EntreContos

Detox Literário.

Ponte para Faye (Eduardo Velázquez)

Sangue quente e fresco escorria por entre os elos de metal da cota de malha do cavaleiro. O corte em seu braço era largo e profundo. O homem ofegava como se tivesse corrido por quilômetros. Seus pulmões queimavam como brasas, sedentos por mais oxigênio.

Ele se apoiou no beiral da ponte de madeira enquanto olhava impotente seu assaltante avançar em sua direção. O machado do nórdico desceu sobre o escudo rachado do cavaleiro bretão com uma força implacável. O escudo se quebrou por completo e o homem ferido foi impelido além da ponte, caindo nas águas gélidas do rio.

O cavaleiro não tinha mais forças para nadar e, mesmo que tivesse, seria inútil, pois o peso da armadura e da cota de malha afundavam-no como uma âncora. Calmamente ele aceitou o fato de que a misericórdia mostrada pelo machado do viking não seria mostrada também pelas frias águas que o rodeava. Uma única pergunta cruzou sua mente no final: por que o fundo do rio, que seria agora sua tumba, brilhava mais que o próprio céu visto através das turbulentas águas?

 

O cavaleiro acordou ofegante. Uma pontada de dor vinda de seu braço direito o fez gemer. Ele olhou para o membro enfaixado e perguntou-se onde estava. Olhou em volta. O lugar parecia o quarto de uma pequena cabana de madeira, mas seu interior era arredondado e as paredes pareciam com o tronco de uma árvore coberta em parte por musgos. Os móveis eram simples e pequenos. Olhou com mais cuidado e percebeu que a cama onde se deitava também era minúscula e que seus pés ultrapassavam o final dela por pouco mais de trinta centímetros.

O homem sentou-se confuso. Foi quando percebeu que estava sendo observado por alguém escondendo-se parcialmente por trás da porta semiaberta. Uma jovem mulher.

– Olá… – ele disse com a voz rouca.

A jovem sorriu e entrou por completo no quarto, surpreendendo o cavaleiro. Ela tinha pouco mais de um metro e meio de altura e sua pele era de um moreno acobreado belíssimo. Seus cabelos eram arrepiados e curtos, quase tocavam seus ombros. Negros como a noite. As orelhas pontudas se sobressaiam sobre o emaranhado de fios. Usava um leve vestido alaranjado sem mangas e estava descalça. Seus olhos eram da cor do fogo e fitavam o homem com uma curiosidade quase doentia.

Tudo isso surpreenderia o cavaleiro de qualquer maneira, mas foi o fato de ela entrar no quarto voando que o deixou embasbacado.

– Olá! – ela respondeu o homem que até já se esquecera de ter falado algo.

Várias perguntas passaram pela cabeça dele. Tudo que disse foi:

– Olá…

– Olá! – ela respondeu novamente com um grande sorriso, suas asas transparentes ainda batendo como as de uma libélula.

– O que é você? – ele conseguiu perguntar.

– Eu me chamo Faye. E você?

– Christian… Não, não foi isso que eu quis dizer. O QUE é você? – ele repetiu com mais ênfase.

– Ah! Eu sou uma fada.

– Mas fadas não existem…

– Humanos! – uma voz ranzinza veio detrás da garota.

Uma velha com vestimentas escuras mancou para dentro do quarto se apoiando em um pequeno cajado. Tinha feições parecidas com as da garota, mas era menor e sua pele era bem mais clara. Parecia ter cerca de oitenta anos. Asas transparentes como as da jovem podiam ser vistas saindo de suas costas, mas estavam caídas e não pareciam fortes o suficiente para levantá-la do chão. A velha continuou:

– Céticos! Todos vocês! Veem uma fada voando diante de seus olhos e tudo que conseguem dizer é: “fadas não existem” – ela o imitou com uma voz zombeteira.

– Desculpe, mas… – o homem começou a falar, mas parou quando a velha levantou a mão o detendo.

– Não importa – ela se virou para a garota. – Faye, vá buscar comida e água.

A garota acenou e saiu voando. Logo depois voltou com uma bandeja repleta de frutas nunca vistas pelo cavaleiro e um jarro de barro cheio d’água. O homem comeu as frutas experimentando seus diferentes sabores e bebeu diretamente no jarro, que era praticamente uma caneca para ele.

– Obrigado – ele agradeceu. Comer o deixou mais calmo e o fez lembrar de uma pergunta importante. – O que aconteceu?

– Você estava no fundo do rio quando eu te encontrei – a jovem falou. – Sua armadura reluziu ao sol e eu te resgatei. Você é pesado – ela ainda sorria. – Ah! E minha vó te curou. Você tem sorte. Sem a magia dela você teria perdido o braço inteiro.

Nesse momento Christian se lembrou da luta na ponte.

– O que aconteceu com o grupo de soldados que estavam comigo?

A velha respondeu:

– Não sabemos do que você está falando. É mais fácil eu lhe mostrar do que explicar o porquê. Venha – e saiu do quarto.

O cavaleiro se levantou deixando as cobertas caírem e só então percebeu que estava nu. A jovem fada corou e tapou os olhos, inutilmente já que deixara enormes frestas entre seus dedos para poder enxergar a cena. O homem se cobriu novamente, dizendo:

– Acho que estou sem roupas.

– Eu também acho – a jovem disse ainda espiando o homem. Logo depois entendeu o que ele quis dizer e buscou as vestes que ele usava por baixo da armadura, agora lavadas.

– Ainda estão um pouco úmidas, mas vão secar com o calor do seu corpo – Faye disse ao entregá-las ao cavaleiro. Depois saiu do quarto.

Christian se vestiu e seguiu para fora. Ao sair da casa entendeu porque a achou tão diferente. Ela era esculpida no tronco de uma velha e grande árvore. Desceu as escadas de pedra e se encontrou com a velha. Já ia dizer algo quando olhou em volta e perdeu a fala.

Não estava mais na Escandinávia, isso era certeza. Era inverno de onde vinha, mas o lugar onde estava agora se encontrava repleto de vida. O sol brilhava forte e havia verde e flores por todos os lados. O rio, logo ao lado da cabana na árvore, reluzia cristalino.

– Onde estou? – ele perguntou boquiaberto.

– Você está em Alfheim – a velha lhe respondeu. – O Reino das Fadas.

Christian ainda não podia acreditar. Alfheim era só um mito pagão, uma lenda nórdica, mas ali estava.

– Faye – a velha gritou. – Leve o rapaz até Titânia. Ela disse que desejava vê-lo quando acordasse. E ela poderá lhe explicar tudo que não podemos.

A jovem fada concordou e pegou o rapaz pela mão. Enquanto a mulher o guiava, ele observava tudo. Havia fadas e elfos por todos os lados, de todos os tamanhos e realizando as mais diferentes tarefas. Colhiam flores e frutas, aravam a terra, cuidavam de plantas e animais, construíam novas casas. Gnomos brincavam na terra, Ondinas deslizavam sobre as águas, Silfos flutuavam no ar e Salamandras simplesmente queimavam como o próprio fogo.

Caminharam por uma estrada feita de pedras durante alguns minutos. Neste meio tempo o rapaz pôde reparar olhares estranhos e mal-encarados em sua direção. Não se surpreendeu com isso, afinal, era um humano em meio a fadas.

Ao chegarem a seu destino, Christian parou de ficar encabulado olhando para os lados, para ficar encabulado olhando para cima. À sua frente se encontrava a maior e mais frondosa árvore que já vira. Era um freixo com dezenas de metros de altura. Sua copa abrangia um grande espaço, cobrindo uma área descomunal com sombra. Logo na sua base havia uma porta e ele percebeu que, como várias outras, aquela árvore também era usada como a moradia de alguém.

– Bonita, não é? – Faye perguntou voando a sua volta. – Essa é Yggdrasil. É a morada de Titânia.

– Quem é Titânia? – o cavaleiro perguntou curioso.

Nesse momento a porta na base da grande árvore se abriu. A elfa que saiu de dentro fascinou Christian de uma forma que nem Faye havia feito. Possuía aproximadamente dois metros, o que fazia dela praticamente uma gigante perto de qualquer outra criatura ali. Seus cabelos eram absurdamente longos, quase tocavam o chão e tinham uma cor clara que ficava entre o ouro e a prata. Sua pele tinha a cor da neve. Suas orelhas eram pontudas. Usava um vestido branco justo que modelava seu corpo esguio. Mas o que mais impressionou Christian foram seus olhos. Brancos. Sem íris ou pupila. Apenas brancos como a névoa. Ela o encarou com aqueles dois orbes alvos e era como se pudesse ver através de sua alma.

– Então você é o humano de que ouvi falar. Como se chama? – a elfa falou com uma voz dualizada e serena, quase hipnótica.

O cavaleiro ainda estava em transe e foi necessário um cutucão de Faye para acordá-lo.

– C-Christian, vossa majestade – ele fez uma mesura.

A elfa levou um dedo à boca segurando um risinho.

– Por mais que este lugar seja chamado de Reino das Fadas, eu não sou nenhuma rainha, Christian – ela o corrigiu. – Sou uma líder espiritual, uma sacerdotisa, uma conselheira. Chame-me de Titânia. Agora… Imagino que tenha perguntas.

– Sim, Titânia. Como cheguei aqui? E como volto para minha terra?

– Primeiro conte-me onde estava antes de vir para cá – a elfa pediu.

– Bem… Sou um soldado bretão. Eu e meu pelotão estávamos fazendo uma incursão em território escandinavo para reconhecimento quando fomos atacados por nórdicos ao atravessar uma ponte. Fui ferido e derrubado no rio. Depois acordei aqui.

– Hum… – Titânia levou a mão ao queixo. – Entendo. Christian, o que você talvez pense ser azar foi a maior sorte que podia lhe acontecer. Veja bem, o único rio que liga essa região onde você estava à Alfheim é chamado de Rio dos Elfos por nós. E de tempos em tempos um portal, ou ponte, surge neste exato local ligando Mannheim, seu mundo, à Alfheim. Quando você caiu no rio, deve ter afundado por completo e entrado pela abertura chegando assim aqui. É muito provável que se não houvesse acontecido isso você estaria morto.

Christian estava pasmo. Para ele toda aquela história parecia ter saído de um conto de fadas. O homem parou por um momento olhando a fada parada no ar ao seu lado e a elfa à sua frente e percebeu como seu pensamento era estúpido. Obviamente aquilo era um conto de fadas e ele o estava vivenciando.

– E é possível voltar para minha terra? – ele perguntou sem esperanças.

– Sim – a elfa respondeu. – Mas talvez essa não seja a melhor escolha a se fazer.

– Por quê? – o cavaleiro perguntou quase ofendido.

Titânia o observou mais uma vez com aqueles olhos enevoados. Novamente Christian sentiu seu âmago sendo encarado por ela. A verdade não era muito diferente. A elfa tinha algo para contar ao cavaleiro, mas tinha de confirmar se ele realmente precisava saber daquilo. Se ele realmente acreditaria em suas palavras. A resposta foi não e por isso ela guardou a informação para si.

– Você saberá a razão disso quando chegar a hora de partir.

– E quando será isso? – o homem perguntou ansioso.

– Daqui a um ano – a elfa respondeu resoluta.

– O que? – gritou o cavaleiro. – Eu não posso ficar por um ano aqui. Tenho meu reino para defender. Você tem de entender, Titânia!

– Eu entendo – ela respondeu no mesmo tom dualizado. – Mas não há nada que eu possa fazer. Existem incontáveis portais que podem ser usados pelos faeries, os habitantes de Alfheim, para ir à Mannheim, mas pouquíssimos que podem ser atravessados por humanos. Estes geralmente ficam escondidos em sua terra no fundo de rios ou lagos ou em cavernas e só se abrem durante uma época muito especial do nosso ano. Durante a Floração de Yggdrasil. Olhe a seus pés.

Christian baixou o olhar para o chão entendendo o que Titânia queria dizer. O chão estava repleto de flores já murchas. Ele se agachou pegando uma e a olhou. Tinha a mesma cor dos cabelos da elfa. Ele se perguntou se aquilo era uma coincidência.

– A floração ocorreu ontem. No mesmo dia que você chegou – a elfa continuou. – Ela ocorre apenas uma vez no ano e durante apenas um dia. A próxima será daqui a exatamente um ano menos um dia.

Christian fitou Titânia, depois a árvore deflorada e por último a flor em sua mão. Não queria acreditar na elfa, mas qual outra escolha tinha? Aceitou seu destino. Só podia esperar. A guerra não iria a lugar nenhum em apenas um ano. Ele não estaria desertando sua terra. Seria apenas uma dificuldade momentânea.

– Muito bem. Esperarei até o dia da floração e então irei para casa – pensou um pouco. – Mas até lá o que eu faço?

– Ora, humano de Mannheim. Viva – ela sorriu. – Você tem minha permissão e proteção para viver entre o povo de Alfheim o quanto achar necessário – logo depois olhou para a fada ao lado de Christian. – Faye, não é?

Faye, que só estava ouvindo até agora, se sobressaltou por ser chamada por Titânia, que se dirigira diretamente a ela pouquíssimas vezes em sua vida.

– S-S-Sim… Senhora Titânia – ela gaguejou.

A elfa não pôde evitar sorrir novamente.

– Apenas Titânia, por favor. Foi você quem salvou nosso convidado aqui, estou certa?

Faye apenas acenou.

– Se importaria em abrigá-lo até o momento de sua partida?

– Sim… Quero dizer não… Não me importo… Eu abrigo ele – finalmente falou.

– Muito bem. Christian aproxime-se – a elfa pediu ao homem que o fez. Ela então sussurrou em seu ouvido. – Eu devo lhe avisar uma coisa. Nenhum faerie irá lhe fazer mal, pois você está sobre minha proteção, mas… Nem mesmo nosso mundo é perfeito e existe preconceito mesmo entre meu povo, principalmente com humanos. Por favor, perdoe qualquer insolência que você ouvir durante este ano por parte de qualquer faerie.

– Eu entendo – Christian já esperava aquilo de qualquer maneira.

– Você também descobrirá que é por esse mesmo motivo que lhe coloquei junto de Faye.

– O que quer dizer? – ele perguntou confuso.

– Pergunte à velha Pixie, a avó da garota – a elfa sorriu e então seguiu para a porta de sua morada.

– Espere, Titânia – Christian gritou.

– Sim? – ela perguntou pacientemente.

– Há algo me incomodando desde que cheguei aqui – ele procurou as palavras certas. – Eu… Eu sou um cristão. Sempre fui. Meus sacerdotes exaltam nossa religião e rebaixam as outras a rituais pagãos. E justo agora estou em Alfheim, um dos mitos pagãos que tanto desacreditei. Titânia responda-me: a minha religião está errada?

A elfa sorriu admirando a coragem e a fé do homem.

– Não, Christian – ela disse resoluta. – O errado é o fato dos humanos acreditarem que apenas uma crença deve estar correta – e a elfa se retirou para seus aposentos sem mais uma palavra.

O cavaleiro e a fada voltaram para a cabana de Pixie. Faye dessa vez foi voando à frente sentindo-se muito feliz por ter falado com Titânia e por ter um novo amigo. Christian agora pôde então perceber que nem todos os olhares de desgosto, como pensara antes, eram dirigidos para ele. Faye também era um alvo.

Ao chegar à cabana foi diretamente falar com a velha.

– Parece que vou ficar com vocês por um tempo. Será um problema, minha senhora?

– Ora, claro que não – ela respondeu. – Já esperava por isso mesmo. E me chame de vovó. Você mora conosco agora.

– Sei… Avó Pixie…

– Vovó! – a velha insistiu com uma cara feia.

– Vovó Pixie – o cavaleiro cedeu. – Preciso falar com a senhora… A sós.

A velha mandou Faye para dentro da cabana, para preparar mais comida. Christian então falou:

– Titânia me disse que Faye… Que ela… Ela tem certos problemas com os outros faeries. Por quê?

– Isso é porque ela é uma mestiça.

– Mestiça? – o homem perguntou surpreso.

– Sim. Sua mãe era uma fada e seu pai um elfo-negro. Ela nasceu muito grande para uma fada e com a pele cor de cobre dos elfos-negros. Foi rejeitada pelos outros desde seu nascimento.

– E seus pais?

– O pai morreu numa batalha contra orcs invasores. A mãe ao dar à luz – a velha suspirou ao lembrar-se da filha. – Faye teve muito azar, desde pequena. Foi uma benção dos deuses ela se tornar uma menina tão boa assim. Sempre descontraída e com um sorriso no rosto.

Christian sabia que aquilo era verdade. Desde o início percebera que a fada era diferente e também se interessara por sua personalidade. Não havia muitas pessoas tão sinceras quanto ela no mundo, humano ou não. Esperava que não houvesse problemas para ele ou a fada.

 

A resposta veio no dia seguinte. Enquanto os dois estendiam algumas roupas no varal uma pedra foi acertada perto de Faye. Christian viu duas fadas crianças, uma menina e um menino, arremessando mais uma vez, agora em sua direção. Ele agarrou a pedra no ar e se aproximou delas.

– Por que estão fazendo isso? – ele gritou.

– Ela é uma meia-elfa – uma das fadas respondeu.

– E você é um humano – a outra completou.

– Parem com isso agora! – o homem ralhou com eles. – E não voltem aqui.

– Não temos medo de você! – a menina o desafiou.

– É? Mas deviam.

– Por quê? – o menino perguntou.

– Porque eu adoro comer fadinhas no café da manhã! – Christian gritou enquanto corria atrás deles e os espantava.

Logo depois voltou sorrindo para Faye. A fada se aproximou tristonha e encostou-se em seu peito. O coração do homem disparou subitamente. Ela ergueu os olhos quase em lágrimas e perguntou:

– Christian, é verdade?

– O quê? – o homem engoliu em seco.

– Você come fadinhas no café da manhã?

O cavaleiro levou a mão ao rosto e suspirou. A jovem era a definição da inocência.

– Vamos voltar ao trabalho – ele disse se divertindo com a situação.

– No almoço então? – a fada ainda insistia.

– Vamos Faye – ele a pegou pela mão e a guiou de volta.

– No jantar?

Aquilo lhe mostrou o que Faye passava todos os dias sendo uma mestiça. Aquele pequeno incidente cimentou algo em seu coração: ele gostava de Faye e pelo próximo ano iria protegê-la.

 

O ano passou mais rápido que o esperado. O fato de não haver estações além da primavera em Alfheim fazia o tempo passar despercebido. Christian ocupou-se como podia. Trabalhava quase todos os dias fazendo de tudo. Lavava, arava os campos, plantava, cozinhava, consertava coisas, colhia frutas e cogumelos, cuidava dos animais. Tudo isso em companhia de Faye. Aprendeu muito com ela e com Pixie sobre o reino e sobre os faeries.

Mas a atividade que ele mais gostava era explorar Alfheim junto à fada. Conhecer novos lugares, faeries, animais, plantas e várias outras coisas com as quais nunca havia sonhado. A companhia de Faye fazia tudo mais especial. E os maus tratos que ela sofria por ser uma mestiça diminuíram muito quando surgiu o boato de que a jovem tinha um guardião que comia fadinhas no café.

Faltando dois meses para a floração ele se viu gostando dela. Mais do que antes. Mais do que qualquer outra pessoa. Ele só queria vê-la sorrir. E mais importante: ele achava que o sentimento era mútuo.

 

Finalmente o dia da Floração de Yggdrasil chegou e Christian tinha algo a decidir. Algo que nunca passara pela sua cabeça um ano atrás. Será que ele realmente precisava voltar para seu mundo? Tinha de ser agora? Talvez não fizesse mal esperar mais um ano.

Seus pensamentos foram interrompidos quando Pixie que estava fora da cabana o chamou. O homem desceu as escadas sendo seguido por Faye e dando de cara com Titânia, o que deixou ambos desconcertados. Não era todo dia que se recebia a visita da faerie mais importante do reino.

– Chegou o dia – a elfa disse em sua voz hipnótica. – Está pronto?

– Sim – o cavaleiro tentou não gaguejar.

Titânia percebeu isso, assim como percebia tudo.

– Tem certeza? Seu coração parece estar inquieto.

– Estou bem.

– Muito bem. O dia da floração chegou e neste instante o portal para Mannheim está aberto. Agora, Christian, há um ano eu lhe disse algo que o deixou apreensivo, você se lembra do quê?

Ele se lembrava.

– Você me disse que voltar para minha terra talvez não fosse a melhor escolha. Também me disse que hoje me contaria a razão disso.

– Sim – a elfa hesitou um pouco, coisa que o homem nunca achara ser possível. – Em seu mundo os humanos acreditam que nós faeries somos imortais. Isso não é verdade. O tempo apenas passa de forma diferente aqui em Alfheim. Eu tenho duzentos e trinta e dois anos, mas vi sua espécie nascer e crescer desde os primórdios.

Christian estava confuso. Muito confuso. O que Titânia dizia parecia fazer sentido e ser insano ao mesmo tempo.

– E-Eu não estou entendendo – ele gaguejou.

– Christian – a elfa firmou a voz. – O que estou lhe dizendo é que esse ano que você passou aqui, correspondeu a um milênio em seu mundo.

O homem estacou incrédulo. Mil anos? Isso era impossível. Isso queria dizer que tudo que conhecia estava acabado. Sua família, seus amigos, seu rei. Tudo. Uma ira quase incontrolável tomou conta de seu corpo.

– Titânia, você mentiu para mim! – ele cuspia as palavras. – Você nunca me disse isso. Por que você não me contou? Por que você me deu esperanças?

A elfa permanecia serena diante daquele mar de fúria.

– Christian, você mudou muito desde que chegou aqui. Conheceu muitas coisas novas com as quais nunca sonhara. Responda-me sinceramente: se há um ano eu tivesse lhe dito isso, você acreditaria?

O cavaleiro queria gritar que sim, mas a mera presença da elfa o fazia incapaz de mentir. Ele sabia que não acreditaria. Ele sabia que teria de ver por si mesmo. Ele ficou em silencio e isso foi resposta o suficiente para ela.

– Desde quando chegou seu destino já estava selado – ela continuou. – Durante este ano eu apenas quis lhe mostrar que existem novos motivos para se viver – Titânia apontou para Faye e Pixie.

Christian olhou para as duas fadas se sentindo envergonhado. Esquecera completamente delas em sua raiva. Elas que salvaram sua vida. Elas que o acolheram durante o último ano. Lembrara que procurava um motivo para ficar antes da revelação e agora ali estava ele procurando um motivo para deixar aquele lugar.

– E agora? – ele perguntou.

– Ora, humano de Mannheim. Viva – ela sorriu. – Viva conosco.

O cavaleiro pensou um pouco. Pensou só por pensar, pois já havia tomado sua decisão. A mulher que amava estava ali e agora não havia mais nada os impedindo de ficarem juntos.

– Sim. Viverei – respondeu olhando para Faye.

A fada se aproximou, perguntando:

– Você está bem?

– Sim – ele disse. – É muita coisa pra digerir em tão pouco tempo. Acho que vou sentir falta de minha terra. Queria apenas vê-la mais uma vez.

– Nós podemos ir. O portal ainda está aberto – ela disse. – Voltamos antes dele se fechar.

– Não – o homem disse decidido. – Mil anos se passaram. Tudo mudou. Tenho medo do que posso encontrar. E, além disso, tenho um novo lar agora – ele a olhou ternamente. Depois virou-se para a elfa. – Titânia, desculpe-me por gritar com você. Eu passei dos limites.

Ela sorriu com a sinceridade que o homem agora demonstrava.

– Humanos e faeries são criaturas governadas pela emoção. Eu não o culpo.

– E obrigado por tudo – ele acrescentou.

Titânia acenou com a cabeça e voltou para sua morada, pois havia mais deveres a serem cumpridos no dia da floração.

– Agora vamos pra casa? – Faye perguntou.

– Sim, vamos – Christian respondeu.

E o humano segurou a mão da fada enquanto caminhavam para seu novo lar.

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24 comentários em “Ponte para Faye (Eduardo Velázquez)

  1. Anorkinda Neide
    26 de março de 2016

    óoo Romantiquinho 🙂
    ahh q pena q nao passou pra segunda fase!
    Gostei muito.
    Obrigada por esta doce leitura.
    Acho q este texto é infanto-juvenil e isto é muito bom!!!
    Parabéns!
    Abraço

    • Eduardo Velázquez
      5 de abril de 2016

      Pena mesmo, Anorkinda. Realmente gostaria de ter sido um finalista. Mesmo assim muito obrigado pelos elogios.

  2. Laís Helena
    17 de março de 2016

    ​Narrativa (1/2)
    Sua escrita está boa, agora alguns pequenos probleminhas na revisão. No geral até gostei da narrativa, mas em alguns pontos ela ficou superficial, contou em vez de mostrar, especialmente lá pelo final.

    Enredo (1/2)
    No começo o enredo até me empolgou, mas senti que deu uma decaída conforme chegava ao final; as situações foram apresentadas de maneira um tanto apressada. Além disso, achei que faltou conflito: na maior parte do tempo, a história se resume à espera pela próxima floração.

    Personagens (0,5/2)
    Achei os personagens um pouco genéricos. E sua história dá várias oportunidades para que você os aprofunde (pelo menos no caso de Christian). Por exemplo: como ele se sente por ficar longe da família? Do país? Como foi para ele abandonar a guerra? (Mesmo que ele acreditasse ser por apenas um ano). A questão da religião, que foi apenas pincelada, também deixaria seu texto bem mais interessante. Além disso, a relação entre ele e Faye (e com as outras fadas) foi desenvolvida de forma superficial demais. Ok, duvido que tudo isso caberia em um conto de 4 mil palavras; o mais provável é que você tenha escolhido um enredo que não cabe nos limites.

    Caracterização (1/2)
    Apesar de saber só o básico sobre a mitologia nórdica, eu a considero muito interessante, e gostaria de ver um pouquinho mais dela aqui. Alguns detalhes a mais sobre a cultura das fadas ou sobre elas em si, ou quem sabe mostrar mais um pouquinho do espaço físico, teria deixado seu conto mais interessante.

    Criatividade (1/2)
    Não vi aqui nada de muito inovador, mas, se seu conto tivesse me agradado mais nos demais aspectos, isso seria secundário para mim.

    Total: 4,5

    • Eduardo Velázquez
      5 de abril de 2016

      Bem, Laís, obrigado por elogiar minha escrita, fico feliz por isso. Quanto a “falta” de conflito no conto, bem, era pra ser assim mesmo. O clímax é somente o momento em que é revelado para Christian a diferença de tempo entre os reinos, não vejo a possibilidade de acontecer algo de muito mais empolgante que isso. Devo admitir que achei a nota dada por você pelos personagens baixa. Acredito que é possível conhecer um pouco dos mesmos apenas pelos diálogos apresentados. Entretanto a ideia de explorar mais os sentimentos de Christian é uma boa ideia e, agora que não tenho mais um limite de palavras, colocarei isso em prática. De qualquer jeito, muito obrigado pelo feedback.

  3. André Lima dos Santos
    17 de março de 2016

    O conto não me agradou. Não há trama interessante, um incidente Incitante fraco que me fez ficar ansioso por algum acontecimento da história e um clímax fraco.

    Não há nada na história que justifique a paixão do personagem principal, então a resolução ficou desconexa, sem efeito. A narrativa começou muito boa nos primeiros parágrafos, mas infelizmente não manteve o mesmo nível.

    Boa sorte no desafio!

    • Eduardo Velázquez
      5 de abril de 2016

      Obrigado pelo feedback, André. Mas acredito que o conto não ter te agradado é mais uma questão pessoal. Desde o inicio eu não pretendia escrever algo muito complexo, cheio de reviravoltas. A história é simples assim mesmo e há pessoas que gostam de algo simples. Já o fato da relação entre Christian e Faye ter ficado meio superficial é verdadeiro, mas isso aconteceu pelo limite de palavras imposto. Desse modo, irei trabalhar mais no conto, principalmente no porquê de existir tal paixão entre os dois.

  4. Tiago Volpato
    17 de março de 2016

    Achei a história bem boba e bem previsível, já dava se sabia que os dois iam ficar juntos. Você demonstrou ter segurança na escrita e conseguiu me prender no texto. Apesar de ser boba, ela é bem escrita. Não posso desqualificá-la por motivos pessoais, creio que a história teve êxito no que você se propôs a criar e se enquadrou perfeitamente no tema do desafio. Parabéns.

    • Eduardo Velázquez
      5 de abril de 2016

      Obrigado pelo elogio quanto à minha escrita, Tiago. Entretanto discordo quanto à classificação de minha história como “boba”, talvez simples seja melhor. Já previsível? Talvez. Pelo menos quanto à Christian e Faye ficarem juntos. Não acredito que dei muitas pistas sobre a existência de uma diferença de tempo entre os reinos. Espero que isso tenha sido uma surpresa para a maioria dos leitores.

  5. Pedro Arthur Crivello
    16 de março de 2016

    Sua escrita é muito boa e você usou referencias mitológicas que me impressionaram, misturando mitologia nórdica , com nomes referentes a fadas em outras mitologias e contos , Titania , a rainha das fadas em sonhos de uma noite de verão , foi o que mais gostei.
    O que pra mim faltou em seu texto , foi um clímax mais forte , a partida de cristian poderia ser envolvida de sentimentos mais intensos , ao invés de simplesmente falar sobre o tempo , titânia poderia mostrar , bem como o possível romance dele com faye, eu queria ver mais cenas pois não deixou claro.

    • Eduardo Velázquez
      5 de abril de 2016

      Muito obrigado pelos elogios, Pedro, fico muito satisfeito. Entretanto ainda não conheço essa obra citada, apesar de querer lê-la. A inspiração do nome Titânia veio de Sandman de Neil Gaiman (esse sim se baseou na obra de Shakespeare). Agora o clímax é isso mesmo, nada mais, nada menos. Quanto aos sentimentos de Christian, não houve espaço para tal por causa do limite de palavras (pretendo consertar isso). Já o romance entre os dois, era pra terminar assim mesmo: com um final aberto (como um “felizes para sempre”). Prefiro deixar o leitor imaginar o que aconteceu depois.

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    15 de março de 2016

    Um conto de Alta Fantasia. Bem escrito, com inúmeras referências shakespearianas (Oberon, por exemplo) e mitos nórdicos.

    Gostei bastante. No entanto, o plot em que a história se sustenta não apresenta muitas reviravoltas.

    O personagem Christian é bem construído, mas falta algo nele e essa falta não deixou com que eu me afeiçoasse a ele. O mesmo pode ser dito para Faye, Titânia e Pixie. É um conto, digamos, bonitinho. Sem nada de novidade. Porém, adorei a ideia do preconceito e xenofobia no universo fantástico.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Obrigado pelo feedback, Gustavo. Mas a inspiração do nome Titânia e Oberon veio de Sandman de Neil Gaiman (esse sim se baseou na obra de Shakespeare, que ainda pretendo ler). Eu escrevi este conto com a intenção de ser algo mais simples mesmo, sem grandes reviravoltas. Quanto aos personagens, não foi possível ter uma grande construção deles pelo limite de palavras do desafio, mas acho possível ter uma ideia de suas personalidades pelos diálogos do texto. E obrigado por ter notado o preconceito colocado na história, nem todos notaram (ou pelo menos não mencionaram isso).

  7. Renan Bernardo
    15 de março de 2016

    Achei o conto pouco empolgante. Foi interessante a mescla das lendas nórdicas na história, mas acho que o autor não soube aproveitá-las bem (fugindo um pouco dos clichês do gênero talvez). O final não me empolgou muito, e eu não consegui me importar com o que aconteceria na história. Fora isso, a escrita é boa, e as palavras são utilizadas de forma sábia.

    Nota: 6

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Eu não imagino o que seriam esses clichês do gênero. Não achei o universo que criei clichê. Agora considerando a afirmação dita: “a escrita é boa, e as palavras são utilizadas de forma sábia”. Cara, você não imagina como fico feliz com isso. Obrigado Renan.

  8. Rodrigues
    10 de março de 2016

    O conto é bastante interessante e rico, tanto no que se refere à criação de cenário e personagens, como a trama. Apesar de algumas construções repetitivas que podem facilmente ser cortadas após uma edição, a história realmente remete à doçura dos contos de fada com tudo que se tem direito, elfos, guerreiros, etc. Outro ponto interessante é a crítica feita ao preconceito, utilizando as diferenças entre Faye e o cavaleiro em relação ao resto do mundo encantado.

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Muito obrigado pelos elogios Rodrigues. E obrigado por ter notado a critica do preconceito no conto. Fico feliz com isso.

  9. Antonio Stegues Batista
    9 de março de 2016

    Um bom conto de fadas.Bom enredo, diálogos, a narrativa correta. A atmosfera criada foi bem elaborada e transporta a fantasia e as emoções para o mundo adulto, que é um do pontos essenciais nesse Desafio. O mais adequado até agora.

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Muitíssimo obrigado, Antonio. Sua opinião é muito importante para mim e seus elogios me deixam bastante feliz.

  10. José Leonardo
    8 de março de 2016

    Olá, Oberon.

    Dos contos desse grupo, creio que “Ponte pra Faye” é o que mais incorpora elementos de outras mitologias, no caso, a nórdica. Christian cai num portal de tempo-espaço e vai parar em Alfheim. Ao final, tem de fazer uma escolha que para ele é difícil, sobretudo quando Yggdrasil lhe faz a pior das revelações.

    Embora tenha achado o início (com ares de prólogo) um tanto truncado e excetuando os diálogos, a escrita me atraiu muito mais que o enredo em si. Penso que o espaço do ano passado em Alfheim poderia ser melhor explorado, acrescentando motivos para a atração da fada e do cavaleiro — temos um salto na narrativa desde o primeiro encontro com Yggdrasil e o novo florescer (para mim, prejudicou um pouco a veracidade do sentimento no leitor). Quanto aos diálogos, pareceram demasiado rasos.

    Em linhas gerais, é um bom conto, apesar de minhas impressões.

    Boa sorte.

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Olá, José Leonardo. Fico muito feliz por ter minha escrita elogiada e sim, concordo que a transição desse ano passado em Alfheim pode ser mais elaborado e melhor descrita (o que me impediu de fazê-lo foi o limite de quatro mil palavras). Mas devo discordar quanto aos diálogos rasos. Alguns são bastante simplistas admito, mas acho um equivoco descrever todos como rasos (principalmente os de Titânia, nem esses escapam na sua opinião?). Obrigado pelo feedback de qualquer maneira.

  11. Wender Lemes
    6 de março de 2016

    Olá, Oberon. Seu conto é minha décima leitura no certame atual.

    Observações: parabéns pelo conto, você possui uma técnica apurada. O modo como expôs as criaturas de forma similar (todas expostas às emoções e à mortalidade) ajudou na identificação, sem contar o carisma da Faye. A reflexão sobre as crenças não se invalidarem foi um tapa de luva na face de qualquer extremista.

    Destaques: como dito, o carisma da Faye torna a história mais leve, é algo que não esperava quando o conto começou com sangue escorrendo pelos elos das correntes da ponte. Foi uma surpresa boa. A ideia de que a imortalidade de seres de Alfheim é apenas uma ilusão também é legal.

    Sugestões de melhoria: sinceramente, acho que o conto está fechado em relação ao que pretendia oferecer. Talvez, fosse interessante realizar a visita de Christian à Terra na oportunidade que teve (poderia render um clímax ainda melhor), mas entendo que o limite não seria suficiente para fazê-lo mantendo a mesma qualidade do restante do conto. É algo que você pode elaborar se quiser mexer nele depois do desafio.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Olá, Wender Lemes. Agradeço muito os elogios quanto à minha técnica, à descrição das criaturas e ao carisma de Faye (eu também gosto muito dela). E olha, você foi a única pessoa a comentar sobre a discussão de crenças entre Christian e Titânia e sobre o fato dos faeries não serem realmente imortais. Essas são duas das ideias que eu mais queria passar nesse conto e eu lhe agradeço muito por ter percebido as mesmas. E sim, pretendo, agora que o desafio acabou e não existem mais um limite de palavras, fazer com que Christian e Faye visitem a Terra pelo menos uma vez (não sei se isso irá gerar um clímax, mas com certeza deve ser interessante). Obrigado novamente por tudo.

  12. angst447
    6 de março de 2016

    Que conto mais bonitinho! Com final feliz e tudo. Estilo Chub!
    Bem escrito, não encontrei falhas na revisão.
    Os personagens estão muito bem caracterizados e a trama, apesar de bem simples, está mergulhada em pura fantasia.
    Como sempre,os diálogos ajudam e muito a agilizar a leitura, tornando o enredo mais agradável.
    Boa sorte!

    • Eduardo Velázquez
      6 de abril de 2016

      Muito obrigado pelos elogios, angst447. Fico muito feliz por ter gostado.

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Grupo 1 e marcado .