EntreContos

Detox Literário.

Recorte do cotidiano (Pétrya Bischoff)

As mãos trêmulas, couro grosso de uma vida de labuta, sustentam o terço de encardidas pérolas, outrora brancas. Em movimento de prece silenciosa, os lábios ressequidos conjuram nomes santos e … Continuar lendo

22 de setembro de 2016 · 43 Comentários

Ecos (Pétrya Bischoff)

Banhava-se no alaranjado chiaroscuro que é a noite de débeis luzes artificiais. Havia dias, a pressa pela última condução a fazia arfar em taquicardia. Não só a pressa, é bem … Continuar lendo

28 de maio de 2015 · 41 Comentários

I Think, Therefore I am (Pétrya Bischoff)

It’s not like dreaming. I don’t see images or hear voices—I feel. I feel sharply. At this moment I cannot hear myself speak, but I feel all the eloquence of … Continuar lendo

12 de abril de 2015 · Deixe um comentário

Utopias (Pétrya Bischoff)

Nutria-se das lembranças de longínquas tardes outonais. As folhas estreladas das imponentes árvores há muito haviam perdido o verdor de fevereiro, que ameniza os dias calorosos. Adquiriam, no momento, aquela … Continuar lendo

27 de março de 2015 · 43 Comentários

Angústia (Pétrya Bischoff)

Estava em desespero, já familiar que o era. A cabeça zonza. Os olhos e até os ossos lhe doíam. Seu lamentar eram resmungos de uma criança desamparada. Não havia outra … Continuar lendo

6 de fevereiro de 2015 · 47 Comentários

Infernales Lepra (Pétrya Bischoff)

Quão dolorosa pode ser a existência? Definido híbrido. Humano de descendência, animal por falta de socialização e cousa indesejável por acidente da natureza. Não sabe o que houve, mas sabe … Continuar lendo

20 de dezembro de 2014 · 33 Comentários

Cólicas Femininas (Pétrya Bischoff)

Já sangrava há três dias. Desde a menarca aprendeu a associar seu útero a uma trouxa de roupa que alguém torcia e batia e sovava nas pedras lisas do arroio, … Continuar lendo

2 de agosto de 2014 · 29 Comentários

À Flor da Pele (Pétrya Bischoff)

Nas unhas compridas o esmalte escarlate descascava melancolicamente. Entre os dedos o cigarro se desfazia em cinza e cinza; dançando e subindo delicadamente, caindo seco, pó no cinzeiro. Pelas frestas … Continuar lendo

6 de junho de 2014 · 27 Comentários

Sem Lugar no Tempo (Pétrya Bischoff)

Havia sido condenado à forca. Como todo grande evento no “bom e velho” oeste, ao meio-dia. Seguia, então, aquela procissão funesta; à frente, o desgraçado de barbas ruivas desgrenhadas e … Continuar lendo

25 de abril de 2014 · 36 Comentários

Penso, logo existo (Pétrya Bischoff)

Não é como estar sonhando. Eu não vejo imagens ou ouço vozes; eu sinto. Sinto nitidamente. Neste momento não me ouço falar, no entanto, sinto toda a eloquencia das palavras. … Continuar lendo

22 de março de 2014 · 28 Comentários

Viagem (Pétrya Bischoff)

Conforme sua respiração normalizava e a pressão na nuca diminuía, os olhos também desanuviavam. Saía, então, do transe que o embalava como que nas saias de negras velhas. A cantiga … Continuar lendo

6 de fevereiro de 2014 · 26 Comentários

Ceia em Panny Lane (Pétrya Bischoff)

-1- O relógio analógico descansado delicadamente entorno daquele frágil pulso pálido de riscos azulados marcava quinze para meia-noite quando o táxi vermelho estacionou no fim da rua muito escura e … Continuar lendo

16 de dezembro de 2013 · 37 Comentários