EntreContos

Detox Literário.

O Pulo do Gato (Jefferson Lemos)

O mormaço parecia estar estagnado dentro do carro, que mesmo com o ar-condicionado ligado, não era capaz de sobrepor a temperatura quente que cismava em fazer o suor escorrer. Alberto queria que fosse apenas um dia de calor muito intenso, mas sabia que, na verdade, sua refrigeração estava com defeito, e por mais que tentasse esconder o fato colocando a culpa no sol, tinha a plena certeza de que a peça avariada não se consertaria magicamente. Meteu o dedo no botão de desligar o ar e abaixou os vidros em seguida.

Dizia que queria manter o cheiro de novo, mas quanto tempo um carro conseguiria manter esse cheiro? Certamente não após três anos de uso e mais de cem mil quilômetros rodados. Vou trocar em breve, ele dizia, mas esse era um refrão que ecoava há mais de um ano. A situação não era promissora, mas haviam pessoas que viviam com menos, e esse era um mantra que estava funcionando muito bem nos momentos de maior desespero. Tem gente pior que eu.

O carro se aproximou da cancela, ainda deslizando (o motor mantinha-se em perfeito estado, pois nem tudo estava perdido) e parou na guarita.

– Bom dia, sr. Alberto – cumprimentou Carlos, o segurança do estacionamento. Fumante que despejava tóxicos feito uma Maria-Fumaça que não se importava com câncer. A pequena pança já começava a despontar sob a camisa social branca e um chapéu com o nome da companhia tampava os cabelos grisalhos. Seu olhar de “quase idoso” era benevolente, mas o cheiro de cigarro pairava no ar.

– Bom dia, Carlos – Alberto tinha uma coisa, que podia se assemelhar a certeza, de que Carlos acabaria morrendo de câncer ou qualquer merda parecida com um enfisema. – Essa porra desse cigarro vai te matar, velho.

– Eu não tô mais metendo mesmo, que se foda – riu espalhafatosamente, contagiando também Alberto, que não resistiu.

– Hoje você ri, amanhã você chora – Alberto tocou o carro e adentrou o estacionamento.

– Lembre-se de colocar um maço no meu caixão quando for me visitar – o grito do velho sumiu conforme a guarita ficava para trás.

Alberto ainda sorria.

Desceu do carro e acionou o alarme. O suor das costas fazia a camisa aderir feito stretch, mas a esse ponto ele já não se importava. Sua cabeça estava perdida (quase literalmente) em outros pensamentos, enquanto chegava no elevador e esperava ouvindo os clancs descendentes. O celular tocou e ele atendeu, trocando a pasta de mão e a colocando embaixo do braço.

– Alô – a voz respondeu do outro lado, e ele aguardou por um tempo. – Tudo bem, Rafa. Já disse… não, não precisa se preocupar. Eu me viro, é sério. O quê? Nem pensar!

Ficou tão agitado que a pasta voou no chão, espalhando alguns papéis. Agachou-se, catando tudo de qualquer jeito enquanto continuava a aumentar a voz.

– Olha só, eu só vou falar pela última vez: EU ME VIRO! – A voz do outro lado respondeu novamente, parecendo insistente, mas ele cortou o assunto. Dessa vez, suava feito um porco em sauna. A porta do elevador se abriu e dois homens saíram logo em seguida. – Chega, não vou mais discutir isso com você.

– Bom dia, Beto – falou o da direita.

– Bom dia, rapazes – percebeu que eles olhavam curiosamente para o suor que escorria em profusão – o dia vai estar quente hoje.

Apertou a seta para cima, e com os dois o observando de rabo de olho, a porta se fechou e o elevador começou a subir. Ele ainda estava no telefone.

– Não quero saber! Meus problemas são apenas meus, entendeu? Não quero saber de você tocando nesse assunto novamente. Preciso ir trabalhar.

Desligou e ficou encarando o teto. Soltou a pasta e passou as mãos pelo cabelo molhado, buscando algum tipo de iluminação divina apenas no simples ato. Não se sentiu nem um pouco mais abençoado. A roupa, que já não estava muito arrumada, agora saíra mais ainda dos eixos. Pegou a pasta, que milagrosamente não havia derrubado nenhum papel, e esperou que o quadragésimo segundo andar se anunciasse. O clanc tocou e ele saiu.

Passou pelas mesas com uma pressa incomum, atraindo algumas espiadelas. Não que estivesse se sentindo muito estranho (na verdade, estava enlouquecendo por dentro), mas o diretor estaria ali para cobrar o balancete anual juntamente com o gerente, e ele não queria nem mesmo pensar nesse inferno que havia transformado sua vida em desolação.

Chegou em sua sala, trancou a porta e se jogou na cadeira, pensando. Lembrou-se do momento em que tudo começou a dar errado.

O choro foi uma consequência.

 

***

 

– Eu tô falando, Alberto. O negócio é certo. Investimento do bom – o homem, articuloso como uma cobra fazendo contorcionismo, falava com uma suavidade surpreendente.

– Não sei não, Jorge. A grana é alta demais. Eu não tenho isso nem se eu vender meu carro.

– Você prestou atenção no que eu falei? O negócio é certo. Já viu o quanto esses sites de compras lucram na internet? – Deu um tapa no braço de Alberto para enfatizar a quantidade de lucro absurda – ainda mais sendo da China! Lá a produção é quase infinita.

– Mas como vou saber que posso confiar nisso?

– E alguma vez eu já te passei para trás? Você faz negócio comigo há anos e só temos ganhado. Eu te mostrei o site, tá tudo nos conformes, e já tem produtos rolando lá. Mas eu não vou conseguir tocar sozinho, preciso de um sócio.

– Eu precisaria de tempo para arrumar esse dinheiro – os olhos de Alberto brilhavam, mas não com a força de uma supernova. No máximo uma nova. A energia que ele precisava para explodir de vez encontrava-se nas palavras persuasivas de Jorge.

– Você sabe que é o meu cara, mas não posso esperar esse tempo todo. Vou ter que procurar outra pessoa se você não puder.

– Não, verei o que posso fazer. Semana que vem a gente pode se encontrar de novo? Eu te dou uma resposta concreta da situação.

– Isso que eu queria ouvir! – Jorge se levantou da cadeira e abraçou o companheiro, indo em direção à porta da sala. – Semana que vem eu volto e aguardo sua resposta, então. A gente vai mantendo contato até lá.

– Certo, vou ter a resposta certa – Alberto apertou a mão do amigo enquanto ele abria a porta. Rafael tirava a chave do bolso naquele exato momento.

– Rafael, quanto tempo! – Jorge apertou a mão dele e lhe deu um tapa no ombro – uma pena que eu não possa ficar mais. Semana que vem, Beto…

Alberto fez um sinal de positivo e trancou porta, com Rafael perguntado logo em seguida.

– O que ele veio fazer aqui?

– Nada demais. Informações da comercialização de alguns produtos que já vendi para ele. Queria umas dicas.

– Certo – no momento, Rafael não desconfiou de nada. Jogou a mochila em cima do sofá em se encaminhou para a cozinha. – Tem alguma coisa para a janta?

 

***

 

Naquela mesma semana Alberto fez a maior burrada que poderia fazer em sua vida. Na função de contador da empresa, que gerava uma quantidade enorme de dinheiro, ele conseguiu extraviar uma quantia equivalente a 20 mil.

Seu esquema era fácil: Ele iria retirar esse dinheiro, e baseado nas contas feitas e refeitas milhares de vezes, ele conseguiria repor tudo em um mês e ainda lucrar. Tendo em vista de que o próximo balanço só aconteceria dali a seis meses, o problema a ser resolvido não era problema algum.

O plano, pelo menos em sua parte inicial, que era a de conseguir o dinheiro, foi um sucesso. Mas esse sucesso parou por ai. Jorge, a cobra articulada, aceitou o dinheiro de bom grado e atualizou Alberto durante uma semana sobre os trâmites envolvendo as compras e vendas de mercadoria. Nessa semana, segundo ele, eles haviam faturado um valor de quase três mil, então o planejamento corria como o esperado. No entanto, em algum momento nesse período, o telefone parou de tocar.

Alberto tentava inúmeras vezes, mas suas tentativas eram infrutíferas. Até que uma semana se passou, e duas, e três… Jorge nunca mais foi visto, e a partir dali, o inferno estava lançado em terra; com o adendo de ser em uma única vítima.

 

***

 

– E como seriam essas taxas? – Alberto perguntava para o homem mau encarado que negociava com ele.

– 35% em cima do valor total.

– Eu aceito.

– Certo. Mas antes, precisamos te mostrar uma coisa.

O homem entrou em uma sala fechada apenas por uma cortina vermelha, e fez um sinal para que Alberto o seguisse. O local em que estavam era semelhante à um escritório- contêiner. Adentraram no outro recinto e o agiota puxou uma gaveta no gaveteiro de metal. Olhou alguns arquivos e encontrou o que queria. Retirou uma pasta amarela e jogou em cima da pequena mesinha que enfeitava o centro da sala.

– Agora que você está no jogo, essas são as regras da casa.

Alberto pegou a pasta ao sinal do homem, e abriu. Dentro, havia fotos de alguém deitado de bruços e com um buraco saindo pela nuca. Do outro lado, com a boca aberta e virado de barriga para cima, ele percebeu que se tratava de seu amigo de negócios.

– Esse foi o último que pegou 40 mil comigo. Tentou me pagar com 20, mas esse não era o trato. Então, meu amigo, espero que você saiba onde está se metendo.

– Claro – gaguejou imperceptivelmente, enquanto engolia em seco. – Trato é trato.

O fato de ver o cadáver de Jorge fotografado o perturbou, mas não tanto quanto estar ali naquele lugar. Afinal, o próprio Jorge tinha indicado o “contato” para ele. Mas agora já era tarde demais.

Trato era trato.

 

***

 

Cinco meses haviam se passado desde a data do acordo, e Alberto esfregava ainda mais a cabeça esperando que uma solução se desdobrasse a sua frente. Sentado na sala, com a visão turvada pelas lágrimas, ele já não sabia o que fazer. Foram inúmeras ligações nos meses que se passaram. As desculpas eram equivalentes em quantidade, mas na verdade, ele não conseguia juntar todo o dinheiro suficiente para pagar a dívida sem que tivesse que passar fome pelos próximos dois anos. Então foi empurrando com a barriga, utopicamente imaginando que tinha a versatilidade que seu amigo morto fazia parecer com habilidade inata.

Mas o fato é que não tinha, e a data final para o pagamento da dívida era aquele. O balanço estaria correto, mas todo o resto não. Rafael descobrira com o tempo, e agora estava tentando arrumar a merda que ele tinha feito. Era tarde. Rafael não sabia, mas ali já era tarde.

A gravata frouxa no pescoço foi puxada com força, desapertando mais ainda o enforcamento involuntário. Alberto sentiu os pulmões se abrindo. O ar que corria no peito parecia mais límpido, quase puro (ou tão quanto poderia ser numa cidade com céu de carbono). Pegou a cadeira, deslizou-a pela sala por uns instantes, enquanto as batidas começavam a soar em sua porta. Não se preocupou. Gritavam seu nome, mas tudo parecia um pouco mais distante. Como se o mundo descolasse a realidade e o atirasse em um estado de catarse.

Segurou a cadeira com mão firmes, mirou a janela que era sua barreira contra o mundo, e lançou o objeto com força. Ele rodopiou como em câmera lenta, enquanto Alberto corria no mesmo sentido. A cadeira se chocou contra o vidro quando ele lançou seu corpo com toda energia, tendo uma chuva de prata como resposta.

 

Rafael andava apressado. A cabeça estava em ebulição causando uma dor incômoda na base da nuca. O pai já lhe dera trabalho, mas nada que causasse uma dor de cabeça como aquela. Parou em um cruzamento enquanto interrompia o pensamento, e dali viu o prédio do outro lado. Aguardava o sinal vermelho piscar quando ouviu um barulho vindo de cima. Em meio ao vidro diamantado, um corpo despencava de abraço ao concreto. Desceu como um cometa mirando uma cratera.

A maleta caiu de suas mãos com um baque. Dentro dela, 27 mil que deveriam salvar aquela vida.

Vidro estilhaçado

◊◊◊

A alvorada ainda não havia despontado no céu quando Rafael acordou. Assim como todos os dias. O horário já não era mais um problema para ele, e a disposição, felizmente, andava em sincronia com o corpo. Saltou da cama, e seguiu diretamente para o banheiro. Um banho quente e um café da manhã simples terminaram o serviço; estava acordado.

Dormira um sono conturbado. Os problemas de Alberto já lhe tiravam a calma mais do que gostaria de admitir. Mas após tanto ponderar sobre a situação, achava que tinha uma solução.

Atravessou a cidade até o banco do outro lado. O horário com o gerente já estava marcado, e ele esperou. A impaciência era visível em seu semblante. Quando o homem o convidou a entrar, não fez rodeios e foi direto ao assunto. O saque que faria de sua poupança cobriria apenas uma parte, mas o empréstimo daria um jeito de alcançar o valor que precisava. Negociou durante um certo tempo. Era muito dinheiro, o gerente dizia. A burocracia era tremenda. Rafael não se importava.

– Eu consigo o dinheiro ainda hoje?

– Claro, Sr. Rafael – respondeu o gerente. Seu sorriso felino era branco e reluzente – o dinheiro será librado para o senhor no momento em que o contrato estiver fechado. Lançarei os dados no sistema e você poderá recebê-lo.

– Certo – respondeu Rafael, impaciente.

– Porém, se o senhor me permite, devo dizer que a quantia que está solicitando é alta. Os juros ao mês são esses – apontou para o papel que tinha em mãos – e o anual é esse aqui.

– Sim, eu já tinha feito os cálculos antes. – Rafael já aparentava aborrecimento pelos questionamentos do homem – vou correr o risco.

– Pois bem. O senhor só precisa assinar estas vias e nosso trato estará fechado, sim?

Rafael rascunhou sua assinatura por uma quantidade infinita de folhas. Quando terminou, o homem apertou sua mão e lhe desejou sorte. O dinheiro já estava separado em uma pequena maleta, que uma mulher levou até a sala. Ele conferiu, fechou o trinco e saiu.

Sabia que o pai estaria no serviço àquela hora, e encontrá-lo não seria difícil. De uma vez por todas daria fim no problema que vinha esquentando sua cabeça como uma chaleira em ebulição. Mas não sem antes dar um sermão completo em Alberto. Era necessário. Ele não era mais nenhuma criança e sabia das consequências de seus atos.

A paisagem se transmutava através da janela do ônibus. O verde virava cinza, e depois amarelo para se acinzentar novamente. Quando o veículo terminou seu trajeto e parou no centro da cidade, Rafael desceu e se encaminhou para o prédio do pai. Cruzou a calçada e sentiu um aperto no peito enquanto pensava. Ao longe, viu o sinal abrindo e os carros seguindo o fluxo.

Pensava em como tudo começara.

♦♦♦

A lágrima escorreu quase na mesma velocidade em que o seu falecido pai caíra. Salgada, adentrando a boca sem pedir licença. O coração parecia mirrado dentro do peito, como se tivesse encolhido com o barulho ensurdecedor da carne atingindo o chão. A maleta, que antes reluzia feito uma corrente de prata polida, agora já não tinha mais brilho. Assim como o mundo, a existência desbotava aos poucos, enquanto ele atravessava a rua sem perceber que os músculos se movimentavam e os sons das buzinas ecoavam pelos prédios-testemunhas.

Testemunhas do crime banal, que tira vida de si mesma e acentua o egoísmo da (in) existência.

Suicídio? (As vozes curiosas diziam)

Rafael alcançou o pai – e o círculo de pessoas que começava a se formar a sua volta, como um anel de contenção – mas era difícil olhá-lo. A mancha de sangue salpicava o concreto; como o vermelho do ketchup que lambuzava a batata frita que havia comido no café da manhã. A massa digestiva subiu à garganta e voltou com força, trazendo e levando a ânsia feito um balanço em alto mar. Não era capaz de se segurar ali por muito tempo, mas sentia-se compelido a continuar olhando. Dos esforços que poderia fazer pelo pai, aquele era o único que não esperava. Tentara de tudo para que desse certo, mas ao final, a pressão que tanto ignorou deu o veredito final.

Naquele momento, presenciando a cena grotesca, era como se ele próprio tivesse morrido. Sua vida passou diante de seus olhos. Não sua vida completa, pois todas as ocasiões em que seu pai não estivera presente foram solenemente ignorados pela necessidade do momento. Ele viu tudo o que vivera. Desde a infância, passando pela adolescência e tempos de rebeldia, chegando a maioridade e a troca de responsabilidades (agora, definitivamente ele era o homem da casa), até chegar ali,

na massa disforme

no corpo sem vida que adornava a calçada.

O choro (tal pai, tal filho) foi uma consequência.

***

Andava distraído. A calça duas vezes mais larga quase escorria pelas pernas, mas a blusa que seguia o mesmo modelo dava um jeito de tampar o que poderia ser mostrado. Seus olhos assustados perscrutavam a rua, sempre atentos a qualquer coisa que poderia lhe beneficiar. Não viu o homem despencando pelo prédio do outro lado da rua, mas viu a movimentação estranha na calçada. Parou, curioso, e esticou o pescoço na direção do furdunço. De longe não conseguia ver nada, mas ainda assim se perguntava o que acontecera. A cena o havia chamado a atenção. Tanto que não percebeu quando tropeçou em uma maleta deixada logo na entrada da faixa de pedestres.

A maleta, que antes perdida o brilho para Rafael, agora reluzia. Não mais como prata, mas sim como ouro. O homem a pegou, sentindo o peso nas mãos. Virou-a de um lado para outro, desviando o olhar para as pessoas que transitavam a sua volta, alheias ao que ele fazia. Um ou outro o dirigiam algum tipo de espiadela, mas logo voltavam aos seus caminhos conturbados. Como máquinas seguindo o fluxo mecânico, com trilhos desenhados no chão e apenas carvão suficiente para suas próprias viagens; tempo é precioso.

O fecho de metal não tinha mistério algum. Era simples, com apenas uma trava sobreposta a outra. O dedo a puxou para cima, e o cheiro de dinheiro serpenteou para fora. Para muitos, as pessoas normais, esse cheiro não existia. Mas para ele sim. Seus olhos, que detinham um certo brilho de insanidade com uma alta dose de malandragem, focaram-se no conteúdo da maleta e todo o resto se deslocou da realidade. Era apenas ele e o dinheiro. O coração no peito martelava quase saltando, enquanto uma alegria corria pelas veias como se tivesse sido injetada. Fechou o objeto com força, colocando-o debaixo dos braços. Olhou para todas as direções, procurando alguma testemunha ou dono em potencial, e se afastou antes que pudesse encontrar alguém com a descrição que procurava.

Sorria como nunca havia sorrido, pois sabia que aquele dia era o seu dia de sorte.

***

Sentia uma dor estranha subindo pelas pernas e pairando na ponta da cabeça, fazendo um percurso pelo corpo como em ondas. Levantou-se com dificuldade, percebendo a respiração pesada, e observou os rostos estranhos que o cercava. Olhares de repulsa, dor e tristeza. E dentre elas, apenas uma face em cor reluzia a desolação do presente.

Rafael chorava e seu semblante era de desesperança e decepção. Alberto sentia o olhar do filho descer sobre ele como uma marreta, esmagando o coração e comprimindo seus sentimentos em um lugar intangível. Aproximou-se do filho e ameaçou falar.

– …

As palavras não saíram. Forçou emitir qualquer som, mas apenas o silêncio reinava. Percebeu que as vozes da cidade também se calaram, e uma sensação de solidão o abateu feito um vendaval. Contemplou o filho chorando calado durante um bom tempo, e levou as mãos até o rosto dele. Os dedos atravessaram a face e desceram direto, saindo pelo queixo. Viu o arrepio percorrendo o corpo de Rafael, e se assustou. Saltou para trás, com a sensação de que o coração iria explodir no peito. Tocou-o, e não havia batida. A respiração pesada também sumira, e somente naquele momento percebera que o mundo havia perdido o brilho. Mirou os olhos do filho, e de alguma forma eles atravessavam seu corpo e fixavam-se em algo mais além. Virou, entrando em choque ao se visualizar, e ficou sem palavras; ou ficaria, se fosse capaz de expressá-las.

Um aglomerado de carne, ossos e sangue enfeitava o pavimento. Talvez um novo souvenir para a cidade: “Hey, vocês já viram o globo de neve do homem espatifado? É legal porque a neve é vermelha”. Alberto se aproximou de si mesmo e ajoelhou. Os acontecimentos eram confusos em sua cabeça, mas tinha uma ligeira impressão do que havia acontecido, e sabia que aquilo tinha sido inteiramente culpa sua. Tentou alcançar seu próprio sangue que criava uma pintura abstrata sobre a calçada, mas novamente voltou com a mãos limpas. Queria chorar. Como queria chorar! Mas por mais que se esforçasse, não era mais possível.

As lembranças de sua vida também começavam a esvanecer, e o tempo se distorcia a sua volta de forma estranha. Os rostos desbotados começavam a perder o foco, distanciando-se de sua realidade onde apenas Rafael permanecia. A face de angústia congelada em uma máscara de marfim. Alberto correu para alcançá-lo, mas a cada passo dado era como se ele se distanciasse um pouco mais. O filho desapareceu aos poucos, enquanto suas pernadas iam diminuindo e sua memória desaparecendo.

Parou no meio do nada, com escuridão à sua volta, e ponderou. O que eu estou fazendo aqui? Não sabia ao certo. O mundo em preto e branco se abriu como um leque, e ele apenas vagou.

Um aglomerado de pessoas circulava um cadáver caído na calçada. Ele se aproximou, atravessando pelos corpos físicos como uma névoa etérea, e cravou os olhos na vítima. Uma perda para um mundo que não se importava em contá-las. Não sabia quem era, mas pouco lhe importava.

Era estranho e ao mesmo tempo explicativo. Sentou-se na parede do prédio que o morto havia se jogado, e observou a vida.

Não tinha outras perspectivas. Seus compromissos (quais compromissos mesmo?) já não eram tão urgentes. Poderia ficar ali e ver a história se desenrolar. Gostava disso.   Invisível, mas observando. Como um fantasma do cotidiano.

Do meio da multidão que já começava a se dispersar, um garoto saiu cabisbaixo. Teclava no celular e em seguida o colocava no ouvido. Alberto sentia empatia pelo rapaz, mas não sabia o porquê. Era, no final, apenas mais uma vida.

Um risco monocromático no mundo em preto e branco de sua vigília eterna.

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41 comentários em “O Pulo do Gato (Jefferson Lemos)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ O Pulo do Gato – Final
    ☫ Marquês de Carabás

    ஒ Físico: Acredito que o autor tenha escolhido essa narrativa por opção. Ele escreve bem, mas o estilo é simples demais, não oferendo nada de especial ao leitor. A narrativa fluiu naturalmente, tornando a leitura fácil. E o desenvolvimento da estória está excelente.

    ண Intelecto: O autor tenta, tenta com força, mas não consegue dar muita profundidade aos personagens. Teríamos que explorá-los de uma forma mais intensa, mais intimista, para entendermos eles. O que vemos no texto são suas reações. Seus sentimentos mais profundos, seus ideais e suas motivações estão escondidos num complexo gigantesco de subtramas que ainda não existem. Se existem, apenas na mente do autor. Por fim, o enredo em geral não impressiona, pois trata de um tema ultrapassado.

    ஜ Alma: Olhando bem, na leitura da segunda parte, percebi que o texto não fala bem do cotidiano. Está adaptado na nossa realidade, mas o foco da narrativa é outra coisa. Sendo assim, acaba ficando fora do tema do desafio. Nossa realidade em si não diz respeito ao cotidiano! Por definição, o cotidiano é aquilo que é corriqueiro, relativo ao dia a dia do indivíduo, sua rotina, etc, etc, etc. Acredito que o autor tenha potencial. Ele já mostrou certo domínio na escrita. Mas falta algo. Talvez ousadia e coragem. Não sei…

    ௰ Egocentrismo: Não gostei muito do conto. Acredito que o maior problema que enfrentei durante a leitura foi a narrativa do texto. Simples demais, sem nenhum atrativo. Como não pude degustar a estória, não consegui apreciar a leitura. Acho que os dois extremos sempre fazem mal, né? O ponto de equilíbrio entre a narrativa simplista e prolixa deve ser encontrado!

    Ω Final: Texto bem escrito, mas com estilo simplista e estória medíocre. O autor parece ter potencial, então oriento que ele explore outras formas de narrar seus textos, até encontrar um estilo equilibrado. Para finalizar, o conto não está dentro do tema do desafio.

    ௫ Nota: 7.

  2. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    O conto é escrito de forma simples e direta, sem muitos floreios desnecessários, o que me agradou, e o início, com todos os problemas do protagonista foi bem executado. Mas mesmo assim alguns trechos ficaram como lacunas na história, sem o detalhamento necessário, como se o mais importante fosse deixado em segundo plano. Outro ponto que me causou estranhamento era em que momento a cena estava se passando com relação às outros cenas.

    Alguns pontos também ficaram inverossímeis, como mostrarem uma foto de um morto pra um desconhecido, apenas para botar medo? e esse morto ser por coincidência um conhecido do protagonista. A maleta de dinheiro ter sido deixada para trás.

    Também demorarei para entender a relação entre Alberto e Rafael, e acho que isso poderia ter sido melhor explorado, para que sentíssemos a perda e o desespero de ambos.

  3. Felipe Moreira
    5 de novembro de 2015

    Gostei da dose de adrenalina e tensão colocada no texto. Rafael trouxe uma reflexão interessante, muito embora eu tenha achado ela longa demais. Está bem escrito, algumas passagens são sensacionais que trouxeram realmente uma impressão visual do que o autor escreveu ou quis passar. Rafael acabou me lembrando um pouco o jovem protagonista do filme Tree of Life, do Terrence Malick. Bom trabalho e boa sorte no desafio.

  4. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Esperei bastante pela continuação desse conto. Não me agradou o desenrolar, não pelo suicídio, mas por achar que ficou cansativo, foi além do que necessitava. A segunda narrativa foi bastante reflexiva, bem psicológica, dramática, mas não dosou isso tudo muito bem. O final teve a intenção de fechar de forma bonita, uma frase que pareceu bem construída, como uma chave de ouro, mas para mim foi apenas uma forma de terminar, não me impactou. No penúltimo parágrafo, a relação entre “garoto” e “rapaz” como referentes ao mesmo sujeito me pareceu estranha. Ou fui eu que não entendi? De qualquer forma, foi um bom trabalho, porém não tanto como achei que foi o da primeira parte.

  5. rsollberg
    5 de novembro de 2015

    Caro (a), Marquês

    O autor sabe com certeza narrar uma história. É seguro e ágil em sua escrita. Alguns diálogos soaram bem, assim como algumas frases: “e a partir dali, o inferno estava lançado em terra; com o adendo de ser em uma única vítima.”

    Me lembrou o S.K nesse trecho : “Talvez um novo souvenir para a cidade: “Hey, vocês já viram o globo de neve do homem espatifado? É legal porque a neve é vermelha”.” Gosto muito desse humor meio trágico.

    Nesse trecho fiquei em dúvida: “extraviar uma quantia equivalente a 20 mil.” Acho que ficaria melhor: “extraviar uma quantia de 20 mil reais”.
    Bem, apesar de o conto ter um ritmo muito bom, achei que algumas partes ficaram um pouco deslocadas. Talvez a fragmentação do texto tenha me confundido um pouco, tive que voltar umas duas vezes na parte da maleta, rs.
    Mas a verdade é que não consegui me conectar com os personagens. Tampouco sentir a angustia dessa questão delicada que é o Superendividamento e a própria relação dos protagonistas.

    A reviravolta final sob a perspectiva do protagonista foi um lance legal, mas infelizmente não conseguiu me comover. Acho que depois de tantos filmes e livros usarem essa abordagem, não é fácil criar algo que emocione. É provável que com mais espaço, tendo em vista a habilidade do autor, a história tivesse funcionado melhor comigo.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Pedro Luna
    4 de novembro de 2015

    Olha, achei um conto bacana, mas nem tanto. Ficou uma sensação de encheção de linguiça que pode ter sido proposital ou não. A trama é simples: o cara é enganado pelo sócio, pede empréstimo com agiota e se fode ao ver que não tem como pagar. No entanto, isso rendeu muito texto, e em partes, na minha opinião desnecessárias, como os longos diálogos entre Alberto e o amigo mentiroso. Também enxugaria o início, que não atrela muito ao conto, e o final, que ficou devendo e arrastado. Era o fantasma do cara vendo tudo? Ficou destoante do resto. O conto fica muito bom na cena do agiota, mas depois volta a uma certa monotonia. Bem escrito, mas por questão de gosto, não me agradou muito.

  7. Leonardo Jardim
    4 de novembro de 2015

    O Pulo do Gato (Marquês de Carabás) – Primeira Fase

    📜 Trama: (4/5) tem o mérito grande de fechar a história ainda na primeira parte. A história foi bem contada, com o passado e o presente, ainda que a parte em que o agiota mostra o amigo morto um pouco forçado.

    📝 Técnica: (2/5) achei um pouco imatura, com alguns erros de português. Mas o autor sabe estruturar um texto e contar uma história, basta treinar um pouco mais.

    🎯 Tema: (2/2) adequado.

    💡 Criatividade: (1/3) suicidas, dívidas, agiotas. Achei o tema meio batido.

    🎭 Emoção/Impacto: (3/5) o texto passa bem o desespero do Alberto, mas o final, na parte em que Rafael aparece, poderia ter sido melhor aproveitada se tivéssemos entendido melhor a relação dos dois.

    Problemas que encontrei:
    ● “Rafael” surge sem sabermos quem ele é (só no final confirmamos que é o filho)
    ● Alberto perguntava para o homem *mal-encarado*

    • Leonardo Jardim
      4 de novembro de 2015

      O Pulo do Gato (Marquês de Carabás) – Segunda Fase

      📜 Trama: a continuação me pareceu um pouco sem foco. Fez um flashback do Rafael, falou sobre um esperto que pegou a mais e sobre uma pós vida do Alberto. Acho que a história teria ficado melhor se tivesse escolhido um desses pontos e desenvolvido mais: fosse a vida do filho após o ocorrido ou a maldição do dinheiro afetando o homem que pegou a maleta ou a vida do fantasma de Alberto. Da forma como foi, ficou tudo muito superficial. (-0.5)

      📝 Técnica: senti uma leve melhora, com algumas partes mais bem elaboradas (+0.5)

      🔧 Gancho/Conexão: aqui tem o mesmo problema da falta de foco entre as histórias. A impressão que tive é que o autor não sabia como continuar e tomou várias saídas. (-0.5)

      🎭 Emoção/Impacto: aqui o texto recupera o ponto perdido por não ter mostrado o relacionamento de Alberto e Rafael. (+0.5)

      ⭐ Nota: 7.0

      Problemas encontrados:
      ● o dinheiro será *liberado* para o senhor no momento em que o contrato estiver fechado
      ● A maleta, que antes *havia perdido* o brilho para Rafael, agora reluzia.

  8. Gustavo Aquino dos Reis
    27 de outubro de 2015

    A segunda parte do teu conto autor(a) merece aplausos pela inteligência na maneira como a segunda parte foi iniciada. Porém, devo salientar que não houveram reviravoltas gritantes em termos de narrativa e – e devo deixar claro que é a singela opinião desse leitor tácito – o aspecto metafísico do conto não caiu bem. Fechar o trabalho com a presença fantasmagórica de Alberto não me pareceu uma idéia muito feliz. No mais, é um trabalho sólido e com uma boa escrita.

    Parabéns!

  9. Anorkinda Neide
    26 de outubro de 2015

    Um conto triste de uma vida azarada, duas vidas azaradas, pai e filho…hehehe
    A primeira parte nos deixa bem curiosos e ao mesmo tempo com aquela sensação de PQP! o guri ia salvar o velho.. 😛
    Não destoou muito na segunda parte, só um pouco, mais pro final… depois que o mendigo rouba a maleta, achei que ficou em vão a descrição do fantasma sem destino, ao menos ele fosse pra luz!! kkk
    Acho até que poderia ter terminado com o mendigo fugindo, feliz da vida!
    É um bom conto, como um todo, parabéns por este desafio em duas fases!
    Abraço

  10. Piscies
    22 de outubro de 2015

    Gostei do conto mas não fui arrebatado por ele. A história é boa mas… repetindo a infame frase já incansavelmente repetida por aqui, “faltou alguma coisa”.

    Não sei se foi a narrativa que não me agradou. A segunda parte é bem melhor neste quesito do que a primeira. Parece que o autor estava mais “inspirado” nela. A primeira parte tem uma série de piadas que deveriam trazer algum fator cômico ao enredo mas, ao menos para mim, não conseguiram.

    Achei que o conto não tem a ver com o tema do desafio. Tudo na história é completamente fora do cotidiano dos personagens, desde sofrer um golpe financeiro do amigo até achar uma maleta cheia de dinheiro no meio da rua.

    De qualquer forma, foi uma boa leitura no geral. Boa sorte!

  11. Thata Pereira
    22 de outubro de 2015

    Após a leitura da segunda parte:

    Pobre Rafael, perde o pai e ainda fica om uma dívida no banco porque a maleta de dinheiro cai e é encontrada por outra pessoa. Eu gosto dessas passagens onde as vidas se cruzam, mesmo em situações inusitadas.

    O homem, o desespero e o fim. Só fiquei me questionando se o “homem mal encarado” não voltaria cobrando o filho de Alberto e se em nenhum momento ele cogitou essa possibilidade, pois acredito que ela exista na vida real.

    Adorei o final, isso da história dele ir sumindo a ponto dele apenas sentir uma empatia pelo filho, mas não reconhecê-lo. Não conheço muito bem a doutrina espírita, eles acreditam que isso acontece de verdade? Achei interessante.

    Bos sorte!!

  12. Fabio Baptista
    20 de outubro de 2015

    O texto continua bem escrito, “gramaticalmente” falando, mas achei meio confuso e essa segunda parte acabou ficando meio enrolada, dando muitas voltas na questão do suicídio. Poderia ter ido mais direto ao ponto.

    Continuo achando que as quebras e os itálicos não contribuíram muito para a clareza do texto e que o tema “cotidiano” não foi lá muito bem explorado, apesar desse “apelo” no finalzinho com o vigia do cotidiano.

    – A maleta, que antes perdida o brilho para Rafael, agora reluzia
    >>> tem alguma coisa errada nessa frase

    – transitavam a sua volta
    >>> à

    – sobreposta a outra
    >>> à

    – rostos estranhos que o cercava
    >>> cercavam

    Mantenho a nota da primeira etapa.

    NOTA: 6

  13. Brian Oliveira Lancaster
    19 de outubro de 2015

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: O cenário anterior se manteve, com algumas adições. A história de gato e rato dá um ótimo tom de suspense. – 8,00.
    G: O gancho resolvido com um flashback foi uma boa jogada, mas depois o texto fica um pouco confuso, pois muda o ponto de vista. O final fantástico combina com o estilo, mas destoou um pouco do restante e acho que “ultrapassa” o conceito. No entanto, suas lembranças irem desaparecendo e outra pessoa encontrar a maleta foi um final digno. – 7,00.
    U: A escrita flui bem e tirando a formatação do wordpress que não ajuda muito, está bem escrito. – 8,00
    A: Acho que o final não se encaixou tão bem na premissa, mas é opinião pessoal. O clima geral ficou muito bom. – 7,00.
    S: O retorno ao início do dia cativou, mas depois o contexto se perdeu um pouco. Entendi que não havia mais nada a se fazer, pois o personagem principal havia morrido. Como um todo, acho que somente o final fantasma precisaria ser mais sutil. – 7,00.

    Nota Final: 7,40.

  14. catarinacunha2015
    19 de outubro de 2015

    Parte II: Só agora percebi que o TÍTULO tem como complemento o pseudônimo referência ao personagem do conto O Gato de Botas e uma homenagem ao autor Charles Perrault, tudo a ver com a história. (2/2). O TEMA tomou formas fantásticas, mantenho a nota (2/2). Ao contrário da 1ª parte, o FLUXO evoluiu, mas com emoção controlada. (1,5/2). A TRAMA deu uma reviravolta com o fantasma entrando na história, já que não tinha mais o que acrescentar (0,5/2) . O FINAL estiloso deu uma atmosférica tristemente poética. Gostei. (2/2). Total 8

  15. Rubem Cabral
    19 de outubro de 2015

    Olá, Marquês.

    Então, achei que a segunda parte deu uma “caída”:

    – não acrescenta muita coisa, fora confirmar que Alberto era pai de Rafael;
    – traz algumas coisas inverossímeis, feito a mala dada pelo banco, alguém transportar uma mala cheia de dinheiro vivo no ônibus no Brasil, o exagero quanto ao procedimento do empréstimo bancário, que não seria tão alto assim, visto que parte ainda era um saque de poupança.

    Acho que o primeiro conto estava praticamente fechado e a segunda parte não fechou muito bem a primeira narrativa. Considerando a soma das duas, vou dar nota 6,5.

    Abraços.

  16. Rogério Germani
    18 de outubro de 2015

    Olá, Marquês de Carabás!

    É interessante notar que, até aqui, todos os escritores optaram pela ação continuada na 2ª fase de seus contos. Desde de que as menções sobre o cotidiano permaneçam, o mote deste certame está salvo. Infelizmente, na segunda parte do seu conto, o fato de Alberto ter se tornado um fantasma do cotidiano foi o único gancho com o tema.

    Boa sorte!

  17. Claudia Roberta Angst
    18 de outubro de 2015

    Então, autor, começo dizendo que o conto prendeu minha atenção do início ao fim. Parecia que eu estava assistindo a um filme de suspense ou algo assim,mas já prevendo o que viria a seguir. E isso,não foi ruim. Ainda estou com pena do filho ter perdido a maleta. Outro cotidiano complicando-se.
    O tema está aí – o cotidiano de gente que se ilude com a possibilidade de dinheiro fácil e acaba se ferrando.
    O leitor fica sem saber o que acontece com o sujeito que encontra a maleta e com o pobre do Rafael.Talvez o conto seja um esqueleto para uma novela ou romance.
    Alguns detalhes escaparam na hora da revisão:
    mas haviam pessoas > mas HAVIA pessoas (verbo haver no sentido de existir – sempre no singular)
    em cima do sofá em se encaminhou > em cima do sofá E se encaminhou
    Tendo em vista de que o próximo > Tendo em vista QUE o próximo
    com o adendo de ser em uma única vítima.> de ser ELE a única vítima
    Adentraram no outro recinto > adentraram O outro recinto
    e a data final para o pagamento da dívida era aquele.> … era AQUELA
    chegando a maioridade > chegando À maioridade
    A maleta, que antes perdida o brilho > HAVIA PERDIDO o brilho
    Sentou-se na parede do prédio que o morto havia se jogado,> (…) do prédio DE ONDE /DO QUAL o morto havia se jogado
    No geral, gostei do conto e principalmente do final. O fantasma do cotidiano espreitando um mundo em preto e branco.
    Boa sorte! 🙂

  18. Evandro Furtado
    18 de outubro de 2015

    Tema – 10/10- adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito, não encontrei problemas;
    Personagens – 10/10 – muito bem construídos psicologicamente;
    História – 10/10 – bem desenvolvida, com um clímax bem interessante e depois uma descida estilo film noir;
    Entretenimento – 10/10 – um texto que prende o leitor. Tem aquela atmosfera de agonia que não deixa tirar os olhos dele;
    Estética – 7/10 – gostei de vária estratégias que você usou por aqui. Particularmente o itálico no final pra representar esse afastamento do personagem com a realidade.

  19. Fabio D'Oliveira
    17 de outubro de 2015

    ☬ O Pulo do Gato
    ☫ Marquês de Carabas

    ஒ Físico: O texto está bem escrito. A narrativa flui naturalmente. E o estilo não apresenta nenhuma característica especial. Isso pode ser tanto um ponto forte quanto um ponto fraco, dependendo da estória escolhida. Escolheria a segunda opção nesse caso.

    ண Intelecto: A estória é complexa, mas já está desgastada. Dívidas com agiotas é como vampiros. Não há inovação, apenas mais do mesmo. O autor fica tão focado na estória que é impossível criar empatia pelos personagens. Por outro lado, a tensão do protagonista foi muito bem construída.

    ஜ Alma: O texto não aborda uma situação do cotidiano em si. Agiotas vivem no submundo, são poucas pessoas que têm real contato com eles e, certamente, não é comum. Porém, o protagonista parece viver dentro dessa realidade. Então, como o texto está focado na vida de Alberto, poderíamos considerar o texto como dentro do tema. Mas ainda está com o pé do lado de fora. Agora, sobre uma continuação, não me pareceu muito atraente.O desfecho ficou bem redondo.

    ௰ Egocentrismo: Não gostei muita da estória. Não me cativou. Os personagens estão muito rasos, sendo possível experimentar apenas um pouco da agonia do protagonista.

    Ω Final: Texto bem escrito, mas sem personalidade. O autor poderia correr atrás de desenvolver um estilo único. Todo escritor talentoso e verdadeiro alcança isso. Pois somos únicos! A estória ficaria muito mais forte se o foco fosse os personagens. Deixe a situação de lado, um pouco. Está dentro do tema, na medida do possível, mas não tem um gancho poderoso para uma continuação.

  20. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá.

    Gostei do conto, do clima tenso e das “malandragens”. Texto bacana, me prendeu bastante e me deixou curioso por uma continuação.

    Boa sorte

  21. Gustavo Aquino dos Reis
    28 de setembro de 2015

    Mestre, preciso confessar que até certo parágrafo essa história funcionou comigo. Mas, infelizmente, talvez por uma falha minha de empatia narrativa, tudo descambou. O conto não funcionou e nem o final, de certo modo original, conseguiu tirar uma impressão negativa do todo em si.

    Existem alguns pequenos erros de vírgula.

    Parabéns pelo trabalho.

  22. Thata Pereira
    28 de setembro de 2015

    Bom, esse foi o primeiro conto que me deixou realmente curiosa, mas o final, muito corrido, me incomodou bastante. Algo que me deixou curiosa: trabalhei três anos com contabilidade e nesses três anos o único dinheiro que eu via era meu salário. Não sei se em todos os lugares é assim, mas quem lida mesmo com o dinheiro é a tesouraria ou outro departamento do setor financeiro. Eu mudaria a frase “todo o dinheiro suficiente”, se é todo dinheiro, entende-se que é o suficiente.

    Boa sorte!

  23. Bia Machado (@euBiaMachado)
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 2-2 – Gostei muito! O início foi morno e eu não dava nada por ele, a princípio, mas aos poucos fui me interessando e querendo saber onde aquilo ia dar.

    Enredo: 2-2 – O suspense vai crescendo, foi bem delineado. E acho que esse conto, ao lado de “Memória”, são os que mais quero saber a respeito da continuação.

    Construção das personagens: 2-2 – Achei interessantes e foi uma construção harmônica, sem exageros. Estão de acordo com o enredo e bem críveis.

    Criatividade: 2-2 – Gostei da forma como foi planejado, até o momento final, tudo para deixar a coisa em suspense total até a continuação!

    Adequação ao tema proposto: 1-1 – Bastante adequado.

    Gramática: 1-1 – Peguei apenas um “nada demais” que deveria ser “nada de mais”. Se houve mais coisa, não percebi nessa primeira leitura. Meu primeiro 10, acho. Parabéns!

    Trecho destacado: “Alberto sentiu os pulmões se abrindo. O ar que corria no peito parecia mais límpido, quase puro (ou tão quanto poderia ser numa cidade com céu de carbono).”

  24. Anorkinda Neide
    26 de setembro de 2015

    Muito muito muito emocionante.
    Muito bom mesmo. Numa segunda leitura melhor do que a primeira, pois na primeira eu nao vi bem todo o quadro, mas foi desatenção minha.
    Apenas não sei se esta´no tema cotidiano, afinal não é todo dia que nos jogamos de janelas por ae.
    Mas é uma história excelente, contada de uma forma excelente. Parabéns!

  25. Felipe Moreira
    26 de setembro de 2015

    O texto levou um tempo pra aquecer de verdade. Com isso, acabei achando que algumas partes um tanto desnecessárias. Está bem escrito, bem humorado, mas achei que o conto nunca fosse estourar na leitura. Aconteceu e foi interessante mergulhar nessa tensão envolvendo o esquema, a agiotagem… Essa reta final me deixou com enorme desejo de ler a continuação.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    O tema é corriqueiro – o sujeito que se vê envolvido com agiotas e que, sem ter condições de acertar o que deve, acaba cometendo suicídio. Todavia é uma história muito batida e aqui, receio, não enxerguei alguma novidade que pudesse destacá-la. A isso somem-se os erros de concordância e ortografia, além do uso de palavras com significado diverso do pretendido. As ideias são bem desenvolvidas, favorecendo a visualização do que ocorre com o protagonista. De todo modo, não me despertou a curiosidade para uma eventual sequência. Caso passe adiante, porém, farei questão de ler a segunda parte, torcendo para que eu esteja errado.
    Nota: 6

    • Gustavo Castro Araujo
      2 de novembro de 2015

      Retomando…
      Como não podia deixar de ser, li conto inteiro, mesmo já conhecendo a primeira parte. Novamente fiquei incomodado com alguns aspectos. Vamos a eles.
      Entendo que os primeiros parágrafos de qualquer texto são fundamentais para atrair ou espantar o leitor, de modo que a eles deve o autor dispensar especial atenção. Paralelamente, deve-se lembrar que escrever é a arte de editar, de cortar excessos, deletar exageros. Com tais ideias em mente, vejamos o primeiro parágrafo do presente conto:
      “O mormaço parecia estar estagnado dentro do carro, que mesmo com o ar-condicionado ligado, não era capaz de sobrepor a temperatura quente que cismava em fazer o suor escorrer. Alberto queria que fosse apenas um dia de calor muito intenso, mas sabia que, na verdade, sua refrigeração estava com defeito, e por mais que tentasse esconder o fato colocando a culpa no sol, tinha a plena certeza de que a peça avariada não se consertaria magicamente. Meteu o dedo no botão de desligar o ar e abaixou os vidros em seguida.”
      De cara, o “parecia estar estagnado” se mostra estranho. Por que não “parecia estagnado”?
      Mas não é isso só. Veja a sequência: “(…) dentro do carro, que mesmo com o ar-condicionado ligado, não era capaz de sobrepor a temperatura quente que cismava em fazer o suor escorrer”. O que não era capaz de sobrepor a temperatura quente? O carro? Não deveria ser o ar condicionado? Ficou estranho, né? E, mais importante: “sobrepor”? O correto não seria “diminuir”?
      Mais à frente, “plena certeza” é um pleonasmo dos diabos. Apenas “certeza” fica melhor. Do mesmo modo: “muito intenso”. Por que não “intenso” simplesmente?
      Tirando os vícios, creio que o primeiro parágrafo poderia ficar assim:
      “O mormaço parecia estagnado dentro do carro. Mesmo o ar condicionado ligado não conseguia diminuir a temperatura quente que cismava em fazer seu suor escorrer. Alberto queria acreditar que era apenas mais um dia de calor intenso, mas sabia que, na verdade, a refrigeração do veículo estava com defeito. Culpava o sol e amaldiçoava a peça avariada. Meteu o dedo no botão de desligar o ar e abaixou os vidros.”
      Claro, isso é mera opinião pessoal. O autor me perdoe se pareço presunçoso ou se tento passar por doutrinador de estilos, mas é que vejo potencial em sua escrita e me desagrada vê-lo se perdendo em meio a exageros despropositados. Stephen King é mestre em escrever de forma simples. Não está onde está por mero acaso.
      Outros aspectos que me travaram a leitura se referem a erros de concordância, como em “A situação não era promissora, mas haviam pessoas”, em que o correto seria “havia pessoas”. Ainda: em “pois todas as ocasiões em que seu pai não estivera presente foram solenemente ignorados pela necessidade do momento”, as ocasiões foram ignoradAs pela necessidade do momento. Do mesmo modo, a frase “A maleta, que antes perdida o brilho para Rafael, agora reluzia” simplesmente ficou sem nexo… “Era apenas ele e o dinheiro” quando o correto é “EraM apenas ele e o dinheiro” (plural).
      Outros erros se espalham pelo texto como em “Alberto perguntava para o homem mau encarado que negociava com ele”. Aqui, o certo é mal encarado. Mal com “l” e não com “u”. “Adentraram no outro recinto” não tem esse “no”. Mais: “pegou a pasta ao sinal do homem, e abriu” não tem essa vírgula.
      Enfim, não vou listar todos os deslizes porque há bastante deles e creio que já cumpri meu objetivo nesse quesito: mostrar que a revisão do conto foi falha em toda sua extensão.
      No que diz respeito ao enredo, fiquei dividido. A primeira parte, embora se aproxime dos clichês hollywoodianos do gênero, teve o mérito de gerar expectativa. Linear e fluida como um roteiro de ação. A segunda parte procurou seguir esse parâmetro, mas, embora melhor escrita e revisada, perdeu-se em divagações. Se fossem contos separados, quem sabe, surtiriam melhor efeito. O fim do conto como um todo não funcionou muito bem comigo. Ao partir para o lado sobrenatural, assim, do nada, você, caro autor, parece ter aderido à saída mais fácil.
      No geral, o conto não está ruim, não me entenda mal. Há trechos bem escritos, especialmente quando se adota simplicidade, e frases inspiradas como “Testemunhas do crime banal, que tira vida de si mesma e acentua o egoísmo da (in) existência.”
      É justamente por perceber sua habilidade com a escrita que não posso gostar deste texto. Com todo o meu respeito, imagino que você poderia ter feito algo bem melhor.
      Nota final: 6,0

      • Jef Lemos
        6 de novembro de 2015

        Tirando um tempinho especial para vir aqui te responder e dizer que eu concordo com tudo que disse.
        O conto saiu como algo sem esperança, feito às pressas pela falta de tempo atualmente e sem pretensão de estar na segunda fase. Quando passou, fiquei perdido. Tentando imaginar uma saída fácil e ao mesmo tempo pensando em desistir pela falta de tempo. Acabou saindo o que saiu; sem muita revisão e incrivelmente raso.
        Acho que há certos momentos nessa minha coisa de escritor em que eu simplesmente pareço esquecer do que se deve fazer e saio atirando para todos os lados. Geralmente, quando isso acontece, a melhoria é certa.
        Aguardemos de dedos cruzados.

        Obrigado pelo comentário minucioso!
        Abraço!

  27. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    Bem escrito!

    A história é boa, me envolveu! Gostei da construção do protagonista, ele me pareceu um personagem bem promissor.

    Só senti falta de maiores explicações sobre o tal Rafael: não entendi a relação dele com o protagonista, qual papel ele teve no final. Se sua intenção é responder essas perguntas na parte dois, cuidado. Distribuindo as dúvidas desta maneira, você não não deixa o leitor curioso, mas sim confuso. Há uma linha tênue que você deve administrar aí!

    Apesar da sensação de “não li o suficiente” (mesmo após uma segunda leitura), vou te dar nota 8, contando que caso tenha a chance de apresentar-nos uma segunda parte, o fará com as devidas explicações.

    Abraços!

  28. Lucas Rezende
    23 de setembro de 2015

    Olá,
    A história é legal, mas não passou o sentimento de perigo que o personagem corria nem o desespero do mesmo.
    Alberto parece estar calmo no começo e se mata mais tarde, acho que poderia ser mais bem explorado o desamparo do personagem. Gostei do Jorge e do seu fim, malandro demais achava que passaria todo mundo pra trás.
    O fim não tem nada de errado, gosto de histórias em que o personagem principal não é imune a tudo,mas como já disse, poderia ter sido melhor abordado a sua angústia. Parabéns.
    Boa sorte!

    Nota: 6,5

  29. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    Conto bem escrito e organizado, com diálogos bem feitos e objetivos. O tema, apesar de interessante, fugiu um pouco da proposta.
    Para um conto, ficou um pouco longo, chegando a necessitar de uma separação em capítulos.

  30. Maurem Kayna
    21 de setembro de 2015

    Bem, não houve exatamente surpresa com o desfecho porque o título já antecipava o que poderia vir. Há algumas palavras usadas com imprecisão (articuloso ao invés de articulado) e metáfores um pouco estranhas (um porco em uma sauna?), mas não dá para negar que o conto consegue gerar alguma tensão.

  31. catarinacunha2015
    17 de setembro de 2015

    Embora o TÍTULO não seja original, vi duplo sentido: a esperteza de uns pode levar outros a pular (1/2). Drama de escritório é sempre um bom TEMA para cotidiano (2/2). O FLUXO não me emociona por me parecer impessoal (1, 5/2), mas a TRAMA é envolvente. Na construção do envolvimento de Rafael achei buracos (1,5/2). Esse FINAL ficou bom, só que entendi que o autor colocou as duas partes e finalizou. Para mim perdeu o gancho. 1 / 2) – Total 7

  32. Brian Oliveira Lancaster
    15 de setembro de 2015

    Curti toda a preparação para o que viria. A reviravolta foi bem sutil, ótima. E a segunda deu todo o tom do que se esperar no segundo texto. A rotina foi muito bem descrita, criando um suspense adequado.

  33. Tiago Volpato
    14 de setembro de 2015

    Um bom texto. Muito bem escrito e bem pensado. Uma ironia no final, gostei. O conto tá bem fechado, creio que o próximo texto será sobre como Rafael conseguiu o dinheiro.
    É um bom conto, mas eu achei ele muito certinho. Não teve muitas surpresas tudo seguiu uma linha meio previsivel. Eu gosto de ser surpreendido, de ler coisas diferentes e apesar do seu texto estar muito bom, creio que falta um pouco disso.
    Abraços.

    • Tiago Volpato
      19 de outubro de 2015

      A segunda parte não gostei tanto quanto a primeira. Pareceu que você não tinha planejado uma continuação. Eu gostaria de ter visto mais da relação do Rafael com o pai, até um pouco do passado, se misturando com o pós suicidio. Não quero dizer que a segunda parte está ruim, mas senti que os dois textos não se complementaram, eles poderiam ser separados que não fariam falta.
      No geral foi um bom texto. Abraços.

  34. Fabio Baptista
    14 de setembro de 2015

    O texto está bem escrito e é bom entretenimento, mas não vai muito além disso, infelizmente.

    – que mesmo com o ar-condicionado ligado
    >>> depois é falado do problema no ar e isso deixa essa afirmação acima meio sem sentido.

    – como uma cobra fazendo contorcionismo, falava com uma suavidade
    >>> Tiraria um desses “uma”. Ou talvez os dois.

    Achei que as marcações ” *** ” não funcionaram muito bem. Teria colocado algo do tipo “Data e local” para situar melhor o leitor.

    Minha maior ressalva, porém, é quanto ao tema: não vi muito de cotidiano aí não… :/

    NOTA: 6

  35. Rubem Cabral
    14 de setembro de 2015

    Olá, Marquês de Carabás.

    Um bom conto! Só achei um tanto confuso na apresentação dos personagens. Tive que reler para entender que Rafael era filho de Alberto. Algumas frases dão margem a mais de uma interpretação, feito “A maleta caiu de suas mãos com um baque” (entendi que foi das mãos de Rafael, mas fiquei pensando por instantes se Alberto caiu com alguma maleta também).

    Há alguns pequenos erros de revisão, feito “mau encarado” (mau x bom, mal x bem, lembremos da regrinha). Achei também, por questão de verossimilhança, que os valores negociados foram relativamente baixos para um esquema de importação e venda de artigos chineses. Afinal, vinte mil reais são pouco mais de cinco mil dólares somente…

    Enredo: 4,5 (0-6)
    Escrita: 3,0 (0-4)

    Abraços.

  36. Rogério Germani
    13 de setembro de 2015

    Olá, Marquês de Carabás!

    Teu conto apresenta um cotidiano nebuloso, digno de Wall Street. O uso de linguagem apropriada serviu bem para exibir a triste trajetória do protagonista. Merece ter uma vaga para 2ª fase do desafio literário.

    Nota 7

  37. Ruh Dias
    12 de setembro de 2015

    Pessoalmente, eu não gosto de estórias com palavrões nem que envolvam esquemas políticos ou dinheiro, corrupção, sonegação e temas correlatos. Mas, a despeito do meu gosto pessoal, o conto está bem escrito, a gramática está ok e a concatenação dos fatos ficou muito boa, pois não está em ordem cronológica.

E Então? O que achou?

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .