EntreContos

Literatura que desafia.

Os filhos de Eva (Rogerio Germani)

Doha-5

Mesmo não sendo verão, a temperatura permanecia elevada no Catar de 2022, quase atingindo os 50 graus. Condição ideal para os carros movidos a calor ambiente. E, por sorte e anos de investimento em ações de empresas tecnológicas, o turista inglês Adam Clayman era proprietário de um verdadeiro vulcão com quatro rodas, utilitário mais eficiente do que qualquer tapete voador aclamado por gabolas dos contos islâmicos.

A viagem do investidor londrino ao Oriente Médio tinha um motivo exclusivo: assistir ao último jogo da Copa do Mundo FIFA de 2022. Principalmente porque- talvez mais uma peça do espírito de William Shakespeare- a Inglaterra decidiria o campeonato de futebol contra a Argentina. Remake da Guerra das Malvinas na ponta das chuteiras.

Com um discreto sorriso amarelado, Adam Clayman estacionou o seu veículo em frente ao Estádio Nacional Lusail. Reverberando no território extremamente árido, as vozes dos torcedores de todos os cantos do planeta eram aves migratórias pousando no mesmo oásis. Acostumado com a balbúrdia cosmopolita, o britânico sentiu-se como se estivesse nas festas de fim de ano de Edinburgh. God Save the Queen, murmurou Adam Clayman enquanto acionava um dispositivo minúsculo, réplica da London Eye, para tornar invisível o seu carro.

Otimista e convicto de seus atos, o James Bond de plantão misturou-se à turba. Já no corredor que direcionava os espectadores para suas respectivas cadeiras enumeradas, percebeu o quanto a tecnologia pode moldar a humanidade. Ninguém mais se alimentava com lanches suculentos, ricos em diversos molhos coloridos capazes de causar inveja em qualquer arco-íris; as diminutas pílulas de maná desidratado reinavam absolutas no cardápio mundial. Outro fato curioso eram os smartphones dobráveis que, feito óculos 3D, adaptavam-se ao rosto de seus proprietários. Uma legião de ciclopes que não enxerga o seu próximo, constatou Adam Clayman.

Diferente das outras copas já realizadas, o espetáculo de encerramento do torneio sediado pelo Catar não teve bailarinos reais em campo. Através de placas emissoras de hologramas táteis espalhadas por todo o gramado, a evolução do futebol até chegar à data de 18 de dezembro de 2022, sob a perspectiva do olhar dos organizadores catarenses, moldou um cenário repleto de glórias e batalhas em nome do esporte. Podia-se, com o uso de luvas capazes de emitir ondas de ultrassom, tocar na face dos jogadores virtuais, por exemplo, e fazê-los sorrir agradecidos pela admiração coletiva.

De forma rápida e retrátil, assim que o teatro holográfico findou-se, as placas foram retiradas do campo. As duas seleções entraram simultaneamente na tão sonhada arena, promovendo delírio nos torcedores que, ajustando seus smartphones para melhor captura de imagens, iluminaram o estádio com uma enorme quantidade de flashes Xenon eclodindo nas arquibancadas. Shit! Irritou-se Adam ao lembrar que seu smartphone tinha ficado dentro do carro. Como a partida já iria começar, conforme os reclames dos narradores robóticos, o inglês não teve outra opção além de assistir pela maneira tradicional, usando apenas os olhos humanos que possuía.

Sentindo-se o próprio Mr. Bean por sabotar a si mesmo, o britânico encolheu-se em sua cadeira e, por um breve instante, ficou observando o estádio repleto de ciborgues balançando bandeiras dos dois times. Digo breve instante, pois, antes do pontapé inicial, uma gigante nuvem artificial, fabricada para reduzir o calor excessivo do clima catarense, instalou-se sobre a cúpula do coliseu futebolístico. Uma inusitada aparição que exigiu o movimento sincronizado de todos os olhares presentes em direção à stratus fake. Além da imagem de uma maçã mordida alardeada na base do objeto voador, três letras garrafais surgiram escritas com Led: E.V.A.

– Saudações, filhos de Eva!- anunciou-se o rosto do califa Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, estampado no meio da nuvem. – Assim como ordena o Alcorão, hoje é dia da grande seara!

Amedrontada, a plateia tentou fugir sem êxito; um som estridente e simultâneo sibilou em todos os smartphones presentes no estádio, atordoando e paralisando os amantes do futebol. Adam não precisou de nenhum equipamento eletrônico para imitar uma pedra; seu sangue estava congelado pelo pavor em conhecer o mais violento terrorista do mundo.

No melhor estilo sarça ardente, a nuvem, cada vez maior e já sem o símbolo do fruto do pecado, voltou a se pronunciar:

– Eis que é chegado o dia de separar o joio do trigo! Contemplem E.V.A., o Extrator Vortex de Alá!

Após a sentença, um estrondo foi ouvido e relâmpagos ininterruptos começaram a moldar um redemoinho dentro da nuvem, agora cinza e com formato de nimbostratus. Uma forte corrente de ar fez pequenos objetos dançarem desordenados diante dos olhos arregalados de Adam.

– Não temam o chamado de Alá! – prosseguiu a voz do terrorista, antes de recitar um trecho encorajador do Alcorão. – “O que há convosco perecerá, e o que está com Alá perdurará…”.

Neste instante, ainda em estado de transe, o britânico presenciou a cena mais extraordinária de sua vida de pecador ocidental. Uma a uma, as pessoas ao seu redor foram abduzidas para o imenso redemoinho na nimbostratus, todas revestidas de silêncio. A cada vítima sugada, os ecos da gargalhada malévola do terrorista retorciam as estruturas metálicas existentes no estádio. Quando se percebeu o último sobrevivente da catástrofe, Adam sentiu-se nu, desespero queimando todos os seus poros.  Ainda mais quando, parodiando o pintor Michelangelo, a nuvem alongou um fino ciclone de suas entranhas e tocou a mão pálida do inglês antes de digeri-lo completamente.

Sem nenhuma alma vivente nos escombros que restaram do estádio, a nuvem fechou-se novamente e lentamente foi se afastando de seu rastro de poeira e total destruição.

Assim que o sossego amainou os destroços do espetáculo inusitado, alvas nuvens reais pairaram em todo o deserto. Por meio delas, um drone, equipado com câmeras fotográficas de última geração, fez diversos voos em círculo, capturando, assim, fotos da tragédia nos mais variados ângulos. Completada a sua missão, o drone retornou ao céu e desapareceu.

Cada vestígio, cada sombra de existência humana registrada naquele amontoado de ferragens distorcidas e lembranças era devastador. Só não era mais comovente do que um pedaço de papel que o drone havia deixado cair no solo revirado. Um pequeno testemunho de fé copiado de uma suposta bíblia perdida num canto qualquer. Um trecho de Gênesis 3:19:

“Do pó viemos e ao pó voltaremos.”

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50 comentários em “Os filhos de Eva (Rogerio Germani)

  1. Rogério Germani
    15 de agosto de 2015

    Percebi que, para muitos leitores, as tecnologias utilizadas em meu conto pareceram “avançadas demais” para o ano de 2022. Veja bem, ainda estamos em 2015 e, que surpresa, tais recursos já existem, mesmo que em mínima escala…

    Carro invisível

    http://olhardigital.uol.com.br/video/curiosidades-conheca-o-carro-invisivel-e-o-guepardo-robotico/24879

    Pílulas como alimento

    http://bemstar.globo.com/index.php?modulo=corpoevida_mat&url_id=5787

    Show holográfico

    http://www.tecmundo.com.br/holografia/54777-michael-jackson-volta-holograma-arrasa-apresentacao-video.htm

    Nuvem artificial

    http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/03/universidade-do-qatar-cria-nuvem-artificial-para-fazer-sombra-em-2022.html

    Carro movido a energia solar

    http://www.hypeness.com.br/2015/03/jovem-constroi-carro-movido-a-energia-solar-com-somente-2-mil-dolares/

    Mesmo que estes elementos futurísticos tenham subtraídos pontos na avaliação do meu texto, agradeço a todos pelo feedback.

    Namastê!

  2. Fábio Santos Almeida
    11 de agosto de 2015

    “Cursed be the ground for our sake. Both thorns and thistles it shall bring forth for us. For out of the ground we were taken, for the dust we are… and to the dust we shall return” (quote de Book of Eli, que cita a bílbia)

    Mais um conto que retrata destruição. Este, no entanto, aborda uma organização actual e junta-lhe parágrafos da cultura inglesa. Um tanto confuso para mim, devo dizê-lo. Talvez sugira ao autor que numa próxima vez se concentre mais nos eventos e no que eles retratam e não tanto em comparações que, na minha opinião, podem ser confusas dada a atmosfera futurista do conto.

    Bem jogado! 8D 6

    ps: a imagem foi muito bem escolhida! heheh

  3. Cácia Leal
    11 de agosto de 2015

    Ok, bastante tecnologia, para um período de tempo curto, cerca de 7 anos adiante (até 2022). Mas, me diga, se você tocar o jogador com a luva, enquanto ele joga, o que te impede de cometer uma falta contra o próprio jogador? Gostei de suas metáforas, principalmente a do Michelangelo. Mas… é só isso?! Cadê o resto???? Acho que senti falto de um algo mais… Achei muito bem escrito, mas achei também que tudo acabou de repente.

  4. Luan do Nascimento Corrêa
    11 de agosto de 2015

    → Avaliação Geral: 7/10

    → Criatividade: 7/10 – Razoavelmente criativo. Faltou maiores explicações em relação às tecnologias.

    → Enredo: 6/10 – A história pecou em plausibilidade ao escolher 2022, uma data próxima aos dias de hoje não terá carros invisíveis. Também senti falta de maiores explicações tanto em relação ao que ocorria quanto à tecnologia. Por fim, achei o desfecho um tanto sem graça.

    → Técnica: 7/10 – O texto foi bem escrito, porém acho que as descrições poderiam ter sido melhor trabalhadas.

    → Adequação ao tema: 10/10

  5. Wilson Barros Júnior
    11 de agosto de 2015

    É a ficção científica futurística, uma modalidade que acredita que no futuro “tudo irá mudar”. Bom, contra esse prognóstico existem muitas correntes que acham que o futebol vai ser o mesmo. Mas para um autor imaginativo, tudo é possível. O terrorismo também ficou incrível. Um vôo de imaginação, em um estilo fantástico, uma leitura que se tornou agradável graças a uma imaginação fabulosa.

  6. Gustavo Castro Araujo
    11 de agosto de 2015

    O conto é muito competente naquilo que se propõe: criar uma atmosfera irônica misturando futurologia com futebol e terrorismo. Nesse ponto, o autor se aferra aos clichês de equipamentos e prováveis facilidades que o futuro há de trazer. O mérito está no uso desses clichês para virar a história do avesso, saltando da final da Copa do Mundo para um pós 11 de setembro protagonizado pelo Estado Islâmico. Fiquei surpreso, positivamente surpreso. Uma pena que isso tenha acontecido uma só vez e que isso tenha sido no meio do conto. Fiquei esperando outra reviravolta no fim, mas a narrativa seguiu um pouco arrastada, com o estádio vindo abaixo e o protagonista sucumbindo como todos os presentes. Cheguei a imaginar que o fato dele ter esquecido o celular poderia salvá-lo de alguma forma, mas não.
    De todo modo, o conto está bem escrito. O autor sabe o que faz e o texto cumpre bem a função de entreter. No entanto, arrisco a dizer que havia espaço para mais.

    Nota: 7

  7. Renato Silva
    11 de agosto de 2015

    Olá.

    Achei o conto um tanto “surreal”. Apesar de eu gostar de surrealismo, não achei interessante neste contexto. Posso não ter entendido direito, mas foi um atentado terrorista?

    Olha, não tenho muito o que dizer sobre o conto. Tá bem escrito, todo correto, coeso.

    Boa sorte

  8. Marcel Beliene
    10 de agosto de 2015

    Você começa o conto de um modo meio coloquial, irônico até; depois, neste final espetacular, você provoca um impacto tremendo, apresentando toda desolação daquele estádio outrora tão vibrante. A citação de Gênesis no final caiu como uma luva também 🙂 Excelente conto!

  9. Bia Machado (@euBiaMachado)
    10 de agosto de 2015

    Desculpe, mas não me cativou. Primeiro, achei 2022 muito próximo, nesse trecho fiquei um tanto desanimada, aguardando o que viria. Aí na parte da aparição achei tudo muito rápido e sem muito cuidado, ou foi mesmo talvez apenas falta de empolgação. E o último parágrafo devia me comover, segundo a narrativa, mas não foi o que aconteceu. Achei forçado demais. Boa sorte no concurso.

  10. Fabio D'Oliveira
    10 de agosto de 2015

    Os filhos de Eva
    Eyebol

    ஒ Habilidade & Talento: O texto é tão agradável! Desce redondo, como uma boa cerveja! E o talento é inegável. Vem da sua alma, caro autor!

    ண Criatividade: O texto é extremamente criativo. Mas é apenas uma pequena apresentação de um mundo futurístico. A falta de um objetivo deixou o texto supérfluo e, desculpe-me, descartável. As coisas acontecem por acontecer. Não deixa de estar bom, porém.

    ٩۶ Tema: Que mundo futurística fantástico! Fiquei curioso para ver mais. Num texto maior, com uma história que tenha alguma finalidade, esse universo pode vingar. Muito bom.

    இ Egocentrismo: Pessoalmente, gostei. E pessoalmente, não gostei. Adoro textos que tem um objetivo final, uma história concreta, que tenha algo a dizer. Quando existe apenas por existir, bem, eu detesto.

    Ω Final: A Habilidade e o Talento estão dançando em harmonia. A Criatividade está vagando sem rumo pelo salão, apesar de estar bem trajada. E o Tema brilha em sua solidão. O Egocentrismo não toma partido.

  11. Marcellus
    9 de agosto de 2015

    Quanto tempo o autor precisou para encaixar “EVA” e “Extrator Vortex de Alah”?

    Ademais, tem muita tecnologia para pouco tempo… 2022 é logo ali. Apesar de imaginativo, o conto não me empolgou muito, mas não há como negar que é um bom material.

    Só uma última coisa: o versículo bíblico está na segunda pessoa do singular.

  12. Alberto Lima
    9 de agosto de 2015

    Gostei muito do lugar onde o conto foi narrando, é inovador ao ponto de você ficar se perguntando o que é que vai acontecer ali. A não extensão dos anos também foi uma jogada inteligente. 2022 me parece muito perto, e ainda assim achei pequenas coisas no conto que não duvidaria que existisse neste ano; espero que eu esteja muito errado. Gostei. O desfecho foi potente, foi bonito.

  13. Fil Felix
    8 de agosto de 2015

    Seu conto tem um Q Katia Flavianesco que gosto, com uns adjetivos interessantes e diferentes. Esse universo fictício, não tão distante e relação ao tempo, mas bastante em relação à tecnologia também cria um contraste legal. Porém acho que faltou um tempero a mais na história, ela termina como um Deus Ex Machina, no lance da nave. Adoro UFOs, mas ficou um pouco off.

  14. vitormcleite
    8 de agosto de 2015

    Não gostei desse jogo (mal) inventado, pois a final todos sabem que será Brasil-Portugal. A história pareceu-me demasiado próxima da realidade, foi bom ler este conto mas por vezes não se sente a ficção. O texto está bem estruturado por isso muitos parabéns. Tive somente algumas dificuldades em sentir os acontecimentos descritos em 2022, talvez o texto ganhasse com um maior afastamento temporal, mas também me pareceu intencional mostrar essa proximidade, mas não sei se funcionou. De qualquer modo muitos parabéns.

  15. Pedro Luna
    8 de agosto de 2015

    Bem loucão. O conto aproveita a parte sobre o jogo da copa para destilar invenções e modernizações futurísticas, e no final, cria uma boa sacada ao jogar o Estado Islâmico no meio, utilizando da tecnologia para realizar sua ”limpeza”. Fiquei surpreso com a mudança de rumo. Bacana.

  16. Mariza de Campos
    6 de agosto de 2015

    Olá! o//
    Achei o enredo interessante e o último trecho fez sentido com o resto do conto, mas sinto que o exito do terrorista tenha sido fácil demais. Mesmo que o terrorista tenha pegado o público desprevenido, não haviam guardas e qualquer segurança lá?
    Gostaria que o conto tivesse mostrado mais como era a vida das pessoas que viviam nessa época, se focou muito ao ataque. E, embora a última frase tenha feito sentido, eu acharia melhor se tivesse tido mais explicação de quais eram os objetivos dos que queriam fazer os humanos voltarem ao pó.
    Bom, é isso.
    Abraços! \\o

  17. Laís Helena
    4 de agosto de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (4/4)

    Gostei da sua narrativa. Ela é envolvente e me prendeu do início ao fim; não reparei em nenhum problema na revisão.

    2 – Enredo e personagens (1/3)

    Já do enredo não gostei muito. Ele despertou minha curiosidade no início, mas desandou a partir do aparecimento do terrorista: achei que faltou dar um propósito a ele, e o personagem poderia ter passado por uma transformação, ou ao menos algo que evidenciasse suas emoções (além do pavor) diante de sua morte iminente.

    3 – Criatividade (2/3)

    Usar um campo de futebol como cenário para um conto de ficção científica foi interessante e deu um ar diferente à sua história, assim como todos os aparatos tecnológicos mencionados, mas, infelizmente, a ideia desandou.

  18. William de Oliveira
    2 de agosto de 2015

    Caramba, que viagem. Atentado terrorista do estado Islâmico no Futuro através de uma nuvem. Só faltou aparecer uns megazords .

  19. Claudia Roberta Angst
    31 de julho de 2015

    O conto não é longo, logo facilidade a vida do leitor. Há muitas descrições detalhadas de elementos do cotidiano futurista. Achei as invenções criativas e percebi várias referências como guerra das Malvinas, Shakespeare, Copa do Mundo, Alcorão, Mr. Bean, Michelangelo,etc. Muita informação,viu? Adam e E.V.A, mais uma referência bíblica, expulsos do paraíso?
    Ao ler E.V.A., imaginei aquele material sempre pedido na lista da escola…rs. Podia ser,né? Mas o Extrator Vortex de Alá ficou mais adequado ao tema mesmo. O final até achei interessante com a citação de Gênesis para caracterização o fim da existência humana reduzida a pó.
    Não me empolguei com a narrativa, mas muitos devem ter apreciado. Boa sorte!

  20. Piscies
    28 de julho de 2015

    Uma ideia legal mas que não me empolgou muito. Acho que fiquei meio atônito com algumas falhas iniciais e não curti muito o conto:

    – Sério que isso tudo poderia ocorrer em 2022? Daqui a SETE anos? Carros invisíveis, nuvens desintegradoras, shows holográficos? TENSO! Impossível! Talvez… 2122..

    – Como funcionaria um automóvel movido a calor ambiente? Eu entendo que energia é gerada com “alterações” ou “diferenciações”, seja de potencial ou de temperatura. Ou mesmo com movimento. Mas energia gerada por estar em um ambiente quente… não sou um físico, mas entendo que a natureza não funciona desta forma.

    – Como diabos um aparato islâmico quase do outro lado do planeta teria uma sigla em PORTUGUÊS?

    Enfim, eu acho que o conto na verdade foi um grande show de tecnologias inovadoras, mas nada muito empolgante. Não senti medo quando o terrorista chegou e nem muita ligação com Adam.

    A escrita, por outro lado, está muito boa. Não vi nenhum erro; a leitura é agradável. O que me incomodou mesmo foi o conteúdo.

    De qualquer forma, boa sorte!

  21. Phillip Klem
    26 de julho de 2015

    Boa tarde. Seu conto não é ruim. Sua escrita é boa e de fácil entendimento.
    A ambientação do conto também não é má. Você soube construir bem o seu cenário e toda a parafernália tecnológica existente.
    Na minha opinião é um conto mediano.
    Não me entreteve, mas também não aborreceu.
    Achei a data muito próxima para abrigar tanto avanço tecnológico, mas não levo isso em consideração. Afinal, ficção é ficção.
    Não consegui me conectar em nada com Adam. o personagem me pareceu bastante superficial e até um pouco fútil. Percebi que você tentou transparecer nele tudo o que os muçulmanos extremistas odeiam no estilo de vida ocidental, porém essa tentativa pareceu um pouco forçada, me levando a não gostar do personagem.
    A narrativa caiu bastante a partir do momento em que o Califa começou a atacar os espectadores.
    Este “Só não era mais comovente do que (…)” bem que poderia ter sido escrito de outra maneira.
    Enfim. Não é o melhor conto que eu já li, mas também não é o o pior.
    Você pode, com certeza, melhorá-lo muito. Sei que tem talento para isso e a história que acabei de ler me prova que tem também muita criatividade. É só uma questão de lapidá-la.
    Boa sorte e continue escrevendo.

  22. Thales Soares
    26 de julho de 2015

    Hmm….
    Eyedol, seu conto está muito bem escrito.
    Nota-se que você é um escritor muito experiente, veterano, com uma bela bagagem. A narração está muito bem conduzida, e as descrições ocorrem num ritmo agradável.

    A ideia da história, no entanto, eu achei meio fraca.
    Estou buscando…. não sei….. coisas bem diferentes……
    Tudo bem, foi legal ver a tecnologia estrondosa que teremos em 2022…. mas achei que faltou mais alguma coisa para sustentar o conto

    O final foi bacana, quando todo mundo foi morto por terroristas futuristas

  23. Evandro Furtado
    26 de julho de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Linguagem – 10/10 – não encontrei nenhum problema durante a leitura;
    História – 10/10 – ideia genial e muito bem trabalhada;
    Personagens – 10/10 – muito bem construídos e interessantes;
    Entretenimento – 10/10 – o festival de referências ajudou a ficar ligado, uma história bem próxima ligada a um evento tão conhecido também;
    Estética – 10/10 – uma narrativa em terceira pessoa muito bem realizada, com um trabalho de linguagem apurado sem se tornar indigerível.

  24. mariasantino1
    25 de julho de 2015

    Olá, autor.

    São mto boas as imgens no seu txt. Mesclar algo real como o Terrorismo e tbém usar o futebol (paixão nacional) à tecnologias já existentes e outras passíveis de surgir, foi uma ótima sacada p/ ambientar e ñ afastar muito o leitor do real à ficção criada por vc. A clareza da sua escrita tmb corrobora p/ isso.

    Vc só perde pontos cmg em deixar muito frágil a segurança desse estádio aí. Faltou um vírus n sistema, algo q neutralizasse aqueles q stavam aí p/ fazer a segurança. E tmbém o personagem só está aí p/ q a trama exista. Ñ me importei muito se ele se fodesse ou não 😦
    Mas fiquei presa na leitura, achei agradável e só li mais uma vez por prazer, pq peguei td de primeira. Parabéns!

    Probleminhas e pitacos [ ricos “em” diversos molhos coloridos (sugiro “de” diversos molhos coloridos)… usando apenas os olhos humanos que possuía (pra mim isso é redundância, se ele é homem… lógico que tem olhos humanos)… Stratus Fake (mto bom 😉 ) Contemplem E.V. A., o Extrator Vortex de Alá! (Adorei!) … assim que o sossego “amainou” (Uma dica. Quando vir uma palavra que vc ñ tenha mta afinidade, lance na net, pq amainar é diminuir, sossegar, amortecer, suavizar… O q torna o uso, na frase, equivocado “quando o sossego sossegou 😛 ” ]

    Um conto q daria uma HQ 🙂

    Nota: 09
    Sucesso!

  25. Felipe Moreira
    25 de julho de 2015

    A ideia foi legal, uma história original, com contexto bem real no nosso cenário geopolítico. Imagino que até 2022 o EI, caso não seja avariado, possua uma tecnologia suficiente pra um ato dessa grandeza. Eu só achei um pouco mirabolante o nível de desenvolvimento tecnológico pra época. Estamos a 7 anos de 2022, apenas.

    Enfim, um texto curto, bem escrito e de leitura rápida com uma mensagem forte. No geral, gostei. Está na média em relação a todos que já li.

    Parabéns e boa sorte.

  26. Antonio Stegues Batista
    24 de julho de 2015

    Nota=7

  27. Anorkinda Neide
    23 de julho de 2015

    Hummm… novamente o final apoteótico não me arrebatou. Não entendi tb o que aconteceu às pessoas: morreram? foram abduzidas?
    Uma pena porque grande parte do texto me conquistou pq bem escrito, com ironia na medida certa, uma construção show de bola, mesmo… hehehe

    Mas, boa sorte ae!
    Abraço

  28. Angelo Dias
    22 de julho de 2015

    Um conto com ambientação fantástica, com o nível de humor que eu gosto. Infelizmente o final decepciona um pouco, é repentino e sem muitas peculiaridades.

  29. Antonio Stegues Batista
    20 de julho de 2015

    Um conto satírico, irônico, engraçado, bem escrito, com boas ideias, premonições, mas não me deixou impressionado…

  30. Marcos Miasson
    19 de julho de 2015

    Olá, tudo certo? Você tem uma boa escrita, mas é necessário trabalhar um pouco mais as idéias. Dar um sentido para a tragédia, ou pelo menos para o protagonista é essencial.
    Boa sorte!!!

  31. Michel M.
    19 de julho de 2015

    O texto é bem escrito. Mas é uma história datada para 2022 e, se foi intenção do autor predizer algo sobre o futuro naquele ano, acredito que a maior parte do que ele imaginou ali não irá acontecer (principalmente a ideia de ns alimentarmos por pílulas. Jesus, escritores de ficção científica escrevem isso desde o início do século XX e insistem nisso como se fosse realmente ocorrer.)

    Mas houve um ponto na história que, para mim, foi extremamente desagradável. A forma caricata como o Islã e seus seguidores foram representados. Acredito plenamente que todo escritor deve ter ciência da sua responsabilidade. E reforçar preconceitos e estereótipos em uma história é algo abjeto e que não faz parte de maneira alguma dessa responsabilidade.

  32. catarinacunha2015
    16 de julho de 2015

    TÍTULO compatível com todo o texto.
    TEMA: Religião (futebol, EI, Alá, Genesis, Eva) e FC só poderiam acabar em tragédia.
    FLUXO. Muito bom. Agilidade, segurança e domínio.
    TRAMA do micro para o macro. Foi evoluindo até o pó.
    FINAL apropriadíssimo, já que não havia nada mais a dizer.

  33. Andre Luiz
    14 de julho de 2015

    Nossa, cara, que viagem você me trouxe com este conto! Primeiramente, imaginando os efeitos de um atentato terrorista em uma Copa do Mundo, ainda mais em pleno Oriente Médio, ainda mais um atentado em um país tão rico como o Catar. Enfim, o cenário estava perfeito! Gostei de como você utilizou o tema ficção científica para fazer cidadãos alienados e passagens belíssimas como:”Reverberando no território extremamente árido, as vozes dos torcedores de todos os cantos do planeta eram aves migratórias pousando no mesmo oásis.” Não tenho nada a reclamar, portanto. Parabéns!

  34. Tiago Volpato
    14 de julho de 2015

    Interessante o texto. Você usa um estilo que não é muito comum no meio. Eu gostei e não gostei. Gostei do tom de loucura que permeia o texto todo, o que não gostei é que da bagunça não controlada. Isso fez parecer (para mim) que tudo foi sendo jogado aleatóriamente no texto. Apesar deu gostar desse conceito, a bagunça tem que fazer sentido.
    Abraços.

  35. Leonardo Jardim
    13 de julho de 2015

    ♒ Trama: (3/5) é inventiva, mas um pouco simples. À despeito da qualidade do texto (avaliada no quesito abaixo), é uma cena de um ataque terrorista em uma final de copa do mundo. Faltou mais desenvolvimento para ser uma trama completa. Além disso, achei as tecnologias usadas muito avançadas para um futuro tão próximo (7 anos).

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, como já adiantei. Frases bem construídas e palavras escolhidas com cuidado. Esse é o ponto forte do texto.

    ➵ Tema: (2/2) tecnologias futurísticas (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) não teve nenhum grande elemento criativo, exceto pela nuvem assassina.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) para um texto que fala de uma enorme tragédia, não passou muitos sentimentos. Não senti o que o personagem sentiu. Faltou entrar mais na cabeça dele.

  36. Leonardo Stockler
    12 de julho de 2015

    Não sei muito bem qual é o meu veredito imediato desse conto. É bom que terei tempo de pensar até a votação. Está bem escrito. Eu gosto dessas cores excêntricas e cômicas, que às vezes mais fazem parecer uma caricatura. Eu gosto da escolha do cenário: o Qatar futurista de um futuro ultratecnológico não tão desejável. Eu gosto do Estado Islâmico sendo usado como antagonista. Também gostei da nuvem-engolidora. Mas por algum motivo, que ainda não me está muito claro, isso tudo junto não pareceu funcionar muito bem. Há um senso de humor que permeia o texto, mas que ficou na maior parte do tempo muito tímido. É uma ficção científica que na verdade funciona como alegoria do nosso mundo, uma vez que todos os elementos que ela elenca, estão disponíveis no nosso mundo, mas aparecem com novas roupagens tecnológicas. Inclusive o ataque do ISIS. Talvez fosse o caso de prolongar um pouco mais esses vôos de imaginação. Não sei.

  37. Daniel I. Dutra
    11 de julho de 2015

    A história me causou um pouco de estranheza, mas relendo gostei, principalmente do final.

    Sou da opinião que um bom final pode salvar uma história mediana (não que seja o caso desta história). Isso é um príncipio do Edgar Allan Poe no seu ensaio “Filosofia da Composição”.

  38. Pedro Teixeira
    8 de julho de 2015

    Olá autor(a). Gostei muito do conto até a metade, depois o ritmo da narrativa acelerou demais e diminuiu muito a verossimilhança alcançada até então. O enredo também não me agradou. Mas sua escrita tem muita qualidade, com ótimas descrições e bom vocabulário. Só a estória não empolgou mesmo, além de precisar de maior desenvolvimento. Parabéns e boa sorte no desafio.

  39. Jefferson Lemos
    8 de julho de 2015

    Olá, autor (a)!

    Não gostei, infelizmente. O inglês charmosão acabou não tendo peso nenhum para a história. E a própria história não teve muito sentido para mim. Ficou muito superficial, com alguns acontecimentos forçados e com o final fraco. O cenário, no entanto, se sobressai. É bacana e tem umas boas descrições.

    No geral, é isso. O conto acabou não me agradando.
    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

  40. Davenir da Silveira Viganon
    7 de julho de 2015

    Acho que faltou uma visão mais cuidadosa do que é o islã e do que é um terrorista. Me desculpe a sinceridade, mas o terrorista islâmico dando gargalhadas ficou clichê. Mas dentro do que tu propôs para a história, digo que ficou bem narrado.

  41. Brian Oliveira Lancaster
    7 de julho de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: Texto bem interessante, com um ar mais cotidiano, apesar do final turbulento. >> 7.
    G: Está bem escrito e o início me agradou muito. Toda a preparação do clima só foi estragada pela pressa com que acontecem os eventos finais. As referências sagradas também foram bem pontuadas, mas como um todo, o texto começou bem, mas desenfreou no final. >> 7.
    U: Não vi grandes problemas nas construções gramaticais. Foi fácil de acompanhar. >> 8.
    A: O clima geral de cidade do futuro está bem presente e aplicada aos acontecimentos. >> 8.

    Nota Final: 7.

  42. Rubem Cabral
    7 de julho de 2015

    Olá, Eyedol.

    Então, achei o conto mediano… O cenário e a situação imaginados foram criativos, o progresso da humanidade em tão poucos anos, também (até me incomodou pensar que em meros sete anos a partir de agora teríamos tantos gadgets e tecnologias assim).

    A escrita está muito boa, embora às vezes exagerasse em certas metáforas. Contudo, não consegui me conectar bem ao enredo ou aos personagens.

    Acho que faltou mais história, mais background para dar ao leitor um contexto mais preciso do que estava a ocorrer. Não senti nada pelo Adão Homem-de-barro (bom nome), nada pelo terrorista, etc.

    Não gostei tbm do final: achei-o com cara de lição moral.

    Boa sorte no desafio. Abraços.

  43. josé marcos costa
    6 de julho de 2015

    História interessante, porem um faltou desenvolver mais alguns outros aspectos da narrativa, o final foi broxante e poderia ter sido mais criativo. nota: Bom

  44. Lucas
    6 de julho de 2015

    Olá,
    Gostei do conto em um futuro mais palpável, suas previsões sobre tecnologia não estão assim tão longe de acontecer.
    Não consegui me importar com o personagem, poderia ter sido mais explorado. Dramatizar um pouco mais o ataque também iria ser legal.
    O ataque terrorista ao estádio ficou muito legal, nada mais visível mundialmente do que um atentado em plena final da copa do mundo.
    Parabéns e boa sorte.

  45. Ed Hartmann
    6 de julho de 2015

    Original!

    Um “ciberterrorista islâmico”! Pelo que vi a criatividade por aqui não possui limites!

    Boa evolução do texto. Concisão e coerência. Não há erros de sintaxe, concordância verbal ou de pontuação.

    Muito bom!

  46. Renan Bernardo
    5 de julho de 2015

    Gostei muito do conto! Bem escrito, ideia criativa envolvendo uma Copa do Mundo e o terrorismo, duas realidades que conhecemos bem (isso cria um vínculo maior com o leitor). Só achei muito avanço tecnológico para 2022. Pode guardar essa mensagem para jogar na minha cara caso tudo isso aconteça hahaha 🙂

  47. Alan Machado de Almeida
    5 de julho de 2015

    Curti a ambientação de sua trama, apesar de achar a tecnologia avançada demais para 2022. Usar o terrorismo, um problema atual, como tema principal no pano de fundo futurista foi interessante também, além da citação religiosa em meio à destruição sem ter precisado descambar o conto para o sobrenatural no meio do caminho. Nota 8.

  48. Fabio Baptista
    5 de julho de 2015

    A escrita está muito boa e boa parte da nota se deve a isso.
    Achei legal a ambientação na final da copa e tal, mas algumas coisas me fizeram torcer o nariz.

    A primeira é que estamos falando de algo que acontecerá daqui 7 anos e a tecnologia mostrada ali, apesar de nada muito absurdo, me pareceu um tanto inverossímil, principalmente a arma utilizada pelo terrorista.

    Gostei da crítica social referente ao uso de smartfones e similares, mas o conjunto geral acabou meio sem sentido para mim.

    NOTA: 7

  49. Anderson Souza
    5 de julho de 2015

    Achei interessante mesclar esporte com Ficção científica, porém os eletrônicos e ciborgs apresentados são um avanço muito grande para sete anos. Um ataque terrorista em uma Copa do Mundo no oriente médio é factível, mas não acredito que estaremos tão avanços tecnologicamente. Nota 5

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Publicado às 4 de julho de 2015 por em Ficção Científica e marcado .