EntreContos

Literatura que desafia.

Esse maldito cotidiano (Tiago Volpato)

gusmao

A primeira vez que morri, estava andando perto da minha casa. Era um dia aleatório da semana (pensando bem, era sábado ou domingo, pois não havia muitas pessoas na rua). Fazia o sol de todos os dias, o que era engraçado, pois dessa vez não sentia calor. Não lembro muito bem o que estava fazendo, só que andava inocentemente pela calçada, quando um retardado apareceu com uma garrafa de vinho me ameaçando. Não faço ideia de quem ele era, seu rosto não era nenhum pouco familiar e por mais que eu tentasse identificá-lo, minha memória não trazia nenhuma informação. Logo em seguida, ele resolveu destruir a garrafa na minha cabeça.

Acordei assustado. O engraçado dos sonhos é que só depois que você os enxerga como sonho é que se dá conta de que era capaz de tudo. Na minha cama, pensava em como iria me esquivar habilmente do golpe do retardado e contra atacá-lo com tamanha maestria e crueldade que aquele meliante ficaria marcado por toda sua existência. No meu sonho, sou uma espécie de super herói limpando as ruas da nossa cidade.

São oito da manhã e tento sem sucesso voltar a dormir, procuro aquele sonho onde vou evitar a garrafa e derrotar o ladrão apenas com meus punhos. Demoram mais trinta e cinco minutos para eu perceber que não vou voltar a dormir, e mesmo que voltasse, não seria para aquele mundo. Uma vez que tenha morrido em um sonho, nunca mais conseguiria voltar para lá. Dá mesma forma como as coisas funcionam por aqui. Talvez quando morrer aqui, acordarei assustado em algum outro lugar, frustado por perceber que minha vida era mais um sonho, um lugar onde tudo era possível e eu não precisava ser o mesmo covarde da vida real.

São nove da manhã e tudo que posso fazer agora é torcer para que alguém, naquele outro universo, vingue a minha morte.

 

Vou para a área de lazer do meu condomínio. O silêncio é desolador. Naquela época, dez horas da manhã era quase madrugada, a vida só começava depois do meio dia.

Vou para a piscina e a vejo nadando. Daniele. Carrego uma paixão secreta por Daniele, na verdade, tenho uma paixão secreta pela maioria das garotas do meu prédio. Elas podem ser um tanto bobas, mas quem na nossa idade não é? Elas são bonitas e isso é o que importa. Como dizia um amigo meu, quero ela para namorar, não para fazer um debate.

Vou até a piscina sorrindo. ― Oi!

Daniele retribui o sorriso e ficamos conversando. Ela de dentro da piscina, deitada sobre os braços, se apoia na borda. Sento ao seu lado, estou tão perto que posso sentir o calor do seu corpo, sinto algo parecido com eletricidade correr na minha espinha. Vejo a água escorrer pelo seu rosto, ela está adorável. Sentia uma vontade insana de pular naquela piscina, tomá-la em meus braços e dar o mais maravilhoso beijo que já experimentamos. É claro que não faço isso, essa vida não é um sonho e aqui sou um covarde que não vai se declarar para ninguém. Em minha defesa, não é bem medo o que sinto, e sim uma lucidez da minha insignificância. Quando vejo aquela garota maravilhosa, com aqueles olhos cheios de vida, com um sorriso que é capaz de fazer qualquer um querer ser feliz, e penso na minha figura, melancólica, preguiçosa e estúpida, percebo que existe um abismo entre nós. O que eu tenho para oferecer? Ela precisa de caras cheios de vida, charmosos por natureza, que brincam com todo mundo sem serem grosseiros, que frequentemente as pessoas se referem como ‘esse é um cara legal’, e não ‘lá vem aquele sujeito estranho, qual é a dele?’, como geralmente se referem a mim.

Não é que eu ache ruim ser estranho, sempre senti orgulho disso, como se aquilo fosse uma parte importante de mim, uma característica fundamental. Enquanto os caras legais estão namorando com várias garotas, inclusive ao mesmo tempo, estou brincando de monstro do pântano na piscina falando em espanhol. Enquanto as garotas choram de raiva ao descobrir que seu namorado ficou com sua (agora ex) melhor amiga, eu as faço sorrir com brincadeiras idiotas, mas que as deixam felizes. É claro que jamais deixarei de ser o cara engraçado, e as vezes sinto tristeza por isso.

Fico conversando com Daniele a manhã inteira. Faço ela rir algumas vezes e logo chegamos na hora do almoço. Ela se despede de mim com um beijo e um abraço e assim chego em casa, pronto para me arrumar e ir para o colégio.

 

A segunda vez que morri estava no chuveiro. Não me orgulho em dizer que estava pensando em Daniele. No meu sonho, estávamos os dois na piscina. Ela pegava sol nas costas enquanto eu tentava fazer de conta que não a observava. Ela pede por favor, que eu passe bronzeador nas suas costas. Inocentemente vou, tentando esconder uma ereção. Logo ela está sem a parte de cima do biquíni e estamos nos enroscando na piscina. Nesse mundo, eu sou o que chamam de Don Juan, um cara de carisma elevado que sabe como fazer uma mulher feliz. Eu sei falar exatamente o que elas precisam ouvir e todas as garotas querem ficar comigo. Nesse mundo eu sou um daqueles caras, que ficam com várias garotas (inclusive ao mesmo tempo) e tudo fica bem. Elas entendem que sou uma pessoa especial, que meu amor é um presente que deve ser compartilhado com o resto da parcela feminina da humanidade.

Depois que terminamos de nos enroscar, ela vai embora. Fico sozinho na piscina, sentindo o sol secar lentamente a água do meu corpo. Não sei quais eram as regras daquele mundo, mas a tubulação da piscina era grande o suficiente para que alguém passasse por lá, eu nunca tinha notado aquilo, um buraco enorme quase do tamanho de uma porta. Coincidentemente nesse dia, algo entrou por ali. Era uma criatura estranha de uma outra época, provavelmente do período Jurássico. Mal pude dar uma olhada nele antes de morrer. Sem se importar com cerimonias, ele me comeu (não de uma forma sexual).

 

A tarde na escola, durante a aula de português, recebo um bilhetinho. Quer namorar comigo?

Olho para trás e vejo Bianca. Eu não sou de conversar com Bianca e nem ela comigo. Nunca trocamos mais do que poucas palavras e eu não a conheço muito bem, não faço a menor ideia se ela é legal ou não. O que sei é que Bianca não é uma garota que podemos chamar de bonita. Certo, sou assim superficial, mas se eu não tenho química com uma garota, como posso namorar com ela? Não me vejo andando de mãos dadas com Bianca no shopping, ou a levando para tomar sorvete. Tenho plena consciência de que provavelmente sou mais feio do que ela, e é por causa de garotas como Bianca, que jamais irei me declarar para as meninas de quem eu gosto. Não quero deixá-las em uma situação constrangedora, tendo que lidar com uma pessoa como eu pedindo para namorar com elas. A mesma situação que eu me encontro agora. Por isso, sem pensar, marco não no bilhete.

No recreio os garotos brincam de dedar uns aos outro. Sempre me perguntei que merda de brincadeira era aquela. Permaneço o tempo todo sentado, protegendo minha retaguarda, não faço a menor questão de participar daquele jogo idiota, mas duas coisas nessa vida você não consegue escapar: levar uma dedada na hora do recreio e da aula de religião das quartas feiras. Acredite, em um colégio católico, se você é pego gazetando a aula de religião, é melhor você estar morto e pedir perdão diretamente para Deus.

A terceira vez que morri foi na aula de religião. Podia sentir o tédio me corrompendo. Uma vontade de fazer alguma coisa para acabar com aquilo. Pensamentos negativos corriam soltos pela minha cabeça. Não é que eu não acreditasse em Deus, só achava a forma como ele conduzia as coisas não muito interessantes. Lembro da escola dominical quando a professora distribuiu os mandamentos para que fizéssemos um desenho. Eu fiz um maldito caçador acabando com a vida de uma belíssima ave. O quinto mandamento, condenaria aquele fudido (com o seu perdão ) ao sofrimento eterno. A professora não pareceu muito entusiasmada. Naquele dia, não entendi o que tinha feito de errado. Anos depois, descobri que Deus não dava a mínima para os animais, esses lixos não possuem alma.
Dessa vez eu morri de forma consciente. Uma bala penetrou meu crânio e espalhou meus miolos por cima dos meus colegas de classe. Naquele dia, fui duplamente um herói. Não só fui o motivo de suspenderem as aulas, trazendo alegria para muitas crianças, como também traumatizei todos aqueles filhos da puta que tentavam me dedar no recreio, nada me deixava mais feliz do que aquilo.

 

No fim do dia, quando esperava o ônibus, Bianca apareceu séria. ― Você é gay?
Que merda era aquela? Só porque não queria namorar com ela? Eu não sou gay, você que é feia.
― Não ― respondi para o meu desgosto.
― É sim, não gosta de mulher.
As vezes acho que as pessoas querem que eu seja grosseiro.
O último ato do dia aconteceu a noite, na área do condomínio. Dessa vez ele estava bastante movimentado e eu entediado. Nenhuma das garota de que gostava estavam lá. Juliena, uma garota simpática com quem já tinha ficado algumas vezes, me chamou para conversar em um canto.
― Tô preocupada ― ela disse ― Fiquei sabendo de umas coisas.

Fiquei parado olhando em seus olhos.
― Você é gay?
Aquilo outra vez? Como ela ficou sabendo?
Eu devia ter dito alguma coisa, ter falado que não, que tinha sido uma garota querendo se vingar, mas apenas dei as costas e fui embora. Aquela era a forma como eu tentava resolver as coisas, e além do mais, já estava cansado daquela história.

Por que eu deveria me importar? Que se danem àquelas pessoas. Só mais alguns anos e eu me tornaria um adulto, deixando para trás aquele mundo de insensatez adolescente. Não sei se era burrice ou apenas ingenuidade, achar que no futuro as coisas seriam diferentes, que as pessoas seriam mais interessantes e se importariam mais comigo. Naquela noite, morri pela quarta vez. Comecei a perceber que nada naquele mundo fazia muito sentido. Que as pessoas que estão do meu lado, não são realmente minhas amigas. Jamais entendi como as pessoas podiam passar tantos dias ao lado de alguém e ainda assim acreditar em qualquer mentira que algum imbecil contasse para elas. Ninguém realmente me conhece e nem faz questão de conhecer.

Se eu fosse um pouco mais esperto, teria chegado em casa, me trancado no banheiro e aberto meu braço com a lâmina de barbear do meu pai. Talvez eu acordasse em algum outro mundo, como alguém corajoso e respeitado, ao invés de permanecer aqui, sendo difamado pelos outros e levando dedada na hora do recreio.

Eu tinha quinze anos quando comecei a odiar cada um de vocês.

2.

Era o meu último ano na faculdade. Já devia ter me formado, mas desperdicei dois anos da minha vida em um frenesi alcoólico. Faltava o máximo de aulas possíveis para beber e nas que frequentava estava bêbado ou de ressaca. Agora tentava recuperar o tempo perdido, me dedicar ao mundo acadêmico da mesma forma que me dediquei à bebida. Só que não é a mesma coisa. Não sei porque meu corpo rejeita tudo o que faz bem para mim. Alimentação saudável, exercícios diários, uma rotina de estudos. Só de imaginar, já sinto um sono terrível e penso que vou desmaiar. Aos poucos vou empurrando tudo com a barriga. Faltam apenas alguns meses para a apresentação da minha monografia e finalmente estarei livre.

Olho para o meu pulso vazio e tento imaginar quantos minutos já estou aqui, esperando o ônibus. Meia hora, exagero. Espremido embaixo de uma àrvore, tento me esconder do sol. Do outro lado da rua, vejo pessoas tostando e penso como esses desgraçados conseguem. Fantasio com um hospital, o flanelinha esquelético prestes a virar pó com um câncer enviado pelos raios solares. Na cama ao lado estou eu.

Expelindo o ar pela boca, imito um cavalo. De novo com aquilo? Deve ter algo muito errado comigo. Ando para frente e para trás, agitado. Não consigo parar de pensar na minha morte. Por que não posso ser normal? Fantasiar com a morte alheia igual todo mundo? Começo a andar de um lado para o outro como uma besta enjaulada. Com muito custo me acalmo, um filete de suor escorre pelo meu rosto.

Sol. Maldito sol.

Do outro lado da rua alguém grita. O flanelinha que vai morrer de câncer, sai correndo atrás de alguém. O meliante escapa entre os carros, habilmente se desviando em cima de bicicleta. Não sei como esses bandidos conseguem. Se fosse eu, o primeiro carro tinha me pegado, pintando o asfalto com as minhas entranhas.

Sem perceber, a mão já está no meu rosto. Era um hábito que eu tinha começado: sempre que fantasiava com minha morte, me punia fisicamente. Acreditava que a promessa de dor me faria parar de pensar naquilo.

Do meu lado, uma senhora me olha com cara de espanto.

― Mosquito ― digo sorrindo, ela afasta os olhos da minha bochecha vermelha.

Agora tenho certeza que se passou mais uma hora, então desisto de ir para a faculdade. Talvez visite a garota que estou ficando. A vida tem muito mais a oferecer do que uma merda de aula.

Enquanto ela chora, me olho no espelho. Tento libertar minha mente da tirania dos pensamentos. Não consigo. Meu cérebro nunca para, sempre trabalhando como um pequeno chinês que ganha três centavos por hora.

Penso na Catherine Wolfe Bruce Gold Medal e em como meu sonho sempre foi ganhar essa medalha. Mesmo que em vinte e três anos de vida só tenha parado para admirar os céus pouquíssimas vezes e nunca tenha tentado desvendar seus segredos. Normalmente olho para ele sem dar muita atenção. Eu deveria comprar uma luneta e apreciar os astros do nosso cosmo. Apreciar a imensidão do espaço e agradecer por aquela dádiva infinita. Aproveitar enquanto o próximo meteoro não cai nesse mundo e acabe com a minha vida.

Lavo o rosto com água gelada e escuto o soluço dela. Penso se devo largar tudo, começar uma vida nova e virar astrônomo.

― Ei querida, desculpe ― falo para ela. Volto para o quarto, deixando uma poça de água na pia do banheiro ― A culpa não é sua.

― Não é minha ― ela grita com raiva, já sem traços de choro ― É sua, seu homofóbico!

A acusação não me pega de surpresa. Hoje em dia se você não for acusado de alguma coisa, você está vivendo de forma errada. Não se é mais permitido ter opinião, o que exigem de você é que siga o fluxo, concordar com tudo que lhe é pedido. Se você ousar discorrer que as coisas não funcionam daquela forma, você é tachado de preconceituoso ou amante de bandido.

― Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Só porque não quero que você use uma cinta pra me enrabar, sou homofóbico?

― Claro que sim. Você tem uma mente atrasada, pequena, você ainda vive no passado. Daqui a pouco vai me pedir pra ir na cozinha fazer o almoço e lavar suas cuecas.

― E o que uma coisa tem a ver com a outra, Lydia?

― É muito confortável pra você: homem, branco, heterossexual. Você não sabe o que é ser discriminado.

Como se responde a uma acusação dessas?

O problema é que só me aparecem mulheres malucas. Tive uma namorada que me pedia para bater nela. Nada a deixava mais excitada do que levar uns tabefes. Ela queria, durante o ato, que eu lhe desse uns tapas.

― Nada dessa coisa leve, pega pesado mesmo. Eu quero ficar roxa, sentir dor, se sair sangue melhor.

Mas eu não conseguia. Cresci em um mundo em que não se deve agredir uma mulher, mesmo que ela queira.

― Frouxo… Viadinho… ― ela xingava tentando me deixar com raiva ― Você chama isso de tapa? Fecha essa mão, seu merda.

Ainda não conseguia. Então, ela espalhou para todo mundo que eu era brocha, e assim, tive um ano infernal.

Dou as costas para Lydia. Ela fica falando na cama, já não escuto. Observo da janela as pequenas criaturas lá em baixo. Tão pequenas, parecem formigas inofensivas, mas se você der espaço, sua mordida vai causar uma baita dor.

Minha namorada se aproxima, coloca a mão na minha bunda, acariciando sem pudor.

― Para com essa pose de machão. ― ela diz, colocando um dedo ― Eu sei que você quer.

Esquivo e visto minha roupa.

― Seu machista homófico de merda, o problema é que você é brocha!

Não fico irritado, apenas cansado. Enquanto espero o elevador, sinto vontade de chorar. Não pela história da impotência que me trouxe más lembranças. Não por achar que ela vá falar coisas terríveis para os meus amigos e todos vão rir de mim – no fundo eles nem eram tão amigos assim. Sinto tristeza pelo mundo se resumir àquilo. Não consigo mais lidar com as pessoas, as coisas correm de uma forma tão estúpida, que parece não ter lugar para mim nesse mundo.

Não que eu seja uma pessoa perspicaz, nem quero dizer que sou melhor do que ninguém, mas hoje em dia as pessoas parecem se comportar de forma tão ilógica que já não consigo encontrar algum sentido. Como viver entre eles?

O mundo está em constante mudança. Em um dia vivemos com medo dos russos bombardearem os Estados Unidos com uma bomba nuclear e, mesmo que não tenha nada a ver com isso, você não vai escapar de uma morte terrível. No outro dia, astronautas americanos estão indo para o espaço em uma nave espacial russa e você tem que viver no meio de tudo isso, como se a guerra fria nunca tivesse existido e o mundo não tivesse andado em uma fina corda à beira da destruição.

A porta do elevador se abre. Entro e um cara musculoso se observa no espelho. Ele usa um short colado e uma camiseta sem manga. Dou boa tarde e fixo meus olhos no visor com o número do andar brilhando. Lentamente o elevador segue sua ordem decrescente. Na minha visão periférica, vejo que o cara de shortinho faz mil poses.

― O problema é que você é brocha! ― ecoa a voz da minha agora ex namorada, enquanto o homem no elevador flexiona seu bíceps se admirando no espelho. Aposto que se eu não estivesse ali, ele estaria se masturbando. Talvez esteja, não tenho coragem de conferir.

O elevador se arrasta. Quinze. Quatorze. Treze.

O homem continua sua dança. Sinto um fio de suor percorrer meu rosto. A visão daquela cinta peniana enorme, que Lydia tirou da gaveta e tentou enfiar em mim, invade minha mente.

Dez. Nove. Oito.

Vamos lá elevador, mais rápido.

― Você é viado? ― a voz de Bianca dança por todo o meu cérebro. Tento pensar no cabo do elevador se partindo, a cabine se espatifando lá embaixo.

Sete. Seis. Cinco.

O musculoso flexiona os braços apertando o peito contra o espelho.

Bianca anos atrás espalha para todo mundo que sou gay. Minha antiga namorada ainda deve contar por aí que sou broxa. E só Deus sabe o que Lydia vai falar de mim.

A última coisa que pensei antes de vomitar, foi em Lydia contando para todo mundo como ela enfiou aquela coisa de plástico em mim e em como gemi feito uma prostituta.

― Filho da puta ― o musculoso diz, não com raiva, mas com surpresa. Vejo meu almoço escorrendo da sua blusa.

― Desculpa ― falo assim que a porta do elevador se abre. Vejo o grande “T” vermelho e corro, antes que o musculoso se recupere do susto e queira me bater.

Sento em um banco. Respiro fundo, tentando recuperar meu fôlego. Fico assistindo os pombos andando pela praça. Aquelas criaturas nojentas. Não sei como as pessoas aceitam andar tranquilamente no meio deles assim, sem nenhum problema, enquanto a simples silhueta de um rato lhes cause enorme repulsa. Pombos podem ser piores que ratos.

Começo a rir. A imagem daquele musculoso carregando meu vômito me dá prazer. É o tipo de coisa que vou contar o resto da vida cheio de orgulho. Minha gargalhada assusta os pombos, que se afastam dali.

― Você é uma figura ― me parabenizo. Tenho apenas alguns minutos de alegria até voltar ao meu cotidiano. Deixe-me aproveitar o pouco tempo de felicidade que consigo antes de voltar para a obsessão do mundo em afirmar que sou um gay broxa.

Penso em Bianca, Lydia e na outra garota que já não lembro o nome e continuo a rir. Uma explosão toma conta. Apoio com o braço no banco da praça, com medo de cair no chão. Começo a lagrimar, me contorcendo de rir. Quanto tempo que não dou uma risada assim? Por fim, o espasmo para e preciso enxugar meus olhos. Nunca chorei de tanto rir.

Na minha frente, um cachorro me observa. Ele é tão pequeno, branco feito algodão. Ele vira a cabeça, me olhando curioso, me lembra o cachorro do Tintim.

― Oi garoto, como vai? ― falo de bom humor.

O cachorro se senta sem tirar os olhos de mim. Não faço a menor ideia do que ele tanto olha, mas não consigo ficar com raiva daquele rapaz.

― Napoleão! ― escuto alguém gritar ― Volta aqui!

Pulo assustado do banco da praça. A garota se aproxima correndo e segurando uma coleira.

― Marjorie Estiano? ― falo de olhos arregalados, quando ela para na minha frente.

Ela dá um risinho.

― Não. Dizem que eu pareço com ela, mas não acho.

Napoleão se aproxima, cheirando meu sapato.

― Não. ― respondo, ainda hipnotizado ― É mais bonita.

Ela sorri, vermelha.

― Desculpa, eu não quis te constranger, falei sem pensar.

A garota se abaixa fazendo carinho no cachorro.

― Tudo bem ― ela me responde ― Napoleão parece que gostou de você, normalmente ele não gosta das pessoas.

Também me abaixo e faço carinho no cachorro. Entendo perfeitamente o camarada.

― Melissa ― ela diz, estendendo a mão para mim. Aquele sorriso maravilhoso me contagia. Uma estranha sensação de otimismo invade meu corpo e de alguma forma tudo no mundo passa a fazer sentido.

― Gusmão ― respondo ― Muito prazer.

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40 comentários em “Esse maldito cotidiano (Tiago Volpato)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ Esse maldito cotidiano – Final
    ☫ Gusmão

    ஒ Físico: Percebi uma certa melhoria na escrita dessa parte. O estilo permanece notável e a leitura fluiu naturalmente. Gusmão, digo com firmeza, você pode ter nascido com o talento da escrita! Parabéns!

    ண Intelecto: Não senti a mesma coisa quando li a primeira parte. Faltou alguma coisa nessa parte. A qualidade caiu, infelizmente. Vemos o protagonista alguns anos depois. É uma pessoa diferente num mundo diferente. Tudo diferente. Isso é crível. Mas o autor poderia ter explorado melhor a última frase da primeira parte. Não existe ódio nessa parte. Não existe mais aquela pessoa irônica. Apenas um rapaz desistindo de viver. E o final não impressiona. Na realidade, empobrece o texto.

    ஜ Alma: Acredito que não exploramos mais o cotidiano de Gusmão. Encontramos ele em quatro situações atípicas. O atraso do ônibus, o exagero da namorada feminista, o musculoso narcisista e exibicionista e, por fim, o encontro de um novo amor. São fatos marcantes, que não se encaixam no cotidiano das pessoas. E ambientar a estória na nossa realidade não diz respeito ao rotineiro. Ué, até um pirata ou guerrilheiro têm suas rotinas!

    ௰ Egocentrismo: Gostei mais da primeira parte. Consegui sorrir em alguns trechos, mas achei a maioria muito forçado. Talvez o autor tenha mudado um pouco, como Gusmão. Foi um pouco decepcionante…

    Ω Final: Texto melhorou na parte técnica, mas regrediu na estória. O protagonista enfraqueceu, as situações ficaram exageradas e o final empobrece todo o texto. O texto sai um pouco do cotidiano.

    ௫ Nota: 7.

  2. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015

    ” Deixe-me aproveitar o pouco tempo de felicidade que consigo antes de voltar para a obsessão do mundo em afirmar que sou um gay broxa.”

    HAHAHA

    Achei que continuou bom. O personagem é um completo lascado e essas namoradas, putz. Também já tive uma que gostava de apanhar pesado e as vezes eu ficava sem jeito também. Muito, muito bacana esse clima LOSER do conto, que não me cansou em momento algum. Só não gostei do final. Meio clichê e abrupto. Mas acho que muitos vão considerar o fim do meu conto assim também, então estamos em casa. Conto massa.

  3. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    O conto continuou no mesmo tom, o que foi muito bom. Os pensamentos do protagonista, seus problemas, tudo ficou bem real, abordando bem o tema de cotidiano.

    Porém algumas perguntas que ficaram do começo não foram respondidas, me deixando ainda com a mesmo dúvida sobre as mortes da protagonista.

    O final achei que foi muito abrupto e um pouco não condizente com o restante do conto, perdendo um pouco a força de toda a história.

  4. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Muito bacana! Acho que gostei mais da primeira parte, que só li agora, perfeito
    para um conto sobre adolescência, se o autor ou autora não for adolescente, deve ter ainda bem fresco na lembrança o que é esse período, pois caracterizou bem! A parte da faculdade, a parte da idade adulta complementou bem a história, mas acho que pecou um pouco em acrescentar coisas que talvez não fossem necessárias, mas não tirou minha curiosidade de saber o que aconteceria com a
    personagem, pois o jovem conseguiu prender minha atenção. Algumas coisas para acertar em uma revisão com mais cuidado, questão de crase, vírgula etc., mas isso se ajeita. Parabéns pelo texto, gostei muito da leitura!

  5. Thata Pereira
    5 de novembro de 2015

    Gostei do conto, mas de forma separada. Até acho que o segundo puxou um pouco do primeiro, mas acho que eles trabalharam melhor temas diferentes. Tipo: o primeiro foca mais nas mortes imaginárias do garoto e deixa suas paixões em segundo plano. A segunda parte foca nas paixões e deixa esses sonhos de morte em segundo plano.

    Também não comprei a ideia da garota chorando. A revolta da garota por propor algo que não é aceito pelo namorado eu até compreendo, mas acho que precisava de algo a mais para justificar o choro.

    Boa sorte!!

  6. Gustavo Castro Araujo
    2 de novembro de 2015

    Gostei da pegada confessional, sarcástica e irônica da narrativa em primeira pessoa. Em trechos me lembrou o Holden Caulfield de “O Apanhador no Campo de Centeio”. A ideia de abordar relações complicadas tinha tudo para degringolar para o gênero adolescente, mas o autor soube segurar a onda. O conto é antes de tudo uma homenagem aos fracassados, àqueles que sonham com dias melhores e que jamais terão coragem de dar o primeiro passo. E quem, em algum momento já não pensou que talvez estejamos vivendo uma realidade onírica e que, ao morrer, despertaremos do outro lado. Há, por conta dessa mensagem, uma tintura de auto-ajuda aí, mas não daquela que impregna livros destinados a pessoas com baixa estima. Aqui a mensagem é sutil e, por isso mesmo, interessante. Por conta disso, posso dizer que gostei do protagonista e de seus dilemas com as mulheres e com sua própria sexualidade. Isso, aliás, foi um gancho bem pensado para a segunda parte. Cheguei a imaginar que ele iria sucumbir ao fortão do elevador, rs. Quanto à gramática, notei alguns erros e também certo vacilo quanto a utilizar brocha ou broxa. Mas, no geral, o conto me agradou e prendeu até o fim. Bom trabalho.
    Nota: 8,0

  7. catarinacunha2015
    2 de novembro de 2015

    O TÍTULO induz a algo maligno, gostei (2/2). Acho que este conto foi o mais ligado ao TEMA (2/2). FLUXO interessante, fora do padrão, estilo forte (2/2). A batida sarcástica valoriza a TRAMA meio bolorenta (1/2). FINAL inesperado, com direito até a mais um cão Napoleão e nova diva (2/2). Total 9

  8. Gustavo Aquino dos Reis
    1 de novembro de 2015

    Gostei da maneira como o trabalho foi escrito, mas, infelizmente, a história não me arrebatou.

    O terceiro parágrafo ficou muito bom, principalmente essa especulação metafísica acerca do que é realidade x sonho. O trabalho tem uma infinidade de personagens que, devido ao a restrição do certame, não puderam ser desenvolvidos à contento.

    Achei muito bacana incluir o pseudônimo do autor na história.
    Boa sacada.

  9. Claudia Roberta Angst
    28 de outubro de 2015

    Gostei mais da segunda parte do que da primeira. E gostei mais do fim do que do meio. Talvez, porque o ritmo ficou mais acelerado com o diálogo.
    Engraçado encontrar o cão Napoleão aqui também neste conto. Deu um toque mais “fofo” ao desfecho da narrativa.

    O cotidiano do Gusmão é bastante complexo, com todos os seus conflitos e dúvidas. As suas várias mortes ensaiadas e imaginadas surgem como um vício do qual ele tenta se livrar punindo-se com tapas. Aliás, achei divertida a passagem na qual o jovem se estapeia e tenta disfarçar que era um mosquito para a senhora que o observava.

    Há um pulo no tempo – da escola para a faculdade. Aí, talvez, a ideia de cotidiano tenha perdido a força.

    Tenho a impressão de que o autor queria escrever sobre outro tema e não se sentiu confortável para desenvolver a trama.

    Boa sorte! 🙂

  10. Fabio Baptista
    26 de outubro de 2015

    Ah, autor, autor, autor…

    Esse texto é engraçado, é verdadeiro, é inteligente, está bem escrito (tem um ou dois erros bobos que nem anotei, de tão entretido na leitura) e eu já estava pronto para dar nota 10 e dizer que esse foi o meu preferido nesse que, na minha opinião, é o certame de nível mais alto de todos os tempos.

    Mas daí, meu… veio o final feliz e a verossimilhança foi pra casa do cacete! kkkkkkk

    Bom, não vou deixar que meu gosto pessoal pese muito na nota e também levarei em consideração a maior parte do texto. Mas que esse final deu uma desanimada, isso deu! (Mas isso é só nos leitores chatos que não acreditam no amor kkkkk. Imagino que a maioria vai gostar :D).

    NOTA: 9

  11. Felipe Moreira
    25 de outubro de 2015

    Fiquei mais entusiasmado com a primeira parte do texto. Acho que a narrativa fluiu mais nela. Sei que esse salto no tempo exige uma mudança, até pra demonstrar o amadurecimento e etc. A questão mesmo foi a técnica. A primeira parte, por exemplo, carrega colocações mais precisas que trazem uma noção mais fascinante do que está sendo contado. A segunda emperrou em alguns pontos, forçando o posicionamento do protagonista na sociedade que ele ainda se sente deslocado. Muito interessante. Num todo, eu gostei do seu trabalho. Mereceu ter passado pra final.

    Parabéns e boa sorte.

  12. Brian Oliveira Lancaster
    21 de outubro de 2015

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: Estilo nervoso, mais visceral, com profundidade. – 9,0.
    G: Não curto muito o estilo, mas está bem escrito. É possível sentir a raiva profunda do protagonista, em querer explodir o mundo a qualquer minuto. Muitos já passaram por isso e reflete bem os sentimentos gerais, apesar de um tanto exagerados. – 8,0.
    U: Nada me incomodou. Palavras simples, mas com grande impacto. – 8,0.
    A: Se adequou muito bem ao tema, expondo uma raiva contida que quase transcende a leitura. – 8,0.
    S: Transição relativamente “amena”, sem tropeços, abordando outras passagens. – 9,0.

    Nota Final: 8,4.

  13. Rubem Cabral
    21 de outubro de 2015

    Olá, Gusmão.

    Então, achei o personagem-narrador interessante e real. Essa coisa meio loser, meio “sobrando” no mundo. Curiosamente, por tantas situações que pareceram ameaçar a heterossexualidade dele, ficou transparecendo algum tipo de bi/homossexualidade latente do Gusmão.

    Não gostei muito do conto, contudo. Há um tanto por arrumar no texto e não apreciei muito o enredo, que ziguezagueou o tempo todo por acontecimentos meio aletórios, sem um clímax ou anticlímax propriamente ditos.

    No todo, achei regular. Nota 6!

  14. Rogério Germani
    20 de outubro de 2015

    Olá, Gusmão!

    Gostei do desenho e da mensagem nele contida …srrs Bela escolha para as entrelinhas do seu conto.
    Agora, falando do seu texto, a ideia de apresentar o cotidiano de um sonhador que tem medo de enfrentar o mundo agradou pela condução esmerada que você propôs; sem erros ortográficos e com linguagem adequada ao personagem, a trama seduz. Pena que, culpa deste maldito cotidiano atual, os fatos descritos são um círculo vicioso em volta do lugar comum: incompreensão humana, preconceitos arraigados, distorção de valores etc. A única e última esperança foi a aparição do cão cupido, Napoleão ( aliás, nome comum neste certame de cotidiano…rsrs).

    Boa sorte!

  15. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    ”No recreio os garotos brincam de dedar uns aos outro. Sempre me perguntei que merda de brincadeira era aquela.”

    HAHAHA

    Poxa, gostei pra caramba. Sei lá, achei o conto bem loucão, com um estilo diferente. Esse lance de ”morri pela primeira, segunda, terceira vez…” ficou bem estiloso e as situações descritas pelo personagem remetem a fatos da vida cotidiana bem bizarros, mesmo. O mundo dos jovens é uma merda, e pensar que eu já sofri por não me identificar muito com esse mundo. Gostei da escrita e do texto. Confesso que achei bom como conto único e tenho medo de um segundo conto ficar nada a ver…rs. Mas esse bucho é do autor/ autora.

  16. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Conto tenso. Final que promete uma boa continuação. Alguns errinhos passaram batidos pela revisão. Em especial no trecho: “seu rosto não era nenhum pouco familiar”.
    A impressão que me passou foi a de alguém mais velho tentando dar verossimilhança a um personagem adolescente. Está bem escrito, mesmo essa sensação (adulto x adolescente) tendo soado um pouco mais alto do que deveria.
    A angústia ficou bem característica, fiel a esta época da vida que tanto desejamos que passe logo… Só para depois sentirmos saudades dela. 🙂
    Parabéns e boa sorte!
    Abrax,
    Paz e Bem!

  17. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    no inicio, a história estava interessante, mas quando entrou a criatura do jurássico penso que o texto perdeu e deixou de me agarrar, talvez por ser uma repetição do mesmo acontecimento já sem surpresa, espero que consigas dar a volta ao texto para regressares ao inicio que me pareceu muito bom.

  18. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Um conto estilo “realismo fantástico”, típico dos sul-americanos, Márquez, Cortázer, Murilo Rubião. O autor escreve bem, digamos assim, expressa-se muito bem, com uma boa “dicção”. A apresentação, o formato do conto ficou muito bom, alternando a fantasia com os fatos mais reais. A morte a bala foi a mais interessante, a melhor construída. Um conto muito poético e interessante.

  19. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), Gusmão.

    Sua narrativa me lembrou um pouco o clássico de J.D Salinger, “o apanhador no campo de centeio”. Seu personagem tem uma pitada de Holden Caulfield, a rotina de um adolescente que enfrenta questões existenciais – melancólico e dramático.

    A ambientação foi bem desenvolvida. Os dilemas do personagem, mesmo em toda a sua confusão, são bem criveis.
    O texto é direto e facilita a vida do leitor. O fluxo de consciência do protagonista é bem explorado, o lance de narrar “as mortes” é bem interessante. Para falar a verdade, eu teria aproveitado inclusive essa coisa no título, alguma referência a essas mortes… Apenas uma opinião.

    A “última” frase é um ótimo convite para a segunda parte do conto. O autor soube criar uma expectativa, instigou com rara felicidade.

    Um bom texto, parabéns e boa sorte.

    • rsollberg
      5 de novembro de 2015

      Cont Gusmão

      Fiquei muito feliz com a continuação, especialmente porque senti um pouco mais de humor. Algo no limite da sagacidade e da fatalidade. Curti.

      O fluxo de consciência foi muito bem desenvolvido, também optei por fazer algo nesse estilo, mas não creio que tive a mesma sorte. Esse trecho é muito bom, resume bem nosso atual estado maniqueísta “A acusação não me pega de surpresa. Hoje em dia se você não for acusado de alguma coisa, você está vivendo de forma errada. Não se é mais permitido ter opinião, o que exigem de você é que siga o fluxo, concordar com tudo que lhe é pedido. Se você ousar discorrer que as coisas não funcionam daquela forma, você é tachado de preconceituoso ou amante de bandido.”
      Essa visão do mundo é muito interessante. Esse personagem cheio de confusão, andando na fina linha que divide a depressão da euforia.

      Então, em razão do bom complemento, subo um pouco a nota da primeira fase.
      Reitero meus votos do comentário anterior!

  20. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015

    Gostei da escrita, da estrutura e o conto é muito bom. Somente que o final ficou a desejar. Não por ser um final aberto mas, faltou mais elaboração.

  21. Anorkinda Neide
    28 de setembro de 2015

    Bah! Eu adorei esse gancho!!
    Será q vem um continuação macabra por ae? huiahua
    .
    Gostei muito deste adolescente inteligente e inconformado, vista seus pensamentos com o lado feminino e sou eu, quer dizer, era eu qd adolescente.
    Céus! Agradeço todo dia por ter sobrevivido e chegado à fase adulta.
    Penso em reencarnação e peço: não, não… voltar e passar pela adolescência de novo, não!!!!!

    Se eu lhe desse uma nota, seria 10!!
    Parabens!
    Abração

    • Anorkinda Neide
      18 de outubro de 2015

      Ahh que pena.. viu esse trem de continuação gera expectativas e expectativas são convites pra frustração.
      Continua o texto muy bem escrito, mas afundou no desânimo quase doentio, perdeu um tanto do brilho que tinham os sonhos dele sobre as mortes e mesmo com um final feliz, este me pareceu deslocado.
      Por um instante eu achei que vc trouxe os personagens do conto Napoleão e a imperatriz pra cá.. rsrsrs
      Na primeira fase não pude lhe dar o dez que lhe daria por não estar em meu grupo de votação e agora não lhe posso dar dez não pela frustração, mas pq senti que a continuação não tem o mesmo tom da primeira parte, infelizmente.

      Abração ae!

  22. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015

    Gostei da ideia do sonho e da quebra de realidade. O autor que mais gosto (Philip K. Dick) usa a quebra de realidade em suas obras. Essa nóia teu um tempero bom para o cotidiano do conto. Massa!

  23. Fil Felix
    25 de setembro de 2015

    A temática é algo que gosto muito, estou sempre pesquisando e escrevendo sobre sonhos, isso me atraiu no conto. Também gosto de como descreveu a ideia de múltiplas realidades conectadas através deles, do que ocorre quando morremos nos sonhos, do que pode ocorrer quando morrermos “aqui”.

    A construção, criando esse padrão de “quando eu morri”, também caiu bem e vai preparando o leitor para um clímax, já imaginei um serial killer ao estilo Pânico na sequência. Apesar desses pontos altos, não senti conexão com a história.

    Talvez por ser muito adolescente, com problemas na escola e namoros, não tive empatia com a personagem ou com as situações, ficando um pouco superficial.

  24. Maurem Kayna (@mauremk)
    23 de setembro de 2015

    a história de morrer uma primeira vez funciona para chamar a atenção, mas, sinceramente, quando chegou a quarta vez eu já estava incomodada. Acho que a história ficou confusa e mal resolvida e, na real, um pouco longe do cotidiano, ja que parece pretender contar a história de uma tapada vida do protagonista. talvez minha leitura não tenha sido suficientemente atenta… antes de dar as notas vou revê-lo…

  25. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    O conto, embora peque em alguns tempos verbais, foi bem elaborado. Porém fiquei sem entender os momentos que a personagem diz que morreu, o que isso inflige e se eram sempre sonhos ou alguma forma metafórica.

    No mais, ele mostra razoavelmente bem o cotidiano de um adolescente frustrado e estou esperando pela continuação.

  26. Jefferson Lemos
    23 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    A princípio, a narração não tinha me agradado muito, e eu apenas estava lendo desinteressado. No entanto, a história me ganhou conforme avançava, e cheguei no final satisfeito com o que tinha lido.
    Gostei de como você criou um mundo todo em apenas duas mil palavras. De como você colocou os sonhos do garoto à mostra, de como você mostrou o trauma que transformou ele em um “odiador de pessoas”.

    Ao final, a narração que não me agradou terminou por me deixar satisfeito. Ela é limpa, bem conduzida e sem firulas. Gostei do final, e espero ansiosamente pela segunda parte!

    Parabéns e boa sorte!

    • Jefferson Lemos
      19 de outubro de 2015

      Olá de novo!
      Essa segunda parte foi interessante. A temática utilizada é bem atual e poderia levantar ótimas discussões caso os comentários estivessem abertos (aliás, ainda acho que possa gerar posteriormente). Sua narração continuou com a mesma qualidade da primeira parte, mantendo o bom ritmo da narrativa.
      Em certo momento da narração, imaginei que o rapaz na verdade fosse gay, mas o final mostrou o contrário.
      Não teve muita novidade, mas o conto me agradou. Gostei!

      Parabéns e boa sorte!

  27. Evandro Furtado
    22 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 8/10 – alguns probleminhas com a ortografia e a acentuação;
    História – 10/10 – boa ideia, boa execução;
    Personagens – 10/10 – você conseguiu desenvolver o perfil de seu personagem muito bem, deixando ainda, um gancho para a próxima fase, acho que vou gostar da continuação;
    Entretenimento – 10/10 – um texto divertido e bem fluido;
    Estética – 9/10 – foi uma viagem a minha adolescência, realmente. Por fim, essa frase final me ganhou.

    • Evandro Furtado
      27 de outubro de 2015

      Notas Parte 2

      Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
      Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito, com fluidez;
      História – 6/10 – achei que a segunda parte ficou meio isolada, sem ligação com a primeira. Achei que, pelo final do começo – ficou bem maluco isso – o cara ia se tornar um psicopata e tals. Se bem que tem a parada da dedada e depois da cinta, tá aí uma conexão;
      Personagens – 10/10 – o protagonista é bem definido, consegue ser bastante verossímil;
      Entretenimento – 10/10 – o texto é bastante divertido, prende o leitor;
      Estética – 5/10 – senti que faltou o algo a mais, aquilo que tornasse o texto em algo realmente fantástico.

  28. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    Esse maldito cotidiano (Gusmão)

    ♒ Trama: (3/5) é bem simples, mas interessante principalmente pela parte dos sonhos. A relação das mortes nos sonhos não ficou muito bem conectada, porém, com a trama. O final sugere a criação de um vilão, mas ficou muito aberto.

    ✍ Técnica: (2/5) um pouco simples e imatura, com alguns erros que seriam removidos em uma revisão mais apurada. O autor soube contar a história, basta treinar um pouco mais para resolver esses probleminhas.

    ➵ Tema: (2/2) o cotidiano na vida de um adolescente (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) histórias adolescentes, ainda mais desses que sofrem bullying, são muito comuns. Não vi grandes novidades.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) achei que fosse curtir mais a história principalmente pela parte dos sonhos, mas essa parte ficou desconexa e o texto terminou sem graça.

    ➩ Nota: 6,0

    Frase de destaque: “O engraçado dos sonhos é que só depois que você os enxerga como sonho é que se dá conta de que era capaz de tudo.”

    Trecho que não soou bem: “Sem se importar com cerimonias, ele me comeu (não de uma forma sexual).”  acho que “me devorou” ou algo do tipo ficaria melhor.

    Problemas encontrados:
    ● *Da* mesma forma como as coisas funcionam por aqui
    ● O quinto mandamento *sem vírgula* condenaria aquele fudido
    ● ― Tô preocupada ― ela disse *ponto* ― Fiquei sabendo de umas coisas.
    ● o sei se era burrice ou apenas ingenuidade *sem vírgula* achar que no futuro as coisas seriam diferentes

    • Leonardo Jardim
      3 de novembro de 2015

      Esse maldito cotidiano (Gusmão) – Segunda Fase

      📜 Trama: O texto continuou desinteressante, sem nada de fato acontecendo. Prende apenas pelo carisma do protagonista. Sem a parte das mortes nos sonhos, perdeu o único diferencial que havia me agradado. (-0.5)

      📝 Técnica: os problemas da primeira fase continuaram na segunda. Para não ser apenas crítico, gostaria de recomendar um artigo meu sobre pontuação no diálogo (http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279). Não é muita coisa, mas espero que ajude. Continue escrevendo, que o resto vem com a prática. (0)

      🔧 Gancho/Conexão: o gancho era bom, cheguei a pensar que introduziria uma espécie de vilão, mas a história continuou no mesmo ritmo e me desagradou. (-0.5)

      🎭 Emoção/Impacto: exceto pela parte social da história, que toca em assuntos polêmicos e interessantes, não gostei muito do texto. Espero que outros gostem mais que eu. 😦 (0)

      ⭐ Nota: 5.0

  29. Piscies
    17 de setembro de 2015

    Este foi o conto que mais conseguiu retratar os sentimentos de um adolescente. Não neste desafio: em toda a minha vida, este foi o conto que li que melhor passou este tipo de atmosfera. Identifiquei-me plenamente com o personagem, que passa por problemas muito semelhantes aos que eu passei quando ainda cursava o segundo grau.

    Engraçado que eu também era constantemente assolado por sonhos. Eu não costumava morrer neles, mas eram sempre muito reais para mim.

    O texto tem uma aura de sinceridade… sinto como se tudo o que li aqui veio realmente do coração do autor. Parabéns por isso.

    A técnica não está das melhores. Notei diversos errinhos que, quando somados, acabam incomodando o leitor. O maior deles foi a confusão no tempo da narração. Por vezes o personagem fala no presente, por vezes no passado. Além disso, durante todo o conto ele conversa conosco (os leitores), mas na última frase ele parece falar com os colegas da escola. Confuso.

    Não gostei dos parágrafos finais também. O personagem vem de um pensamento de superioridade, onde ele olha todos ao redor como pessoas estranhas e muito bobas… então, pensa que seria melhor se matar? Achei este pensamento estranho. Não combina com o personagem que foi desenvolvido durante o conto.

    Por fim, a frase final foi aquele gancho bem descarado de “continua no próximo episódio”. O conto não tem final concreto.

    De qualquer forma, foi um texto que me fisgou. Parabéns e boa sorte!

    • Piscies
      3 de novembro de 2015

      Para ler a continuação, reli o conto inteiro.

      Não tive uma boa impressão do conto de início, relendo assim, mas depois entendi o motivo. Consigo dividir minha opinião em duas:

      1) Enredo: está bom. Bem de acordo com o tema e bem real. Gusmão é um personagem que espelha a realidade de muitas pessoas, mesmo a minha (como falei no outro comentário), em alguns aspectos. Ele parece uma coleção exagerada de problemas que todos enfrentam de uma forma ou de outra.

      Algumas coisas ficaram estranhas, como a garota com tesão psicótico por enrabar o namorado. Mas acredito que isto deva existir (o que não existe neste mundo louco onde vivemos?). Gostei da personalidade de Gusmão, com opiniões fortes e concretas sobre o mundo que o cerca, inclusive sobre si mesmo.

      2) Técnica: não está boa. Além de todos os problemas que citei no comentário acima, ainda notei alguns problemas de português e erros de digitação. O texto merece uma boa revisão. Acho que foi por isso que, inicialmente, não tive uma boa imagem do texto. Este aspecto pesa demais no meu ponto de vista.

      É isso. Boa sorte!

  30. Antonio Stegues Batista
    15 de setembro de 2015

    Excelente conto sobre a vida de um adolescente que se acha feio e tem problemas de comunicação com os colegas. Acho que ele coloca a culpa na sua pretensa feiura para justificar a sua covardia, seus receios e sonhos frustrados.
    Vamos descobrir onde isso vai parar, lendo a segunda parte da estória.
    Gostei do enredo. Narrativa perfeita, bons diálogos e boa gramática.

  31. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: Diferente e direto ao ponto. Consegue transmitir uma raiva interna de um cotidiano bem comum. – 9,0.
    G: Esse texto ganha pelo inusitado, pois muitos abordaram apenas a parte chata e triste. Aqui o protagonista exala uma fúria contida em ações, enquanto despeja tudo em seu palácio mental. São imagens bem vividas, o que me leva a crer que o autor “passou por algo parecido”. Isso, repassado ao enredo, deu o tom certo à história. O final surpreende, pois aponta o dedo na cara do leitor. – 9,0.
    U: A escrita flui bem, sem precisar de grandes floreios. O uso das metáforas de morte e sonho confunde um pouco, mas acho que essa era a intenção. – 8,0.
    A: Senti falta de um gancho mais específico, mas a história cativa e está completamente dentro da temática. – 8,0.
    [8,5]

  32. Fabio D'Oliveira
    13 de setembro de 2015

    ☬ Esse maldito cotidiano
    ☫ Gusmão

    ஒ Físico: Não posso mentir. A qualidade textual deixou a desejar, mas o estilo tem personalidade. Parece que o autor escreveu num lance rápido, com as emoções à flor da pele. E isso é ótimo. Mas apenas para amadurecer a ideia. No final, é necessário usar seu poder racional para refinar sua jóia. Talvez você se interesse pela minha técnica de escrita. Primeiro, deixo a ideia maturar por um ou dois dias. Escrevo pouquíssimas coisas sobre ela. Segundo, solto ela por completo, escrevendo com o coração. Terceiro, reescrevo a estória usando minha mente como guia. Não sei como você escreve, mas o texto me lembrou alguns que escrevi no passado, pois não eram refinados de verdade. E até hoje me encontro nesse situação, hahaha.

    ண Intelecto: Oras, surpreendi-me com a estória! E que protagonista forte! Cheio de personalidade e etc. Realmente, mandou muito bem, caro autor! O desenrolar da estória ficou bom, mas peço que se foque mais no ambiente e personagens ao redor. Eles ficaram muito no plano de fundo e seria interessante vê-los com mais clareza.

    ஜ Alma: Realmente, trata-se do cotidiano de um adolescente. Não identifiquei o meio que vive, a cidade ou algo semelhante, apenas que tem uma condição razoável de vida. Até certo ponto, tive uma vida assim no Rio de Janeiro. Empobreci, mas a vida melhorou muito. Sou mais feliz agora! Enfim, sem delongas, gostaria de ver uma continuação da estória. O conto se sustenta, o que é maravilhoso, e o protagonista é muito forte. Impossível não querer mais!

    ௰ Egocentrismo: Adorei o texto. O protagonista realmente me cativou. Identifiquei-me também com a realidade dele, pois vivi num ambiente semelhante na minha adolescência. Tive minha fase de rebeldia, hahahaha.

    Ω Final: Um texto que possui um estilo com personalidade, mas que é uma jóia bruta. Precisa ser refinada. O enredo ficou interessante e o protagonista prevaleceu. Encaixou-se no tema e uma continuação seria interessante. Parabéns!

    ௫ Nota: 8.

  33. Claudia Roberta Angst
    12 de setembro de 2015

    Fala sério, autor, você queria mesmo era escrever sobre universos paralelos, algo assim. Não que o cotidiano do rapaz não esteja dentro do tema proposto. Está, de forma bem “paralela” aos sonhos mortais. Confesso que fiquei um tanto confusa com essas mortes do rapaz.
    Não encontrei grandes erros, mas a ausência de crase em “à noite”.No entanto, acho que o autor poderia explorar um pouco mais as palavras, enriquecendo seu vocabulário. Arrisque-se mais.
    Atenção aos detalhes como em “me trancado no banheiro e aberto meu braço com a lâmina de barbear” – “aberto/cortado meus pulsos” seria mais apropriado.
    O final não ficou exatamente em aberto, mas dá margem à continuação. A última frase ficou muito boa.

E Então? O que achou?

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .