EntreContos

Detox Literário.

No ar (Catarina Cunha)

2015-01-01 19.50.17

Pouso lentamente a xícara no balcão retardando o contato com o aço na esperança de você se virar. O vácuo do teu vestido arfa na calçada jogando a conivência das folhas secas nos meus pés. Sorrio enquanto meus dentes correm todos em sua direção abandonando o corpo inerte. A noite muda é um teclado virgem suspenso no hiato de nossas vidas. Um neon indeciso aconselha vai, fica, vai, fica, vai agora! É tarde desabando nos meus covardes ombros. Da janela do ônibus só o vento me acena um beijo vazio. Agarro no ar um leve mover de pescoço e meu estômago grita: volta, perdoa! Mas o coração cansa sentando na primeira curva desaparecida.

Com os joelhos confortando as orelhas recebo teus dedos sussurrando a última chance entre meus cabelos.

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61 comentários em “No ar (Catarina Cunha)

  1. Giovanna Goldfarb Padilha Sodré
    1 de fevereiro de 2016

    bom

  2. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    Olá.

    Juro que fiquei confuso. Acredito que esse seja o resultado quando se junto uma estória subjetiva e abstrata com um estilo poético demais. Está bem escrito e é gostoso de ler.

    Nota: 7.

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Um bom conto, entendi como de amor. Ele me deixou uma curiosidade, uma ânsia por saber mais.
    A parte que mais me chamou atenção foram os dedos nos cabelos, achei bonito.

  4. Wilson Barros Júnior
    29 de janeiro de 2016

    “A esperança de você virar” é tocante, acontece demais comigo. “O Vácuo do teu vestido arfa na calçada”, é uma frase espetacular. “A noite muda é um teclado virgem” lembra uma canção simbolista, ao estilo musical de Béranger:

    “Sachez bien qui vous a vendu
    Mon cœur est un luth suspendu;
    Sitôt qu’on le touche, il résonne”

    (E você sabe o motivo,
    Meu coração é uma corda virgem,
    Assim que o tocam, responde)

    O esto tudo obedece ritmos musicais. Vai, fica, vai. Cara, que bonito!

  5. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    No ar (Hortêncio)
    1. Temática: Essencialmente narrativa, com foco na angústia.
    2. Desenvolvimento: Interessante, apesar de muito recorrente entre escritores.
    3. Texto: É a tarde…
    4. Desfecho: Seria uma despedida? Um pedido de reconciliação? Por que última chance?
    Gostei!

  6. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Wow, gostei bastante da escrita. O autor mostra domínio pleno na arte de desenvolver uma narração.

    Achei a imagem de acompanhamento grande demais… quase ofuscou o texto curtinho do conto.

    Só não entrou para minha lista do top 15 pois a história foi quase que ausente. E é basicamente isso que eu avalio para votar nos meus favoritos. Mas, o autor aqui ganhou o meu respeito, pelas descrições sensacionais.

    Parabéns, e boa sorte no desafio.

  7. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    Meu critério costuma ser emocional, relativo ao que o conto me faz sentir, se faz. Aqui temos um conto muito bonito e lírico, mas que não me emociona. Talvez seja minha a incapacidade de compreender todo o lirismo, e por isso não penetre na profundidade do texto. Acontece.

    É o tipo de conto que sei que está bom, mas não consigo realmente gostar.

  8. Pedro Luna
    28 de janeiro de 2016

    É, infelizmente não gostei muito. O poético para mim funciona como um tiro no escuro, ou me pega pelas bolas ou só deixa uma boa (ou má) impressão. Não gostei muito desse conto porque enxerguei uma cena simples, floreada no meio da linguagem poética. Geralmente enxergo em textos poéticos essa máscara de palavras para elevar algo banal ao posto de belo e tocante. Bom, aqui não funcionou pra mim. : / desculpe, autor ou autora.

  9. Miguel Bernardi
    28 de janeiro de 2016

    E aí, Hortêncio. Tudo bem?

    Gostei muito da narrativa, das descrições… o modo como teceu a narrativa foi poético e level. Ainda que o tema seja recorrente na literatura em geral, aqui, me agradou pelas sensações/emoções do personagem. Ficou muito crível, muito verossímil, e por isso, gostei.

    Um grande abraço. Boa sorte!

  10. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Tenho um pouco de trava com narrativa muito poética, super floreada e açucarada. Gostei da mensagem por detrás, da separação e retorno, mas em meio ao estilo que se desenvolveu, achei bem confusa. Bonito conto, mas não faço parte do nicho que curte, então não tenho muito o que declarar.

    A parte do neon ficou muito boa, adorei a sensação de pisca-pisca com a indecisão!

  11. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Um bom argumento / enredo redigido de modo que para mim soou muito confuso. Não consegui estruturar mentalmente um significado para “a conivência das folhas secas nos meus pés”. A imagem “meus dentes correm todos em sua direção” me deixou perplexa, assim como “o coração cansa sentando na primeira curva desaparecida”. Ainda assim, a sensação de conflito ficou bem gravada e isso é um mérito e tanto!

  12. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Outra temática batida e recorrente… Bem escrito, mas previsível demais. Boa sorte!

  13. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    O conto é bem interessante Hortêncio. A angústia do personagem chama a atenção. Tem bom enredo, está bem escrito, mas é corriqueiro em termos de criatividade. De qualquer forma, gostei.
    Boa sorte.

  14. Kleber
    26 de janeiro de 2016

    Gostei.
    Um personagem passando por um grande conflito de emoções. A conturbação, a indecisão, confusão e desalento estão gravados em tábua de pedra. As limitações deste desafio nos impuseram algo insólito; Como escrever uma trama completa clássica em tão pouco espaço? As alternativas apresentadas aqui pelos colegas são ousadas. E por isso mesmo bastante criticadas. Mas, neste conto específico, digo que conseguiu-se “naniaturizar”(se é que este termo existe) algo muito maior. E o resultado foi satisfatório.

    Sucesso no desafio!

  15. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Hortêncio, meu caro:

    TEMÁTICA: separação amorosa e prosa poética misturam-se muito bem.

    TÉCNICA: um pouco truncada, em busca de efeitos, mas isso dá detalhes para pensar. Pena que a história em si não tenha se desenvolvido além do hermetismo proposto.

    TRANSCENDÊNCIA: no cômputo geral, me identifiquei com a história e o estilo. Muito bem!

  16. rsollberg
    26 de janeiro de 2016

    Gostei do conto. É perceptível o zelo com as construções, tentando aproveitar todas as palavras e, ao mesmo, criar uma coisa bonita.

    Identifiquei-me com o sujeito indeciso, percebendo que o amor de sua vida está partindo.Uma hora ele vai, não é mesmo?. Mas não dessa vez, a mulher e seus dedos concederam mais uma chance. Bem, uma historia bem contada com inicio, meio e fim . O final feliz, por incrivel que pareça, nem sempre nos agrada, mas aqui pareceu funcionar bem, pelo menos para mim., Já disse que me identifiquei com o protagonista? rs

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  17. Mariana G
    25 de janeiro de 2016

    A escrita poética deixou o texto um tanto enfadonho, tinha momentos em que faltou uma descrição mais neutra e com muito mais vírgulas, para deixar o texto mais leve e fluido. Mas a escrita é boa, invista nela.
    Boa sorte!

  18. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2016

    Bom conto. O texto é bem escrito. Mas, não sei se entendi o que o autor(a) deixou no ar. boa sorte.

  19. Murim
    23 de janeiro de 2016

    Um conto poético, bonito, bem escrito. Um final “para cima”, que me fez me sentir bem – parece que há uma mania por desgraças irremediáveis por aí, mas esse conto foi uma bem-vinda exceção. Mas, além das imagens bem construídas, faltou aquela arrebatadora, a palavra certeira, que só a poesia pode fornecer.

  20. vitormcleite
    22 de janeiro de 2016

    olá, ui tanta poesia não sei se vai correr bem neste desafio! Mas isso também será o menos importante. Parabéns pelo teu texto mas lamento que te tenhas deixado enredar em tanta poesia, e, parece que falhaste com algumas imagens. Acredito que tenha resultado do pouco tempo para elaborar este texto, e lamento pois o teu texto, para mim, perdeu leitura. desejo-te as maiores felicidades para este desafio.

  21. Pedro Henrique Cezar
    21 de janeiro de 2016

    Achei poético e bem escrito, porém o excesso de lirismo prejudicou a minha compreensão mais geral da história. Mesmo assim, parabéns!

  22. elicio santos
    21 de janeiro de 2016

    Cada estilo deve ficar no seu “quadrado”. O desafio é de poesia? Certamente não! Logo, não há muito a ser comentado. O texto não tem unidade narrativa e mal conta uma história. Parece mais uma canção romântica. O autor precisa entender que ser um bom escritor não implica necessariamente em rebuscar a linguagem, muito menos em inventar metáforas mirabolantes. Boa sorte da próxima vez.

    • Hortêncio
      21 de janeiro de 2016

      Caro Elicio, No seu entender o que seria um conto? Desde já, grata pelo retorno.

    • Eduardo Selga
      21 de janeiro de 2016

      Discordo. O que talvez deva “ficar no seu quadrado” é o poema, não a poesia. O poema é um gênero que pode, inclusive, não ser poético. A poesia transita legitimamente por todos os gêneros literários, a depender do estilo autoral, inclusive no poema.

    • mariasantino1
      28 de janeiro de 2016

      Licença para me intrometer, ok?

      Também discordo que cada coisa tenha que ficar em seu quadrado. Sou a favor da promiscuidade literária. Sem misturas não haveria o novo, o diferente, a referência do caminho que não se deve seguir. Não haveria derivados do rock, por exemplo, não haviam os brasileiros, e nem a criação de novos gêneros literários. Só quando ousamos é que podemos abrir asas para algo novo.
      Se misturarmos muito pode se perder algo, mas tudo é risco e quem não se arrisca não vive.

      Bem, o texto não é meu, mas me deu vontade de defendê-lo, pois ele me tocou de uma forma tal que desejei afagar o personagem da trama.

  23. Marina
    21 de janeiro de 2016

    Bem escrito. Uma prosa poética; tem história, é bem narrado, tem poesia, musicalidade. Eu gosto, apesar de ter ficado confusa com o cenário.

  24. Anorkinda Neide
    20 de janeiro de 2016

    Um conto com ares de prosa poética. Na real, não gostei das frases.. dentes q correm, orelhas entre os joelhos, estômago que grita… Não soou legal pra mim.
    Demorei bastante pra entender e só entendi mesmo depois de ler comentarios.
    Relendo o texto, não vi tudo o que o pessoal descreveu não…rsrs
    Novamente, acho que o enredo está mais na cabeça do autor do que no texto.
    Esta ‘briga’ de casal poderia ser contada de forma mais simples, acho q arrebataria, mesmo q não houvesse clímax.
    Boa sorte, abraço!

  25. Cilas Medi
    20 de janeiro de 2016

    É como me senti, nas três leituras, no ar. Infelizmente, talvez, por achar que é um clichê esse tipo de expressão, querendo misturar poesia, desalento, amor perdido ou não correspondido, fica a sensação de não entendimento pela mensagem que se quer passar para o leitor. Não senti corretamente, portanto não gostei.

  26. Simoni Dário
    20 de janeiro de 2016

    Estranha a sensação que esse conto me passou na primeira leitura. Eu simplesmente ri muito, porque pareceu que você, autor, estava usando floreios e poesia como ironia no texto. Não sei porque o texto passou-me essa ideia. Daí fui ler os comentários, todos sérios, e refleti sobre o que aconteceu comigo aqui. O Evandro Furtado falou em zumbi, daí li de novo o texto, lendo com os olhos dele, e a coisa fez mais sentido, talvez por isso eu tenha achado engraçado. Mais alguém falou em partes do corpo humano pulsando e fez sentido também porque vi aí mais ficção. Então autor, estou boiando ainda, porque as frases lindas que você usou no texto me causaram risos? Não consegui levar a sério, nem na releitura. Desculpe se falei bobagens, de qualquer forma, gostei demais. Parabéns!
    Bom desafio!

  27. Leonardo Jardim
    20 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐▫▫): infelizmente a história que o texto conta é meio obscurecida pelo lirismo das palavras: sei que tem um cara que quer (re)conquistar uma mulher. Não sei se entendi bem, mas acho que no fim ele consegue.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): é uma poesia escrita em um parágrafo. Vendo assim, tá muito bonita, mas vento como um conto, ficou prolixa.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): desamores e desentendimentos são os motes mais comuns da literatura.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): embora tenha gostado da poesia das palavras, me senti perdido muitas vezes e acabei perdendo a conexão com o texto.

  28. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 7.5/10 – a ousadia da escrita acabou por gerar um travamento no texto;
    Estilo – 7.5/10 – gosto quando se usa metáforas em algo diferente, mas como o final me deixou com dúvidas não vai o dez;
    Verossimilhança – 7.5/10 – considerando apenas a primeira parte, bem desenvolvido. O final confundiu;
    Efeito Catártico – 7.5/10 – OK, considerando apenas o primeiro parágrafo – e isso vai soar bem maluco – achei que era o relato de um zumbi. Exatamente. Um zumbi atrás de sua vítima. Ele está mastigando um cadáver, se levanta – Sorrio enquanto meus dentes correm todos em sua direção abandonando o corpo inerte – e caminha em direção à vítima tentando mordê-la. Se terminasse nesse parágrafo seria perfeito. Uma forma única de lidar com um tema tão comum. Mas veio o último parágrafo e agora não faço ideia do que o conto é sobre. Mas vou considerar a minha ideia, OK?

  29. Antonio Stegues Batista
    20 de janeiro de 2016

    Eu raciocino pela lógica e às vezes não percebo o sentido figurado, por isso nem sempre sou entendido, ou entendo. Mas, aqui percebi uma estória,(ficção), onde estão descritas partes do corpo humano= pés-dentes-corpo-ombros-pescoço-estômago-coração-joelhos-orelhas-dedos-cabelos. É o sentimento pulsando em todas as partes do corpo. Não sei se foi intenção do autor ou foi inconsciente. Ficou bacana, mas poderia ficar melhor.

  30. Laís Helena
    20 de janeiro de 2016

    A transição suave de um ambiente para outro, embora tenha me demandado mais de uma leitura, foi um recurso interessante para passar a ansiedade do personagem em relação à briga. Um recurso que, em uma história um pouco maior, teria tornado a narrativa enfadonha.

    O que mais me impressionou foi que você conseguiu, em 150 palavras ou menos, contar uma história com começo, meio e fim, e ainda passar todas as emoções necessárias.

  31. Catarina
    19 de janeiro de 2016

    O INÍCIO já cria uma atmosfera de suspense. O FILTRO tem técnica apurada. O ESTILO criativo, mas excessivamente poético, pode assustar em TRAMA tão pequena. O PERSONAGEM ficou bem retratado e o FINAL feliz surpreendeu.

  32. Daniel
    19 de janeiro de 2016

    Eu gostei. Achei que o tom poético agregou valor ao conto. Confesso que as figuras de linguagem acabaram atrapalhando um pouco a compreensão minha do texto, mas isso não prejudicou o texto como um todo.
    Parabéns!

  33. Gustavo Castro Araujo
    18 de janeiro de 2016

    Acho que uma das características mais marcantes dos nossos desafios é essa ideia de sermos todos escritores, leitores e juízes ao mesmo tempo. Isso faz com que o resultado seja, quase sempre, uma média de opiniões. E, como disse Confúcio, a virtude está no meio. Portanto, acho perfeitamente válida essa discussão sobre ser ou não ser conto, porque revela quão ampla é a percepção do pessoal, sem que isso jamais leve a uma desclassificação ou à passagem para o Olimpo de modo imediato. Como disse, o que vale, no fim, é a média. Posso até não concordar com o que algumas pessoas cham. Mas a média, repito, é sempre o caminho a ser seguido.

    Pessoalmente, para mim vale a lição que atribuem a Mário de Andrade: “conto é aquilo que eu conto”. Na minha opinião isso significa uma história, quer grande, quer pequena, quer em 25000 palavras, quer em 50. Stephen King chama de “conto” textos com 35 mil palavras. Quem sou eu para contestá-lo? No fim, como diria um antigo professor que tive, isso é perfumaria. O que interessa é o texto passar emoção, seja pela forma que tiver, tenha a denominação que o autor deseje.

    No caso deste texto, é inegável que há uma história. Está muito bem definida, de modo que não há dúvidas de que, pelos meus conceitos, trata-se de um conto. O casal brigou porque o cara fez merda. A garota foi embora e agora ele está arrependido, torcendo para que ela reconsidere. Não há dificuldade em entender.

    Para o meu gosto pessoal — e isso (in)felizmente é o que acaba prevalecendo — está açucarado demais, como se o autor tivesse se preocupado antes com o encaixe das palavras de efeito do que com o substrato da narrativa. Se a ideia geral de micro contos, ou contos de pequena extensão, é deixar lacunas a serem preenchidas por quem lê, podemos dizer que este texto não ofereceu tal possibilidade. O casal brigou. Ponto. A prosa poética ajuda no clima, mas não dá muita ideia do que houve por trás do rompimento. Enfim, é um texto que se pode contemplar como uma bela fotografia, mas não se admirar como um quadro em que se denotam as pinceladas do artista.

  34. Andre Luiz
    18 de janeiro de 2016

    Gostei e não gostei. Parcialmente. Achei muito belo, e delicadamente trágico. A imagem final do personagem com os braços entre as pernas afoga nossos sentimentos em suas lágrimas. Contudo, não achei muito interessante a organização da trama, que para mim pareceu um pouco confusa. Mesmo assim, uma ótima leitura. Boa sorte!

  35. Thata Pereira
    18 de janeiro de 2016

    Estou apaixonada nesse conto. Esse “vai, fica, vai, fica, vai agora!” me deu até vontade de recitá-lo um dia… belíssimas construções poéticas. Clima adorável.

    Boa sorte!

  36. Piscies
    18 de janeiro de 2016

    Um dos textos mais bem escritos que já li. Que delícia! Palavras bonitas e muito bem colocadas. Ao contrário de muitos, não me incomodei com as palavras nem com as vírgulas – achei que elas ditaram o ritmo do texto, não muito rápido, não muito lento.

    O texto em si é uma coleção de imagens. Em um só parágrafo estamos ao balcão com um café na mão e, poucas palavras depois, em um ônibus deixando esvair nossas últimas esperanças. A imagem da mulher esvoaçando seu vestido aos pés do narrador é linda!

    A mão sobre os cabelos sussurrando a última chance deixa implícito de que o erro era dele – do narrador. Talvez? Tanto faz. O texto não quer entrar nestes detalhes. Ele fala do momento da dor, da angústia de deixar ir, da covardia em não admitir o erro ou não correr atrás daquela que ama, não importando quem errou.

    Belíssimo!!!

  37. Jef Lemos
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Hortêncio.

    É um conto bonito, que nos leva a entrar no personagem e imaginar todas as suas angústias. No entanto, senti falta de uma escrita mais apurada. Achei que poderia ter sido melhor formatado.

    Ainda assim, é um bom conto.

    Parabéns e boa sorte!

  38. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Ah, meu querido Hortêncio…

    Eu vejo perfeitamente um casal se separando após algum atrito. O narrador personagem (homem ou mulher) em pé próximo a um balcão enquanto a amada vai para o ponto de ônibus. O(a) personagem então deseja queela volte mas não sede, não vai atrás e se senta no meio fio. No final ela aparece afagando os cabelos do ser amado e dando então mais uma chance. É bonito,tocante, cheio de sentimentos e construções frasais marcantes >>>>>O vácuo do teu vestido arfa na calçada jogando a conivência das folhas secas nos meus pés. >>>>Da janela do ônibus só o vento me acena um beijo vazio. Agarro no ar um leve mover de pescoço e meu estômago grita: volta, perdoa! Mas o coração cansa sentando na primeira curva desaparecida.

    Não vejo com maus olhos essa poetização, porque o artista é livre para romper com as regras. O que falta mesmo é encontrar leitores que desejem fazer isso também, que mastiguem mais antes de engolir.

    A narrativa me ganhou, a escolha das palavras, a poetização como recurso para não explicar tanto,que faz com que o espaço seja usado de forma inteligente. Trama simples e ótima carga dramática.

    Já pra minha lista 😉

    Muito Sucesso.

    Forte abraço!

  39. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    Gostei da prosa poética, só senti falta de um pouquinho de revisão, feito em “Um neon indeciso aconselha vai, fica, vai, fica, vai agora!”. Acho que aqui poderia have um “:”, feito você usou em frase semelhante depois.

    O enredo é simples, quase uma fotografia, mas até que ficou bom.

    Abraço e boa sorte.

  40. Bia
    17 de janeiro de 2016

    Gosto de textos poéticos, mas as figuras de linguagem empregadas me pareceram um tanto exageradas, não me caíram bem. Quero crer que haveria uma forma de ser poético fazendo de outra forma. Da forma como está, aliás, me parece mais descritivo que poético. Boa sorte.

  41. Rogério Germani
    16 de janeiro de 2016

    A poesia aqui chegou com a mão repleta de odores. Frases impactantes, imagens bem elaboradas. Uma revisão aqui, outra ali e o conto, talvez enxugando a intensidade de algumas frases, ficará perfeito.

  42. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    Eu gosto de prosa-poética, mas não acho que ela tenha sido bem executada neste texto. Houve um uso excessivo de gerúndios onde não eram necessários, e isso tornou o texto menos belo para mim. O grande trunfo deste conto foi o vai, fica, vai, etc.! Achei a dinamicidade desse excerto fantástica.

  43. Renata Rothstein
    15 de janeiro de 2016

    Talvez por eu gostar muito de poesia, talvez por perceber o talento brilhante do autor, talvez por tudo: achei irretocável o texto. E sim, é um conto – e extremamente poético e bem escrito. Boa sorte.

  44. José Leonardo
    15 de janeiro de 2016

    Olá, Hortêncio.

    É um belo texto, mas vejo aqui um quê de “carregar nas tintas”, como comentei noutro microconto; naquele caso, era uma adjetivação pomposa no início do texto, aqui, é a forma geral como ele se desenvolve. É denso e poético, mas há que se ponderar no uso desse recurso. “A noite muda é um teclado virgem suspenso no hiato de nossas vidas” é uma frase ao mesmo tempo maravilhosa e esquisita que faz sentido.

    Sucesso neste desafio.

  45. Eduardo Selga
    15 de janeiro de 2016

    É UM CONTO, SIM

    Ah, os manuais… ao mesmo tempo importantes — se vistos com a devida reserva — e tão potencialmente prejudiciais.

    É claro que este texto é um conto, pois existe nele uma narrativa, o que não aconteceria se fosse um poema lírico. O que acontece é que, como essa narrativa é construída a partir de frases eminentemente poéticas, com forte ressignificação semântica, que antes sugerem que afirmam os fatos a visibilidade da descrição e da narração. Mas para contar literariamente uma estória o autor pode lançar mão de todo e qualquer instrumento, desde que ele tenha efeito estético. Por fim, o poema lírico é o estado emocional do EU, e isso implica ausência de personagens e de enredo, duas categorias que estão presentes neste conto. Enfumaçados? Talvez sim, mas isso depende muito da capacidade interpretativa do leitor.

    Apesar disso, entendo ter havido excesso na intensidade (não na quantidade) das imagens, em função do limite imposto pelo desafio. Luz demais ofusca. Assim, a sequência de belas construções pode causar certo atordoamento no leitor. Tão intensas assim, algumas delas demandam maior espaço para que possam se fixar na recepção da leitura. Exceto, evidentemente, se atordoar com imagens tenha sido precisamente o intento do(a) autor(a).

    Nesse último caso, quem escreveu disputa uma batalha um tanto injusta. É que na contemporaneidade, a percepção que as pessoas têm da vida passa longe do poético, e há pouco espaço para a subjetividade. Todos querem ser objetivos, práticos etc. Aqui mesmo no site há cobranças quando o conto não preenche esses “requisitos” e elogios quando eles se mostram evidentes. Assim sendo, em um texto curto o poético é entendido como defeito. Porque em nossa vida a poesia é considerada assim. Ainda é vista como coisa de mulher, de sonhadores, e tudo o mais que se alinha ao campo negativo do discurso social.

    Parabéns pela ousadia e pela beleza.

  46. Sidney Muniz
    15 de janeiro de 2016

    Gostei, mas não o bastante.

    Achei doce, no entanto a execução não me cativou em relação a organização de ideias.

    Ainda assim tem frases de efeito que nos pegam e nos levam…

    Nota-se contudo a veia poética e a beleza na formação de cada sentença, ainda que a pontuação careça de uma revisão.

    Num apanhado geral, é uma escrita que me da vontade de dançar já o enredo pisou no meu pé…risos

    É isso, boa sorte e parabéns pelo talento!

  47. Marcelo Porto
    15 de janeiro de 2016

    Tive alguma dificuldade de ler, tanto pela construção, quanto pelo estilo.

    Não me tocou, por que não compreendi. Aqui e ali a gente vê que é uma tentativa de reconciliação, mas isso tá tão cifrado que não tenho certeza.

    Boa sorte.

  48. Leda Spenassatto
    15 de janeiro de 2016

    Bom! Textos sem parágrafos ficam um pouco cansativo, poderia haver um corte para aliviar o leitor. Li, reli e li outra vez, viajei com sua história.
    Ficou muito boa!

  49. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    O texto é poético e consegue transmitir o recado sem ser over. Parabéns

  50. Ricardo de Lohem
    15 de janeiro de 2016

    Texto poético com história quase indecifrável. Eu poderia dizer que é bem escrito e mostra que o autor domina bem o uso das palavras se fosse puramente uma poesia, mas como a proposta aqui é escrever um miniconto, não fiquei satisfeito. Um bom poema, mas não um conto.

    • Hortêncio
      15 de janeiro de 2016

      Caro Ricardo de Lohem,
      O que é um conto?

      • Ricardo de Lohem
        17 de janeiro de 2016

        Um conto é uma narrativa que contém um enredo, ou sugere um, ou faz uma cena ou retrato de uma situação ou personagem. No caso, houve uma cena, mas tão curta e simples que se diluiu na linguagem, a meu ver, ou seja, as frases ficaram mais importantes que a narrativa. Entenda que é preciso haver algum parâmetro para diferenciar conto de não conto, se não usarmos nenhum, qualquer sequência de caracteres se torna um conto, até uma fórmula matemática, ou um trecho de um dicionário, o que não é correto, pois sem limites não há possibilidade de avaliar nada.

      • Hortêncio
        17 de janeiro de 2016

        Muito obrigada, Ricardo, por sua deferência em me responder e emitir opinião diluída entre paredes. Percebo sua preocupação em ser transparente num mar revolto de lama simplista como só os sapos ousam nadar. A visão instintiva do leitor sempre me encanta. Tomara eu evolua, quiçá você.
        Grata.

  51. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    Eita, alguém que se enrola mais na prosa poética do que eu! É tanta poesia que me senti em um labirinto de sensações.
    O final ficou, digamos, singelo. Gosto de finais ternos e felizes, pois me fazem acreditar em novas possibilidades.
    Está em escrito, um pouco exagerado em termos de poesia para o gosto da maioria, mas deu o seu recado com classe.
    Boa sorte!

  52. Brian Oliveira Lancaster
    15 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Texto complexo com sua prosa poética bem delineada. A utilização da 1ª pessoa em forma de relato é ousada, mas caiu bem. – 8
    O: O rebuscamento é essencial para esse enredo, mas, como sempre (infelizmente), fica um tanto difícil de entender o que se passa no momento. Li duas vezes e ainda assim fiquei com dúvidas. Acho que a partir de “a noite muda…” poderia ser outro parágrafo. – 8
    D: Belo e poético. Melancolia wins. – 8
    E: A atmosfera do cotidiano foi bem aplicada nesse contexto e termina com uma sensação de aconchego inexplicável. – 8

  53. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    Eu tenho dificuldade com a linguagem poética, mas aqui não me impediu de entender a história. Mas também não foi o suficiente para gostar do conto. O final feliz não é ruim em si, só não me emocionou como deveria.

  54. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    A escrita bem poética não me agradou muito, apesar dessa pequena joia: “Da janela do ônibus só o vento me acena um beijo vazio”. Achei que faltaram algumas vírgulas no meio de quase todas as frases.

    O final “feliz” é bonito e, apesar de não ter lá muito impacto, encerra bem (finais felizes vão bem de vez em quando… só de vez em quando :D).

    Abraço!

  55. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Achei brilhantemente poético e bem escrito. Parabéns e boa sorte.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .