EntreContos

Literatura que desafia.

A Última Biblioteca de Peabirú (Willy G.S.)

A resposta só poderia estar ali, na última biblioteca de Peabiru. Não era um lugar para corações fracos, para mentes nauseadas; mas ele não tinha escolha.

O cheiro de abandono e o forte odor de esquecimento no ar parado davam as maus-vindas à quem ali adentrasse sem ser convidado: e ninguém realmente era.

Os caibros do teto estavam expostos, corroídos em diversos pontos e soltando nas encruzilhadas, prontos para o desabe. Ainda havia revestimento em alguma parte, portando manchas de não quero saber o quê de cores nunca vistas antes.

Em algum centro hipotético do recinto havia uma coluna cor de carne, carregando o firmamento como podia. Talvez tivesse alguma magia antiga para segurar intacta o insegurável, se essas coisas existissem.

Adivinhar o material que fora feito o chão era para poucos especialistas; muitos afirmavam que ele já havia sido corroído por traças subterrais e o que mantinha o piso firme era justamente o que havia caído do teto, concatenado com anos e anos de poeira, solidão, fuligem, celulose perdida, gerações incontáveis de ácaros e areia. Mas havia uma classe que dizia que era tudo mágico mesmo e fim.

Do lado podia-se vislumbrar uma porta, que guardava nada mais que vassouras e objetos inúteis, mas que teriam muito trabalho ali.

Quando os olhos se acostumaram à penumbra, as paredes se curvaram e sorriram para o entrão, forradas de livros e prateleiras feitas de caixotes de madeira. Os livros estavam categorizados em desordem numérica, divididos em níveis de desimportância e subdivididos, ou subcategorizados, ninguém saberia dizer a diferença, na cor da capa, quando havia.

O bibliotecário era famoso: Acaso, Obra do.

Por tudo isso é que ele sabia que a resposta só poderia estar ali. Além de já ter pesquisado em quase todas as mais famosas bibliotecas do mundo, ter palestrado com os maiores bibliógrafos da atualidade, e alguns da posteridade, ter conhecido recintos secretos, de sociedades ou indivíduos, com a total liberdade para procurar o que buscava, sempre fora em vão.

Inúmeros alarmes falsos já haviam despontado ao longo dos anos. Inscrições próximas, que pareciam das dicas para o próximo passo a ser dado, mas que se mostravam pistas interpretadas de maneira péssima.

Teoristas diziam que tudo já estava escrito, o antes o depois e o além. Só era preciso procurar no lugar certo, na biblioteca que o tal livro estaria. E calculistas mostraram que os caracteres eram finitos, logo suas possíveis combinações eram também finitas e calculáveis, e três séculos depois o surpreendente resultado levantou ainda mais dúvidas: havia bibliotecas o suficiente para isso?

Os primeiros catálogos que compreendiam essa magnitude foram sendo montados, e logo bibliotecas para eles foram construídas, e nosso herói já havia visto todos em sua busca, e havia deixado instruções sólidas para seus assessores para ficar de olho nas novas atualizações.

Quando uma nova biblioteca era encontrada, ele era um dos primeiros, senão o próprio descobridor e primeiro leitor, a fuçar a primeira frase de cada livro.

Pois o que procurava, a resposta para sua vida, seria reconhecível na primeira frase. Isso ele tinha certeza.

E as bibliotecas de Peabiru, perdidas ao longo dos anos pelo caminho da memória e da história foram sendo encontradas uma a uma, restando apenas esta em que nos encontramos agora, cheios de livros que já se esqueceram do sabor de uma mão.

Aleatoriamente ele pegou o primeiro livro que lhe chamou a atenção pelo tamanho, Me chamem de Ismael, não, esse não era com certeza.

Devolveu o livro à prateleira, continuou olhando as lombadas, eliminando os nomes conhecidos, os autores que já ouvira falar, mas que nunca havia lido, com exceção da primeira frase de suas obras. Se alguém perguntasse, talvez ele tivesse decorado todos os inícios de livros que existem, e poderia adivinhar os que estão por existir.

Outro grande, um catatau, Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada, com um vaso de barbear, sobre o qual se cruzavam um espelho e uma navalha. Também não era esse; ele estava superestimando sua resposta.

Não que livros com uma dezena de centenas de páginas fossem melhores que livretos de cinco, mas o que buscava não deveria ser tão complexo, tão diluído, talvez fosse algo mais rápido e direto, sem firulas, sem linguiças entupidas, coisa de livreto das tais cinco páginas, quem sabe.

Sou um homem doente… Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Antes que se interessasse mais ele fechou o livro depressa e o devolveu. Começou a separar as capas reconhecidas das não reconhecíveis, e das não visíveis, e das sem capa de todo.

Havia uma velha mesa de três pernas, ao lado de uma poltrona de gosto duvidoso, onde nosso herói separava suas pilhas, abria as que lhe convinha, e descartava o que estivesse longe do que buscava.

Assim foi limpando cada uma das prateleiras, perdendo a esperança a cada novo livro aberto e esperança frustrada. No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Algum dia desse eles teria que sentar e ler esses inícios magníficos, mas agora não teria tempo, o que colocou como meta de vida não deveria ser ignorado depois de todos esses anos, não era mesmo?

Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles foi descartado, assim como Tudo no mundo começa com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Ambos sem capas, sem inscrição prévia, sem cor nas páginas carcomidas. Sem importância para o perquire.

A poltrona se mostrou pouco mais confortável do que aparentava ser, o que era um bom sinal naquele fim de tarde. A previsão era de chuva serena para a madrugada, mas ele não se importava, tinha muito por fazer.

As pilhas assustadoramente chegavam ao fim. Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Tudo era confusão na casa dos Oblónski. Outro descarte, outro desgaste mentalfísico.

A última biblioteca de Peabiru se mostrava tão vazia e superficial como as outras, o que era triste, pois parecia tão promissora no princípio.

Ora, o último livro encostado na última caixa da última prateleira não tinha capa ou inscrição e parecia ter um brilho diferente dos demais, e o coração do nosso herói palpitou, mesmo que ele dissesse pra si mesmo, já que não havia mais ninguém ali para ouvir, nem seus pensamentos, que aquele não poderia ser o que procurava, e quando abriu e leu Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. suas suspeitas foram confirmadas, não era mesmo o que procurava.

Quietou-se cabisbaixo, com a mão apoiando a testa enrugada. Mais uma busca pela resposta de sua vida parecia não dar em nada, aliás, a busca em si parecia cada vez mais não fazer sentido e tinha dias que ele simplesmente esquecia o que realmente procurava. Só não desistia por ter medo da sociedade: o que diriam? que dedos apontariam? como ririam?

Preferiria ser lembrado como o homem que se empenhou numa busca até o último de seus dias, até seu suspiro fatal, até não poder mais sair da cama e só tivesse o papel de parede para lhe fazer companhia.

Pensou em escrever um artigo indagando e colocando em cheque as afirmações de que tudo matematicamente já estava escrito, e isso tomaria alguns bons anos de muita discussão que não daria em nada, ou daria na mesma.

Chegou até mesmo a bolar um plano infalível onde ele mesmo escreveria sua resposta definitiva, jogaria em alguma biblioteca recém descoberta por ele, trancaria lá e deixaria mofar por anos a fio, até redescobri-la e sair vitorioso, esfregando na cara de seus críticos algozes.

Não. Não faria isso, não teria que chegar a esse ponto, ou chegaria? Ele não se perdoaria, talvez não conseguisse mentir por muito tempo e finalmente abrisse a boca numa noite de bar com amigos próximos, que estariam tão próximos apenas atrás de uma brecha no plano há muito suspeito.

Não! se corresse com esse plano, ele mesmo não poderia saber, não poderia lembrar; aliás, não poderia executá-lo, e se chegasse nos finalmentes, teria que deixar uma pista, um caminho das pedras, para ele mesmo, para que pudesse redescobrir o que procurava.

Mas isso, sabia ele, seria impossível, mesmo que a ideia estivesse surgindo em sua mente depravada e astuciosa. Não, ele não deveria fazer isso. Deveria desistir, trocar de nome, de endereço, de face, de vida.

O corpo fraquejou, a mente indisciplinou, seus olhos fecharam, quase desejando que fosse pela última vez. Que vida fora essa, desperdiçada atrás de algo inexistente.

Depois os reabriu, desanimado, e olhando pensativo para o chão ele viu algumas letras saltarem para seu campo de visão. Cautelosamente desgrudou folhas de pedaços do teto, de areia solidificada, de o que quer que tivesse caído e por ali ficado.

Assim que levantou o livreto, que parecia mesmo ter cinco páginas, seus olhos brilharam e lacrimejaram, suas mãos tremeram, e não era de fome, e com a maior calma do mundo, e com a felicidade de finalmente poder ler algo até o fim, leu a primeira frase: A resposta só poderia estar ali, na última biblioteca de Peabiru.

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33 comentários em “A Última Biblioteca de Peabirú (Willy G.S.)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ A Última Biblioteca de Peabirú (Cumulus Nimbus)

    ஒ Físico: O autor sabe escrever. Mas seu estilo não é tão marcante quanto sua bela narrativa fluida e leve. Tem um poder descritivo poderoso, mas acaba se enrolando um pouco nessas partes. Cumulus deve desenvolver seu estilo, fugindo do superficial e da apatia, e encontrar o ponto de equilíbrio.

    ண Intelecto: É uma estória interessante. O protagonista está buscando algo. O sentido da vida, talvez. A resposta para o tudo, talvez. São tantas reflexões que podem nascer nesse tipo de enredo. Mas o autor se apega aos livros. O conto é basicamente o abre e fecha de livros, com algumas ideias interessantes no meio do caminho. Faltou profundidade. Nota-se com facilidade que Cumulus é talentoso na área de criação. Tem potencial. Mas é necessário ter foco e clareza ao passar as ideias. E se não quiser passar tudo de forma clara, que seja bem montado, que seja bem planejado. Não me pareceu o caso.

    ஜ Alma: A biblioteca fica em segundo plano, mas tem presença forte. É o cenário principal. É o lugar onde está o que o protagonista procura. Podemos dizer que é basicamente um personagem. Cumulus mandou bem. Ele também tem potencial para a escrita.

    ஆ Egocentrismo: Gostei da leitura, mas achei que o texto pretendeu mais profundidade do que realmente transmite. O estilo do autor é muito frio, levando para a superficialidade. Não consegui sentir empatia por nada. Nem pela narrativa, nem pelo personagem. Na minha humilde opinião, o que transforma um escritor amador num escritor de sucesso, digo, de sucesso verdadeiro, é seu estilo e sua mensagem. Cumulus ainda precisa desenvolver sua escrita.

  2. André Lima dos Santos
    2 de janeiro de 2016

    Achei muito interessante a ideia do próprio conto ser o objeto que o homem tanto procura.
    Muito boa mesmo a ideia. A execução poderia ser mais caprichosa, com uma complexidade maior nas construções frasais, mas nada que comprometa o conto.

    Muito bom mesmo! Um dos meus favoritos.

  3. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    A situação do looping no final foi sem dúvida o ponto alto do conto, que me cansou um pouco com as citações de livros no decorrer da trama. Achei muito engraçado também o pensamento do cara em enganar os outros, escrevendo a resposta, escondendo e redescobrindo. Hahaha. Foi uma leitura bacana.

  4. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Conto interessante. O cara estava a procura de um texto que mudaria a sua vida, e, este texto é exatamente o conto que está sendo narrado. E só depois do encontro deste escrito é que ele finalmente conseguiria ler alguma coisa até o fim Não é nada modesto isso, kkkkkkk. Também não sou muito modesto não. kkkkkkk. Achei a dinâmica um pouco lenta, e fria, mas, no todo o conto me agradou. Boa sorte.

  5. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    “Categorizado em desordem” foi muito bom, A leitura foi muito fluida, graças às descrições vibrantes e minuciosas. A procura do livro deu um toque instigante. A teorização lembra a biblioteca de Borges. As citações, de Márquez a Homero deram um sabor literário. A Ficção cientpífica mais uma vez está presente, com ecos da ´”Última Pergunta”, neste site publicado. Muito bom, parabéns.

  6. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Uma prosa interessante, e foi bom ver a coragem do autor/autora ao escrever um texto com umas construções incomuns (mas aqueles “maus vindas”, senhor…). No meio, confesso que me cansei um pouco. Fiquei com medo de não chegar a lugar nenhum, mas ao menos chegou, e de uma forma interessante! Eu gostei.

  7. Simoni Dário
    1 de janeiro de 2016

    O texto cansou um pouco pelas citações dos livros, mas o final foi muito bacana. A gana do personagem por encontrar mais do que um livro (pareceu que se encontraria nele, cheguei a pensar se era ele o autor do mesmo, sei lá) foi o que atiçou minha curiosidade. Não foi uma leitura fluída pra mim, mas teve um sabor agradável no final.
    Bom desafio!

  8. Philip Klem
    31 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Amei ler o seu conto. Foi muito bem escrito e fácil de ler, exceto por aquela parte em que você começa a citar um monte de inícios de livros. Talvez fosse essencial para a narrativa, talvez não…
    Gostei do mistério todo e da procura do pobre homem. Dava pra sentir a angustia dele e tudo isso me instigou a continuar lendo. Porém, quando cheguei ao fim e aquela primeira frase me revisitou como última, fiquei bastante decepcionado.
    Enfim, você escreve muito bem, mas talvez este não seja o seu melhor trabalho. Minto, foi um ótimo conto, mas talvez não seu melhor final.
    Boa sorte.

  9. Evie Dutra
    30 de dezembro de 2015

    Não gosto de ler os comentários antes de fazer o meu mas, neste caso, tive que ler hehe. Confesso que cheguei ao final do conto e fiquei sem entender..
    Achei o conto um pouquinho confuso.. ele estava procurando por algo e no final eu fiquei com a sensação de “Ok.. ele achou.. mas, o que era?” rs.. Somente depois que li os comentários e compreendi o conto que entendi o quão criativo ele é. E bota criativo nisso, hein! hehe.
    Parabéns e boa sorte 🙂

  10. Cleber Duarte de Lara
    30 de dezembro de 2015

    Síntese critica construtiva:

    Utilizando-se de uma mistura bastante interessante de elementos, como a ideia expressa na citação atribuída a Salomão “Nada novo sob o Sol” e a ideia do técnico da eternidade (O Fim da Eternidade – I. Asimov); a narrativa nos deixa em um terreno entre a magia e a ficção científica. Como dizia A. C. Clark, as duas coisas são indistinguíveis aos não suficientemente instruídos cientificamente.
    Pra a narrativa cumpre o que se propõe, apesar de confundir o leitor em vários trechos. Uma síntese menos “violenta” de tantos elementos de certa forma heterogenios entre si, poderia trazer um envolvimento menos seletivo, ou ao menos uma compreensão menos seletiva de muitas partes da história do personagem.

  11. Anorkinda Neide
    30 de dezembro de 2015

    Achei bonito o texto… os neologismos me agradaram, quase todos. Porque amo brincar com palavras e me encanto com a criatividade de quem as subverte de forma bonita, pq acho que nao sei fazer isso!
    .
    Mas a trama me decepcionou, esperei q a procura fosse outra, não sei bem qual, mas outra..rsrs não havia entendido o final, até ler os comentários e mesmo descobrindo-o não me animei, sabe como é…
    .
    Mas, como disse, gostei do texto, da fluidez, das citações.
    Parabens pela verve 😉
    Abraço

  12. Thiago Lee
    29 de dezembro de 2015

    O início do conto me fisgou bem facilmente (apesar do ‘maus-vindas’, acho que você quis dizer ‘más-vindas’)
    O bom fluxo da narrativa tornou fácil criar uma imagem mental dessa última biblioteca.
    Lá pelo meio há alguns erros de revisão e umas ‘travadas’ na narrativa, mas nada que tirasse a beleza do conto. O final, entretanto, foi bem adequado, e fechou o conto com chave de ouro. No geral, um texto competente 🙂

  13. Piscies
    29 de dezembro de 2015

    É um conto um tanto interessante. A proposta cíclica é genial, na verdade. Me fez sorrir e entrar num loop mental literal.

    O paralelo à nossa busca pelo significado da vida é óbvio. Procurar por este tipo de resposta quase sempre resultou em esforço inútil. Corremos atrás dos nossos próprios rabos, tentando encontrar respostas às perguntas impossíveis de serem respondidas.

    A técnica deixa um pouco a desejar por sua pressa e seus deslizes constantes. O “maus-vindas” no início, por exemplo, exemplifica uma ousadia do autor que saiu pela culatra.

    Outros pontos que precisam de um pouco de atenção:

    1) “Os primeiros catálogos que compreendiam essa magnitude foram sendo montados, e logo bibliotecas para eles foram construídas, e nosso herói já havia visto todos em sua busca, e havia deixado instruções sólidas para seus assessores para ficar de olho nas novas atualizações.” – Este parágrafo não flui bem. Muitos “e” conectando ideias diferentes. Pontos finais fluem melhor nestes casos.

    2) Assim foi limpando cada uma das prateleiras, perdendo a esperança a cada novo livro aberto e esperança frustrada.” – A frase “Perdendo a esperança a cada esperança frustrada” ficou estranha. Melhor tirar um “esperança”.

  14. JULIANA CALAFANGE
    28 de dezembro de 2015

    Gostei do conto, a ideia é boa, mesmo q não seja novidade. Vc escreve com leveza e seu texto é gostoso de ler. O que atrapalha bastante é a falta de revisão, muitos erros de português acabam levando a atenção do leitor pra outro lugar que não para dentro da trama e isso não é bom… Eu concordo com o Fabio, que em seu comentário sugere q o final seja deixado mais no ar. Eu não gosto qdo acho o final previsível, o conto tem q ter fechamento, mas não um fechamento óbvio. Mas não acho q isso atrapalhe muito, é mais uma questão de gosto mesmo. Parabéns!

  15. Leandro B.
    27 de dezembro de 2015

    Oi, Cumulus.

    Gostei da leitura. O texto funcionou como um todo comigo, mais do que pela história ou pelo ritmo, simplesmente achei a metalinguagem muito bacana. Era o que eu ainda não tinha visto neste desafio.

    Claro, ela só funciona pela competência com que o texto é guiado. As descrições estão muito boas.

    Parabens pelo trabalho.

  16. Antonio Stegues Batista
    27 de dezembro de 2015

    Notei alguns erros de ortografia e português, onde há singular deveria haver plural, etc.. As descrições da biblioteca ficaram boas, mas há muitas palavras para pouco assunto, o looping, ou o círculo, ou ainda, a repetição, está em toda parte e na visão do leitor, parece que gira tudo em torno de uma imagem. Fora isso falhou a originalidade.

  17. Fil Felix
    24 de dezembro de 2015

    Parece eu, quando vou escolher um filme no Netflix. Procuro, procuro e procuro, acabo no mesmo lugar. O conto é muito interessante, principalmente pela metalinguagem, das histórias dentro da história. Gostei muito de como colocou as frases dos livros, deu um toque a mais ao conto e uma personalidade ao mesmo.

    Outro ponto que chamou minha atenção é como tratou o Acaso em todas as passagens, desde a organização dos livros, passando pelas escolhas, pelos locais, pela mistura das palavras e caracteres, até mesmo ao looping. Bem legal.

  18. Andre Luiz
    23 de dezembro de 2015

    Gostei de toda a narrativa leve do conto, ao mesmo tempo fluindo bem e trazendo algumas reflexões bem subjetivas sobre a literatura mundial e até mesmo sobre o próprio ato de ler. Achei que a imagem foi muito bem utilizada, talvez a melhor descrição que eu já tenha visto até o momento, e que você soube agradar com aquele famoso “looping” ao final do conto. Boa sorte no desafio!

  19. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    Texto bastante experimental, com boas referências e um final muito interessante. O que não me atraiu foram algumas imagens criadas pela associação de palavras e que não encontraram muito eco na minha sensibilidade: “cheiro de abandono/odor do esquecimento”, “não quero saber o quê de cores”, “alguma magia antiga para segurar o insegurável”, como exemplos. No mais, um material acima da média deste concurso. Boa sorte!

  20. Lucas Rezende de Paula
    23 de dezembro de 2015

    Achei bem legal o conto.
    O começo ficou meio travado, mas parabéns no cuidado da descrição da biblioteca. A história não é brilhante, mas é gostosa de ler. fiquei meio boiando no final, mas os comentários me ajudaram a entender que o final é um loop e achei isso demais.
    Parabéns e boa sorte!

  21. Davenir Viganon
    22 de dezembro de 2015

    Gostei da brincadeira com as palavras. Não é um texto de fácil digestão em plena madrugada, mas não é culpa do texto e minha, pois não é o tipo de texto que eu goste. Mas a ideia do looping ficou bacana e a busca do personagem também.
    Já falaram mal da alusão ao “nosso herói” e tal… e a parte que mais me incomodou (acho chato mesmo), mas no geral o balanço que faço do conto e positivo.

  22. Rogério Germani
    21 de dezembro de 2015

    Olá, Cumulus!

    Gostei desta odisseia em busca de si mesmo, através dos livros. Saiu do lugar comum. No entanto, ainda que a linguagem flua tranquilamente nos olhos do leitor, aguardava alguns novos fatos além da constante busca.

    Boa sorte!

  23. Eduardo Selga
    21 de dezembro de 2015

    Apesar do nome ligeiramente pornográfico, Peabirú existe de fato, é uma cidade paranaense. E, segundo entendi a partir do site do município, tem mais bibliotecas municipais do que a capital em que vivo (Vitória). O uso do plural na palavra biblioteca no texto, portanto, encontra ressonância no real empírico.

    Aliás, a referência a esse real é uma constante no texto. Ele não cria um universo ficcional a ponto de as inevitáveis referências desaparecerem. Não: o real está sempre lá, seja na tentativa de reproduzir textualmente a imagem que deu azo ao desafio, seja na grande quantidade de citações extraídas de obras literárias, como “Memórias do Subsolo”, “Memórias de Minhas Putas Tristes”, “Ilíada”, “A Hora da Estrela”e “Dom Casmurro”.

    Teriam sido recursos para garantir ao texto verossimilhança externa? Evidentemente não há como adentrar a intenção do autor, mesmo porque isso é irrelevante. O efeito do texto, independente de qualquer intencionalidade autoral, isso sim, é o importante em qualquer produção ficcional. Mas é preciso lembrar que mesmo o efeito produzido no leitor não é um peso absoluto, depende fundamentalmente da capacidade interpretativa de quem lê, e um mesmo leitor pode ter leituras díspares de um mesmo texto (e até antagônicas) em momentos diferentes. Há aqueles que não se movem bem nos meandros de textos imagéticos, metafóricos; há os que, como eu, entendem ser necessário ir além do efeito de realidade.

    Não seria interessante menor preocupação em ancorar o texto na realidade e fabricar um universo ficcional inusitado, na medida do possível, e calcado na verossimilhança interna? Essa minha observação pode dar a entender que o conto ficaria melhor se fosse escrito do meu jeito, dá a entender tratar-se de uma questão de gosto, mas não: a imagem do desafio, a desimportância dada à literatura em nosso mundo contemporâneo, sugerem um tratamento ficcional não realístico.

    Como assim? Se a linguagem realística for a escolhida, os personagens, o enredo, encaminhar-se-ão para um dos dois sentidos: um contrário e outro indiferente à situação (ou até favorável), mas isso não gera uma possibilidade de vislumbrar a questão por outro ângulo, menos terra a terra, menos pragmático; não gera a sensação de que outra realidade é possível.

  24. Leonardo Jardim
    21 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): é interessante. No meio, enquanto ele lia as primeiras frases e não encontrava, minha curiosidade estava nas alturas para saber o que ele procurava. Quando ele não encontrou, fiquei com medo de um final aberto que me frustraria totalmente, mas a última frase realmente fechou bem o conto: ele procurava a própria história. Que doido isso 🙂

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é boa, narração fluida, sem tropeços. Minha imersão na trama foi completa. A descrição inicial da biblioteca foi muito boa. Apenas alguns errinhos bobos passaram na revisão (estou com dificuldades pra anotar nesse desafio).

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca foi descrita exatamente como na foto.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): embora beba da fonte de A Biblioteca de Babel, publicado recentemente aqui no EC, o loop no final foi o ponto criativo do conto.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): gostei do texto. Como já citei, fiquei com medo de terminar o conto frustrado, mas a frase final me arrancou um sorriso e uma interjeição 🙂

    💬 Trecho de destaque: “Se alguém perguntasse, talvez ele tivesse decorado todos os inícios de livros que existem, e poderia adivinhar os que estão por existir.”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ perdendo a *esperança* a cada novo livro aberto e *esperança* frustrada (repetição próxima)

  25. Neusa Maria Fontolan
    21 de dezembro de 2015

    Gostei, me vi aqui torcendo para que ele achasse o livro, ainda bem que conseguiu.
    Parabéns e boa sorte.

  26. Daniel I. Dutra
    21 de dezembro de 2015

    Numa primeira leitura o conto me agradou bastante pelo conceito, mas depois que li o comentário que menciona o ” “A biblioteca de Babel” do Borges, e fui atrás do conto, o efeito se diluiu bastante. Não sei se é porque tendemos a ficar maravilhados quando encontramos uma ideia inusitada, e depois ficamos “desmaravilhados” quando descobrimos que a ideia não é tão inusitada assim.

    É aquela velha história: “não há nada de novo sob o sol”.

    Não falo isso para desmerecer o conto, apenas que depois da leitura do Borges o efeito se perdeu um tempo, mas ainda assim é um bom conto.

  27. Claudia Roberta Angst
    19 de dezembro de 2015

    Houve a tentativa de neologismo com “as maus-vindas”? Entendi como o contrário de boas-vindas. Mas então, o oposto de boas seria más.
    O autor sabe lidar bem com as palavras e às vezes abusa um pouco na brincadeira com elas. Algumas passagens ficaram bem bacanas.
    Gostei da caracterização detalhada da biblioteca. Eu não teria tanta paciência para descrever o local. Poderia ter ficado cansativo, no entanto, não travou a leitura.
    O loop na conclusão do conto ficou interessante, embora eu esperasse outra descoberta. Fiquei um pouco frustrada.
    Boa sorte!

  28. Catarina Cunha
    17 de dezembro de 2015

    TÍTULO estaria fora de foco já que o principal não é a biblioteca e sim a busca obstinada do herói; no fim você deu um sentido. Assim como o herói do conto, preso muitíssimo a primeira frase e/ou 1º parágrafo de um conto ou livro. Chego a desistir de um livro se a primeira página não me encantar. Suas primeiras frases foram encantadoras e o FLUXO, de fácil digestão, manteve-se firme até o fim. Já a TRAMA, com uma premissa formidável, se perdeu entre citações que não agregaram nada à história. As citações ajudaram a entender quem o PERSONAGEM não era, mas o conto criou uma expectativa não saciada no FINAL; nem em resultado e nem em construção. Saquei o efeito do retorno ao início do conto, só que tive a sensação que ver um cristal estraçalhado. Questão de gosto, vai que a intensão era essa mesma…

  29. Gustavo Castro Araujo
    13 de dezembro de 2015

    Achei interessante a ideia. O que me deixou um pouco frustrado foi o clima de fábula que permeia o texto todo. Essas alusões a “nosso herói” não me desceram bem. Ou, talvez o conto seja realmente uma fábula e eu é que sou o mal-humorado de plantão, rs

    Enfim, no contexto proposto, a narrativa é fluida, fácil e bem escrita. Há um tantinho de revisão necessária, especialmente no início, mas nada que prejudique o todo. Percebi o cuidado do autor em descrever a biblioteca exatamente como mostra a imagem do desafio. Percebi também — e isso para mim tornou o texto um tantinho previsível — a profusão de citações. Pode ser visto como uma homenagem a tantos autores famosos e outros nem tanto, mas também pode ser visto como encheção de linguiça, já que não importam tanto assim para o desfecho.

    O desfecho em loop, aliás, foi bem sacado. Lembrou-me o conto do Asimov publicado aqui dia desses. Uma boa saída para uma narrativa que parecia condenada a um beco.

    No frigir dos ovos, portanto, um texto interessante, ainda que falte certo brilho.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    11 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Grande sacada irônica e sarcástica ao mesmo tempo. Atmosfera bem verossímil, lembrando algumas novelas brasileiras antigas.
    U: A escrita flui que é uma beleza. Encontrei apenas errinhos bobos, como não começar por maiúscula depois de perguntas, nada que afetasse a experiência em geral. O bom humor do personagem e suas divagações são ótimas.
    L: Gostei de todo o conto em forma de busca. O início chama a atenção, e, do meio para o fim, o desdobramento fica melhor ainda, culminando num final perfeito e adequado. Bem criativo.
    A: Captou a essência física da imagem e aplicou um looping curioso e quase metalinguístico.

  31. Fabio Baptista
    9 de dezembro de 2015

    Comecei meio que torcendo o nariz, principalmente quando percebi uma similaridade com o conto “A biblioteca de Babel”, recém-publicado aqui mesmo no EC.

    Felizmente, essa similaridade se limitou ao conceito das bibliotecas (quase) infinitas e às reflexões das possibilidades de combinações de caracteres e palavras.

    Do meio para o final o texto engrenou e a leitura ficou bem agradável. Porém, essa última frase deu aquela “brochada”… porque parece que era isso que estava escrito no livro.

    Eu deixaria assim:

    (…) e com a felicidade de finalmente poder ler algo até o fim, leu a primeira frase.

    A resposta só poderia estar ali, na última biblioteca de Peabiru.

    Deixaria no ar a ideia.

    Apontamentos:

    – sabor de uma mão
    >>> cacofonia

    – Algum dia desse eles teria que sentar
    >>> ele

    Bom, no geral, gostei do conto.

    Abraço!

    • Brian Oliveira Lancaster
      11 de dezembro de 2015

      Engraçado. A frase final, como está, funcionou bem para mim. Não trocaria. Tem alguns textos (nesse desafio mesmo) que o pessoal reclama da subjetividade. Ou são gregos, ou são troianos, ou é preguiça mesmo.

      • Fabio Baptista
        12 de dezembro de 2015

        Acabei vendo a frase de outra forma.
        E seu comentário me atentou ao loop (falha minha não ter percebido!).

        Agora fez mais sentido!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .