EntreContos

Literatura que desafia.

Prostituição – Artigo (Gustavo Araujo)

confidencias

Não trago boas notícias. Pelo menos não assim, à primeira vista. Refiro-me a você, que escreveu um livro recentemente, mas que não possui amigos influentes ou uma boa soma em dinheiro para divulgar a sua obra.

Repare que isso não tem muito a ver com a qualidade da sua escrita. Bons ou ruins, o que se vê é uma quantidade enorme de livros publicados todos os meses. Mesmo aqueles que conseguem publicar por grandes editoras – e que caem na ilusão de uma fama efêmera e pasteurizada – não terão garantida muita propaganda. A não ser, claro, que decidam tirar recursos do próprio bolso.

Sabemos que grandes editoras não estão preocupadas com a qualidade do que se escreve, mas com o potencial de venda da obra. Por isso, se escrita por alguém famoso, tanto melhor, pouco importando o conteúdo. Isso é fato notório. Todo mundo que escreve tem plena noção disso. Editoras grandes, assim como livrarias grandes, funcionam como empresas, visando lucro. Não há espaço para quem não é conhecido. Ponto.

O problema é que esse sistema acabou contaminando quem realmente poderia ajudar o escritor independente, ou aquele que publica por uma editora pequena. Falo dos blogues literários, tanto os tradicionais, hospedados no blogger, no wordpress ou congêneres, como dos v-logs que se multiplicam no YouTube.

Sabendo do poder de sedução dos blogueiros e vlogueiros, as grandes editoras estabeleceram parcerias com os mais populares. Mandam-lhes livros em troca de resenhas. Livros, claro, delas próprias.  O resultado é que esses canais de comunicação acabam falando somente dos blockbusters literários – normalmente livros rasos e bobocas dedicados a adolescentes idem.

A você, autor novo, que tem a coragem de escrever sobre algo diferente e que procura seu espaço de divulgação, digo que 90% dos blogues e vlogs mais acessados do Brasil jamais lhe abrirão as portas.

Falo por experiência própria.

A primeira tiragem do “Pretérito Imperfeito” foi consumida por amigos, parentes e pelo pessoal que me conhece do Entre Contos. Foram poucos os desconhecidos que adquiriram a obra “de ouvir falar”. Por conta disso, saí à cata de oportunidades. Mandei e-mails, mensagens pelo fb, cartas, sinais de fumaça e tambores a diversos blogueiros e vlogueiros. Com alguns eu tinha certo contato, com outros, não.

Os que me responderam – sim, porque a maioria nem se dignou a isso – exigiram uma contraprestação financeira para falar do meu livro, que iam de R$ 200 a R$ 600,00. É a “prática do mercado”, alguém diria, mas eu achei o fim da picada, algo como um convite à prostituição: pague bem que eu falo (bem) do seu livro. Mais ou menos assim. Naturalmente esse pessoal não cobra de autores de livros famosos e no entanto valem-se da fama alheia para conseguir audiência. O mínimo que poderiam fazer seria dedicar certo espaço a autores nacionais, de pequenas editoras e independentes. Assim é que estariam prestando um favor à literatura nacional e não agindo como lugares-tenentes de quem só está atrás de dinheiro.

Ah, mas não parou por aí. Volto a falar de minha própria experiência. O relativo sucesso do Entre Contos no submundo literário fez com que um e outro jornalista chegassem até mim e, surpreendentemente, solicitassem entrevistas. Ótimo, fiz isso sabendo que seria bom para divulgar o site e meus livros.

Talvez por isso uma agência literária de renome nacional tenha me contatado. Após elogiarem o trabalho do Entre Contos e tal, sugeriram uma parceria comigo, autor. Divulgariam meus livros, sobretudo o “Pretérito Imperfeito”, em mídias impressas de âmbito nacional. Conseguiriam resenhas nos maiores jornais do país – Folha de S. Paulo e O Globo, para citar alguns – e, de quebra, me incluiriam no roteiro de feiras literárias Brasil afora. De repente, até mesmo uma entrevista no Jô. Para reforçar a credibilidade da proposta, me indicaram seu site e, principalmente, os autores que já figuravam como clientes. De fato, havia muita gente conhecida por lá – escritores que a gente vê, volta e meia, dando entrevistas aqui e ali, cujos livros, mesmo horríveis, são resenhados e analisados amiúde por críticos que se dizem sérios. E claro, por blogues e vlogs de aluguel.

Naturalmente, tudo isso tinha um preço. Digo aqui sem nenhum pudor: R$ 7.500,00 – sete mil e quinhentos reais, uma pechincha, “special price for you”, por três meses de parceria. Eis o que separa o autor “famoso” daquele que se esforça para escrever algo decente e que dificilmente ultrapassará seu círculo de amigos.

Detalhe interessantíssimo: a agência que me fez a proposta sequer leu o meu livro. Ou seja, acenaram com um mar de possibilidades que em tese me trariam certo reconhecimento – desde que eu estivesse disposto a pagar por isso – sem ter lido uma palavra do que escrevi.

Fiquei tentado a aceitar? Fiquei. Sei de amigos que toparam a ideia e que estão aí, com o nome chegando à praça. Eu poderia, então, estar “nadando de braçada”? Poderia. Mas – você pode até achar piegas o que vou dizer, pode até me achar pretensamente ingênuo – eu não achei que seria a coisa certa. É por causa desse tipo de atitude, que pode ser vista como egoísta e mercenária, mas que também pode ser vista como “a regra do jogo”, como “é-assim-que-as-coisas-funcionam”, como “ou-é-desse-jeito-ou-não-tem-jeito”, que a realidade literária brasileira é uma verdadeira piada.

Se eu me entregasse à miragem, poderia até dar uma entrevista-fake para o gordo, mas no fundo saberia que tudo foi arranjado, que nada tem a ver com a qualidade do meu livro. Cedendo, eu estaria contribuindo para a manutenção do status quo de merda em que vivemos, em que aqueles que têm grana para investir – as subcelebridades e os autores de ocasião – têm seus livros ridículos expostos nas prateleiras das grandes lojas, ostentando o selo de grandes editoras.

Preferi me recolher ao meu mundo, permanecer cercado por gente que escreve porque gosta. Se meu livro não terá a divulgação que eu acho que ele merece, então azar. O que interessa é que eu não sucumbi a esse mercantilismo retrógrado, não entreguei meu livro a um garoto-de-quinze-anos-que-considera-Percy-Jackson-o-ás-da-escrita só porque ele (o garoto) tem cinco mil visitas por dia em seu vlog. Não aceitei pagar para ter meu livro “lido” por um crítico de aluguel. É a regra do jogo? Pode até ser, mas não é a do MEU jogo.

Por isso agradeço aqueles que se dignaram a ler e resenhar meu livro por vontade própria. Sim, há blogueiros sérios, felizmente, ainda que sejam pouquíssimos.

De todo modo, prefiro me recolher ao Entre Contos. Aqui faço as resenhas de meus amigos escritores de coração, além dos livros que gosto, sem que ninguém me imponha nada. Aqui meus textos são lidos, comentados e criticados sem que eu tenha que pagar por isso. É aqui que o autor independente tem voz, é ouvido e levado a sério.

Você pode me chamar de ingênuo, idealista, o que for. Mas para mim, é essa a essência da literatura.

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42 comentários em “Prostituição – Artigo (Gustavo Araujo)

  1. Cácia Leal
    10 de setembro de 2015

    Tudo o que vc falou é verdade, meu amigo! E eita círculo fechado esse de literatura!!! E de Brasília é ainda mais!, quem dirá o nacional! Já recebi propostas indecentes como essa, e uma de 18 mil!!!!… Mas meu livro teria um alcance nacional, seria vendido até nos mercados, bancas e quiosques!!!… kkkk… Sei lá, esse mundo literário anda muito estranho!… Não podemos nos corromper, embora a tentação seja grande!

  2. Ricardo Gnecco Falco
    9 de setembro de 2015

    Um dia (e ele há de chegar!), serão “as prostitutas” que pagarão a espaços como o EC e aos seus autores por um pouco de “amor de verdade”!

    Aguardem…
    😉

  3. Rubem Cabral
    7 de setembro de 2015

    Muito bom o artigo. Acho que todo mundo que já publicou já teve a oportunidade de sentir na pele o quanto o mercado é prostituído.
    Se você for um “medalhão”, você pode publicar um romance idiota com erros grosseiros de escrita, estilo e até enredo, mas seus livros terão destaque, estarão sempre expostos nos pontos mais nobres das livrarias e, acredite, você terá muitas críticas positivas, falando da simplicidade e do estilo despojado, sobre interpretações mirabolantes que fariam seus furos de enredo fazerem sentido, etc. O livro venderá milhares de cópias e será esquecido, mas o autor e a editora e as livrarias farão um bom dinheiro com o “projeto”.

    De qualquer forma, é triste observar que o que antes estava infiltrado somente na estrutura “física” que envolve as publicações, já vazou ao mundo dos bits e bytes, dos blogs e vlogs. Que “cabines mercenárias”, digo, acho que o nome é outro, e similares estão cobrando para resenhar e falar bem.

    Por último, não sei bem como opinar quanto ao dinheiro investido na promoção de um livro, pois pode ser encarado como um serviço profissional: propaganda, envio a contatos formadores de opinião, etc, etc. Não sei até que ponto tais serviços devam ser encarados como “vender-se”, acho que eu precisaria de mais detalhes.

    Penso, de forma parecida ao FB, que se o autor tivesse que alterar a obra para se adequar ao mercado-alvo da editora, feito eliminar calão e sexo (conservadorismo), introduzir calão e sexo (sensacionalismo e oba-oba polêmico), eliminar o personagem X ou criar um sobre um tema da moda, etc., que nesses casos, sim, o autor deva ser inflexível.

    Deixo aqui registrada minha admiração por sua inabalável honestidade e integridade, e fico na torcida que, mesmo aos poucos, as coisas comecem a mudar. O sucesso desse blog, por exemplo, que já chama a atenção, pode ser um caminho, ainda que modesto, para permitir que bons autores tenham um pouco de acesso fora da área de sombra. A existência de editoras que primam mais pela qualidade (oi, Caligo), também me permite manter a chama da esperança acesa.

    • Gustavo Castro Araujo
      7 de setembro de 2015

      Obrigado pelo comentário, Rubem. Tudo o que temos aqui nasceu com a CF, como gosto de lembrar. Temos no EC uma obrigação moral com o legado deixado por sua comunidade lá no Orkut. Não é nossa intenção nos afastar dele.

      Quanto ao vender-se, digo que não sou contra pagar para fazer propaganda — eu mesmo usei bastante o serviço de posts patrocinados do facebook para promover o “Pretérito…” O que não me desce é ter que desembolsar uma boa soma de dinheiro para que um blog-vlog popular resenhe meu livro, ainda mais quando as obras remetidas a eles, pelas grandes editoras, são analisadas de graça.

      Ah, e quanto ao “cabine mercenária”, você, mais uma vez, demonstra a sua verve inigualável em criar expressões de impacto. É exatamente isso. Bebi dessa água certa vez, confesso, mas não aceitaria fazê-lo novamente. Prefiro, como disse em resposta a alguns amigos, permanecer neste nosso mundo que, mesmo pequeno, prima pela honestidade e pelas opiniões sinceras. E sem cobrar um centavo por isso.

  4. Claudia Roberta Angst
    7 de setembro de 2015

    Sem dúvida, a tentação é grande, mas os fins justificam os meios? Boa parte do tempo, eu acho que escrevo bem e tal, mas sei que bateria uma insegurança enorme se soubesse que meu “sucesso” se deu devido a recursos pouco honestos. Talvez seja porque a esta altura do campeonato já tenha me conformado em não ser entrevistada pelo Jô. Tenho esses tais escrúpulos que me atrapalham bastante em vários setores da vida. Paciência, as regras do meu jogo são essas e não sei ser de outro jeito.
    Gostei muito do seu “desabafo”, Gustavo. E se isso for possível, admiro você ainda mais. Meninas de sorte as suas filhas. 🙂

    • Gustavo Castro Araujo
      7 de setembro de 2015

      Obrigado pelas palavras tão gentis, Claudia. Vou emoldurar seu comentário e mostrar às meninas daqui a alguns anos, quando elas chegarem à adolescência haha

  5. Fabio D'Oliveira
    6 de setembro de 2015

    Esse texto é de uma excelência e beleza imensuráveis. A verdadeira expressão de uma alma escritora. Você é um orgulho para todos da EC, Gustavo.

    As coisas, infelizmente, funcionam dessa forma. Mas isso não é motivo para tristeza. Na realidade, acredito que seja a oportunidade para experimentarmos uma coisa que muitas vezes é esquecida… O amor!

    O jeito é viver se adaptando, escrevendo por amor, vivenciando esse mundo literário em sua forma mais autêntica. E esse grupo é o maior exemplo de que nunca estaremos sozinhos. Há mais sonhadores do que se imagina. Nunca houve uma época fácil para nós. No entanto, essa é uma realidade que vale a pena ser vivida.

    No final das contas, o que importa é sermos felizes.

    • Gustavo Castro Araujo
      7 de setembro de 2015

      Você resumiu muito bem, Fabio. Quando se faz com amor, com dedicação, tudo fica melhor. Obrigado pela companhia e pela dedicação a este espaço. Eu e todos os demais autores só temos a agradecer pelo seu empenho. Valeu!

  6. Leonardo Jardim
    5 de setembro de 2015

    Nem sei oq dizer. Como tudo mundo que escreve, eu também sonho em publicar, ser lido, fazer com que minhas histórias cheguem aos mais diversos corações. Não sei como reagiria a uma “proposta indecente” dessa, mas fico feliz com a sua reação, Gustavo.

    Sonho com o dia em que conseguirmos quebrar esse paradigma. O Entre Contos é um primeiro passo importante para isso. Atualmente, dada minha vida agitada, dou mais prioridade a escrever contos para os nossos desafios que ao meu cada vez mais improvável livro.

    Abraços.

    • Leonardo Jardim
      5 de setembro de 2015

      o dia em que *conseguiremos* (comentando do celular com filho no colo :O )

    • Gustavo Castro Araujo
      6 de setembro de 2015

      Léo, estamos quebrando o paradigma. Pode acreditar. E neste momento tão singular pelo qual passa a literatura, o importante é ajudarmos uns aos outros. Ninguém é melhor do que todos nós juntos. Valeu, meu amigo!

  7. Daniel Martins (@desinformadoss)
    4 de setembro de 2015

    Gustavo, pode não ser muito, mas você conseguiu aguçar a minha curiosidade para com o seu livro.
    Simpatizo com a sua situação pois é parecida com a minha. Tenho material pronto aqui na briga por uma publicação justa.
    Perde-se a compensação monetária, mas ganha-se uma alma.
    Keep fighting!

  8. Davenir Viganon
    4 de setembro de 2015

    Eu não alimento esperança com nenhuma literatura que eu venha a produzir. E quando digo isso englobo a literatura acadêmica também (sou formado em história e tal) que tem vícios tão nojentos (apesar de diferentes) quanto o mercado da literatura de ficção.

    O caminho, a meu ver, não é sucumbir pagando para entrar neste círculo mercadológico, que como consequência nefasta tem de alimentar diretamente o sistema. Acho que com o Entre Contos já está contribuindo muito para a solução. É um espaço coletivo de criação e desenvolvimento de escritores.

    Eu não te chamaria de idealista pois tu demonstrou no teu texto pleno entendimento das condições materiais necessárias para fazer sucesso. Também está agindo diretamente, e não esperando as ideias se realizarem sozinhas como um idealista faria, para mudar isso a cada dia que mantém este sitio no ar.

    Pra mim chega a ser bisonho pagar para divulgar um livro, se eu fosse pagar para este tipo de serviço seria para me lançar como cantor sertanejo que dá dinheiro de verdade kkkk

  9. Sidney Muniz
    4 de setembro de 2015

    Aff… Perfil errado!

    Estava no WordPress, trabalhando. Desculpe.

    Bom, texto simples, no sentido de eficiente.

    Gostei muito da escrita, como de praxe.

    E essa realidade já nem me assusta mais, é triste, desanimador, mas nós somos mais fortes que isso!

    Parabéns pela escolha, não esperava nada diferente de você, Gustavo.

    Um forte abraço!

  10. administracaodtrl
    4 de setembro de 2015

    Texto simples e de uma verdade que choca.

    Que continuemos lutando para que essas coisas mudem.

    É quase impossível, mas acreditar não custa nada.

    Que nossa ingenuidade seja aquilo que nos diferencia da maioria.

  11. Piscies
    4 de setembro de 2015

    Gustavo, chorei quando li esse texto. Eu não queria e tentei me segurar, mas no final a lágrima já estava escorrendo de qualquer forma, então deixei que o choro tomasse forma.

    Isso porque eu tenho me empenhado muito em terminar o meu livro e tentar concretizar o meu sonho: viver da literatura. E nessas horas um banho de realidade desses é foda. No fundo eu sabia que era assim, mas não queria saber.

    Eu não teria essa quantia de dinheiro se hoje me oferecessem este tipo de serviço. Não tenho amigos no meio também. No fundo eu sei que o meu livro, quando terminado, não terá grandes chances de ser conhecido pelo mundo. Sei que os anos que dediquei para escrevê-lo servirão mais para meu desenvolvimento pessoal – como autor; como artista; como pessoa – do que para tocar o coração das pessoas que eu gostaria que fossem tocadas. Mas nestas horas, trato o assunto como tratamos a morte: sabemos que ela virá, não temos o que fazer a respeito, e então decidimos simplesmente não pensar no assunto.

    É o que tenho feito. Todo dia eu simplesmente sento e escrevo, sem pensar no que será do futuro do que escrevo. Mas no fim, quando paro para pensar sobre o assunto, tendo a concordar com o Fábio Batista: você pode pagar R$ 7.500,00 para ser promovido por pessoas que não dão a mínima para você e o seu trabalho, mas você estaria, na verdade, investindo este dinheiro por uma OPORTUNIDADE de mostrar ao mundo o seu trabalho.

    Costumo dizer que existem três fases na carreira de um artista: A Descoberta, a Aceitação e a Perenidade. Estes artistas de merda (em qualquer meio: literário, musical, teatral) que são promovidos pelo dinheiro e pelos contatos passam fácil pela primeira fase. São Descobertos pelo mundo por que o mundo os joga na cara da sociedade de qualquer forma. Consequentemente, a maioria deles é Aceita: por ser novo; por ser interessante; por ser modinha. Mas a terceira fase, a da Perenidade… só alcança quem é bom.

    Aceitando uma oportunidade como esta, você alcançaria a primeira fase. E daí, só cabe a você e à sua arte levá-lo até o Hall dos Eternos: aqueles que, por excelência, são lembrados por muitos anos pela qualidade das suas obras.

    Mas este sou eu falando. E, no final, tenho que concordar com você: o mundo é uma merda para quem realmente almeja a arte, e não o dinheiro e a fama. É uma selva lá fora, como já dizia Axl Rose. As vezes tudo o que nós queremos é permanecer dentro de casa, deixar as bestas do lado de fora se digladiarem, e convidar, vez por outra, algum merecedor para dentro.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Grande Piscies, por favor, não fique desanimado. Apesar de realista, o artigo que escrevi não teve a intenção de sepultar sonhos. Se você quer viver da literatura, tocar o coração de muita gente, continue acreditando que é capaz.

      O que tentei mostrar aqui — como disse na resposta ao Felipe Moreira, aí embaixo, é que talvez devêssemos repensar o que é esse tal “sonho” literário. Para mim, é ser lido pela maior quantidade de pessoas. Não tenho a intenção de viver disso, mas gosto de pensar, assim como você, que minhas palavras significaram alguma coisa para quem leu.

      Nesse sentido, digo a você que apesar de compreender as razões do Fábio, endossadas de certa forma pelo seu comentário, eu continuo acreditando firmemente que se eu tivesse aceitado a proposta, estaria colaborando para que o modus operandi do mercado se perpetuasse.

      Claro, ele vai se perpetuar independentemente do que eu fizer ou deixar de fazer, mas pelo menos não terei essa culpa na minha consciência, de que meu egoísmo — “Pronto, paguei, agora passei de fase” — ajudou a empurrar para baixo um monte de gente talentosa, mais talentosa que eu mesmo. Não acredito que o caminho tenha que ser este, mas, como disse, não quero julgar quem opta por trilhá-lo. Apenas eu não me sinto confortável fazendo isso.

      Apesar de meus escritos não chegarem a todo o público desejável, dou-me por bastante feliz por saber que muita gente os lê, deixando suas impressões, um retorno que não se vê por aí. Poderia ser melhor? Sem dúvidas, mas esse melhor, pelo que entendo da vida, deve ser buscado de maneira justa.

  12. roberto dantas
    4 de setembro de 2015

    Não acredito muito na questão capitalista. Pelo menos da forma com a qual voce menciona. Na minha opinião, as editoras preferem (claro) os livros que vendem, mas há um outro ponto que precisamos nos atentar. O lado do leitor. Quero dizer que o livro tem que interessar ao leitor e para que isso ocorra, a obra deve acrescentar algo à sua vida. Deve “gerar algo de valor em sua alma” digamos assim. rs.
    Bom, quero dizer que a editora é uma empresa e portanto visa sim o lucro, mas também tem algumas diretrizes éticas e mercadológicas ligadas à filosofia da empresa, Portanto, a não ser que a empresa esteja desesperadamente em busca de lucro, por vários motivos, ela não vai apenas editar obras de baixo valor intelectual só porque vendem mais fácil.
    A questão está no valor da obra enquanto produto intelectual, na potencial transformação que ela possa provocar no leitor e na forma como ela é exposta aos olhos do publico, para assim, este perceber o valor da obra e adquiri-la. Ou seja, estes pontos se relacionam ao marketing. Não ao marketing banal, visando o lucro à todo custo, mas ao marketing ético, verdadeiro, que nada mais é do que “expor seu produto às pessoas que possam se interessar por eles”. Este é o caminho para a reflexão, e não acredito que ficar reclamando do interesse mercadológico das editoras resolva o problema. Precisamos sim, enquanto escritores, nos preocupar com o desenvolvimento da qualidade de nossas obras e de compreender nosso publico-alvo. È isso. Pronto” falei!! rs

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Oi, Roberto,

      Acho que você é mais idealista que eu, rs

      Arrisco a dizer que 90% das editoras visam lucro e que não estão nem aí para a qualidade literária. Não estão preocupadas se o livro irá ou não “gerar algo de valor na alma do leitor”. Ética e mercado são termos antagônicos, pois não é possível acreditar que a busca pelo lucro possa ser freada por aspectos morais.

      Concordo com você quando diz que “A questão está no valor da obra enquanto produto intelectual, na potencial transformação que ela possa provocar no leitor”, mas isso, infelizmente, não é o bastante para colocar um livro numa grande loja.

      Marketing ético é outra coisa que, na minha opinião não existe. Você já pensou se todas as propagandas tivessem a obrigação se serem honestas? “Compre o Sabão em Pó XYZ, que deixa suas roupas mais brancas, mas cuidado, porque ele também vai destruir as fibras.”

      E veja, por fim, que ninguém aqui está tentando resolver o problema por meio de uma crítica. O “problema” chama-se realidade. Não é possível mudar o que já está estabelecido. Ninguém tem essa intenção. No entanto, fazemos a nossa parte aqui no EC, dando voz, estante e publicação a escritores excelentes que não têm reconhecimento. É isso o que fazemos para mitigar o circo que se tornou o nosso mercado editorial. Aqui a qualidade tem vez, não as pirotecnias.

  13. Evandro Furtado
    4 de setembro de 2015

    Vou concordar com a maioria das coisas que você disse, Gustavo. Só alguns pequeninos questionamentos. Aliás, calhou com a discussão que estávamos tendo no grupo sobre o Solano e a nova literatura fantástica, foi proposital?
    Enfim, vamos ao que interessa. Assim como você, acho ridículo que alguém tenha que pagar para que falem BEM de seu livro, no entanto, não vejo problema, por exemplo, quando se trata de anunciar em um site ou blog especializado. Afinal, é um anúncio, como todos os outros. Quando uma empresa ou um sujeito tem algo que deseja promover, ele faz uso da mídia para alcançar tal objetivo. Só acho extremamente imoral que se pague para que contem mentiras – como acontece na maioria das propagandas, é bem verdade.
    A literatura, e a arte em geral, tem um aspecto muito particular. Justamente a ideia de arte como algo absoluto, além do mercado, infelizmente impossível. Se você quiser vender seu livro hoje, ou você escreve o que querem ler, ou está fora. A mesma coisa acontece com a música e o cinema. Quem pode mudar isso? Talvez, se nas escolas déssemos um espaço maior à arte, promovendo os tipos diferentes de literatura, de música, de cinema, as pessoas seriam mais receptivas. Eu, por exemplo, leio com o maior prazer, praticamente tudo o que está aqui no EC. Pra mim é como uma escola, sinto que aprendo a cada leitura e a cada comentário. No entanto, quando vou gastar meu dinheiro com um livro, não saio do triângulo fantasia-ficção científica-ficção policial – às vezes lendo sobre a máfia ou sobre piratas. Porque é o que eu gosto, é meu tipo de literatura. Em contra-partida – e vou ser julgada e, provavelmente, condenado por proferir esta infâmia – não tenho nenhuma paciência em ficar mesmo que por cinco minutos diante de um Machado de Assis ou de um Jorge Amado. Me cansa a escrita burocrática, datada, purista.
    A análise que vejo fazerem sobre a literatura, mesmo aqui na EC, em sua maioria, perpassa por um aspecto formalista da linguagem. É sim, uma análise possível, mas é preciso lembrar que não é a única. Falo isso com certo conhecimento de causa, de quem tem dado seus primeiros passos nesse campo. Eu, por exemplo, sou um adepto da estética do leitor.Para mim, cada livro é um livro diferente ao ser lido por uma pessoa diferente. Não existem livros ruins ou bons, contos ruins ou bons, existem aqueles que agradam mais a um e aqueles que agradam mais a outros. O que me incomoda é a falta de horizontes das pessoas – vede quesito musical. Falta variedade, falta arriscar-se mais. Eu o faço, sempre que posso, mesmo que para descubrir que não gosto daquilo. Já li romances água com açucar, já ouvi sertanejo universitário, já assisti filmes sobre favela, e simplesmente não gosto de nada disso. São ruins? Não. Simplesmente,não gosto.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Oi, Evandro!

      Não, não foi proposital. Eu já estava pensando neste artigo há algum tempo.

      Quanto ao que você expôs, creio que concordamos no ponto de que há uma grande diferença entre anunciar e pagar para que “falem bem” do seu livro. Uma resenha é bem diferente de um anúncio.

      E sim, o gosto do leitor acaba influenciando suas compras, suas expectativas, mas o que se vê nos arredores, nos blogues e vlogs literários, são análises dos mesmos livros, das mesmas temáticas, dos mesmos autores, enfim, do mesmo tipo de literatura. Isso porque se trata do nicho que vende.

      Blogues e vlogs ajudam a alimentar esse círculo vicioso, quando poderiam quebrá-lo, dar mais espaço para outras vertentes, mostrar ao público que sim, há autores nacionais muito bons.

  14. Sergio Carmach
    4 de setembro de 2015

    Texto maravilhoso! Um lampejo de sanidade em meio a esse universo literário corrompido e mediocrizado. Com certeza, seu artigo merece – e deve – ser divulgado por todos os cantos.

  15. Fabio Baptista
    4 de setembro de 2015

    Por um instante pensei que fosse resenha do livro da Andressa Urach Kkkkkk

    Cara… respeito demais sua opinião, entendo os pontos que você apresentou e o idealista que ainda sobrevive em algum lugar da minha alma concorda com cada um deles.

    Mas vou dizer o jeito que eu encaro a questão.

    Primeiramente: dentro desse conceito de prostituição, eu me prostituiria? Ah, meu amigo… eu seria a primeira das putas! Hahahahhahaha

    Segundamente: por quê? Cara, porque eu sei que eu escrevo bem e meu trabalho é bom, independente do que diga qualquer crítico (comprado ou não). Sei que pode parecer arrogância dizer isso, mas juro de todo coração que não é. Costumo dizer que, se pudesse escolher, preferiria mil vezes ter 1,90 de altura, cara e carteira de galã de cinema e escrever “essessão” “agente vamos”, falar “menas” e “pobrema”. Mas eu nasci com esse dom, ou com essa maldição, às vezes não sei dizer ao certo, de escrever.

    E meu…. você também. E eu sei que o seu trabalho é bom. E eu sei que você também sabe disso.

    Uma coisa seria tentar empurrar uma merda goela abaixo do público. Embora eu tenha certeza que todos esses autores/marketeiros de hoje tenham convicção sincera na qualidade do próprio trabalho. Assim como tenho certeza que Hitler encostava a cabeça no travesseiro e dormia tranquilo, certo de que estava agindo da maneira mais correta possível. Mas essa é outra questão.

    O que quero dizer é que tua escrita possui muitas qualidades e está absolutamente acima da média do que temos hoje no mercado. De certa forma, aceitando as regras do jogo, você estaria trazendo qualidade para esse mercado.

    Não vejo 7 mil e quinhentos como uma quantia absurda pelos serviços oferecidos (sinceramente duvido que entregariam tudo isso… ouvi há não muito tempo que uma entrevista no Jô não saia por menos de 200k). É errado os caras divulgarem sem sequer terem lido? Sem dúvida. Mas nesse caso pelo menos, o filtro da qualidade já foi feito antes.

    Bom, sei lá. Resumindo: eu me venderia. Fácil! Kkkkkk

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Haha, é quase uma resenha subliminar do mais novo best seller da praça, não?

      Então, sei que minha opinião está longe – bem longe – da unanimidade e que talvez a maioria discorde de mim. Mas eu sou mesmo um idealista convicto que gosta de pensar que o mundo seria muito melhor se as pessoas não se rendessem “à regra do jogo”. Na minha concepção, o jogo é uma merda porque gente muito boa se rende a ele. E isso faz com que gente muito ruim adote os atalhos para “passar de fase”.

      Realmente, a quantia cobrada não é assim uma fábula, mas mesmo que fosse cinquenta reais continuaria errado. Provavelmente eles estavam me jogando uma isca, algo para me prender e que, depois que eu visse as primeiras resenhas publicadas, depois que eu participasse das primeiras mesas redondas em feiras literárias não-sei-onde, eles chegariam dizendo que teriam coisa melhor dependendo de quanto eu estivesse disposto a investir.

      Agora um apelo de amigo, deixe esse idealista que ainda habita esse 1,60m falar alto também. Um cara que escreve “O Sentido da Vida” não pode ser do tipo que se vende fácil.

      • Fabio Baptista
        5 de setembro de 2015

        Então, meu… você colocou a questão “qual é o sonho?”.

        Nessa linha, também proponho a questão: “o que é se vender?”.

        Na minha opinião, “se vender” seria algo do tipo: mudar a própria escrita ou elementos da história a mando da editora, ou o que valha, para agradar uma parcela maior de público. Ou seja, descaracterizar a obra para torná-la mais comercial.

        Isso eu não faria (falando agora a sangue frio… com o contrato na minha frente não sei se manteria a mesma postura. Mas sou meio idiota para certas coisas e acho que deixaria a oportunidade passar e me arrependeria pelo resto da vida depois).

        Também não interpretaria um “personagem” que não sou: tipo ficar pagando de “coaching” ou similar kkkkkkk. Nada contra quem é coaching, eu simplesmente não sou… e seria mentira se dissesse que sou pra alavancar vendas e tal.

        Resumindo… para esse tipo de coisa, que inclui deturpar minha criação ou mentir fingindo ser quem não sou, eu não estou “a venda”.

        Mas sobre injetar dinheiro para fazer propaganda… já sou mais flexível.

        Estaria alimentando a indústria de valores deturpados? Sim, de certa forma.

        Mas também estaria lutando (usando as armas do inimigo, é verdade) com um pouco menos de desvantagem num mundo que não vai mudar.

        “Se você construir, eles virão”.

      • Gustavo Castro Araujo
        5 de setembro de 2015

        Por óbvio, também não aceitaria mudar a narrativa de qualquer livro meu por simples imposição ou mesmo incorporar um personagem para ajudar a vender.

        Não sou contra propaganda em si. Acho que todo mundo tem o direito de anunciar o seu produto. O que eu não concordo é com esse sistema predatório em que se acertam editoras, lojas, e meios de comunicação, no mais das vezes fundado num marketing mentiroso, descarado mesmo.

        Usar as armas do inimigo para passar de fase pode ser um meio interessante de inverter a equação, mas para mim, o mundo perfeito — gosto de pensar nele — não permite que eu aja de modo sujo só porque a outra parte está me jogando lama. Se for para vencer que seja de modo limpo. Por esse tanto, você já percebeu que eu jamais vou sair de onde estou kkkkkk

        “If you build it, they will come.” Gosto muito dessa citação. Está em “O Campo dos Sonhos”, né? Prefiro pensar nela de outro jeito. No caso, eu já construí – nós construímos, na verdade, pois muita gente. inclusive você, faz parte disso, meu amigo. E devagarzinho as pessoas estão chegando. Sem pagar nada.

  16. elicio nascimento
    4 de setembro de 2015

    É lamentável a realidade atual do mercado literário, uma vitrine de meia dúzia que não incentiva os novos talentos. Eu já pensei várias vezes, e ainda penso, no por que continuar escrevendo se não tenho grana nem influência no meio editorial. Talvez este artigo tenha respondido, ao menos em parte, a minha comichão filosófica sobre o tema.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Mesmo com esse mundo cruel que nos cerca, o ofício da escrita continua apaixonante. Não nos deixemos abater. Ainda que poucos, há lugares para quem escreve porque gosta.

  17. Clarisse
    4 de setembro de 2015

    Excelente artigo, Gustavo. Gostei da sugestão do griottobrito, por que não fazer uma livraria virtual… Há uma escritora inglesa que faz isso, Orna Ross, dá uma olhada. Ela tem página no FB.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Obrigado pela dica, Clarisse. Vou dar uma olhada, sim. Aqui no EC temos uma seção chamada “Estante EC”, onde divulgamos os livros do pessoal que escreve no site. Não é a mesma coisa (ainda), mas pelo menos é o início do caminho 🙂

  18. Felipe Moreira
    4 de setembro de 2015

    Esse texto me deixou profundamente comovido, Gustavo. Acho curioso como tudo isso já estava bem na minha frente, mas de alguma maneira eu insistia com a ideia de que não é bem assim. Que há um romantismo nesse meio que nos permite realizar um sonho como esse apenas fazendo o que deve ser feito: escrever e escrever bem.
    Mas seu texto veio como uma enxurrada de realidade. A bienal do Rio chegou, um mega evento que deveria contemplar e incentivar um mercado “justo”, acaba se revelando ainda mais feroz pra nós, sobretudo editoras menores que procuram publicar trabalhos mais dedicados. O mercado não quer escritores. O mercado quer animadores de festa.

    Confesso a você que é doloroso observar como essa coisa funciona e o quão ela me desanima. Seu livro – Pretérito Imperfeito – é um trabalho primoroso que num mercado sensato estaria em todas as estantes. E o mesmo vale pra vários autores aqui do EC que insistem em me surpreender com tamanha qualidade e paixão na escrita. No entanto o que vejo em evidência é um emaranhado de genéricos inacreditáveis. Eu fico calado, porque quando manifesto essa insatisfação, leio ou escuto um “recalcado” ou “invejoso” de volta.

    Com isso eu percebi que pro mercado não falta espaço. Existe público para trabalhos mais sérios. Falta mesmo é vontade.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Creio que deveríamos repensar o que é “sonho” em termos literários. Publicar por uma grande editora? Ter nossos livros vendidos em grandes lojas? Será que é realmente isso que queremos? Ou queremos ser lidos, tocar o coração dos outros? Uma coisa depende da outra? Dá o que pensar, né?

      • Felipe Moreira
        5 de setembro de 2015

        O meu sonho literário é também ser lido pelo máximo de pessoas, tocar seus corações. E o espaço que deveria preencher outros grupos acaba sendo engolido pelo sistema que reproduz apenas um ou outro estilo literário, de preferência com autores que incorporem personagens e respostas artificiais em entrevistas. Ver isso me soa tão mecânico que parece triste. Eu não gostaria de ser reconhecido me limitando dessa forma, honestamente.
        Como poderíamos atingir um público maior sem depender de uma grande editora que nos exponha em grandes lojas? Eu não sei mesmo dizer. Pra ser sincero, eu não sei nem se tenho capacidade de virar um bom escritor. O que posso te dizer é que se não fosse pelo Entre Contos, eu já teria desistido.

        Obrigado.

  19. Eduardo Selga
    4 de setembro de 2015

    Há um detalhe importante: existe crítica literária dos cadernos domingueiros de jornal e crítica literária séria, que não está à mostra por não ser pop, não se deve generalizar como se toda a crítica fosse composta por resenhistas pagos pelas editoras. O seu artigo não faz essa generalização, felizmente, mas eu trago essa lembrança aqui porque achá-la importante.

    Ao que eu chamo de crítica séria as redações de jornal não costumam dar muita atenção porque trabalha com certos rigores e foge das facilidades espetaculosas presentes em certos textos tipicamente comerciais.

    • Gustavo Castro Araujo
      5 de setembro de 2015

      Exato. Gente boa há, mas não têm espaço. Na maioria das vezes, são relegados a um ostracismo imerecido.

  20. Regiane Giacomini De Cesaro
    4 de setembro de 2015

    Lamento saber que é dessa forma que nossos críticos literários atuam. Ao mesmo tempo me orgulho de saber que jovens autores buscam o reconhecimento por vias alternativas sem se vender ou ” prostituir “. Parabéns , Gustavo.

  21. Lucas Rezende
    4 de setembro de 2015

    Pra gente igual a gente, que escreve por gosto e tenta melhorar cada dia mais, é uma verdadeira lástima. Ainda mais pra quem tá começando (meu caso), fica muito difícil pensar que um dia receberei conhecimento por mérito. Mas a gente é teimoso e não desiste, não vou largar mão só porque não vou ter um best-seller um dia, eu gosto disso e ponto.
    O Entre Contos está aí pra todo mundo que se sentir assim também.
    Parabéns pelo artigo, Gustavo. E pelo EC tbm!!!

  22. Eduardo Selga
    4 de setembro de 2015

    Gustavo,

    Esse triste panorama se estende a todas as atividades artísticas, e está profundamente relacionado à mercantilização não apenas da arte, mas da subjetividade, e é um processo mundial, com características diferentes nos países dominantes e dominados.

    Como o Brasil faz parte da periferia do mundo capitalista, a depauperação é ainda mais acentuada, porque substituímos o nosso particular modo de sentir e pensar o mundo pelo do modo de sentir e pensar dos países considerados civilizados e ricos. Nós abrimos mão da brasilidade e incorporamos hábitos culturais que não são nossos, em nome de uma globalização que é de mão única. Por esse instrumento, o mercado (que é fabricado pela indústria) estimula o surgimento de autores nacionais que tratam de temas e personagens europeizados e norte-americanizados. São RPG’s disfarçados de literatura, sem nenhum trato linguístico.

    Nesse cenário, é triste ver que há “críticos” que, mesmo conhecendo o que é literatura, se vendem à indústria, inventando qualidades para o texto “analisado”, que se resumem basicamente ao fato de ele “vender bem”. Ou seja, literatura boa é, para esse segmento, igual a qualquer produto de supermercado: tem qualidade se vender muito e muito rapidamente.

    Eu gostaria de lamentar por autores muito jovens que se deixam encantar por esse flautista de Hamelin que é o mercado e toda a estrutura auxiliar que orbita em torno dele, mas eles nasceram e cresceram ouvindo essa cantilena em todos os níveis da vida, ou seja, a relação entre qualidade de uma coisa e sua viabilidade comercial. Gostaria mesmo. Mas a culpa não é deles, pelos menos não a maior parte dela. São muito mais vítimas do mercado.

  23. girottobrito
    4 de setembro de 2015

    O mercado literário e editorial brasileiro é movido pelo dinheiro. Não apenas pelo dinheiro, mas exclusivamente pelo dinheiro. Nesse sentido, seria de grande valor se surgisse uma empresa ou livraria virtual que trabalhasse apenas com autores independentes, que investisse nisso e que esses autores também ajudassem a empresa na divulgação em massa. Há muitos autores bons que também não querem ceder a esse sistema do “pagou-levou” e permanecem quase no anonimato literário.

    • Fellipe Mariano
      4 de setembro de 2015

      Dá uma olhada na Editora Draco. Eles tem uma proposta interessante de publicação exclusiva de autores nacionais (uma boa parte estreantes).

  24. Caligo Editora
    4 de setembro de 2015

    Não discordo de uma vírgula sequer do seu texto, Gustavo. E viva à essência da literatura!

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Publicado às 4 de setembro de 2015 por em Artigos e marcado .