EntreContos

Literatura que desafia.

O Casamento (Lucas Rezende)

Cheguei para o casamento depois de todos os convidados, entrei e tomei um lugar discreto mais ao fundo. A igreja estava decorada com arranjos de rosas brancas e o sol do fim de tarde filtrado pelos vitrais em mosaico deixava o interior iluminado em belos tons. O local era grande, o corredor central estava decorado com um tapete vermelho da porta ao altar e os padrinhos e madrinhas já tomavam seus lugares ao lado do mesmo. O padre já aguardava a entrada dos noivos que não demorariam.

Tentava aparentar calma, afinal era um penetra. Fiquei realmente impressionado com o efeito do sol nos vitrais, gerou uma atmosfera de fantasia na igreja. Contudo, não haveriam vitrais, santos ou deuses naquele fim de tarde que me fizesse mudar de ideia. Acordei de meus devaneios com a música para a entrada do noivo. O terno de grife e o sorriso largo conquistaria qualquer um, meu sangue ferveu, mas resolvi esperar e assistir à cerimônia. Ele percorreu o caminho todo cumprimentando parentes e amigos ao som de Wind of Change. Sorrindo e dando passos confiantes era a personificação da alegria. Ironicamente ventos trariam mudanças para sua vida mais cedo do que imaginava. Chegando ao altar, cumprimentou os padrinhos e madrinhas antes de tomar seu papel de noivo angustiado à espera de seu amor que não chega logo. Eu nunca compraria aquele teatro.

Em minha percepção passaram-se pouco menos de trinta minutos antes da noiva chegar, mas foi tempo suficiente para a tarde ir embora e acenderem as luzes da igreja. Tocando I Don’t Wanna Miss a Thing ela caminhou passo a passo, vagarosamente, com os olhos brilhando e vidrados no lobo em pele de cordeiro no altar. Não consigo encontrar uma palavra para descrever seu sorriso, era mais espetacular que o show das luzes nos vitrais mais cedo. Antes pensava que ela não poderia ficar mais bela, agora já não tinha mais tanta certeza. O vestido branco, o véu e a grinalda eram o decreto da coroação de sua beleza.

O noivo recebeu sua amada e juntos viraram-se para o padre. Destilei meu ódio durante toda a cerimônia, não me importava mais em parecer suspeito sendo a única pessoa que não ostentava um sorriso no rosto. Afogado em pensamentos e angustiado com o futuro que me aguardava, estava cada vez mais convicto do que mais desejava fazer. Já sabia qual o momento perfeito e já havia escolhido minhas palavras.

Após o até que a morte nos separe, o sim e o pode beijar a noiva, eles vieram caminhando para a porta da igreja. Os pombinhos pararam para receber as congratulações dos convidados que saíam. Abraços, palavras de sinceridade, lágrimas e tapinhas nas costas se revezavam nos parabéns aos recém-casados. Meu coração acelerava a cada passo que dava em direção ao meu grande amigo.

Quando fiquei cara a cara com ele, toda a alegria tornou-se uma lembrança distante. Sua expressão tentava disfarçar a surpresa e o medo que pude ver em sua alma exposta pelos olhos foscos.

– Parabéns aos noivos! Vocês merecem toda a felicidade do mundo – disse olhando para os dois. Estendi a mão para o noivo, que a apertou com receio e ainda incrédulo de me ver lá. Coloquei a mão dentro do paletó me aproximei dele e disse em seu ouvido a frase que tanto adorava:

– À Deus o que é de Deus e à César o que é de César – saquei a pistola e disparei quatro vezes contra seu peito.

O barulho alarmou e assustou a todos, com minha vingança completa não resisti quando alguns convidados me atacaram e me bateram. Dominado no chão, após o balde de água fria da vingança na fogueira do meu ódio, as cinzas úmidas trouxeram um gosto amargo a minha boca ao ver a esposa com o vestido maculado com o sangue de César. Ela o abraçava enquanto gritava e chorava tentando inocentemente trazê-lo de volta.

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18 comentários em “O Casamento (Lucas Rezende)

  1. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Alguns erros passaram batidos pela revisão, já logo no início da leitura (conjugações, plurais, crase etc.), mas depois não encontrei mais nenhum.
    Com relação ao conto, senti falta de um final (mesmo a história apresentada sendo a 1 de 2) melhor trabalhado. Ficou parecendo uma chamada telefônica que caiu, de repente.
    De qualquer forma, o autor criou uma história interessante e que vai prendendo o leitor até o final, mesmo este não sendo digno de tal aprisionamento.
    …E o tal pistoleiro assassino, será que o é?
    😉
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

  2. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Bom, não tenho muito a dizer, porque esse conto depende muita da continuação para fazer sentido. Mas enfim, por esse, creio que deva ser um caso de amor não correspondido. Mas o autor pode surpreender. rs. É um conto curto, que na minha opinião foi feito para abrir alas para a parte 2. Não está me matando de curiosidade, mas me deixou curioso. Bem escrito.

  3. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    nesta primeira parte não consegui perceber o tema proposto, mas deve ser falha minha ou ser necessário ter a 2ª fase do desafio… não gostei deste texto, não consegui ver nada que ficasse no centro, apesar de termos noivos, ou a luz nos vitrais, muita gente, alegria, o vestido da noive… sei lá, não consegui ver estes elementos sublinhados no texto. espero que a continuidade enriqueça o meu olhar sobre esta história

  4. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    O começo é intrigante, o autor soube deixar os leitores na expectativa do que viria, apesar dos erros gramaticais e de algumas imagens fora de foco. A tragédia, ainda que comum, foi bem conduzida e o autor poderia escrever vários parágrafos ainda deixando o leitor ávido de fatos. Realmente, nota-se que o autor é talentoso, e tem habilidade para escrever contos desse gênero.

  5. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), Curtis Ling.

    Sem sombra de dúvida é um conto bem instigante. O autor prepara bem o terreno para o final, ainda que não revele o principal da história. É possível prever que algo fora da ordem está chegando, e a escolha de uma cerimônia de casamento só aumenta a tensão.

    Penso que o autor poderia explorar ainda melhor o cliffhanger, usar a famigerada frase como final, ou até mesmo os disparos, sem sentenciar a morte. De qualquer modo, é apenas uma questão de opinião.

    Nesta primeira parte do texto, penso que houve fuga no tema. Contudo, pode ser que esteja presente na segunda parte. Vou aguardar.

    De todo jeito, parabéns e boa sorte no desafio!

  6. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015

    A escrita é boa, o desenvolvimento também. Gosto muito de finais abertos mas é preciso tomar cuidado com este estilo para que não fique a impressão que falta algo na estória. É preciso dominar esta estrutura. O conto é bom mas o final ficou a desejar.

  7. Maurem Kayna
    28 de setembro de 2015

    isso me lembrou aquela cena da novela do Manoel Carlos em que o noivo é morto por uma peguete despeitada. Não é exatamente o tipo de coisa que acontece corriqueiramente, então me perguntei… cadê o cotidiano aqui!? Também ficou frágil a motivação do assassino, a possível paixão pela noiva por si só não daria sustentação a uma atitude dessas sem que se pudessa saber mais da personalidade do narrador-personagem.

  8. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015

    O cara entrou lá matou o noivo e foi contido pelos familiares. Pareceu final de novela mexicana. Faltou alguma coisa que não sei dizer o que é.

  9. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    O conto possui essa pressa por algo que está prestes a acontecer e que foi desenvolvido muito bem. Porém esperava ao fim que fosse algo diferente, algo que me surpreendesse, que eu não esperasse. E não foi o que aconteceu.

    Acho que poderia ter tido um desenvolvimento melhor, tando dos personagens quanto das cenas; um motivo mais explícito, e o que seria mais interessante, o que mais estaria passando pela cabeça da personagem principal.

  10. Evandro Furtado
    21 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 8/10 – alguns probleminhas de concordância e com a pontuação;
    História – 8/10 – boa ideia, senti que faltou desenvolver um pouco mais;
    Personagens – 8/10 – também faltou explicar um pouco a razão do assassinato;
    Entretenimento – 7/10 – apesar de ser curto, o texto não deu aquele gostinho de quero mais, a não ser para entender o que, de fato, aconteceu. Gostei das referências musicais;
    Estética – 5/10 – como disse, faltou complexidade, desenvolvimento, pra que o texto se tornasse cativante.

    P.S.: o tempo passou e eu sofri calado… (impossível não lembrar).

  11. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    O Casamento (Curtis Ling)

    ♒ Trama: (3/5) simples e direta. É legal, mas não se destaca tanto. O motivo do assassinato ficou claro (ciúmes), mas podia ter sido mais bem desenvolvido, explicando melhor como era a relação dos dois, por exemplo. Do jeito que está me deixou com sensação de um texto raso.

    ✍ Técnica: (3/5) é boa. Assim como a trama, não se destaca, mas não compromete. Para uma nota melhor, precisava de um maior trabalho linguístico.

    ➵ Tema: (2/2) está dentro do tema (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) achei bem clichê a cena de ciúmes. Mesmo o relacionamento homoafetivo não gerou uma sensação de algo novo.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) o texto desenhou um clímax e fiquei esperando. Por mais que não esperasse o assassinato, este não me causou nenhuma grande reação. Como já disse, se houvesse um maior desenvolvimento poderia ter funcionado melhor.

    ➩ Nota: 6,5

  12. Fil Felix
    20 de setembro de 2015

    A leitura é tranquila e as descrições estão boas, retrata perfeitamente o casamento, a entrada da noiva e do noivo, inclusive a escolha das músicas veio bem a calhar. A narração, a partir do cara que quer vingança, também foi boa (ao invés de ser um narrador distante) deixa o texto mais pessoal e íntimo. Apesar de curto, não é corrido, o que também é bom.

    Sei que a ideia deste desafio é criar um gancho pra uma segunda história, mas acho que o primeiro conto precisa funcionar também sozinho. Afinal, não dá pra ter certeza se vai pra próxima etapa. E esse foi o seu tendão de Aquiles, pois a vingança fica no ar, não dá tempo nem informação para digerirmos e absorver melhor a história, ficando a morte pela morte.

  13. Piscies
    17 de setembro de 2015

    Onde está a história? O conto está cortado pela metade! O final nem gancho foi. Está mais para “escrevi um conto e resolvi cortar ele nessa parte aqui. Vou postar o resto na próxima fase, se eu passar”. Além do mais, o texto foge completamente do tema do desafio. Não há cotidiano aqui.

    A escrita é simples e direta, mas possui muitos erros. Repetições de palavras ou de significados, pontuações estranhas e plurais faltando. Segue um exemplo de cada um destes problemas para o autor fazer uma avaliação:

    – “Fiquei realmente impressionado com o efeito do sol nos vitrais, gerou uma atmosfera…” – Após “vitrais”, o mais interessante seria um ponto final ou, no máximo, um ponto e vírgula.

    – “…não haveriam vitrais, santos ou deuses naquele fim de tarde que me fizesse mudar…” – Quem me fizesseM.

    – “O barulho alarmou e assustou…” – alarmou e assustou não são sinônimos ou, ao menos, palavras com significado muito parecido?

    Boa sorte!

  14. Jefferson Lemos
    16 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Gostei do que fez aqui. Apesar de curto, o conto é bom e consistente naquilo que propõe. Pensei que poderia ter um pouco mais de história, pois havia espaço, mas ainda assim, ficou bom. Só não sei como um gancho para a segunda parte poderia ser mais emocionante do que esse ato já tão alarmante.

    Quanto a parte gramatical, não tenho nada a dizer. Estava bem escrito e com construções muito boas.

    Parabéns e boa sorte!

  15. Antonio Stegues Batista
    14 de setembro de 2015

    Casamento acontece toda semana, mas como esse em que alguém mata o noivo, é raro. Resta saber que motivo levou essa pessoa a cometer tal ato. A narrativa, curta, mas bem escrita descreve cenas de um casamento corriqueiro, não ha o que reclamar da escrita ou do enredo. Por enquanto é um conto interessante e me deixa curioso para ler o resto da estória.

  16. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: A atmosfera é bem diferente e inusitada para este tipo de tema. Ponto para a criatividade. – 8,0.
    G: Então. O texto é ótimo, prende a atenção como nenhum outro. Mas não consigo ver o relato como cotidiano. Casamento nunca é algo rotineiro. O autor poderia estar se referindo ao penetra – mas fala pouquíssimo sobre sua vida. As descrições e músicas bem conhecidas embalaram muito bem a balada do pistoleiro. Me peguei cantando Winds of Change. O final surpreendeu. – 7,0.
    U: Escrita leve e fluente. Nada incomodou. – 9,0.
    A: Aqui vem a questão. O gancho todo está ali, no final. E bota gancho nisso! Mas não percebi muito do marasmo característico (que nem sempre significa algo triste ou chato) de uma rotina, conforme mencionado acima. – 6,0.
    [7,5]

  17. Fabio D'Oliveira
    13 de setembro de 2015

    ☬ O Casamento
    ☫ Curtis Ling

    ஒ Físico: O conto não traz nada de especial. Ele está bem escrito, bem desenvolvido, bem narrado. Mas o estilo é tão sem graça que é impossível apreciar a leitura em sua totalidade. Mas isso não tira o crédito do autor, que escreve muito bem. Oriento que se foque no estilo, tente desenvolvê-lo ao máximo. Alcance seu ápice!

    ண Intelecto: O protagonista odeia o noivo. Mata ele. E admira a noiva. Mas por quê? Não é explicado. E assim termina o conto. A cena inteira no casamento está bem construída. Isso é excelente! Mas as diversas subtramas escondidas traz um efeito negativo na leitura. É necessário que o autor seja um verdadeiro artista na hora de aplicar o suspense. É muito difícil ser bem sucedido. Às vezes, algumas coisas estão fora do nosso alcance.

    ஜ Alma: Não é um conto sobre o cotidiano. É sobre vingança. Sem mencionar que casamentos são, em geral, uma grande inimiga da rotina! Não conseguiu acertar dessa vez. Além disso, o autor precisa criar um situação muito interessante para aguçar a curiosidade do leitor para uma continuação. Não é o caso aqui.

    ௰ Egocentrismo: Não consegui gostar do texto. Não há aprofundamento na trama, apesar do conto estar bem escrito e apreciável. Sem falar que gosto do que é mágico! Não deu…

    Ω Final: Um conto bem escrito e bem desenvolvido no que foi apresentado, mas com trama rasa e com diversas subtramas que prejudicam o entendimento total da trama. O texto não se sustenta sozinho e não se encaixa no tema do desafio.

    ௫ Nota: 5.

  18. Claudia Roberta Angst
    12 de setembro de 2015

    Pode ser impressão minha, mas achei que o conto ficou um tanto deslocado do tema. Tudo bem que casamentos e crimes acontecem no dia a dia das pessoas, mas não senti como algo cotidiano mesmo.
    A narrativa ficou mais para uma cena final de um capítulo de novela. Por que o moço matou o amigo? – talvez esse tenha sido o gancho escolhido pelo autor.
    Na revisão, escaparam alguns detalhes:
    – Não se emprega crase antes de substantivos masculinos – À Deus o que é de Deus e à César o que é de César. – antes de Deus e de César não há razão para se utilizar a crase.
    “Contudo, não haveriam vitrais (…)” – o verbo HAVER quando empregado no sentido de EXISTIR permanece sempre no singular. Contudo, não HAVERIA vitrais.
    Não me entusiasmei muito pela estória contada. Embora a caracterização no começo tenha funcionado bem. Boa sorte!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Veríssimo e marcado .