EntreContos

Detox Literário.

Utopias (Pétrya Bischoff)

Nutria-se das lembranças de longínquas tardes outonais.

As folhas estreladas das imponentes árvores há muito haviam perdido o verdor de fevereiro, que ameniza os dias calorosos. Adquiriam, no momento, aquela palidez convidativa e craquelante enquanto acumulavam-se em toda a extensão da praça, ora bailando com o vento uivante, ora fazendo-se tapete aos transeuntes.

Seu final de tarde começava as cinco, quando iniciava o ritual diário de encontrá-la. Desde a roupa que usaria até o banco que ficariam a próxima hora sentados, tudo planejado com o mesmo afã de um devoto. Os caminhos que ambos percorreriam, onde o trajeto demorava mais que o tempo que ficariam juntos, eram inundados de sorrisos e esperanças. Projeções de vidas inteiras com casas, viagens, e noites. Essas, sempre repletas de desejos. E o mais intenso era o de dormir no abraço do outro.

Dentre os dedos de luvas-sem-dedos, o cigarro consumia-se ao sabor do vento de ares gélidos, enquanto suas passadas largas, com notável euforia, delatavam um jovem sonhador trilhando o arco-íris, com promessas de magnífica recompensa.

A paisagem, composta por antigas e malfadadas linhas férreas e parcos casebres de chaminés de fogão a lenha, o conduzia companheira como fosse o próprio campo de centeio. Sorriam-lhe de volta, aqueles dias confortavelmente cinzentos.

Ao passo que a iminência da praça fazia-se presente, aquela euforia sentida em seu caminhar era distribuída a todos os membros do corpo, da comunidade e do Cosmos. A existência renasce a cada paixão emergente, a cada abraço sincero, a cada gota de essência de vida que é trocada com amor. O mundo estivera submergindo na mais plena paz. Para eles.

Em seu horizonte, entre tantos casacos apressados e sacolas de consumismo, surgia, como dama casta, a moça. Era tão bonito ver o mundo congelar, todas as respirações ficarem suspensas e todos os corpos arderem de expectativa pelo primeiro sorriso de ambos. Sorriso esse que, mútuo, podia ser sentido a quatro ou seis quadras, como um pequeno abalo sísmico, devido a intensa troca de energias resultante da aproximação.

Como em todos os dias que antecederam e muitos dos outros dias que viriam, ainda a alguns metros, a moça abria os braços, o peito, a guarda. Abria a alma para receber o rapaz em um colo envolvente e morno, como deitar em gramados de primavera. Um abraço onde ambos os corações cadenciavam aquela sensação de lenta queda em abismo, onde, ao fundo, nos esperam milhões de travesseiros de penas, para que ali nos permitamos repousar eternamente.

Aquele momento de amálgama de seres e essências era precedido de uma torrente de beijos e carícias adolescentes, dessas que nos acometem em qualquer idade. As mãos dadas como prova de continuidade no outro. Os passos despreocupados, o olhar a afogar-se satisfação. Sentavam-se em um banco vermelho, enfim.

***

Desde então, todos os outonos lhe chegam com ares de felicidade e as praças são os lugares de acontecer todas as coisas mais lindas. Guarda esses sentimentos como a água das plantas, que devem ser regadas todos os dias. Ainda sobrevive de tais lembranças, mas, mesmo a água, sem o calor do Sol, não é suficiente para manter seres tão delicados. Os outonos passam, os invernam nos isolam, os verões nos ressecam, as primaveras no forçam ver tantas coisas florescerem. E nós continuamos somente de águas passadas. Que não molham, tampouco aquecem.

***

Todas as noites que chega em casa, sente o vazio de móveis que acumulam-se em desordem e mal gosto pelas peças. Há, pelo menos, uma dezena de canecas e colheres na pia e o lixo, há muito transbordara o cesto. Não precisa entrar no banheiro para sentir o mal cheiro que dele exala. Pôde vislumbrar o vaso sanitário amarelado, os emaranhados de fios de cabelo e outras coisas inimagináveis no ralo, o espelho manchado de pasta de dente e sabonete, a pilha de roupas sujas e molhadas e mofando no canto. Há fezes das mascotes debaixo das cadeiras da sala de jantar de madeira de lei que o pai, com tanto orgulho, os presenteara.

O quarto de casal, em desalinho como suas mentes, apresenta uma cama de lençóis de semanas, cortinas vergonhosamente empoeiradas e um armário que, se aberto, vomita todas as roupas e outras porcarias que ali se atulham em uma orgia caótica.

A moça, hoje nem tão, já repousa na cama, nua e exausta. Tantas são as noites que ambos não conversam. Tantos são os dias que correm de um lado ao outro. Tantas são as dores nas costas e na cabeça. Todo esse cenário o sobe à garganta, mais uma vez. Raiva de planos ilusórios, medo de eterna espera. Não, não somente de amor vive o homem, mas também de todos os recursos materiais. De todas as despreocupações que puder. De todo deitar e relaxar.

Sua raiva, flambada em mágoas, é da casa, do emprego e da esposa. De si próprio. É da impulsividade adolescente e da imaturidade, jamais superadas. Há tanto cansaço e incertezas. Há uma saudade de aconchego. Embebeda-se nas lembranças envoltas em neblina, daqueles outonos e invernos maravilhosos.

Como uma dose de cocaína, os pensamentos passam muito velozes por sua mente, oscilando sem ater-se a nada em especial. Suspira, olha demoradamente para a outrora amante, acende um cigarro, dirige-se à cozinha e começa a lavar as canecas sujas.

Com consciência e pia limpas, retorna ao quarto e senta-se com prazer na cama. É possível ouvir um dos lastros estalando. Muda ligeiramente de posição e tira botas e meias impregnadas de odor e suor. Só depois de jogá-las no canto do quarto, repete o processo com as calças. Deixa, então, o corpo estender-se ao longo da cama. Estica pernas e braços e, com movimentos circulares com as mãos e os pés, sente as juntas estalarem e relaxarem.

Finalmente posiciona-se ao lado e atrás da menina-mulher e é possível sentir o aroma de cabelos caprichosamente lavados e o perfume que foi cuidadosamente borrifado na nuca. Para ele. São fragrâncias diferentes, que mudam quase todos os meses, mas lá no fundo há algo como uma nota musical abafada, mas essencial para uma canção única. É como um beijo pela manhã, com hálito de boca dormida, mas alegria de acordar juntos.

Antes que ambos estejam entregues a Morpheu, ele a abraça e ouve um sutil “boa noite, Príncipe”. Só então, como em muitas das noites que antecederam essa, e todas as outras que viriam, ele lembra-se que está exatamente onde deveria.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Relacionamento entre casais”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

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43 comentários em “Utopias (Pétrya Bischoff)

  1. Chrystian
    2 de maio de 2015

    Achei incrível, um zelo com as palavras que faz-nos saborear com aspiração cada frase, parágrafo. O tom poético que imprimes se mesca entre o dramático e a leveza. Espero poder apreciar outros escritos teus. Ganhaste mais um fã.

  2. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Muito bom! Conseguiu transmitir de uma forma bem clara a paixão, o deslumbramento, a paz de um amor. Fez comparações muito interessantes, como a da sensação da queda onde esperam milhões de travesseiros de penas, ou a de a moça abrir o colo, o peito e os braços para envolver o moço como em um gramado de primavera. Ficou poético o começo. Mas o meio… ficou meio realista mas desanimador, quando ele chega em casa e está tudo bagunçado, mas o fim ficou novamente um tom de esperança… Descreveu em poucas palavras os altos e baixos de um relacionamento. Gramática muito boa. Parabéns, um conto simples e que me conquistou.

  3. André Lima
    28 de abril de 2015

    Bom, sou naturalmente um fã de contos nesse estilo, passando a impressão pro leitor de que está lendo um monólogo.

    Gosto de quando o conto é centralizado em um personagem e tudo que está a sua volta é descrito pela sua ótica.

    O conto é bem escrito, faltou apenas, ao meu ver, alguma reviravolta ou algo surpreendente na história. Mas isso é apenas uma exigência pessoal,,,

  4. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Um conto poético, encantatório. “A existência renasce a cada paixão emergente, a cada abraço sincero, a cada gota de essência de vida que é trocada com amor.” Peço sua autorização para enviar essa frase, magnífica, para uma pessoa, citando o autor, é claro.
    Todo o seu conto produziu-me uma curiosa recordação de um poema de Adrienne Rich:
    Living in Sin (Adrienne Rich)
    “She had thought the studio would keep itself;
    no dust upon the furniture of love.”

    Infelizmente os “estúdios” não se mantêm por si sós, nem a sujeira sai sozinha dos móveis. Mas fico contente, você parece ter esperança em um final feliz… Parabéns pelo grande conto. P.S. Esse foi o tema que sugeri, estou orgulhoso de ter sido tão bem desenvolvido.

  5. Cácia Leal
    28 de abril de 2015

    Legal o conto, mas não empolga muito. Uma cena cotidiana e comum entre muitos casais. Nada novo. No entanto, o autor escreve bem e soube trabalhar as cenas, colocando o leitor dentro do próprio conto.
    Encontrei alguns errinhos de português que merecem ser revistos. Um deles está no termo “luvas-sem-dedos”, que não possui hífen, por causa da conjunção.

    Notas:

    Gramática: 8
    Criatividade: 8
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 7
    enredo: 6

  6. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Eustácio! Interessante como criou todo um ambiente de desilusão e mediocridade e terminou com um ar de contentamento quase tão sublime quanto o da ilusão. Às vezes, o ambiente é tão propício à desgraça que algo bom ter acontecido, por si só, é uma reviravolta. Prefiro o uso de linguagens menos rebuscadas, mas isto vai do gosto do autor, não é algo que efetivamente atrapalhe seu conto. Parabéns e boa sorte. P.S.: Eustácio me lembra o velho ranzinza de “Coragem, o cão covarde”.

  7. mkalves
    27 de abril de 2015

    Além do uso equivocado da palavra mal (deveria ser mau gosto), fiquei um pouco boiando quando a descrição do caos doméstico não se sustentou em nenhuma razão ou consequência. Tá… O vazio quase inevitável das relações, mas isso é genérico demais…

  8. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    É um texto que vale a leitura, muito bonito, muito bem cuidado, que dá gosto de ler pelas imagens que vão surgindo na nossa mente. Mas pera, o tema é “relacionamento entre casais”, não é? E só tem um casal, se entendi bem… E quanto à história, não tem nada de muito novo, apesar da beleza com que foi contada, o que valeu muito a leitura, repito.
    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 1/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 6

  9. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Interessante a abordagem dada pelo autor ao texto. Existe toda uma poesia (e isso é golpe baixo, pois esta danada me faz sempre de refém), todo um metódico lapidar na escrita para a mesma tomar a forma que o autor, decididamente, quis mostrar sua obra.
    Mas como transformar em poesia o dia a dia? Como embelezar o comum? Como atrair ao conhecido? Como mistificar a concretude dos anos?
    Difícil missão esta recebida pelo autor destas linhas. Por isso pego leve em minha análise (ok, já confessei que a Poesia me amolece…). Sim; soou um tanto ‘forçada’ esta ‘poemização’ da história. Ou melhor dizendo, da narrativa. Construções como “A moça, hoje nem tão, já repousa na cama, nua e exausta.” demonstram esta luta muito provavelmente ocorrida entre o autor e sua ideia. Ou melhor, entre o ideal do autor (e o seu desejo) e a parte do Horizonte Temático abordado pelo mesmo.
    Em outras palavras, talvez este não tenha sido o melhor caminho a se tomar entre o ponto A (ideia) e o ponto B (concretização). Soou, “realmente”, um pouco forçado.
    Mas Poesia é Poesia. E para esta ‘moça’, nem hoje nem nunca, haverá de ser menos. 😉
    Parabéns pela obra!
    🙂
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

  10. vitor leite
    25 de abril de 2015

    história bem contada, embora se tivesse mais algum sal, mais elementos surpreendente seria magnifico, mas o resultado final é muito bom, parabéns

  11. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (2/5) eu posso ter perdido alguma coisa e, me perdoe por isso, mas afora as passagens bonitas e bem escritas, não vi uma trama muito complexa. A paixão do início do relacionamento que muda com a rotina. Tem mais alguma coisa?

    ✍ Técnica: (4/5) como já disse, muito bem escrito, com imagens muito bonitas. Um belo texto, sem dúvidas.

    ➵ Tema: (1/2) “relacionamento entre casais” não é a mesma coisa que “relacionamento de um casal”. Por isso a nota nesse quesito não foi a máxima.

    ☀ Criatividade: (1/3) não achei muito criativo. Fiquei aguardando que algo diferente surgisse, mas não aconteceu.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) curti a beleza do texto e das imagens, mas nem tanto a história.

    Problema que encontrei:
    ● Seu final de tarde começava *às* cinco

  12. Rodrigues
    23 de abril de 2015

    Puxa, não gostei. Há um exagero descritivo que, somado às imagens da natureza, quase me deixaram enjoado, com tontura mesmo. Achei esse excesso muito ruim para o conto, já que a história e essa revelação final, enfim, não são ruins, mas o caminho percorrido para se chegar até elas foi bem tortuoso, tirando o brilho do texto.

  13. Pedro Luna
    23 de abril de 2015

    Bonito. No entanto, estou numa fase de preferir contos mais ”comerciais”. Esse autor escreve pra caralho, mas o ritmo do conto e a trama não me captaram. Mesmo assim, parabéns pelo intenso trabalho.

    ”Só então, como em muitas das noites que antecederam essa, e todas as outras que viriam, ele lembra-se que está exatamente onde deveria.”

    Show.

  14. Jowilton Amaral da Costa
    22 de abril de 2015

    saber que está onde deveria estar, e não onde deveria está.

  15. Jowilton Amaral da Costa
    22 de abril de 2015

    O texto é bem melancólico e narra bem o dia a dia e o desgaste natural de um relacionamento de muitos anos. A princípio faz o leitor pensar que ele está triste e arrependido, a ponto de desistir de tudo. Mas, acima de todos os problemas, parece ainda existir amor, que é o que faz ele saber que está exatamente onde deveria está. Achei o início um tantinho chato, porém, engrenei na leitura e acabei gostando. Bom conto. Boa sorte.

  16. Swylmar Ferreira
    22 de abril de 2015

    Conto bem escrito, Eustáquio.
    Atende ao tema proposta e está dentro do limite de palavras.
    A linguagem é objetiva, de fácil compreensão, tem boa estrutura. O texto é suave e apresenta rigor linguístico sóbrio. Pena não mostrar um final que surpreendesse.
    Bom conto, de qualquer modo.

  17. Felipe Moreira
    18 de abril de 2015

    Achei interessante a maneira que o autor escolheu narrar um conto dentro desse tema. Eu só soube o tema sugerido no final, não havia descido antes para olhar. Fui lendo e descrevendo com a imaginação tudo que o ambiente proporcionava, uma rotina, uma filosofia de vida padronizada e etc.
    Nisso eu achei muito bom, afinal, é um texto que aborda a vida entre casais. E no fim veio o estalo do “evidente”.
    Um bom trabalho, defnitivamente. Parabéns pelo trabalho e boa sorte.

  18. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    17 de abril de 2015

    O final me confundiu um pouco, mas a última frase esclareceu. As imagens “palpáveis” de paisagens, coisas e sentimentos foi o ponto forte para contar uma história comum de forma incomum. Essa é marca do bom escritor e tem os meus parabéns. Seu vocabulário é quase comum, mas tão bem encaixado e combinado que fica riquíssimo.

  19. Thales Soares
    17 de abril de 2015

    Não gostei.

    Achei a história toda muito água com açúcar. Não houve nenhuma reviravolta ou clímax que realmente empolgasse o leitor. O tema sugerido abria portas para algo com mais putaria, tipo um lance com vários casais entrelaçados, algo bem bizarro. Eu sinceramente preferiria que o autor tivesse optado por este caminho, pois assim, talvez, o conto ficasse mais empolgante e curioso. Pelo menos está bem escrito…

  20. Virginia
    14 de abril de 2015

    Conto muito bem escrito, chega a ser poético. Me identifiquei com a última parte, rsrs, o desânimo dos dois em contraste com as lembranças de antes. Parabéns pela obra!

  21. Jefferson Reis
    12 de abril de 2015

    Suponho que a narrativa apresenta a vida de um casal antes e depois do casamento. Se estou certo, é a segunda parte, a da união, que salva o conto. A primeira parte, muito lírica, não fisga o leitor como a segunda. Por que os “piores” detalhes chamam mais a atenção? Imaginei que “Utopias” seria um conto sobre desilusão e arrependimento, mas o desfecho me deixou surpreso. Mesmo com todas as dificuldades e efeitos colaterais do casamento, o casal parece feliz. Talvez tenha vencido a utopia e se adaptado à realidade, o que é uma grande utopia.

  22. mariasantino1
    11 de abril de 2015

    Olá, autor (a)

    Esse é também um bom conto, no sentido de repasse de sentimentos e fuga do que se espera. O personagem encontra-se com sua amada e então é tudo belo, pleno e até se abala as estruturas com o toque de ambos, com a energia de ambos. Mas nem tudo são flores e vem então a convivência. É uma boa abordagem, tem duplo sentido podendo ser entendido (a sujeira e descaso com a casa) como sendo de fato descaso, mas também representa a desilusão, a bolha de ilusão que eles vivem, que compartilham, a relação desgastada pelo tempo e eventos da vida. Particularmente me agradou bastante, desde a linguagem até a abordagem do tema. Parabéns também por algumas boas construções espalhadas no texto.

    Algumas coisinhas retiraram o brilho e pontos do seu texto. — os invernam (INVERNOS) nos isolam… Pôde vislumbrar o vaso sanitário amarelado (seria “pode”, sem acanto, porque o parágrafo todo está no presente)… devido a (à — com crase) intensa troca de energias… —- “o conduzia companheira como fosse o próprio campo de centeio”, desculpa, mas não entendi o que você queria dizer com o uso do campo de centeio. —- “Guarda esses sentimentos como a água das plantas, que devem ser regadas todos os dias. Ainda sobrevive de tais lembranças, mas, mesmo a água, sem o calor do Sol, não é suficiente para manter seres tão delicados.” Entendi o sentido e achei muito bonito, mas guardar água… não sei, ficou estranho, porque se guarda o regador e se troca a água sempre (só um detalhe que talvez eu esteja dando mais atenção que o necessário) . Só mais uma coisinha — Dentre os dedos de luvas-sem-dedos. Entendi que eram luvas cortadas para deixar os dedos expostos (não sem dedos), e sugeriria uma reformulação, porque acabei pensando (até certa parte) que se tratava de um fantasma.

    Média — Pela desilusão bem mostrada, pelas imagens, uso do tema e por tudo acima mencionado, a nota para esse conto será: 8 (oito)

    Abraço!

    • mariasantino1
      11 de abril de 2015

      Cara! O que é acanto? Eu quis dizer acento*

      • EntreContos
        11 de abril de 2015

        Acanto é uma planta. Representava a honestidade na Grécia Antiga. Atualmente é o símbolo dos serviços de Intendência das Forças Armadas.

      • mariasantino1
        29 de abril de 2015

        Obrigada por responder. Acabei aprendendo uma palavra nova partindo de um erro de digitação. Próximo passo, usá-la.
        Abraço!

  23. rsollberg
    9 de abril de 2015

    Uma bela mistura entre conto e crônica.
    Dentro tema, pelo que percebi.

    O texto começa com muito vagar, coisa que não me agrada muito (azar o meu!) e depois vai adquirindo mais agilidade. Sem qualquer desvio ortográfico, penso eu.

    O autor brinca com a dicotomia claro e escuro. Apresenta o belo e limpo, para em seguida inserir o feio e o sujo.

    O conto abre bastante espaço para nosso imaginário, para adentrarmos na história – especialmente na segunda parte – vivendo ao lado do casal.

    O final felizes para sempre até que funcionou bem nesse tipo de narrativa.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. rubemcabral
    8 de abril de 2015

    Um conto bonito, mas que soou um tanto reflexivo e monótono para mim. Está bem escrito, em linhas gerais, só reparei em “mal gosto” e “mal cheiro” (em ambos, o correto seria “mau”). A melancolia da rotina na segunda parte foi interessante, contudo, considerando o limite de 2000 palavras, acho que a trama e as personagens poderiam ter sido melhor desenvolvidas.

  25. Tiago Volpato
    7 de abril de 2015

    Não sou muito fã de textos que tem bastante descrição, mas esse ficou legal. Você conseguiu manter o interesse durante o texto.

  26. Anorkinda Neide
    4 de abril de 2015

    Um texto muito bonito na construção das frases, no aprofundamento das emoções…gostei muito de ler!
    Achei deveras exagerada a passagem do namoro para a degradação do casamento…a casa toda suja, quis parecer q o cara tava sozinho…mas entendo que um relacionamento desgastado possa levar a este tipo de desleixo, ou mesmo que o desleixo apresentado seja uma figuração da estagnação do relacionamento deles… mas ainda acho que passou um pouquinho do tom, podia ser menos…rsrsrs

    Gostei do final, faz refletir numa abordagem diferente do que seja o cansaço de um relacionamento e, no entanto, a felicidade por ter sido a escolha certa.
    Muito bom.Parabens

  27. Andre Luiz
    2 de abril de 2015

    Nossa, caro Eustácio, tenho que te parabenizar pela poesia que você colocou em seu conto e todo este lirismo com que você tratou os períodos e construções. Além disso, tratou de um tema totalmente abrangente de forma pura e leve, trazendo algo clichê para um enredo simples e cativante. Se pensarmos que a maioria dos casais vive como seu protagonista(exceto por esse desfecho amoroso), você foi sábio ao colocá-los como pessoas comuns na intenção de criticar este “endeusamento” do casamento. Casar é bom(ou ao menos parece ser) mas as pessoas insistem em pensar que será uma paixão eterna. O que fica é o amor, tênue como um perfume novo e uma palavra de afeto. “Não, não somente de amor vive o homem, mas também de todos os recursos materiais.” Uma alusão belíssima dentre tantas outras. Boníssimo!

  28. simoni dário
    1 de abril de 2015

    O conto está muito bom, achei a história envolvente e surpreendente, se é que entendi bem o final. Está bem narrado, tem alguns errinhos como na frase “Todo esse cenário o sobe à garganta, mais uma vez”, “o sobe fica estranho”.
    Enfim, gostei, entendi que a moça no final era amante do cara, tomara que seja isso, porque assim acho mais interessante.
    Boa sorte!

  29. Gilson Raimundo
    1 de abril de 2015

    No começo, embora poético, achei o texto bem angustiante, esperei até por um final trágico apesar do título suave. Não sabia qual era o tema, pois sempre leio no fim para não estragar a surpresa.

  30. Rafael Magiolino
    30 de março de 2015

    Não gostei. Consegui compreender a ideia geral do tema somente na parte final, pois a linguagem empregada no início misturou as palavras e não consegui captar muitas coisas.

    Boa sorte e abraço!

  31. Neusa Maria Fontolan
    30 de março de 2015

    Apesar de eu achar que, não é exatamente o que o tema sugeriu, gostei muito. Bem narrado e o final me surpreendeu, achei que seguiria o comum, ele indo embora. Adorei este final, parabéns e boa sorte.

  32. José Leonardo
    30 de março de 2015

    Olá, autor(a). Não nego que o tema sugere (ou pode sugerir) algo como o “swing”, mas é claro que a temática versa sobre o relacionamento de um casal. O entendimento do seu texto me pareceu meio confuso, e não pela linguagem floreada e bem trabalhada (este, um dos pontos positivos de “Utopias”). Pode-se ler o conto de duas formas: como uma utopia realizada (o que deixa o terreno utópico e torna-se realização) ou como uma perspectiva de desejo (imaginando-se que o narrador disfarçou a voz na terceira pessoa a fim de desenvolver como seria o encontro e a vida ao lado da esposa perfeita — ao lado de sua utopia matrimonial).

    A escrita é próxima da prosa poética, mas nalguns momentos é detalhista demais, pomposas em descrições pouco úteis para o texto. Há mínimas incorreções (uso da crase, algum excesso de vírgulas em passagens e o trecho “mal gosto” que na verdade é “mau gosto”, onde pude perceber. Sobre as vírgulas, posso estar enganado dentro do meu limitadíssimo conhecimento).

    De modo geral o enredo não me impressionou, apesar da qualidade estética. Abraços e boa sorte neste desafio.

  33. Marquidones Filho
    30 de março de 2015

    Interessante. Uma forma, creio, realista de ver o tema proposto. No início tudo são flores, depois, com o passar dos anos, as coisas mudam e vão caindo na “mesmice”. A estrutura me parece boa, o tempo bem delineado, um final, de certa forma, inesperado (imaginei que a história tomaria outro rumo), enfim, parabéns.

  34. Claudia Roberta Angst
    30 de março de 2015

    O conto revela intimidade com a prosa poética. O outono como cenário de fundo para uma história de amor, os anos passando como folhas caídas que ainda guardam as cores quentes da paixão. Há no texto melodia e ritmo, mas não sei se era nisso que o colega pensava quando propôs tal tema. Relacionamento entre casais – e não relacionamento de casal. Não sei. O fato é que achei o autor inspirado, talvez apaixonado mais pelas palavras do que pelo tema.
    Alguns detalhes escaparam à revisão:
    Seu final de tarde começava as cinco > (…) às cinco
    (…)os invernam nos isolam > os invernos nos isolam – erro de digitação, claro
    (…) que acumulam-se em desordem > aqui o QUE funciona como partícula atrativa do pronome oblíquo > (…) que se acumulam em desordem
    (…) para sentir o mal cheiro > MAU cheiro
    Pôde vislumbrar – aqui há uma confusão quanto ao tempo empregado, pois a narrativa é conduzida no presente, portanto o correto seria PODE vislumbrar.
    A moça, hoje nem tão, > ficou faltando algo > A moça, hoje nem tão moça, ….
    Todo esse cenário o sobe à garganta > Todo esse cenário LHE sobe à garganta
    Boa sorte!

  35. Alan Machado de Almeida
    30 de março de 2015

    O texto não foi difícil de ler para mim, só incomodou uma ou duas frases que me pareceram forçosamente rebuscadas o que fez parecer o trecho meio pedante. Como, por exemplo, logo no início: “Nutria-se das lembranças de -longínquas- tardes -outonais- “

  36. Brian Oliveira Lancaster
    30 de março de 2015

    E: A descrição da praça e estações se encaixa muito bem no tema. Nota 9.

    G: Gostei do tom melancólico. Não sei se captei bem todo o contexto, mas colocar metáforas e ideias opostas no mesmo balaio foi bem executado. Criativo. Começa poético, torna-se “sujo” e volta a misturá-los no final. Estes textos cotidianos sempre tem um floreio a mais, pois não há um elemento motivador tão forte ou uma “cruzada” do herói. É opinião pessoal, mas sempre acho que falta alguma coisa, apesar de curtir muito este tom. Nota 8.

    U: Nada me incomodou, apesar da troca temporal entre as pontuações. Nota 8.

    A: O autor abordou de forma suave e sutil, como uma brisa carregada de folhas. Nota 9.

    Média: 8.

  37. Eduardo Selga
    28 de março de 2015

    O conto trabalha em cima da antítese muitas vezes existente no chamado mundo real entre o início de um relacionamento amoroso e sua calcificação, normalmente prenúncio do fim. As duas imagens, o “paraíso terrestre ” da paixão mais descabelada e o desleixo com a casa, provocam um choque muito interessante, mesmo porque a linguagem muda flagrantemente de uma para outra. Essa imagem do desgaste, é previsível, contudo. O tema proposto enseja outras abordagens que poderiam ser mais interessantes do que a usada, um tanto cansada. Sobretudo porque contemporaneamente se mostram formas de relacionamento fora o “padrão”, como o amor livre e os casais homoafetivos. Ademais, padrões consagrados de tramas devem ser evitados, a menos que a abordagem mostre alguma variante significativa. Noutras palavras, embora não seja menos lícito esteticamente abordar o tema como foi feito, o risco de cair no mais do mesmo é grande.

    Há um aspecto simbólico no conto para o qual eu gostaria de chamar a atenção. Casa é um símbolo extremamente forte, relacionado à psique, aos aspectos mais recônditos do sujeito. Então, quando o(a) autor(a) mostra a residência do casal com o aspecto de abandono, é evidentemente mais que um abandono físico. Mas aí entra uma questão: simboliza um casal que se abandonou ou ou é o abandono do personagem masculino de si mesmo?

    A pergunta procede. Como se trata de um casal, a interpretação mais imediata é a que vincula o abandono aos dois. No entanto, se observarmos a narração da segunda parte, é possível verificar que a descrição do ambiente se alinha ao estado de espírito do personagem, perceptível em “Sua raiva, flambada em mágoas, é da casa, do emprego e da esposa. De si próprio. É da impulsividade adolescente e da imaturidade, jamais superadas. Há tanto cansaço e incertezas”. O cenário, portanto, seria a tradução do estado de espírito dele. Não que a negligência com o ambiente doméstico não seja “real”: ela existe, mas vai além de si mesma: simboliza o abandono da alma masculina.

    Por esse viés também poderíamos dizer que o cenário é a “concretização” do estado de espírito dela. Não creio, contudo, que seja o caminho mais razoável para interpretar o simbolismo que, inclusive, é mais forte do que o existente na primeira parte do texto. Nele existe uma desesperança, que o narrador deixa transparecer quando se despe das botas e da calça; nela, ao contrário, não há uma desesperança: antes, uma renúncia.

    Aliás, o texto retrabalha, sem muita inovação e subliminarmente, um dos contos mais difundidos no mundo ocidental, a Bela Adormecida. O estado de sono da personagem e fato de ele ouvir dela um “boa noite, Príncipe” reforçam a observação.

    Trata-se, evidentemente, de um texto construído em prosa poética, porém é preciso considerar o seguinte: a ferramenta básica de estruturação dele é o uso do adjetivo, mormente na primeira parte, carregada ao ponto do exagero. É que existe uma linha tênue entre a dosagem exata e a superdosagem, por vezes difícil para o autor discernir, quando sua alma é antes de poeta do que de prosador.

    É o que me parece ocorrer aqui. Acho que o meio de expressão do(a) autor(a) é o poema, não a prosa. Esta funciona como pretexto para ele (acho que é ela) deitar no texto seu lirismo. E digo isso também porque a prosa poética possui outros elementos, além da adjetivação, como a elaboração sintática e as figuras de linguagem. Ambos ocorrem no conto em certa medida, mas os adjetivos conseguem falar mais alto, atrapalhando, inclusive, a poeticidade do texto, em função do exagero no uso.

    GRAMATICALIDADES

    Em “Todo esse cenário o sobe à garganta, mais uma vez” acredito que o correto seria LHE SOBE.

  38. Jefferson Lemos
    28 de março de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo bem?
    “Os outonos passam, os invernos nos isolam, os verões nos ressecam, as primaveras no forçam ver tantas coisas florescerem. E nós continuamos somente de águas passadas. Que não molham, tampouco aquecem.”

    Sobre a técnica.
    No ponto. Milimetricamente escrita, com suas nuances, seus passeios belos e ferozes por entre linhas, Gostei de toda a composição do texto! Poesia pura!

    Sobre o enredo.
    Gostei também. Apesar de ser uma coisa bem simples e cotidiana, saiu um ótimo trabalho. O desenvolvimento do relacionamento para algo monótono, e ainda assim feliz, concluiu o texto com melhor qualidade do que o esperado. Foi uma boa surpresa. As boas descrições contribuíram bastante para a trama chegar a esse ponto.

    Sobre o tema.
    Achei meio sem noção, igual a muito que tenho visto aqui, mas você conseguiu se sair bem. Gostei do texto todo.

    Nota:
    Técnica: 10
    Enredo: 8,5
    Tema: 8,5

    Parabéns pelo excelente texto!
    Boa sorte no desafio!

  39. Fabio Baptista
    28 de março de 2015

    Muito bem escrito! Esse desafio está dos melhores!

    Comecei um pouco incomodado com o que considerei um certo excesso de adjetivos, mas logo o tom poético me absorveu.

    Achei apenas crases faltando em “as cinco” e “devido a intensa”, um s faltando em “as primaveras no forçam” e um o sobrando em “Todo esse cenário o sobe à garganta”.

    Confesso que não sei afirmar com certeza se entendi muito bem a trama. Creio eu que tenha sido algo simples, do tipo: encontra a amante e volta pra casa pra dormir com a mulher, foi isso? Bom, vou imaginar que sim e afirmar que gostei dessa simplicidade esculpida com sentenças tão bonitas.

    NOTA: 8

  40. Fil Felix
    28 de março de 2015

    Muito bem escrito, só notei um erro na palavra “inverno”. Achei a narrativa um pouco pesada no início, transbordando sentenças bonitas mas que trava um pouco a leitura. A partir do final, achei que caminhou melhor.

    Não me conectei ao conto, alguns momentos não me pareceram uma história sendo contada. Aqui entra questões pessoais, não sou chegado neste estilo =/ Por mais que mostre a evolução do casal, acho que poderia ter simplificado um pouco mais.

E Então? O que achou?

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Publicado às 27 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .