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A Triste História de Francisco Pereza: O Chico Lento (Jowilton Amaral)

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Francisco Pereza, o Chico Lento, vestido com suas melhores roupas, fixava seu olhar nas telhas encardidas da sala de sua casa enquanto esperava calmamente a chegada de sua condução para sua viagem. Inebriado pelo aroma delicado dos cravos brancos que o circundava, perdia-se em pensamentos sobre os trágicos acontecimentos de sua vida até ali.

Raspa de tacho do irascível Alcebíades Pereza, mais conhecido como o “dotô” da farmácia, e de dona Zilda, a Zizinha de dona Carola, Francisco fez o que pôde para atrasar seu nascimento.

Na pequena Lagoa Formosa não haviam maternidades. E o único posto de saúde que existia havia fechado suas portas há muito tempo. No ano que Chico Lento nasceu, Lagoa formosa era apenas uma caricatura do que um dia fora. A cidade que comportara várias pousadas, comércio aquecido, um porto movimentado à margem do Velho Chico e um salão onde a jogatina e a prostituição corriam soltas, devido ao dinheiro que a empresa extratora de minério de ferro havia trazido ao se estabelecer na região, agora definhava a olhos vistos.

Com a mudança da companhia para outro sítio, tudo ruiu. A população e os investimentos correram em debandada, e hoje, Formosinha, apelido carinhoso da cidadela, se assemelha a uma povoação fantasma, com suas habitações abandonadas e a poeira pairando pelas ruas como espectros desbotados.

Naquelas bandas as crianças nasciam com o auxílio de parteiras. Chico se anunciou numa quinta-feira fervente como um vulcão em erupção, embora só tenha saído de dentro das entranhas de sua mãe no domingo de tardezinha com o sol já sumindo no horizonte.

Não obstante os esforços, lamúrias, preces e ralhos de dona Zizinha, o “cabritinho” não dava as caras, parecia se agarrar as tripas de sua genitora para não sair, como se estivesse com medo do seu futuro aqui do lado de fora. Com o tempo, descobriu-se, que não fora covardia, e sim, e apenas, preguiça.

Chico Lento só se deu o trabalho de abrir os olhos depois de dois meses de nascido. Nunca chorou em seu tempo de bebê. Escancarava a boca num movimento generosamente demorado e quando todos pensavam que iria abrir o berreiro ele simplesmente suspirava com ar de enfado. Seus familiares suspeitaram que o menino pudesse ser mudo, mas, estavam enganados, o bruguelo somente não era afeito a gastar energia à toa.

Era o xodó de suas quatro irmãs: Lucélia, as gêmeas Luzia e Luciana e Maria do Carmo, a Carmosina. A última, sem dúvida, foi sua segunda mãe, por ser a mais nova das irmãs e a única parente que restou depois de tantas tragédias familiares.

Sua primeira perda foi Lucélia, a Gorda, de coração seco de amor e cheio de toucinho, que tombou com seu rechonchudo rosto, mortinha da silva, aos vinte e um anos, em cima do prato de cuscuz com ovos que acabara de repetir pela terceira vez, como era de seu costume.

Seu Alcebíades, um espanholzinho marrento e metido a alquimista, que havia ganho muito dinheiro com sua botica vendendo xaropes e beberagens, feitas por ele mesmo, principalmente para curar os males da “pingadeira”, nos anos de ouro de Formosinha, faleceu de ataque fulminante do coração, assim como sua primogénita, correndo furiosamente atrás de um fulaninho que ousara cortar a luz de seu estabelecimento.

Zizinha de dona Carola, amargurada com a viuvez e sentindo-se velha e fora do peso, num ato de impulsividade, tomou um elixir de rejuvenescimento, composto de babosa, ginseng e outros tantos ingredientes, que ainda não havia sido testado, devido a morte do marido, e foi encontrada fria e roxa dentro de seu banheiro completamente nua em frente ao espelho. Causa mortis: Edema de glote em decorrência de anafilaxia.

Luiza e Luciana, as bivitelinas inseparáveis, a primeira linda, a segunda horrenda, morreram afogadas. Elas estavam na cidade vizinha, Betume, que ficava há dez quilômetros, por terra, da cidade das moçoilas, no entanto, há menos de um cruzando-se o rio. Luiza, com a intenção de economizar o pagamento da passagem da “marinete”, decidiu ir a nado, ribeirinha com era, nadar se aprendia quase ao mesmo tempo que andar. Luciana, que admirava e ao mesmo tempo invejava a beleza de sua irmã, seguiu seus passos, ou melhor, suas braçadas. Só foram encontradas cinco dias depois, ás margens de uma fazenda quinze quilômetros distante de onde começaram a travessia.

E assim, aos cinco anos, quando começou a dar seu primeiros passos, Francisco Lento se viu sem pai e sem suas três irmãs, apenas na companhia de Carmosina, que acabara de completar dezessete anos.

Os primeiros meses foram duros, até Carmosina, que tempos depois foi alcunhada de Fogosina, por ser tão quente como um ferro que marca gado, começar a gerir a casa. Só aos dezesseis anos Chico Lento descobriu como sua irmã angariava o dinheiro do sustento deles, quando a ouviu dizer, a alguém desconhecido que estava trancado com ela no quarto, a seguinte frase: — Mostra logo o dinheiro, querido. Dinheiro na mão, calcinha no chão, dinheiro sumiu, calcinha subiu.

Viveu sendo sustentado pela irmã, na maciota, por trinta anos, até Carmosina falecer enfincada na vara de Juvêncio Jumento.

Depois de cinco dias de profunda tristeza, ele finalmente decidiu seu destino.

Chico Lento nunca havia trabalhado na vida, não tinha filhos ou amores. Achava tudo isso muito custoso. Ele gostava era de prosear na praça, em baixo de uma frondosa mangueira.

Convocou Berenice, uma puta velha amiga de sua irmã, e contou a novidade.

Agora ele estava ali, dentro de seu caixão, cercado por cravos brancos, esperando Berenice chegar com o carro de bois que lhe conduziria ao cemitério. Enfim, descansaria eternamente.

Quando a mulher chegou, acompanhada de três ajudantes, ainda tentou dissuadi-lo de sua macabra intenção, propondo casamento. Chico Lento pensou por um instante e perguntou:

— O que eu teria que fazer?

— Duas trepadinhas por mês, já estava de bom tamanho, Lentinho. — Chico Lento virou-se no caixão, olhando de soslaio para a mulher a sua frente, e disse:

— Vamos seguir com o enterro.

44 comentários em “A Triste História de Francisco Pereza: O Chico Lento (Jowilton Amaral)

  1. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015

    Gostei muito. Achei incrível como um conto com tantas informações (como o terrível destino dos familiares) não soou cansativo em tão poucas palavras. O final me fez rir e o personagem realmente é um dos maiores preguiçosos da literatura. ”Duas trepadinhas por mÊs foi foda.”kkk

  2. Andre Luiz
    23 de fevereiro de 2015

    Olá caro Coveiro!
    Seu texto é muito bom e traz ótimas descrições bucólicas e cômicas do interior brasileiro, principalmente com o “abandono” das cidades pequenas sofrido depois do surto de urbanização quanto pelo falar arrastado e cheio de jargões dos povos rurais. Contudo, sinto que há uma necessidade de mudança na forma de narrar, transparecendo mais o que realmente se quer contar e deixando de lado muitas informações que não agregaram muito à trama, deixando-a sem coesão e fazendo com que ficasse sem empatia com o personagem. Mesmo assim, foi um bom trabalho! Parabéns!

  3. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Esse é outro conto que parece ser inspirado em uma antiga história, desta vez da tradição oral. Quando meu tio contou-me, há muitos anos, alguém penalizado ofereceu a Lentinho um saco de arroz, que ele recusou por não estar “catado”, e mandou seguir o enterro. Essa intertextualidade é sempre benéfica, pois aqui, o conto é muito melhor contado, modernizado. O tom é o tempo todo de humor, que às vezes tende a “piadas pesadas”, como a morte de Carmosina. Esse estilo tragicômico parece ser o ideal, o mais apreciado nos contos. Sem erros de português, bem estilizado, um conto de primeira.

  4. Thata Pereira
    23 de fevereiro de 2015

    kkkkkkkkkkkk hilário!!! Muito divertido esse conto. Adorei a forma como o(a) autor(a) trabalhou os pecados. Essa votação tá começando a ficar difícil rsrs

    Boa sorte!!

  5. Swylmar Ferreira
    23 de fevereiro de 2015

    Belo conto Coveiro.
    A preguiça do Chico lento é impressionante.
    A trama está bem escrita apresenta um bom timing. O final é o esperado. A linguagem utilizada para o conto é bem estruturada e de fácil leitura.
    Pareceu-me um daqueles causos que escutava quando viajava para o interior.
    Parabéns!

  6. rsollberg
    23 de fevereiro de 2015

    Um texto bem divertido.
    Um “causo” delicioso, com ótimas sacadas e boas piadocas.

    Bem escrito, acertando em cheio com uma pitada de coloquialismo. Tá certo que tem um “edema da glote em decorrência de anafilaxia” que destoou um tantinho do estilo empregado. Algumas frases ficaram muito longas: “Seu Alcebíades, um espanholzinho marrento e metido a alquimista, que havia ganho muito dinheiro com sua botica vendendo xaropes e beberagens, feitas por ele mesmo, principalmente para curar os males da “pingadeira”, nos anos de ouro de Formosinha, faleceu de ataque fulminante do coração, assim como sua primogénita, correndo furiosamente atrás de um fulaninho que ousara cortar a luz de seu estabelecimento.” Quase morri sem ar!!!

    Curti as mortes e o jeito que o autor encontrou de incluir os pecados na estória – onde pensei que a preguiça iria imperar.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    23 de fevereiro de 2015

    Adoro humor sem forçar a barra! Guardadas as devidas proporções, meu nascimento foi quase como o do Chico: demorei para nascer, demorei para abrir os olhos, adoro uma preguiça quando não tem nada melhor para fazer e para por aí! O encadeamento da história, pontilhada de causos está demais! Pode melhorar se diminuir pronomes pessoais e possessivos e outras palavras a mais e usar esse espaço para dar mais intensidade na preguiça do Chico, sem forçar a barra, na mesma levada que vc conseguiu e muito bem.

  8. Lucas Almeida
    23 de fevereiro de 2015

    parabéns pelo texto, você trabalhou muito bem o tema, mesmo com a preguiça no centro todos os outros pecados puderam ser aproveitados de alguma maneira, e também não vi erros, o que fez brilhar ainda mais a trama. Boa sorte 🙂

  9. Pétrya Bischoff
    23 de fevereiro de 2015

    Hhahahahah, conto divertido! Adorei a abordagem do autor, em uma mesma família, revelando todos os pecados. E o próprio Chico Lento, um encanto de personagem. A narrativa é gostosa, interiorana e lenta, como deveria ser, e a escrita é simples e de fácil entendimento. Penso que o tema está abordado com maestria. Parabéns e boa sorte.

  10. Leandro B.
    23 de fevereiro de 2015

    Ha!
    Gostei do final, Coveiro.

    Só tive um problema com o conto: os causos das irmãs de Chico pareceram um pouco gratuitos e, no geral, não acho que acrescentaram muito à história. Não sei se senti a coisa um pouco forçada por esse se tratar de um desafio relacionado aos pecados, mas não consegui me envolver nem um pouquinho com as desgraças na família relacionadas aos outros pecados.

    Talvez em uma antologia eu visse a coisa como uma referência. Lendo hoje, não sei, me pareceu apenas desnecessário.

    Mas a história (cercada de bons exageros) de Chico está muito divertida. Enquanto lia, estava tendo a impressão que havia um foco muito grande nos personagens (De novo, desnecessário na minha opinião) em detrimento de acontecimentos, mas o desfecho do Chico funcionou suficientemente bem para a sua própria história.

    Bom conto, camarada.

  11. Gustavo de Andrade
    22 de fevereiro de 2015

    Houve a repetição do pronome “sua/seu” logo no começo, algo com o que se preocupar.
    Quando alguém levanta a bola com “trágicos acontecimentos da sua vida até ali”, nos perguntamos: que trágicos acontecimentos? “Ali” onde? Somos respondidos com, à última pergunta, a constatação de que estamos vendo um personagem que decidiu ser enterrado vivo por desgosto; e que os trágicos acontecimentos foram a morte de seus familiares. Mas isso é o suficiente para o clima levantado? Condiz, impacta?
    No “devido à morte do marido [correção na crase]”, pode ficar subentendido (além dos excessos de vírgula) que os remédios não foram testados devido à morte, e não que ela estava mal por conta da morte.
    A inserção de “a primeira linda, a segunda horrenda” parece simplesmente desnecessária, repentina demais sem adicionar nada à narrativa. Acho ruim a insistência com a adjetivação.
    O “há” tá sendo usado errado. Não se trata de tempo, mas de distância espacial. Portanto, é “a dez quilômetros” ou “a menos de um cruzando-se o rio”.
    No “que admirava e a o mesmo tempo invejava a beleza de sua irmã”, também houve uma inserção de caráter súbita demais, com a qual fica impossível relacionar-se proveitosamente em questões de identificação à narrativa.
    O “dinheiro na mão, calcinha no chão (…)” é simplesmente tonto. Quebra todo o impacto que pode haver em um garoto que perdeu a família e a única sobrevivente se prostitui para trazer uma frase-gracejo.
    O “ele” em “ele finalmente decidiu seu destino”, parece se referir ao assassino (ou pau do assassino). Mesmo que saibamos pelo contexto que se trata de Chico, o cuidado precisa ser tomado.
    “embaixo”, não “em baixo”.
    E eis que terminamos! Não achei tão impactante quanto deveria ser, um diálogo tosco não parece um suficiente “ali”, e as impressões do garoto sobre o que ocorreu não parecem suficientes para configurarem as tamanhas tragédias.

  12. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Um belo conto baseado numa anedota que a gente ouve nas quebradas da roça. Gostei. Vamos lá, toca pra frente esse enterro que a gente tem mais o que fazer! rs… muito bom! E quem diz que preguiça não mata? Abraços.

  13. Bia Machado
    21 de fevereiro de 2015

    Gostei, um jeitão de causo, boa condução. Que vida a do Chico Lento, rs. Algumas coisinhas escaparam da revisão, mas já devem ter apontado isso. Gostei da história!

  14. williansmarc
    21 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 6
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: O conto não tem falhas, mas não conseguiu me agradar, sendo apenas uma sucessão de fatos a respeito do preguiçoso Chico Lento, não me emocionei com sua vida nem fiquei triste com seu fim. Espero que os demais tenham apreciado mais o conto e consigam dar boas dicas.

    Boa a sorte no desafio.

  15. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) uma trama simples, mas boa e divertida.

    ✍ Técnica: (4/5) achei boa, o autor conta com facilidade e o texto flui muito bem.

    ➵ Tema: (2/2) preguiça e vários outros (✓).

    ☀ Criatividade: (3/3) muito legal e criativo.

    ☯ Emoção/Impacto: (4/5) achei bem divertido, li todo o conto com um sorriso no rosto. Uma leitura gostosa.

    Único problema encontrado:
    ● Naquelas bandas as crianças nasciam com o auxílio de parteiras (vírgula depois de “bandas”)

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    Classificação: ❻º (foi o único conto a receber nota 16).

  16. Rodrigo Sena Magalhaes
    18 de fevereiro de 2015

    A sequencia de “sua”(seis) no primeiro parágrafo empobrece o texto. Gostei da ideia e da piada. Bom texto.

  17. Gustavo Aquino dos Reis
    18 de fevereiro de 2015

    Conto bem escrito e com um enredo convincente. Embora a história reafirme a visão estereotipada do Lobato sobre a figura do Jeca..

  18. Tiago Volpato
    18 de fevereiro de 2015

    Achei o texto um pouco desinteressante. Não que ele esteja mal escrito, mas ele tem um ritmo que não me agradou. Não sei como explicar. Ele me pareceu seguir um esquema mais antigo, como se tivesse sido escrito muitos anos atrás, não que tenha algo errado com isso, mas pra mim faltou alguma coisa que prendesse no texto.

  19. Eduardo Selga
    17 de fevereiro de 2015

    O conto apresenta um muito ligeiro ar humorístico ao demonstrar o nível de preguiça do protagonista, num enredo um tanto vazio, em que a sequência de fatos parecem muito mais um adiamento do desenlace do que elementos essenciais à trama, sem os quais ela não existiria. O desaparecimento dos parentes próximos parece estratégia para criar expectativa no leitor, e só. Não deixa de ser a peripécia, mas ao invés de haver inclusão de personagens, o movimento é o oposto.

    O final, particularmente, me parece algo truncado. Na sequência, ele conta à Berenice sua intenção (provavelmente suicídio); depois está num caixão; Berenice tenta convencê-lo do contrário; conversa entre ambos e o pedido dele para que siga o enterro. A princípio dá a sensação de que essa conversa se deu com o defunto, numa provável tentativa de instaurar uma atmosfera do fantástico. Mas, se foi essa a intenção, não funcionou adequadamente porque o conto inteiro segue protocolos realísticos e a entrada do provável fantástico não se dá de modo inequívoco. Pode causar a impressão de que o seguinte trecho está fora de ordem ou mal elaborado: “Agora ele estava ali, dentro de seu caixão, cercado por cravos brancos, esperando Berenice chegar com o carro de bois que lhe conduziria ao cemitério. Enfim, descansaria eternamente”. Parece não se encaixar na posição em que está, em função do que vem posteriormente. Ou seja, se ele já estava morto, como Berenice tentou “dissuadi-lo de sua macabra intenção, propondo casamento”? É o fantástico? Pode ser, mas essa estética não pode deixar dúvidas quanto à sua presença.

    Gramaticalidades

    Em “Na pequena Lagoa Formosa não haviam maternidades” há um problema com o verbo HAVER, que precisaria se manter no SINGULAR, apesar de referir-se a um substantivo no plural (MATERNIDADES).

    O problema acima mencionado é de concordância, o mesmo que ocorre noutra frase, mas não quanto ao verbo HAVER e sim à relação nominal entre INGREDIENTES e TESTADO. O trecho é “[…] também é o problema ingredientes, que ainda não havia sido testado […]”. Ou se escreve INGREDIENTES- TESTADOS, ou INGREDIENTE-TESTADO.

    Na frase “No ano que Chico Lento nasceu […]”, o correto seria EM QUE.

    A regra da crase foi desrespeitada em “[…] parecia se agarrar as tripas […]”.

    Há um cacófato em “[…] por ser tão quente como um ferro […]”. A junção de SER e TÃO, na leitura, causa a sensação de uma terceira palavra, indesejada: SERTÃO.

    Há pouco trato linguístico no conto, mas esse trecho demonstra habilidade do autor: “Sua primeira perda foi Lucélia, a Gorda, de coração seco de amor e cheio de toucinho […]”.

  20. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    Bem engraçado. O tom cômico que permeia o texto dá uma abordagem diferente da esperada para o tema do Desafio. Poucos errinhos de revisão (um acento faltando aqui, uma crase sobrando ali…).
    Boa sorte,
    Paz e Bem!
    🙂

  21. Gustavo Araujo
    16 de fevereiro de 2015

    Excelente conto! Gosto muito desse tom regionalista — especialmente porque eu nunca serei capa de de escrever algo assim. O texto é fácil, engraçado sem ser apelativo e até mesmo trágico sem ser piegas. Além disso, é o único neste desafio quer consegue abordar todos os pecados capitais sem parecer forçado. Enfim, tem um ótimo equilíbrio. E os nomes, ah os nomes ficaram ótimos, dignos das obras do Suassuna. O senão fica por conta da (falta de) revisão — diversos trechos chamam a atenção do leitor mais chato (eu). Mas, no fim, não dá para negar que o conto é ótimo. O final me lembrou um antigo conto que havia em um livro de Literatura e Língua Portuguesa que eu usava no colégio. Não lembro o nome ou o autor, mas terminava assim, com o protagonista, um preguiçoso contumaz que havia sido dado como morto, preferindo ir para o cemitério porque não queria descascar uma banana. Parabéns ao autor pelo ótimo trabalho.

  22. alexandre cthulhu
    16 de fevereiro de 2015

    Parabéns ao autor deste conto que escreve de forma magistral. Nota-se que lê muito, pois cada palavra é cuidadosamente escolhida, e cada parágrafo nunca é dactilografado ao acaso. li a historia do o Chico Lento com laivos de humor negro. Muito bom!
    Contudo, deixo aqui uma dica: Por vezes as suas descrições são demasiado longas:
    “Zizinha de dona Carola, amargurada com a viuvez e sentindo-se velha e fora do peso, num ato de impulsividade, tomou um elixir de rejuvenescimento, composto de babosa, ginseng e outros tantos ingredientes, que ainda não havia sido testado, devido a morte do marido, e foi encontrada fria e roxa dentro de seu banheiro completamente nua em frente ao espelho.”
    – Leia em voz alta, e veja que esta frases precisa de um ponto paragrafo algures.
    Mas parabéns pela historia! gostei do que li

  23. Maurem Kayna (@mauremk)
    15 de fevereiro de 2015

    Boa narrativa. Apenas um tropecinho inócuo de vírgula. Apesar de desfilar por todos os pecados um pouco com ar de fábula, o final é divertido e interessante.

  24. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015

    Mórbida preguiça! Bom conto, especialmente bom final, ficou divertido. Acho que a técnica não está valorizando, principalmente no começo, onde o pronome “sua” é repetido à exaustão. De qualquer forma, boa sorte !

  25. Pedro Coelho
    15 de fevereiro de 2015

    Ficou legal, me prendeu a atenção até o final.Foi caricato, mas aparentemente um caricato intencional. Trabalhou bem os pecados e as personagens.Acabou de forma interessante.Um conto divertido.

  26. Anorkinda Neide
    14 de fevereiro de 2015

    Ahhh, filho
    aqui temos a narração que os idosos sempre contam sobre o preguiçoso que estava a morrer de fome e mandou que lhe enterrassem de uma vez.. algum solidário lhe ofereceu uma saca de arroz e ele perguntou: – Com casca ou sem casca? ao que o homem lhe respondeu : – Com casca..o preguiçoso replica: – Então, segue o enterro.
    O preenchimento das tragédias da família, todas relacionadas a um pecado, não contribuiu para que o texto se afastasse do plágio popular..hehehe
    abraço

  27. Sonia Rodrigues
    14 de fevereiro de 2015

    “Chico Lento só se deu o trabalho de abrir os olhos depois de dois meses de nascido.”
    Frases como essa dão o tom bem humorado ao conto, que tem tantas peripécias que bem poderia ser o enredo de uma novela picaresca.
    O tema da preguiça foi trabalhado de maneira original, e o fim do conto, com certeza, faz rir.

  28. Rodrigues
    14 de fevereiro de 2015

    Esse final foi engraçado e o Chico Lento é um personagem cativante. Fora isso, achei as inserções dos personagens que representam os pecados muito gratuita, tudo bem que são da família do lento, mas achei que faltou um interação maior entre eles e o personagem principal. As histórias de como cada um morreu com seu pecado estão bem estruturadas, achei criativas, só há esse problema da falta de ligação com o Chico, enfim, só ser da família não basta.

  29. Mariana Gomes
    13 de fevereiro de 2015

    Muito bom. A escrita cativante e tranquila não deixa o conto maçante ou enjoativo, mesmo que nenhuma reviravolta inacreditável aconteça, o conto desenvolve o enredo muito bem, mesmo que mais pro fim tenha havido uma excelerada mais pro final. Parabéns e boa sorte!

  30. mariasantino1
    13 de fevereiro de 2015

    Oi!
    Seu conto me lembrou de outro do desafio passado, que se chamava: As criaturas (que se passava em Trobobó).

    Esse conto termina com uma fábula popular a respeito de motivação, não é mesmo?

    Vi uma versão com um final assim:

    Esse homem não trabalha nem pro seu sustento, e eu já não aguento mais!
    O compadre, então, ofertou:
    — Para não enterrar meu compadre, eu ofereço um saco de feijão, outro de arroz e um cacho de banana.
    O preguiçoso, ouvindo a proposta, espichou o pescoço para fora da rede e perguntou:
    — Ô compadre, me responda uma coisa: esse feijão é debulhado?
    — Não.
    — E esse arroz e esse cacho de banana vêm com casca ou sem casca?
    — Com casca!
    Então, para surpresa de todos, o preguiçoso completou:
    — Prossiga o enterro!

    Tem mais um ditado aí, que rolava em algumas canções —>>> “Dinheiro na mão, calcinha no chão, dinheiro sumiu, calcinha subiu.”

    Gostei de algumas partes da sua versão, me fez rir e entreteu. O Guri tinha preguiça até de chorar? Ave Santa! KKK. Meu pai é nordestino, e ele sempre chamava a gente de “bruguelos” (uma boa recordação). A narrativa é gostosa e divertida, se houvesse mais espaço para falar do Chico Lento em si teria ficado melhor. Você construiu bem o espaço, mas creio que a preguiça dele, faltou ser mais demarcada com mais alguns takes. Mais situações do Chico.

    Boa sorte no desafio.
    Um abraço!

  31. Sidney Muniz
    13 de fevereiro de 2015

    Gostei demais!

    Um ótimo conto! Um causo gostoso de se ler, em uma narrativa corrida como tem que ser devido a roupagem dada a cada personagem.

    Foi o que mais me arrancou risos até aqui. A repetição de sua durante o longo do texto, bem como outros pronomes possessivos me desagradaram só um pouquinho, mas nada que me tirasse a concentração devido a grande e bem dividida estória.

    Abaixo algumas passagens que me incomodaram, só como exemplo para entendimento de minhas insignificantes queixas.

    sua condução para sua viagem – repetição de sua

    ribeirinha com era – Seria “como” ou estou errado?

    Trama (1-10)=10
    Personagens (1-10)=10
    Narrativa (1-10)=10
    Técnica (1-10)=10
    Inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5 – Mesmo que tenha me incomodado um pouco, eu gostei, mas tiraria o Francisco Pereza, do título.

    Parabéns e boa sorte!

  32. Brian Oliveira Lancaster
    12 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.
    Essência: de forma bem humorada e inusitada, cativou. Nota 10,00.
    Gosto: até gosto destes textos regionais, quando não exageram no rebuscamento. O humor parece ser uma grande aliada deste estilo e aqui não foi diferente. A tragicomédia foi muito bem pontuada, apresentando personagens secundários sem exageros ou quebra de ritmo. Nota 10,00.
    Unidade: um acento e crases ao contrário me incomodaram, mas daí seria pedir demais também. Nota 9,00.
    Adequação: com toda a certeza. Nota 10,00.
    Média: 9,8.

  33. Fabio Baptista
    11 de fevereiro de 2015

    Apesar dalgumans tropeços, como o “haviam”, a crase que faltou em “preso as tripas” e a tripla repetição de “sua” logo no começo, até que gostei da narrativa, ficou aquele clima de “causo” que vez ou outra é gostoso De ler.

    A ideia de explorar a preguiça foi bacana. O mote é bem inusitado. Achei que o conto se perdeu, porém, ao narrar a morte da família inteira, trazendo uma série de nomes e personagens que não fizeram qualquer diferença à trama.

    Tentaria focar mais na preguiça do protagonista e menos no entorno.

    Veredito : conto prejudicado pela falta de foco no personagem central.

  34. Thales Soares
    11 de fevereiro de 2015

    Não gostei.

    O conto está bem escrito, porém, não caiu no meu gosto. A obra tornou-se num estilo mais próximo a uma dissertação descritiva do que uma dissertação narrativa. Pouquíssimas ações por parte das personagens, muitas explicações sobre a família de Francisco, tornaram, para mim, todo o texto muito cansativo e entediante.

    Desculpe, mas achei este conto muito comum. Embora seja perceptível que o autor ou autora possua habilidades para escrever obras mais ambiciosas.

  35. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015

    Achei sua história bem divertida. Ri bastante em alguns pontos, principalmente com a descrição da morte da Lucélia e com a parte final. Achei o conto bem escrito e, mesmo usando um linguajar mais regional, não ficou nem um pouco cansativo.

  36. Gilson Raimundo
    11 de fevereiro de 2015

    Um causo bem interessante, só poderia ter ocorrido as margens do velho Chico. Coisas de matuto mesmo, parece tia “Nastácia” contando um a história. Foi bem eloquente a conduta do texto.

  37. JC Lemos
    10 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    É diferente. Em alguns momentos, gostei, em outros nem tanto.

    Sobre o enredo.
    Até a escrita passou preguiça.
    Foi um bom conto, e o final a melhor parte. Mas que bixo preguiçoso, cara. Haha

    Parabéns e boa sorte!

  38. Luan do Nascimento Corrêa
    10 de fevereiro de 2015

    Muito legal a história, mostrando o extremo (por preguiça, preferir morrer a viver)! Senti falta de uma revisada, por conta de alguns erros de digitação e umas vírgulas fora do lugar (criando, inclusive, ambiguidade). Parabéns!

  39. Alan Machado de Almeida
    10 de fevereiro de 2015

    A história tem potencial, mas perde muito tempo descrevendo o mundo ao redor do personagem principal ao invés de fazer o leitor acompanhar suas ações. Talvez se tivesse mais páginas (pena que pelas regras do desafio não dá), o conto fosse melhor desenvolvido. Apesar da minha critica gostei muito da sua história.

  40. rubemcabral
    10 de fevereiro de 2015

    Parece conto da Bia, haha. Vejamos, gostei dos ares interioranos do conto, que lembrou-me novelas antigas da Globo, feito ao nomear uma das personagens como Carmosina.

    Gostei do Chico Lento, prefirindo ser enterrado a ter que atender os modestos requerimentos sexuais da Berê.

    Quanto ao nosso amigo Portuga, acho que só vi um “há” que deveria ser “a” : “que ficava há dez quilômetros, por terra”… Algumas frases com muitas vírgulas soaram um tanto soluçantes.

    No todo, um bom conto!

  41. Alexandre Leite
    10 de fevereiro de 2015

    Criativo, bem escrito e com boa estrutura. Um bom texto.

  42. Claudia Roberta Angst
    9 de fevereiro de 2015

    Na pequena Lagoa Formosa não haviam maternidades – O verbo HAVER, quando empregado no sentido de EXISTIR, é impessoal e sempre conjugado no singular. O correto seria: Não havia maternidades.
    Encontrei uma falha aqui: “Francisco Lento se viu sem pai e sem suas três irmãs, apenas na companhia de Carmosina…” – Francisco, nesta altura da vida, já havia perdido a mãe também. Então, o correto seria: se viu sem paiS.
    A narrativa correu bem, sendo mais interessante do meio para o final. O pecado da preguiça foi muito pouco explorado neste certame, portanto fica aqui meus parabéns pela sua opção. Gostei especialmente do final, da confirmação de preguiça mortal de Francisco. Boa sorte!

  43. Luis F. T.
    9 de fevereiro de 2015

    É, sem dúvida, um conto diferente, original e extremamente divertido. Destaca-se dos outros justamente pelo humor. Provavelmente um dos três melhores contos, na minha opinião. A linguagem ligeiramente mais rebuscada deu o tom certo a história! Está difícil de decidir agora, rs.

  44. Cácia Leal
    9 de fevereiro de 2015

    A história está legal, deu pra rir, como uma anedota mineira. Divertida. Gostei do jeito descontraído e informal como foi contada a história. Talvez o melhor título seria “O causo do Chico Lento”… rs. No entanto, devido a tantos outros contos bem trabalhados que tivemos neste desafio, acho que essa graça toda não será suficiente para o autor ser contemplado desta vez. De qualquer forma, boa sorte.

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Publicado às 9 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .