EntreContos

Detox Literário.

Demônios (Marco Piscies)

SaoConrado

Era o décimo dia de 2016. Ele sufocava sua primeira promessa com um longo trago no cigarro. Seus demônios agarravam sua garganta e pulmões, impedindo-o de respirar. Fechou os olhos. Soltou os demônios pela boca. Os pulmões e a mente, vazios, aliviaram-se.

Através da janela aberta, a fumaça invadiu o ar noturno da cidade, dissipando-se na sinfonia de sirenes, funk e latidos. Quem cantava eram os pneus dos carros: distantes; impunes. A canção, uma ode à juventude.

A esposa, atrás de si, dormia serena. Dormiam também, diante dele, seu distintivo e a pistola. Ainda podia ver a fumaça que fugia do cano; ainda podia ver a bala penetrando o peito do garoto sem nome.

Puxou os demônios novamente para os pulmões. Fechou os olhos.

Em 2017, com certeza, pararia de fumar.

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58 comentários em “Demônios (Marco Piscies)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    Olá!

    Um homem olhando para a noite, presos aos seus demônios e prometendo mudar no próximo ano. Engraçado, lembra muita gente! Gostei do texto e achei ele bem escrito. Tem um toque poético agradável.

  2. Matheus Pacheco
    29 de janeiro de 2016

    Grande Aka, devo te dizer que no começo eu achei que era mais um texto sobre o suicídio, sem desmerecer nenhum, mas muito bom

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Um bom conto sobre o vício de fumar e a dificuldade em parar. Foi um conto mediano, não me despertou curiosidade e nem me deixou instigada por mais.
    Você escreve bem.

  4. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Demônios (Aka Manah)
    1. Temática: A gangorra das promessas anuais, nunca cumpridas.
    2. Desenvolvimento: As imagens criadas sugerem ‘tapa’ na consciência, ‘tapinha’ no cigarro, tapa nas promessas.
    3. Texto: Bem escrito, fluindo conforme o ritmo das tragadas.
    4. Desfecho: Promessa, apenas. Será que em 2017 vai parar mesmo?
    Esses textos estão invadindo as cidades literárias… Faltou inovação.
    Boa sorte!

  5. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Aka Manah, esse pseudonimo tem uma sonoridade legal.

    Fiquei até com vontade de dar uma tragada aqui. kkkkk, zueira, eu não fumo. Mas as descrições foram feitas com tanto esmero, que quase pude sentir qual é a sensação de um fumante.

    Gosto muito desses policias amargurados com a vida, devido à vida difícil proporcionada por seu trabalho.

    O conto ficou bom e acima da média. Parabéns.

  6. Miguel Bernardi
    28 de janeiro de 2016

    E aí, Aka Manah. Tudo bem?

    Gostei do conto, da ideia, da questão de fazer a mesma promessa ano após ano… A construção de algumas frases, entretanto, não me agradaram muito.
    Cito aqui “dissipando-se na sinfonia de sirenes, funk e latidos.”. A mescla de palavras e elementos, ao meu ver, não funcionou muito bem. As palavras pareceram não se encaixar…
    O tom intimista é legal, e coube muito bem no limite imposto pelo desafio. Pra um conto curto, notei certa falta de fluidez (não li os comentários acima, então não sei se estou sendo o chato =[ ). Talvez seja o excesso de pontuação. Tentei ler sem alguns pontos finais e a coisa ficou mais interessante.

    Abraço e boa sorte!

  7. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Até perto do final, achei o conto excelente! Toda a ambientação, a descrição, a alegoria do cigarro, a poluição auditiva… tudo conspirando pra uma boa tragada (verde?)! Um conto que prima pela boa estética, pelo bom desenvolvimento.

    A parte final, gostaria muito que não tivesse o trecho sobre o garoto morto. Se tivesse ficado em aberto, poderia dar a entender que ele matou até a própria esposa. Mas ficou muito bom!

  8. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Muito bom! O clima construído com a quebra de uma promessa de ano novo é uma ótima abertura para as dores e culpas que são desveladas a seguir. Coube perfeitamente no número reduzido de palavras. Parabéns.

  9. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    Esses textos estão invadindo as cidades literárias… Faltou inovação. Boa sorte!

  10. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2016

    Estranhei, jurei que já tinha comentado esse, mas certamente apenas o li no início do desafio.

    Tem uma pegada crua, meio Rubem F., com aquele personagem fudidão com cigarro, estilo Constantine. Essa é a parte que gostei. Mas também achei simples demais, e não vi sobrevida no conto, faltou algo a mais. Enxerguei a lembrança de algo ruim no passado do sujeito, isso tornou o personagem mais marcante, mas não a trama.

    De ponto muito positivo, a boa escrita que me permitiu visualizar perfeitamente a cena.

  11. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    O enredo parecia simples no início, faz uma reviravolta e traz uma surpresa para o leitor no final. Bem criativo e bem escrito.
    Boa sorte.

  12. Tom Lima
    26 de janeiro de 2016

    Lindo! Um dos mais bonitos até agora.

    A forma coma a história aparece no fim do terceiro parágrafo é ótimo.

    Sem palavras aqui. É intenso, soa real, intimista, e belo, além de tudo, tem poesia nesse caos da cidade…

    Parabéns!

  13. Kleber
    26 de janeiro de 2016

    O que dizer? O que argumentar? Tropa de Elite? Miami Vice? CSI? Não faço nada além de ecoar o que os colegas aqui disseram. E corar de vergonha do meu humilde conto…rs

    Sucesso!

  14. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    AKA, então é o seguinte;

    TEMÁTICA: opressivo e sufocante, o texto transmite bem a vida interior de um policial.

    TÉCNICA: narrativa ágil e direta ao ponto. Muito bem!

    TRANSCENDÊNCIA: acho que a identificação com o sentimento do protagonista é inevitável. Mas, mais uma vez, a história parece somente uma cena de remorso, sem desdobramento. Se não tivesse limites, ia mais longe…

  15. Wilson Barros Júnior
    25 de janeiro de 2016

    Credo, terrível. Quem não parar de fumar depois dessa. Uma mistura de demônios interiores com exteriores, e fumaça para todo lado. Mesmo depois de fechar os olhos ainda posso vê-la. Os barulhos dos carros, sirenes, latidos, como a música “antinome”

    “A noite morre
    Ouço um “quem me socorre?”
    Como se Grozny aqui fora
    E era alguém que ia embora
    E o outro que ficava
    Implorava companhia
    Perdão, misericórdia”

    Um clima de terror, mesmo, muito real, como um filme, dá pra ver tudo. Muito bem executado.

  16. Mariana G
    25 de janeiro de 2016

    Um final surpreendente e tecnicamente bem executado. Foi um deleite ler esse micro-conto.
    Parabéns e boa sorte!

  17. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2016

    Excelente! Achei que podia ser uma parte de um texto mais longo, ou o início de um livro policial, Mas, e daí? Tá bem escrito pra caralho, denso, uma cena muito bem construída. Assim que terminei de ler, fui acender um cigarro. Tenso. Parabéns e boa sorte.

  18. vitormcleite
    22 de janeiro de 2016

    olá, gostei muito não só pela fumaça – tema que me excita – mas essencialmente pelo noir, pelo urbano, pela intimidade, pela poesia… consegues transmitir tudo isso com poucas palavras. No texto parece-me que não há problemas de escrita, a história corre bem, quase como um filme, quase se consegue ver as imagens e nem é preciso fechar os olhos, muitos, muitos parabéns e desejo-te as maiores felicidades neste desafio. põe aí mais textos deste calibre para lermos.

  19. elicio santos
    21 de janeiro de 2016

    O conto diz muito em poucas linhas. A rotina estressante do protagonista acaba por sufocar-se no vício do cigarro. A culpa remói o policial, muito bem metaforizada como “os seus demônios”. Ao ler um texto dessa categoria eu vejo que o desafio vale a pena. Parabéns!

  20. Pedro Henrique Cezar
    20 de janeiro de 2016

    Muito legal! Me fez lembrar romances policiais… Um texto bem escrito, apesar de pouca história, cativa o leitor a prosseguir na leitura. Parabéns!

  21. Cilas Medi
    20 de janeiro de 2016

    A incerteza de querer ser e saber se as atitudes são as corretas em nosso dia a dia. Para quem leva a vida perante e perto da morte, como profissional, está sempre sufocado pelas atitudes que precisa e teme ser obrigado a fazer. Bom conto, enredo e final que surpreendeu. Parabéns e sorte no desafio.

  22. Laís Helena
    20 de janeiro de 2016

    Gostei da narrativa: conseguiu, em poucas palavras, construir todo o ambiente e me fazer sentir dentro da história, ainda que curta. Gostei do enfoque no psicológico e no sentimento de culpa, acompanhado de uma recompensa pelo dia difícil.

  23. Leonardo Jardim
    20 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): boa, intrigante. O texto não diz, mas parece que ele matou o menino sem nome em uma operação policial e, como que para desestressar, descumpriu a promessa de ano novo. Quem sabe ano q vem?

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): muito boa, soube dosar bem o lirismo e metáforas com a trama em tão poucas palavras.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): uns bons elementos criativos.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): gostei bastante do texto. Uma verdadeira porrada. Parabéns!

  24. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 9.9/10 – só destacaria o trecho “Quem cantava eram os pneus dos carros”. Ficou estranho por alguns motivos: quem normalmente remete a pessoas, e “cantava” ficou no singular enquanto “pneus” ficou no plural. Uma pequena reformulada na frase corrige isso;
    Estilo – 10/10 – uma bela narrativa que parece bem afastada do personagem, combinou com o estilo da trama;
    Verossimilhança – 10/10 – cenário belamente descrito, complexidade de personagem e de trama;
    Efeito Catártico – 10/10 – senti certo humor negro no final. Parar de fumar como se esse fosse, de fato, o maior dos problemas.

  25. Antonio Stegues Batista
    20 de janeiro de 2016

    Não tem como fugir das comparações, alusões e outros ões e esse conto me faz lembrar de muitos filmes que vi, aqueles policiais durões (!) que fazem justiça, não pela Justiça, que muitas vezes é falha, mas por eles mesmos e suas famílias. Bom conto.

  26. Simoni Dário
    19 de janeiro de 2016

    Fiquei com pena do policial. Tive a sensação de assistir a um filme em 150 palavras (não contei). Comecei lendo achando que era mais um texto sobre suicídio, ainda bem que não era…sei não, o cara me pareceu um suicida em potencial…são muitos demônios sufocados por enquanto pela fumaça do cigarro…
    Parabéns, está excelente!
    Bom desafio!

  27. Catarina
    19 de janeiro de 2016

    INÍCIO pesado e depois só aumenta a pressão. FILTRO equilibrado, sem palavras desnecessárias. O ESTILO FDP sempre me conquista. TRAMA envolvente e sufocante como o próprio PERSONAGEM. FIM com a culpa implícita. Bravo!

  28. Daniel
    19 de janeiro de 2016

    Gostei do conto do início ao fim. A fumaça fazendo o papel de demônio, os pneus dos carros que cantavam em uma ode à juventude e o dia do policial que atrapalhava o sono… tudo perfeitamente encaixado!
    Conto espetacular, parabéns!

  29. Marina
    19 de janeiro de 2016

    Tem enredo, tem conflitos, tem metáforas. Gostei do cigarro como um demônio, da atmosfera urbana. Bem escrito. Gostei muito do conto. Parabéns.

  30. Andre Luiz
    18 de janeiro de 2016

    Achei seu conto peculiar e bastante sufocante, no que tange a fumaça do cigarro personificada em demônios que se apoderam das pessoas. De algum jeito, os vícios também são como demônios, e consomem quem os detém. A frase final reflete exatamente o dizer de um viciado que, por experiência pessoal, está verossímil ao extremo. Conheço uma dezena de fumantes que, infelizmente, continuam agarrados a seus demônios. Boa sorte!

  31. Gustavo Castro Araujo
    18 de janeiro de 2016

    Taí um contaço! Poucas linhas que concentram força, suspense e sarcasmo típicos de uma excelente novela noir. O policial irônico e com um conceito baixo de si mesmo. A mulher (fatal, quem sabe) e a trama recoberta por uma fina camada de fumaça. Caramba, por que eu não pensei em algo assim haha

    Discordo daqueles que viram algo nítido neste conto, como violência policial ou coisa do tipo. Sim, o texto permite essa interpretação, mas também permite considerar que o policial invadiu o apartamento e acabou com a vida de um assaltante. Improvável? Talvez, mas nem menos nem mais do que a primeira hipótese. O caso é que por vezes o leitor emprega, na interpretação, forte carga ideológica, prejulgando o texto de acordo com suas convicções. Provavelmente eu também faço isso, mas procuro ser isento.

    Polêmicas à parte, este conto é um dos meus favoritos. Parabenizo o autor pelo ótimo trabalho.

  32. Eduardo Selga
    18 de janeiro de 2016

    EM 2016, COM CERTEZA E INFELIZMENTE, a brutalidade policial vai continuar.

    Um dos elementos que reputo da maior importância na construção do texto ficcional é a utilização da camada simbólica, ou seja, o uso da palavra de modo que ela consiga atravessar, alinhavar e costurar sentidos muitas vezes opostos entre si. E este conto trabalha muito bem essa ferramenta. No trecho “seus demônios agarravam sua garganta e pulmões, impedindo-o de respirar”, por exemplo, a palavra demônios faz menção à fumaça do cigarro consumido pelo personagem e à sua violência internalizada.

    Além disso, é evidente o bom domínio da técnica narrativa, pois a ambientação de cidade foi conseguida no segundo parágrafo fazendo-se uso de alguns substantivos-chave como sirenes, funk, latidos, pneus e carros.

    Ainda no segundo parágrafo, vi um traço de ironia. Ao considerar que o som dos pneus cantando era uma “ode à juventude”, o narrador está sendo sutilmente ácido, pois imediatamente antes ele afirma que tal atitude, possíveis “pegas” — e por metonímia os jovens em si —, permanece sem punição. E é, assim ele pensa, pela necessidade de punir que o assassinato do “garoto sem nome” não significa para ele absolutamente nada demais. Ele está “fazendo justiça”.

    O conto toca em um ponto importante: a banalização da violência e, mais do que isso, mas por vias não tão diretas, no seu emprego enquanto solução para a criminalidade nas metrópoles. A ponto de gerar satisfação em mentes doentias. Observe-se o prazer que o protagonista sente em puxar outra vez a fumaça-demônio para os pulmões. Ele fecha os olhos. Não é apenas prazer: é omissão, pois o personagem fecha os olhos também para o assassinato, considerado afinal um “higienizador” da sociedade.

    Do ponto de vista ideológico (e a literatura necessariamente está impregnada de ideologia) pode ser considerado repugnante, na medida em que se torna não uma “ode à juventude”, e sim à violência policial. isso por um lado, porque por outro também pode ser entendido como denúncia à sensaboria com que a violência urbana é vista pela sociedade, de um modo geral. Do ponto de vista literário é muito bom.

  33. Thata Pereira
    18 de janeiro de 2016

    Simples e bonito. Pensei que mais uma vez veria um suicídio, após a apresentação da pistola, mas ele não veio. O final me surpreendeu mais ainda, não era esperado. Gostei, o conto passa esse ar místico da noite em cidade grande, acho que o cigarro foi um casamento perfeito.

    Boa sorte!

  34. Jef Lemos
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Aka.

    História bem escrita, com uma trama bem amarrada e um final que fechou em um xeque-mate. A realidade descrita em forma de uma linda prosa, contando mais nas entrelinhas do que se pode imaginar. Acho que estará no pódio.

    Parabéns e boa sorte!

  35. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Ui, até o pseudônimo é um demônio, hum?,e um bode. KKKK

    Então, oNoirfoi muito competente e me lembrou o Capitão Nascimento. Percebe-se que o personagem deseja mudança pela dica da promessa quebrada e, portanto, se sente a melancolia ao se perceber que ele fracassou, entrou o ano ruim, não houve renovação. Os demônios ainda permanecerão com ele.

    Enfim, um bom conto, boa escrita, narrativa e bom uso do espaço.

    Boa sorte no desafio.

    Abraço!

  36. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    Gostei do conto, em especial pela atmosfera urbana e suja que ele consegue emular. Bom final tbm!

    Abraço e boa sorte.

  37. Bia
    17 de janeiro de 2016

    Muito bom, passou bem todas as sensações de um ser humano,com todos os seus demônios. A última frase parece dar a entender que ele é insensível à morte que faz parte do seu cotidiano, mas o parar de fumar tem a ver com tudo o que passa. Fuma para esquecer. Desconta no cigarro. Quem sabe em 2017 pare com isso? Ótimo!

  38. José Leonardo
    16 de janeiro de 2016

    Olá, Aka Manah.

    O enredo é o ponto alto, os paralelos sobressalentes (demônios/fumaça/crime), a última frase, perfeita e concisa. Não curti muito o estilo e nem cacei problema social (embora o prrsonagem, para muitos, caia na ciranda do “policial-brutamontes”, k PM violento e assassino).

    Avaliação e sentimentos divididos quanto ao seu texto. Por ora.

    Sucesso neste desafio.

    • Aka Manah
      17 de janeiro de 2016

      Olá José Leonardo. Agradeço o comentário!

      Não sou de responder comentários mas, neste caso, abrirei uma exceção. Apesar do conto tentar abordar, sim, problemas sociais, em momento algum tentei descrever o “policial-brutamontes, violento e assassino” que você menciona. O esforço do conto inteiro é, inclusive, para fazer o oposto: narrar os sentimentos de alguém que muitos julgam não ter sentimento algum.

      Grande abraço!

      • José Leonardo
        17 de janeiro de 2016

        Olá novamente, Aka Manah.

        Sobre o “policial-brutamontes” que citei no comentário: não afirmei que sua intenção era de traçar um personagem nesse molde, e sim que atualmente muitos leitores farão alusão à banda podre da polícia, entende? Faz parte do pensamento majoritário (seja entre intelectuais, políticos e civis comuns).

        Ou seja, extrapola a intenção do autor, não depende dele. Mas mesmo que fosse sua intenção, jamais poderia ser censurada, pois é um ponto de vista.

        Abraços.

      • Aka Manah
        18 de janeiro de 2016

        É verdade José, não havia entendido desta forma. Realmente, não tem como evitar este tipo de pensamento.

        Novamente, obrigado pelo comentário!

  39. Rogério Germani
    15 de janeiro de 2016

    Os conflitos urbanos foram primorosamente lapidados: conviver com cigarros, demônios e distintivo deve enlouquecer até as estátuas pichadas nos centros urbanos …rsrs

  40. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    Texto bastante interessante. Acho que poderia melhorar se fosse criada uma certa confusão entre a fumaça do cigarro e a fumaça da pistola, mas a distância entre a fumaça exalada para a noite foi muito distante da fumaça da lembrança para que isso acontecesse.

  41. Renata Rothstein
    15 de janeiro de 2016

    Esse com certeza será um dos meus 3 primeiros! Dizer o quê? Brilhante, aplausos!

  42. Marcelo Porto
    15 de janeiro de 2016

    Mais um soco no estômago. O segundo aqui no desafio.

    Mais uma história crua que retrata o nosso cotidiano, uma perspectiva de quem participa ativamente das desgraças diárias para manter a sociedade “civilizada”.

    Vai pro pódio.

    Parabéns!

  43. Sidney Muniz
    15 de janeiro de 2016

    Excelente!

    Pais um pseudo que nos apresenta possíveis verdades!

    O demônio das más intenções que tem por objetivo evitar que as pessoas cumpram suas obrigações morais, nesse caso; ser um bom policial.

    Daí temos o conflito intenso na mente do personagem, o tira bom e tira mau… Caramba! genial!

    Realmente o jogo de palavras é ótimo!

    Não curti muito a repetição de demônios no início, mas é justificável, dado o compromisso com a ideia, e a tensão que precisa ser criada num intervalo tão curto de tempo, sendo assim concluo que era extremamente necessário.

    Um conto bom em todos os sentidos!

    Lhe desejo muita sorte e te dou os parabéns!

  44. Leda Spenassatto
    15 de janeiro de 2016

    Gostei da história, só substituiria as palavras repetidas sequencialmente num mesmo parágrafo, como, “demônios e dormia, dormiam”.
    Um pouco mais de cuidado com os dois pontos e ponto e vírgula.
    Boa sorte!

  45. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Muito bom! Envolvente e assustador, ao mesmo tempo que reflexivo.

  46. Ricardo de Lohem
    15 de janeiro de 2016

    Microconto policial bastante bom, conseguiu passar emoção sem ter que apelar para problemáticas sociais, gostei disso. Realmente uma boa história, está de parabéns.

  47. Brian Oliveira Lancaster
    15 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Contexto baseado em reflexões muito bem pontuadas. Simples, mas eficiente – 9
    O: Escrita leve e fluente, essencial para o entendimento da história. – 9
    D: Escrito em forma de pensamento, cria um clima intimista e melancólico desde o início. O final me fez ler novamente para ver se captava a transmissão de ideias. Então tudo ficou mais claro. Exige uma leitura atenta. – 8
    E: Cotidiano bem explorado. O título faz jus ao enredo. – 9

  48. Rsollberg
    14 de janeiro de 2016

    Aqui estamos diante de um conto no melhor estilo noir!
    Desculpe, mas visualizei o personagem como um Mickey Rourke do Copola misturado com coração satânico! (na minha cabeça já é assim, pronto. rs)

    A ligação entre os males do fumo e a o males da alma, através dos demônios metafóricos, foi absolutamente perfeita. A linguagem favoreceu muito, pois você reflete e imagina as cenas. Imagina, inclusive, o personagem lembrando-se de sua vitima.

    Também achei muito interessante a ligação dos sons a juventude, e depois isso melhora ao sabermos do garoto com o tiro no peito. Esse fragmento de voz do personagem nos mostra um pouco de sua personalidade.

    O final é a cereja do bolo, Pois ao mesmo tempo que ele fuma, para aliviar a tensão do seu trabalho brutal, ele também já demonstra certo conformismo com sua tarefa. Ele não escolhe se aposentar, largar o emprego e virar hippie. Ele apenas opta por parar de fumar, que na sua opinião é uma coisa muito mais palpável. O que também não é parece verdade, pois ele está apenas no inicio do ano e promete a coisa para o ano seguinte, rs. Aliás, esse finalzinho me fez lembrar dos mestres Raymond Chandler, James Elroy e Dashiell Hamett!

    Muito bom!!!
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  49. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    Esse conto lembrou um conceito de Bakhtin: polissemia. Aqui se aplica aos demônios que ganharam vários significados. O cenário urbano e a fluidez ajudaram a me conectar ao conto. Gostei bastante!

  50. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    Porra! Que mini-contaço!

    Sem muito a dizer aqui, tudo muito bem escrito e arquitetado.
    O final vem com gosto de soco no estômago.

    Parabéns.

    Abraço!

    • Fabio Baptista
      14 de janeiro de 2016

      PS: A imagem escolhida também ficou show! Esses cenários noturnos de metrópole são meu ponto fraco.

  51. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    Muito bom! Disse muito em tão poucas palavras, com sensibilidade certeira. Habilidade com a linguagem e as imagens, sem dúvida.
    A leitura fluiu fácil como assistir a um trailer no cinema, mas sem a necessidade de ver mais. A história já está toda ali, passado, presente e até o futuro do personagem.
    Boa sorte!

  52. Murim
    14 de janeiro de 2016

    Que paulada! Muito bom! Não gostei da escolha de palavras e imagens em alguns pontos (sinfonia cantada?), mas em outros é extremamente certeira. O conceito de “demônio” é repleto de significados nesse pequeno conto, foi uma surpresa muito agradável desvendá-los.

  53. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Turbilhão emocional. Carga dramática muito boa. A intensidade do protagonista solta das palavras. Muito bom. Parabéns e boa sorte.

  54. Anorkinda Neide
    14 de janeiro de 2016

    Olá! Eu gostei muito do que li aqui… pois é um texto denso e intimista.
    Acho que gostaria de tê-lo em primeira pessoa. Senti uma certa ‘trava’ com as muitas vírgulas, dois pontos, ponto e vírgulas, embora elas estejam ali com perfeição, acredito eu… porém o conto é curtinho e achei q estas pontuações dominaram muito sabe como é? Numa segunda leitura deslizei melhor no fluxo do texto.
    Vc está de parabéns, é um bom texto.
    Abraço

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .