria suas memórias?

Quando a porta enfim se abriu, com um rangido metálico que incomodava os ouvidos, Raylen já estava de pé.

O guarda não viu nada de mais no comportamento.

— Hora da janta — anunciou, no tom monótono de sempre.

Raylen acessou o fluxo de magia que corria por sua alma e o moldou, direcionando-o na direção da mente do guarda. Ele era um mago, obviamente, por isso ela encontrou resistência. Mas descobriu que tinha facilidade para lidar com a magia da mente, pois os pensamentos por trás daquela proteção mágica lhe eram claros. Anulá-los foi simples: logo ela estava dentro da mente do homem.

Tão logo isso aconteceu, ele ficou inerte, como se não tivesse mais vontades. Raylen entendeu que estava no comando e, só para confirmar sua teoria, desejou que ele erguesse o braço esquerdo. Ele o fez.

A cama rangeu quando Amanita se virou.

— Muito bem. Agora não o solte. Se o fizer, ele alertará os outros guardas de que você redescobriu seus poderes especiais, e você passará mais uma vez pelo processo de esquecimento. Sei que você não lembra como foi, mas acredite em mim: é horrível.

Raylen sentiu os pelos se eriçarem ao ouvir sobre o processo de esquecimento.

— Na verdade, eu lembro sim — revelou. Sua voz saiu num sussurro.

O silêncio prevaleceu durante um segundo.

— É? — A surpresa estava evidente na voz de Amanita.

— Sim. Sonho quase todas as noites com isso. Uma sala escura e a dor. Uma dor tão horrível que me faz pensar que eu me tornei a própria dor.

Mais silêncio.

— Bem — Amanita disse pouco depois, cautelosamente. — Então você sabe o que te espera se perder o controle. Faça o guarda nos levar ao refeitório, tenha o cuidado de fazer seus movimentos parecerem naturais.

Ela acatou a sugestão da companheira. Fez com que o guarda se virasse e saísse, com as duas em seu encalço. Saíram em uma antessala, tão branca e tediosa quanto a cela e com outra porta de metal, porém totalmente vazia. Ele colocou as algemas nas duas e fechou a grande porta de metal — sem trancá-la — antes de conduzi-las através da outra porta para um corredor com um elevador no final. Ao lado dele, havia um teclado numérico, e Raylen buscou a senha na mente do homem. Com um ruído metálico forte, a máquina se colocou em movimento e a porta recuou, permitindo o acesso. No andar térreo, saíram em outra sala pequena, com mais uma porta protegida por senha. Raylen fez o guarda se livrar dela rapidamente, então estavam no corredor que levava ao refeitório.

Este era um salão amplo e também branco, com lâmpadas mágicas incrustadas no teto, bem longe do alcance dos prisioneiros, e mesas retangulares com bancos duros. Alguns prisioneiros já haviam chegado — não eram escoltados da cela até ali, como Raylen e Amanita — e as receberam com olhares hostis. Ninguém gostava das duas, e Raylen não sabia por quê. Tinha certeza de que não era por seu “privilégio” de não ter tarefas obrigatórias para cumprir ao longo do dia.

— E agora? — sussurrou para Amanita.

— Está vendo aquela porta ali no canto? — Ela olhou para a esquerda, e Raylen acompanhou seu olhar.

Era uma porta estreita, de madeira, pintada de branco para não chamar atenção.

— Sim.

— Faça com que ele nos leve até lá. Deve estar aberta.

Raylen estranhou, mas fez o que foi pedido, sentindo os olhares recaírem sobre as duas quando o guarda tomou um caminho inesperado.

— Será que não vão desconfiar?

— Sim. Mas pretendo que esta seja nossa última noite aqui.

Passaram pela porta. Saíram em um aposento de paredes mais escuras que parecia um escritório, com mesas de madeira, estantes e pilhas de papéis espalhadas por todos os cantos. Lâmpadas mágicas (apagadas) jaziam sobre as mesas. Embora nunca tivesse entendido como elas poderiam oferecer perigo — eram capazes apenas de produzir luz —, Raylen estranhou que apenas uma fina porta de madeira os separava dos prisioneiros que comiam no outro aposento, quando faziam tanto esforço para mantê-los longe das lâmpadas. Estavam tão seguros assim de que ninguém repararia em uma porta tão desinteressante? Mas, pensando bem, Raylen nunca sentira curiosidade de saber o que havia por trás dela.

— Aqui podemos retirar as algemas — disse Amanita, num tom de voz normal.

Raylen comandou o guarda mais uma vez, e estavam livres.

— Isso é muito estranho — ela comentou, fitando a expressão apática no rosto do homem. — Magos não deveriam ser capazes de fazer isto, certo?

— Não — confirmou Amanita. Depois de uma breve pausa, acrescentou: — Fui eu que lhe dei essa habilidade.

Raylen ergeu as sobrancelhas.

— Como?

A outra fez um gesto que poderia denotar impaciência, mas Raylen captou outra emoção por trás da maneira como desviava o olhar e segurava na barra de sua camisa de presidiária.

— Isso é conversa para outra hora. Temos de sair daqui. Se eu não estiver enganada, estamos perto.

— Perto de onde? Da saída?

Amanita a fitou.

— Você estava imaginando que faríamos o guarda nos guiar até o portão e pronto, estaríamos livres?

— É, eu ia perguntar se realmente era esse o seu plano, depois de tudo o que falou sobre escapar ser impossível. — Raylen deixou transparecer em seu tom um pouco da desconfiança que sentia. Afinal, durante todos aqueles meses Amanita vinha escondendo o motivo de Raylen estar presa. Não seria estranho deduzir que a estivesse levando para uma armadilha.

— É claro que não é esse o meu plano! — Apontou para outra porta, também de madeira, mas não pintada. — É aquele o nosso caminho. Subiremos três lances de escada, então alcançaremos a ponte de acesso para a outra torre. Lá está o meu veículo, que permitirá que driblemos o feitiço anti-escalada das muralhas.

— Como você sabe? Esteve aqui antes?

— Lembra daquele dia que fui espancada?

Raylen lembrava. Fora há algumas semanas: Amanita havia sumido durante algum tempo, então, no meio da noite, foi despejada na cela, coberta de hematomas e com um corte abaixo do olho. Raylen não conseguira arrancar respostas dela por nada.

— Ah.

Amanita desviou o olhar para o guarda.

— Não precisaremos mais dele. Coloque-o para dormir.

Apesar das memórias perdidas, Raylen sabia como usar magia, do mesmo modo como amarrava seus cadarços e usava seus talheres. Por isso, sugerir que o homem estava com muito sono foi uma reação automática para ela. Observou os olhos do homem fecharem, e ele desabou pesadamente, a respiração lenta e profunda.

Amanita acenou com a cabeça, satisfeita.

— Essa parte da sua memória não foi afetada — comentou. Então ergueu o olhar para Raylen e esta viu o brilho de uma nova ideia surgindo. — Nazira.

Aquela palavra teve sobre Raylen um efeito que nenhuma outra tivera até então. Pois Nazira era seu verdadeiro nome, ela logo constatou.

— Hmmm! — fez Amanita. — Sério, se eu soubesse antes que seu verdadeiro nome pudesse ser um gatilho… — Bateu a mão espalmada contra o próprio rosto. — Eu devia saber! Por que outro motivo teriam trocado seu nome? — Em seguida, virou-se para olhar a porta pela qual tinham acabado de passar. — Devemos nos apressar, os prisioneiros devem estar comentando.

E empurrou Raylen (Nazira) na direção da outra porta. Como prometido, deram de cara com escadas e começaram a galgar os degraus, Nazira acompanhando as passadas rápidas de Amanita.

— Nós trabalhamos juntas, não é?

— Sim. Construímos Antikkon.

Nazira não lembrava — ainda — o que era Antikkon.

— E o meu pai…

Já tinham alcançado o segundo andar, mas Amanita, apesar da pressa, estacou e se virou para Nazira, os olhos arregalados, cheios de… medo?

— O seu pai foi contra. Antikkon não era apenas um meio de transporte. Ele foi projetado para… Bem, digamos que eu tenha descoberto um complexo de feitiços que fosse capaz de simular uma consciência. Ele era capaz de captar vibrações mágicas, interpretá-las e replicá-las. Era (ainda é) capaz de realizar feitiços por conta própria. E eu pretendia usá-lo… Bem, para tomar o governo.

Nazira se lembrou, e foi tomada pela vergonha.

— E eu… e eu a denunciei, não foi?

Amanita abaixou o olhar. Confirmou com um único movimento da cabeça.

— É por isso que estou aqui. Eu achei que você ia fazer mal para o reino, e contei para o meu pai. — As coisas começavam a fazer sentido dentro de sua cabeça. O vazio estava lá, mas estava desaparecendo. Porque, ela percebeu, não era um vazio, e sim algo a mais, que ocupava um espaço inexistente em sua mente, bloqueando as lembranças. Agora, os feitiços se desfaziam aos poucos. — Mas tiveram medo do poder que você tinha me dado. E ele… — Levou as mãos à boca e um nó se formou em sua garganta ao mesmo tempo que sua visão embaçou. — Agora eu lembro. Era ele naquela sala. Ele apagou minhas memórias.

Amanita a fitava, os olhos ainda arregalados, mas daquela vez de surpresa.

— Não sabia que tinha sido seu pai. — Nazira sentiu que parte de sua tristeza estava refletidano tom de Amanita. Elas tinham sido amigas, afinal. Era esperado que Amanita ficasse triste por ela.

Nazira deixou que as lágrimas escorressem, e o nó afrouxou um pouco. Mas ameaçava voltar a se apertar, pois disse:

— Precisamos continuar.

Amanita pareceu compreender sua necessidade.

Dispararam escada acima, depois porta afora, e atravessaram a ponte que ligava as duas largas torres cinzentas. O ar noturno era frio e se infiltrava através do tecido fino de seus uniformes brancos. Nazira prometeu a si mesma que nunca mais usaria nada branco.

A porta que dava acesso à outra torre precisou ser derrubada com magia, e Nazira se ofereceu para fazer isso. Precisava manter a mente ocupada. Quando tivessem recuperado Antikkon e estivessem longe dali, ela se deixaria desmoronar.

Por isso também fez questão de nocautear os guardas postados de cada lado da porta que levava à sala em que ficava Antikkon. Aquela porta também tinha senha, mas ela a roubou da mente de um deles, e quando terminou de digitar a sequência, ela se abriu com um clique suave.

E, daquela vez, Amanita fez questão de tomar a frente, quase saltitando sobre os próprios pés. Empurrou a porta, revelando Antikkon.

A lembrança que Nazira tinha dele era nebulosa, por isso sua boca se escancarou quando viu as milhares de escamas brilhantes que constituíam o corpo do enorme dragão mecânico. Ao longo de seu dorso, dezenas de pedras mágicas brilhavam, fornecendo a energia que ele precisava para se movimentar e se manter no ar, e dentro de sua magnífica cabeça, ela sentia a vibração do complexo de feitiços que lhe fornecia algo próximo de uma consciência. Na junção de seu pescoço com o corpo, havia dois assentos; ela se lembrava que as pedras que o circundavam tinham a função de manter o passageiro em segurança enquanto a máquina voava.

— É lindo — ela murmurou. Não soube especificar se a lágrima que escorreu por seu rosto era de tristeza pela traição do pai ou de emoção por rever Antikkon.

— Eu sei. — Amanita parecia prestes a cair de joelhos sobre o piso e reverenciar a máquina. Nazira se lembrou de que fora uma grande conquista para a amiga, e que aquela máquina era praticamente sua razão de viver.

Depois que a sensação de deslumbre passou, Amanita se dirigiu à enorme janela, que ocupava quase toda a parede que se opunha à porta, e acionou o único botão que havia no painel ao lado. O vidro subiu, desaparecendo no vão oco entre as duas camadas de parede que constituíam a torre.

Ajeitaram-se no banco e Nazira soube o que fazer. O dispositivo mágico que Amanita implantara em sua mente também servia para se conectar à consciência do dragão. Quando ele acordou, com as escamas de metal rangendo e as pedras mágicas reluzindo, ela sussurrou:

— Desculpe por te trair, Amanita. Se eu soubesse…

Mas Amanita colocou uma mão terna em seu ombro, interrompendo a fala.

— Tivemos a chance de recomeçar. E agora estamos livres.

Nazira comprimiu os lábios e assentiu. Transmitiu o comando mental a Antikkon, e ele se virou para a janela e alçou voo.

Suas escamas brilharam como infinitas joias sob o luar e, quando transpassaram as muralhas, agora tão distantes que pareciam de brinquedo, deixou que suas emoções escapassem junto com o jorro de chamas que saiu pela boca escancarada do dragão.

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59 comentários em “Lembranças Perdidas (Laís Helena)

  1. ram9000
    2 de abril de 2016

    Gostei do enredo e da ideia dos feitiços. Acho que deveria enfatizar menos durante a narrativa a relação da prisão da protagonista com sua companheira de cela; tentar fazer mais obscuro, não entregar de forma tão obvia ao leitor.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Fiquei feliz que você gostou! E muito obrigada pela sugestão, vou trabalhar melhor essa relação.

  2. André Lima dos Santos
    2 de abril de 2016

    Olá autor!

    Senti falta de uma trama mais bem elaborada nesse conto. Parece que a história foi contada, mas ficou a sensação de que muita coisa faltou! Não teve um clímax apropriado, as complicações foram resolvidas facilmente (Apenas com magia)…
    Não sei, fiquei com a impressão de que tudo foi narrado e resolvido facilmente. Senti falta de torcer pelos personagens, sabe? O conto tem um clima de ação e de suspense, mas o final é um pouco decepcionante.

    Sobre a escrita em si, sugiro que o autor tente evitar a repetição de palavras.

    Enfim, achei um conto razoável. A idéia é boa, mas a execução deixou a desejar.

    Boa sorte no desafio!

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Obrigada pelo feedback! De fato, o final ficou um pouco corrido e algumas coisas não foram bem trabalhadas. Como finalizei faltando apenas minutos para terminar o prazo, também descuidei na revisão.

  3. Pedro Luna
    2 de abril de 2016

    Outro conto recheado de ideias e louco demais. Nesse ponto foi bom. No entanto, acho que a trama ficou com pouca força devido a velocidade de alguns pontos. No início, um personagem perdido, lembranças perdidas e uma cética companhia de cela. Um lugar de fuga improvável. Pouco tempo depois, memórias voltam muito rapidamente, personagem se revela com poderes e a fuga parece perfeitamente possível. Sinceramente, ficou um pouco forçado o conto. A explicação de tudo no final já chegou quando a descrença era alta demais.

    O ponto alto para mim foi o dragão no final. Uma cena louca e que eu não esperava.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Sinceramente, também não gostei muito do final, sei as coisas se resolveram de maneira muito fácil. Foi uma questão de falta de planejamento quanto às etapas da fuga, e também de pressa (enviei nos últimos minutos). Muito obrigada pelo feedback, e fico feliz que tenha gostado do final.

  4. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Mayra, adorei seu conto. Você trouxe para o desafio o charme daquelas histórias deliciosas como The NeverEnding Story. E o que mais gostei é que você não nos deu uma, mas duas protagonistas! A presença feminina sempre me encantou quando posta no centro de histórias fantásticas. Você deu personalidade às suas heroínas e conseguiu prender minha atenção como leitor com um recurso simples, mas infalível: Eu fiquei louco para saber, afinal, o que era o Antikkon! E a espera não decepcionou: Um dragão mecânico cuja consciência advém do complexo de feitiços que dão vida à sua estrutura. De onde você tira essas ideias?! Aplaudi aqui em casa quando li.
    O único momento que, para mim, deixou a desejar, foi no início da fuga. Fiquei me perguntando como um mago carcereiro deixou-se dominar por uma feiticeira sem memória. Ele deve ser extremamente treinado para combater truques de magia, não é mesmo? Ah, sei lá… Talvez Raylen-Nazira seja mais forte do que imagino… Parabéns pelo trabalho. Boa sorte.

    NOTA: 9,3

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Muito obrigada! Fiquei feliz de saber que você gostou tanto. A questão das memórias talvez tenha ficado confusa mesmo. O que eu (tentei) deixar implícito foi que a habilidade de armazenar magia é guardada na nossa memória de procedimento (a mesma que guarda nossas habilidades de andar, tocar um instrumento, etc.), por isso que ela não esqueceu como se fazia quando as lembranças dela (ou a memória declarativa, que guarda experiências) foram removidas por outro mago. Acho que realmente é algo que eu deveria ter explicado e trabalhado melhor, obrigada pelo apontamento.

  5. Rodrigues
    1 de abril de 2016

    Não consegui entender muito bem o conto, a história gira muito em volta de si e parece repetitiva, tornando-se cansativa e tirando a atenção do leitor. Achei que a parte gigantesca em que as duas estão presas poderia ter sido diminuída, não há necessidade de tantas minúcias simplesmente para passar a sensação claustrofóbica das duas. Achei também que o final destoa demais do resto do texto, para mim, ficou meio forçado.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Realmente, o final ficou meio apressado e um pouco forçado. Obrigada pelo feedback!

  6. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): a história é interessante e prende a atenção pelas dúvidas levantadas. Apesar de ser um mote comum, a perda de memória sempre funciona para criar uma relação com o personagem, pois também ficamos querendo saber mais. O fim me incomodou um pouco, pois não concluiu a história, deixando muitas pontas em aberto. A ambientação também ficou devendo um pouco, pois não explica muito as motivações das protagonistas ou dos vilões (do pai dela, por exemplo). Enfim, parece um capítulo de uma história maior.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é daquelas que não chegam a se destacar pela beleza textual, mas funciona muito bem para contar a história, com boas descrições de ambiente e cenas. Acaba se tornando transparente e servindo apenas de ponte para que a trama ocorra.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): como já adiantei, o mote de perda de memória é bastante batido e os elementos novos que o conto trouxe acabaram tendo pouco destaque.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado pois embora ocorra uma mistura com tecnologia, a magia está presente.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): a falta de um fim e as pontas soltas deixadas reduziram o impacto de um texto que estava agradando pelo drama da protagonista.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Acho que escolhi, mais uma vez, uma trama grande demais para as 4 mil palavras. Procurarei trabalhar melhor os demais elementos que não se destacaram tanto, assim como a relação entre as duas personagens e de Nazira com o pai, assim como as motivações deles. E muito brigada pelos apontamentos! Seu comentário foi muito útil em me fazer perceber as falhas do texto!

  7. Thomás Bertozzi
    1 de abril de 2016

    O conto cresce e acelera gradualmente, na mesma medida em que as personagens vão se tornando mais complexas. A narrativa flui cada vez mais rápida e intensa.

    Poderia perfeitamente ser a introdução de uma história muito maior

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Obrigada pelo comentário, fico feliz que tenha gostado da história!

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de abril de 2016

    Bom conto. Detalhes bem acabados e uma narrativa sólida. Os personagens não me cativaram, muito embora o contexto por trás de seus objetivos seja instigante ao ponto de me fazer crer num universo muito maior. Não existem grandes reviravoltas ou cenas descritivas de muito impacto. Não obstante, é um trabalho consistente e de muito esmero.

    Gostei.

    Parabéns!

    Boa sorte no desafio.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Muito obrigada pelo feedback! Buscarei trabalhar melhor as personagens.

  9. Claudia Roberta Angst
    31 de março de 2016

    Feitiços e um dragão = tema Fantasia abordado.
    Um tom de suspense conduziu a trama, mas confesso que esperava algo diferente. Não achei a lembrança de Nazira tão surpreendente assim. No entanto, foi até empolgante acompanhar a fuga das duas companheiras de cela.
    Os diálogos agilizaram a leitura. Não notei falhas na revisão do texto.
    Boa sorte!

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Realmente, a parte da revelação das lembranças (e, na verdade, acho que tudo que aconteceu depois da fuga da cela, rs) ficou um pouco apressada e forçada (e boa parte do problema foi que eu deixei para escrever no último dia). Obrigada pelo feedback.

  10. Davenir Viganon
    31 de março de 2016

    Gostei da forma que a trama se desenrolou, através de gatilhos que faziam a personagem se lembrar de quem é, mas algumas revelações ficaram confusas pra mim e eu acabei sem entender muita coisa. Faltou aquelas frases obvias para ajudar os mais desatentos, no caso eu. Infelizmente essa incompreensão, me atrapalha na avaliação geral do conto. Enfim, os personagens são interessantes e a motivação entorno da memória acabou sendo tudo o que se tinha das duas mulheres. A escrita conseguiu passar a tensão, mas não foi clara o suficiente para me faze entender a história. Terei de aguardar o relevar dos comentários para entender melhor. A magia aparece e move toda a história, 100% Fantasia.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Obrigada pelo feedback. Acabei deixando para escrever na última hora e por isso não tive tempo de planejar e revisar todos os detalhes da história, então é muito provável que boa parte do conto tenha ficado mal explicada ou mal explorada.

  11. Simoni Dário
    30 de março de 2016

    Olá Mayra
    O seu conto é bem escrito e bem narrado, Amanita é uma amiga fiel e a descrição das personagens está boa. Penso que a magia do conto é um pouco perdida com a descrição da cena de espancamento de Amanita(quebra brusca na leitura, ainda que narre uma prisão “mágica”). Você passou bem o clima de fuga das duas amigas, mas parece que tudo se resolveu muito rápido, com muita magia.
    Não entendi também onde se encaixa na história, Ivani Naylesh.
    Os diálogos ficaram um pouco confusos atrapalhando a fluidez da leitura, reli várias vezes para tentar entender de quem era o pai que apagou a memória de Nazira(era ele Ivani Naylesh?).
    A última cena com a descrição de Atikkon ficou bem legal, gostei da imagem que você conseguiu passar do dragão, fiquei com ela na cabeça, isso é muito bom, mérito do autor.
    É uma boa história.
    Parabéns pela classificação e bom desafio!

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Ivani Naylesh não era o pai de Nazira, mas como só mencionei o nome dele, entendo a confusão. E muito obrigada pelo apontamento, pois não tinha pensado muito no papel de Ivani ao planejar ou escrever o conto. Vou revisar os diálogos também. Obrigada pelo feedback!

  12. Piscies
    29 de março de 2016

    Interessante a visão dracônica um tanto diferente e inovadora. Um dragão que nada mais é do que um construto que tem, de alguma forma, uma consciência mágica e é capaz de realizar feitiços próprios (daí o fogo que sai de sua boca…)… genial!!!

    O universo narrado é magnífico. Vivi apenas uma parte dele, preso em uma cela junto com Amanita e Nazira, mas já tenho o desejo de conhecer tudo! As ações, as reações e os detalhes são narrados de forma tão corriqueira – tão natural – e, ao mesmo tempo, tão intrínseca ao texto – como se o texto não pudesse existir de outra forma – que eu me senti parte deste mundo. As pedras mágicas, as descrições dos feitiços, a estranha obsessão de Amanita por dicionários… muito legal!

    Uma parte ruim é que este conto comete o mesmo pecado de tantos outros neste certame: a história é maior do que o conto consegue mostrar. Me sinto tendo visto um pequeno trecho de uma história maior e sem desfecho. Não há problema em narrar um conto curto em um universo gigantesco, mas o conto precisa ter início, meio e fim, e me parece que este conto tem só o início e o meio – por vezes, me parece ter apenas o meio.

    A escrita é muito boa e com pouquíssimos erros. Gostei muito da leitura, do desenvolvimento dos personagens e da trama.

    Parabéns!

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Fiquei muito feliz por você (que inclusive ganhou o certame com um conto que adorei) ter gostado tanto. Acredito que realmente eu tenha escolhido uma história maior que o limite, e outro problema foi a pressa. Deixei para última hora, por isso não consegui planejar direito ou revisar muito bem (até fiquei impressionada por você não ter notado muitos problemas na revisão).

      Enfim, muito obrigada pelo feedback e parabéns pelo seu excelente conto!

  13. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Mayra. Muito bom conto, é o décimo segundo que avalio.

    Observações: o ambiente mágico contribui para a adequação ao tema, enquanto o carisma das personagens provê a apreciação do leitor. Não pude notar grandes deslizes em relação à ortografia. A trama desenvolve-se e fecha suas pontas soltas dentro do limite, respondendo maioria das questões. Todavia, é possível continuar a história, pode abordar a origem da magia, as relações políticas no universo criado, a relação de Nazira com o pai, a razão para ele mesmo querer impor tanta dor à filha etc. Claro, isto tudo não poderia ser visto em apenas quatro mil palavras, mas fora do desafio você está livre deste limite.

    Destaques: como disse, o conto está fechado, com o cenário bem descrito, as personagens carismáticas e um universo amplo, que permite a continuação da história por vários caminhos.

    Sugestões de melhoria: a sugestão que posso dar é que não limite este conto ao atual desafio, continue-o. Explore o lado obscuro da história, crie obstáculos verdadeiros para Nazira e Amanita, pessoas em que a magia delas não funcione tão facilmente, por exemplo.

    Enfim, parabéns, boa sorte no desafio.

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Muito obrigada pelos apontamentos! Me ajudarão muito a melhorar este conto!

  14. vitormcleite
    26 de março de 2016

    lamento que não tenhas momentos de tensão, mesmo a fuga delas foi muito linear. Resultou um texto muito descritivo e sem pontos altos para agarrar o leitor. Peço desculpa mas parece-me que falta um qualquer ponto alto para surpreender quem lê, talvez precisasses de mais espaço para esta história, mas agora podias re-pegar e refazer esta história

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Realmente, a parte da fuga ficou bem apressada e sem emoção. Obrigada pelo feedback!

  15. Anorkinda Neide
    23 de março de 2016

    OI!
    Olha eu gostei da história, mas senti dois problemas… Amanita. nome de minério isso.. foi difícil pra mim, ‘formar’ a personagem com esse nome..kk coisa besta minha. E achei um tanto cansativo, nao sei dizer porque, só sei que é assim!
    .
    Mas o final com a revelação do dragão matou a pau! e eu senti que a leitura valeu a pena.. dae até queria ler mais pra saber mais sobre ele.
    Parabens
    Boa sorte!

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Não parei muito para pensar de onde tinha tirado Amanita, rs. Tenho o costume de inventar nomes quando estou escrevendo, e às vezes me inspiro em palavras ou nomes estranhos ou em outros idiomas. Amanita provavelmente foi uma inspiração inconsciente (mas talvez até dê algo interessante para trabalhar a personagem durante a reescrita). E sei que o meu final ficou um tanto apressado e sem emoção. Obrigada pelo feedback!

  16. Brian Oliveira Lancaster
    23 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: A história começa de modo bem simples, mas logo captamos as nuances e se faz possível compreender o cenário escolhido. A temática lembrou muito alguns rpgs do Super Nintendo (como o início de Chronno Trigger). – 9,0
    G: O conceito de prisão foi bem interessante, algumas passagens corridas, mas o suspense se manteve. A reviravolta do final não foi prevista, então funcionou bem para mim. No geral, a cumplicidade das duas foi bem expressa, mas não consegui sentir emoção ao redor. As duas personagens estão bem construídas, mas o restante deu uma sensação de vazio. – 7,0
    R: Sem grandes reviravoltas; saindo do ponto A para o ponto B. Mas focar em apenas um evento às vezes é o melhor caminho. Nesse caso foi possível acompanhar a trajetória de fuga sem problemas, através das pontes da prisão-muralha. – 8,0
    O: Sem erros aparentes. Escrita simples, mas eficiente. – 8,0
    [8,0]

    • Laís Helena
      3 de abril de 2016

      Obrigada pelos apontamentos. Vou trabalhar melhor as passagens corridas e a relação entre as duas personagens.

  17. Fabio Baptista
    23 de março de 2016

    Conto muito bom, um dos meus preferidos, embora alguns detalhes na trama me levem a descontar um pouco da nota.

    Antes, a parte técnica: excelente. Narrativa clara e segura, conduzindo o leitor sem entraves por uma história estilo “amnésia”, onde um deslize do escritor já pode tornar tudo obscuro e obrigar o leitor a retornar alguns parágrafos para entender. Felizmente, não foi o caso aqui. Só limaria duas cacofonias: ela tinha (2x) e uma mão. No mais, perfeito.

    A história de fuga e recuperação gradual de memória foi bem conduzida e a magia inserida de modo natural, criando o mundo fantástico e atendendo o tema. O deslize na trama que comentei foi o seguinte: achei pouco verossímil dentro do universo criado que, uma vez capturadas, as duas ficariam juntas na mesma cela, mesmo que com as memórias apagadas e a pecha de traidora recaindo sobre uma delas. E, ainda pior, que ficassem na mesma fortaleza em que estava o dragão que utilizariam para foder todo mundo! kkkkkk

    Isso foi um pouco demais para minha suspensão de descrença, mas nada que tenha comprometido essa leitura agradável.

    NOTA: 8

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Fiquei muito feliz que meu conto tenha sido um dos seus favoritos! Quanto ao que você apontou sobre elas dividirem a cela e o dragão, não tinha pensado nisso. Terei de pensar em uma boa razão para justificar isso. Muito obrigada pelo feedback e parabéns pelo segundo lugar no desafio!

  18. Renan Bernardo
    22 de março de 2016

    Bom conto! Bem escrito e com uma história cativante que desperta a curiosidade. No entanto, fiquei com a impressão de que as duas personagens eram meninas bem jovens, o que não se provou como verdade no final. Além disso, o final não foi tão bom quanto eu estava esperando. Mas no geral é um ótimo conto bem original! Parabéns!

    Nota: 7,5

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Que bom que gostou! E obrigada pelos apontamentos quanto às personagens, vou trabalhar melhor isso.

  19. Andressa
    18 de março de 2016

    nota: 9.6. Contos com dragões remetem a era medieval e tem seu charme. Gostei.

  20. Gustavo Castro Araujo
    17 de março de 2016

    O conto está bem escrito e certamente agradará aqueles que apreciam uma pegada mais hollywoodinana. Raylen/Nazira e Amanita são uma boa dupla e a relação até certo ponto conflituosa entre elas segura bem o conto. Embora eu não tenha “comprado” a ideia da fuga – em um momento fugir é impossível e no outro já não é mais – acho que isso funcionou bem para despertar a curiosidade, favorecendo a leitura.

    A narrativa no geral é acelerada, impedindo o aprofundamento de questões que poderiam tornar as personagens individualmente mais interessantes. Mas acredito que isso tenha sido uma opção consciente da autora, que preferiu o dinamismo à filosofia.

    Gostei do aparecimento surpresa do dragão mecânico, que funcionou como uma reviravolta. Mas não curti muito o final “redondo”. Questão pessoal mesmo.
    DE todo modo, um conto competente e que, imagino, passará à fase final. Boa sorte!

    Nota: 7

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Escrevi o conto às pressas, tendo entregado faltando poucos minutos para o fim do prazo, então não trabalhei muito bem a parte da fuga e entendo que a cena ficou mal explicada e sem emoção. Quanto à questão do dinamismo versus aprofundamento de personagem, gosto de ter um equilíbrio, mas com a pressa acabei não trabalhando muito bem a questão. Obrigada pelos apontamentos!

  21. Wilson Barros Júnior
    17 de março de 2016

    O começo é parecido com os “Maze Runners”, só parecido, claro. Aliás, sempre achei algo de “caverna de platão” nesse tipo de conto. Aqui a situação é originalíssima e intrigante. Há um equilíbrio que vi poucas vezes entre os diálogos e as narrações. A história é muito inventiva, ao estilo dos magos e dragões de Terramar. Um conto espetacular, parabéns.

  22. Virgílio Gabriel
    17 de março de 2016

    Olá! Conto simples, direto e preciso. Era esse tipo de conto que esperava encontrar no desafio. Estou um pouco decepcionado com os anteriores. Não pela escrita, mas pela fantasia no sentido mais puro. Amanita na minha cabeça era uma bruxinha nerd, e a outra mais perfil de protagonista. Nazira não acreditava muito na amiga nerd por não entender seus poderes grandiosos, e isso custou a vida de seu pai. Adorei o Antikkon, e como foi descrito. Tem um errinho só de uma palavrinha grudada, mas é de digitação, nada demais. Não é um conto perfeito, mas é quase isso, e o melhor que li até o momento no grupo. Parabéns, conseguiu me deixar feliz! Isso sim é fantasia!

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Obrigada, fico feliz que tenha gostado tanto! E obrigada pelo apontamento quanto ao erro de digitação (na verdade, escrevi às pressas, então fiquei admirada pelo pessoal ter encontrado tão poucos erros)..

  23. Pedro Teixeira
    16 de março de 2016

    Olá autor(a)! Conto muito interessante e muito bem escrito, com descrições e personagens excelentes e uma trama instigante. A fantasia está presente de uma forma muito criativa. Minha única ressalva é que o texto fica parecendo mais um capítulo de uma estória maior do que um conto, mas tirando isso foi uma ótima leitura. Parabéns pela participação!

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Acredito que não tenha escolhido o melhor enredo para um conto de 4 mil palavras, e algumas coisas não ficaram muito bem exploradas devido à pressa para entregar no prazo. Por isso acho que ficou mais com cara de prólogo do que de capítulo 1. Obrigada pelo feedback!

  24. Daniel Reis
    16 de março de 2016

    Prezado autor: sua fuga me pareceu bastante intrigante, apesar de se desviar e muito do foco do desafio. Particularmente, e digo isso porque sinto que acontece comigo também, você fez sua personagens “falarem” o que você quis que elas dissessem – faltou espaço para ouvi-las, com suas próprias vozes. Um abraço!

    Pontos positivos: o enredo se desenvolve num crescendo, o que obriga o leitor a descobrir os fatos junto com o escritor, à medida em que vão sendo narrados. As duas personagens, se não estão desenvolvidas em profundidade, pelo menos são claramente identificáveis.

    Pontos negativos: a história é mais uma ficção distópica do que, efetivamente, uma fantasia. E o dragão mecânico parece estar ali só para dar um elemento mitológico a uma história pré-existente. Os diálogos poderiam ser melhor elaborados, muitas vezes as personagens falam para “empurrar” a história ou fazem comentários óbvios (“Precisamos continuar”); algumas escolhas de palavras causaram estranheza, como “O vazio estava lá, mas estava desaparecendo. Porque, ela percebeu, não era um vazio, e sim algo a mais, que ocupava um espaço inexistente em sua mente”; e algumas platitudes, como “Não soube especificar se a lágrima que escorreu por seu rosto era de tristeza pela traição do pai ou de emoção por rever Antikkon”.

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Obrigada pelos apontamentos. Vou revisar os diálogos, assim como os problemas nas construções das frases. Quanto aos elementos de distopia e ao dragão mecânico, realmente gosto de misturar tecnologia com magia, e também de lugares decadentes (distópicos) e anti-heróis. Entendo que o final tenha ficado apressado e eu não tenha tipo tempo (ou talvez, como muitos apontaram acima, espaço) para explicar melhor o dragão ou o sistema de magia.

  25. phillipklem
    15 de março de 2016

    Boa noite.
    Seu conto foi bem interessante.
    Tem uma pegada um pouco cinematográfica, cheio de mistérios e ação.
    Você soube manter o leitor interessado e manteve a história sempre num bom ritmo.
    Notei, porém, que mais pro final a história foi passando muito rápido, o que deixou o conto um pouco raso. Também os diálogos ficaram bastante confusos. Você podia ter indicado melhor quem estava falando o que.
    Fora isso, seu conto está muito bom.
    Meus parabéns e boa sorte.

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Acho que todo muito aqui foi unânime quanto ao final apressado; de fato, há muito que deveria ser melhor explorado. Também terei um cuidado maior com os diálogos. Obrigada pelo feedback!

  26. Rubem Cabral
    15 de março de 2016

    Olá, Mayra Crox.

    Gostei bastante do conto. Muito interessante o universo criado e a forma como os fatos foram aos poucos apresentados. Bem-desenvolvidas as personagens também.

    Nota: 9,0.

    abraços.

  27. Alan
    14 de março de 2016

    A História me prendeu do começo ao fim. Muito bem escrito e criativo. Consegui visualizar todas as descrições da autora. Conto dentro do tema proposto.

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Fico feliz que tenha gostado do conto e que eu tenha conseguido fazer você se sentir dentro da história. Obrigada!

  28. Sonia Rodrigues
    11 de março de 2016

    O começo é interessante. Alguém está preso, e o leitor se pergunta quem e por quê.
    Duas mulheres com poderes mentais, ficou mais interessante.
    A amnesia da personagem principal faz parte do castigo, e a trama está para ser desvendada.
    Acontece a fuga, e a explicação para a prisão delas aparece – uma máquina com poderes mágicos, que as duas amigas usariam para tomar o poder. Tudo meio vago, mais sugerido do que explicado. Por exemplo, porque a filha estaria traindo o pai? Porque era necessário tomar o poder? Era um rei mau? Ou ambição das duas amigas?
    Então, a história se interrompe, quando a fuga acontece…
    A mim parece que a história ficou pela metade.
    Se esse é o final, fica frustrante. O que acontece depois que elas fogem?

    Nota: 7

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Muito obrigada pelos apontamentos. Sei que o final ficou corrido e muita coisa foi mal explicada, e as perguntas que você levantou vão me ajudar muito na reescrita do conto.

  29. catarinacunha2015
    11 de março de 2016

    O COMEÇO já abre questões a serem resolvidas com uma linguagem simples e direta. Essa VIAGEM é pura fantasia pré-adolescente como os queridinhos da moda (“Divergentes” e similares). O FLUXO é elaborado com maestria para ser facilmente digerido. O FINAL épico me fez ficar chateada por não ter um balde de pipoca para acompanhar a leitura. Não sou fã de ler historinhas de ação juvenil, mas tenho que admitir que não posso dar uma nota inferior. No quesito FANTASIA é 10, nota 10!

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Não era muito minha intenção deixar a história com ar mais juvenil; provavelmente o problema foi a caracterização das personagens e o final apressado. Mas gosto de histórias com coisas loucas, anti-heroínas e uma narrativa mais irônica e leve, mais ou menos no estilo “Nobres Vigaristas” (Scott Lynch). E muito obrigada pelo 10!

  30. Ricardo de Lohem
    7 de março de 2016

    Oi, como vai? Parabéns pela ousadia, é o primeiro conto fantasypunk que leio aqui. Sua história conseguiu me fisgar, histórias de fuga são geralmente fascinantes. “— Acha que é capaz de anular a magia da janela.”. Fiquei com a impressão que essa frase termina com ponto de interrogação, não ponto final, estou certo? Outra coisa:”Tão logo isso aconteceu, ele ficou inerte, como se não tivesse mais vontades.”. Melhor trocar “vontades” por “vontade”, no singular. Essa palavra tem dois sentidos diferentes: no singular, força de vontade, individualidade, determinação; no plural, desejos, caprichos. O primeiro parece ser o que você queria no caso. Esse foi sem dúvida o primeiro conto que me impressionou com sua ambientação que mistura magia com tecnologia, gostei muito do Antikkon, o dragão-mágico-mecânico. O conto terminou e eu fiquei com uma enorme vontade de saber mais sobre esse mundo. Na certa essa história terá uma posição boa, desejo muito Boa Sorte pra Você!

    • Laís Helena
      4 de abril de 2016

      Fiquei feliz por você ter gostado tanto. E muito obrigada pelos apontamentos quanto à revisão. De fato, adoro misturar tecnologia e magia, e achei interessante você ter mencionado o termo “fantasypunk”, porque apesar de eu escrever muita fantasia, nunca sei em qual subgênero encaixar minhas histórias. Obrigada pelo feedback!

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 4 e marcado .