EntreContos

Literatura que desafia.

Para te fazer feliz – Poesia (Miguel Bernardi)

Se eu fosse um vaga-lume,

iria iluminar tua face, guiar-te

os passos e ainda te roubar um sorriso,

e, em volta de ti, rodopiar

feito bobo.

 

E se eu fosse um príncipe, chamar-te-ia

para passear pelos bosques e,

quem sabe, encontrar ali uma clareira

com faunos e fadas e coisas assim,

e sob a melodia doce das gaitas e flautas, dançaríamos

a mais bela valsa, até a sol cair.

 

E quem me dera ainda se pudesse ser Deus,

apenas por um dia.

Faria, das estrelas, seus olhos,

para vê-los quando olhasse pra cima,

e tornaria a noite feliz e eterna.

 

Mas, mais que tudo, queria mesmo ser sonho,

sem começo nem meio e nem fim

numa noite fria e pintada de azul e

enfeitada por fadas e faunos, e vaga lumes iluminando

a relva, onde estaria deitado, ouvindo, atento

as batidas alegres

do teu coração.

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7 comentários em “Para te fazer feliz – Poesia (Miguel Bernardi)

  1. Wender Lemes
    23 de agosto de 2015

    Belo poema, Miguel. Parece simples, mas é uma simplicidade que engana, pois o sentimento imaginado nas ambições do eu lírico é extremamente profundo.
    Parabéns!

  2. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de junho de 2015

    Então Miguel. Acredita que fiquei pensando nesse seu poema de amor e acabei ficando preocupado com o resultado? O Poeta já se sente, por natureza, fora desse mundo e se a pessoa a quem é dirigido o poema é desse mundo (mesmo que você ache ela de outro mundo), alguns ajustes precisam ser feitos. Senão acontece com você o que aconteceu com o Fabio! A dica é: você até pode pensar o poema como se fala, como se faz um conto, mas ele precisa de alguns arranjos para dar uma melodia (nem sempre são as rimas) com algumas palavras arredondadinhas e macias em posições estratégicas. E sobre os faunos, fadas e vaga-lumes, saiba que às vezes precisam ser explicados para a pessoa não achar que você falou besteira. E quem sabe seu poema de amor fica mais bonito com imagens de fadinhas deixando atrás de si um rastro de estrelinhas, faunos simpáticos tocando flauta com uma alegria que não é desse mundo e os vaga-lumes (em alguns lugares são chamados de pirilampos) dançando ao som das flautas dos faunos em torno de vocês. Você sabe que tudo isso é clichê e também sabe que uma palavrinha, ou um versinho faz tudo ser original. É aí que vai a “assinatura” do Poeta. João Cabral de Melo Neto contava histórias longas como poemas (Vida e morte severina, por exemplo), Carlos Drumond de Andrade não se preocupava com rimas, nem com o sentido do poema, Cecília Meireles descascava-se em poemas e por que você não pode fazer alguma coisinha parecida? Bóra lá que o amor é assim mesmo!

  3. Anorkinda Neide
    17 de junho de 2015

    Bernardi! Que bonito! Muito leve e sentimental…hehehe

    Posso dar meus pitacos? :p

    O título, acho que seria mais realista se fosse: Para me fazer feliz ou Pra me fazer feliz, como sugeriu o Sidney
    pq o enredo todo fala da sua felicidade em amar e nao necessariamente em fazê-la feliz, embora esteja implicito…hehehe

    Sempre acho que o verbo no fim do verso é estranho, pois parece q o restante desceu pro verso seguinte, gratuitamente, forçadamente
    assim, na primeira estrofe:

    ‘Se eu fosse um vaga-lume,
    iria iluminar tua face,
    guiar-te os passos
    e ainda te roubar um sorriso,
    e, em volta de ti,
    rodopiar feito bobo.’

    ‘roubar-te’, tb seria melhor ali… pra combinar com ‘guiar-te’ que apareceu logo acima.

    Aqui tb, ó
    ‘e sob a melodia doce das gaitas e flautas,
    dançaríamos a mais bela valsa, até a sol cair. ‘
    desci o verbo para o verso seguinte 😉

    E aqui:
    ‘enfeitada por fadas e faunos, e vaga lumes
    iluminando a relva, onde estaria deitado,
    ouvindo, atento as batidas alegres do teu coração.’

    Parabéns pela inspiração, está lindo!
    Abração

  4. Sidney Muniz
    17 de junho de 2015

    Ficou bacana, Miguel.

    O título, como você usa a informalidade ao longo da poesia, poderia ser Pra te fazer feliz… acho que ficaria melhor, o “para” está muito formal.

    encontrar ali uma clareira – acho que esse ali ta meio deslocado, pois já se sabe que é pelos bosques, e não precisa do ali. Outro ponto é “a sol” acho que queria escrever “o sol”.

    Tem algumas coisinhas que podem ser melhoradas, uma vírgula faltando, outra sobrando, mas a poesia é doce e apaixonada, numa singeleza que transborda a alma do poetar.

    Gostei!

    Parabéns!

  5. mariasantino1
    17 de junho de 2015

    Ehhh, Miguelzinho. Muito bacana sua poesia, faz pensar que amar é se iludir para seguir vivendo ( minha frase ficou estranha :/ ). Já pensou o que seria a vida sem ilusão?
    Boa.

  6. Fabio Baptista
    17 de junho de 2015

    Boa, Miguel!

    Uma vez arrisquei algo desse tipo, com faunos, fadas e coisas assim.
    Mas o resultado não ficou tão bom.

    E a moça que recebeu a poesia não entendeu nada, porque não conhecia bem os seres mitológicos.

    Enfim, joguei aquela porra fora.

    Mas essa sua ficou bem mais legal!

  7. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    17 de junho de 2015

    No melhor estilo apaixonado! Ela já leu?

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado às 16 de junho de 2015 por em Poesias e marcado .