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Detox Literário.

No ar (Catarina Cunha)

2015-01-01 19.50.17

Pouso lentamente a xícara no balcão retardando o contato com o aço na esperança de você se virar. O vácuo do teu vestido arfa na calçada jogando a conivência das folhas secas nos meus pés. Sorrio enquanto meus dentes correm todos em sua direção abandonando o corpo inerte. A noite muda é um teclado virgem suspenso no hiato de nossas vidas. Um neon indeciso aconselha vai, fica, vai, fica, vai agora! É tarde desabando nos meus covardes ombros. Da janela do ônibus só o vento me acena um beijo vazio. Agarro no ar um leve mover de pescoço e meu estômago grita: volta, perdoa! Mas o coração cansa sentando na primeira curva desaparecida.

Com os joelhos confortando as orelhas recebo teus dedos sussurrando a última chance entre meus cabelos.

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61 comentários em “No ar (Catarina Cunha)

  1. Giovanna Goldfarb Padilha Sodré
    1 de fevereiro de 2016

    bom

  2. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    Olá.

    Juro que fiquei confuso. Acredito que esse seja o resultado quando se junto uma estória subjetiva e abstrata com um estilo poético demais. Está bem escrito e é gostoso de ler.

    Nota: 7.

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Um bom conto, entendi como de amor. Ele me deixou uma curiosidade, uma ânsia por saber mais.
    A parte que mais me chamou atenção foram os dedos nos cabelos, achei bonito.

  4. Wilson Barros Júnior
    29 de janeiro de 2016

    “A esperança de você virar” é tocante, acontece demais comigo. “O Vácuo do teu vestido arfa na calçada”, é uma frase espetacular. “A noite muda é um teclado virgem” lembra uma canção simbolista, ao estilo musical de Béranger:

    “Sachez bien qui vous a vendu
    Mon cœur est un luth suspendu;
    Sitôt qu’on le touche, il résonne”

    (E você sabe o motivo,
    Meu coração é uma corda virgem,
    Assim que o tocam, responde)

    O esto tudo obedece ritmos musicais. Vai, fica, vai. Cara, que bonito!

  5. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    No ar (Hortêncio)
    1. Temática: Essencialmente narrativa, com foco na angústia.
    2. Desenvolvimento: Interessante, apesar de muito recorrente entre escritores.
    3. Texto: É a tarde…
    4. Desfecho: Seria uma despedida? Um pedido de reconciliação? Por que última chance?
    Gostei!

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .