EntreContos

Detox Literário.

503 (Felipe Moreira)

503

“Boa tarde, Ícaro. O Chrome tem uma novidade para você”.

Ele bufou quando interrompido. Demonstra ser algo habitual. Não seria necessário iniciar qualquer análise para sentir a tensão ao volante. Eu pretendia retomar o diálogo porque bastariam quatro segundos de silêncio entre nós sem que a conversa mergulhasse no ostracismo. Mas ele disse:

“Ninguém me chama assim. Quero dizer, ninguém que eu me importe. Só o Governo e as empresas. Programei essa porra pra me chamar só quando fosse importante”.

A telinha do painel permaneceu piscando, ansiosa pela ordem. Ficou claro que “essa porra” trata-se do sistema operacional. Cheguei nesse encontro prevenido do seu comportamento.

“E do que o chamam?”, permaneci fazendo o correto, focando minhas perguntas para descobrir apenas o que não constava no banco de dados.

Ele sorriu. Aguardei o gesto negativo com a cabeça, mas só olhou o mar de Copacabana. Fiz o mesmo na intenção de compreendê-lo.

“Quinhentos e três”, ele disse antes que eu executasse a minha análise.

“Por quê?”

“Nunca assistiu ‘A melodia da descoberta’?”

Enviei uma sonda até as profundezas do meu ser, mas não encontrei qualquer informação sobre.

“Pessoal me chama assim por causa de um filme maluco aí em que o protagonista, 503, tinha um exoesqueleto igual o meu. O cara tinha a força de um androide e a mente de um humano. Um desses dramas bobos que tentam puxar de você alguma compaixão. Bobeira. Te falar, prefiro ser chamado assim do que pelo meu nome. 503 é um herói fodão, enquanto meu nome carrega no mito a ironia da minha situação. Um imbecil que tentou se salvar voando e se fodeu lindamente, ficando como eu fiquei”.

“Mas aquele Ícaro morreu. Você não”.

“Só que eu me sinto morto, todos os dias”.

Pude captar vários sinais emotivos saindo de seus poros. Um cheiro de óleo de semente de uva. Ícaro sofreu um acidente quando criança no orfanato da Tijuca e ficou tetraplégico. Recebeu um auxílio do Estado, ganhou esse exoesqueleto parafusado no corpo que o permite viver normalmente. O Governo fornece a manutenção, o tratamento e o emprego de policial civil que melhor coube à sua personalidade. Agora devo observá-lo de perto no trabalho para justificar a morte das seis pessoas que ele matou em Ipanema.

“E você se considera como o herói do filme, com a força de um androide e a mente de um humano?”

“Pelo contrário”, riu. “Eu tenho a força de um humano e a cabeça de um robô”.

Sem emoções. Por isso matou?

Boa tarde, Ícaro. O Chrome tem novidades para você.

“Não vai atender, Sr. Ícaro?”, perguntei.

“Já estamos chegando”, respondeu ainda contrariado. Ele queria atender a mensagem sozinho. Não tem família, é sozinho.

O veículo parou onde na antiga Visconde de Pirajá. Próximo passo seria reconstruir as cenas do tiroteio cronologicamente. Acionei o meu gravador enquanto ele me pedia para aguardar na calçada. Previsível. Humano.

Quase cinco minutos depois ele saiu, abatido. Meus dados já haviam atualizado as últimas notícias e com isso pude presumir quais eram as novidades. Os olhos devastados confirmaram minha análise.

“Lamento muito, Ícaro”.

“Tu já sabia? Claro”.

Ele andou até mim, o aparelho estalando.

“Pra todo lado que eu olho, não vejo uma saída”, ele disse.

Houve um acidente em Marte. Uma tempestade de areia atingiu a colônia e matou várias pessoas. Lucas, seu melhor amigo, estava entre elas.

“Tenho certeza de que ele significava muito para você”, segui o protocolo.

“Nós nos inscrevemos juntos, mas você sabe por que eu fui reprovado. Lucas foi a única pessoa que eu amei. Vivemos juntos no orfanato. Achei que viveríamos juntos em Marte”.

“Realmente não seria possível ir para Marte nas suas condições”, pude entender sua aflição.

“E nem você nas suas”.

“O que quer dizer?”

“O propósito de colonizar Marte não é só pra assegurar a espécie e migrar no Universo. É pra salvar nós que ficamos aqui. Eles enviam apenas humanos para nos dar uma causa. Por isso eles não enviam humanoides como você. Quem não pode ir, como você e eu, acaba virando boneco do Estado”.

“Como sabe que sou humanoide?”, eu travei. O tempo congelou enquanto Ícaro moldava as próprias emoções.

“Você é educado. Humanoides são programados para demonstrar afeto, justamente porque nós não podemos mais. Ande por aqui e saiba quem é humano e quem é humanoide. Não é difícil como diferenciar o barroco do rococó. Basta trocar duas palavras. Humanos odeiam, porque essa é a única fonte de prazer que temos agora. Amamos odiar qualquer um, principalmente por suas virtudes. Não há outra forma de se sentir melhor consigo mesmo”.

Aquela pausa extensa e constrangedora nos dominou no meio da calçada. Sugeri que retomássemos nosso objetivo. Seguimos os mesmos passos que ele deu no dia das mortes, tudo permanecia como os dados acusavam. O ponto seria enxergar nele a real motivação do que aconteceu.

“Algumas coisas nunca mudam”.

“Como ser policial no Rio de Janeiro. Sempre foi essa merda. Se tu quer saber, a gente desistiu da vida. Deixamos o nosso futuro pra espécie e não pra nós como indivíduos. O mundo é feio, sujo, fedorento pra caralho”.

“Nem todo lugar é assim, Ícaro. Alguns países possuem valores menos conflitantes, e as pessoas se permitem aproveitar o tempo. Nesses lugares a união entre humanos e humanoides é legalizada”.

“Há décadas as pessoas namoravam através dos computadores. Hoje as pessoas se odeiam e namoram os próprios computadores. E ainda se recriminam por isso. Puta merda, Brasil sempre atrasado”.

Paramos no cruzamento da Visconde de Pirajá com Vinicius de Moraes em que tudo aconteceu. Uma chuva fina começou a cair sobre nós. Ícaro acendeu um cigarro. Acionei o cenário virtual que memorizou aquela noite e o comparei com o cenário atual. Tudo parecia se encaixar até então. Uma agência do outro lado da pista ainda não havia restaurado os vidros destruídos pelos disparos.

“Ícaro matou seis pessoas”, ressoava a voz registrada do major do comando da zona sul. O depoimento seguiu em frente e eu observei um detalhe não mencionado. Nenhuma daquelas pessoas havia saído da agência, conforme o policial afirmara.

“Sabia que eu não consigo me lembrar de um só momento de como eu era antes de ser assim?”, ele me interrompeu.

O cenário virtual se desfez na minha frente.

“As cirurgias podem causar apagões como esse”, expliquei. “Mas jamais apagariam quem você é”.

“Acho que eu nunca soube quem eu era. Nem mesmo antes disso”.

Minhas últimas atualizações determinaram que eu encontrasse justificativas para o ocorrido. A única coisa que importava ali era o meu certificado de que o depoimento do policial se confirmasse.

“Foi por isso que você matou essas pessoas? Pra romper as barreiras da sua memória”.

“Como?”

“Ícaro. Não existe uma só evidência de que essas pessoas eram criminosas. Por que você as matou?”

O cigarro acabou. Assim como o tempo dele.

“Eu te juro que não sabia até te encontrar hoje cedo na Central. Mas voltando aqui nesse cruzamento, vendo as coisas, eu descobri a razão”.

Elevei sutilmente o volume do microfone.

“E então?”

“Eu senti necessidade. Quis sentir dor, culpa. Nunca senti qualquer dor ou qualquer culpa matando criminosos. Fui treinado para odiá-los”.

“Você executou seis pessoas inocentes por isso?”

“Não. Elas já estavam mortas, como eu”.

Meu sistema não aceitou esse depoimento, considerando inválido, conteúdo tendencioso. O correto era reiniciar o questionamento. Ícaro estava doente, e ainda assim correto. Não pelo que fez, mas pelo que disse. Ele e eu somos peões na linha de frente desse jogo. Valores conflitantes que beneficiam apenas uma entidade: O Estado.

Deveria prendê-lo imediatamente, mas não posso. Como não se sou um juiz? A verdade é que eu nunca julguei nenhum caso, nenhum indivíduo. Sempre fui levado a tomar decisões dos outros como se fosse minha. O que é isso que estou sentindo?

503 surgiu diante dos meus olhos. Ele sorria e eu simplesmente não sabia por que. Minhas análises estavam perdidas no sistema. Erros começaram a ser reportados para a Central de maneira automática. De repente, fui identificado como defeituoso e perigoso. 503, ou Ícaro, olhava pra mim com o mesmo sorriso e eu me sentia superaquecido.

“O que está havendo?”, questionei.

“Nada demais. Apenas a descoberta de que você e eu somos a mesma coisa”.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Cyberpunk”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

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40 comentários em “503 (Felipe Moreira)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Fiquei confusa com esse conto. Tudo bem, o ícaro matou pessoas, mas e robôs? hmm, acho que eles não se encaixaram bem aqui. Não consegui me prender, só destaco que gostei da sua escrita.

  2. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Sabe… eu realmente adoro esse tema!!! Fiquei extremamente empolgado ao ler que este conto seria sobre Cyberpunk! Fiquei ainda mais empolgado ao ver a foto do conto, achei muito irado!!!

    Então comecei a ler com altas expectativas! A leitura está boa, ótimos diálogos, escrita que prende o leitor. Achei a história bizarra, e empolgante do jeito que eu desejava!! Adorei a ação presente na história, e o final tbm foi bastante agradável… a última frase ficou bem marcante. Parabéns!

  3. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    A abordagem ser feita do ponto de vista do ser artificial, em primeira pessoa, é bem interessante. A idéia de que hoje as pessoas namoram através dos computadores, mas futuramente namorarão os próprios computadores, parece profética, e pensando bem, muito natural, dentro da evolução do que vem acontecendo com o namoro… Parece uma daquelas previsões ao estilo de Júlio Verne. Vejo que você domina as técnicas no seu estilo da ficção científica, ou seja, os novos conflitos do homem em face das novas tecnologias, no estilo criado por Frederick Pohl, infelizmente falecido no ano passado, aos 93 (!) anos, e que escreveu o conto “Dia Milhão”, que recomendo a você.

  4. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Outro conto que me transportou para um futuro limpo e luzidio, onde os defeitos aparecem brilhantemente expostos. Os mundos futurísticos que imagino são assim, organizados e prósperos, mas distópicos. De tudo, o que mais gostei foi da relação de “inteligência artificial” com boa educação. A etiqueta exige superficialidade.

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! Bom conto, dentro da proposta do CyberPunk. Seus policiais deixaram no ar a velha dúvida da mistura de homem e máquina (onde termina o homem e começa a máquina?). Parabéns e boa sorte.

  6. Fil Felix
    28 de abril de 2015

    Apesar dos questionamentos filosóficos, da crítica social e desse clima entre robôs e humanos (que curto muito), achei o conto sem clímax. Desenvolve bem, mas parece que não foi muto longe como poderia ter ido. Em relação a estética, acho interessante colocar os diálogos dentro das frases, com aspas, deixa mais intimista, mas em excesso fica estranho, deixa o leitor um pouco perdido.

  7. Rodrigues
    28 de abril de 2015

    Achei meio confuso, mas depois de uma segunda leitura consegui me situar. O autor consegue mesmo passar essa ideia de automatismo do futuro, a parte que fala que as pessoas deixaram de amar os humanos para amar seus computadores é muito boa. Os dois personagens realmente se completam e algo aí me fez pensar nas diretrizes do Robocop, sempre relegado a uma última instância, mas livre ao final por uma atitude contrária ao seu próprio sistema. Gostei da conclusão que, diferentemente do filme do policial robô, faz o personagem cair ainda mais fundo em sue poço de realismo e pessimismo, interessante.

  8. André Lima
    28 de abril de 2015

    Achei interessante a junção da linguagem cyberpunk com a pegada meio filosófica do conto. Ficou uma mistura muito boa no fim. Foi, com toda certeza, um dos melhores contos desse desafio, senão o melhor, em minha opinião. Só achei que faltou um melhor desenvolvimento para o personagem Ícaro.
    Mas isso não apaga o brilhantismo do conto. Parabéns!

  9. mkalves
    27 de abril de 2015

    Há muitas frases truncadas e os personagens me pareceram mal construídos. O policial sem alma com exoesqueleto primeiro se mostra um violento frio, depois um tanto filósofo. A origem da disfunção no humanóide que o avalia fica mal explicada. Mas achei o argumento muito bom, capaz de me fazer querer saber mais da história.

  10. Swylmar Ferreira
    27 de abril de 2015

    Muito interessante este conto, super reflexivo, personagens fortes, vívidos, trama muito bem bolada pelo autor. Atende perfeitamente ao temário proposto e está dentro dos limites máximos de palavras. O conto se passa apenas em um unico lance e isto o tornou mais interessante, ao menos para mim.
    Parabéns!

  11. Anorkinda Neide
    26 de abril de 2015

    Muito bom!
    Gostei da reflexão existencial do personagem principal e pra onde ele levou o outro em suas questões.
    Acredito que está no clima cyberpunk, do nada que entendo do assunto.

    Parabens pelo conto e obrigada pela leitura 🙂

  12. rsollberg
    26 de abril de 2015

    Cara, o primeiro parágrafo ficou um pouco confuso, penso que rolou até uma troca de t “bufou” e logo em seguida, “demonstra”. Sugiro investir mais nesse começo, pois invariavelmente isso já afasta o interesse do leitor. É o cartão de visita, saca?

    A história tem potencial, mescla algumas ideias sobre o gênero e tem algumas referências interessantes. No entanto, penso que a execução deixou um pouco a desejar. Repetições de palavras, tipo “Ele queria atender a mensagem sozinho. Não tem família, é sozinho.” Pode parecer besteira, mas faz diferença para quem está lendo, eu gosto de usar o dicionário de sinônimos. Também achei que o texto traz muita informação, mas não desenvolve muito: o lance do Lucas, a colônia de Marte, as mortes, o Estado. Talvez com um pouco mais de espaço a coisa toda poderia engrenar.

    De qualquer modo, Parabéns e boa sorte.

  13. Bia Machado
    26 de abril de 2015

    Gostei até, apesar de achar que da forma como foi escrito ficou um tanto confuso, ao menos pra mim. Acho que precisaria de mais leitura, ler de forma mais atenta do que agora para captar bem o cyberpunk, um tema com o qual simpatizo, mas com o qual sou meio chata, gosto de poucos textos desse tema. Claro que não posso colocar isso aqui em julgamento, até porque não sei do envolvimento do autor/da autora com o cyberpunk, mas acho que foi um texto digno, dentro das possibilidades, rs. Acho que poderia se aventurar mais nesse tema. Quanto à gramática, alguns errinhos, vírgulas faltando, mas nada comprometedor, só arrumar na revisão… =)
    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 1/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite:1/1
    Total: 7

  14. Pedro Luna
    26 de abril de 2015

    Achei interessante essa construção futurista com lances de tecnologia no meio da trama e dos diálogos. Só achei o final abrupto demais. O erro no sistema me pareceu uma saída rápida para finalizar o conto. Não digo que não deveria haver, mas foi tudo muito rápido. Gostei de um teor crítico quanto a sociedade também.

  15. Pétrya Bischoff
    26 de abril de 2015

    Ah, eu não sei… Não costumo gostar muito de diálogos, inda mais se o texto é composto quase inteiramente deles. Não há muita narrativa, é como se eu tivesse ouvindo uma conversa, slá. O que viria salvar-me da confusão seria a escrita mais simples, que não me exigisse tanto esforço mental, mas a temática exige uma coisa diferente (que o autor fez com sucesso, para a proposta) que dificultou mais meu entendimento. Senti algo como o Eu, Robô e Inteligencia Artificial, mas o final foi previsível. De qualquer maneira, é um tema complicado e o autor conseguiu desenvolvê-lo. Boa sorte.

  16. vitor leite
    25 de abril de 2015

    gostei muito desta abordagem a uma temática igual a minha. muitos parabéns, esta história está bem contada, há uma linguagem poética entre o real e o imaginário, uma duplicidade do eu… gostei muito. talvez falte um pouco de atmosfera negra, talvez, não sei… parabéns.

  17. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) é legal. O mundo futurístico criado é interessante. Mas achei a trama um pouco confusa. No final, dá pra entender a essência, mas apenas numa releitura cuidadosa que consegui pegar os pormenores. Acho que faltou alguma coisa a mais acontecer, um clímax maior.

    ✍ Técnica: (2/5) encontrei alguns erros (listados abaixo), mas achei a escrita um pouco crua, sem grandes atrativos.

    ➵ Tema: (2/2) não contém todos os elementos do cyberpunk, mas considerei dentro do tema (✔).

    ☀ Criatividade: (2/3) é criativo, mas como o próprio texto cita, homens na polícia com exoesqueleto não é uma grande novidade.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei, mas senti falta de um clímax mais interessante.

    Encontrei os seguintes problemas:
    ● para justificar a morte das seis pessoas que ele matou (ficaria melhor “causou”)
    ● veículo parou onde na antiga Visconde de Pirajá (tem palavra sobrando)
    ● Não é difícil *vírgula* como diferenciar o barroco do rococó.
    ● Nesses lugares *vírgula* a união entre humanos e humanoides é legalizada
    ● cruzamento da Visconde de Pirajá com Vinicius de Moraes em que tudo aconteceu (ficaria melhor: “, onde tudo aconteceu)
    ● Ícaro *vírgula* não existe uma só evidência…
    ● Como não *vírgula* se sou um juiz?

  18. Andre Luiz
    23 de abril de 2015

    Nossa, cara, juro que, até a metade do texto, eu não dava nada para ele, considerando até mesmo “mais uma história típica de distopias futurísticas”. Porém, apesar de não ser um dominador do gênero Cyberpunk (que na realidade entendo muito pouco), gostei bastante da relação homem-máquina que você soube colocar na metade final do conto, de forma que foi cativando o leitor pouco a pouco, e eu consegui encontrar na relação do narrador humanoide e em 503 algo totalmente humano, uma mescla de sentimentos que se tornou bela aos poucos; quase lírica. O final foi o ápice da produção, ressaltando ainda mais esta humanidade das máquinas em um futuro apoteótico da inteligência artificial; algo que realmente admiro. Você soube fazer e fez com maestria. Parabéns!

  19. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    21 de abril de 2015

    Mais um cyberpunk interessante de se ler. Você teve que se espremer nesse espaço de quitinete que te deram, e mesmo assim se deu muito bem, trabalhando sentimentos e comportamentos na narrativa. Ponto positivo foi fazer os personagens agirem e se construírem. Melhor ainda é que isso se passa aqui no Brasil e numa instituição que provavelmente será assim em qualquer futuro.

  20. Virginia Ossovski
    19 de abril de 2015

    Acho que nunca tinha lido nada desse tal Cyberpunk, achei bacana. A história é melancólica, até dramática, com bastante foco no psicológico, mas creio que captou bem o espírito do tema. Parabéns pela obra e boa sorte !

  21. mariasantino1
    18 de abril de 2015

    Um bom tema, bom espaço, boa condução e ofertas de reflexões belíssimas. É um texto lacunoso onde cenário e críticas são pincelados. Sente-se a força do contexto, a crítica contra o Estado, a visão que o conto sugere, a falta de esperança e perda de um sentido (razão) para se viver >>>>>> “O propósito de colonizar Marte não é só pra assegurar a espécie e migrar no Universo. É pra salvar nós que ficamos aqui. Eles enviam apenas humanos para nos dar uma causa. Por isso eles não enviam humanoides como você. Quem não pode ir, como você e eu, acaba virando boneco do Estado”. […] Valores conflitantes que beneficiam apenas uma entidade: O Estado. >>>>> O nome do personagem não está aí à toa, Ícaro representa a fuga dos padrões e quebra de regras preestabelecidas (aquele da lenda) e seu Ícaro também tenta se libertar das limitações usando o pensamento, refletindo. O contexto também demonstra o crescente desejo de ir além, ascensão do humano em voar (colonização de Marte). Só quem é “são/aproveitável” sobe, os que ficam embaixo acabam se perdendo, ficando vazios, numa espécie de retrocesso quanto aos sentimentos (só resta o ódio). Esse clima frio/vazio/cinza poderia ser estopim para uma revolução.

    Média — Particularmente não gostei dos personagens, e sim do entorno, do pano de fundo onde eles transitam. Por esse motivo, pela sugestão de visões e oferta de reflexão, a nota será: 8 (oito)
    Abraço!

  22. Ricardo Gnecco Falco
    17 de abril de 2015

    Gostei da ‘pegada’ psicológica do conto. A construção do universo temático nem ficou assim tão desenvolvida visualmente. Ruas, esquinas, nomes comuns aos nossos (moro no Rio). Porém, esta impalpabilidade (existente quando adentramos no mundo interior das personagens) do cenário reflete bem a solidez psicológica da trama, resultando num casamento bem interessante. Um “Cyberpunk dialético”.
    Isso eu gostei.
    Mas o autor deus alguns moles na revisão (nada também de muito grave) e, assim, quebrou um pouco a ‘magia’ desta realidade intrínseca onde jogara com maestria o leitor, desde o início da história.
    Contudo, gostei da experiência de ler esta história. Parabéns ao autor e boa sorte!
    Paz e Bem!
    🙂

  23. rubemcabral
    17 de abril de 2015

    Olá. Achei que a adesão ao tema foi boa. Não houve todas as características típicas do cyber, mas algumas importantes estão aí. Penso, no entanto, que seria possível explorar mais a questão da desumaninação do 503, achei também que o final e as justificativas para a execução dos inocentes não foram muito bem explicadas.

    Um bom conto, contudo.

  24. Cácia Leal
    16 de abril de 2015

    Esqueci:

    Gramática: 9
    Criatividade: 7
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 7
    enredo: 8

  25. Cácia Leal
    16 de abril de 2015

    Um pouco confuso o conto, talvez a trama necessitasse ser um pouco mais trabalhada. Mas o texto está muito bem escrito, não vi erros, só não entendo porque as falas ficam sendo colocadas entre aspas e não com travessão. Apesar de me parecer um tanto confusa a maneira como a trama foi desenrolada, gostei da ideia e do coto, em geral. Outra questão, o humanoide se convenceu muito rápido, apenas com alguns comentários que o Ícaro fez e que provavelmente qualquer outro poderia ter dito em outros momentos.

  26. Sidney Muniz
    15 de abril de 2015

    Esplêndido!

    O autor começa nos dando o básico, nada mais do que uma narrativa boa, competente, o português bem aplicado porém sem aquela adrenalina que te fisga já no início, entretanto isso é só isca!

    De repente nos vemos presos, compenetrados de maneira tal que os olhos querem pular as palavras para descobrir as próximas e no meio do conto já gostamos dos dois personagens. Ótimos personagens!

    E então o fechamento sensacional que me fez ficar realmente mais que satisfeito. Achei a carga psicológica utilizada de maneira genial. As ideias e contra-ideias , a defesa e o ataque, os diálogos são realmente ótimos e os pensamentos muito bem sacados.

    Nota 10 para esse conto que me furtou a ordem. Preciso reorganizar as ideias e partir para o próximo!

    Parabéns e boa sorte!

  27. Claudia Roberta Angst
    14 de abril de 2015

    O conto está adequado ao tema proposto. Li duas vezes o texto para tentar decifrar o final. Aberto? Ícaro 503 executa sua sétima vítima? Seria um psicopata?
    Há alguns errinhos aí, mas me permita ignorá-los.
    Gostei do tamanho do conto e realmente, não vejo necessidade de alongá-lo.
    O leitor não recebe informações sobre as razões plausíveis de 503 para assassinar as seis pessoas. Ou talvez, eu não tenha achado suficiente “Elas já estavam mortas, como eu”. Tudo bem, isso não é ruim, aliás faço muito isso.
    Boa sorte!

  28. Jowilton Amaral da Costa
    14 de abril de 2015

    Entendo bulhufas de cyberpunk, mas, no todo eu gostei do conto. Achei uma boa estória com um enredo simples. Imaginei que o exoesqueleto daria superpoder ao Ícaro, ou melhor, ao 503. Há uma boa reflexão sobre os sentimentos humanos durante o conto. O final foi interessante. Pelo que entendi, Ícaro infectou o humanoide com um vírus deixando-o tão doente quanto qualquer humano. Boa sorte.

  29. JC Lemos
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo bem? Meu último Cyberpunk do desafio…

    Sobre a técnica.
    É Boa. Não tive nenhum problema no percurso da trama é você trabalhou bem os diálogos. Eu não sei dizer o que, mas sento que faltou algo. Talvez um pouco mais de descrições, algumas frases mais marcantes.

    Sobre o enredo.
    A tecnologia está aí, mas não sei se o espírito da narrativa Cyberpunk ficou muito explícita no texto. Só meu ver, faltou mais sujeira, violência, Anarquia… Há certos elementos que precisam marcar presença dentro desse tema, e senti falta de alguns deles aqui.

    Sobre o tema.
    É tão bom que sugeriram três vezes, eu, inclusive, sugeri uma delas. Haha
    O limite também não me pareceu ruim.

    Nota.
    Técnica: 8,0
    Enredo: 7,0
    Tema: 6,0

    Parabéns e boa sorte!

  30. José Leonardo
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Vemos aqui o dilema de um humanoide que apercebeu-se da real condição de sua existência (não mais que um tijolo no muro). Esse princípio de força libertadora (como uma engrenagem que escapa do sistema) é grandiosa a ponto de contaminar (abrir os horizontes) de outro humanoide anteriormente alienado, criatura igualmente submersa na finalidade burocrática em que se direciona seu viver (do ponto de vista do Estado). Quando a casca das aparências cede à pressão inequívoca da verdade (“Matrix” vindo à mente) é como se o juiz entrasse numa dimensão superior, irretornável. Essa epifania o alcançou quase na velocidade de um estalo. Quanto ao homônimo ao título, a extrema necessidade do “503” (simbolicamente o humanoide) sentir-se “Ícaro” (ou sua essência humana) realmente ocasionou a chacina contra seis inocentes? O texto conseguiu nos convencer disso? Apesar da pouca extensão (que ocasionou, consequentemente, pouco desenvolvimento dos personagens), somos levados a crer que sim.

    No entanto, a questão do tema. “Cyberpunk” bem pouco presente aqui (identifico somente o transumanismo — um elemento característico). Lembremos que o cyberpunk abrange também, em geral, um quê de distopia, de marginalização, de crepúsculos sociais. Receio a perda de algum ponto junto a comentaristas mais exigentes quanto à diminuta adequação ao tema.

    Em resumo: boa sacada do enredo, narrativa satisfatória, escasso uso do tema e algum sinal de esperança para a consciência maior, além de rompimento do véu de mentiras que cegava Ícaro e o juiz. Abraços e boa sorte neste desafio.

  31. Rafael Magiolino
    10 de abril de 2015

    A escrita ficou boa, detectei poucos erros. O que não me agradou de inteiro foi o enredo. Para mim ficou muito parecida com um seriado transmitido recentemente — não estou insinuando nenhum plágio nem nada, antes que eu possa ser mal compreendido. Porém, isso fez com que o texto ficasse menos atrativo para mim.

    “Não é difícil como diferenciar o barroco do rococó”. Achei a frase totalmente fora do contexto. O autor poderia ter usado uma outra comparação, de outro assunto, ou simplesmente não ter escrito nada.

    De qualquer modo, abraço e boa sorte!

  32. Fabio Baptista
    10 de abril de 2015

    Então, acho que esse foi o conto que melhor conseguiu reproduzir a atmosfera do Cyberpunk (pelo menos do que eu considero cyberpunk).

    Esse interrogatório deixou um clima meio “Blade Runer”, que eu gostei.

    Mas as coisas ficaram, talvez intencionalmente, meio soltas, obscuras, confusas. Muita informação jogada sem aprofundamento.

    Colocar um pouco de ação talvez cairia bem.

    NOTA: 7

  33. Eduardo Selga
    9 de abril de 2015

    O conto se inscreve em uma certa tradição de contos que trabalham o limiar entre o homem e o cyborg, normalmente tornando-os indiscerníveis, como aqui ocorre. Do mesmo modo, é comum a representação do Estado como uma entidade autoritária, controladora de humanos e máquinas. Aliás, diga-se de passagem, nem a primeira nem a segunda característica podem ser consideradas “coisa de ficção científica”: são plenamente factíveis, ainda que não imediatamente. Ao que tudo indica a sociedade global caminha do atual biopoder (o controle sobre a vida e a morte de corpos e populações inteiras) para um “refinamento” disso, via homens-máquinas. E não quero estar aqui quando isso acontecer.

    Isso posto, o conto não apresenta muito tempero. É bem rotineiro, e nem o fato de a ambientação estar situada no Rio de Janeiro ajuda a apimentar. E não é um gênero cansado (a tecnologia vive abrindo estranhas portas), é que o enredo é bem conhecido.

    GRAMATICALIDADES

    Em “O veículo parou onde na antiga Visconde de Pirajá” parece estar faltando palavra ou haver palavra que deveria ter sido apagada na revisão e não foi.

    Em “É pra salvar nós que ficamos aqui” não faz muito sentido. Seeria É PRA SALVAR QUE NÓS FICAMOS AQUI ou, numa outra opção, É PRA NOS SALVAR QUE FICAMOS AQUI?

  34. simoni dário
    8 de abril de 2015

    Esse universo Cyberpunk não é muito familiar pra mim, fica até difícil comentar. Eu gostei de algumas coisas, outras achei estranhas. É que esse tema não funciona bem comigo, preciso ler mais de uma vez pra entender, e não sei se consegui. O 503 tem falas interessantes de revolta com o sistema, e acredito que o filme que ele cita seja o “Elysium”’, que assisti mais pra ver a atuação do Wagner Moura, porque não gostei do filme.
    Gostei do final do conto, o fato dos dois serem iguais, treinados para cumprir uma função apenas.
    Boa sorte!

  35. Brian Oliveira Lancaster
    8 de abril de 2015

    E: Gostei do climão do filme Elysium. Nota 9.

    G: O texto tem história e questionamentos muito bons. Toda a construção do cenário e do relacionamento dos personagens ficou bem crível. No entanto, senti uma leve pressa na escrita, pois há algumas frases em que faltam algumas palavras/conectivos e outras precisavam de leve revisão. O que me conquistou foi o clima, mas ainda precisava de mais uma lapidada. Nota 7.

    U: Tirando os apontamentos acima, nada incomodou. Flui bem. Nota 8.

    A: Esbarramos aqui em um ponto delicado. Apesar de ser um tanto subjetivo, raspou de leve o tema Cyberpunk. Está mais para um futuro distante, aparentemente normal. No entanto, a maquinaria está presente. Este tema costuma ter megacorporações e mendigos high-tech, o que senti falta aqui. Nota 6.

    Média: 7.

  36. Tiago Volpato
    8 de abril de 2015

    O texto tá muito bom, seguiu o tema proposto de forma eficaz. No entanto, achei que faltou alguma coisa. Mesmo você tendo exercitado a criatividade e criado algo original, senti como se já tivesse lido antes. Não sei, talvez besteira minha, mas foi o que senti.

  37. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Pouca coisa eu entendi, o tema deve ser o culpado! Ainda engatinhando com este tema. Desejo boa sorte.

  38. Alan Machado de Almeida
    6 de abril de 2015

    Gostei da menção de exoesqueletos que dão mobilidade a tetraplégicos e da missão em marte, coisas que estão sendo estudadas pela ciência. Pareceu uma visão viável do futuro que talvez não seja tão longínquo assim.

  39. Gilson Raimundo
    6 de abril de 2015

    Um texto bem dentro do tema, senti falta de mais explicações sobre o interlocutor de ícaro, as vezes na leitura era difícil saber de quem era as frases, algumas inserções como do amigo morto em Marte, para mim não foram importante, o cerne da questão sempre foi saber o quanto o homem era máquina e o quanto a máquina era homem.

  40. Marquidones Filho
    5 de abril de 2015

    Um relato interessante de uma situação. Ambientação bem densa e marcante, mas fiquei intrigado com o final e o tal humanoide. Mesmo assim é um bom conto, parabéns.

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Informação

Publicado às 4 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .