EntreContos

Literatura que desafia.

Vulcão Inativo (Fabio Baptista)

vulcao

Nunca vi um vulcão em erupção.

Pedras de fogo voando,

explosão e estrondo,

magma escorrendo,

cinzas cobrindo o azul,

calor e Sol escurecendo.

Espetáculo belo e tétrico,

da natureza expelindo sua fúria,

seu poder, sua alegria primordial.

E sua indiferença.

 

Mas eu já vi seu olhar.

Magnífico, arrebatador,

deleite de beleza e terror.

Já vi fúria em seus olhos,

alegria,

e o poder de um vulcão.

Mas hoje, só vejo inatividade,

só vejo… indiferença.

 

Nunca vi uma explosão de supernova.

Estrelas colapsando em si mesmas,

energia, raios gama,

brilho que ofusca galáxias.

Eventos tão grandiosos,

que minha mente limitada

mal consegue imaginar.

Eventos tão primorosos,

que parecem quase arquitetados.

Quase… propositais.

 

Mas eu já vi seu sorriso.

E juro que ele também ofuscaria uma galáxia.

Um evento grandioso,

que gerava energia e vontade de viver

em todos à sua volta.

Uma beleza tão primorosa,

que agora parece tão sem propósito.

 

Já vi coisas belas e alegres,

outras terríveis e tristes

e algumas belas e terríveis.

Outras, sei que não verei jamais,

ou nem tomarei conhecimento da existência.

Mas eu já vi seu olhar e seu sorriso,

já vi o esplendor de sua beleza.

Magnífica, arrebatadora.

Sinto-me privilegiado por isso,

mesmo que agora essa visão

pareça cada vez mais distante.

Mesmo que nossos sentimentos

sejam hoje um vulcão inativo.

Uma estrela que começou a morrer

depois de brilhar em demasiada intensidade.

 

Depois de ofuscar…

todo o meu universo.

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25 comentários em “Vulcão Inativo (Fabio Baptista)

  1. Brian Oliveira Lancaster
    9 de julho de 2015

    Tem um “q” de poesia misturado a um conto. Gostei das imagens transmitidas, bem como a troca de relato/sentimentos nos primeiros parágrafos intercalados. Infelizmente não senti toda a carga emocional que a poesia “exige”, mas o final fecha com chave de ouro.

  2. Amélia Cardoso
    18 de maio de 2015

    O poema tem um forte sentimento arraigado, o fim de uma paixão tão tensa quanto o vulcão título. Mas, da maneira que foi apresentado, destoou-se do enquadramento poético; caberia fácil numa prosa, já que o léxico é rico e a sequência narrativa insere uma descrição prolongada dos elementos.
    Penso que a poesia é válida com menos circunlóquio, deixando o lirismo transparecer nas entrelinhas.
    Usando as mesmas palavras do autor, eu apresentaria o poema (apenas como sugestão) desta forma:

    Vulcão inativo

    Já vi seu olhar
    magnífico
    arrebatador
    já vi fúria em seus olhos
    alegria
    e o poder de um vulcão

    já vi seu sorriso
    – evento grandioso-
    e juro que ele também ofuscaria
    uma galáxia;
    já vi o esplendor de sua beleza,
    energia e vontade de viver
    em todos à sua volta

    agora,
    visão cada vez mais distante,
    um vulcão inativo,
    estrela que começou a morrer

    depois de ofuscar todo o meu universo.

    De qualquer modo, o que vale é o sentimento aplicado no poema.

  3. Anorkinda Neide
    14 de maio de 2015

    Quanto ao conteúdo poético, à força empregada e sentida pelo leitor, o poema está avassalador.
    Se lê sorrindo porque vai conectando pensamentos e reflexões prazeirosas. Parabens.

    Agora à parte chata 😛

    ‘Espetáculo belo e tétrico,
    da natureza expelindo sua fúria,’
    não teria a virgula após o tétrico, a nao ser q vc retire o ‘da’
    ‘Espetáculo belo e tétrico,
    natureza expelindo sua fúria,’

    As duas primeiras construções comparando os vulcões e as supernovas estão perfeitas. talvez enxugando-se um pouquinho das virgulas no final dos versos.
    mas os pontos finais e reticências estão ótemos!

    ‘E juro que ele também ofuscaria uma galáxia.’
    eu acho que este ‘juro’ trouxe informalidade, não era pra ser informal em apenas um verso, destoou.

    Já a estrofe da beleza, quero crer q vc correu, se tivesse tido o mesmo cuidado q tivesse com as anteriores, o poema estaria digno de celebridade do mundo literário…rsrsrs
    sei q gostas..rsrsrs mas é verdade tb o que to dizendo, a partir de minhas apreciações de poesia.

    ‘Depois de ofuscar
    todo meu universo…’
    acho q reticencia no final ou ponto final mesmo ou mesmo exclamação!
    mas nao a reticencia em’ofuscar’, nao fez sentido algum…rsrsrs

    ‘Depois de ofuscar
    meu universo inteiro.’
    não sei se assim fecharia com mais maturidade, q achas?

    sinceridade, relendo agora… me incomoda o verbo ofuscar… aparece duas vezes, inclusive seria bom substituí-lo em alguns dos dois trechos… mas na real, nao gosto deste verbo, claro, é o meu paladar aqui…hehe
    sempre me lembra ‘fuscas’…kkkk

    Abração, poetaço!

  4. mariasantino1
    9 de maio de 2015

    Confesso que estava curiosa para ler essa poesia. A imagem instiga e o nome também. Depois de ler “Eu sou a rosa/Plantada num mundo que é concreto/E não jardim” já sabia que viria coisa boa.
    É um escrito que fala do esfriar de uma relação, a ocultação ou perda de algo que um dia foi maior. Me fez refletir bastante.
    Parabéns!

  5. Jefferson Lemos
    7 de maio de 2015

    Esse Sherlock já nos mostrou suas habilidades antes! hehe

    Achei que poderia ter um pouco mais de melodia nas últimas estrofes, quando fala de amor. Mas, não tirou o mérito da bela obra!

    Abraço!

  6. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    7 de maio de 2015

    Êta campeão! Um poemão de amor? Tem vocabulário para isso e também sabe que as frases no gênero poema, chamadas de versos, são mais curtas. Uma dica: os pronomes pessoais soam bem com parte do poema se forem colocados em posições estratégicas e não onde pede a frase como na prosa. Mais uma dica: brinque de trocar palavras de posição no verso que é um barato e deixa o poema desse nosso estilo “livre” com mais cara de poema. E se solta mais que poeta não é tímido, não fala como meias palavras ou meios versos e meias estrofes. Continua aí que desse poeta ainda sai um clássico! Já pensou que legal um desafio de poemas?

  7. Sidney Muniz
    7 de maio de 2015

    Cara, eu gostei do escrito, mas formatando ele como uma prosa poética me pareceria mais lógico.

    As frases se completam como se uma divisão forçada houvesse sido feita para se criar versos, quando a meu ver cada conjunto desses versos não são necessariamente uma estrofe, e sim um parágrafo de uma prosa.

    Ainda que meu péssimo faro para direcionamento de uma poesia ou de suas regras (não sei praticamente nada delas) o texto é sim poético e muito bem elaborado, fora a escolha de formatação.

    No mais te ler tem se tornado cada vez mais algo interessante. logo deixarei minha impressão no conto do último desafio.

    Tardarei mas não falharei.

    Um forte abraço e sucesso na escrita e em tudo, sempre!

    • Carlos Henrique Fernandes Gomes
      7 de maio de 2015

      O que o Sidney falou me lembrou o Carlos Drumond de Andrade que fazia o que você fez muito bem e é a melhor referência nesse nosso estilo. Dá uma olhada em qualquer obra dele.

  8. Wender Lemes
    6 de maio de 2015

    Grande, Fabio! Quanta inspiração, cara. A musa falou alto no seu poema rs. Belo fechamento também. Parabéns!

  9. Jowilton Amaral da Costa
    6 de maio de 2015

    Bom poema. O texto fala sobre uma paixão encerrada, um vulcão inativo, que não cospe mais fogo, o fogo do amor. Você conseguiu passar o recado. Mas, acho que poderia ser ainda mais visceral, achei que o pudor que o Falco falou em seu comentário, deu uma aparecida aqui sim e esfriou um pouco os versos. Abraços.

  10. José Leonardo
    6 de maio de 2015

    Olá, Fábio de Baker Street. Realmente você estancou poesia dentro de si e esperou o Off-desafio para catapultá-la. Seria interessante lermos mais poemas desse jovem que já mostrou seu valor em prosa. O vulcão não pode parar! Muito bom.
    Abraços.

  11. vitor leite
    6 de maio de 2015

    muito bom Fábio, muito bom mesmo. a mim, e isto foi só o que senti, ao entrar no último grupo – Já vi coisas belas e alegres, – o texto perde força, talvez por repetires “terriveis” não sei, mas gostei muito com esse pequeno oh! mas gostei muito, parabéns, mas tu já és um escritor e tanto! para quê parabéns…

  12. Ricardo Gnecco Falco
    6 de maio de 2015

    Sabe qual é o maior problema (e a maior beleza) da Poesia? Mais precisamente, sabe o motivo maior (e mais belo) da resistência que todos nós, em algum momento, demonstramos contra o ato de escrevermos um (verdadeiro) poema?

    O medo.

    Não um medo qualquer, um receiozinho besta, uma hesitação… Mas um medo vergonhoso, mesmo. Paralisante. Pois escrever é como desnudar-se. Um strip poker onde, a cada verso, vamos nos livrando de uma peça.

    De roupa, de maquiagem, de máscara… Da própria pele.

    Poesia é carne viva. E, entrar aqui (de verdade), neste ainda pequeno pedaço do site dedicado a ela, mataforicamente, seria a mesma coisa que brincar de gato-mia. Lembra desta brincadeira (nem tão de criança assim…)?

    Só que dentro deste quarto estão todos os nossos coleguinhas. A luz está apagada. Você deve entrar no escuro. E nu. Quando a luz se acender (e ela sempre será acesa), todos que aqui estão (e no metafórico interior do quarto também), estarão igualmente nus. Ok, tá todo mundo pelado. Beleza…

    Só que não.

    Quando a luz for acesa, verá que as paredes são — TODAS — de vidro. E aqui, do lado de fora, camisetas serão blindagens; paletós, armaduras medievais; e rostos… Ah, os rostos… Só terão olhos e dentes.

    Mas (já) não haverá mais medo.

    Por isto, meu nobre colega (e poeta!) FB, dou-lhe os parabéns por seu poema! Por ter entrado corajosamente (e verdadeiramente) neste Big Brother da alma. Por despir-se da fantasiosa (e segura) criatividade, para (des)cobrir-se (e mostrar-se) ‘criaturidade’.

    Curti bastante esta erupção, parceiro! 😉

    Abraço,
    Paz e Bem!

    • Anorkinda Neide
      6 de maio de 2015

      mas que barbaridade de comentário!! vou copiar e compartilhar neste Big Brother que é a vida virtual! ho ho ho

      disse tudo, o manganão!
      (procura essa, FB!! kkkk)

    • Neusa Maria Fontolan
      6 de maio de 2015

      Que comentário! Quase chegou a uma disputa com o poema (este me arrebatou) parabéns em grande estilo ao Fabio. Até parece demagogia por ele ter ganho o último desafio, mas não, eu li e disse UAU! Isso vindo de uma pessoa que não lê poemas…
      Parabéns a você também Ricardo, acho que vou seguir a Anorkinda e copiar seu comentário.

    • Fabio Baptista
      6 de maio de 2015

      Estou me sentindo pelado numa casa de vidro! Kkkkkk

      Valeu, Ricardo! Comentário deveras inspirado.

      Abraço!

    • Carlos Henrique Fernandes Gomes
      7 de maio de 2015

      O Ricardo postou o poema dele no lugar errado! Brincadeira de mau gosto, eu sei! Foi mal! Gostei do que você disse, que a poesia é a carne viva do poeta! É o gênero mais intenso e delicado da literatura; é maravilhoso! E o conto é decascar-se com calma, para uns com bem mais calma, né não Fabio! Literatura é… é… como posso dizer… Não sei viver sem ela e não sei como tem gente que vive sem ela! Freud explica tanto um como o outro?

  13. Claudia Roberta Angst
    5 de maio de 2015

    Um poeta (que já foi) apaixonado. Mais longo do que os outros poemas que li, mas nem assim cansativo. Gostei da imagem do vulcão configurado como beleza e paixão. Bela tentativa, FB.

  14. Cácia Leal
    5 de maio de 2015

    Muito bom!!!! Genial, poeta Sherlock!!!

  15. Neusa Maria Fontolan
    5 de maio de 2015

    UAU…

  16. rsollberg
    5 de maio de 2015

    Muito bom!
    Fábio estava escondendo o jogo.
    Não vou acreditar se me disser que são linhas escritas ao acaso, sem qualquer traço empírico. Essa desilusão conformada é palpável. Essa oposição entre esplendor e ocaso, sublime e ordinário.
    Parabéns, Sherlock!

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Publicado às 5 de maio de 2015 por em Poesias e marcado .