EntreContos

Literatura que desafia.

Sem piedade (Pedro Luna)

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Os homens que até então estavam sendo mantidos presos em uma pequeno buraco no chão de uma caverna, agora faziam fila frente a um grupo de Orcs que urravam e dançavam em um ritual macabro. Os homens já haviam estado naquela situação antes, e sabiam o que ia acontecer. Um deles, o caolho, não se atrevia a olhar para os Orcs. Um a um, eles marchavam olhando para os próprios pés, passando pela inspeção de um enorme Orc que parecia ser o líder daquele bando. A criatura estava sentada em um trono feito com crânios e outros ossos de animais, e mexia de um lado para o outro a mandíbula que era projetada para frente, deixando aparecer os dentes amarelos e pontiagudos da parte de baixo da arcada dentária.

Assim como antes, ele abriu a boca e grunhiu quando finalmente escolheu. E os seus subordinados rapidamente agarraram um dos homens, logo o que vinha na frente do caolho, e lhe puseram de joelhos na frente do líder Orc.

A criatura levantou-se do trono e apesar das súplicas do humano ajoelhado, cumpriu o ritual. Primeiro usou um afiado machado para lhe decepar as mãos e os pés e e em seguida jogou os membros amputados em uma fogueira que clareava a caverna no topo da montanha. Enquanto o amigo se acabava aos gritos, o caolho olhava em transe para a escuridão dos túneis adiante. Poderia tentar correr e se meter ali. Será que encontraria uma saída? Mas foi capturado de volta pela realidade quando o líder Orc finalmente pegou uma marreta feita de madeira de carvalho e a explodiu em cheio na cabeça do amputado homem. Sangue e miolos voaram por toda parte, e enquanto os Orcs dançavam e comemoravam a execução, o caolho mal tinha forças para chorar e apenas limpou com a língua um pedaço de cérebro que havia ido parar bem no canto da sua boca.

***

Ele era um velho teimoso e estava amarrado há quase dois dias. Haviam-no crucificado na árvore que sua mãe plantara, quando ele era jovem e inocente. Daqueles tempos para cá, havia sido testemunha da violência que aquele mundo era capaz de gerar, tornando-se frio e duro como uma pedra, mas nunca, nunca mesmo, pensara que acabaria a vida crucificado naquela árvore.

Quando ouviu o trote do cavalo, achou que um dos homens do bando estava voltando para concluir o serviço, mas no pouco de calor que ainda restava em seu peito, uma chama de esperança de que fosse alguém capaz de salvá-lo ardeu desesperadamente.

E o que viu foi um enorme homem negro montado em um cavalo tão escuro quanto ele. Pelas roupas, pedaços de pano misturados a uma cota de malha de ferro, concluiu que provavelmente era um cavaleiro errante, ou talvez um mercenário. O rosto do homem era duro e não transmitia nenhum tipo de emoção. Os grossos lábios, o nariz achatado e os olhos penetrantes lhe davam um tom ameaçador. Aquele sujeito era grande, e possivelmente muito perigoso. Na sela do cavalo, uma espada descansava em sua bainha.

– Procuro sete homens a cavalo – disse o sujeito, parando o seu cavalo na frente do pobre crucificado. – Um bando de saqueadores.

O velho apontou com os olhos para ambas as mãos pregadas a árvore por meio de pregos.

– Sei quem são. Foram eles que fizeram isso comigo.

O homem no cavalo avaliou o que via e não demonstrou nenhum tipo de interesse na situação terrível a qual haviam submetido aquela pessoa.

– Para qual direção foram, e há quanto tempo? – perguntou.

– E por que diabos devo te falar? – o velho grunhiu e cuspiu um pouco de sangue. As mãos ardiam, mas pelo menos haviam deixado os seus pés tocando o chão, ou então estaria sentindo muito mais dor. O problema mesmo era o saco velho. Pelo chute que lhe deram ali, provavelmente não havia restado muita coisa. A dor era excruciante.

– Posso vingá-lo, velho. Estou na caça a esses homens. Preciso de apenas um deles vivo, os outros matarei rapidamente.

– Como assim me vingar? Por acaso estou morto? Pelas escamas de um dragão, desça dessa merda de cavalo e me tire daqui, seu imbecil. Posso me vingar com as próprias mãos.

– Com essas mãos furadas? Esqueça. Você já é velho, aproveite e morra. Juro que rezarei por sua alma após acabar com os malditos. E então, vai me dizer para onde foram?

– Vá para o inferno.

O homem não se deu ao trabalho de responder e virou o cavalo para outra direção, preparando-se para partir. Mas parou ao ouvir a súplica do crucificado.

– Por favor, senhor… – ele falava cabisbaixo. – Se não vai me salvar, me faça pelo menos um favor.

O negro no cavalo tocou a espada.

– Uma morte rápida?

– Não… não sou um covarde – indignou-se o velho. – Quero apenas que entre na minha casa e veja se minha filha está viva.

Ao lado da árvore da crucificação, estava a casa. Sua família sempre morara ali, e nos últimos anos, após a morte dos pais, dos filhos mais velhos e da esposa, só restaram ele e a adorável Julie. Duas vítimas fáceis, ele agora sabia, e amaldiçoava-se por não terem ido embora antes, quando os primeiros indícios de que o fim da paz nas colinas verdes era questão de tempo.

O negro meditou a questão por um tempo e então, sem dizer uma só palavra, desceu do cavalo, sacou a espada e foi até a casa. Entrou e passou ali um bom momento, saindo sem empunhar a arma e comendo uma maçã.

– Peguei uma maçã – ele disse.

– Não me importo – o velho gritou. – Mas e quanto a criança?

– Morta.

O velho sentiu a pior das dores, o suficiente para lhe encher de fúria e tentar soltar as mãos do pregos, puxando-as para frente com violência. No entanto, a dor física que lhe atingia era severa demais, e mais uma vez ele desistiu.

– Malditos vagabundos… – ele sussurrava, deixando cair algumas lágrimas, mas sem se desesperar. – Matarei a todos.

O negro encarava o velho com curiosidade e então caminhou até ele.

– Escute. Vou tirar você daí, está bem? Mas não seja estúpido. Parta, sobreviva. Vingarei você e sua filha. É uma promessa.

– Você tem que me levar com você – disse o crucificado.

– Impossível.

– Você não entende… você precisa de mim.

– Por qual motivo? Posso rastrear os cavalos do bando se você se recusar a me dizer para qual lado foram. Os encontrarei, tenho certeza.

– Eu não duvido, seu imbecil – o velho deu uma discreta risada. – Mas eles encontrarão você primeiro.

– Quem? Os saqueadores?

– Não… os Orcs. Os Orcs da montanha. Sabemos que vivem lá desde que a guarda da realeza limpou o oeste. Vieram fugidos e nunca descem da montanha, mas foi justo para lá que os seus amigos foram.

– Não são meus amigos.

– Não importa se não são, o fato é que é para lá que foram. E já devem estar mortos.

– Mesmo assim – o negro se mantinha impassível. – Preciso ir até lá para conferir.

– Eu já sabia que você seria idiota a esse ponto – disse o velho, cuspindo uma pequena bolota de catarro. – Mas posso fazer com que você fique vivo. Antes dos Orcs, havia uma mina de ferro na montanha. Pertencia a um grupo de anões. Trabalhei lá por quinze anos até a mina ser fechada. Conheço a montanha. Sei onde os Orcs ficam pois a noite podemos ver a fogueira. E sei de um caminho alternativo na subida, que vai fazer você surpreendê-los. Se não for por esse caminho, será pego facilmente.

– O que você ganha com isso? Já disse que eles devem estar mortos.

O velho lançou ao outro um sorriso raivoso.

– Bom… é algo que eu também preciso conferir.

Com dois bruscos puxões, o negro arrancou os pregos das mãos do homem. O velho caiu de joelhos e amaldiçoou o mundo pela dor que sentia, gritando sem parar. Quando se acalmou, foi ajudado pelo negro a entrar na casa, tratar da mão e pegar suas coisas. Na pequena cozinha, Julie estava caída no chão, com um corte seco feito em seu pescoço.

Olhando para ela, o velho perguntou:

– Você me disse que precisava de um deles vivo.

– Sim. Fui pago para encontrar e levar esse homem vivo até Bygertown.

– Mas por acaso esse homem… seria um caolho?

O negro encarou o velho.

– Ele mesmo.

O crucificado sorriu diante a irônia do destino. Apontou para a pobre Julie e disse:

– Aquele maldito a estuprou na minha frente e a arrastou para cá enquanto os outros me crucificavam. Ele a matou. E se eu encontrá-lo vivo, irei matá-lo por isso.

O negro não se abalou, apenas tocou discretamente a espada embainhada agora em sua cintura e disse calmamente.

– Eu espero que você o encontre vivo, velho. Mas quanto a matá-lo, isso veremos quando o momento chegar. Até lá, peço que reconsidere essa decisão, pois me fará feliz levar esse homem vivo até Byger. Receberei por isso e não pretendo ficar sem esse dinheiro. Não conheci a sua filha, mas me compadeço do seu sofrimento. Prometo punir o culpado. Se você quiser, deixo que você enfie um pedaço de madeira em seu cu, ou até mesmo o seu pinto mole de velho. Só não pode tentar matá-lo, pois isso vai de encontro aos meus interesses. No entanto, ainda temos que encontrá-los, então vamos nos preocupar no momento com a montanha e com essa tribo de Orcs. Mas aviso de antemão que se você me atrasar ou me prejudicar, enfio essa espada em sua barriga e sigo sozinho. Podemos ir agora ou precisa de mais tempo para lamentar as suas mãos?

O velho cuspiu nas mãos e as esfregou, ignorando as ameaças do outro.

– Podemos ir, elas não me atrapalharão. E me chame de Royce. Você tem um nome?

O homem esperou um pouco antes de responder.

– O meu nome… é Negro.

***

Na alvorada do primeiro dia da viagem, Royce acordou ao ouvir um pequeno barulho. Conferiu o cavalo e depois viu que o mercenário ainda dormia. Novamente, um som diferente lhe chamou a atenção. Foi agachado até uma folhagem próxima e quando se levantou um pouco, viu que havia um pequeno lagarto de cristal em cima de uma pedra. Os olhos do velho brilharam. Nos tempos em que vivia pacificamente, trabalhando nas minas,  era comum ver aquele tipo de lagarto. Uma criatura do tamanho de um cachorro pequeno, que rastejava rapidamente enquanto deixava reluzir a luz do sol nos cristais que estavam encrustados em suas costas. Era lindo.

Nos tempos antigos, homens brigariam por um destes, mas agora, aquele tipo de cristal azulado não valia muita coisa. Royce presenciou a mudança dos tempos, quando morou alguns anos na capital da realeza. A ganância pelo dinheiro, o cheiro da violência que corria pelos becos e vielas, tudo o que o fez largar o emprego como mercador e voltar aos campos buscando paz. Mas a violência o havia perseguido e, finalmente o encontrara. Ver aquele lagarto ali, parado, o fez recordar com carinho de quando achou que chegaria aos sessenta anos rodeado dos filhos e dos netos.

E zupt… uma adaga voou por cima da sua cabeça e atingiu em cheio a cabeça do lagarto, matando-o na hora. Royce escancarou a boca horrorizado e virou-se rapidamente a tempo de ver o mercenário ainda na pose de arremesso.

– Seu…. Seu… – tentou dizer algo.

– Comida – Negro limitou-se a dizer. – Basta tirar os cristais e podemos comer.

Enquanto o mercenário ia até o lagarto para limpar o corpo, o velho encarou as duas mãos, os ferimentos ainda doloridos e cobertos por uma tala, e decidiu que não valia mais a pena viver. Iria subir a montanha, e caso encontrasse com o maldito que tirara a vida de Julie, daria cabo dele. Tinha dentro das calças um punhal, herança de família, e ficaria quieto, fingindo seguir as ordens do mercenário. Em um momento de descuido do Negro, fincaria o punhal nas costas do caolho e depois abriria os braços e ofereceria o peito, esperando por um golpe de espada. Morreria com honra e vingado.

Mais tarde, cavalgaram em silêncio até chegar na base da montanha. A noite estava próxima e decidiram pernoitar ali mesmo. E enquanto o Negro comia o lagarto cru, o velho se contentava com uma maçã.

– Por que precisa levar o caolho vivo? – perguntou, Royce.

O mercenário demorou a responder, mas finalmente decidiu que poderia fornecer ao outro algumas explicações.

– O caolho é filho de um rico comerciante em Byger. Desde pequeno renegou os negócios da família e entrou na vida do crime. Roubos, jogos, prostitutas, usava o dinheiro dos pais para bancar os seus próprios negócios. Há alguns dias atrás ele e o seu bando roubaram de uns anões um carregamento de Pó Vermelho, sem saber que o pó iria direto para Torre Real, servir de divertimento para as festas do rei. Você sabe, velhote, o que acontece quando você cheira o Pó Vermelho?

– Não.

O mercenário riu ao lembrar, deu uma mordida no lagarto e continuou:

– O pó é extraído de uma planta que existe nas terras dos anões. Você cheira e começa a ver coisas, fantasmas, fica rindo sem parar e o pau fica duro que nem pedra. Todo mundo sabe das orgias que acontecem em Torre Real, entre o rei e os seus súditos. Pode-se ouvir as gargalhadas e os gemidos de longe.

– E o que o rei fez quandou soube do roubo?

– Mandou capturar o caolho e os outros para serem torturados na masmorra de ferro. Mas eles conseguiram fugir antes. Ao que parece, cheiraram todo o pó e decidiram virar um bando louco de saqueadores de estrada, espalhando o terror.

– E como você entrou nessa história? Você já foi um cavaleiro?

O Negro ficou novamente calado, mas após mastigar um pouco mais a cabeça do lagarto, disse:

– Quase cheguei a esse ponto. Mas ganho a vida melhor como mercenário. Fui contratado pelo pai do caolho para acabar com o seu bando e trazê-lo de volta em segredo. Pretendem embarcar o filho para as Ilhas do Sol e escondê-lo lá.

Ambos ficaram em silêncio. Royce sabia que o mercenário havia contado tudo aquilo porque achava que ele não iria sobreviver a aquela viagem. O velho deitou e contemplou a lua, sabendo que Negro estava certo, mas não preocupado com isso.

***

A montanha que ficava próxima as colinas verdes já havia sido palco de uma intensa caça ao minério de ferro, mas desde o fim das minerações, jazia abandonada, povoada apenas por animais e agora pelos Orcs refugiados. Royce podia apostar que as forças da realeza sabiam de sua existência, mas os deixaram ali, talvez por serem poucos. Em sua casa na colina, Royce nunca os temeu. Sabia que os Orcs jamais deixavam os seus refúgios e buracos para andar por vales e campos. Havia cada vez menos deles pela terra, e por isso eles não se atreveriam a deixar os seus esconderijos.

Começaram a escalar, ele e o Negro, logo pela manhã. A montanha nunca ficava tão íngreme, então era fácil ir andando, apesar de irem bem devagar, pois as forças de Royce já não eram tão grandes. O mercenário não dizia nada, apenas marcava um ritmo lento, sempre aguardando pelo velho.

– Vamos subir em direção a aquelas rochas cinzentas – apontou, Royce. – De lá podemos contornar parte da montanha e encontrar uma rota secundária para o topo.

Mas no meio do caminho, Royce viu a vista escurecer e desmaiou. Acordou com um tapa na cara desferido pelo mercenário.

– Velho? Está morrendo?

Royce afastou a mão dele e tentou sentar-se.

– Ainda não. Só preciso descansar um pouco.

– Não posso perder mais tempo –   disse, Negro. – Eles podem estar virando comida de Orc nesse exato momento.

– Não… espere. Só eu sei o caminho.

– Acho que posso encontrá-lo sozinho.

– E o tempo que vai perder se cometer um erro?

O mercenário cerrou os olhos ao perceber que o velho tinha razão.

– Pois então vamos continuar.

E debaixo do sol do meio dia, nos primeiros quinhentos metros, Negro ajudou Royce a andar. Quando chegaram as rochas cinzentas, tomaram um caminho, depois outro, e finalmente chegaram a uma área plana, onde havia um Orc sentado em uma pedra, aparentemente pintando um crânio humano com sangue.

– É um vigia – disse, Royce, agachado atrás de uma rocha. – Ele é bem grande.

– Não muito – sussurrou, Negro. Já vi maiores nos circos que passam pelo reino.

– Atrás dele, olhe lá – Royce apontou. – Depois daquelas rochas existe uma entrada para uma das minas abandonadas. Deve ser lá que eles ficam. Vamos esperar ou…

Mas o velho foi interrompido quando Negro levantou-se e atirou sua adaga bem no pescoço da criatura, que largou o crânio e caiu de joelhos, tentando em vão gritar e se engasgando com o sangue. O mercenário sacou a espada, saltou a rocha e em três ou quatro passadas estava diante do monstro, acertando-lhe um golpe de cima para baixo e partindo no meio a sua cabeça.  Ao ver a cena, Royce ficou angustiado. Não seria fácil lidar com o Negro.

O mercenário olhou ao redor e depois voltou até o companheiro.

– É melhor ficar aqui. Volto para te buscar quando acabar com eles.

Royce assentiu e esperou Negro saltar as rochas ao fundo para seguí-lo. Sabia que o mercenário não voltaria para buscá-lo, portanto iria também e os pegaria de surpresa. Quando finalmente, após muito esforço, venceu a parede de rochas, se deparou com três Orcs mortos na entrada da mina. As cabeças separadas do corpo.

O velho retirou o punhal de dentro das calças e o empunhou, adentrando a mina com passos vacilantes, mas sempre em frente. Ouvia gritos humanos e rugidos de Orcs que faziam as suas pernas tremerem, mas continuou caminhando até chegar em uma pequena clareira onde encontrou Negro combatendo três criaturas enormes.

A destreza do mercenário era impressionante. Ao mesmo tempo em que desviava de um golpe de machado desferido por um Orc, ele golpeava com a sua espada e arrancava um braço ou uma perna das criaturas. Não havia dúvidas de que ele venceria aquela batalha. Royce então se atentou aos gritos humanos que pediam por socorro e vinham de um túnel ramificado.

Respirou fundo e penetrou ainda mais fundo na mina, indo por aquele túnel, logo encontrando um buraco no chão, tapado por algumas toras de madeira. Uma espécie de cela. Havia dois homens ali dentro, e um deles era o caolho.

– Socorro – gritava o caolho. – Por favor, senhor. Nos ajude. Nos tire daqui.

“ Ele não me reconheceu’’, pensou, Royce. “ Tem tanto medo que não me reconhece’’.

O velho precisava agir com frieza. Analisou as toras e encontrou a que podia ser removida por fora, criando a passagem para dentro da cela. Usando o máximo de força que ainda restava em seu corpo, empurrou uma pedra que segurava a ponta da tora e a rolou para o lado. O caolho, desesperado para sair dali, saltou e se agarrou na beira do buraco, conseguindo se arrastar para cima.

Quando parou na frente de Royce, o velho viu que o maldito que havia matado a sua filha havia sido consumido pelo medo. Estava nu, abatido e machucado, com arranhões no corpo e manchas amareladas na pele.

– O..obrigado – gaguejou o caolho. – Meu bom senhor.

Automaticamente, Royce respondeu erguendo o punhal e preparando o golpe certeiro que iria penetrar o peito daquele homem e destruir o seu coração. Mas no momento em que a sua mão iria descer e vingar a vida de sua filha, foi atingida por uma adaga que ele, Royce, conhecia muito bem.

A força do impacto na mão que já estava ferida o fez soltar o punhal e urrar de dor. Negro surgiu, retirou a adaga da mão de Royce e lhe chutou as costas, fazendo ele ir parar no chão.

– Eu pedi que reconsiderasse, velho.

– Maldito! – gritou, Royce. – Você não pode me impedir de vingar a minha filha.

Um brilho atravessou o único olho que restava do caolho.

– Espera aí… quem diabos sãos vocês – ele estava bastante agitado. – Eu acho que já vi você, velhote.

– Você matou a minha filha, desgraçado. E os seus amigos me fizeram de enfeite de árvore.

O caolho ainda estava bastante confuso e negou com um gesto de cabeça.

– Sua filha? Não… eu… eu não sei…

– Não importa – disse o Negro, e virando-se para o caolho, explicou a situação. – Eu vim para levá-lo de volta para Bygertown. De volta para os seus pais.

– Meus pais? Não… eu… não vou voltar…

Sem cerimônia, o mercenário acertou o homem com um violento soco na cara e um chute nas pernas. O caolho caiu e começou a chorar.

– Por favor, pare, pare. Está bem… pode me levar. Só me tire desse inferno.

– Onde estão os outros? – perguntou, Negro. – O seu bando?

– Mortos. Esses bichos mataram a todos. Só restaram eu e o Duske lá embaixo.

Negro deu uma olhada para o buraco e viu um homem extremamente machucado erguendo a mão, pedindo em silêncio para ser salvo.

– Esse já era – disse o Mercenário. – Deixemos que apodreça.

Negro agarrou o braço e a perna do caolho e o levantou, jogando o corpo do homem por cima de seus ombros. Em seguida, voltou-se para Royce.

– Estamos indo embora, velho. Não há mais Orcs por aqui. Você pode descansar um pouco e depois partir.

– Devo agradecer? – perguntou, Royce. – Você vai apodrecer no inferno, Negro. Você e esse desgraçado. Com sorte, os cavaleiros da realeza irão encontrá-los.

O mercenário encarou o velho e sem dizer mais nenhuma palavra foi embora.

Royce ficou ali, sozinho com o homem preso no buraco. Encostou a cabeça na parede e pediu perdão para a filha por não ter cumprido o seu papel de pai. Em meio as lágrimas e as forças que ele sentia abandonar o corpo, lembrou do período feliz em que trabalhou naquelas minas, e em como havia voltado ali para morrer.

E foi justo nesse momento que um lagarto de cristal surgiu de um buraco, parou na sua frente, apenas para que Royce pudesse contemplá-lo, e depois sumiu túnel adentro.

O velho entendeu a mensagem. Usando as suas últimas forças, rastejou para dentro da escuridão do túnel.

Rastejou para morrer ali.

***

Algum tempo depois, um homem que usava um tapa olho caminhava pelas ruas de Elaciile, uma das cidades costeiras da Ilha do Sol. Um lugar onde a força da realeza do continente não tinha poder nenhum, e onde ele podia viver o resto da vida com o dinheiro que os pais secretamente faziam chegar até ele.

Passava os dias na casa em que estava escondido, às vezes indo a algum bar ou a praia, para nadar. Na sua pele e alma, as marcas de coisas terríveis que haviam acontecido o tinham transformado em um homem calado, quieto, distante da loucura que sempre lhe fora comum.

Naquele dia, caminhando a passos lentos, ele lembrava novamente dos momentos de terror vividos na mina da montanha e agradeceu por estar distante daquela terra engolida pela violência e dominada por reis loucos, anões gananciosos, mercenários e criaturas monstruosas.

Chegando na humilde casa onde estava vivendo, agradeceu ao seu deus por estar em paz. Mas não estava atento ao movimento em suas costas. A adaga voou alguns metros em espantosa velocidade e atingiu em cheio a sua nuca.  O homem do tapa olho morreu na hora, caindo para trás e afundando ainda mais a lâmina em sua cabeça ao bater o cabo dela na calçada.

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30 comentários em “Sem piedade (Pedro Luna)

  1. André Lima dos Santos
    2 de abril de 2016

    Olá autor!
    Gostei do seu conto. Uma trama pouco elaborada, mas com uma resolução que me agradou. Os diálogos do conto são muito interessantes, assim como o humor sutil que o permeia. Gostei bastante da atenção que deu às identidades dos personagens, isso é algo que prezo bastante.

    Temos aqui mais um conto na estrutura narrativa clássica, com um incidente Incitante bem construído e com diálogos divertidos (O encontro do Negro com o Velho), um clímax bom (Batalha na Mina) e uma resolução que cumpriu a expectativa, narrando que o cavaleiro voltou para vingar a morte do Velho.

    Um conto muito bom, mas com muitos erros pela falta de revisão.

    Boa sorte no desafio!

  2. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    O começo é bom, ainda que cruel, algo que vai aumentando no decorrer do conto. As frases causam efeito, como “aproveite e morra” ou “deixemos que apodreça” . É mais um conto que lembra os tempos hiborianos, dá pra sentir a influência do Bárbaro da Ciméria. Fascinante a ideia de um lagarto de cristal. Os personagens são marcantes, bem construídos, vivos. Um conto bem tramado e bem desenvolvido, parabéns.

  3. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Sua escrita é afiada, muito boa mesmo. Tenho apenas duas considerações a fazer quanto à gramática:
    1. “Há alguns dias atrás…”: A forma “há” do verbo “haver” já indica tempo transcorrido. Portanto, o “atrás” é uma redundância. Deveria ter escrito “…há alguns dias…”.

    2. “…a aquela viagem…”: O ideal é fazer a contração entre os dois “as” e colocar o acento grave, ou seja, escreva “…àquela viagem…”
    Seu enredo é muitíssimo envolvente. Logo na cena inicial, você já lança o leitor em uma carnificina pavorosa. O que foi uma sacada inteligente, pois você usa palavras como “pau”, “cu” etc. Tem gente que se encabula com palavrões na literatura (há quem ache que “pau” e “cu” é palavrão. Eu, sinceramente, não acho. Palavrão é algo que você usa para ofender o outro. Dependendo da entonação, até “meu querido” vira ofensa). Mas, quando bem aplicados, palavrões ficam ótimos! A brutalidade da cena inicial foi tanta que as palavras de baixo calão acabam chocando menos os mais sensíveis. Coisa que vai te ajudar na nota final.
    Seus personagens são cativantes e convincentes, os diálogos são bem construídos e fluem com naturalidade. Outra coisa que gostei muito foi a situação de xeque que você criou ao dar ao velho e ao mercenário interesses diferentes. O leitor fica louco para saber o destino do caolho… Ora torcemos por Negro, ora pelo velho. Sinal de que você sabe muito bem construir uma trama. Valeu pela excelente leitura. Boa sorte.

    NOTA: 9,8

  4. Gustavo Aquino Dos Reis
    31 de março de 2016

    Visceral e com uma linguagem forte. Gostei. Porém, faltou mesmo uma história mais elaborada. O conto chega a empolgar quando o Negro diz que deve resgatar o próprio homem que assassinou a filha de Royce, porém a narrativa não se desenvolve. Achei que iria descambar para uma crise moral e etc. Infelizmente, não aconteceu.

    Porém, o autor(a) denota grande domínio nas descrições e na ambientação do conto.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  5. Rubem Cabral
    31 de março de 2016

    Olá, Lynx.

    É um bom conto: bem escrito e com um enredo bem fechado, com bons personagens também.

    Senti somente falta de mais novidades quanto ao cenário do mundo fantástico, pois aqui foi usado um clássico de RPG. A escrita, embora correta, não apresenta descrições ou metáforas interessantes.

    Nota: 8.

  6. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Muito bom o conto. Um dos poucos que li sem esforço, deixando que a narrativa me levasse sem maiores esforços. A maneira simples de narrar (simples, não simplória) ajudou bastante. Nesse ponto me lembrou o estilo do Stephen King, alheio a construções mirabolantes, mas com pegada suficiente para manter o interesse. A história de vingança, em meio a um mundo fantasioso ficou ótima. O Negro é um personagem cativante, uma espécie de Conan, o Bárbaro, que destrói qualquer coisa que apareça em sua frente. Royce não é menos cativante e todo leitor que se preze fica torcendo para que ele tenha sucesso em sua empreitada de vingar a morte da filha. Talvez eu suprimisse a parte final, contudo. Acho que um final seco, no estilo “a vida como ela é”, seria mais poderoso, mas entendo a opção do autor por fechar o ciclo. Ficou bom, de qualquer maneira. Enfim, um conto acima da média por aqui. Um dos que mais gostei, sem dúvida.

    Nota: 8,5

  7. Piscies
    30 de março de 2016

    Esse conto é uma mistura de Game of Thrones com Senhor dos Anéis dirigido por Quentin Tarantino. Gosto muito da crueza da narrativa e deste “realismo fantástico”, onde o leitor é inserido em um munto sem piedade (excelente título) e muito cruel… tal qual a nossa realidade. Deve ser por isso que gosto tanto deste estilo: acabo me identificando com o mundo, mesmo que ele seja mágico e cheio de criaturas fantásticas.

    A escrita do autor falha um pouco pela simplicidade: a repetição de muitas descrições às vezes cansa (como o buraco onde os humanos eram jogados pelos Orcs, por exemplo), mas isto é eclipsado pela imersão que o conto dá ao leitor, narrando detalhes pitorescos mas que nos fazem entrar de cabeça na história, tais quais observadores reais. Gostei de detalhes da fauna fantástica, como os lagartos de cristal, e dos orcs e seus rituais sanguinolentos. Muito interessantes e originais!

    Primeiramente achei que o final não tinha muito a ver com a proposta “cruel” do conto. Mas, depois de pensar um pouco, notei que o final é aberto a interpretações propositalmente. Quem jogou a adaga: O mercenário que voltou com peso na consciência? O velho que conseguiu sobreviver? Ou um outro vilão qualquer contratado pelo rei para matar o caolho, demonstrando a crueldade do mundo narrado? Essa última é, inclusive, para mim, a opção que faz mais sentido na narrativa. O caolho se safou de uma graças às costas quentes que tinha, mas não pode se safar de todas. “O mundo dá voltas”…

    Enfim, um bom conto medieval, com descrições bem gráficas e cruas, uma mensagem no final e uma escrita de deixou só um pouquinho a desejar.

    Parabéns!

  8. Simoni Dário
    30 de março de 2016

    Olá Lynx
    Você escreve bem, o texto não cansa porque tem bastante ação, mas tirando os Orcs e lagartos de cristal, a história toda é forte para ser Fantasia, tendo você incluído palavrão inclusive no texto , além de violência brutal. Considero o tema Fantasia quando no uso da violência, esteja a mesma subentendida na história, e aqui ficou escancarada. O autor é talentoso, mas aqui creio eu não foi feliz com a escolha do enredo.
    Apesar da minha humilde opinião, dou os parabéns pela classificação.
    Bom desafio!

  9. Renan Bernardo
    29 de março de 2016

    Boa história! Apesar dos clichês, me instigou a ler mais. Gostei do desfecho. Encontrei alguns erros de falta de atenção na revisão, mas nada demais. Royce é um personagem bem cativante, assim como o Negro.

    Parabéns ao autor.

    Nota: 8

  10. phillipklem
    29 de março de 2016

    Boa tarde.
    Você escreve muito bem. É fácil e agradável de se ler e, apesar de não ter gostado muito da história, gostei do conto de modo geral.
    Os personagens não estão muito rasos. O menos explorado é o Negro, mas ele não exige muito aprofundamento, suas razões são profissionais e pronto.
    Quem foi que matou o caolho, afinal? Foi o Negro? Ele bem que tinha prometido ao velho que faria a vingança. Essa parte ficou meio no ar, mas foi o que eu entendi, estou certo?
    Enfim, é um bom conto e você tem um belo jeito pra escrita.
    Boa sorte.

  11. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Lynx, seu conto é o décimo que avalio na etapa final.

    Observações: gostei do ritmo da narrativa, do modo despreocupado como ela segue, mantendo o foco na trama. O conto equilibra bem a adequação ao tema, o desenvolvimento dos personagens, do cenário e a elaboração do enredo. Não é uma história imprevisível, o título já indica a tragédia constante. A habilidade com que a desenvolve, trabalhando o foco do leitor, é que a torna interessante.

    Destaques: como dito, o ritmo dinâmico da narrativa é um ponto positivo do conto. O carisma do velho é outro, assim como a maneira como mistura sentimentos nobres a desejos vis de ódio e vingança. Gosto deste tipo de história que explora as falhas do humano, mais do que das que tentam criar pessoas sem defeitos.

    Sugestões de melhoria: sugiro uma revisão quanto ao uso de crase. Quanto ao enredo, está bem fechado. Acho que o máximo que poderia melhorar seria o sentimento do velho quanto à sua família, ou mesmo quanto à filha estuprada. Achei meio superficial neste aspecto (o desgraçado matou minha filha, vou pegar umas ataduras aqui e a gente vai atrás dele… Enterrar? Já ta morta, foda-se, deixa aí, partiu). No mais, é um bom conto.

    Parabéns pelo conto. Boa sorte.

  12. catarinacunha2015
    28 de março de 2016

    O COMEÇO desperta curiosidade. A VIAGEM não me convenceu porque o FLUXO é lento e pouco criativo. Parei a leitura três vezes e precisei retomar com esforço. O FINAL é muito bom. 7

  13. Rodrigues
    27 de março de 2016

    O melhor desse conto é a relação construída entre Negro e Royce, uma parceria bastante realista dentro deste cenário de ódio e sem misericórdia, eles parecem dividir a mesma sina e, talvez, por saberem que apenas um destino trágico pode encontrá-los, ajudam-se por um momento, e é nesse momento que cristaliza-se o que de melhor o texto oferece. A saga passa uma impressão meio horse-movie, as andanças são interessante, mas algumas partes e diálogos podem ser cortados para que a velocidade aumente. A última parte me pareceu estranha, mas não chega a ser ruim. Achei bom.

  14. Anorkinda Neide
    25 de março de 2016

    OLá!
    Temos um bom conto aqui.
    Mas que em certo ponto, da viagem dos dois inusitados aventureiros, ficou cansativo, pra mim….
    Mas é uma historia boa, que teve a meu ver um final previsível, embora esteja aberta à interpretação sobre o autor da facada voadora.
    .
    Foi um conto eficiente. Parabens, mereceu a classificação!
    Abraço

  15. Fabio Baptista
    24 de março de 2016

    Na fase de grupos eu dei uma olhada nesse texto, para “analisar a concorrência” e o primeiro parágrafo me deixou com uma péssima impressão, tanto que não imaginei que passaria de fase.

    Porém, lendo o conto completo agora, acabei me surpreendendo – é um conto bastante divertido. A história é bastante linear e sem surpresas, mas bem contada, com elementos “diferentes” dentro do tema, como os palavrões e as descrições mais detalhadas da violência.

    Achei que o final ficou legal, funcionou como um bom epílogo.

    – presos em uma pequeno buraco
    >>> um

    – amputado homem
    – grossos lábios
    >>> esses adjetivos antes do substantivo me incomodam um pouco

    – pregadas a árvore por meio de pregos
    >>> “pregadas” já deixou o resto subentendido

    – Mas e quanto a criança?
    >>> à

    – deixo que você enfie um pedaço de madeira em seu cu
    >>> usaria: “no cu dele”

    – Nos tempos antigos, homens brigariam por um destes
    >>> Tinha acabado de falar que eram comuns…

    – fornecer ao outro algumas explicações
    >>> O diálogo a seguir ficou meio didático. E também inverossímil. Negro, até então de poucas palavras, contou tudo como se fossem melhores amigos.

    – A montanha que ficava próxima as colinas verdes
    >>> às

    – Quando chegaram as rochas cinzentas
    >>> às

    – Em meio as lágrimas e as forças
    >>> às (2x)

    – ao movimento em suas costas
    >>> “às suas costas” ficaria melhor

    NOTA: 8

  16. Carlucci Sampayo
    24 de março de 2016

    Avalio que o título do conto está bem justificado em todo o enredo, pois o texto contém elementos de selvageria e destruição narrados de forma contundente, atingindo o leitor em seu significado. Indicaria eliminar certas expressões chulas, a fim de que o texto possa ser mais esteticamente bem resolvido, ainda que haja a violência em todo ele. Cenas de luta e a busca de um mercenário por outro e a inserção do velho que tenta vingar a morte da filha e não consegue são cenas que parecem ser parte de um anti clímax, mas ainda assim válidas no contexto geral do enredo proposto pelo autor. Um tema forte, muita movimentação e enfim, a história tem seu conteúdo denso. Nota 7

  17. Pedro Teixeira
    23 de março de 2016

    Olá, autor(a)! Conto muito bom, com um enredo amalucado que poderia muito bem ser o roteiro de Quentin Tarantino para um filme de fantasia. Gostei do climão quase de faroeste, com o velho e sua busca por vingança, e o mercenário;são personagens bem construídos e convincentes. Os diálogos funcionam bem, com exceção de algumas poucas coisas esquisitas, como ” resolveram virar um bando maluco de saqueadores”. Achei que o final não ficou tão quanto eu esperava, acho que ficaria melhor sem as cenas do caolho na ilha. De qualquer maneira, é um dos melhores que li até agora, trama doidona e criativa que lembra autores como Alan Moore, Garth Ennis e Tarantino. Parabéns pela participação!

    • Pedro Luna
      3 de abril de 2016

      ”resolveram virar um bando maluco de saqueadores”

      HAHAHAHA. Agora que reli isso ficou mesmo bem esquisito e engraçado. ^^

  18. Laís Helena
    21 de março de 2016

    Narrativa (1/2)
    Sua escrita é boa, salvo alguns pequenos deslizes, como crases faltantes e vírgulas fora de lugar. Em alguns pontos, a narrativa podia ser mais detalhada, mostrando mais o ambiente e as sensações e sentimentos dos personagens.

    Enredo (1/2)
    Não vi nada de mais no enredo. Praticamente tudo segue de acordo com os planos dos personagens, sem nenhuma surpresa. Para mim, infelizmente, esse foi mais um conto de vingança.

    Personagens (1/2)
    Senti falta de maior aprofundamento nos personagens. Royce é só mais uma pessoa querendo vingança, Negro é só mais um mercenário, o caolho só mais um bandido. São personagens que, se tivessem uma caracterização melhore motivações mais aprofundadas, talvez fossem bem mais interessantes.

    Caracterização (1,5/2)
    Para um conto, a caracterização do universo até foi satisfatória. Poucos elementos são apresentados, mas não de forma que o conjunto pareça uma reunião aleatória criada apenas para este conto.

    Criatividade (0,5/2)
    Meu maior problema com este conto foram os personagens e o enredo. Eu não me importo com um ou outro elemento batido (como os orcs) se os personagens e o enredo (e, claro, a escrita) forem bons, mas infelizmente terminei seu conto com a sensação de que foi apenas mais um, sem nada que despertasse muito o meu interesse.

    Total: 5

  19. Bernardo Stamato
    18 de março de 2016

    Os diálogos são fracos, a única personalidade demonstrada foram palavrões que acabaram totalmente deslocados na narrativa, sem contribuir para o desenvolvimento do personagem.

    O conto é divertido, mas o final é frustrante. O velho não conseguiu o que queria, nada é dito sobre o que aconteceu com o Negro e o caolho foi parar num lugar novo, em condições novas, nada é explicado sobre como ou por quê ele foi parar ali e ele simplesmente morre. Se a intenção era inovar, podia ao menos deixar claro o que aconteceu com cada um dos personagens.

    Nota 5.

  20. Leonardo Jardim
    18 de março de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa e visceral. Lembrou um pouco o clima medieval cruel de George R.R. Martin. As informações foram lançadas em cenas bem construídas, como a introdução do lagarto de cristal. A última cena me deixou algumas dúvidas, mas interpretei que Royce contratou Negro para matar o caolho, pois não acredito que o velho tivesse capacidade de matar daquela forma (atirando uma adaga). Nesse caso, porém, ficou faltando uma explicação de como ele conseguiu o dinheiro para isso.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, daqueles textos que a imersão é tão grande que nem percebemos a narrativa. Isso é ótimo, mas senti falta de uma ou outra figura de liguagem mais elaborada. Não é obrigatório, mas torna o texto mais bonito de se ler.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): esse é um daqueles textos que parece que já li em algum lugar. Ocorre que, apesar de ser uma boa história e muito bem contada, não possui nada muito novo no gênero.

    🎯 Tema (⭐⭐): fantasia clássica!

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é bom e divertido, mas o impacto não é dos mais fortes, pois eu previ que no fim ele sobreviveria e teria sua vingança. Esse final não estragou o texto, mas diminuiu o impacto.

  21. Daniel Martins
    18 de março de 2016

    Conto típico dos livros de RPG, com orcs e mercenário. Bem escrito, com tempos alternados e bem estruturado.
    Alguns errinhos de português e pontuação que podem ser corrigidos numa revisão.
    Gostei do cavaleiro negro até no nome, mas fiquei um pouco desapontado com o final. O autor queria fazer um
    plot twist mas não executou bem a técnica.
    8,5

  22. ram9000
    18 de março de 2016

    Este é um conto muito bom. O enredo prende o leitor desde o começo com suas descrições cruéis e violentas, em uma narrativa que transmite bem a ideia de vingança durante toda a história. Os dois personagens principais são cativantes e travam bons diálogos. O conto tem um sabor que mescla muito bem os elementos de fantasia com spaghetti western. A cena da crucificação tem um clima bem Tarantinesco.

  23. Thomás Bertozzi
    17 de março de 2016

    Excelente enredo e ritmo. Personagens fortes. Violência em boa medida e nos momentos certos.
    Parabéns!

  24. vitormcleite
    16 de março de 2016

    História bem contada mas que não passa da luta do bem e do mal e a procura de vingança. Só lamento isso, mas está uma história bem estruturada e resta dar os parabéns e votos para que passes para a segunda fase.

  25. Evandro Furtado
    16 de março de 2016

    Que fodaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Muito, mas muito Tarantino isso. Consegui ver um filme inteiro nesse conto, cara. Que fantástico. Há alguns probleminhas com o uso de crase, mas dane-se. A história é tão boa que vou deixar isso pra lá.

  26. Eduardo Velázquez
    14 de março de 2016

    Bom texto. Adéqua-se ao tema. Nada a reclamar da gramática. História interessante. Faltou uma piada com o fato do homem negro se chamar Negro, mas isso é só uma opinião pessoal. O final ficou bem legal. Nota: 7,5.

  27. Davenir Viganon
    11 de março de 2016

    Olá Lynx
    A história é muito boa, os interesses conflitantes dos personagens que você bolou ficou sensacional, para mim foi o que mais gostei no conto. É cheio de ação e coisas acontecem o tempo todo. A escrita fluiu bem e me fez ler avidamente para saber o que aconteceria no final que correspondeu aquela sedinha de vingança que o Royce nos desperta. A adequação ao tema é bastante evidente, Fantasia com F maiúsculo.
    O personagem Royce ficou muito vívido e tem um aspecto que achei muito interessante: um cara crucificado que sobrevive e busca vingança. Uma inversão de Jesus? Porém Negro… Não gostei da escolha deste nome. O cara é um mercenário, porque teria um nome que o despersonalizasse assim? Seja como for, pelo espaço que ocupa na história, ele poderia ter mais personalidade, algo mais do que apenas suas habilidades e sua missão.

  28. JULIANA CALAFANGE
    10 de março de 2016

    conto muito criativo, cheio de reviravoltas, ótimo timing, e a linguagem fluida, clara, parece q eu estava assistindo um filme. Personagens envolventes e bem construídos. A gente vai lendo e querendo saber como termina. E aí está o problema. Eu gostaria de ter pelo menos uma pista de quem matou o caolho. Senão vou ficar pensando que fui eu… rs Parabéns!!!

  29. Brian Oliveira Lancaster
    8 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Atmosfera bem construída, medieval, com toques de Tolkien em várias partes, apesar de focar num evento específico. – 8
    G: Não sou muito de textos viscerais, mas os diálogos tornaram tudo mais interessante. São personagens bem distintos, que constroem o cenário enquanto conversam. Boa sacada. A divisão em três partes também caiu bem. O suspense e a trama prenderam a atenção até o fim. – 8
    R: A única coisa que me incomodou foi a repetição em certas partes de títulos e descrições. Como no início, podia ter usado Orc apenas uma vez, e depois utilizar sinônimos, como “dele”, a “criatura”, o “horror bípede”, coisas assim. Nada que uma revisão não conserte. – 8
    O: Escrita simples, fluente, com algumas construções estranhas, mas no geral bem definida. Os diálogos convencem. – 8
    [8,0]

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 2 e marcado .