EntreContos

Literatura que desafia.

Treze anos (Gustavo Araujo)

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O homem vestia uma camiseta branca, com o escudo do Ferroviário Esporte Clube já desbotado no lado esquerdo. Embaixo, lia-se seu nome: “Professor Pernambuco”. Era um sujeito calvo, de uns quarenta anos. Usava a barba farta, como para compensar a falta de cabelo.

— Meia-esquerda? Alguém?

Oito meninos se apresentaram. O homem, um tanto sem paciência, começou a anotar os nomes em sua prancheta. Ele era canhoto isso parecia tornar a tarefa mais difícil.

— Você? – perguntou ao menino magricela.

— Pedro Lucas – respondeu o garoto. Ele usava meiões listrados de preto e branco e calçava um par de kichutes.

— Idade?

— Treze.

— Treze?

— Sim, treze.

O Professor Pernambuco examinou-o, desconfiado.

— Em que ano você nasceu?

— Nasci em 1970 – respondeu o menino, sem pestanejar.

O homem mirou-o por mais um instante, mordendo a tampa da caneta. Depois resmungou e anotou alguma coisa.

— E esse outro? – perguntou sem levantar os olhos.

— É meu irmão. O nome de ele é Marquinho.

— Vai jogar também?

— Não. Ele tem só nove anos. Veio só assistir. Tem asma.

— Muito bem. Então você aguarde ser chamado.

Pedro respirou aliviado. Não queria mentir, mas era sua última chance. No ano anterior fora barrado na peneira do Operário, o outro time da cidade, por causa do gramado ruim. O problema é que já era considerado velho para participar de peneiras. Normalmente, os meninos que tentavam a sorte nas categorias de base dos times profissionais precisavam ter entre doze e quatorze anos. Prestes a completar dezesseis, seria dispensado de plano se revelasse sua idade real.

De todo modo, se fosse aprovado teria que contar a verdade. Mas esperava jogar bem a ponto de relevarem a mentira. Acreditava nisso: no final daquele dia, o Professor Pernambuco chegaria até ele dizendo “guri, você é bom, muito bom!”, assim, com uma grande exclamação.

Olhou para o irmão sentado ao lado. Marquinho era introvertido, mas estava ansioso. A perna que tremia não deixava dúvidas.

Os garotos que se candidatavam seriam chamados aos poucos. Formariam um time completo. Jogariam contra os juvenis do Ferroviário, sob o olhar atento do Professor Pernambuco. Os aprovados, se houvesse, seriam informados no final do dia.

— Calma, Marquinho – sussurrou Pedro. – Vai dar tudo certo.

***

Estela fez sinal para o ônibus. Mesmo com tanta gente no ponto, não dava para confiar. A mão permaneceu esticada até que o veículo parasse. Seria um alívio sair dali. Estava se sentindo incomodada com os olhares de dois sujeitos mal barbeados. Subiu no ônibus e passou pela roleta, entregando o dinheiro ao cobrador sem olhar para ele.

Naturalmente sentar-se era impossível, mas a sorte lhe sorriu ao providenciar um espaço minúsculo entre duas mulheres. Agarrou a bolsa junto ao peito e pediu-lhes licença, segurando a barra de ferro no alto. O veículo rugiu preguiçoso e começou a se mover com lentidão enquanto um leve odor de combustível se espalhava entre os passageiros.

Estela esticou o braço deslizando o vidro para que o vento entrasse. Estava um tanto frio àquela hora, mas era melhor do que o odor pungente que vinha de alguém próximo.

***

Para evitar a falta de entrosamento, alguns juvenis atuavam no time dos meninos candidatos. Era para dar ritmo de jogo. Quem entrava em campo fazia logo o sinal da cruz ou apontava o dedo indicador para o alto, como se pedisse intervenção divina.

Pedro percebia a afobação de quem era novato em peneiras. A ansiedade era difícil de controlar. Não era raro a bola escapar ou fazer um passe ridiculamente errado. Alguns meninos caíam na armadilha do individualismo exagerado, acreditando que isso pudesse impressionar o treinador. Bancar o fominha, porém, era suicídio. “Futebol é esporte coletivo. Ninguém resolve nada sozinho”, alguém dissera certa vez.

Pedro sabia disso. O fato de ter sido dispensado mais de uma vez lhe fazia seguro agora. Confiava em sua habilidade, em sua visão de jogo. Quando recebesse a bola saberia o que fazer.

— Olha lá! – disse Marquinho, interrompendo sua concentração.

Pedro olhou para o campo. Um garoto passou por três marcadores em velocidade e acertou um belo chute. O goleiro do juvenil defendeu bem a bola, mas todo mundo que estava assistindo percebeu que aquela jogada tinha significado a aprovação do menino.

Mesmo de longe, Pedro examinou-o. Queria ver como ele se comportava no campo. Lembrou-se de vê-lo sentado ali próximo, pouco antes. Ao contrário dos outros, não parecia ser alguém da periferia. Podia estar jogando num clube para meninos ricos e não ali, roubando a vaga de alguém.

Por que a vida era assim injusta? Tanta gente obrigada a trabalhar feito escravo para conseguir comer duas vezes ao dia enquanto outros viviam tranquilamente, com conforto e dinheiro sobrando.

Lembrou-se do pai, desempregado. Auxiliar de serviços gerais, era essa sua profissão, o que quer que significasse. Havia meses não conseguia um serviço decente. E a mãe, então? Coitada… Era quem sustentava a casa no final, atravessando a cidade de ponta a ponta para trabalhar como faxineira.

Ah, mas ele iria mudar isso tudo. Ah, se ia. Concordava com a mãe que o estudo era importante para se vencer na vida, mas há tempos se convencera de que por ele demoraria uma eternidade para ser alguém. O atalho para um futuro melhor estava ali, na sua frente. Seria aprovado naquela bendita peneira, entraria no time juvenil do Ferroviário e tiraria sua família da lama.

Estava cansado de ver a mãe exausta, reclamando dos ônibus apinhados e ainda fazendo o jantar. Não queria ver o pai largado à margem da rua, chutando pedras, sem ocupação, sentindo-se um inútil. Tinha medo que o velho sucumbisse, que fosse preso ou que começasse a beber.

A hora era agora. Tinha consciência do que queria. Seria como Zico, um Zico negro, pois habilidade não lhe faltava. Sim, a vida seria boa.

***

Eram seis e meia da manhã quando Estela chegou ao Grupo Escolar Tiradentes, na zona leste. Poderia ser vinte minutos mais cedo se o ônibus não tivesse quebrado. Àquela hora, a quantidade de pessoas já dobrava a esquina. Sem opção, marchou para o fim da fila amaldiçoando a própria sorte. A maioria dos que ali estavam eram mulheres. Mães, como ela, em busca de vagas para que os filhos pudessem estudar. Estela já havia comparecido a três escolas, sem sucesso. O Tiradentes parecia ser a última chance para que seus meninos não perdessem o ano letivo.

Apenas às oito da manhã a fila começou a andar, ainda que lentamente. Alguns ambulantes vendiam água ou bebidas quentes. O odor de café era o único alento que podia esperar. Observava curiosa as pessoas. Havia uma mulher grávida, provavelmente com mais de trinta semanas, abanando-se com uma revista. Outra trazia a reboque três meninos que não paravam quietos. Outra, de olhar sereno, tricotava, alheia ao mundo. Não demorou até que alguém chegasse por ali, oferecendo lugares na frente da fila.

— Oitenta mil cruzeiros! – dizia o sujeito, um rapaz com óculos escuros e bigode ralo. – Quem pagar garante a vaga!

Sem condições. Era muito dinheiro. Estela preferiu esperar mesmo com os pés inchados.

***

— Pedro Lucas!

Só então percebeu que a voz do Professor Pernambuco era um tanto anasalada.

Saltou da arquibancada, olhando o irmão de soslaio. Marquinho tinha os braços cruzados e os lábios presos. Viu quando lhe fez um sinal de positivo. Retribuiu com um sorriso.

— Aqui! – disse o treinador. – Pegue o colete azul.

— Azul? Mas é do juvenil…

— Sim, qual o problema?

Pedro encolheu os ombros. Por essa, não esperava. Vestiu o colete e deu três pulinhos com o pé direito antes de entrar no campo. A hora havia chegado. Não haveria muitas chances. Dez ou quinze minutos antes que alguém o substituísse.

***

Era pouco mais de duas horas da tarde quando Estela foi convidada a entrar. A atendente exibia uma expressão entediada.

— Para que ano é? – perguntou, ajeitando-se na carteira que ocupava.

— Um é para a terceira série. O outro, para a oitava. O mais novo nunca reprovou, mas o mais ve…

— Tem vaga para a oitava, mas a terceira já encerrou.

— Como encerrou? Eu cheguei cedo, peguei senha…

— Não poso fazer nada. Encerrou. Vai querer matricular o da oitava?

Estela precisou se controlar. Podia jurar que aquela garota estava mentindo. Pior, até. Que estava rindo.

— Vai querer ou não vai?

— Sim, vou querer – respondeu, refreando a vontade de esganar a atendente.

— Qual o nome?

— Pedro. Pedro Lucas de Oliveira.

— Endereço?

O que fazer agora? Onde o Marquinho iria estudar, meu Deus? Mesmo que arranjasse um lugar, o menino teria que ir de ônibus, ou a pé, sozinho? E a asma?

***

As jogadas passavam longe de sua posição. O time dos juvenis, já entrosado, o excluía naturalmente, procurando a armação com o meia-direita, um garoto de cabelos compridos chamado Alan.

Sem muita opção, Pedro deslocou-se até o meio-de-campo, procurando jogo. Uma dividida fez a bola espirrar, rolando em sua direção. Um menino franzino do time adversário – um candidato da peneira, como ele – tentou interceptá-la, mas Pedro chegou primeiro e conseguiu o drible. Avançou três ou quatro passos e ouviu o grito de alguém pedindo a bola na ponta esquerda. Numa situação normal, faria o lançamento, mas agora precisava mostrar serviço.

Driblou outro menino com um corte seco pela esquerda, e depois mais um, pela direita. Deu um pique pela linha lateral, alheio aos gritos para que passasse a bola. Uma parada brusca, de calcanhar, isolou dois defensores, limpando sua visão para o gol. Em seu íntimo, sabia que a jogada fora boa. Boa não, excelente. O Professor Pernambuco devia ter visto. Não podia errar agora: tinha que escolher entre chutar para o gol ou deixar alguém em condições de marcar. Viu o menino da ponta esquerda acenando e meteu a bola na direção dele. O passe, porém, foi ruim e a bola se perdeu na lateral.

— Por que não soltou a bola antes? – alguém reclamou.

Outros também ralharam, mas um dos meninos disse “boa bola”.

Logo foi chamado para sair, entregando o colete a outro menino. Enquanto se dirigia à arquibancada, ouviu o professor dizer “fominha”.

Sentou-se ao lado do irmão.

— E então?

Marquinho tossiu e disse:

— Acho que foi bom.

***

— Não tem mesmo vaga para a terceira?

A garota ergueu os olhos do papel com a mesma expressão abatida.

— Senhora, eu já falei…

Foi interrompida por alguém ao lado. Era uma senhora que usava óculos de aros redondos. Conversaram por alguns instantes até que a garota cansada se voltou novamente para Estela.

— Parece que vai abrir uma turma extra de terceira série.

— Então é só por o nome do meu filho. É Marco…

— Calma… Parece que vai abrir. Parece. A senhora terá que voltar aqui no sábado para confirmar. A triagem começa à uma da tarde. É bom chegar cedo.

— Vou chegar – respondeu Estela, os olhos saltando das órbitas. – Pode apostar.

***

— Quem eu chamar terá que voltar no sábado, de novo às três da tarde, trazendo documento de identidade ou certidão de nascimento, além da autorização dos pais. Vamos fazer outro treino só com esse pessoal.

Os escolhidos. Os que passaram na peneira.

— Roberto Souza… Paulo Miranda… Antonio César… Luiz Felipe…

“Por favor, diga meu nome… Diga.”

— Carlos Henrique… Gerson Luiz…

“Diga… Será que fomeei tanto assim?”

— Ivan Mendonça, Fernando Leal… e…

“Pedro Lucas. Pedro Lucas, pelo amor de Deus…”

— Miguel Silveira.

Sentiu um gosto amargo na boca. O sabor da derrota.

— Aos demais, agradeço a presença. Até a próxima.

“Não haverá próxima, você não entende…”

— Vamos – disse ao irmão. – Vai demorar até chegar em casa.

Descia o alambrado quando ouviu:

— Você! Treze anos!

Voltou-se viu o Professor Pernambuco apontando a caneta em sua direção.

— Você também pode vir.

Pedro não acreditou. “Eu?”, apontou para o próprio peito.

— É, você. Não falte. E não seja tão fominha.

***

Não queria contar aos pais. Na verdade, não queria contar a ninguém. Tinha consigo que dava azar. Sempre que desejava alguma coisa, guardava segredo. Pediu a Marquinho fizesse o mesmo. Se perguntassem, teriam passado o dia jogando bola no campinho. Nada de peneira ou professor Pernambuco. Revelaria o segredo no sábado, quando retornassem do teste decisivo.

— Pai, o que aconteceu?

Seu Sebastião tinha a perna engessada até o joelho.

— Caí do andaime, guri. Quinze dias de molho. Sua mãe é que está contente.

Que sina a do pai. Estava para nascer alguém tão sem sorte. Seu Tião era um derrotado desde que o mundo era mundo. Ao que parece havia conseguido um emprego naquele mesmo dia. E naquele mesmo dia, sofrera um acidente, isto é, estava desempregado mais uma vez e, pior, impossibilitado de procurar trabalho. Apesar da expressão de pouco caso do homem, daquele sorriso que tentava disfarçar a situação difícil, Pedro teve pena dele.

— Fui na peneira do Ferroviário hoje, pai — disse, tentando animá-lo. Às favas com o segredo.

— É mesmo? — o rosto do homem se iluminou. — Como foi?

— Eu fui chamado…

— Pedro… Filho, isso é incrível! Você…

— Calma, pai. Vai ter um jogo no sábado que vem. É quando a gente vai saber quem fica mesmo.

— Ah, mas você vai entrar! Claro que vai! Ô, Estela? Já tá sabendo…

— Não, pai! — sussurrou Pedro com uma nota de desespero. A mãe jamais entenderia o que estava acontecendo.

Tião o examinou sem compreender.

— É uma coisa nossa — pediu o menino. — Eu, o Marquinho e você.

Tião arqueou as sobrancelhas e disse:

— Entendi. Só nós, os homens — sussurrou de volta, afagando a cabeça do menino com a mão ossuda.

***

Estela estava confiante. Apesar das dificuldades, tudo estava dando certo. Ainda precisava confirmar a matrícula do caçula, mas tinha fé de que isso logo se resolveria. No ano seguinte, os dois meninos estariam estudando na mesma escola. O único problema agora era perna do marido, mas logo ele estaria de volta à luta. O que mais importava era garantir o estudo dos filhos. O resto se ajeitava.

— O que fizeram hoje? — perguntou a Marquinho enquanto o ajudava a se vestir. Tinha acabado de sair do banho.

— Fomos no campinho — respondeu garoto, o cheiro de xampu se desprendendo dos cabelos.

— E aí, estava legal?

O menino balançou a cabeça afirmativamente, enxugando o nariz com a manga do pijama.

— Sabe o que eu fiz hoje?

— O que, mãe?

— Fui fazer a matrícula de vocês para o próximo ano. A escola é um pouco longe, mas pelo menos ninguém aqui vai ficar sem estudar. Só faltam uns detalhezinhos…

Pedro ouviu a conversa, o desabafo da mãe. Se tudo desse certo, se ele se tornasse jogador do Ferroviário, ninguém ali precisaria se preocupar com nada. Nunca mais.

***

— Como assim, mãe? Não entendi.

— Pedro, já falei. Presta atenção. Eu não posso ir lá na escola para confirmar a matrícula do seu irmão. Você vai ter que fazer isso para mim. Para ele, na verdade…

— Mas eu…

— Filho, eu já disse. A dona Yolanda me chamou para trabalhar num bufê na casa dela. Com o seu pai desse jeito, a gente não pode perder a chance de ganhar um dinheirinho, você não acha?

Pedro olhou para o pai, em busca de ajuda. O homem fez um sinal com a mão, como quem diz “calma” ou “espere” ou “confie em mim.”

— Você vai até lá, leva esses documentos e pronto. Se não fizer isso, adeus escola para o Marquinho. Já entendeu onde fica, né?

— Sim, mãe, mas tem um jogo…

— Jogo? Pedro Lucas, jogo pode esperar, escola, não. Ou você quer que seu irmão fique para trás? A vida já e dura o suficiente para nós!

Pedro detestava aquele tom de lição de moral que a mãe costumava usar para fazê-lo se sentir um idiota.

— Mas, mãe…

— Presta atenção: você vai fazer isso porque eu estou pedindo, entendeu? Aqui, o dinheiro do ônibus.

— Mas…

— Sim, ele vai, Estela. Pode ficar tranquila.

Pedro olhou novamente para o pai. Viu que o homem lhe deu uma piscada discreta.

— Tá bem, disse ele. Eu vou…

— Eu vou junto! — disse Marquinho.

Quando a mãe se foi, Tião disse ao menino:

— Pegue esse dinheirinho a mais aqui. Vá até a escola, faça a matrícula do seu irmão e depois vá para a peneira. Vai dar certo. Vai dar tudo certo.

— Eu vou junto! — repetiu Marquinho. — Para dar sorte!

***

Estavam no ponto de ônibus os dois meninos, chinelos de dedo no pé, trouxas às costas como mochilas. A caminhada desde casa tinha durado quase meia hora. Não era fácil encontrar condução para a zona leste no sábado. Pedro olhou o relógio de um homem que estava parado ao seu lado. Uma e quinze. “Vai dar certo, vai dar tudo certo.” Ouvia a voz do pai na cabeça. Observou Marquinho por um instante. O rosto quadrado e a cabeça grande, talvez grande demais para um corpo tão mirrado. Coitado do irmão… Jamais conseguiria ser jogador de futebol.   Passou as mãos na cabeça dele, imitando o jeito do pai. “Não precisa se preocupar”, pensou. “Eu vou conseguir cuidar da gente. De todo mundo”.

O ônibus virou a esquina. Pedro sentiu o coração bater mais rápido. Estava no horário. Meteu a mão no bolso e tirou o dinheiro, as notas amassadas que a mãe e o pai haviam lhe passado. Começou a fazer contas com a cabeça, quanto iria gastar para irem até o Colégio Tiradentes e depois para o campo do Ferroviário. E sim, claro, para voltarem para casa no fim da tarde. “Vai dar tudo certo”.

— Dá o barão aí, moleque.

Pedro olhou sem entender. Eram dois meninos grandes, talvez dezesseis ou dezessete anos, que não usavam camisas. Depois percebeu o dinheiro que tinha nas mãos. Todo o dinheiro que os pais lhe deram. Pensou em guardar tudo bem rápido, em fugir, mas tinha Marquinho do seu lado e ele jamais conseguiria acompanhá-lo.

— Tu é surdo? Dá o barão aí, já falei!

O tapa veio rápido. Pedro sentiu o rosto em fogo, uma mistura de dor e vergonha. Havia outras pessoas no ponto, mas ninguém fez nada para ajudar.

Um dos meninos, que parecia uma vassoura de tão magro, arrancou o dinheiro de suas mãos.

— A gente tem que ir para a escola! — reclamou Marquinho.

— Vai caminhando, pirralho otário!

O ônibus parou e um bocado de gente desceu. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Pedro ainda não acreditava no que tinha acontecido Estava sem dinheiro, sem um mísero centavo. E ainda precisava ir até a escola para matricular o irmão. E, mais importante, à peneira do Ferroviário.

— Não vai dar… — disse a si mesmo, passando a mão no rosto ainda quente.

— Não vai dar o quê, Pedro?

— A gente, Marquinho… Não dá para ir até a escola… Até a peneira…

— Mas por que a gente não vai a pé que nem ele falou?

— A pé? Você tá louco? Sabe como é longe?

— Ah, mas se a gente for rápido, correndo…

Pedro examinou o irmão mais uma vez. Os pés encaixados num chinelo velho, gasto, menor do que o ideal. Os dedos encardidos, as canelas finas manchadas e o joelho direito com um machucado ainda por sarar. Sem falar da asma.

— Não dá tempo, Marquinho — disse, sério.

— Dá sim! A gente corre bastante!

Que outra chance tinham? Podiam pedir dinheiro para alguém na rua, mas quem daria algum tostão para dois garotos mal vestidos? O mais provável era que as pessoas fugissem, atravessassem a rua ou até chamassem a polícia. Mas, se fossem rápidos poderiam ter alguma esperança. A escola não era tão longe assim do campo do Ferroviário. Só precisavam torcer para que Marquinho agüentasse bem.

— Ta certo… Vamos lá.

***

A Avenida Afonso Pena atravessava a cidade, uma das artérias mais movimentadas de todo o plano. Pedro imaginou que levariam duas horas para chegar ao Tiradentes. Se fossem atendidos rapidamente, em meia hora talvez, levariam mais uns quarenta minutos até o local da peneira. Chegariam atrasados, mas daria tempo. Precisava acreditar nisso.

Andavam há quarenta minutos. Marquinho seguia o irmão a passos firmes. Em uma breve recordação, Pedro via os dois meninos sem camisa. Como pôde ser tão burro, tão ingênuo? Ali, esperando o ônibus, com o dinheiro na mão feito um leque… Por que não guardou um tanto em outro lugar?

— Pedro…

Voltou-se para o irmão. Ele havia ficado para trás. Tinha a mão no peito e respirava com certa dificuldade.

— Será que dá para gente ir só um pouquinho mais devagar?

Pedro passou a mão na cabeça. Claro, essa asma maldita tinha que aparecer. Teve vontade de xingar o mundo, de atirar aqueles garotos sem camisa do alto de um penhasco.

— Vamos esperar três minutos aqui, parados — disse a Marquinho. — Quem sabe você não se recupera.

Tentava parecer confiante, mas sabia, no fundo, que dificilmente o irmão recuperaria o fôlego. Pensou no professor Pernambuco e em sua camisa com o escudo desbotado do Ferroviário. Em pouco menos de uma hora ele iria chamar os meninos para o teste derradeiro. Todo mundo que havia sido chamado estaria lá, até mesmo o menino rico. Não, não havia mais tempo a perder.

— Sobe aqui — disse ao irmão. — Aqui, nas minhas costas, que nem cavalinho.

— Não, Pedro, eu já tô quase bom.

— Sobe, Marquinho, não dá mais para esperar.

Há quanto tempo não o levava daquele jeito? Uns quatro anos? Marquinho costumava ser bem mais leve, mas agora não havia escolha. Sentia as mãos do menino cruzadas abaixo de seu pescoço e as pernas encaixadas no vão dos braços. De relance, via os chinelos velhos do irmão balançando ao ritmo dos passos apressados.

E se fossem direto para a peneira? Ah, mas assim não daria tempo de ir à matrícula no Tiradentes… A matrícula… Marquinho não conseguiria estudar no ano seguinte. Ficaria sem aula, sem… Sim, mas ele, Pedro, estaria num time de verdade. Em breve chegaria ao juvenil e logo ao profissional. Mesmo que Marquinho ficasse um ano sem estudar, ora… O que é um ano quando se compara com a vida inteira? E ele, Pedro, não cuidaria de toda a família?

Ajeitou o irmão. Mesmo naquela posição, podia sentir a respiração ofegante do menino. Pensou na mãe. O que dona Estela diria? Ficaria decepcionada, claro. Mas o pai, ah, o pai viria em seu socorro. Ele diria “ô Estela, o Pedro vai ser melhor que o Sócrates!” A mãe, ainda assim ficaria uma fera, mas no fim acabaria se convencendo de que Pedro fizera a melhor escolha.

Sentiu as próprias pernas balançando. Estava cansado, não podia negar.

Via o rosto desapontado da mãe. Talvez ela chorasse. Dava tudo para que ele e o irmão tivessem tudo na vida. Não tinha medo de nada, ela. Trabalhava de sol a sol, todos os dias da semana, enquanto o pai, coitado, vivia uma sucessão de fracassos.

Um drible para a esquerda, seco, como Falcão. Depois uma arrancada igual ao Roberto Dinamite e um chute para estufar a rede, mandando embora tudo o que é de ruim. Ah, seria incrível!

Os braços estavam em frangalhos. Largou o irmão por um momento. Marquinho tinha os olhos vermelhos.

— Desculpa, Pedrinho…

Percebeu o próprio choro brotando e o engoliu.

— Sobe aqui — disse ao irmão.

Lembrou-se da vez que viu Adílio. Negro como ele, que havia sido pobre como ele. Adílio era seu futuro. Campeão mundial, que ajudara a família e os amigos. Que saíra da lama, que se tornara uma pessoa de respeito.

***

Segurava Marquinho, trôpego. Já não se preocupava em reprimir qualquer lágrima. O portão já fechava quando ele virou a esquina. Com o irmão ainda às costas, fez sinal para o guarda que girava a tranca.

— Bem na hora, hein, guri!

Pedro não disse palavra. O sujeito, um tipo gordo com óculos fundo de garrafa abriu uma fresta para que eles passassem.

— Por onde é? — perguntou ao homem.

— Só subir por ali. Fale com uma das moças lá em cima. Seu nome está na lista da matrícula, né?

— Tá. Tá na lista, sim…

Pedro já caminhava na direção das escadas quando o ouviu perguntar:

— Não é pesado ele, não?

Parou e se voltou para o homem. Olhou-o por um momento e respondeu:

— Não é pesado, não, senhor. Ele é meu irmão.

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38 comentários em “Treze anos (Gustavo Araujo)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ Treze anos – Final
    ☫ Arthur Coimbra

    ஒ Físico: Devo admitir que o conto está pior nesse quesito. Na primeira parte, podíamos apreciar a leitura de uma forma mais completa. Agora, com a construção feia de algumas frases e a falta de algumas vírgulas, a leitura fica mais cansativa e medíocre. O autor precisa, de fato, melhorar seu estilo. Não se destaca.

    ண Intelecto: A estória ficou bem superior nessa segunda parte. Parabéns! Antes, não era possível sentir o sofrimento da família. Agora, no entanto, é possível. Principalmente depois do assalto. Os personagens também melhoraram, apesar do autor se esquecer da mãe e dar foco apenas ao Pedro. Deveria continuar com a lógica anterior. O maior problema do texto é o final. Tão brusco, tão indigno, parece um balda de água fria. Broxante.

    ஜ Alma: Foi possível identificar nessa segunda parte o cotidiano que havia mencionado antes. A luta dos pobres e miseráveis. Ficou tão aparente que chegou a doer. Muito bom! Mesmo assim, o conflito denotou uma quebra muito forte na rotina dos personagens. E escolhi seguir uma lógica até o final do desafio, para não ser injusto. O foco do conto deve ser a rotina, o dia a dia, o cotidiano; tudo isso em sua forma mais simples e pura. Apenas colocar os personagens na nossa realidade não basta para satisfazer essa interpretação do tema. Então, nesse caso, o conto ainda está no meio termo na questão do tema.

    ௰ Egocentrismo: Gostei mais da segunda parte do que da primeira. Achei a estória mais envolvente, verdadeira, etc. Mas o final foi broxante demais. O conto deveria terminar redondo, com todos os conflitos resolvidos.

    Ω Final: O texto precisa passar por uma grande revisão e o autor carece de um estilo mais atraente. Mas é perceptível que ele escreve bem. Um pouco mais de prática e irá alcançar os céus! A estória ficou bem melhor nessa segunda parte, mas o autor se perdeu um pouco em relação à primeira parte. Talvez o tempo entre as partes tenha influenciado isso. No final das contas, o conto continua no meio termo quando se trata do tema do desafio.

    ௫ Nota: 6.

  2. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    O conto continuou muto bem o que havia começado, na mesma linha e estilo. E ficou ainda mais interessante e realmente me prendeu a atenção, torcendo pelos protagonistas.

    A história contada é bem realista e nos remete ao que acontece diante dos nossos olhos todos os dias. Realmente muito bom.

    Acredito que as falas dos personagens poderiam ter sido escritas de forma a refletir suas condições, ficaram muito certinhas para eles.

    Mas fico imaginando apenas como será a vida dessa família daqui para frente, e não sinto que será fácil.

  3. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Maravilhoso, o conto! Personagens cativantes, narrativa que prende. Sei quem é o autor, acredito que sim, um estilo que não dá pra confundir. Se alguém o imitou, fez com maestria, rs. Talvez, pela pressa, ficou faltando uma revisão para alguma coisa na pontuação, mas é só. Parabéns. E obrigada pela leitura! Agora fico aqui, com essa última cena do conto na mente, só imaginando o que vem depois. E isso é o melhor, é o que faz as personagens se tornarem mais próximas de nós, ultrapassando o texto. 😉

  4. Thata Pereira
    5 de novembro de 2015

    Pera, tem terceira parte e eu não sabia, produção? Poxa, eu estava completamente envolvida com o conto, mas não gostei da forma como ele terminou e confesso que admiro a ousadia do(a) autor(a) em encerrá-lo assim.

    Foi feita uma escolha, Pedro foi fazer a matrícula do irmão na escola, mas e o jogo. Deu tempo? Como terminou a história? :/

    Gostei do conto, mas infelizmente o fim ficou muito vago para mim…

    Boa sorte!!

  5. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015

    Continua comovente..haha. O conto ficou melhor, na minha opinião. O drama aumentou e achei os meninos excelentes personagens, fortes e diferentes. Só achei um pouco estranho a mãe na primeira parte, decidida a ver os filhos estudando a qualquer custo, deixar tudo nas mãos do filho na segunda parte. Sei que existiu a explicação que eles não podiam dispensar dinheiro, mas achei um pouco assim. Será que ela deixaria algo tão sério na mão do guri mesmo? Mas enfim, não atrapalhou a leitura. Muitos criticam os jogadores de futebol e o dinheiro enorme que ganham, mas ninguém lembra dos milhares de meninos que tem esse sonho e nadam nadam pra morrer na praia. O seu conto foi real e bacana. Valeu.

  6. catarinacunha2015
    2 de novembro de 2015

    O TÍTULO aponta o que parecia ser o foco do principal de Pedro. Adoro ser surpreendida (2/2). TEMA datado é sempre mais difícil, conseguiu (2/2). FLUXO de construções simples e narrativa solta (1,5/2). TRAMA intensa e de grande carga emocional (2/2). FINAL corajoso, do tipo arrasa quarteirão. A frase famosa “Ele não é pesado, é meu irmão!” foi bem encaixada, só faltou dar os créditos à Bobby Scott e Russell Bob (1,5/2). Total 9

  7. Tiago Volpato
    29 de outubro de 2015

    Nem tem muito o que comentar do texto. Leitura fácil, muito agradável. Dá pra notar que você já faz isso há muito tempo. Não vejo nada de negativo aqui, muito pelo contrário, o texto é excelente. É um forte candidato a ser o primeiro colocado.
    Abraços e boa sorte!

  8. Fabio Baptista
    26 de outubro de 2015

    Opa, acho que encontrei o texto do Gustavo! kkkkk

    Seja como for, é mais um texto que eu não tinha lido na primeira etapa. E mais um conto muito bom dentro do certame. A narrativa direta, sem firulas (que às vezes sinto falta, de uma ou outra), se mantém em alto nível do começo ao fim. Teria usado uma vírgula na frase “Ele era canhoto…” logo no começo, depois faltou um “que” e um agudo num e, mais para o final (estava no celular e não anotei o ponto exato, desculpe), detalhes que não desabonam e não tiram nota do mérito narrativo.

    Devo dizer que gostei demais da primeira parte, intercalando as cenas da mãe com a peneira, mas em determinado ponto alguns problemas começaram a se destacar. Primeiro a previsibilidade: estava meio na cara a sinuca de bico em que o garoto seria colocado. Depois, e acho que esse foi o ponto que mais me desagradou, foi que rolou quase um “Deus Ex” aí para que o garoto pudesse entrar na tal encruzilhada futebol/escola… deu pra ver a mão do autor pesando quando avisaram a mãe sobre a turma extra, quando a mãe arrumou um bico, quando o garoto foi chamado para a peneira decisiva, tudo no mesmo horário. E continuou com o assalto, que tirou a possibilidade de conseguir fazer os dois. Resumindo, muita coincidência pra uma peneira só!

    Também fico na dúvida sobre a completa adequação ao tema, pois o cotidiano me pareceu mais forte para a mãe do que para os meninos. Mas costumo relevar bastante nesse aspecto.

    O final (que lembra as cenas que costumamos ver no ENEM kkkk) é meio teatral, mas bem construído. E a resposta do garoto, que encerra o conto, muito boa.

    Uma leitura bem agradável.

    NOTA: 8

  9. Rubem Cabral
    22 de outubro de 2015

    Olá, Zico.

    Então, gostei do conto: muito emocionante e com um enredo muito bom. Dura essa realidade do menino e tocante o amor dele pelo irmão e o seu senso de responsabilidade de primogênito. O clímax da história pareceu-me, contudo, meio planejado por um conjunto de fatores convenientemente coincidentes: matrícula da nova turma no mesmo dia da peneira+bufê+segredo+perna quebrada+assalto+marquinho+asma, e o pai, afinal, poderia pedir um favor a um vizinho, parente ou amigo na questão da matrícula do Marquinhos, por exemplo.

    A escrita tem uns poucos escorregões: umas vírgulas comidas em “Ele era canhoto isso parecia tornar a tarefa mais difícil”, “Naturalmente sentar-se era impossível…”, um antiquado trema em “agüentasse”. Seria também interessante encontrar algumas construções bacanas na narração, pois pareceu-me que o modo “simples” ficou ligado a maior parte do tempo. A frase final causou impacto.

    Nota: 8,5!

  10. Brian Oliveira Lancaster
    21 de outubro de 2015

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: Que texto! Sentimental e bem brasileiro. – 10,0.
    G: Gostei muito de todo o tom que percorre tanto o início quanto o fim, passando pelo desenvolvimento e as dificuldades da família. Consegue transbordar sentimento como ninguém, e tudo isso atrelado ao “simples” cotidiano! – 10,0.
    U: Escrita simples, sem grandes floreios, mas certeira no uso do palavreado local. – 10,0.
    A: Transmite sensações e nostalgia na medida certa. – 10,0.
    S: Continua no mesmo tom, sem alterações. Parabéns! Me senti vendo um filme ao estilo “Filhos de Francisco”. O final em aberto, e com a piadinha sutil, fechou com chave de ouro. – 10,0.

    Nota Final: 10,0.

  11. Gustavo Aquino dos Reis
    21 de outubro de 2015

    Irmão, estou aplaudindo o teu conto de pé.

    Foi um dos poucos que buscou retratar “aquele” cotidiano – sim, aquele cotidiano dos campos de terra de uma periferia saturada de miséria, de contrastes, de progresso obsoleto. Obrigado, irmão, mesmo, pois através desse conto escrito com esmero rememorei a ansiedade das peneiras dos campos da várzea e a disposição para estourar a boa. Obrigado por nos fazer lembrar que o cotidiano, em suas arestas mais distópicas, não só se solidifica apenas em amores frustrados ou na complexidade das relações bigâmicas: o cotidiano é, também, as quebradas da zona leste, da zona norte, da zona sul…

    O cotidiano de quem tem a pobreza para querer enriquecer, de quem têm olhos para nunca ver, nunca dizer, nunca, olhos e peito abertos para encarar a vida e despistar a morte.

    Parabéns.

  12. Claudia Roberta Angst
    21 de outubro de 2015

    Não entendo nada de futebol, mas reconheci o nome do jogador Zico no pseudônimo.

    A primeira parte do conto aborda a luta da mãe para conseguir vaga na escola para os filhos e o sonho de Pedro de ser jogador de futebol. Já a segunda parte passa a focar na relação dos dois irmãos e na escolha feita por Pedro.

    É triste e comovente perceber que o menino não conseguirá participar da peneira e terá de desistir do seu sonho. Por causa da frase final e da renúncia de Pedro, fiquei com a música ‘He Ain’t Heavy, He’s My Brother na cabeça.

    O ritmo da narrativa é bom, agilizado pelos diálogos. Apesar de não ter um final feliz, o conto comove pela abordagem singela e emocional. O único alívio para o leitor é saber que talvez a peneira não desse certo mesmo, por causa da idade de Pedro. Logo alguém descobriria que era mais velho e ele seria posto de lado.Ou não.

    Não percebi erros na revisão. A linguagem empregada é simples e limpa.

    Apesar de não ser atraída pelo universo futebolístico, o conto agradou-me ao retratar uma realidade dura, mas com toques suaves da relação dos irmãos. Alguns podem considerar piegas, outros vão chorar com o final. Eu fiquei no meio do caminho.

    Boa sorte! 🙂

  13. Anorkinda Neide
    20 de outubro de 2015

    ahh pára, pra que fazer a gente chorar, hein?! rsrsrs
    Que lindeza!
    O final é aquela frase do indiozinho carregando o irmão… mas vale por isso mesmo.. traz todo o amor dos irmãos.
    .
    História muito bem amarrada, eficientemente narrada. Parabéns.
    Abraço

  14. Rogério Germani
    20 de outubro de 2015

    Olá, Arthur Coimbra!

    Cara, fazer um barbudo chorar com este desfecho do conto é covardia! Imaginei a cena toda como se fosse o cotidiano de milhões de brasileiros que, mesmo diante das dificuldades, nunca abandonam os sonhos de dias melhores para suas famílias! Parabéns pela trama!
    Só não gostei do fato de o conto surpreender apenas apenas no momento em que despejam o dilema matrículaXpeneirada em seus mirrados ombros. A escrita é primorosa, com certeza, mas a emoção só me prendeu depois do episódio citado acima.

    Boa sorte!

  15. Felipe Moreira
    18 de outubro de 2015

    Adorei o conto. Lembrei do filme Linha de Passe. Não exatamente por conta do sonho do menino querendo ser jogador, mas o drama familiar em si e as escolhas difíceis que devem ser feitas em situações como essa. O conto está muito bem narrado, esse final traz uma emoção incrível do Pedrinho. Gostei muito desse trabalho. Está de parabéns.

  16. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Achei comovente. O drama do sonho de ser jogador, o drama dos pais. E fora isso, sei que não é o mesmo Ferroviário, mas sou torcedor doente do FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE, aqui de Fortaleza. Um time que já foi campeão cearense, era a terceira força do estado mas hoje vive da glória do passado : (

    O conto é bom, mas não achei que teve muitos atrativos. No entanto, o autor/ autora foi feliz em contar a história e mostrou conhecimento. Por exemplo, o lance de alguns garotos mentirem a idade para jogar. Isso acontece e inclusive, quando eu era adolescente, tinha amigos meus que falsificavam identidade para poder jogar em peneiras.

  17. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Gostei do paralelismo das histórias e da tensão existente em ambas. Imagino que na continuação elas irão se cruzar. E também que a mesma data e proximidade de horário dos dois compromissos (um em cada história) se tornarão os pontos de tensão da segunda parte. Já estou na “torcida”! (rs!)
    Boa sorte,
    😉
    Paz e Bem!

  18. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    gostei muito destas histórias paralelas que merecem ter espaço para vermos a sua continuidade e desfecho. Não sei se a história é muito original, até este ponto, mas insere-se na temática e está bem estruturada, não terá problemas graves na gramática, por isso só posso desejar que tenhas oportunidade para acabar esta trama. bom jogo e boa escola.

  19. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Os temas foram muito bem escolhidos, o futebol x a escola, e realizados em dois contos, que vão fluir para um único final. Os temas modernos e a técnica conferem grande valor literário ao conto, que se desenvolve bem solto, e deixa o leitor na expectativa do que está por vir, como um verdadeiro thriller. Aliás, eu pelo menos quero saber como acaba tudo isso.

  20. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), Arthur Coimbra.

    Antes tudo, tenho que dizer que dizer que usar o nome do Galinho é uma trapaça. Como flamenguista, vou me sentir um canalha em não dar dez para esse conto, rs.

    Bem, o texto é bom. A história me prendeu do início ao fim, especialmente por se tratar de um tema que gosto bastante. Você soube desenvolver a atmosfera de uma peneira, a tensão dos aspirantes, esse ambiente hostil do cada um por si, esperando uma bola salvadora, que nem sempre chega aos pés. Pedro Lucas (espero que ela ganhe um apelido, afinal na década de 70 não existiam esses nomes compostos chatos desses cabeçudos de hoje em dia) e Estela são personagens interessantes, cada um com sua missão.

    Sem dúvidas é uma história real, e essa credibilidade é o grande trunfo do conto. Não há qualquer dificuldade em sentir empatia imediata. Meu “porém” é com relação aos diálogos. Penso que ficaram bem ordinários, acho que poderia existir um melhor aproveitamento. Detalhes que poderiam dar mais personalidade para os personagens, principalmente para os secundários. Usaria menos “você”, e daria algum toque para que a garota atendente fosse mais chata, gerando mais conexão do leitor com a Estela. Bom, isso é apenas uma questão de opinião, não sou um especialista e estou seguindo apenas uma perspectiva pessoal.

    De qualquer modo, gostaria muito de ler a segunda parte da história.
    Parabéns, boa sorte e SRN!

    • rsollberg
      5 de novembro de 2015

      Cont Arthur Coimbra.

      Na minha opinião, esse foi o conto que mais soube explorar esse lance das duas fases. O autor conseguiu criar uma expectativa imensa ao redor do dilema do protagonista. Teve êxito em arrancar qualquer obviedade que pudesse estar esperando no final. E, na verdade, penso que no desfecho é onde se encontra o grande mérito. Pois, mesmo não escolhendo o final mais feliz, o conto conseguiu trazer esperança para o leitor.

      O diálogo sobre o peso do irmão é lindo, é metafórico, é sensacional. Grande acerto do escritor.

      Por enquanto, é a nota que mais subiu em relação a primeira fase.
      Forte abraço!!!

  21. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015

    O conto me lembrou o filme Linha de Passe. Achei que a estrutura não amarrou-se muito e o desenvolvimento ficou um pouco a desejar. Mas a escrita é boa.

  22. Fil Felix
    28 de setembro de 2015

    Confesso que não sei o que seria uma “Peneira” em futebol, tampouco conheço as técnicas e lances, tive que cair na magia e imaginar a jogada! Mas gostei muito do conto, mesmo não curtindo o esporte. Ele é bastante sensível e traz uma das máximas do nosso país, que é o sonho de ser jogador de futebol. A época em que ocorre também ajudou a criar um clima bem brasileiro, assim como a imagem de capa.

    Tudo acontece com bastante naturalidade, a escrita está boa e a leitura flui tranquilamente (apesar de ter encontrado algumas palavras meio comidas). A maneira como as duas historias se entrelaçam e criam expectativa para a continuação (esse tão aguardado sábado) também merece destaque dentro do desafio.

    Alguns trechos, particularmente, achei muito bons. Um deles é quando comenta da profissão do pai e o outro quando a secretária diz não ter vaga, dá pra imaginar a angústia da mãe em ter que escolher entre colocar um e deixar o outro de fora, ou desistir e tentar em outro lugar. Uma pequena escolha de Sofia.

  23. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015

    Gostei da história e da condução, com os dois acontecimentos se cruzando no “final”. Não foi bem um final, mas ficou bacana!

  24. Maurem Kayna (@mauremk)
    23 de setembro de 2015

    um cotidiano que continua se repetindo, dá uma angústia acompanhar os movimentos (jogadas) paralelas da mãe e do(s) menino(s), mas eu não consegui alcançar a intenção entre os desfechos da possível vaga de um e de outro (no time e na escola). A “sorte”do Pedro ter vaga pra oitava x o “azar” da incerteza do Marquinho para ser decidida na mesma hora, no sábado, era para ter um significado? Se sim, me faltou sagacidade…

  25. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    Conto muito bem escrito, divertido, mostrando bem o que se passa na mente de cada personagem, todos bem apresentados e desenvolvidos no espaço possível.

    O cotidiano de vida difícil de periferia nos anos 80 ficou bem construído e cativante.

    Me deixou bem curioso e interessado em saber o que vai acontecer na história daqui pra frente.

  26. Jefferson Lemos
    23 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Mais um bom cotidiano. Esse mês estou bem impressionado com a qualidade altíssima dos contos.
    Gostei da história. É bem tocante e real. O fato de vermos tantas histórias que acontecem dessa forma, faz com que fiquemos mais próximos das personagens. Cheguei ao fim da leitura esperando que o moleque fosse chamado.

    Em relação a gramática, não tenho o que falar. Gostei e achei bem escrito. A narração intercalada funcionou bem.

    Parabéns e boa sorte!

    • Jefferson Lemos
      19 de outubro de 2015

      Olá de novo!
      Confesso que eh esperava um pouco mais da segunda parte. Gostaria de ter visto um desenrolar melhor no final, com um pouco mais de definição. Do jeito que ficou, achei que deixou muito para trás. Parece que foi feito para ter uma parte três.
      De qualquer forma, no geral, foi um bom conto. A surpresa não foi tanta, mas foi uma leitura agradável.
      Parabéns e boa sorte!

  27. Evandro Furtado
    22 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – texto muito bem estruturado;
    História – 10/10 – boa ideia, excelente execução;
    Personagens – 10/10 – muito bem trabalhados tanto fisica como psicologicamente;
    Entretenimento – 10/10 – daria um belo episódio de série de TV. Histórias de futebol são sempre interessantes;
    Estética – 8/10 – é um texto cativante. Tenho mais ou menos uma ideia da sequência. Quero ver como você trabalha isso.

    • Evandro Furtado
      28 de outubro de 2015

      Notas Parte 2

      Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
      Recursos Linguísticos – 10/10 – texto muito bem escrito, claro, conciso;
      História – 10/10 – amarrada à primeira parte, bem desenvolvida na segunda;
      Personagens – 10/10 – fisica e psicologicamente bem construídos;
      Entretenimento – 10/10 – sem dúvida, prende o leitor do início ao fim;
      Estético – 10/10 – mais um daqueles que marejam os olhos, só quem tem irmão mais novo pra entender.

  28. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    Treze anos (Arthur Coimbra)

    ♒ Trama: (3/5) gostosa de ler e muito ágil. Fiquei realmente preso à história. Mas terminou muito aberto, aguardando uma possível continuação. A ideia do desafio eram dois contos complementares e não um conto dividido ao meio. Este aqui, do jeito que está, parece apenas uma metade.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, não vi nenhum erro aparente (exceto um conectivo faltando). O motivo disso pode ter sido minha total imersão na narrativa. Claro que o assunto me interessa, mas acredito que tem muito dedo do autor nisso. Não vi, porém, nenhuma construção muito mais elaborada para valer a nota máxima.

    ➵ Tema: (2/2) cotidiano de meninos pobres que sonham em subir na vida pelo futebol (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) não é uma história nova, como muitos outros contos nesse tema.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) como disse, o texto me prendeu muito, mas o final aberto reduziu muito o impacto.

    ➩ Nota: 7,5

    Problema que encontrei:
    ● e era canhoto *e* isso parecia tornar a tarefa mais difícil.

    PS.: preciso registrar aqui que fiz um esforço terrível para não deixar meu coração rubro-negro avaliar o texto. Se assim fosse, só o pseudônimo já valeria nota máxima 😀

    • Leonardo Jardim
      3 de novembro de 2015

      Treze anos (Arthur Coimbra) – Segunda Fase

      📜 Trama: muito boa a parte da indecisão do rapaz sobre qual decisão tomar, mas o final ficou corrido. A parte em que a história conta a decisão que ele tomou poderia ser melhor desenvolvida. Precisei reler para entender. (0)

      📝 Técnica: no mesmo bom nível da primeira parte. (0)

      🔧 Gancho/Conexão: a segunda parte completa a primeira. O conto, lido em sequência, funciona como uma história única (+0.5)

      🎭 Emoção/Impacto: a parte da indecisão do menino me deixou realmente apreensivo. Funcionou bem. Não compreendi bem o final à princípio e isso reduziu um pouco o impacto. (+0.5)

      ⭐ Nota: 8,5

  29. Piscies
    16 de setembro de 2015

    Gostei muito da forma como o conto foi apresentado. O autor usou um recurso muito bom: fez duas narrativas desconexas inicialmente para só depois estabelecer uma ligação entre elas. Senti-me tenso com Pedro, assim como meu coração ficou angustiado quando Estela soube que não tinha vagas na terceira série para Marcos.

    Por outro lado, achei o final abrupto demais. Não deu um fim à história. Foi um excelente gancho para a próxima, mas avaliando o conto por si só, não pegou. Se fosse só isso eu teria odiado este final. Espero que o conto passe para a próxima fase para que eu saiba o resto da história!

    Por fim, a adequação ao tema aqui ficou obscura. Com certeza Pedro está saindo do cotidiano dele ali, tentando ser aprovado para um time de futebol. Mesmo que ele tenha tentado duas ou três vezes antes, isto não faz desta atividade o seu cotidiano. A ideia é que acabe e ele “volte ao seu cotidiano”, que não foi narrado aqui.

    O cotidiano de Estela e seu marido foi melhor descrito, incluindo os ônibus lotados e a dificuldade do homem de arranjar emprego. Mas mesmo assim, a situação narrada para Estela no conto foge do seu cotidiano também. Afinal, ela só deve fazer este tipo de trabalho (matrícula dos meninos) uma vez por ano.

    Algumas falhas que notei no texto:

    -> “Ele era canhoto isso parecia tornar a tarefa mais difícil.” – Falta uma conexão

    entre “canhoto” e “isso”. Talvez um “e” ou então um ponto final.

    -> “Não poso fazer nada” – Posso.

    • Piscies
      3 de novembro de 2015

      Relendo o conto para avaliar a segunda parte, e depois relendo o meu comentário e a minha nota, percebi que fui muito ranzinza. Só me resta pedir desculpas: este conto é realmente muito bom!! Acho que o que pegou na primeira parte foi que eu esperava um conto fechado, quando este terminou na metade.

      O conto me fisgou. A revelação final, feita na última hora, sobre a decisão de Pedro, foi sublime. Fiquei com o coração na mão até aquele momento.

      Parabéns pelo conto e, novamente, perdão pela nota baixa na primeira fase. O conto não merecia.

      Boa sorte!

  30. Antonio Stegues Batista
    15 de setembro de 2015

    Sonho de meninos que desejam ser grandes ídolos do futebol. Em paralelo, a jornada das mães em busca de vagas nos colégios para seus filhos. Algumas crianças se encantam tanto com o mundo da fama que até esquecem que a garantia de sucesso são os estudos,o conhecimento e a qualificação profissional.
    Uma narrativa simples, de fácil leitura e entendimento. Bom enredo e boa gramática.

  31. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: Cotidiano de sonhador. Quem não quer ser jogador de futebol (ou melhor, ganhar o que eles ganham)? Menos os que não gostam. – 9,0.
    G: Uma história com clima de interior, estilo Central do Brasil. Foi essa atmosfera que cativou, desde o início. É bem pé no chão e realista, trazendo um cotidiano bem brasileiro. As histórias intercaladas, apesar de não ter entendido no início, foram bem criativas. O ponto alto foi mostrar essas duas realidades sob pontos de vista diferentes, incluindo até uma terceira visão, breve, do menino “rico”. – 9,0.
    U: A mescla entre diálogos e narração foi muito bem pontuada, com cuidado. A leitura fluiu que foi uma beleza. – 9,0.
    A: Rotina? Confere. Dificuldades? Confere. Cotidiano realista? Confere. Gancho? Confere. – 9,0.
    [9,0]

  32. Claudia Roberta Angst
    14 de setembro de 2015

    O tema cotidiano baseado no sonho de menino: ser jogador de futebol e sustentar sua família. O paralelo com a rotina da mãe, preocupada em garantir o estudo dos filhos, ficou bom. O mundo do futebol não me atrai, mas senti que o autor puxou minha atenção sem enrolar muito. Fiquei até preocupada com o caçula que pode ficar sem estudar por falta de vaga. Ou seja, a leitura me cativou.
    Não encontrei erros ortográficos ou deslizes na revisão. Não é o meu conto favorito, mas apresentou um bom trabalho. 🙂

  33. Fabio D'Oliveira
    13 de setembro de 2015

    ☬ Treze anos
    ☫ Arthur Coimbra

    ஒ Físico: O conto está bem escrito, mas o estilo do autor não se destaca muito. Poderia falar que não tem presença de espírito. No caso da narrativa, ela se desenvolve de forma natural. Isso é ótimo. Sobre a estética, não acredito ser necessário o itálico na parte da Estela, mãe dos meninos. Na realidade, essa formatação atrapalhou a leitura um pouco. Bom saber disso, pois irei evitar fazer o mesmo a partir de hoje.

    ண Intelecto: O enredo trata de oportunidades. É um tema que merece ser explorado com intensidade, certamente, e o autor conseguiu fazer isso. Faltou elegância, mas chegou onde queria. O menino foi bem explorado, mas a mãe permaneceu um pouco rasa. O autor escolheu se focar no sofrimento dela. O ideal seria, nesse caso, apresentar o sofrimento de forma mais sutil.

    ஜ Alma: No fundo, bem no fundo, escondido por detrás da maioria das palavras, encontra-se o cotidiano da luta dos pobres por uma vida melhor. No entanto, o foco do conto não é esse. O tema mais forte é a injustiça social e a chance de uma vida melhor. O cotidiano fica tão disfarçado que não é possível considerá-lo. Além disso, o teste de peneira e a matrícula da escola são acontecimentos que quebram um pouco o cotidiano das pessoas, pois acontece uma vez ou outra. Não é algo rotineiro. Porém, o gancho ficou interessante, principalmente na parte do menino. O maior problema foi o final, que ficou aberto demais. tinha que ter uma conclusão, para o conto funcionar por si.

    ௰ Egocentrismo: Realmente, não consegui gostar muito do enredo. Esse tipo de estória requer uma roupagem nova para emocionar ou envolver o leitor. Mas a leitura é apreciável.

    Ω Final: Texto bem escrito com um estilo sem personalidade. Enredo simples, estória para demonstrar o sofrimento daqueles que são menos favorecidos, desenvolvimento bom. No entanto, não se encaixou no tema do desafio. O gancho ficou interessante, pelo menos.

    ௫ Nota: 6.

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .