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Literatura que desafia.

Um pouco sobre a fé – Crônica (Catarina Cunha)

Vaca da fé

Sou uma mulher de família, sensível e agnóstica por definição. Falo assim, aos poucos, para não assustar o leitor na primeira linha. Na verdade sou uma mulher sem religião, coisa que minha mãe nunca acreditou e sempre me viu como uma verdadeira cristã. Mas o olhar das mães sobre os filhos é tão insuspeito quanto inconfiável.

Ser agnóstica para mim não foi uma escolha, foi uma consequência natural de um raciocínio lógico. Nunca levantei a bandeira do ateísmo, porque não nego a existência de Deus, eu ignoro sua existência, não faz diferença na minha vida. Simples assim. Esta posição tem uma consequência: um profundo respeito pelo ser humano, os animais e este planeta. Acredito que só tenho esta vida de mamífera para viver, meus atos e palavras terão efeitos imediatos, sem milhagens celestes ou infernais.   Exatamente por isso admiro profundamente quem tem fé em Deus, invejo até, quem cultiva tão singela virtude. Quem a tem vence obstáculo mais rápido, resolve quebra-cabeças sem consultar o fundo da caixa, não precisa gastar rios de dinheiro com terapia e, se perder as chaves basta três pulinhos e uma prece rápida para São Longuinho e está tudo resolvido. Quem tem fé tem o dom de se perdoar, logo se dá ao direito de errar mais.

Não é tão simples assim. A fé é mais complexa do que sua ausência. A fé exige mais comprometimento consigo mesmo e com seus valores. Ao menos deveria ser assim.  Partindo deste princípio e conhecendo muita gente de fé que honra sua crença com sabedoria e bondade, fico aqui cutucando meus neurônios sem encontrar resposta para a seguinte questão: Por que a humanidade insiste em fazer da religião seu maior instrumento de maldade, traindo a própria fé despudoradamente? Por que não podemos viver em paz sem impor nossos dogmas aos demais? Por que eu não posso ser sua amiga?

Lembrem-se, ainda somos apenas mamíferos.

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9 comentários em “Um pouco sobre a fé – Crônica (Catarina Cunha)

  1. monica barbosa
    20 de dezembro de 2015

    TENHO ++++++++++ FÉ , SOU CATÓLICA E KARDECISTA POR AFINIDADE + LEIO E VOU A IGREJA EVANGELICA E RESPEITO PROFUNDAMENTE OS ORIXAS ETC….. DESDE Q/ SEJA GENTE DO BEM PARA O BEM , Ñ ENCONTRO PROBLEMA , TENHO UM PERFIL AONDE TENHO AMIGOS DO BEM !!!!!!! Ñ CODIGOS DE BARRAS, PARA SEREM INDENTIFICADOS , QUALIFICADOS ,SÃO SERES HUMANOS COMO EU, VC , AS DIFERENÇAS E Q/ FAZ A UNIÃO , Q/ QUEBRA O SILÊNCIO , O ISOLAMENTO DAS IDEIAS , DEUS E ÚNICO , COMO O SOL Q/ NOS ILUMINA , OU A LUA Q/ BRILHA NO CÉU A NOITE OU A ÁGUA Q/ TIRA A NOSSA SEDE Ñ IMPORTA DE SERÁ SERVIDA EM TAÇA DE CRISTAL OU COPO DE PLÁSTICO OU DIRETA NAS MÃOS FEITO CONCHINHAS KKKKKK SE E PIERRE OU DE BIGA ! OBS: A FÉ HJ CIENTIFICAMENTE E EFICAZ EM MUITOS TRATAMENTOS DE CURA , QUANDO A CIÊNCIA CONSEQUE PROVAR ALGO JÁ Ñ E +MISTICO ,MAGICO E RACIONAL ! O Q/ RETIRA O FANATISMO , AS LOUCURAS OS EXCESSOS EM NOME DE DEUS , DEUS E UNIÃO E AMOR E PAZ E TUDO DE BOM , + A FÉ Q/ CURA Ñ APAGA OS ERROS E NEM LIBERA PARA SE COMETER NOVOS ERROS PELO CONTRÁRIO ENSINA A SER RESPONSAVEL POR SEUS ATOS , A TER + NOÇÃO DA GRAVIDADE DO Q/ SE FOI COMETIDO E SE ATINGIU OUTRAS PESSOAS , ELA COBRA UMA POSTURA MUITO + COMPROMETIDA COM O CORRETO COM O BEM ! SUA MÃE TINHA RAZÃO VC TEM FÉ E Ñ SABE #AINDA# KKKKKKKKK SAUDE E PAZ !

  2. Gustavo Castro Araujo
    7 de setembro de 2015

    Jamais alguém disse tanto com tão poucas linhas. Menina, você me representa, haha

    Quanto às suas indagações, penso que está na essência de cada religião negar as demais e negar, principalmente, quem não tem religião alguma, além de proscrever quem se diz ateu.

    Sim, somos mamíferos como você diz — se bem que eu preferiria ser chamado de primata, invocando o velho Darwin — uma simbologia simples, óbvia, que deveria nos unir, mas que jamais será aceita por religião alguma.

    Toda e qualquer crença parte do pressuposto de que somos “especiais”, diferentes, escolhidos, e por aí vai. Colocar todo ser humano na mesma tigela dos demais bichos é negar isso, algo inadmissível.

    Poderia me estender por linhas e linhas aqui, mas acho que ficaria repetitivo e chato. Portanto, só vou dizer que é ótimo deparar com um texto reflexivo, bem humorado e que traduz exatamente o que eu penso sobre o assunto.

  3. Rubem Cabral
    7 de setembro de 2015

    Bem bacana a crônica, Catarina.

    Veja, eu já conheci gente de muita fé e absolutamente tolerante aos não-crentes ou crentes de outras religiões.

    Por exemplo, eu tinha uma tia-avó que era freira e que deveria ser uma carola chata, mas adorava conversar e permitia (eu era adolescente à época) que eu perguntasse por qualquer assunto: evolução, “furos” da bíblia, etc. Aprendi, inclusive, a jogar cartas e fazer alguns truques de mágica com ela. O padre da paróquia onde fiz a primeira comunhão era também um ótimo padre: humilde (só tinha uma bicicleta), fervoroso, mas cheio de humor e alegria. Nunca recusou comunhão a ninguém, nunca o vi criticando essa ou aquela religião.

    Por outro lado, infelizmente conheci muito mais gente que se diz religiosa talvez tão-somente para se sentir superior aos demais. Tais pessoas vestem-se com mantos sagrados de ignorância e saem julgando todos os não alinhados. Esses religiosos e suas religiões convencem-me a cada dia que estou certo em não ter religião ou fé.

    Não acho, portando, que religiões sejam necessariamente ruins ou boas, acho, em verdade, que o que importa, no fim das contas é o indivíduo. Existem pessoas com distorções morais ou de personalidade que se sentem “enpowered” por suas crenças. Elas vão ser salvas e outros outros vão arder para sempre, elas têm explicações para tudo. Via de regra, são muito ignorantes e avessas a qualquer linha de raciocínio lógico. Há também a complicada questão do “panis et circenses” de algumas seitas, com seus exorcismos de lorota e curas divinas pré-pagas, mas esse é um fator que afeta mais aos mais simples e impressionáveis.

    Em linhas gerais, quanto maior o desenvolvimento humano, o acesso à cultura, menor é o percentual de religiosos e intolerantes.

    As respostas às suas perguntas são: porque somos imperfeitos, porque muitos de nós, quando colocados em posição de vantagem, exercerão a vantagem a ferro e fogo e tornar-se-ão cegos pelo poder. Vide experimentos sociais como “Human Zoo”, “A Terceira Onda“, o experimento de Stanford
    ou filmes como “Dogville” e “A Onda”.

    Abraços.

  4. Fabio Baptista
    6 de setembro de 2015

    Boa crônica, Cat!

    Deus no comando! 😀

  5. Fabio D'Oliveira
    6 de setembro de 2015

    Que crônica bonita, Catarina!

    A fé é complexa, tão complexa, que muitos se perdem na busca por ela. Ela é mais do que acreditar cegamente em algo. É parecido com um sentimento, mas não é. É uma intuição, algo que sentimos no nosso âmago.

    Eu posso falar que tenho fé. Mas é impossível descrevê-lo. É como o amor. É necessário senti-lo para saber o que é.

    E acredite…As coisas não são mais fáceis para quem tem fé de verdade. Na realidade, tornam-se mais difíceis, pois acabamos trilhando caminhos ocultos atrás de respostas para algumas perguntas que surgem depois do nascimento da fé.

    É um longo caminho até a simplicidade. Muito longo…

    Parabéns pela reflexão!

  6. Simone Aragão
    6 de setembro de 2015

    Eu acredito em Deus como uma expressão da Natureza. Acredito no amor e se amor for Deus, então ele está dentro de mim. Gostei muito de sua crônica.

  7. Eduardo Selga
    5 de setembro de 2015

    Deus não existe.

    Deus existe.

    Se não ou sim, é algo que não deveria fazer nenhuma diferença em nossa postura cotidiana em qualquer nível, porque a vida não circula em função do divino, ainda que ela exista. Se a divindade existir, trata-se de uma energia que circula no universo, mas não tem caráter normativo: apenas permite a existência da vida, ao dar as condições para a existência dos elementos da matéria. Deus, se existe, não está preocupado se somos ou não bons meninos.E é por isso, por saber da indiferença divina, que organizações religiosas em várias partes do mundo, pregam a violência.

    As forças que atuam diretamente no cotidiano são outras, de ordem bem diversa do divino. E são muitas delas que estimulam o exercício da religiosidade como instrumento maniqueísta, ou seja, quem está do meu lado vai para o Céu, enquanto os outros, é claro, já têm comprada a passagem para o Inferno.

    Ora, essa falsa briga, essa falsa antítese encobre os que fazem da Terra o verdadeiro inferno.

    Mas há que se ressaltar que não é em todo o mundo que a religião é usada desse modo. Esse procedimento refere-se muito mais a algumas religiões ocidentais e algumas do Oriente Médio. Há posturas religiosas em outras partes do mundo, muitas delas no Oriente, que fazem o inverso.

    O mal da humanidade não é o homem, e sim como o homem é usado por uma parcela da humanidade.

  8. Claudia Roberta Angst
    5 de setembro de 2015

    Gostei muito da sua crônica, Catarina. Principalmente da finalização – a conclusão de que somos apenas mamíferos. Para que complicar demais a vida? Respeitar os limites e crenças dos demais deveria ser o mínimo de educação exigido.

  9. Leonardo Jardim
    5 de setembro de 2015

    Boa, Cat. É por aí mesmo. O que mais me irrita em alguns religiosos é o desrespeito àcom a fé alheia. Cada um acredita no que quiser ou em nada, se assim também desejar.

    Só tenho uma certeza: matar aquele que pensa diferente de você não é a melhor forma de agradar a um deus. Acredite em um ou não.

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Publicado às 5 de setembro de 2015 por em Crônicas e marcado .