EntreContos

Detox Literário.

Motivo (Fabio Baptista)

motivo

Entrou em casa, cansada demais para se surpreender com o sofá vazio e a TV desligada. Na mesinha, um bilhete – vinte e dois anos sepultados em cinco linhas apressadas. Foi à cozinha fazer a janta, menos por vontade própria do que por inércia do hábito.

Descascou uma cebola.

E então, chorou.

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58 comentários em “Motivo (Fabio Baptista)

  1. Neli Espanhol
    2 de fevereiro de 2016

    Perfeito no que se propôs a contar.

  2. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Motivo (M. J.)

    ஒ Estrutura: Bem escrito, de forma simples e sem pretensões. O autor poderia ter colocado algumas coisas a mais para dar mais charme ao texto.

    ஜ Essência: O fim de uma união. E não sabemos se o choro foi falso ou verdadeiro. Essa dúvida é gostosa demais…

    ஆ Egocentrismo: Gostei da estória e da leitura, mas acho que o autor tem capacidade para fazer algo mais atraente.

    ண Nota: 9.

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    Motivo (M. J.)
    1. Temática: Cotidiano. Significados e significantes.
    2. Desenvolvimento: Meteórico e fulminante – um cupido!
    3. Texto: Preciso, conciso, objetivo. Direto ao ponto – aos olhos! Rs
    a) para surpreender-se.
    4. Desfecho: Nesse caso específico, a ambiguidade é que é a grande sacada!
    Maravilhoso! Será um dos meus escolhidos.

  4. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Bom conto, poderia ter utilizado mais as palavras que o desafio te deu. Mas a cebola tê-la feito chorar foi interessante. Seu conto está bem escrito.

  5. Matheus Pacheco
    29 de janeiro de 2016

    Opa, seria uma pessoa que demonstra que chorou com lágrimas falsas? porque eu entendi que ela só descascou a cebola para dizer que chorou.

  6. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Gostei da cena, apesar de ter me incomodado um pouco com o mau uso das vírgulas. Para mim funcionou como microconto completo, causando uma impressão no leitor. O cansaço extremo e o desencanto da personagem ficaram bem consistentes.

  7. Leda Spenassato
    28 de janeiro de 2016

    Curtinho, com uma infinidade de interpretações, gosto muito disso.
    Disse tudo o que querias dizer em poucas palavras.
    Parabéns!

  8. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Achei bacana.

    O autor aqui mostrou que acha 150 palavras uma quantidade alta e exagerada! Então, utilizou apenas umas 50!! Wow, você é um baita mágico cara!! Admiro bastante quem consegue esse tipo de façanha heróica. Eu, com mil palavras, já reclamo pra caramba. Você, com 50… faz isso!!! Preciso pegar umas dicas com você.

    Muito maneiro. História do tipo vapt vupt, com várias ramificações e aberturas para interpretação. Parabéns.

  9. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Maravilhoso! Será um dos meus escolhidos!

  10. Fil Felix
    27 de janeiro de 2016

    Gostei muito! Devido uns problemas pessoas que tive, acho que fiquei bem mais sensível as histórias que envolvam o ato de “desabar”. Seu conto me remete a esses momentos, e aos meus próprios. Mesmo sendo tão curta, a história se desdobra em mil possibilidades.

    Não há surpresa pelo abandono do marido (seria o marido?), como se isso fosse o de menos. Há toda uma outra carga em cima da protagonista. A rotina, o trabalho, o cansaço, a repetição… Talvez, até mesmo, o choro seja de libertação. Ou não. Seja a cebola.

    Acredito que isso seja mais comum que se possa imaginar, sempre presente em nossas vidas modernas. Poder chorar sem algum motivo aparente, que não aquele que só quem derrama as lágrimas pode imaginar. E mesmo se quisesse explicar para um terceiro, não conseguiria. E nesse caso os terceiros somos nós, que só podemos deduzir a situação.

  11. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    Conto curto e bastante simples. Prima pela inteligência do conteúdo e pela beleza da escrita. A metáfora foi bem aplicada.
    Parabéns.

  12. Wilson Barros Júnior
    27 de janeiro de 2016

    Um contos de múltiplos sentidos, econômico, como todo microconto deve ser. Gostei também de muitos terem gostado. Desperta muitos sentimentos, emoções conflitantes, piedade, raiva, desprezo. E muita identificação. Parabéns.

  13. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2016

    Sabe, apesar de muitos falarem o mesmo, eu realmente não costumo ler os comentários antes de ler o conto. Faço isso poucas vezes. Aqui, eu fiz, e me bateu um medo. Medo esse que já senti em outros textos, ao ler os comentários após ter feito o meu. Tenho medo de ser insensível demais. Digo isso porque a minha reação ao conto passou longe da dos companheiros, todos sensibilizados com o texto. Achei um trabalho interessante, com algumas possibilidades, mas não senti emoção. Enfim, dito isso, queria dizer também que preferiria ter sentido algo e, certamente, o problema não é com o texto, e sim provavelmente comigo. Ou talvez eu esteja falando um monte de besteiras, sei lá. Só sei que o texto definitivamente é bem escrito e pensado, não sei se vai estar nos favoritos, mas se destacou por ter tão poucas palavras e parecer bem maior.

    Gostei da dúvida deixada no final. Ela chorou de tristeza ou estava tão cansada do relacionamento que chorou pela cebola?

  14. Kleber
    27 de janeiro de 2016

    Olá, M.J.

    Conto bonito, condensado, bem escrito e tocante. Não tenho muitas outras palavras para descrever o que pensei e senti ao lê-lo. Gostei de verdade!

    Sucesso!

  15. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2016

    Às vezes, tenho a graça de ser surpreendida com mentes que transformam palavras em verdadeiras missivas ao leitor.
    Acabei de ter meu peito transpassado pela a solidão a dois, o barulho silencioso, e a falta de coragem de fazer diferente.

  16. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    M. J., sobre a sua história:

    TEMÁTICA: fim de relacionamento e frieza, quase um koan zen.

    TÉCNICA: matéria supercondensada, o máximo com o mínimo de palavras. Excelente condução e desfecho. Só a imagem escolhida para ilustrar entregou um pouco o que iria acontecer.

    TRANSCENDÊNCIA: impressionou de uma forma profundamente marcante. Com certeza, vai para a lista dos melhores. Grande abraço!

  17. Miguel Bernardi
    26 de janeiro de 2016

    E aí, M. J. Tudo bem?

    Li várias vezes o conto porque ele é tão bem escrito, tão enxuto e profundo, e conta tanto, que simplesmente me dá vontade de apreciar novamente o que conseguiste criar.
    Creio que os elogios estão todos ai em baixo, nos comentários, mas ouso repetir que a escrita é muito fluido e a atmosfera criada para que o final ocorresse é feita com tanta maestria que, no final, a expressão é aquela clássica “fiquei sem palavras”. Poxa… incrível. Sensível, forte.

    Parabéns!

  18. Tom Lima
    25 de janeiro de 2016

    Duro de ler esse.

    É tanta coisa em tão poucas palavras, como tem que ser aqui. Se dar ao luxo de dispensar palavras nesse desafio é coisa para poucos.

    É tão denso que não sei se cabem comentários. O esvaziamento é tanto que ela segue a rotina até “cair a ficha” ao cortar as cebolas.

    Não vou enrolar. Um dos melhores.

    Parabéns.

  19. Mariana G
    24 de janeiro de 2016

    Esse micro-conto é simplesmente genial. Foi incrível e bem conduzido do começo ao fim, sendo sucinto e bem complementado com as próprias palavras. Não tenho do que reclamar.
    Parabéns e boa sorte!

  20. rsollberg
    23 de janeiro de 2016

    Adorei!
    Ótima história.
    Cada palavra diz a que veio! Inicio, meio e fim.
    Belos espaços criados para o leitor presumir o que bem entender, Queria muito muito que o “e então chorou” estivesse na quinta linha para criar mais uma possibilidade, no melhor estilo inception, na minha cabeça.

    E o motivo, que também serve de título, pouco importa, porque a cebola é absolutamente genial!!!

    Outro que estará entre os meus preferidos!
    Parabéns e boa sorte!

  21. Murim
    22 de janeiro de 2016

    Bonito, simples e belo. Foi um instantâneo muito bem desenvolvido. Acho que você contou uma excelente pequena história em tão poucas palavras. O problema é que o limite era maior (150) e permitia que se criasse uma história mais marcante e melhor desenvolvida.

  22. vitormcleite
    21 de janeiro de 2016

    olá, muitos parabéns. Em primeiro lugar peço desculpa à protagonista pois enquanto ela chorava eu ria. Muito, muito bom, adorei este texto e desejo-te as maiores felicidades neste desafio

  23. Pedro Henrique Cezar
    20 de janeiro de 2016

    Quando o conto terminou o meu ceticismo quanto ao tamanho foi substituído por surpresa. Muito interessante! Parabéns!

  24. Laís Helena
    20 de janeiro de 2016

    O autor ganhou muitos pontos pela concisão (até agora, o conto mais curto que li nesse desafio). Mas em nenhum momento a história pareceu apressada: o autor foi muito hábil ao escolher as palavras. O final dúbio foi interessante por acrescentar certo humor à narrativa.

  25. Cilas Medi
    19 de janeiro de 2016

    Um bom motivo para o choro – o descascar cebola. Simples e direto, e, parodiando o autor, ser sucinto ao brilhantismo. Parabéns! Gostei muito! Sorte!

  26. Jef Lemos
    19 de janeiro de 2016

    Olá, M.J!

    Não tenho muito o que dizer, assim como você.
    Rápido e certeiro, do jeito que as pessoas que sabem fazem.
    Certamente ninguém te jogará cebolas depois dessa.

    Parabéns e boa sorte!

  27. Marcelo Porto
    19 de janeiro de 2016

    Pá pum!

    Sem malabarismos, direto e contundente.

    Apenas 51 palavras! E nem precisa mais.

    Parabéns!!

  28. Evandro Furtado
    19 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – foi rápido, mas com maestria;
    Estilo – 10/10 – gostei do tom impresso, das figuras de linguagem empregadas. A imagem utilizada também foi bacana;
    Verossimilhança – 10/10 – às vezes a melhor forma de contar a história de alguém é não contando;
    Efeito Catártico – 10/10 – um bilhete e uma cebola: foram esses os seus materiais. E você conseguiu produzir uma verdadeira obra de arte com isso. Todos os questionamentos levantados, o conformismo, os habitos repetidos, o cotidiano entendiante, a desumanização do ser. Fantástico.

  29. Antonio Stegues Batista
    19 de janeiro de 2016

    Ela já estava cansada, talvez do próprio casamento fracassado, nem a tv desligada e o sofá vazio a surpreendeu e o bilhete lacônico foi a alforria, libertando-a de uma prisão, mas mesmo assim ela não comemorou, ainda estava presa na rotina de descascar cebolas e acostumada a chorar com elas todos os dias.

  30. Piscies
    19 de janeiro de 2016

    Cara, tanta coisa falada em tão poucas linhas! Que incrível passar este tipo de sentimento assim, tão rapidamente. Terminei de ler o conto e fiquei com aquela sensação amarga dentro de mim que está comigo até agora!

    O conto fala da rotina, da monotonia e de como isto pode minar um relacionamento. Fala da tristeza do fim, da falta de amor (ou coragem) de alguém que abandona sem conversar. Fala de como a rotina pode nos entorpecer. Fala de como ela pode, de certa forma, até nos matar.

    Magnífico!!!

  31. elicio santos
    19 de janeiro de 2016

    Relato certeiro e visual. Deixa um gosto de quero mais no leitor e trabalha impressões que ultrapassam o que foi dito. Seria o relacionamento salutar, embora longo? Pois a mulher só chora por conta da cebola, certo? O abandono enfrentado pela personagem sugere interpretações variadas. Gostei muito. Boa sorte!

  32. Jowilton Amaral da Costa
    19 de janeiro de 2016

    Muito bom. Eu vou confessar que achei que este conto não era inédito. Ao lê-lo me veio a impressão de já ter lido, meio como um dejavu. Fui até procurar no google, Encontrei alguns minicontos que usam a mesma premissa de disfarçar as lágrimas por detrás de uma cebola, mas, com enredos bem diferentes deste seu ótimo microconto. Parabéns.

  33. Daniel
    19 de janeiro de 2016

    Genial!
    Um conto curto que, mesmo assim, tem nele tudo que precisa ter. Cada palavra e cada ideia, vê-se, foi cuidadosamente posicionada.
    A ambiguidade do desfecho, claramente proposital, é a cereja do bolo. Está de parabéns! Espero que faça sucesso!

  34. Catarina
    19 de janeiro de 2016

    O INÍCIO não me comoveu, o que foi ótimo para receber o impacto do FIM. FILTRO de cerâmica de primeira grandeza. Arrasou com um ESTILO certeiro e TRAMA envolvente. A PERSONAGEM é uma jóia a parte. Brilhante.

  35. Marina
    19 de janeiro de 2016

    Não quero dar minha interpretação do conto aqui, porque ia sair textão. Só sinto muita raiva dessa pessoa que a deixou. Só vou dizer que amei o conto: bem escrito, curto, decisivo. Deixa margem a várias interpretações, sem, no entanto, ser incompleto. Talvez um dos melhores.

  36. Leonardo Jardim
    18 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): simples, mas bastante interessante. As lacunas deixadas trabalham a favor. A sacada da cebola foi ótima.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): muito boa, contou muito em poucas palavras. Microcontos bons são assim.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): pontos pela cebola.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): terminei o conto com um sorriso no rosto, por causa inteligência da metáfora. Gostei muito. Parabéns!

  37. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Olá, autor(a)

    Cara, que menosprezo, falta de respeito para com a mulher. Uma pessoa que passa mais de vinte anos ao lado de uma outra e depois termina tudo deixando só um bilhete é cruel, e é crível uma vez que há pessoas e pessoas. É um texto bem triste, certeiro, com o visual para se ligar e o subjetivo para se pensar. Muito bom.

    Sucesso!

  38. Simoni Dário
    18 de janeiro de 2016

    Se era pra fazer chorar, quase chorei junto e sem cebola. Esse conto me deixou intrigada, porque senti uma raiva do suposto marido que tive vontade de matar. Terminar 22 anos de um relacionamento, em um bilhetinho de cinco linhas?? Tenha dó. O melhor do texto foi o apanhado de emoções que transmitiu em pouco mais de cinco linhas, será que o parceiro soube causar tudo isso no bilhetinho de despedida? Excelente, parabéns!
    Bom desafio!

  39. Thata Pereira
    18 de janeiro de 2016

    Que lindo. Estou tão sentimental hoje que até eu quase chorei (rs). Com poucas palavras o(a) autor(a) conseguiu contar uma história com começo, meio e fim, caracterizando a personagem principal — parte que mais gostei — e deixando um misteriozinho no ar, onde faço das palavras do Selga as minhas: é mais do que a cebola.

    Boa sorte!!

  40. Anorkinda Neide
    18 de janeiro de 2016

    Excelente!
    Escrito por quem está acostumado a cortar palavras e formar belos microcontos… ou não? Hehe Parece!
    Direto ao ponto, sem deixar de emocionar, pq escolheu a palavra certa em cada lugarzinho certo. Cirúrgico.
    Parabéns!
    Abração

  41. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    Ótimo conto, com bem bolado final ambíguo. Com tão poucas linhas e até senti empatia pela pobre senhora indo preparar o jantar, chorando ao cortar cebolas.

    Abraço e boa sorte.

  42. Gustavo Castro Araujo
    17 de janeiro de 2016

    Ótimo conto! Poucas linhas que permitem diversas interpretações. Creio que um bom micro conto deva ser assim, brincar com nossas percepções por meio de sentidos duplos, revelando, ao final, uma história de verdade. Aqui temos a mulher que, desencantada por um amor que partiu, apega-se à rotina como saída para o sofrimento. Ou não. Talvez não sofra, afinal. Mas é fato que ao descascar a cebola, chora. Se é pelo coração partido ou de alívio, fica a critério de quem lê.
    Bom trabalho!

  43. Andre Luiz
    17 de janeiro de 2016

    Achei fantástica a forma como você enterrou de vez a questão de uma suposta separação(no bom sentido), gerando um eufemismo tão intenso que eu, mesmo sem cebola, lacrimejei. A mulher quis, ao mesmo tempo, manter-se na rotina e esquecer o sofrimento, e o autor simplesmente fez com que isso quase fosse cômico a quem estivesse lendo. A última frase, ambíngua, fechou o conto com chave de ouro. Com certeza estará entre os meus melhores… Boa sorte!

  44. Bia
    16 de janeiro de 2016

    Muito bom, inteligente, um enredo inteirinho em pouquíssimas palavras, consegui imaginar tudinho e fiquei até brava por ela ter ido cortar cebola, pra você ver como foi bem verossímil pra mim, rs. Parabéns mesmo!

  45. Rogério Germani
    15 de janeiro de 2016

    Um conto repleto de camadas. Não chorei porque não curto cebolas. Mas admiro a qualidade do texto em fazer um enredo banal gerar inúmeras possibilidades.

  46. José Leonardo
    15 de janeiro de 2016

    Olá, M. J..

    Utilizando um terço da proposta inicial, seu microconto ficou muito bom. Primeiramente, havia visto indiferença na atitude da mulher mas, depois, vi que na verdade o gás da cebola foi um gatilho. Um tiro curto e grosso.

    Sucesso neste desafio.

  47. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    Um conto bastante inteligente. A vida robotizada e imune à dor do personagem foi bem construída e a cebola redentora, perspicaz.

  48. Brian Oliveira Lancaster
    15 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Só quem já passou por isso entende essas sensações. Cotidiano, direto ao ponto, pegando um assunto delicado de forma certeira. – 9
    O: Escrita leve e fluente, tranquila. Fácil de assimilar. – 9
    D: Curto, sucinto, mas eficiente ao extremo. Causa na hora o que se propõe. O final foi uma bela metáfora para a realidade “externa”. – 9
    E: A coesão, junto com a metalinguagem, foram os pontos altos. – 9

  49. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Genial. Cada palavra no seu devido lugar e uma intensidade sentida por cada gesto descrito. Genial, de novo!

  50. Ricardo de Lohem
    15 de janeiro de 2016

    Contou uma história, e usou só 51 palavras, isso foi mesmo incrível. Toda a tristeza de um fim de casamento coube nessas 51 palavras. Eu mudaria a última frase para:”Então chorou.” Muito bom, Parabéns!

  51. Sidney Muniz
    15 de janeiro de 2016

    Acho que perdi meu comentário anterior!

    Bom, vou tentar dizer tudo o que disse novamente.

    É um conto acima da média, e muitos podem até negar isso, pela simplicidade, mas não é nada simples.

    Esse conto é o melhor micro conto, até aqui, e certamente o que mais se enquadra de fato na categoria, visto que o limite de 150 palavras está jogando quase todos os contos para próximo as 150, dada a dificuldade e falta de habilidade em se contar muito com tão pouco. Sempre precisamos de mais um pouco, e isso até tem sido deixado de lado por mim em minhas análises, mas é preciso mencionar isso, aqui.

    A figura de linguagem foi utilizada de maneira soberba, nesse conto, que tem um compromisso de não dizer tudo, mas dizer mais que o suposto tudo.

    o título por si só é um segredo, ele nos revela muito, pois é “motivo”.

    A vida como ela é, retratada aqui no entre contos!

    Nelson Rodrigues deve estar orgulhoso de ver esse microconto, onde quer que esteja… haha

    A cena dela chegando, mal notando a ausência do marido, ou sequer o silencio da TV.

    A atitude após a leitura revela o choque, o estado de choque, aquele que nos deixa mudo, nos tira do ar, mas será se ela ainda estava sintonizada depois de 22 anos, e em algum ponto as coisas entre eles realmente esfriaram, e ela estava congelada, estava ligada no automático.

    A própria imagem da cebola, uma ótima escolha por sinal, revela muito se pensarmos um pouco.

    A casca sendo retirada e mostrando seu interior, e após isso as fatias, imaginei ela fatiando realmente a cebola, os anos, as linhas, e isso me lembrou um conto que escrevi mês passado, sobre um cara que contava tudo, passos, objetos, etc… e aqui imaginei ela contando as fatias.

    Chorando, caindo em si…

    E o mais fascinante é que mesmo ele abandonando ela, não dá pra saber o conteúdo do bilhete, mas a chegada dela sugere (para mim) e não estou procurando culpados, mas me parece que ela esperava por isso, mas não tinha coragem.

    O amor simplesmente havia acabado, ou entre os dois, ou somente ela.

    A forma como ele saiu, deixando um bilhete, remete a preocupação. Já a chegada dela a desligamento.

    Claro que são várias hipóteses, mas senti pena dele, e isso é ótimo, pois ele nem está na estória, mas está!

    Simplesmente genial!

    Desejo sorte a você e parabenizo pela brilhante execução!

  52. Sidney Muniz
    15 de janeiro de 2016

    Um excelente conto!

    Muitos podem chegar aqui e querer mais, mas eu digo que para um microconto, esse foi o mais eficiente até agora, em formato.

    Claro que tem textos que nos pegam pela trama, pela sofisticação, floreios, ou por predileções, mas devemos perceber que esse conto expressa dimensões de sentimentos, usa figura de linguagem de maneira única e inteligente e trata disso de uma maneira tão simples que se comporta de forma genial.

    Conto elaborado, uma execução perfeita, transbordando para fora da tela!

    Parabéns e boa sorte!

  53. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    Ela chegou em casa, encontrou um bilhete de despedida,o fim de um relacionamento de 22 anos e foi cozinhar. Meio no automático, meio usando a cebola como motivo para chorar. Lágrimas não só pelo adeus apressado e indiferente, mas pelos anos perdidos já sem sentido. Só a rotina mantinha-se a mesma e por isso parecia segura.
    Bem escrito, conto sucinto, Escolha precisa das palavras e do símbolo da cebola – cheia de camadas.
    Boa sorte!

  54. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    Foi a cebola? Foi o bilhete? Foi a rotina? Foi o cansaço?
    Qual foi o motivo das lágrimas?

    O grande mérito aqui, mais do que o mostrar muito contando pouco, é essa dúvida boa que fica na cabeça do leitor após o ponto final. Não é dos finais mais impactantes, mas sem dúvida é dos mais inteligentes.

    Muito bom!

  55. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    Uma história enxugada ao máximo. Deixou no ar o relacionamento desgastado e como não sabemos lidar com isso. O sentimento de fuga no habito de chegar em casa e cozinhar, foi muito bem pensado. Ficou muito bom!

  56. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Muito sutil e sensível. São poucas palavras que nos fazem imaginar o resto, como se o conto não acabasse no fim das palavras, mas nos fizessem prosseguir com o sofrimento da protagonista. Parabéns e boa sorte.

  57. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    22 anos e uma cebola, dolorosa e, talvez, libertadora. Muito inteligente!

  58. Eduardo Selga
    14 de janeiro de 2016

    É MAIS DO QUE A CEBOLA

    Uma das características que fazem um conto ter qualidade é o trabalho com a dimensão simbólica da palavra. Assim como as cebolas, palavras têm camadas, e podem fazer chorar.

    O que parece ser uma trivialidade narrada em seis linhas, não o é. A personagem não chorou porque a cebola libera substâncias que provocam isso: chorou em função do que representa a cebola, no contexto. Ela é os “vinte e dois anos sepultados em cinco linhas apressadas”. A personagem está cortando esses anos, ou seja, repetindo, em nível simbólico, a atitude do parceiro. E isso dói.

    Não pela falta de surpresa quando entra em casa (o narrador diz que é um função do cansaço do dia), e sim pelo automatismo com que se dirige à cozinha após a leitura do bilhete, pode-se entender que ela já esperava pela situação, ou a cozinha é uma tentativa de fuga, um retorno à realidade de todo o dia.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .