EntreContos

Detox Literário.

Catatonia (Anorkinda Neide)

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Perambulando por estas trilhas, noites e noites sem fim, sem destino, sem saber porquê…

A floresta densa, negra, fechada em seus mistérios, não abre-se para mim. Eu sigo andando e pensando, tentando achar sentido.

Quase enlouqueço…

Então procuro um escape… Converso com as corujas e elas nada me revelam dos segredos. Escuto os ventos que volta e meia sopram furiosos, mas eles só falam da continuidade da escuridão.

Nunca amanheceu desde que aqui cheguei… Quanto tempo faz? Ou é apenas uma noite e meu sentido temporal eternizou-se?

Às vezes durmo de exaustão… Como frutas que se oferecem na escuridão, os animais fogem uns dos outros, naquele ciclo do maior que come o menor e parecem não me ver nem sentir… Será que estou aqui?

Aqui onde? Que floresta será esta? Por que não amanhece?

Parece que ‘alguém’ ouviu meus brados e desesperos… Vejo uma luminosidade, será miragem da floresta?

Pisco os olhos, esgueiro-me quase sem discernir o que vejo… Parece-me que faz tanto tempo que não vejo nada que não seja folha, árvore, animais, ambientado no escuro…

É um roupeiro. Certamente uma miragem…

A parte interna de um guarda-roupas, inserido no meio da floresta eternamente noturna…

Ao chegar mais perto, vejo o lado interno do espelho na porta do roupeiro… Do outro lado, meu quarto. Reconheço as paredes verdes, a janela fechada com o padrão galhos de árvores das cortinas…

Vejo minha cama desfeita e sentado em frente ao espelho, em minha poltrona preferida… Eu mesmo!

Catatônico, olhando o Nada, olhando para mim, sem me ver, sem piscar… Semi-morto.

 

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12 comentários em “Catatonia (Anorkinda Neide)

  1. Fabio D'Oliveira
    1 de setembro de 2015

    ☬ Catatonia
    ☫ Anorkinda Neide

    ஒ Físico: Conheço a autora faz muito tempo. O estilo de prosa dela sempre vem misturado com suas origens. É possível enxergar a poesia em cada linha de seus textos. Isso não é ruim. No entanto, às vezes, algumas construções que ficariam lindas num poema não brilham como deveriam. Nesse conto é possível encontrar isso. A cacofonia é um problema para o leitor, pois quebra o ritmo da leitura, que é muito importante. O texto é pequeno, mas nem por isso os tropeços não prejudicam. Oriento que tome cuidado com isso, principalmente se o texto for grande.

    ண Intelecto: Não existe inovação na estória. Trata-se de uma alma perdida que descobre a verdade por detrás do pesadelo que vive. A roupagem também não impressiona. No entanto, a autora consegue transmitir a agonia do personagem, mesmo não se aprofundando nele. Peço que tome cuidado com as repetições. No caso desse texto, a escuridão está muito presente, mas como o texto não é visual, repetir sua presença se torna cansativo para o leitor.

    ஜ Alma: Um texto que é feio, tão feio, que se torna belo. Acompanhar a descoberta da pobre alma é grandioso, principalmente com o estilo da autora. É difícil encontrar isso hoje em dia. Os textos, em geral, são superficiais demais. Há muitas descrições inúteis, muita enrolação para ocultar a verdadeira falta de conteúdo, apelos desesperados ao prolixo, etc, etc. Anorkinda Neide escreve com o coração, faz arte de verdade. E ela é fantástica por isso. Ela tem um grande fã!

    ௰ Egocentrismo: Apesar da leitura não ser muito agradável, por causa da cacofonia em demasia, a forma como a estória é contada me envolveu. Consegui sentir a angustia do personagem. Isso é ótimo! E não tem como não gostar do texto, já que pertence a uma pessoa que admiro muito.

    Ω Final: Um texto que precisa de mais desenvolvimento na sua estrutura. É necessário eliminar a cacofonia. O enredo não precisa ser original, muito menos a roupagem, mas a autora precisa compensar de outra forma. Deixar o texto fluido com um toque de poesia seria o ideal. Acredito no potencial da autora.

    ௫ Nota: 7.

    • Anorkinda Neide
      2 de setembro de 2015

      Oi Fábio!
      Olha, é pra pensar o texto e não na autora por trás senão atrapalha a avaliação…kkk Bom receber tuas palavras… Obrigada!
      Tenha dó deste textinho ele é idoso…
      Nem fale dos textos rasos e dos livros aos milhares q estão sendo consumidos à superfície da razão, que eu fico nervosa!!! rsrsrs
      Simbora nós, escrever mais pra escrever melhor!

      Abração

      • Fabio D'Oliveira
        2 de setembro de 2015

        Olá, Anorkinda! Espero que esteja tudo bem contigo.

        Não se preocupe, consigo dividir razoavelmente o autor do texto, hahaha. Mas é muito difícil não adicionar um ponto extra na avaliação do gosto pessoal quando se admira o escritor.

        Quanto à idade do texto, bem… É importante levar em consideração quando se está avaliando a potência atual do autor, mas o texto em si, ah, nunca terei dó, hahahaha.

        E vamos nessa, escrever para crescer!

  2. Wilson Barros Júnior
    1 de setembro de 2015

    Muito bem escrito, vívido e realista, em um estilo límpido. Podem-se ouvir ecos do “Heráclito “, de Jorge Luís Borges, assim, como das inquietações de Coetzee. Excelente leitura, parabéns.

    • Anorkinda Neide
      1 de setembro de 2015

      Ave Maria! Abençoada!
      Você mima a gente demais, Wilson! E isso é tão bom! huahua
      Obrigada pela leitura e pelas palavras.
      Não caibo aqui em mim de contentamento!
      Abração

  3. Claudia Roberta Angst
    1 de setembro de 2015

    Não consegui desviar minha mente da imagem do armário de Nárnia…rs. O texto é daqueles nossos, né, prosa poética na veia. Gostei de como ficou o final, esse confronto consigo mesmo em outro plano, como se tivesse perdido a identidade em outro lugar. Pronto, já viajei. 🙂

    • Anorkinda Neide
      1 de setembro de 2015

      Hehehe
      Que bom que gostou, eu tava bem insegura! é bom lembrar de Nárnia, é marcante!
      Eu acho q essa tua viagem ae é bem procendente! 🙂

      Bjão

  4. Fabio Baptista
    31 de agosto de 2015

    Queria dar mais ou menos esse clima de “perdido na floresta” no meu poema do penúltimo desafio.

    Acho que você teve mais sucesso aqui do que eu lá. 😀

    O cenário ficou perfeito, mas não funcionou muito bem como conto (pelo menos pra mim). No final sobrou só aquele sentimento de… “e agora ??????”.

    Abração!

    • Anorkinda Neide
      31 de agosto de 2015

      Oi!
      é que aqui está em primeira pessoa, acho q por isso o ‘perdido’ na floresta é melhor sentido… no seu poema, vc deu voz a uma floresta assombrada, acho que o clima é o mesmo com olhares diferentes. 😉
      .
      Realmente não se parece com um conto, nem miniconto? rsrsrs Foram os primeiros textos meus em um formato diferente de poema, quase que eu pego tudo e transformo em estrofinhas! kkkkk

      Obrigada pela leitura, FB!
      Abraço!

      • Anorkinda Neide
        31 de agosto de 2015

        ahhh : ‘ e agora?’ e agora nada.. a consciência dele está perdida eternamente na selva enquanto ele estiver catatônico, mas pensando agora, será um vislumbre de cura o fato de ele se enxergar?

  5. Lucas Rezende
    31 de agosto de 2015

    A forma como está escrito o texto, deixa tudo fluido e leve.
    Na minha cabeça a história entrou em um ciclo infinito: o eu sentado se perde em devaneios quando se vê em uma floresta e por ai vai…

    Parabéns.

    • Anorkinda Neide
      31 de agosto de 2015

      Oh que bom, Lucas!
      Obrigada pela leitura!
      O texto é tão antiguinho que eu pensei q eu ia só levar lenha nele!! hehehe

      Abração!

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Informação

Publicado às 30 de agosto de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .