EntreContos

Literatura que desafia.

Depois do fim da rua (Antonio Stegues Batista)

conde

Alice acordou mais cedo naquela segunda-feira. Estava decidida a deixar aquela casa. Aproveitando que todos ainda dormiam, colocou algumas roupas e dois pares de sapato numa sacola, pegou a bolsa e saiu de seu quartinho no porão. Agradeceu mentalmente ao tio, a proteção e amparo que ele lhe deu.

Depois que o pai morreu, ela perdeu o emprego e não conseguiu mais pagar o aluguel do apartamento onde morava. Nemo, irmão de seu pai, ofereceu-lhe a casa para ela morar quanto tempo quisesse.

Ela aceitou por alguns dias, até que arranjasse emprego e pudesse alugar um apartamento. Como não conseguiu emprego, se dispôs a ajudar nos afazeres domésticos. Mas os primos a humilhavam e a tia era severa e ao mesmo tempo insensível. A única pessoa decente era o capitão Nemo, mas ele trabalhava o dia todo na construção de barcos, e não via as situações humilhantes que ela vivia.

Ganhando a rua, Alice seguiu rápida, sem olhar para trás. Na esquina pegou um ônibus para a rodoviária. Sua intenção era comprar uma passagem para Torres, alugar um quarto numa pensão e trabalhar como garçonete ou ajudante de cozinha. Ela sempre sonhou morar no litoral. Na bolsa estava o dinheiro que havia economizado, para uma decisão, ou emergência como aquela.

Descendo na rodoviária, Alice dirigiu-se para o guichê. Abriu a bolsa para pegar o dinheiro e comprar a passagem, mas não o encontrou. A carteira havia sumido! Procurou também na sacola, sem êxito. Aflita e magoada, deu-se conta de que alguém havia roubado a carteira no ônibus. Desapontada, saiu do guichê e foi sentar-se num banco, no saguão. Ficou algum tempo sentada, meditando e decidindo o que fazer. Só não queria voltar para a casa do tio.

Teria que arranjar um lugar para dormir e um emprego, nem que fosse temporário. Precisava lutar por sua independência. Pensando assim, a moça deixou a rodoviária e começou a procurar trabalho em bares e restaurantes. No final do dia, depois de passar por vários estabelecimentos, recebendo uma negativa, às vezes, uma proposta indecente, ela sentou-se em um banco numa praça. Apoiou-se no encosto, escondeu o rosto sob o braço e chorou, um pranto silencioso, de desalento. Pouco depois, sentiu uma mão em seu ombro.

Secou as lagrimas e ergueu o rosto, fitando o homem parado na sua frente. Era um velhote de rosto redondo, olhar manso e sorriso simpático. Vestia roupas velhas, muito usadas e sapatos empoeirados. Segurando uma sacola de plástico na mão, inclinou-se, perguntando:

– Está precisando de ajuda? Está com fome?

Sem vacilar, a moça respondeu:

– Sim, realmente, ainda não comi nada hoje!

O velhote sorriu, gesticulando.

– Então venha! Vamos comer um ensopado.- Virando-se, ele apontou para o outro lado da rua. – Vamos, venha depressa!

Alice ficou indecisa, mas o homem parecia tão inofensivo e sincero, que ela resolveu segui-lo. Atravessaram a rua, e contornando um monte de entulho, o velhote apontou para um buraco no muro que cercava as ruínas de uma antiga indústria. Alice estacou com receio de se aventurar por aquele lugar estranho. Espiando através da passagem, avistou um grupo de pessoas, três homens e duas mulheres, sentados ao redor de um fogão improvisado com pedras e uma chapa de ferro, cozinhando algo numa panela coberta de fuligem.

Afastando o medo e impelida pela fome, Alice transpôs a abertura. Aproximando-se, constatou que aquelas eram pessoas pobres, catadores de papéis, moradores de rua, pessoas que por um motivo ou outro, acabaram às margens da sociedade.

As duas mulheres estavam sentadas num banco de madeira, a mais velha usava um vestido estampado, e um lenço encardido na cabeça. As rugas de seu rosto tanto podiam ser por causa da idade, ou pelas dificuldades enfrentadas. A outra, Alice calculou que devia ter uns trinta e cinco anos, era bonita, e apesar da roupa velha e muito simples, tinha uma aparência asseada e saudável. No lado oposto estavam os homens, dois sentavam-se numa viga de madeira, o primeiro usava um boné desbotado, tinha uma cicatriz na face esquerda, seus olhos pareciam inchados. O companheiro do lado era magro, o rosto comprido, nariz aquilino.  O terceiro homem sentava-se numa pedra. Com um graveto, traçava na areia um desenho geométrico. Ele olhou apenas uma vez para Alice e voltou ao seu desenho intricado. Usava uma barba cerrada, seus olhos tinham um brilho opaco, como a luz débil de uma tocha brilhando dentro do nevoeiro.

– Alberico! Trouxe o pão? – Perguntou o homem do boné, erguendo-se. O velhote colocou a sacola sobre uma mesa, ao lado de alguns pratos e talheres.

– Claro! -Disse ele. O sujeito magro também se ergueu e se aproximou de Alice.

– Quem é essa moça linda?

– O Alberico tem bom gosto! – Comentou o outro. – Parece uma boneca! Cabelos claros, olhos azuis, pele clara!

– Ela é minha convidada. Comportem-se! – Disse Alberico.

– Não assustem a moça! – Ralhou a moça de vestido estampado e conduziu Alice para um caixote.

– Venha sentar-se. Não se importe com eles. São como cães vira-latas que ladram, mas não mordem.

Sentaram-se as duas, lado a lado.

– Como se chama?

– Alice.

– O meu é Morgana e o Alberico é meu pai. Aquele de boné é o Ciro, o outro é o Alexandre e o de barba se chama Laerte. Aquela senhora se chama Helena, ela é mãe do Laerte. Somos amigos e companheiros de luta.

– Agora que fomos apresentados, vamos comer.- Disse Alberico. Morgana sorriu para Alice, como que para dar-lhe confiança e foi servir a comida. Deu um prato de ensopado de legumes para cada um, com um pãozinho e voltou a sentar-se junto de Alice.

– Teu marido te expulsou de casa?  Perguntou, indicando a sacola com roupas.

– Não, não sou casada. Saí da casa de meu tio. Eu… estava com a intenção de comprar uma passagem para a praia, mas alguém roubou o dinheiro no ônibus!

– Ah! Coitada! -Exclamou Morgana.

– Minha mãe morreu, já faz algum tempo. Depois que meu pai também faleceu, perdi o emprego, e como eu não podia mais pagar aluguel, o irmão de meu pai convidou-me para morar na casa dele por alguns dias. Como eu não consegui outra ocupação, fiquei trabalhando na casa para pagar a hospedagem. Mas a mulher do meu tio, e os filhos dela me humilhavam.

– Eles te agrediram? – Perguntou Alberico.

– Não. Meu tio sempre me defendeu dos maus tratos.

– E o que pretendes fazer agora? – Perguntou Morgana.

– Decidi que não vou voltar. Pretendo procurar um emprego e encontrar outro lugar para morar.

– Espero que tenhas sorte. Eu e meu pai não tivemos muita sorte na vida, mas a gente não se queixa. Nascemos pobres, e crescemos conformados, acostumados a viver com pouco conforto, com o mínimo de recursos. Sou viúva e morava com meu pai num barraco, que um dia pegou fogo. Perdemos o pouco que tínhamos, ficamos apenas com a roupa do corpo. Depois, quando demos por conta, outros tomaram o nosso terreno no morro. Agora estamos aqui, lutando pela sobrevivência.

– Onde dormem?

Morgana apontou para um velho barracão.

– Ali. Dividimos o lugar com nossos companheiros. Eles também têm suas histórias. Alex e Ciro perderam emprego e família por causa da bebida. Laerte era ator de teatro, ficou com problemas mentais depois que matou a noiva acidentalmente. Não consegue trabalho e não tem onde morar, vive nas ruas, acompanhado pela mãe.

– Vocês catam papéis para vender. Suponho que ganham muito pouco!

– Algumas vezes temos que mendigar algo para comer, ou catar restos de verduras nas feiras.

– A fome é uma sensação muito ruim. Hoje mesmo passei por essa situação.

Helena começou a recolher os pratos para lavar numa tina. Ciro e Alexandre conversavam e Laerte caminhava em círculos, de cabeça baixa, com um miosótis na mão. Parou de repente olhando para o sol que sumia no horizonte, e disse:

– Vês o sol, como olho vermelho tingido de sangue? Foge com temor da noite que se aproxima com suas sombras e milhões de olhos lívidos, de brilhos sinistros e estranhos silêncios!

Ele voltou-se para Alice, estendeu o braço e entregou-lhe a flor. Depois seguiu caminhando, murmurando e olhando o pôr do sol.

– O que ele disse? -Perguntou ela a Morgana.

– Talvez uma poesia, ou um trecho de alguma peça teatral. Laerte fica agitado quando anoitece!

Escurecia e Alice decidiu que era hora de partir. Pegou a sacola e despediu-se.

– Onde vais passar a noite? – Perguntou Alberico.

– Vou procurar um albergue para esta noite. Amanhã sairei novamente à procura de trabalho. Talvez tenha mais sorte.

– Se precisar de nós, estaremos aqui.- Disse Morgana. Alice agradeceu o jantar e começou a se afastar. Ao ouvir a voz de Laerte, parou, olhando para trás. O homem estava de pé sobre uma caldeira enferrujada, de braços abertos, rosto para o alto.

– Soprai ventos! Rugi furacões! Do espaço profundo, lança teu hálito de fogo. Sopra com furor e arranca do meu coração este sentimento. Rasga estas carnes de inútil vida! Queima meus ossos e lança minha alma sofrida, no poço do esquecimento!

Alice deu meia-volta e saiu rápido, ganhando a rua.

rua

Depois de passar a manhã toda procurando emprego sem sucesso, Aldo resolveu voltar para casa. Ao chegar ao prédio onde morava, tomando uma decisão súbita, em vez de entrar no apartamento, subiu até o terraço.

Ficou olhando a cidade que se perdia no horizonte. Estava absorto com seus pensamentos, preocupado com o futuro agora que estava desempregado, quando notou que havia alguém sentado no pilar do parapeito, a poucos centímetros do vazio. O edifício tinha cinco andares!

A caixa d, água obstruía a visão e ele deu um passo para o lado para ver quem era. Uma jovem estava sentada, abraçando as pernas com a cabeça repousando sobre os joelhos. No piso havia uma sacola. Arno ficou tenso com a ideia de que, talvez a moça tivesse a intenção de atirar-se dali. A posição e a atitude dela demonstravam que não se importava com o perigo. Talvez alguma perturbação a fizesse desprezar a própria vida. Tomando uma decisão, ele aproximou-se do parapeito.

– Se alguém cair daqui não gosto nem de imaginar como ficará lá embaixo, na calçada! –Disse ele e olhou para a moça. A jovem ergueu o rosto e olhou-o, surpreendida. Enxugou as lágrimas com os dedos. Aldo voltou a olhar para os prédios. Falou num tom magoado.

– Minha mulher me abandou por causa de outro homem, estou desempregado, triste e desanimado. Gostaria de acabar com a vida, mas esta é a solução certa? Fiquei pensando, e se aparecer uma nova oportunidade para trabalhar, para eu ser feliz? E se eu me arrepender enquanto estiver caindo?

Ele fez uma pausa e olhou para baixo.

– Vai ser rápido, haverá o impacto na calçada e talvez, por alguns segundos vou sentir dor. Talvez eu não morra logo, posso sofrer por algum tempo aquela dor insuportável! Imagino que não ficarei com uma aparência muito agradável lá embaixo.

A garota movimentou-se e ele julgou que ela fosse se atirar. Sentiu um choque quando a adrenalina percorreu seu sangue e o rapaz preparou-se para agarrá-la, porém a moça apenas recuou, desceu e foi sentar-se numa saliência da caixa d, água. Aldo voltou a relaxar-se, sentou-se no chão encostando-se ao parapeito.

– A vida é assim mesmo. -Disse. – Boa para alguns, sofrida para outros. Nós participamos de uma realidade incoerente, baseada em opostos. O bem e o mal, amor e ódio, dor e prazer, vida e morte. Esta é a realidade do ser humano, vivendo sempre em conflito com os opostos.

Os dois ficaram alguns segundos se mirando. Ele calculou que talvez ela estivesse refletindo sobre suas palavras e ao mesmo tempo analisando o seu comportamento. Por fim, ele disse:

– Meu nome é Aldo. E você, qual é o teu nome?

A moça fungou, passou as mãos pelos cabelos e respondeu:

– Alice.

Aldo sacudiu a cabeça.

– Bonito nome. Você já sabe quais são os meus problemas. Posso saber o teu? Se é que você tem…

– Que importa?

– É, não importa. Mas, nós podemos nos dar as mãos e nos atirar juntos, o que você acha?

Alice olhou para o chão e depois ergueu o rosto, com o olhar distante.

– Eu não tenho intenção de me suicidar.

– Como não? Sentada ali daquele jeito!

– Confesso que pensei nisso, mas não tenho coragem!

– Quais seriam os teus motivos?

Ela fez uma longa pausa, antes de responder. Parecia indecisa, refletindo se continuava a conversa ou não.

– Meus pais já morreram. Perdi o emprego e como não podia pagar aluguel, fui morar na casa de um tio, mas não me dei bem. Sai de lá ontem.

– Saiu? E tem lugar para ficar?

– Pensei em pedir para morar com uma amiga, aqui mesmo no prédio, mas ela não está em casa….

– Aqui no prédio? Eu moro no duzentos e cinco. Se quiser, podemos esperar por ela lá. Enquanto isso, tomamos um café. O que acha?

Alice ficou pensativa por alguns instantes e por fim se decidiu. Ergueu-se pegou a sacola e o acompanhou. Ela mostrou onde a amiga morava no terceiro andar apartamento 304. Eles desceram para o andar seguinte e entraram no 205. O apartamento era pequeno, com um quarto, banheiro, área de serviço, uma sala larga com um muro baixo dividindo dois ambientes a cozinha e a sala de estar. Enquanto Aldo fazia o café, Alice ficou examinando os livros de uma estante. O rapaz preparou a refeição, onde havia café, pão de centeio, salaminho, queijo e bolacha salgada, e depois chamou a moça.

– Enquanto você toma o café, eu vou tomar um banho e mudar de roupa. Tem adoçante no armário se você quiser, e na geladeira tem refrigerante. Fique à vontade!

Aldo tomou banho e vestiu uma calça jeans, camisa polo e calçou um par de tênis. Quando voltou à cozinha, não encontrou a garota. Será que ela voltou ao terraço? Saiu correndo e subiu as escadas. O terraço estava vazio. Com o coração aos pulos, olhou por sobre o parapeito. Não, ela não estava à vista. Ele desceu e bateu no apartamento 304. Ninguém atendeu. Talvez ela tenha saído do prédio. O rapaz desceu as escadas correndo e estacou ao chegar ao saguão. Alice estava ali, sentada na escada. Ele sentou-se ao lado dela.

– Porque saiu? Nem tocou no café!

– Não quero te dar trabalho. Por que se preocupa comigo?

– Não sei. Talvez porque eu me sinto sozinho, assim como você! Bem, eu também não quero te chatear com a minha insistência!

Alice ergueu-se.

– Eu vou dar uma caminhada. Quer me acompanhar?

– Claro, vamos! Deixe a sacola no saguão, depois você pega.- Ele pegou a sacola deixou no saguão e fechou a porta.

Começaram a andar pela calçada e foram sentar-se no banco de uma praça, logo adiante. A avenida estava movimentada, com veículos e pedestres. Em outros bancos estavam outras pessoas sentadas.

– Por que saiu da casa de teu tio?

– Não me dei bem com família dele. A única pessoa decente era meu tio. A filha dele, Vanda, não faz nada em casa, vive lendo fotonovelas e saindo com as amigas. Jasão, o filho do meio, é gordo, passa o dia em frente à televisão jogando videogame, é irresponsável e chantagista. Odisseu, o mais velho, é grosseiro e preguiçoso. A noiva dele, Lucrécia é desbocada e muito ciumenta. E Alcina, a mulher de meu tio me considerava uma simples empregada.

Alice calou-se, pensativa. Aldo refletiu sobre o relato da moça. Ela se sentia muito só e ele também. Começava a gostar dela, mas o amanhã era incerto. Sentia-se suspenso no tempo, inerte, expectador espantado com a realidade, com o cotidiano. Como aquelas pessoas sentadas na praça, algumas sem ter nada o que fazer, outras fazendo planos, todas aguardando alguma coisa acontecer. Ao redor havia movimento, ruídos. Carros trafegando pelo asfalto, pessoas se cruzando pelas calçadas, cada um com seus problemas, seu trabalho, suas paixões, pessoas alegres, pessoas sofridas, ricos e pobres na luta pela sobrevivência naquele caos organizado. Na praça havia calma, letargia, sonhos. A praça era o olho do furacão.

Alice quebrou o silêncio, indagando:

– O que será que existe depois do final daquela rua?

Surpreendido, Aldo seguiu o olhar dela.

– É uma rua sem saída. Acho que não há nada para além dela.

– Como, nada? Você já esteve lá?

– Não, mas posso ver que ela termina nuns matos, tem pedras…

– Um terreno baldio?

– É possível. Talvez a rua termine ali porque é o limite da cidade.- Após uma pausa ele inclinou o rosto, olhando-a. – Mudando de assunto, já passa do meio dia e eu estou com fome. E você?

– Estou sem fome.

Aldo ergueu-se.

– Tem um bar aqui perto, vamos comer alguma coisa.

A moça acompanhou-o. No bar havia apenas um homem bebendo cerveja e assistindo um filme num televisor colocado numa prateleira, atrás do balcão. Aldo dirigiu-se para o balconista que estava fazendo palavras cruzadas, pediu dois sanduíches e dois refrigerantes.

O homem ergueu o rosto, pestanejando.

– O quê?

Aldo repetiu o pedido e foi sentar-se com Alice a uma mesa, perto da janela. Na televisão passava o filme Lagoa Azul, na Sessão da Tarde.

– Você gosta de cinema? – Perguntou Aldo. Alice pendurou a bolsa na guarda da cadeira e apoiou-se na mesa.

– Gosto. Faz tempo que não vou a um cinema!

Aldo esboçou um sorriso, olhando para ela.

– Você se parece muito com a Claudia Cardinali.

– Eu? Imagina!

– A única diferença é a cor dos olhos.

O homem do bar trouxe o lanche e voltou às palavras cruzadas. O sujeito que bebia cerveja esvaziou a garrafa e continuou assistindo ao filme. Havia nódoas de gotas de cerveja e ketchup na camisa dele.

Eles comeram em silêncio. Após acabarem o lanche, Aldo pagou a despesa e os dois saíram. Voltaram ao mesmo banco da praça.

– Quer ir a outro lugar? – Perguntou Aldo e Alice respondeu:

– Estou curiosa para saber o que há no fim daquela rua.

Aldo fez um gesto.

– Talvez uma pedreira, por isso ela termina ali.

– E porque não contornou as pedras?

– Talvez exista um precipício.

– Poderiam construir uma ponte!

– Ou talvez seja um deserto sem fim.

– Não existe deserto no Brasil.

– Como o Saara, não.

– Há quanto tempo moras nesse bairro?

– Uns dez anos.

– E não conhece aquela parte da cidade?

– Não. Nunca tive motivos para ir lá.

Alice fez uma pausa, olhando para o outro lado da avenida. Aldo olhou para ela com admiração. A moça parecia mais corada, animada. Aquela expressão triste havia sumido de seu belo rosto.

– Não sente curiosidade em saber o que há lá?

– Não. Porque está tão curiosa assim?

– Não sei. Que horas são?

– Quase três Horas.

Ela ergueu-se.

– Dora deve estar trabalhando. Eu vou telefonar para ela e perguntar se pode me hospedar por alguns dias, até eu arranjar outro lugar.

Aldo sacudiu a cabeça. Na esquina havia um telefone público. Alice ficou alguns minutos falando ao telefone e quando voltou, exibia uma expressão de tristeza.

– Algum problema?

A jovem sentou-se, apoiando-se nos joelhos com o rosto inclinado para o chão.

– Telefonei para a firma em que Dora trabalhava e me disseram que ela morreu esta madrugada. Em princípio não quiseram me dizer como ela morreu, mas depois de eu insistir, disseram que foi ingestão excessiva de narcótico.- Alice fez uma pausa, recostou-se para trás. – E eu nem sabia que minha amiga era viciada em drogas! A última vez que a vi foi há duas semanas. Ela estava alegre, fazendo planos para as férias!

Após um momento de reflexão, ela continuou: – Eu vou ao velório. Quer ir comigo? Não é muito longe daqui.

– Claro.- Respondeu Aldo.

Eles pegaram um ônibus até o cemitério municipal, onde o corpo estava sendo velado na capela local. Havia poucas pessoas ali, algumas sentadas outras de pé, em grupo de dois ou três, conversando em voz baixa. O corpo no caixão estava coberto de flores. Alice aproximou-se e ficou imóvel diante do féretro. Fez uma prece em silencio. Aldo permaneceu ao lado dela, enquanto a jovem se despedia da amiga, falecida. O rosto descorado de Dora parecia um rosto de boneca, com uma expressão suave, em paz finalmente. Certamente o vício pelas drogas é um inferno de onde é muito difícil sair com vida!

Alice abraçou a mãe de Dora, demonstrou o seu pesar e retirou-se com Aldo. Voltaram à praça. Só então, Aldo perguntou para ela:

– Você vai para onde agora?

A moça fechou os olhos por um momento, sacudiu a cabeça.

– Não sei.

Aldo resolveu falar uma coisa que estava pensando desde que saíram do cemitério.

– Se quiser, pode ficar lá em casa. Podemos dividir o apartamento, é pequeno, mas a gente dá um jeito.

– Como amigos, é claro!

– Sim, não estou pensando de outra forma. Cada um com seu espaço…

– Acha vai dar certo? Bom, pelo menos por alguns dias?

Aldo ia responder, quando o som de uma sirene chamou sua atenção. Dois carros de bombeiros passaram pela avenida e pararam logo adiante. Algumas pessoas correram para o local. Arno ergueu-se do banco. Um rolo de fumaça escura subia para o céu. O incêndio era no prédio onde ele morava.

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Os bombeiros levaram pouco tempo para apagar o incêndio no apartamento de Aldo. Desolado, com o apartamento destruído, ele voltou ao banco da praça.

– Perdi tudo! – Disse ele tristemente.

– Não se desespere.- Pediu Alice. – Você pode recomeçar tudo de novo!

– Como, se estou sem trabalho?

– Eu vou te ajudar. Você não me convidou para morarmos juntos? Eu aceito!

– Verdade?

– Claro! Com certeza vamos arranjar um emprego. Vamos dividir as despesas.

Aldo segurou as mãos dela.

– O que vamos fazer agora? Você tem alguma ideia onde podemos passar a noite? No meu apartamento não dá…

Alice fez um gesto vago.

– Talvez andando por aí.

– Que ideia!

– Vamos deixar para pensar nos problemas amanhã. Agora o que eu quero é ver o que há depois daquela rua.

– Tem certeza?

– Sim.

– Então vamos!

De mãos dadas, eles atravessaram a avenida e seguiram pela rua sem saída. Uma rua sem calçamento que terminava num capão de mato. Passando pela vegetação, encontraram uma trilha que descia um declive até um lago cercado por ciprestes. Um regato descia de uma encosta por entre rochas, formando uma pequena cachoeira.

– Que lugar lindo! – Exclamou Alice. Eles sentaram-se num banco de pedra à sombra de uma árvore

– Nunca imaginei que pudesse ter um lugar assim tão perto do centro da cidade! – Disse Aldo.

– Parece outro mundo.- Respondeu a jovem, encostando a cabeça no ombro dele e ele colocou um braço sobre os ombros dela.

– A gente se conheceu numa circunstância pouco comum…

– Era para acontecer. -Respondeu Alice. – Nossa vida é atribulada, cheia de problemas. Quase no mesmo instante tivemos a mesma ideia de subir naquele terraço para meditar. Você era um barco sem rumo e eu uma ilha cercada de solidão por todos os lados. Estávamos perdidos e agora juntos, podemos ver a vida de um modo diferente.

Alice calou-se e os dois permaneceram em silencio, até que Aldo perguntou:

– Em que pensa?

Olhando para o horizonte, ela respondeu:

– O que será que há atrás daquela colina? …

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26 comentários em “Depois do fim da rua (Antonio Stegues Batista)

  1. Leonardo Jardim
    5 de novembro de 2015

    Depois do fim da rua (Conde de Monte Cristo) – Primeira Parte

    📜 Trama: não chega a encerrar, conta uma parte da vida da Alice, mas não conclui a história de forma satisfatória. Talvez resolva isso na segunda parte.

    📝 Técnica: é boa, mas um pouco imatura. Possui alguns erros e é muito descritiva. Os personagens, por exemplo, são apresentados em detalhes de uma só vez, mesmo não sendo muito importantes. Prefira apresentar os personagens aos poucos e foque nas características que são mais válidas e apenas daqueles que serão importantes. Não precisa nomear todos.

    🎯 Tema: está adequado ao tema.

    💡 Criatividade: fiquei o tempo todo com a impressão que já tinha lido essa história em outro lugar. Acho que é porque é um mote comum.

    🎭 Emoção/Impacto: o texto não me comoveu, talvez pela forma muito explicada que as coisas foram contadas.

    • Leonardo Jardim
      5 de novembro de 2015

      Depois do fim da rua (Conde de Monte Cristo) – Segunda Parte

      📜 Trama: a história contada é bonita e a mensagem também, mas a forma é que é o problema. Aquele nível de detalhe desnecessário que citei na primeira fase continuou aqui. Em um conto, precisamos focar no que é importante. Personagens abordados em detalhes devem ter importância para a trama (o grupo de moradores de rua, por exemplo, foram apresentados e nomeados, mas não apareceram mais). Na segunda parte, a cena em que eles comem foi narrada, mas acrescentou muito pouco e poderia ter sido resumida. Enfim, trabalhe melhor o foco da narrativa. Além disso, o incêndio no apartamento do homem ficou muito deus ex, aconteceu apenas porque o autor queria. Se ele tivesse esquecido o fogo ligado, por exemplo, para ir atrás dela, teria uma justificativa melhor.

      📝 Técnica: citei acima o principal problema. Existem outros menos graves, que um pouquinho mais de atenção na revisão resolveria.

      🔧 Gancho/Conexão: gostei da ligação entre as duas partes, introduzido um novo personagem, mas na verdade é uma história dividida em duas partes.

      🎭 Emoção/Impacto: a mensagem final é bonita, mas o meio ficou meio arrastado.

      PS.: parabéns por enviar a continuação mesmo não tendo se classificado. Mostrou um invejável espírito esportivo. Por isso mesmo fiz questão de comentar da mesma forma que os demais. 🙂

  2. Gustavo Aquino dos Reis
    5 de novembro de 2015

    Autor(a), são pessoas como você que merecem os maiores feitos da literatura.

    Perseverança acima de tudo.

    Muitas vezes nós, como autores, nos sentimos frustrados e desmotivados. Eu faço parte desse seleto grupo. Porém, ver pessoas como você, mestre Conde de Monte Cristo, nos injeta renovado ânimo para continuarmos o árduo caminho literário.

    Obrigado por isso!.

  3. catarinacunha2015
    3 de novembro de 2015

    A continuação foi melhor. Os personagens estão competindo pelo troféu dos mais azarados deste desafio. Kkkk. Senti falta de intensidade na reação dos personagens diante de tão poucas opções; isso é importantíssimo na trama. A ideia final de continuar buscando algo ficou legal e, depois de uma revisão, vale continuar a aventura. Por exemplo: Aldo vira Arno em algum momento e tem muita gordura para cortar: “Olhando para o horizonte, ela respondeu:” Sugestão cortando o colesterol: “Olhando o horizonte respondeu:”. O “para” é gordura trans e o “ela” é glicose, já que só ela mesma poderia responder. Valorize mais o que você tem de bom: o drama e foque a estrutura. Espero ter ajudado.

  4. Claudia Roberta Angst
    30 de outubro de 2015

    Não tinha lido o seu conto ainda. Nem uma palavrinha. Portanto, agora fiz a leitura total da sua criação. Fiquei pensando se a escolha do nome dos personagens foi proposital.
    Não sei porque mas o começo me fez pensar no Harry Potter. Talvez porque a mocinha morava no porão e era humilhada pela tia e primos. Não sei.
    Mais um conto com a vibe “cortando os pulsos na beira do abismo”, mas com final mais otimista e até poético.
    Gostei muito do título e da sua reafirmação no final do conto. Fiquei curiosa para saber se os dois iriam se aventurar para descobrir o que havia atrás daquela colina.
    O tom do conto é quase inocente, delicado e meio “sessão da tarde”. O que não é ruim, pois distrai e torna a leitura agradável.
    Não encontrei erros que saltassem aos olhos.
    Parabéns por ter escrito e postado a segunda parte.Bom trabalho!

  5. Brian Oliveira Lancaster
    30 de outubro de 2015

    Parabéns pela continuação. Minha opinião se mantém, mas queria acrescentar uma crítica construtiva: a segunda parte está muito diferente da primeira, com eventos e passagens rápidos demais. Precisa dar um fôlego ao leitor, para a mente acompanhe o desenrolar. Depois de revisar, sempre faça a pergunta “está coerente?” Ou seja, faz sentido como um todo? Demorei muito para aprender isso e faz toda a diferença no final. No mais, a profusão de sentimentos está bem presente, basta lapidar um pouquinho mais.

  6. Rogério Germani
    21 de outubro de 2015

    Olá, Conde de Monte Cristo!

    Sua trama ficou bonita, retrato de uma Cinderela que conseguiu escapar das garras de seus opressores. Talvez o que não cativou os outros leitores tenha sido o fato de todo o texto ficar apenas descritivo. Faltou o autor arriscar-se mais em metáforas, dar mais vida aos personagens e cenários. Como o conto está, temos a impressão de observarmos uma fotografia; é a realidade, mas é algo frio.
    Outra dica:

    “– Teu marido te expulsou de casa? Perguntou, indicando a sacola com roupas.”

    Nas frases em que há diálogos, duas regras devem ser mantidas. Após a fala, sempre usar travessão e, na sequência, se não for usado um substantivo próprio, iniciar a frase com letra minúscula.
    Veja como fica a frase retirada do seu texto:

    “– Teu marido te expulsou de casa? – perguntou, indicando a sacola com roupas.”

    Parabéns pelo conto e por postar a continuação do mesmo!

  7. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá.

    Texto bem escrito, dinâmico, flui muito bem. Gostei do conto e espero ver uma continuação.

    Boa sorte

  8. Gustavo Aquino dos Reis
    30 de setembro de 2015

    Conto de tiro curto. Infelizmente, achei a história sem sal. Porém, numa segunda etapa, a história possa ser expandida e ganhar uma narrativa melhor elaborada. Gostei muito do personagem Laerte, embora tenha uma presença uma participação tácita.

    Parabéns.

  9. Lucas Rezende
    29 de setembro de 2015

    Olá,
    Um conto bem simples, rápido e gostoso de ler.
    Gostei dos personagens, foram abordados rapidamente, porém, todos têm suas histórias próprias. Laerte roubou o conto na minha opinião.
    Não tenho muito mais o que falar, o final claramente encaminha para o desfecho da trama de Alice. Não tem nada de errado com a história, mas não é algo excepcional. Parabéns.
    Boa sorte!

    Nota: 7

  10. catarinacunha2015
    29 de setembro de 2015

    O TÍTULO sugere esperança e continuidade (2/2), o que fortalece o TEMA (2/2). O FLUXO é lento e o estilo me entediou um pouco (1/2). A TRAMA remete a uma novela e tem o seu valor pelo apelo emocional (1/2). O FINAL morninho não cativou, mas deixou um gancho necessário (1/2) – 7

  11. Thata Pereira
    28 de setembro de 2015

    Eu adorei esse conto. Já me apaixonei logo pelo nome. Ele termina com um corte muito brusco, mas a forma como casa com o título forma um casamento muito bonito. Quero continuação!! O que encontraremos depois das rua?

    Boa sorte!!

  12. Bia Machado (@euBiaMachado)
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 1-2 – Apesar da situação triste de Alice, não consegui me envolver. Fiz vários questionamentos durante a leitura e acabei não me envolvendo mesmo…

    Enredo: 1-2 – Achei interessante, mas com algumas ressalvas: esse negócio de Alice sair da casa do tio, desse jeito, se ela confiava no tio, por que não pediu a ajuda dele para arrumar emprego em outra cidade? E como roubam o dinheiro da moça, deixando a carteira? Eu, quando fui roubada no ônibus, foi com carteira e tudo, rs… Como alguém tiraria dinheiro de dentro da carteira dela, sem que ela visse? E quando ela diz que vai procurar um albergue, não seria mais fácil pedir que eles indicassem pra ela, já que deveriam conhecer algum, ao menos conheciam melhor a cidade do que ela, né? Sobre o final, ele pede uma continuação, isso me incomodou. Houve o gancho, mas também houve a incompletude, o que me deixou uma sensação estranha…

    Construção das personagens: 1-2 – Achei meio rasas. Poderia ter sido melhor. Os diálogos meio forçados, no finalzinho melhorou um pouco.

    Criatividade: 1-2 – Foi bem elaborado, mas poderia ter sido melhor. Comparei muito Alice a Pimpa, protagonista do “Sozinha no Mundo”, do Marcos Rey, não sei por que.

    Adequação ao tema proposto: 1-1 – Está adequado ao tema, sim, mostrando a vida das pessoas que estão na rua. A imagem, pra mim, é que não ficou adequada ao conto, a não ser que tenha relação com a continuação, rs.

    Gramática: 1-1 – Algumas coisinhas bobas, com relação a pontuação.

    Trecho destacado: “– Soprai ventos! Rugi furacões! Do espaço profundo, lança teu hálito de fogo. Sopra com furor e arranca do meu coração este sentimento. Rasga estas carnes de inútil vida!”

  13. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    Falar da miséria humana é sempre perigoso, pois é fácil resvalar nas próprias palavras e descambar para o caricato. Embora isso não aconteça aqui, o fato é que a história apenas arranha a superfície de um tema que tem tudo para ser instigante sob o ponto de vista filosófico. Em “O Advogado”, John Grisham fornece uma pista sobre como ambientar esse tipo de narrativa, mas é Paul Theroux, em seus diários de viagem ao continente africano, que ensina como tornar os personagens interessantes, vivos e verdadeiros, no sentido de atrair a simpatia, a angústia, o remorso e até mesmo o ódio do leitor.
    É exatamente neste ponto que este texto peca. A ideia é ótima: a garota que, sem opções, vê-se acolhida por moradores de rua. O problema é que os demais personagens foram inseridos e descritos de modo bastante raso, culpa, talvez, do limite de duas mil palavras para esta fase. Nessa linha, não aceitei bem o fato de Alice não buscar a ajuda do tio no momento em que se viu sem dinheiro, ainda mais considerando o afeto que ele evidentemente nutria por ela. De todo modo, é possível perceber que o autor domina a arte de contar histórias e que, caso este conto passe à fase seguinte, tem tudo para tornar o enredo mais interessante.
    Nota: 7

  14. Anorkinda Neide
    24 de setembro de 2015

    Olá!
    Um conto de fadas urbano… em Porto Alegre,acertei? rsrsrs
    Ah.. quero a continuação para que a Cinderela encontre seu príncipe. 🙂
    Gostei dos personagens moradores de rua, são mais interessantes inclusive do que Alice. Gostariam que eles voltassem tb na continuação!
    O ator então, é cativante.
    Achei ruim tu repetires duas vezes ‘ganhou as ruas’, essa expressão não é legal, usei uma vez num conto mas foi num contexto de humor.
    Achei tb que não precisa Alice repetir dua história de vida para o leitor, pq quando ela conta sua história para Morgana, nós leitores, já sabíamos de tudo aquilo edeu chance para caíres em uma incoerência: ela disse que o tio a defendia dos maus-tratos, qd que no início do texto diz-se que ele não percebia nada.
    Mas é só isso mesmo, tua história e bem bacana, os personagens muito ricos estão ae para serem explorados… hehehe
    Boa sorte, um abraço de quebra-costela, tchê!

  15. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    Ainda não decidi se gostei ou não do conto, rs.

    Por um lado, a leitura foi agradável, os personagens interessantes, os diálogos extremamente bem feitos, tanto que despertaram minha curiosidade. Por outro, achei a concatenação de fatos um pouco confusa (fiquei tão perdido quanto Alice) e pesquei algumas referências (Capitão Nemo, a própria Alice) com a sensação que eu estava deixando passar alguma coisa.

    De feedback, aponto o perigo de uma personagem muito passiva aos fatos, como foi Alice no começo da história. A sensação de um leitor quando o personagem faz tudo que o narrador fala sem esboçar reação alguma não é legal. Sugiro que trabalhe isto.

    Minha nota vai ser 7 no final das contas. Eu poderia até abaixá-la por ter ficado em cima do muro quanto aos aspectos gerais do conto, mas lhe darei um crédito para corrigir na segunda parte a desconexão que tanto me incomodou na primeira.

    Um abraço!

  16. Tiago Volpato
    23 de setembro de 2015

    Ideia interessante. Você sabe construir a história, conduzir o texto na narrativa proposta. Eu não gostei muito do texto, achei um pouco parado demais, mas acredito que o texto vai agradar. Você escreve bem, faltou também um gancho pra empolgar as pessoas para o próximo.
    Abraços.

  17. Felipe Moreira
    23 de setembro de 2015

    É bom, mas não sei se me senti interessado em ler uma continuação. Digo isso porque vejo um equilíbrio enorme no desafio e mesmo satisfeito com a leitura deste envolvendo Alice, acabei ficando um pouco dividido.

  18. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    Um conto que não se ateve muito ao tema cotidiano. Apesar de bem escrito e sem erros, não conseguiu me despertar a emoção que o autor pretendia. Também não me agradou o desfecho em aberto.

  19. Fabio D'Oliveira
    22 de setembro de 2015

    ☬ Depois do fim da rua
    ☫ Conde de Monte Cristo

    ஒ Físico: O autor escreve bem, certamente. Os maiores problemas são: o texto não está lapidado ao máximo e os diálogos estão ruins. A falta de lapidação deixa a leitura um pouco travada. Depois de terminar de escrever, oriento que deixe um tempo passar, para assim trabalhar em cima da lapidação. Assim, vemos coisas que antes eram invisíveis aos nossos olhos. Sobre os diálogos, peço que forme a personalidade dos personagens em mente e assim imagine como eles falariam, com suas manias e etc. Você fez isso com Laerte, um pouco. Continue escrevendo, Conde, e desenvolve sua habilidade e seu estilo de escrita!

    ண Intelecto: A estória tem potencial, mas não é original. O conflito proposto pelo autor já está muito desgastado. Além disso, a protagonista é muito sem graça. Não tem uma personalidade definida e forte, como seria o lógico na situação. Oras, ela parece ser muito fraca. Então como teve coragem de sair de casa dessa forma? E por que não retornou após a perda do dinheiro? Não é coerente.

    ஜ Alma: Infelizmente, não acredito que se encaixe no tema do desafio. O cotidiano deveria ser expresso. O foco do conto é a fuga da menina, que é, por si mesma, uma quebra da rotina dela. Porém, o conto tem um gancho interessante e conflitos não resolvidos. O final poderia ter ficado um pouco mais fechado. Além disso, vi potencial no escritor. Continue escrevendo!

    ௰ Egocentrismo: Olha, gostei da leitura, mas não vou mentir: não apreciei o texto em geral. Os personagens fracos e o final impediram que aquela chama, nomeada admiração, nascesse no meu peito.

    Ω Final: O autor escreve bem, mas precisa melhorar suas habilidades em dois quesitos: lapidação e diálogo. O enredo não impressiona com seus personagens fracos, mas tem um bom gancho. Não se encaixa no tema do desafio.

  20. Maurem Kayna
    21 de setembro de 2015

    Puxa, fiquei querendo saber mais dessas pessoas e mesmo do futuro possivelmente áspero de Alice. A narrativa prende, mas termina tão bruscamente… ah sim…mas tem a etapa 2 do desafio… buenas, então quero encontrá-los por lá novamente. 😉

  21. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2015

    Uma ótima releitura da conhecida história de Alice, com estilo do filme “Os Miseráveis”. Precisa de algumas revisões, pequenas, mas não chegam a atrapalhar. O enredo consegue prender. É leve e ao mesmo tempo carregado de drama.

  22. Fabio Baptista
    16 de setembro de 2015

    Não gostei.

    Pensei que seria algo estilo conto de fadas e já estava torcendo o nariz… depois descambou para essa conversa com os mendigos, que não levou a lugar algum. Não teve trama… apenas um dia na vida da menina que fugiu de casa, e nada mais. Foi pouco.

    A escrita está OK na gramática, mas não me encheu os olhos. Faltou profundidade aos personagens, para que as “vozes” pudessem se destacar, pois, do jeito que está, todas soaram iguais.

    – Alice seguiu rápida
    >>> rápido

    – Secou as lagrimas
    >>> lágrimas

    – Não. Meu tio sempre me defendeu dos maus tratos.
    >>> No começo foi falado que o tio não presenciava os maus tratos

    NOTA: 6

  23. Rubem Cabral
    15 de setembro de 2015

    Olá, Conde de Monte Cristo.

    Achei o conto mediano: a narração tem muito “contar” e pouco “mostrar” e os diálogos estão muito certinhos, com pouca “cara” de conversas reais.

    Os personagens, porém, estão interessantes, em especial o mendigo louco que recita textos. Os nomes dos personagens parecem indicar referências a livros, feito Nemo, Morgana, Alice, porém não consegui fechar alguma conclusão quanto a estes.

    Enredo: 3 (0-6)
    Escrita: 3 (0-4)

    Abraços.

  24. Ruh Dias
    13 de setembro de 2015

    Bem escrito, bom desenvolvimento do enredo e sensível sem ser piegas. Gostei. Parece o primeiro capítulo de um livro.

  25. Rogério Germani
    13 de setembro de 2015

    Olá, Conde de Monte Cristo!

    Apesar de utilizar de um estilo apropriado, sem muito rebuscamento e erros crassos que escapassem numa revisão minuciosa, esperava algo mais da trama. A triste realidade dos moradores de rua que se unem nas ruínas de uma antiga indústria é interessante, mas, sem nenhum atrativo além da união dos excluídos da sociedade, a trama torna-se lugar-comum; acaba, por fim, tirando a curiosidade do leitor já habituado a presenciar diversos casos semelhantes nas grandes cidades.
    Pode ser que você tenha preparado uma reviravolta mirabolante para a continuação do conto na próxima fase…

    Nota 5

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Informação

Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Meireles e marcado .