EntreContos

Literatura que desafia.

A Biblioteca do Mundo (Marco Piscies)

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1. Caminho tortuoso

Fernando galgava seu caminho costumeiro, cada passo uma vitória. As rodas do carrinho que puxava gemiam estridentes. Eram tortas e ofereciam resistência sempre que encontravam o minúsculo dos obstáculos, mas eram o que ele tinha de melhor para o trabalho. Sobre a superfície do transporte arcaico, seis livros tristonhos, uns sobre os outros, falavam de eras passadas, não com palavras, mas com o amarelo das suas folhas e os caminhos das traças. A poeira onipresente emprestava um aspecto arenoso a tudo ao redor. Fernando protegia os olhos com a mão livre, o outro braço jogado para trás em extensão ao puxador do carrinho cheio de sabedoria.

“Lá vai seu Fernando de novo” pensavam as formigas em forma de gente. Vivendo um dia de cada vez, para eles aquela era mais uma tarde onde o senhor parcialmente enlouquecido carregava consigo os estranhos tomos datados dos tempos dourados.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Terceira Antologia EntreContos, cujo download completo e gratuito pode ser feito AQUI.

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36 comentários em “A Biblioteca do Mundo (Marco Piscies)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ A Biblioteca do Mundo (Seu Fernando)

    ஒ Físico: Fernando escreve de forma magistral. Seu estilo marca, tem personalidade, e sua narrativa é tão natural quanto o próprio oceano. E extenso como ele. O autor toma tanto cuidado com a criação de seu texto em sua forma holística que fica difícil não admirar esse trabalho. CLAP, CLAP!

    ண Intelecto: O enredo está bem desenvolvido, mas se encontra incompleto. Há diversas subtramas que precisariam ser exploradas e trabalhadas para melhor apreciação do trabalho. Vemos a personalidade nítida dos personagens, mas pela falta de desenvolvimento da estória e ambiente, não criamos tanta empatia. Há uma mensagem bonita, a mesma que foi espalhada por diversos contos desse desafio, e comparando com outros contos, essa ficou mediana. Enfim, Fernando é bom no que faz. Bastaria reconhecer que a natureza dessa estória exigia muito mais que 2.900 palavras.

    ஜ Alma: A biblioteca parece ser um personagem em si. É o trabalho da vida do protagonista. E ganha tanta importância na estória, principalmente no final, que fica fácil identificar qual é o foco do escritor. Fernando merece os parabéns! E vamos saudar o talento dele também! CLAP, CLAP!

    ஆ Egocentrismo: Gostei da estória, mas senti falta de mais desenvolvimento. O limite realmente prejudicou essa estória. Dentro do certame, está okey. No entanto, o autor precisaria explorar as subtramas para envolver seus leitores por completo.

  2. Piscies
    4 de janeiro de 2016

    Olá, caros colegas. Agradeço a todos os feedbacks aqui deixados. Comecei a responder a todos durante o desafio, mas depois vi que seria melhor deixar um comentário no final.

    Neste conto, tento falar um pouco sobre o descaso das pessoas com o futuro e com o que é de fato “mais importante”, ou “maior do que nós”. Tentei demonstrar isto com um extremo: o fim do nosso planeta como o conhecemos. O mundo está definhando ao redor das pessoas, mas tudo o que elas conseguem pensar é nos problemas imediatos, como casamento, séries de TV e as plantações que colherão no dia seguinte.

    De forma resumida, este conto foi a minha forma de criticar nossa visão do mundo limitada a nossa estadia na Terra. Para quê preocuparmo-nos com o futuro se não estaremos presentes nele?

    Diferindo deste comportamento – tão presente nos dias de hoje – Seu Fernando nega-se para construir algo que pudesse estender ao futuro. Ele sabe que é idoso e fraco, e que as chances de fazer alguma diferença no mundo é pequena, mas mesmo assim tenta.

    Por este motivo, as tramas secundárias são de fato superficiais. Eu queria demonstrar a diferença de importância entre a vida das pessoas que vivem apenas suas vidas, e a vida do homem que tentou trazer alguma diferença para a sociedade como um todo.

    O final foi mesmo uma licença poética. Mas que escritor não tem esta liberdade?

    Não estou descartando as críticas de ninguém, é claro. O fato de muitos não terem enxergado esta mensagem – e muitos terem enxergado e mesmo assim não terem gostado do conto- fala muito sobre o quanto eu ainda tenho que evoluir na escrita. Por isso, novamente agradeço aos comentários e … bola pra frente!!

  3. André Lima dos Santos
    2 de janeiro de 2016

    Olá autor!

    O Conto gira basicamente em torno de um único personagem. Fernando é bem cativante, mas acho que poderia ganhar mais complexidade. Eu vejo o conto com muita vontade de chocar o leitor, mas não dando os elementos necessários para isso.

    O final é bom, a trama é mediana. Não vi erros graves de português. Enfim, achei o conto mediano.

    Abraços!

  4. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Li este conto mais cedo e fiquei meio na dúvida se havia gostado ou não. Ele é sem dúvida bem escrito, mas, só isso não foi suficiente, não me fisgou, não me emocionei com o seu Fernando. Achei que a história dá uma degringolada do meio para o fim. Boa sorte.

  5. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    Gostei do conto e do personagem Fernando. Na minha opinião, não há muito o que mudar aqui, mas eu enxugaria um pouco os primeiros parágrafos, carregados de muita informação e que me cansaram um pouco. Mas olho por outro lado e percebo que o limite do desafio pode influenciar em parágrafos espremidos. A trama é bacana, e o autor escreve bem. Um ponto positivo foi a descrição do primeiro parágrafo, que criou uma imagem de lugar poeirento e meio desolado em minha cabeça, e essa imagem nasceu forte. O autor sabe estabelecer localmente o conto.

  6. G. S. Willy
    2 de janeiro de 2016

    Um bom conto, bem escrito, personagens muito bem desenvolvidos. Fiquei sem entender muito bem o que foi que aconteceu, e se tinha acontecido apenas ali ou no mundo todo, pelo visto fora no mundo todo. O que me faz perguntar quem ainda produz energia, seriados, entre outras coisas. Como um todo, o conto foi uma boa leitura, um pouco lento em alguns trechos, mas positivo.

  7. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Uma história muito bonita! Gostei do texto como um todo e o Seu Fernando levou todo o conto, parabéns autor por ter dado essa vida a essa personagem. Já com relação às outras personagens, me incomodaram um pouco, talvez por isso tenha achado o meio do conto um tanto cansativo.

  8. Philip Klem
    1 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Simplesmente adorei o seu conto.
    Sua escrita me encantou. Os personagens são vivos demais, e credíveis.
    Amei o Fernando e sua missão, com suas rodinhas adoráveis rangendo pelo caminho.
    Também gostei do mundo e da degradação da sociedade que você criou tão bem.
    O final foi a cereja no topo do bolo. Saber que tudo que o Fernando fez com tanta dificuldade e simplicidade trouxe sabedoria a toda uma nova sociedade foi gratificante.
    Enfim. Gostei de tudo no seu conto.
    Meus parabéns e boa sorte!!

  9. Wilson Barros Júnior
    1 de janeiro de 2016

    O texto é escrito com estilo, o conto é um primor de entrelaçamento de histórias, desde o poder redentor do livro até o cotidiano dos personagens. O autor é criativo e a concisão proporcionou um conto denso, rico em conflitos e sentimentos universais. Parabéns.

  10. Evie Dutra
    30 de dezembro de 2015

    Boa noite! O seu conto simplesmente me encantou! Achei a história criativa e apaixonante!
    Amei a forma como você utilizou a biblioteca aqui. Até agora, este foi o conto que mais gostei.
    Sua escrita é fantástica. Tão gostosa de ler.. amei cada frase, cada pedacinho de seu conto. Parabéns.

  11. Simoni Dário
    30 de dezembro de 2015

    Que bela narrativa, pude ouvir o ranger das rodinhas do carrinho de livros de Fernando e apreciei as diversas frases extremamente bem elaboradas, criativas e de muita profundidade do texto.Não sei se captei bem a mensagem futurista do conto, mas captei o talento primoroso do autor em cada frase criada com esmero, e como já falei, de muita profundidade, o que já bastaria para o merecido parabéns!
    Bom desafio!

  12. Leandro B.
    29 de dezembro de 2015

    Oi, Seu Fernando.

    Olha, achei o texto muito bom. Você construiu bem os personagens e, apesar da situação pesada do conto (a morte do seu Fernando, a vida do viúvo…) a leitura correu bem leve.

    Os acontecimentos marcantes da vida de cada personagem também foram bem elaborados. Por isso a minha critica pode soar um pouco estranha, contraditória, mas é justamente na interação de todos eles que me pareceu faltar algo.

    A história do Seu Fernando parece ser o vetor principal do texto. Ali está o corpo e o sentido da narrativa, como o próprio título apresenta. As histórias paralelas são alicerces que fundamentam o conto. Mostram que não há apenas Seu Fernando naquele universo e que outros problemas giram no mundo.

    Mas esses outros problemas, a maneira como eles se relacionam ficou… pálida, talvez. Não consegui sentir ao que vieram e, quando concluí o texto, tive a sensação de ter lido duas histórias diferentes, uma acabada e outra inacabada, com uma linha muito tênue de união.

    Fica muito claro (isso soa bem arrogante, melhor seria dizer, “Imagino”) que esse efeito aconteceu não por incompetência ou incapacidade, mas porque o autor precisava de mais espaço para elaborar as outras histórias.

    Mesmo sem elas, claro, o texto funciona. O que quis pontuar é que, de todos os textos que li até agora, este foi o que mais me deu a impressão de “inacabado”. Mesmo com o seu final.

    Talvez tenha me detido muito no que entendi como parte negativa. Reforço que o restante da narrativa foi bastante agradável e o passado dos personagens foi muito bem elaborado e esculpido em poucas linhas.

    Enfim, como disse no início, o texto é muito bom.

    Parabens, camarada.

  13. JULIANA CALAFANGE
    27 de dezembro de 2015

    gostei da ideia, gostei de como vc usa as palavras, de forma muito fluida e que remete a belas imagens/sensações. Comecei percebendo q tb era um conto futurista, pois vc o ambientou numa época de muita poeira sobre as coisas e tal, e isso fica claro no texto. Mas lá pelo meio, essa ideia de futuro se perde um pouco e tudo parece bem atual, como o problema com a TV. A ideia de biblioteca do mundo é bacana, e ainda mais quando o “curador” da biblioteca é um velho quase “invisível”, um mendigo que a muitos causa piedade. Nesse sentido, até para valorizar essa imagem tão interessante, o conto poderia ter terminado quando a Cecília encontra a biblioteca, a reação dela em até rir, mesmo q emocionada. O que tem depois disso, pra mim, estragou o conto, quase que me “explicando” a moral da história, com aquele papo dos exploradores. Poderia ser simplesmente a imaginação, o pensamento de Cecília sobre o futuro da Biblioteca do Mundo, ou o porquê de Seu Fernando organiza-la, mas esse final clichê era desnecessário. Fora isso, o conto me instigou, os personagens são bem construídos. Parabéns!

  14. Neusa Maria Fontolan
    27 de dezembro de 2015

    Bom conto. É bom nos confortarmos com a ideia de que em meio a devastação tem sempre alguém decidido a salvar algo em prol da humanidade. Nesse caso os livros.
    Gostei do trecho
    “A pintura gasta das paredes – de cor anterior irreconhecível – assumira o tom amarronzado que o mundo parecia ter gostado tanto nos últimos dias. O assoalho quebrantado segurava as lágrimas do teto que, em algum momento em um passado distante, havia chorado todo o seu gesso. A porta brigava incessantemente com o vento lá fora, sendo jogada vez e outra contra a parede, derrotada.”
    Parabéns e boa sorte.

  15. Thiago Lee
    27 de dezembro de 2015

    Olha, no geral, achei um conto bem ‘redondo’.
    Escrita muito fluida, narrativa bem singela e interessante, personagens muito bem desenvolvidos (principalmente Fernando!). Vê-se que tem um ótimmo conhecimento das técnicas de linguagem utilizadas 🙂

  16. Antonio Stegues Batista
    27 de dezembro de 2015

    Frases bem construídas com descrições elaboradas e sentido correto. A civilização está acabando, porque? Por causa do efeito estufa? A estória não diz, mas isso não importa. O discurso do político na televisão revela que alguém está tentado salvar o mundo , mas parece que foi inútil ou ficou apenas na promessa. Seu Fernando, ao contrário conseguiu realizar o que pretendia, resgatar ou proteger livros, fonte de sabedoria e conhecimento, mas nem mesmo essa sabedoria e conhecimento evitou a quase destruição do planeta. Seu Fernando tinha esperança de que as novas gerações aprenderiam com os erros do passado. Tomara que aconteça o mesmo na vida real…

  17. Fil Felix
    24 de dezembro de 2015

    Gostei, um conto bem escrito e bem ambientado. Todas as descrições fazem com que o leitor caia de cabeça nessa vila, rodeada de pessoas comuns, com problemas comuns, mas entrelaçadas pelo andarilho dos livros. É aquela magia que o cotidiano traz. Apesar de colocar o livro como item “mágico”, várias passagens faz com que o conto se diferencie dos outros que também trataram disso. Quando ele diz que “só escolhe os melhores”, é quase uma afirmação de que há muita bobagem por aí. O que é bom.

    A morte do velhinho e toda sua trajetória, sua vontade de criar uma grande biblioteca, mesmo reconhecendo suas dificuldades e limitações, é bastante emocionante. Eu só não gostei do final, quando se passam os anos. Pra mim, foi como ter pego o conto e o virado de cabeça pra baixo, acho que não precisava desse toque futurístico, que tivesse deixado pro leitor imaginar.

  18. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    O texto mais cinematográfico até agora, com descrições que emulam zoom para plano detalhe e cortes de cena para mudança de ação. Acho que a linguagem ainda merece um polimento, para aparar arestas, como, por exemplo, alguns eufemismos e figuras de linguagem que achei exageradas, mesmo em prosa poética: “Mesmo esta (biblioteca) só sentiu o primeiro toque dos seus pés há apenas quatro anos”; “onde o senhor parcialmente enlouquecido carregava consigo os estranhos tomos datados dos tempos dourados.” Sinceramente, fiquei confuso na segunda parte a entrada de nomes e personagens que não contribuíram muito para o desenrolar da trama, e principalmente com a solução (“Séculos depois, ousados exploradores desenterraram a loucura de Fernando”). Fez com que todo o contexto, toda a história anteriormente contada perdesse a importância, diante do passar do tempo. Mas, no geral, não compromete. Parabéns!

  19. Lucas Rezende de Paula
    23 de dezembro de 2015

    Ótimo conto.
    A segunda parte ficou meio perdida, mas a história de Seu Fernando é primorosa. O fato do seu corpo ter sido encontrado (se fosse só o bilhete um ar de mistério e esperança de que ele estivesse vivo seria bem legal) e a subtrama de Cecília com George ter ficado “sobrando” não atrapalhou a grandeza do conto.
    Boa sorte e parabéns!

  20. Rogério Germani
    22 de dezembro de 2015

    Olá, Seu Fernando!

    Seu carrinho acabou de deixar um texto bonito aqui: seu conto.

    Sem muitos floreios, mas preciso na proposta e concretização da mensagem. Semelhante a uma cápsula do futuro, a trama atraiu a atenção para as entrelinhas. Ainda que não tiveram outras surpresas no texto, a sua escrita está entre as favoritas deste desafio.

    Boa sorte!

  21. Andre Luiz
    22 de dezembro de 2015

    Seu conto foi bem pontual, não fazendo rodeios filosóficos eminentes, porém, como alguns devem ter percebido durante a leitura, foram linhas muito bem aproveitadas em uma história que me cativou do início ao fim, desde a primeira parte querendo saber todos os motivos de seu Fernando e sua forma excêntrica de ver o mundo. Parabéns pelo belíssimo conto e boa sorte!

  22. Davenir Viganon
    22 de dezembro de 2015

    Sucinto, sincero e elegante. A primeira parte foi competente em descrever o mundo e dar carisma ao protagonista sem exageros. Ao contrário de outros comentários, achei que a segunda parte foi boa, pois mesmo “vendo” pouco o Seu Fernando, é possível imaginá-lo sem receber atenção por ser idoso. A terceira parte, com exceção de Cecília ter encontrado o corpo, ao invés de apenas o bilhete, bem bacana.

  23. Leonardo Jardim
    21 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): muito interessante a história e bonita também, mesmo sendo bem simples. O excesso de personagens incomodou um pouco, assim como algumas subtramas (o romance entre Cecília e George e o diálogo entre mãe e filha, por exemplo) pouco acrescentaram à trama, mas o resultado final é bastante positivo.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): não encontrei motivos para retirar uma estrela. O texto é ágil, narra com fluidez e acrescenta vez ou outra ótimas metáforas e personificações (dando vida a objetos inanimados). É um daqueles textos que uso como meta para escrever um dia, por ser bonito, mas fluido.

    🎯 Tema (⭐⭐): a construção da biblioteca é o motivo da trama.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): a história não traz grandes novidades. A parte do mundo coberto de poeira me lembrou Interestelar, por exemplo.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é bonito tanto nas imagens quanto nas descrições. Só não senti tanto a cena final (epílogo). Não sei bem porque, mas não senti a carga dramática do momento.

    💬 Trecho de destaque: “O assoalho quebrantado segurava as lágrimas do teto que, em algum momento em um passado distante, havia chorado todo o seu gesso” (um ótimo exemplo de b personificação)

  24. Daniel I. Dutra
    21 de dezembro de 2015

    Gostei.

    Meu comentário diz respeito mais a capacidade de “emocionar” do conto. Notei, ao longo do desafios, que muitos se “emocionaram” com alguns contos e sentiram “falta de emoção” com outros.

    Da minha parte não me “emocionei” com esse conto, apesar de ter achado bem escrito e não ter encontrado nada que possa ser criticável. Na verdade até tem, mas são coisas tão banais que seria procurar pelo em ovo.

    Portanto, ressalto que emoções são subjetivas e, logo, não servem como critério de qualidade (não que este conto não seja bom). Fosse assim, “Crepúsculo” seria ótimo por fazer muitas menininhas choraram.

    Enfim, era só uma observação que queria fazer.

  25. Claudia Roberta Angst
    20 de dezembro de 2015

    Conto muito bem escrito com belas passagens. O personagem Fernando consegue conquistar a empatia do leitor rapidamente. Ficamos imaginando o seu carrinho, o rangido das rodas, os livros sobre ele.
    A biblioteca está aí, avolumando-se com o desenrolar da história. Os diálogos facilitaram a leitura, deixando o ritmo mais ágil e simples.
    Os outros personagens funcionam como apoio para o protagonista,o que não é ruim.
    Os lapsos de revisão já foram apontados.
    O final anunciado como “Meu epílogo” funcionou bem
    Boa sorte!

  26. Eduardo Selga
    19 de dezembro de 2015

    O conto é muito bom quando nos atemos ao uso estético da palavra. Existem algumas frases e orações que sob esse aspecto são primorosas, como “seis livros tristonhos” e “seus ouvidos ignoravam a cacofonia da peregrinação alheia”. Há um tratamento da palavra não enquanto transmissora de um relato, em sim enquanto instrumento de uma arte -a literatura, algo que sempre reivindico aqui.

    Curioso é observar o seguinte: não raro, quando se fala em tratamento artístico da palavra em prosa, supõe-se que necessariamente se fala de prosa poética. Este texto, não obstante, trata a palavra mas não adentra o poético, ou pelo menos não adentra o poético pela superfície textual: ele até existe, mas no contexto, ou no todo do texto.

    Todavia, parece-me ter faltado enredo para tamanha capacidade narrativa. O idoso costuma render bons personagens, como foi o caso, mas nesta narrativa o “Seu Fernando” me parece muito maior do que o enredo. A densidade da narrativa é menor do que a do personagem. Podermos ver isso pelo fato de o miolo do conto, composto basicamente por mãe e filha, ser frágil em relação ao início e ao final. Entre eles há disritmia que tem menos a ver com velocidade e dinâmica do que com a qualidade das cenas e esta, por sua vez, não se refere ao texto e sim à situação estabelecida entre os personagens.

  27. Cleber Duarte de Lara
    16 de dezembro de 2015

    CRITICA
    Em alguns trechos, vê-se o experimentalismo da linguagem destoar um pouco do resto, e soa meio egocêntrico pensar que justamente a coleção de Seu Antônio seria o gérmem de um novo renascimento cultural.

    PONTOS POSITIVOS
    Claro, é algo possível. Ainda que improvável, e talvez por isso mesmo, seria excepcionalmente tocante. Feita a devida licença poética neste sentido, a beleza da estória nos atinge em cheio!
    Mesmo algo que foi apontado como improvável, a reação natural de uma mulher diante de um cadáver vejo como critica injusta; pois além de os tempos serem rudes, como é possível depreender do tom pós-apocalíptico, tratava-se da médica do local, para quem o contato com os mortos é relativamente mais habitual ainda.
    O tom é mais realista, alguns elementos da civilização permanecem, a energia, a transmissão televisiva. Trata-se de um declínio mais fácil de ser visualizado. Um tom dos mais realista entre os cenários do tipo que vi até no desafio.
    Parabéns e Boa sorte!

  28. Catarina Cunha
    16 de dezembro de 2015

    O TÍTULO é merecidamente pomposo. Temos aqui um FLUXO raro e que muito me agrada: intimista e fluido como gás, acentuado pelo estilo marcante. A TRAMA, bem básica, não ficou prejudicada por conta do inspirado fluxo. Os PERSONAGENS satélites são apagadinhos, mas o protagonista é muito forte. Acho que foi proposital. A cartinha, o meloso epílogo, foi totalmente desnecessária diante do maravilhoso recado FINAL.

  29. Gustavo Castro Araujo
    14 de dezembro de 2015

    Um texto muito inspirado e inspirador. Isso por causa dos personagens, especialmente Fernando. O primeiro capítulo é de um beleza ímpar. Fiquei imaginando o velhinho puxando o carrinho com seus livros, a música produzida pelo ranger das rodas até a chegada ao embrião da “Biblioteca do Mundo”.

    Do segundo trecho já não gostei tanto. Está bom, mas não no mesmo patamar do primeiro. Achei um pouco confusa a discussão entre Cecília e Patrícia por causa do George e isso acabou desviando um pouco a minha atenção. Quem sofreu foi o Fernando, que nesse trecho terminou relegado às traças literalmente.

    O capítulo final recupera um pouco do brilho inicial. Eu, contudo, suprimiria a descoberta do corpo de Fernando por Cecília na biblioteca. Não é que eu seja do tipo que reclama do som de explosões em Star Wars, mas acho que se uma mulher encontrasse um cara morto numa biblioteca velha, a percepção geral seria bem outra, especialmente por conta da decomposição… Enfim, creio que se ela encontrasse apenas o bilhete, a conclusão seria a mesma.

    De todo modo, o conto, no geral, é muito bom. A escrita é ótima, faz pensar e cativa o leitor. Volto a dizer que o primeiro capítulo é uma obra de arte. Parabéns!

    • Seu Fernando
      15 de dezembro de 2015

      Obrigado pelo comentário Gustavo.

      O segundo e o terceiro trechos foram muito sofridos para mim. Eles gritavam que queriam esperar mais um pouco, a ideia não queria sair, sentia-se insegura e imatura. Mas o tempo estava passando e o desafio não esperava. Falei para o conto: “Ou você me deixa escrevê-lo, ou não me inscrevo no desafio de final de ano”. Saiu o que saiu.

      De certa forma eu sentia, enquanto escrevia, que o segundo e o terceiro trecho não estavam de acordo com o primeiro. Mas a ideia está ali. Só me resta fazer as amizades com o conto e tentar acertá-lo após as notas em Janeiro.

  30. Anorkinda Neide
    12 de dezembro de 2015

    Ahh que lindo lindo lindo…
    eu que to sensível? Mas já chorei aqui tb..aaafff
    .
    Você trabalha muito bem as frases, são todas lindas! Bem, quase todas, sabe o parágrafo : ‘Click. A fechadura girou. …’ Este parágrafo parece q destoa da linguagem usada no decorrer do conto, não sei pq, acho até q ele está sobrando, totalmente ao contrário do FB, a frase q ele destacou eu detestei…kkk
    A primeira frase do capítulo A noite, tb está estranha, empaquei ali e demorei pra entender…lâmpada com tosse? não pela tosse, mas pela frase.
    Ahh é só pra dar pitaco neste texto tão lindo que qualquer destoamento chama a atenção num todo de perfeição, sabe cumé?
    .
    Parabéns pelo texto e pelo talento!
    .

    • Seu Fernando
      15 de dezembro de 2015

      Obrigado pelo comentário Anorkinda.

      Experimentei uma série de metáforas neste conto e esperava que nem todas agradassem. Bom saber sua opinião, especialmente que tocou seu lado mais sentimental. Um abraço!

  31. Brian Oliveira Lancaster
    11 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Clima cotidiano incrível. A conexão é imediata com o cenário e personagens descritos.
    U: Nada me incomodou. Flui bem, há boas separações e os diálogos são bem pontuados, naturais.
    L: É a parte que mais me chamou a atenção. A construção começa como quem não quer nada e aos poucos vai crescendo, mesmo com os deslocamentos entre capítulos, até encontrar seu final sublime. Um bela mistura de enredo despretensioso, com significados profundos, incluindo até um futuro possível. O clima melancólico, mas motivador, consegue cativar. Sabemos o que vai acontecer, mas é interessante acompanhar a jornada conclusiva.
    A: Pega bem a essência e aplica uma camada singela de significados.

    • Seu Fernando
      15 de dezembro de 2015

      Caro Brian. Obrigado pelo comentário. Este conto me serviu de experimento para uma série de coisas, e é bom saber que agradou os minutos que você dedicou à leitura.

  32. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2015

    Gostei.

    Um conto de escrita bem fluída, com três ou quatro passagens bem inspiradas, ditando o ritmo e a beleza da leitura. O personagem Fernando é sensacional, ele meio que carrega o conto nas costas. Gostei também de Cecília. Patrícia não me soou uma adolescente “chata” como algumas descrições levaram a crer, mas ficou ok. Só George que não mostrou muito a que veio, mas ao menos não atrapalhou.

    Assim como comentei no outro conto, essa referência a eventos atuais (lama) deu um ar bem vivo à trama (apesar de que, pelo que entendi, ela se passa um pouco no futuro, com o mundo já mais desgastado). Apesar de simples, a história é bem contada e bem amarrada.

    – Certo dia Fernando
    >>> Certo dia, Fernando

    – sempre que encontravam o minúsculo dos obstáculos
    >>> o mais minúsculo
    ou
    >>> o menor

    – pensavam as formigas em forma de gente
    >>> ótima! 😀

    – As palavras – rebuscadas demais; confusas demais – não faziam sentido
    >>> Pô… apesar do volume, Guerra e Paz não é assim. Pelo menos na tradução que eu estou lendo.

    – á sua natureza
    >>> crase, não agudo

    – A poeira correu na frente, invadindo o recinto em uma enxurrada
    >>> boa!

    Bom conto.

    Abraço!

    • Seu Fernando
      11 de dezembro de 2015

      Olá Fábio. Obrigado pelo comentário. Achei estranho justo o meu conto (lá no meio dos outros, perdido e solitário) ser o último a ser comentado por qualquer pessoa, veja só! Meu coração está muito velho para estas coisas. Não aguento suspenses assim.

      Acho tudo o que você falou muito válido, menos o trecho sobre o Guerra e Paz, mas admito a culpa. Ali eu não estava me referindo a forma de escrita do livro, e sim tentando demonstrar a falta de instrução de Patrícia e o descaso com a leitura em geral no ambiente que – você entendeu bem – se passa no futuro. Este trecho estava mais elaborado numa primeira versão do conto, mas tive que cortar tanta coisa… ah, bem, ossos do ofício.

      Obrigado novamente!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .