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Detox Literário.

Sangue e Saudade (Alexandre Leão)

alexandre

De rubro tingiu-se à tarde,

A noite descendo calma;

De sangue banhava a cena,

Negra, tornava minh’alma.

 

Ouviu-se distante, a cigarra,

Canção funesta, enfadonha.

Aquela que amo, tão longe,

Não ouvia a cantiga tristonha.

 

Quisera ser tu, oh sol rubro,

Que se oculta para a noite vir.

Teus olhos se fecham, esconde

O amor que não podes sentir.

 

A noite se faz presente!…

O sol já não brilha mais!

Terá tempo para esquecer,

O que não esqueço jamais.

 

De negro tingiu-se a noite…

Minh’alma então padecia.

Chorei como chora a criança,

Como a tarde que aos poucos morria.

 

Há dia, noite em minh’alma,

Cingindo de rubro meu ser.

Lembrando os sonhos doirados

Que eu nunca pude viver.

 

Há dia, noite em minh’alma,

Cingindo de sangue meu ser.

Bem longe, prediz a cigarra,

Que eu nunca vou esquecer.

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14 comentários em “Sangue e Saudade (Alexandre Leão)

  1. mariasantino1
    9 de maio de 2015

    Maravilhoso! Sabe aquelas coisas que você ler rindo e depois quer reler mais uma vez? Pois sim, foi o que aconteceu aqui comigo. Li e reli com o sorriso aumentando cada vez mais. Lembra os grandes como Castro Alves ( Mocidade e Morte — Espumas Flutuantes) adorei o saudosismo repassado pela poesia. Posso ler mais uma vez?
    Parabéns!

  2. Leonardo Jardim
    7 de maio de 2015

    Um ótimo poema clássico, bem estruturado e com rimas bem encaixadas. Daria pra ser musicado com facilidade. Percebe-se que o autor não é amador meses caminhos poéticos. Só algumas repetições que poderiam ser evitadas, mas mesmo com elas ficou muito bom. Abraços

  3. Sidney Muniz
    7 de maio de 2015

    Uma poesia bonita.

    Gostei de como trabalhou o poema e de como introduziu algumas cenas.

    Algumas coisas se repetiram e deixaram de me passar algumas imagens, mas me forneceram outras.

    Bem bacana!

    Parabéns!

  4. Anorkinda Neide
    6 de maio de 2015

    Amado… Muito lindo este poema clássico, por-do-sol, melancolia, nostalgia, lirismo, tudo o que um poema gosta de ter!
    Parabens!
    Abaixo deixo uns apontamentos sobre a parte gráfica da coisa, não leve a mal minhas impressões, ok? 😉
    bjão n’alma

    ‘a tarde’, neste contexto não leva crase…

    Não vai virgula tb após ‘Negra’

    ‘Teus olhos se fecham, escondem’, no plural

    Também não vai vírgula depois de ‘Bem longe’, no penultimo verso.

    Eu tiraria todas as pontuações dos finais dos versos, desprecisa delas! 😉

  5. vitor leite
    6 de maio de 2015

    gostei, e vê-se que tem pratica no género conseguindo fazer-nos ver essas imagens

  6. Alexandre Leao
    6 de maio de 2015

    Obrigado a todos os amigos que comentaram e mesmo aos que apenas leram. Todas as opiniões são sempre bem vindas. São elas que nos faz crescer. Abraços a todos.

  7. Neusa Maria Fontolan
    6 de maio de 2015

    Bom poema

  8. José Leonardo
    6 de maio de 2015

    Olá, Alexandre Leão. Não existe poesia nova ou anacrônica, e sim boa ou ruim. Seu poema é bom, embora não tenha me atraído.na verdade, nem sei ao certo o que procuro num poema — mas o autor tem de alimentar mais minha curiosidade e me fazer “trincar” o cérebro. Imageticamente, são belos versos escritos de uma gorma que não consigo emular e tento evitar.
    Abraços.

    • José Leonardo
      6 de maio de 2015

      Ops! *forma

  9. Wender Lemes
    5 de maio de 2015

    Parece que você já tem um pouco de experiência com o gênero. Muito legal o modo como estrutura as visões neste poema. Li como se não fosse só um anoitecer físico, mas um anoitecer de espírito, uma luz da vida que vai se apagando, não sei. Gostei muito, parabéns.

  10. Cácia Leal
    5 de maio de 2015

    Muito bem. Adorei! Muito bom o poema! Gostei de seu ritmo e de sua rima. Muito bem cadenciado. Eu só trocaria um dos versos (pois está repetitivo: Cingindo de rubro meu ser/Cingindo de sangue meu ser. A repetição não auxilia na musicalidade e se repete termos justamente para musicalizar o poema. Parabéns!

  11. Claudia Roberta Angst
    5 de maio de 2015

    Imagens rubras de um entardecer cheio de lembranças. Poema bem elaborado, cadenciado, fluente em poesia. 🙂

  12. Fabio Baptista
    5 de maio de 2015

    Olá, Alexandre.

    Bom trabalho esse aqui. Versos bem estruturados, rimas precisas e belas imagens projetadas na mente do leitor.

    Parabéns.

  13. Anorkinda Neide
    5 de maio de 2015

    Ohhh quem está aqui…
    ainda não estou comentando os poemas, so vimte dar um abraço, Leão! hehehe
    bjão

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Publicado às 5 de maio de 2015 por em Poesias e marcado .