EntreContos

Detox Literário.

Sucessão (Rafael Sollberg)

caixao-enterro

A xícara não se espatifou no chão quando soube da morte do velho. A vida real é menos dramática. Não derramei café, nem lágrima. Perdi a missa, mas não perdi o sono. Aproveitei para me livrar dos “slides” – obsoletos de nascença – e do time de botão verde esmeralda abandonado no fundo do armário.

* * *

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Quarta Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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60 comentários em “Sucessão (Rafael Sollberg)

  1. harllon
    29 de janeiro de 2016

    O desleicho com a morte de um familiar ou de qualquer pessoa que seja, é algo que apenas uma pessoa amargura, frustada, a atenta e gananciosa pode sentir.
    Vou isso que visualizei em seu conto.
    Bla sorte!!!

  2. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Sucessão (Remy Hadley)
    1. Temática: Relações familiares, conflitos.
    2. Desenvolvimento: Muito bom.
    3. Texto:
    a) não seria verde-esmeralda?
    b) Dispensei as orientações, pois já conhecia o inteiro teor.
    c) “HUNTINGTON”, dizia o quinhão atávico – legado deixado pelo meu querido pai.
    4. Desfecho: Deixar os bens materiais para os filhos é a regra. Esposa e filhos ficam com o espólio. Não consegui entender o porquê de algo, que é natural, tornar-se o cerne da trama? Talvez, se justificasse, melhoraria bastante.

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Eita, que filho mais frio! Foi bem escrito mas não me chamou especialmente a atenção, creio que poderia ter sido explicado um pouquinho mais, moivação, não sei… Por que tanto ódio do pai?

  4. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Geralmente eu detesto contos de um parágrafo só (mesmo se tratando de micro contos). Aqui, infelizmente, não foi exceção. Achei que ficou travada e pouco fluida a leitura, devido à esse formato de blocão, com todas as frases juntas.

    A ideia do conto também não me agradou. A única coisa que me agradou aqui foi a escrita, que está bem bacana até, demonstrando que o autor é habilidoso.

    Boa sorte no desafio.

  5. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    Muito bom. A relação pai e filho péssima, mas extremamente comum, ficou muito boa no inicio. Mas quando cheguei no fim ficou aquela pergunta: “Huntington”?

    O pai google ajudou e o conto ficou ainda melhor. Deixar pro leitor descobrir esse tipo de coisa por conta própria é um recurso que me agrada muito.

    Parabéns.

  6. Pedro Luna
    29 de janeiro de 2016

    Gostei bastante do início do conto, retratando uma realidade possível após a morte de alguém próximo, a indiferença. Acontece, principalmente pelas atitudes tomadas em vida. Quanto a parte final, fiquei meio boiando, mas quando o texto fala que não precisava abrir o envelope lacrado, e que o pai havia deixado uma herança, pensei em uma doença. Curioso, pois logo hoje li a notícia sobre o ator Guilherme Karan, que sofre de uma doença passada pela mãe, e que matou ela e os outros filhos.

    Um bom conto.

  7. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Gostei da maneira que montou a relação pai/filho, em como sentiu a morte dele (ou como não sentiu), deixando belas frases num canto e noutro, como a xícara. As vezes acontece disso, simplesmente não sentimos. Mesmo quando se quer sentir, não vem. As vezes me entristeço por isso.

    Meio que me confundi no final, pois imaginei uma herança e ali o sobrenome da família. Nos comentários percebi do que se trata, na verdade. Muito bom!

  8. Wilson Barros Júnior
    28 de janeiro de 2016

    Muito boa a perífrase inicial, ou seja, no lugar de dizer não me surpreendi quando soube, não me emocionei, dizer que a xícara não se espatifou no chão. É mais um conto cheio de figuras de linguagem bem elaboradas, metáforas e prosopopeias, o que o torna estilizado e lido com prazer. A senha secreta, despertando dolorosas lembranças, ao mesmo tempo que informa a doença do pai, realiza três tarefas ao mesmo tempo. Que mais se pode pedir, em termos de economia, em um microconto?

  9. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Gosto de encontrar subtexto! Achei interessante como até a insistência em frisar a falta de sentimento no início do conto pode ser lida como uma manifestação da doença. Baita microconto!

  10. Renato Silva
    28 de janeiro de 2016

    Gostei muito dessa amargura demonstrada pelo narrador. Deu a entender que também não tinha boa relação com o pai, e descobrir a doença só aumentou esse ressentimento.

    Eu não sabia o que era “huntington”, por isso fui pesquisar. Penso que nós, escritores, devemos mesmo levar novas informações, abordar doenças pouco conhecidas, fatos históricos obscuros ou citar povos “exóticos”. Se o seu avaliador não tem conhecimento do tema abordado, a culpa é única e exclusivamente dele e de sua ignorância.

    Eu não acompanho a série House, por isso não tinha sacado as referências. Vi isso nos comentários. Você fez um bom trabalho.

    Boa sorte.

  11. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    Trama do texto parecia presa a algo que não precisaria de estar lá. Bem criativo e apresenta conclusão inteligente,apesar de esperada.
    Boa sorte.

  12. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Olá, Remy. Minhas impressões:

    TEMÁTICA: um tema confessional, com a vingança e a raiva pontuando o discurso narrativo. Gostei, principalmente da inevitabilidade.

    TÉCNICA: Muito boa, conduziu a narrativa ao clímax que, se não surpreendeu, correspondeu à expectativa a ao tom geral.

    TRANSCENDÊNCIA: a história é significativa, e me lembrou um pouco a primeira parte de O Estrangeiro, do Camus. Mas a limitação de palavras não permitiu aprofundar mais o pensamento do personagem-narrador. Sucesso!

  13. vitormcleite
    25 de janeiro de 2016

    olá, história muito bem contada, nada a apontar, para além do uso exemplar das palavras. Execução quase perfeita, palavras fortes que interagem com o leitor, olha, muitos parabéns.

  14. Elicio Santos
    25 de janeiro de 2016

    Boa narrativa. Exige certo esforço intelectual do leitor. Tal fato demonstra que a sua estruturação se revela em cada detalhe da trama. Com umas três leituras a história se esclarece, assim como a criatividade empregada pelo autor. Parabéns!

  15. Gustavo Castro Araujo
    24 de janeiro de 2016

    Voltando aqui, aproveitando os comentários abertos.

    Tenho visto algumas opiniões denotando certa decepção quanto a este conto por conta da alusão a uma palavra que demanda pesquisa no Google.

    Respeitando o julgamento de todos vou dizer que o fato de precisarmos ir ao Google é, na verdade, uma das maiores qualidades deste texto. O conto não termina em si mesmo, exige que o leitor se desdobre, busque informações, pesquise. Para mim, além de entreter, o conto conduz ao aprendizado, espanta a preguiça, afasta de si a pecha de modorrento.

    Quando escrevi “Reconstruindo Sarah Parker”, no desafio sobre Viagem no Tempo, houve um comentário do Marcelo Porto que me deixa feliz toda vez que lembro dele (do comentário, lógico, embora também ache o Marcelo uma ótima pessoa). Disse o Marcelo que se viu compelido, diante do texto, a pesquisar se o livro que era mencionado na trama realmente existia. Putz, pensei na ocasião, o cara foi ao google procurar a porra do livro, procurar o nome da autora! Sinal que a escrita, pelo menos entendi assim, o havia envolvido. Fiquei muito contente, tanto por mim como por ele, por ele ter se dignado a pesquisar, porque estava gostando da história, se o tal livro de fato era verdadeiro.

    Lembro também quando o seriado “Lost” estava em evidência. A cada episódio, lá ia eu para a internet em busca de mais informações a respeito das teorias mencionadas apenas de passagem na TV, na esperança de que revelassem algo que os roteiristas preferiram deixar nas entrelinhas. Uma espécie de prêmio àqueles que se dispusessem a ir a fundo na internet.

    Este conto aqui, “Sucessão”, vai pelo mesmo caminho: exige do leitor algo a mais. Não se contenta em ser lido apenas, mas revirado. E quando encontramos a resposta, temos, enfim, o prêmio. Impossível não soltar um “ah!” de surpresa ao descobrir que, porra, Huntington é uma doença hereditária. Puta-que-pariu! Então é por isso que…

    Enfim, é um conto que faz pensar, que tira o leitor de sua zona de conforto. Não pode haver qualidade maior. Não fosse a existência de contos assim, que nos ensinam a querer mais, estaríamos condenados à leitura perpétua de Branca de Neve e contos do gênero.

  16. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2016

    Um conto bem escrito, mas dentro de um clichê mal explicado. Teria que informar sobre a doença, já que não há obrigatoriedade de pesquisar para entender.

  17. Andre Luiz
    24 de janeiro de 2016

    Gostei de sua construção fúnebre, principalmente engendrada na presença do pai na vida do filho mesmo após a morte. O que mais me impactou foi a questão da herança, visto que já esperava uma verdadeira fortuna, mansões ou uma empresa, porém uma doença é o que geralmente não acontece. Você soube fugir do Hollywoodiano, mesmo que a doença não seja lá tão conhecida. Boa sorte!

  18. Leonardo Jardim
    23 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): é boa: um cara perde o pai e não se importa com isso. Não recebe nada de herança, apenas uma doença genética degenerativa (precisei recorrer ao google pra saber isso).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): muito boa, gostei de algumas metáforas como “luto alvo” e “memórias medicadas” (que fez mais sentido após a pesquisa).

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): trouxe algumas doses de novidade.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): não gostei muito. Talvez seja pelo fato de ter q buscar no google do nome da doença pra entender ou por demorar a entender a relação entre o protagonista e o velho morto. Provavelmente pelos dois motivos :/

  19. Catarina
    23 de janeiro de 2016

    Do INÍCIO ao FIM temos o desenvolvimento da TRAMA de forma magnífica. Nenhuma palavra mora neste texto sem razão de existir fazendo o melhor exemplo de FILTRO neste desafio. ESTILO contemporâneo com identidade própria. O PERSONAGEM só completamente desvendado com uma única palavra.

  20. Marina
    23 de janeiro de 2016

    Huntington. Memórias medicadas. Explica até o teor um tanto bipolar dos sentimentos dela. Perfeito. Boa sorte no desafio, Thirteen.

  21. Simoni Dário
    22 de janeiro de 2016

    O conto não fala só de rancores não, o amor está nas entrelinhas, ou disfarçado na própria raiva pela perda. Aprendi o que é Huntington, imaginei que fosse um palácio ao estilo “Buckingham”, e o Dr. Google salvou-me da ignorância. Muito bem escrito, o talento na narrativa é de mestre. Excelente. Parabéns!
    Bom desafio!

  22. Antonio Stegues Batista
    22 de janeiro de 2016

    É, eu até estava entendendo que alguém morreu e era um canalha, mas a palavra
    Huntington me deixou boiando. Afinal o que aconteceu? Será que ele herdou uma mansão mal assombrada?

  23. Pedro Henrique Cezar
    22 de janeiro de 2016

    Muito frio e seco, causa uma impacto legal no leitor. Um bom conto, e uma situação que não é tão infrequente nas famílias da atualidade. Parabéns!

  24. Anorkinda Neide
    21 de janeiro de 2016

    Pois é, apesar de precisar procurar HUNTINGTON no google, eu gostei bastante do teu trabalho.
    Mas acho que vc não deveria forçar-nos à procura fora do texto… Vc tinha um pouquinho mais de palavras para explicitar a doença. Se fosse alguma doença mais conhecida, tudo bem, funcionaria o impacto que vc quis causar, mas não é. Acredito que só quem acompanhou House entendeu de pronto.
    .
    Eu achei que a falta de emoções ao saber do falecimento do ‘velho’ fosse devido aos sintomas da doença, que seriam apatia emocional dentre outras. Então, o viés da minha interpretação é mais para este lado do que para um relacionamento super conturbado pai e filho, apesar da palavra ‘canalha’, que deixa nítida a raiva pela herança recebida.
    .
    O que é imaturidade né, culpa tem o pai de ‘passar’ a doença ao filho? Gostei de reler e perceber melhor as frases onde se refere à doença inseridas ali, q num primeiro momento não percebi.
    Parabens pela inteligencia deste conto que achei q ficou bem montado no parágrafo único.
    Abraço

  25. Gustavo Castro Araujo
    20 de janeiro de 2016

    Um texto corajoso. Normalmente — falo por mim — apela-se às relações de parentesco com um viés sentimental, de amor mesmo. Até porque isso faz com que o leitor se identifique com os personagens de modo mais imediato. O contrário, isto é, o texto em que se denota rancor ou mesmo indiferença é difícil de encontrar, justamente pelos obstáculos que esse viés oferece. Aqui, creio, o autor acertou a mão. As frases são dolorosas, repletas de um sentimento que lembra tudo menos apreço. Desprezo pode ser a palavra. E tudo, na minha opinião, ficou bem descrito. Isso porque é fácil perceber que filho e pai viviam às turras e que a única herança deixada ao rebento infeliz (e de certa forma aliviado com a partida do velho pai) foi uma doença hereditária que haverá de lhe tomar a vida. Unidos no pós-morte. Bem sacado, inteligente e bem descrito. Ótimo conto! Parabéns.

  26. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – apesar da preguiça de usar o botão Enter no seu teclado, é uma boa escrita;
    Estilo – 10/10 – não tenho do que reclamar, é uma narrativa comum em primeira pessoa, nada menos, nada mais;
    Verossimilhança – 9/10 – que diabos é “huntington”?
    Efeito Catártico – 7/10 – tudo estava indo muito bem até a famigerada palavra. Enfim…

  27. Daniel
    20 de janeiro de 2016

    Conto bem bolado e bastante bem executado. A habilidade do autor com as palavras certamente vai posicionar esse conto entre os melhores do desafio. Desejo sorte!

  28. Thata Pereira
    19 de janeiro de 2016

    O mal do conto foi ter que precisar ir no google pesquisar o que é HUNTINGTON. Isso foi arriscado, mas o conto é ousado, pensei o que final cairia no clichê, mas foi até muito interessante. Antes de aparecer o nome estranho, pensei que filho havia matado o pai. Gostei mais do seu final, apensar da pesquisa.

    Boa sorte!!

  29. Murim
    18 de janeiro de 2016

    Um bom conto, traz uma história interessante e bem construída. O personagem tem uma certa complexidade – bem construída no espaço exíguo d texto. O mal de Huntington, no entanto, não é conhecido o suficiente (como alzheimer ou parkinson, por exemplo) para deixar de usar qualquer indicação de que se trata de uma doença. A raiva, ou, na melhor das hipóteses, o desprezo do filho pelo pai parece um tanto inexplicada demais. Mas, no geral, considerei um bom conto.

  30. Leda Spenassatto
    18 de janeiro de 2016

    Não entendi muito bem o final, mas quem disse que era para eu entender.
    Que se dane o leitor, já dizia Carlos Henrique Schroeder, escritor da História da Chuva, de Jaraguá do Sul/SC.
    Gostei muito!

  31. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    Achei o texto bem escrito, com frases duras e que causam impressões fortes em quem lê.

    Não apreciei muito, contudo, as viariações de narrador (3a pessoa + 1a pessoa), sem marcações ou algo que o valha.

    Achei, porém, bem bolado que a herança fosse uma doença incurável hereditária.

    Abraços e boa sorte.

  32. Davenir Viganon
    18 de janeiro de 2016

    A primeira leitura não sabia o significado da doença, depois com uma pesquisa rápida no Google veio a epifania. O grande barato do teu conto é o modo como escreveu. Deu pra pegar a intensidade do ressentimento do filho para com o pai e a palavra misteriosa pra mim foi um bom arremate. Parabéns!

  33. Kleber
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Remy.

    Acredito que neste conto você tentou explorar os conflitos declarados e não declarados. A amargura é onipresente, seguida pelo desprezo. E a terrível surpresa de ter herdado uma doença genética que, no meu ver, faria a personagem odiar ainda mais aquele que o legara mais este sofrimento!
    Intenso, profundo e desolador.
    Apenas um porém; São duas histórias em uma, interconectadas. E por isso mesmo uma pausa, uma divisão em dois parágrafos acrescentariam este necessário intervalo na minha humilde opinião.

    Sucesso!

  34. Bia
    18 de janeiro de 2016

    Muito bom o texto. Gostei muito das frases que fazem alusão à doença, como “todas as dores devidamente formatadas” e “Memórias medicadas”. Nada contra micro contos escritos em apenas um bloco, mas se fizesse uma divisão, talvez a primeira leitura fosse menos corrida. Na segunda leitura é que consegui entender tudo o que precisava. Ainda assim, bom conto!

  35. Eduardo Selga
    17 de janeiro de 2016

    EMBORA UM TANTO BATIDO, o enredo não deixa de ser atraente, a relação conflituosa entre pai e outra personagem, que tanto pode ser filho quanto filha, pois não há indicação segura de gênero. Essa falta de definição entendo agir em prol do conto, porque as possibilidades de interpretação se multiplicam Colabora para essa incerteza a construção das frases: sendo secas e rápidas são mais fáceis de esconder o gênero. À medida que se ampliam torna-se inevitável o substantivo, o adjetivo ou o pronome masculino ou feminino.

    Aliás, é a arquitetura textual o grande destaque do conto, muito mais do que o enredo. Além da questão acima apontada, a primeira oração apresenta um efeito imagético precioso, em minha opinião. em “a xícara não se espatifou no chão quando soube da morte do velho”, podemos entender, ao pé da letra, que quando a xícara soube da morte do velho, ela não se espatifou. Um trecho mal construído, considerando que xícara não tem consciência? Absolutamente, se considerarmos que, por metonímia, a xícara é uma extensão do filho ou da filha. Foi, portanto, uma bela construção, ainda que, talvez, involuntária. Logo adiante a imagem metonímica se dissolve, por meio de “não derramei café, nem lágrima”. Ou seja, o café que estava na xícara que por sua vez estava com o(a) personagem.

    Apesar de a linguagem ser o destaque, há uma falha importante. No trecho “[…] dizia o quinhão atávico legado pelo meu querido pai”, o “quinhão atávico” é a doença degenerativa que é deixada como herança genética (legado) ao filho ou à filha pelo pai. Acontece que deveria estar escritor LEGADO DO MEU QUERIDO PAI, pois do modo como está o significado é que o pai herdou a doença, ou seja, o contrário do que a narrativa parece querer dizer, se eu entendi bem.

  36. Sidney Muniz
    17 de janeiro de 2016

    Gostei,.

    É um bom conto, com uma palavra chave que não conhecia.

    Mais um que me fez pesquisar e que demonstra muito talento para narrativa, e é econômico, que bom!

    Gostei do microconto!

    Desejo sorte no desafio e parabenizo pelo trabalho!

  37. Sidney Rocha
    16 de janeiro de 2016

    Casamento perfeito: a história com a imagem escolhida. Claro que o texto é profundo e deixa a gente amarrado. Você soube utilizar cada palavra e imprimiu bem as percepções que queria deixar, pelo menos pra mim. Não sabia nada dessa HUNTINGTON. Rss

  38. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2016

    Eu estava gostando bastante, até aparecer “HUNTINGTON” e eu pensar “que porra é essa?”. Pensei, a princípio, que seria um tipo de “Rosebud”… daí achei melhor procurar antes de criticar e vi que era uma tal de doença genética e o texto voltou a fazer sentido.

    E voltei a gostar! Salvo pelo Google kkkkk

    Abraço!

  39. Amanda Leonardi
    16 de janeiro de 2016

    Boa narrativa, gostei das imagens construídas para mostrar a frieza do personagem, apesar de parecer mostrar muitas informações para um micro conto. Mas o final foi bem interessante.

  40. Rogério Germani
    16 de janeiro de 2016

    A indiferença entre e pai e filho ficou plausível ao descrever a morte do ente mais velho.
    No final, o famoso “seria cômico se não fosse trágico”: uma doença como herança.
    Família que se ama é tudo…rsrs

  41. Ricardo de Lohem
    16 de janeiro de 2016

    Um bom microconto, que narra de forma impactante os ressentimentos familiares. Conseguiu passar todo o peso da amargura entre parentes com poucas palavras. Um problema no final: eu já conhecia a coreia de Huntington, mas muita gente pode não conhecer, e acho conveniente seguir a regra de, em pontos críticos e reviravoltas da história, não exigir que o leitor tenha conhecimentos específicos. Se for necessário fazer uma pesquisa para entender a reviravolta ou o desfecho de uma história, ela perde o impacto. Uma breve explicação, poucas palavras, teria sido o suficiente. Uma boa história, parabéns e Boa Sorte!

  42. Matheus Pacheco
    15 de janeiro de 2016

    Cara, muito bom texto, seria uma rivalidade descrita?

  43. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    A amargura do personagem para com o pai é palpável, e a maneira como é mostrada, com os jogo de palavras e o cotidiano cristalizado, me agradaram bastante.

    Como o texto é em formato de relato, eu adoraria que o “querido” estivesse em itálico, para exacerbar a ironia.

  44. Laís Helena
    15 de janeiro de 2016

    Não sei se era a intenção do autor, mas o conto me deu uma sensação ambígua (mas não no mal sentido). Poderia ser um(a) filho(a) que não gostava do pai e por isso não estava de luto, ou talvez tivesse uma maneira diferente (silenciosa) de lidar com ele. Ou poderia ser, ainda, luto por si mesmo(a) devido à doença recém descoberta. Talvez eu esteja viajando, mas se não estiver, o texto ganha alguns pontos a mais por ter causado essa sensação.

    O final me pegou de surpresa, deu aquele toque que torna um texto tão curto bem marcante.

  45. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    Lembrei logo do Dr.House, uma das médicas era portadora dessa patologia degenerativa.
    O conto está bem escrito, com uma boa carga dramática revelada através da aparente indiferença do filho em relação à morte do pai. Ou seria uma filha?
    Final impactante na medida certa.
    Boa sorte!

  46. mariasantino1
    15 de janeiro de 2016

    Olá, 13!

    Tenho uma observação a fazer, no seriado, quem tinha a doença degenerativa era a mãe e não o pai. O pai foi quem internou a mãe, e o irmão também herdou a doença da mãe. Mas acho que o pseudônimo foi apenas uma alusão ao universo daquela personagem.

    O conto funcionou muito bem comigo, e senti que captou bastante da personagem da série. A forma meio caótica de ela viver e lidar com os problemas pessoais, e também todo o clima dramático que ela vivia. Acho que aqueles que acompanharam House e Cia, criam vínculo bem mais rápido com a trama e conseguem ver em extensão maior (embora o texto ande com suas próprias pernas, o que é bom). Empatia total com a narrativa, e o espaço foi usado de forma inteligente e certeira — em minha opinião. Ótima escolha de palavras e fluxo narrativo e a carga dramática ficou natural, sem forçar a barra.

    Congratulações e boa sorte no desafio.

    • mariasantino1
      15 de janeiro de 2016

      Ops. Aqui é ponto seguido e não virgula *Tenho uma observação a fazer(.) No seriado…

  47. Arthur Zopellaro
    14 de janeiro de 2016

    Bem escrito, leitura rápida. Consegui ver cada frase como uma cena de um curta.
    Tive que reler o final duas vezes pois não sabia o que era “HUNTINGTON”.
    Ao entender qual a herança que recebera, meu conceito sobre seu texto se elevou bastante.

    Com poucas palavras conseguiu me mostrar o passado de dois personagens, e o futuro de um deles.

    Parabéns e boa sorte!

  48. Letícia Rodrigues
    14 de janeiro de 2016

    Texto inteligente e surpreendente. Pai e filho/a parecem ser dois canalhas que se odeiam, o que já faz com que a história fique mais intrigante. Adorei.

  49. Jowilton Amaral da Costa
    14 de janeiro de 2016

    Muito bom. O conto é bem conduzido e conseguimos sentir os problemas que haviam entre pai e filho, mas, apesar da indiferença que possamos sentir, ninguém consegue fugir da herança genética, quem herda não furta, e, ele herdou a doença. Seu conto me fez pensar em pessoas que vejo criticando seus pais por certas atitudes, no entanto, são exatamente iguais a eles. Acho que todos nós somos um pouco assim. Boa sorte.

  50. Heloá Magalhães
    14 de janeiro de 2016

    Caríssimo Hadley,

    Que conto! E digo isso da melhor maneira possível.
    Primeiramente, é inegável que a escrita é suntuosa, de fato, o texto é demasiadamente profundo e de certa forma, intrigante.
    Quanto ao final? Uma surpresa.
    Assemelha-se a palavras frias, mas de frieza não há nada, esse foi o melhor aspecto, porque se esconde entre as brumas o seu próprio dissipar.
    Parabéns, e uma parabenização nada contida.
    Realmente é um conto que me apraz.
    Boa sorte!

  51. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2016

    Preciso reconhecer. Sou um ignorante!

    Li e reli o conto sem entender o porquê de tanta raiva. O “HUNTINGTON” do final não me despertou de cara. Depois de ler os comentários fiquei com vergonha de não ter achado lá essas coisas, fui no Google e vi o que é esse “HUNTINGTON”.

    Ufa, agora compreendi tudo.

    Massa! Grande história num micro-conto.

    Parabéns, o melhor que li até agora!

  52. Piscies
    14 de janeiro de 2016

    A profundidade do texto me atraiu. No início, suspeitei que a relação entre pai e filho estivesse abalada há anos. Alguma briga, talvez? Ou simplesmente por possuírem personalidades opostas. O descaso dele ao narrar a morte do pai é palpável. Então, cheguei ao fim do conto e meu coração quase parou. Sua raiva vinha da doença que ele sabia que herdara? O subconsciente irracional culpava o pai pela genética cujo controle fugia de suas mãos? Será que a morte do pai foi um alívio, por finalmente dar um fim ao sofrimento que tal doença degenerativa gera nas pessoas?

    Muito interessante. Muito profundo. Um dos melhores que li até agora. Sem contar a escrita muito atraente, sem erros e bem fluida. Parabéns!

    • Piscies
      14 de janeiro de 2016

      E, é claro, fiquei arrepiado por ter percebido a ligação óbvia com House. Um dos melhores seriados que assisti! =D

  53. Brian Oliveira Lancaster
    14 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Contos estilo relato criam conexão imediata e você o faz aqui, muito bem, valendo-se de um cenário fácil de assimilar, com amargura contida. – 9
    O: O parágrafo inteiro não me incomodou, pois funciona em conjunto com a escrita leve e fluente. – 9
    D: Apesar de fácil assimilação, achei que faltou um final conclusivo. Sei que é complicado neste tipo de desafio, mas ficou aquela sensação de desperdício de tempo. Entendi o que ele vai fazer a seguir, mas não causou o impacto esperado. – 8
    E: É uma viagem temporária à mente amargurada do protagonista, com expressões bem inspiradas, como a passagem da xícara. – 8

  54. Jef Lemos
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Hadley.

    Ótimo conto. Rápido, seco e direto ao ponto. Ilustrou bem a história e envolveu como se tivesse mais palavras.

    “Na agenda abarrotada, o mês de novembro permaneceu em branco, o luto alvo e raro das páginas numeradas”

    Parabéns e boa sorte!

  55. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Frieza típica e real dos nossos dias. Um retrato de nossa contemporaneidade. Tristemente sincero. Muito bem escrito. Parabéns.

  56. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Muito bom conto, observei na personagem o ponto ideal entre o receio de sentir profundamente, e o estar, de alguma forma, aliviado, com o ocorrido.A vida, que segue. tão real.

  57. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Remy Hadley.

    E o quinhão atávico se perpetuará no descendente. Ao final, sabemos (ou deduzimos) o motivo por trás de tamanha frieza.

    Um belo microconto. O que se destaca é a indiferença como produto do ódio (para com o falecido) de receber tal legado. Limite sabiamente utilizado.

    Sucesso neste desafio.

  58. Miguel Bernardi
    14 de janeiro de 2016

    E aí, Hadley. Tudo bem?

    Gostei deste mini conto porque ele não conta uma história, mas sim duas. E dentro do limite proposto! Não era apenas o fato do pai ter morrido, ou o modo com o qual o personagem lidou com o luto. Mostra, também, o que sucede a primeira história. Título muito bem empregado, aliás.

    Sucesso.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .