EntreContos

Detox Literário.

Avra Kedabra (Willians Marc)

book

Estava eu bebendo uma cerveja na sacada do meu apartamento e voando em pensamentos sobre os problemas rotineiros: contas a pagar, relacionamentos a manter, trabalhos a fazer, incontáveis coisas que eu nunca iria conseguir e uma frustração similar ao oceano, que mesmo recebendo água de todas as partes do mundo, nunca se preenche.

Em meio a essa angustia, um barulho vindo da sala trouxe minha cabeça de volta ao corpo. Com passos lentos e olhos desconfiados andei na ponta dos pés até a origem de minha cisma.

Surpreendi-me com a origem dos sons: meu filho, que começara a dar seus primeiros passos há poucos dias, derrubara alguns objetos da minha estante. Essa não foi a causa de meu espanto, já que travessuras e descobrimentos fazem parte da aventura de ser criança. O motivo da queda do meu queixo foi perceber que, ao toque de Nicolás, tais itens verbalizavam seus sentimentos.

Quando me aproximei dele, em suas mãos encontrava-se um livro, rasgado e amarelado, que nunca havia sequer aberto. Nesse instante, essa queixa pode ser ouvida: “Ó, como eu gostaria de ser um jornal, para que ao menos uma vez durante essa minha vida medida pelo tamanho da eternidade, eu pudesse ser lido e cativar quem me tem em mãos, pois como sou, pareço uma arvore que já não dá mais frutos”.

Achei as palavras do livro muito peculiares e vendo um jornal de esportes largado no sofá, dei-o ao meu filho para descobrir qual seria seu pensamento, que desvendei ser o seguinte: “Adoraria ser um rádio para poder transmitir aos meus ouvintes outras notícias mais relevantes, pois as que estão mortas nessas páginas revelam apenas uma janela entreaberta para o passado. Já eu, após ser lido uma vez, viro roupa para peixes…”.

Concordei com o enunciado proposto e fui à caça de um rádio antigo na minha cômoda, cuja única atividade diária era ser um criadouro de mofo, limpei-o com minha camiseta e entreguei-o a Nicolas. “Queria eu poder exibir imagens de tudo o que acontece pelo mundo assim como faz a televisão, que pode unir famílias para ver o jornal das oito, emocionar amigos durante as partidas de futebol e presentear amantes com beijos enquanto veem filmes românticos. Minha má sorte me reserva apenas mãos suadas e orelhas peludas de velhos solitários em estádios de futebol…”.

Mesmo achando a visão do rádio um tanto estranha, meu corpo foi movido pela curiosidade e não tive outra escolha a não ser conduzir Nicolas até a televisão que jazia desligada na sala e, ao toque do meu filho, uma tela sem sinal foi mostrada, seguida pelos dizeres: “Ser como um computador é tudo o que eu desejo, tendo em vista que através dele, pode-se saber sobre qualquer parte do mundo na velocidade da luz. Conectando pessoas, conhecidas ou não, diminuindo distancias incalculáveis. Abrindo uma porta para um mundo em que tudo pode ser encontrado. No futuro serei apenas um monitor, como óculos que te fazem ver melhor, mas que sem os olhos não seriam mais do que um pedaço de vidro e plástico”.

Nem me dei conta e já havia pegado meu notebook, levantei a tela e meu bebê bateu com suas mãozinhas tenras no teclado, diante dessa ação a máquina falou: “Ó, como eu queria ser como um livro, que conta as mais diversas histórias atemporais, sejam elas desse mundo ou de outros tantos inexistentes e que, se não bastasse isso, não é descartável como, eu que inicializo o sistema em um dia e fico obsoleto logo depois”.

Sentei no chão da sala, organizando as ideias de tal causo, e deixei meu filho de lado por um átimo. Não sei ao certo como, contudo pareceu-me que ele entendeu a situação melhor do que seu progenitor. Nicolas aproximou-se de mim e cutucou-me com seus dedinhos. Não percebi de inicio seu objetivo, todavia, observando-o com atenção, interpretei que ele queria saber o que preenchia minha mente.

— Nico, eu gostaria de ser uma página em branco como você, aguardando a vida deitar sua caneta e escrever um futuro melhor, pois como diria o poeta: “Você chora quando tem fome, mas vem logo uma mamadeira; amanhã se você chora, vai chorar tua vida inteira”.

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61 comentários em “Avra Kedabra (Willians Marc)

  1. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Conto semelhante ao poema “Círculo Vicioso” de Machado de Assis. Muito interessante a interação com o bebê – na verdade são produzidos dois contos alinhados em um, técnica altamente profissional. Mesmo assim, o conto ficou bem “light”, envolvente, singelo, poético, musical. Parece muito com os poemas de Cecília Meireles. Gostei muito, parabéns, “Envy”.

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Wilson.

      Realmente, esse poema foi uma das minhas inspirações, que descobri enquanto assistia a um vídeo do café filosófico sobre a inveja. Tentei trazer o mesmo mote circular para os tempos atuais e incluir a frustração tão presente em algumas pessoas.

      Abraço.

      PS.: Para quem não conhece, segue abaixo o poema do Machado:

      Círculo Vicioso

      Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
      – Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
      que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
      Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

      – Pudesse eu copiar o transparente lume,
      que, da grega coluna á gótica janela,
      contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
      Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

      – Misera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
      claridade imortal, que toda a luz resume !
      Mas o sol, inclinando a rutila capela:

      – Pesa-me esta brilhante aureola de nume…
      Enfara-me esta azul e desmedida umbela…
      Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

  2. Lucas Almeida
    22 de fevereiro de 2015

    Gostei do seu texto pela presença fiel do tema do pecado, a forma com que escreve me mostrou que sabe o que faz ou quase sabe. Não que eu diga que eu sei melhor que você, nada disso, só o senti que precisou de algo mais, algo chocante para coroar a Inveja. Claro, é meu gosto pessoal querer um choque nas palavras de cada conto que leio. Em caso todo caso Parabéns, e boa sorte 🙂

  3. Leandro B.
    22 de fevereiro de 2015

    Oi, Envy.
    Gostei muito do conto, embora talvez o pecado tenha ficado um pouco apagado. Entendo que se trata da inveja, mas a dissecação do tema aconteceu de forma mais problematizada em algumas outras história.

    A narrativa, contudo, me prendeu. Gostei muito da leveza do texto e as atitudes do narrador me lembraram muito a de personagens de contos infantis que, diante do diferente, não se veem atormentados, mas sim curiosos com o que as novidades tem a oferecer.

    Achei um bom conto, Envy. Parabens.

  4. Pedro Luna
    22 de fevereiro de 2015

    Não gostei. Achei forçado e com lições de moral que não me agradaram. :/

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Pedro.

      As lições de moral realmente não agradam a todo mundo, tentei deixa-la oculta mas o gosto pessoal sempre contará mais nesse caso.

      Aliás, parabéns pelo seu conto, achei bem criativo.

      Abraço.

  5. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Muito legal esse conto. Ninguém está plenamente feliz com o quem tem, sempre tem um fiapo de grama mais verde na casa do vizinho. Muitas vezes ser essa página em branco parece uma grande solução aos nossos problemas, mas para tanto, prescindir das nossas experiências, me parece duro demais. Abraços.

  6. Swylmar Ferreira
    21 de fevereiro de 2015

    O texto apresenta estrutura concreta, objetiva, a linguagem é pratica de fácil compreensão para o leitor. A narração sobrepõe ao dialogo. Não prendeu a atenção. Não sei se atende ao tema proposto no desafio.

    • Swylmar Ferreira
      21 de fevereiro de 2015

      Envy, reli sua obra uma segunda vez. Tentei uma ótica diferente, não apenas a visão de leitor. Entendi o seu conto (já o havia entendido) e o que quis passar ao leitor e por essa ótica o conto atende a proposta, mas continuo com a sensação de falta.
      Boa sorte.

  7. Bia Machado
    20 de fevereiro de 2015

    Este não me prendeu a atenção. Apesar do enredo, achei uma narrativa fraca, não consegui estabelecer empatia com o texto. Boa sorte!

  8. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) achei muito interessante, embora um pouco simples. Um conto de uma cena só.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa e bem descrita, sem nenhum problema aparente.

    ➵ Tema: (2/2) inveja (✓).

    ☀ Criatividade: (3/3) muito criativo.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei, principalmente porque envolve crianças pequenas (meu ponto fraco), mas não me arrebatou totalmente. Não fiquei tão emocionado como o autor pretendia.

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    Classificação: ❼º (Teve nota 15 e empatou com “Café Melodia”, ficando na frente pelo segundo critério de desempate: “trama”, pois empataram também no primeiro: “emoção/impacto”).

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Leonardo!

      Gostei da sua forma de avaliação, principalmente desse pequenos ícones, haha.

      Achei suas notas justas e agradeço por elas!

      Abraço.

      • Leonardo Jardim
        24 de fevereiro de 2015

        Obrigado, Willians, mas esse modelo é muito baseado no seu. As “figurinhas” foram só pra tentar ficar diferente rs

  9. Jowilton Amaral da Costa
    19 de fevereiro de 2015

    Digo, o “círculo” fechando e não ciclo.

  10. rsollberg
    19 de fevereiro de 2015

    Mais um conto bem original!

    A narrativa é gostosa, com ótimas analogias, como por exemplo: “incontáveis coisas que eu nunca iria conseguir e uma frustração similar ao oceano, que mesmo recebendo água de todas as partes do mundo, nunca se preenche.”

    O jeitão de fábula também me cativou. Uma abordagem bem diferente para o pecado da Inveja. O autor optou pela melancolia ao invés de sangue, mais desesperança e menos ira.

    É, a grama do Vizinho é sempre mais verde. Mas tenho que dizer que eu não tenho inveja do Nico, não gostaria de voltar a ser uma página em branco, afinal, deu tanto trabalho para preencher esta…

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Rafael!

      Em primeiro lugar, parabéns pelo seu excelente conto, foi o meu favorito desse desafio!

      Sobre a inveja do Nico, acho que você não deve ser uma pessoa tão frustrada como o pai que eu imaginei pra ele, que vive em um modo automático e não faz nada do que realmente se orgulha. Sinto esse tipo de sentimento das pessoas toda vez que alguém diz: “como era bom quando eu era criança, não tinha preocupações, só brincava o dia inteiro, etc”. Esse é um tipo comum de inveja que passa despercebido e acredito que as pessoas deveriam prestar mais atenção a isso.

      Abraço!

  11. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    Bom conto. O pecado aí seria a inveja, não é mesmo? Nos faz refletir sobre o que somos e o que gostaríamos de ser. Achei bacana o ciclo fechando começando com o livro e terminando nele mesmo e depois o pai que gostaria de ser o filho. Boa sorte.

  12. Alexandre Leite
    18 de fevereiro de 2015

    Bom conto, bem escrito, apesar de não ter ficado claro para mim de qual pecado capital ele trata, o que pode ser uma falha da minha interpretação.

  13. Luan do Nascimento Corrêa
    18 de fevereiro de 2015

    Interessante a mensagem por trás da história. Alguns pontos não fizeram sentido, como trazer a cabeça de volta ao corpo (creio que o certo seria a mente). O texto requer uma revisão e a escrita poderia ter sido um pouco mais trabalhada.

  14. Andre Luiz
    18 de fevereiro de 2015

    Olá, cara Envy!
    Você sabe construir boas metáforas e um ótimo clima de suspense, principalmente depois daquele barulho que o protagonista ouve no meio da introdução. A intenção de dar voz aos objetos ultrapassados é inovadora e prometeu, cumprindo depois a promessa, um bom conto. Todavia, senti uma necessidade de “limpar” um pouco a trama de adjetivos e tornar a narrativa um pouco mais prática. Mesmo assim, boa sorte!

  15. Gustavo de Andrade
    18 de fevereiro de 2015

    “começara a dar seus primeiros passos há poucos dias”: ó, se o “começara” tá em pretérito mais-que-perfeito, há a necessidade de referência a um verbo em um dos outros modos verbais do pretérito do indicativo. Como o “haver” se refere a uma ação que começou a acontecer e continuou, o verbo seria melhor colocado no pretérito imperfeito. Assim, “começara a dar seus primeiros passos havia poucos dias”.
    Os conceitos da inveja dos veículos de comunicação é muito interessante, e trouxe uma ótica à qual eu nunca tive contato quanto à natureza da informação veiculada. Comparar um jornal com informações mortas que permitem uma janela entreaberta para o passado achei especialmente sensível.
    No entanto, talvez tenha sobrado lirismo onde faltou concretude. O enredo em si não existiu muito, foram algumas sacadas legais, embora superficiais, que poderiam ser cortadas a fim de uma narrativa mais desenvolvida/concreta/interessante.
    Boa escrita 😉

  16. alexandre Cthulhu
    18 de fevereiro de 2015

    Ora aqui está mais um texto surpreendente, como tantos outros que tenho descoberto aqui no Desafio desta pagina estupenda.
    Este “Avra Kedabra” está muito bem escrito, e o autor simplesmente fez uma historia sui generis que me agradou bastante.
    Parabens!

  17. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    17 de fevereiro de 2015

    É o pecado da inveja? Que visão maravilhosa do pecado! Nada como uma criança para mostrar que todo mundo é humano e que nem todo pecado é pecado! A estrutura é boa, a fluidez do texto também. Sabe o que ficaria legal? Animar com movimentos de fala o livro e o jornal, o rádio com estática, a TV com voz seguindo a legenda na tela e o note com aquele sinal do Windows que carregou. Nem ocuparia tanto espaço assim e daria uma credibilidade de coisa viva e corriqueira no seu sensacional conto.

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Carlos!

      Ficaria muito legal dessa forma que você expôs, o pior é que eu realmente tinha espaço pra isso, mas não imaginei nada parecido com essa sua ótima ideia.

      Abraço!

  18. Eduardo Selga
    17 de fevereiro de 2015

    O conto é uma fábula contemporânea, utilizando, ao invés de animais falantes, objetos. No entanto, e aqui temos uma qualidade deste conto, não se pode afirmar que todos os objetos “falem”: há a possibilidade interpretativa de o protagonista ter ouvido o que não foi dito, de as “falas” serem criações de sua mente. Nada impossível, considerando seu estado emocional, a angústia.

    Aliás, o conto inteiro é a demonstração do vazio da angústia e de uma “frustração similar ao oceano […]”. O percurso percorrido, saindo de um ponto e voltando a ele mesmo (o livro) é a sensação de labirinto que a angústia provoca. O conto, quando vai do livro ao jornal, do jornal ao rádio, do rádio à tevê, da tevê ao computador, causa uma sensação de gradação, de preenchimento, de aumento, em função de a ordem das mídias serem crescentes quanto à tecnologia. Mas eis que do computador ao livro há um movimento inverso, causa uma sensação de esvaziamento desse recipiente que, até então, vinha se enchendo aos poucos. Literariamente essa supressão de um ritmo contínuo é muito bom.

    Fábulas são construções textuais que normalmente trazem, ao fim, uma mensagem moral edificante. Este conto não segue esse caminho, e sim outro, paralelo à moral: a filosofia. A postura do computador em querer ser um livro é bem curiosa: o conto advoga, via trama, o retorno à simplicidade da vida, em contraposição ao tecnologismo que, se materialmente pode ser um avanço, se observarmos tendo o homem no centro, verificaremos o vazio, a esquizofrenia a que estamos nos encaminhando nesse louvor incondicional ao chip, ao clique. De um lado, a informação on-line, em tempo real e rasa, muito mais aparência do que essência e que por isso não gera, apenas por si, saber, antes conhecimento da notícia, e ainda assim com os filtros e distorções pelos quais ela passa até chegar ao sujeito. Do outro, a informação cuja velocidade de transmissão é lenta, porém fortemente carregada de conteúdo e que por isso provoca o saber. Simbolicamente, é a pós-modernidade renunciando a si mesma e preferindo a modernidade, como se vê em “Ó, como eu queria ser como um livro, que conta as mais diversas histórias atemporais […]”.

    O texto trabalha com um clichê bastante comum nos tempos atuais, a louvação ao livro. É evidente que concordo com a importância do livro, como símbolo do saber, mas é preciso tomar cuidado com essa postura. Essa sobrevalorização pode dar a entender que a leitura de todo e qualquer livro é positiva, que ele é por si um objeto a carregar consigo uma eterna positivação, o que não é verdade. Há livros e livros; há informação e há saber. Há livros que promovem um emburrecimento, quando, por exemplo, em se tratando de não ficção, afirma pseudo-cientificidades; quando, na ficção, valoriza aspectos textuais não afeitos à estética e muito mais os que fazem do texto um produto vendável.

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Grande Eduardo!

      Você conseguiu sintetizar muito bem o que eu quis passar, principalmente em relação à pós-modernidade e o sentimento de frustração presente no texto.

      Sobre os objetos falarem, não pensei em uma explicação lógica para isso, mas ao escrever imaginei as palavras simplesmente sendo ouvidas “na mente” do protagonista, sem que haja um som saindo dos objetos.

      Sobre a supervalorização do livro, concordo plenamente. Nem todo livro traz sabedoria para o leitor, porém como estamos em um desafio literário achei aceitável coloca-lo como um objeto idealizado.

      Obrigado pela critica!

  19. Maurem Kayna (@mauremk)
    17 de fevereiro de 2015

    A ideia de um oceano que não se preenche me caiu mal porque não parece concebível que os oceanos precisem de preenchimento. Acho que o texto soa um pouco como parábola, e, de certo modo, encantou-me no conjunto – talve por gostar de ver o endeusamento do livro, que também eu cultuo. Gostei também pelo tratamento do pecado da inveja / cobiça de modo não exagerado, mais próximo do modo como se dá no geral a expressão dessas falhas humanas no cotidiano.

  20. Pétrya Bischoff
    16 de fevereiro de 2015

    Bueno, um texto que, a princípio, pareceu-me muito ingênuo. Não estive gostando da estória do bebê mágico em si, e dos desabafos dos objetos. A narrativa é chatinha e a escrita não apresenta surpresas. Mesmo com a liberdade poética, penso que o título esteja equivocado, sendo um misto de Avadra Kedavra (HP) com abracadabra… No entanto, o final meio cíclico, dos quereres dos objetos, e o próprio querer de eterna inocência e recomeço, almejado pelo pai, me agradaram. De qualquer maneira, boa sorte.

    • Pétrya Bischoff
      16 de fevereiro de 2015

      P.S. Também não senti nenhum pecado aí…

  21. Rodrigues
    16 de fevereiro de 2015

    Legal, daria um belo livro ilustrado para crianças, a inveja que um objeto sente do outro foi construída de forma lúdica e imagética, além de apresentar um tom de fábula ou algo assim. Achei que poderia ter acabado com a fala do computador. Fiquei aqui pensando nessa característica dos livros, de serem eternos e emularem certo respeito. Há sempre uma estante empoeirada pra eles.

  22. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    Repetiu “origem” já no início da leitura sem necessidade. Nicolás vira Nicolas; depois é chamado carinhosamente de Nico… Ok, essas coisas me incomodaram um pouco (tanto é que comecei meu comentário já no ímpeto), contudo… O que mais me incomodou foi a história contada. Não sei se os incômodos acima descritos me impediram de abrir um pouco mais minha mente ou, espero eu que não, o autor simplesmente estava sem muita inspiração. Na verdade, sem apenas o “ins” da última palavra da frase anterior a esta. Mas, como tudo nesta vida, o conto apresenta um outro lado também. Poético, talvez. Pelo menos foi isso o que o final deixou em minha mente, como um resquício do que a obra poderia ter sido, mesmo acabando não o sendo. Ter sido…
    Reflexão, mesmo, só o último parágrafo causou.
    Às vezes, o que mais tememos pode se tornar alvo e o que desejamos pode acabar acontecendo e, reflexão esta tendo sido expressa aqui, talvez o desejo do autor fosse o mesmo de seu personagem… Ser uma página em branco.
    Ou não.
    Enfim… O que vale nessa vida é exatamente os riscos que corremos. Na pior das hipóteses, a caneta da vida surge e escreve um futuro melhor.
    Boa sorte no(s) Desafio(s)!
    🙂
    Paz e Bem!

  23. Cácia Leal
    15 de fevereiro de 2015

    Legal. Gostei, bastante interessante e criativa a história. O texto está bem escrito, com linguagem fácil e compreensível. A ideia de que “a grama do vizinho sempre é mais verde”… me agradou bastante o desenrolar da trama.

  24. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015

    Adorei, reflexões profundas e verbalizadas em um tom poético que enche os olhos. Os objetos se tornam verdadeiros personagens sob o toque do bebê, e é divertido saber o que “pensam”. Gostaria de saber quem é o poeta do final… desconfio que seja o próprio autor, rsrs, adorei a frase que encerra o conto. Sucesso no desafio !

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Oi, Virginia!

      O poeta da frase final na verdade é um musico que também considero poeta: Raul Seixas!

      Segue abaixo a letra da musica que eu extraí essa frase:
      http://letras.mus.br/raul-seixas/99092/

      Abraço!

  25. Gustavo Araujo
    13 de fevereiro de 2015

    Conto com jeitão de parábola. Pude imaginar o ancião no meio da roda contando a história para a plateia jovem, boquiaberta, que absorve os ensinamentos implícitos e explícitos da narrativa. Bem escrito, que cumpre o que se propõe, mas, receio, um tanto enfadonho. Questão pessoal, não gosto muito de finais com “moral da história”. Creio que o autor poderia ter ousado mais. A sensação que tive foi que o texto se manteve nos estritos limites da segurança. Um pouco frustrante para alguém como eu, que espera algo surpreendente no fim. De qualquer maneira, não posso negar, repito, que está bem escrito. Suerte!

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Grande anfitrião!

      Eu tento parar de escrever parábolas moralistas, mas não consigo! haha

      Estou tentando deixar esse meu lado cada vez mais sútil, mas é algo que só conseguirei com o tempo, pois sempre quero fazer com que o conto passe alguma mensagem para o leitor.

      Obrigado pela critica!

  26. Sidney Muniz
    13 de fevereiro de 2015

    Excelente!

    O conto não me cativou de imediato, mas de repente a proposta é digerida e daí para frente senti-me pecando, com a gula pela leitura.

    Muito audaciosa a proposta e feliz foi a conclusão da mesma.

    No fim adorei tudo, até mesmo o inicio de que não havia gostado tanto.

    Mais um excelente conto que me deixou com fome, fome de ler!

    Trama (1-10)=10
    Técnica (1-10)=10
    Narrativa (1-10)=10
    Personagens (1-10)=10
    Inovação e ou forma de abordagem do tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5 Chamativo!

    Parabéns e boa sorte!

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá Sidney!

      Nota máxima para o meu conto? Por essa eu não esperava, muito obrigado!

  27. Thata Pereira
    12 de fevereiro de 2015

    Hummm, inveja, seria isso? Pensei que o conto terminaria com um final cômico, menos adocicado. Estava me divertindo muito com a situação, mas, da forma como o conto foi levado, esperei algo como o pai desejando se criança e a criança desejando ser adulto. Para mim, o final não teve sentido se comparado ao restante.

    Boa sorte!

  28. rubemcabral
    12 de fevereiro de 2015

    Gostei do conto. Insólita e criativa a ideia, bacanas os pensamentos das coisas. Faltou um tanto de revisão: acentos, principalmente. O final, com a citação, não ficou tão bom, eu pararia em “escrever um futuro melhor.”.

    • williansmarc
      24 de fevereiro de 2015

      Grande Rubem.

      Sobre a citação, pensei muito se deveria ou não coloca-la, mas a frase se encaixa tão perfeitamente no contexto do conto e na minha forma de pensar que acabei caindo em tentação…

  29. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015

    Gostei da originalidade do conto. A ideia da inveja é bem desenvolvida e mostrar que, assim como os humanos, as coisas também estão sempre insatisfeitas e achando que a grama do vizinho é mais verde foi algo bem interessante.

  30. Anorkinda Neide
    9 de fevereiro de 2015

    Olha, achei pueril… arrume um pouco a linguagem e dá um bom conto infanto-juvenil.
    O mote é a inveja? pois é..achei a abordagem bem simplória. Mas bonita, as crianças vão gostar..imaginar qual objeto será mencionado pelo outro.. ficou legal sim.
    boa sorte ae!

  31. mariasantino1
    9 de fevereiro de 2015

    Oi, tudo bem?

    Gostei da proposta do conto, tem ternura e as reflexão das coisas são interessantes se forem avaliadas num outro patamar. Gostaria que ficasse mais claro que se tratava de delírios causados pela bebida, do que a seriedade a que foi repassado os fatos insólitos. Senti que faltou algo entre as coisas invejosas e os personagens (pai e Nicolas). E também queria saber um pouco mais sobre eles, embora creia que você optou mesmo para chamar atenção para a reflexão que cada um objeto profere, mas forma que está (opinião minha) os personagens não tem vida alguma o que faz a reflexão ficar jogada.
    Percebi alguns desacertos que numa revisão mais atenta vão sumir.
    Boa Sorte.

    • mariasantino1
      9 de fevereiro de 2015

      Ah! Sobre o título, se for alusão ao Harry Potter, acho que o certo é Avada Kedavra, não?

      • williansmarc
        24 de fevereiro de 2015

        Oi, Maria!

        Sobre o titulo, Avra Kadabra significa “Eu faço ao falar” em hebraico e dizem ser a fonte original de todas as outras variações dessa frase, tais como abracadabra e avada kadavra.

  32. Gustavo Aquino dos Reis
    9 de fevereiro de 2015

    Bom conto. O pecado aqui seria inveja???

  33. JC Lemos
    9 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Gostei, é muito fluida e conta muito bem. Não percebi que já chegava ao fim.

    Sobre o enredo.
    Não gostei muito. Por questão pessoal, achei meio parado, simples demais. A ideia dos objetos falantes é até boa, mas não me convenceu. Não gostei, de verdade, da última frase. Acredito que poderia ser algo melhor.

    De qualquer forma, escreve muito bem e está de parabéns!
    Boa sorte!

  34. Gilson Raimundo
    9 de fevereiro de 2015

    Início poético. Este conto mostra que ninguém esta completamente satisfeito com a sorte que tem, a grama do vizinho sempre parece mais verde. O desenvolvimento foi bom, o ciclo vicioso explorado pela trama não se desgastou, como o personagem também fiquei curioso quanto ao próximo passo. E o final, foi uma volta ao início sem se preder.

  35. Tiago Volpato
    8 de fevereiro de 2015

    Não gostei muito não. Prefiro uma história que tenha mais ação, na verdade não entendi o ponto da sua história. Achei um final muito abrupto, quando terminou pensei, ‘sim e daí o que aconteceu?’.
    Mas você tem um bom texto. Pode ser que outras pessoas gostem.
    Abraços.

  36. Sonia Rodrigues
    8 de fevereiro de 2015

    Eis aí uma bela inovação sobre a velha fábula infantil. Criativa, usar a criança como intermediário foi bom, usar os objetos modernos foi bom, as frases escritas ao invés de vozes faladas tornou o universo aceitável, e o final foi bem curioso.

    Apenas alguns reparos:
    “…trouxe minha cabeça de volta ao corpo.” Entendi, mas ficou realmente muito estranho, a primeira imagem que me veio foi a cabeça voando por ali…usar a cabeça em lugar de pensamento não foi a melhor escolha, a meu ver.
    “Já eu, após ser lido uma vez, viro roupa para peixes…”. – bem, em minha cidade já faz aguns anos que esta prática de embrulhar peixe em jornal está proibida, talvez pudesse ser outra coisa, forrar gavetas, embrulhar lixo, forrar o chão.
    A frase final, como contém um erro grave de português, erro da letra original e não do escritor, poderia ser omitida, pois quebra a perfeição da história. Aliás, a citação da música não é necessária para o entendimento do fato: a criança tem o futuro a ser escrito, por ela ou pela vida.

    Parabéns pelo belo texto.

  37. Thales Soares
    8 de fevereiro de 2015

    Que engraçado! Kkkkkk. Muito engraçado esse conto!! (ainda bem que os comentários estão fechados, se não as pessoas teriam uma impressão totalmente equivocada caso lessem meu comentário antes de verificar o conto, mas já vou explicar o que me causou tal sentimento hilariante)

    Sabe, quando pequeno (há mais de 20 anos atrás) eu assisti a um desenho sobre uns ratinhos. Havia um rei rato que queria arrumar um marido para sua filha, a princesa rata, mas ele não queria que fosse qualquer um. Ele buscava a mais poderosa de todas as criaturas para ganhar a mão de suas filha. Então o rei rato iniciou sua busca. O primeiro pretendente que ele conversou era um ratinho normal, que disse ao rei e a princesa que o gato era mais poderoso do que ele. Então o rei foi conversar com o gato, mas o gato disse que o cachorro era mais poderoso do que ele. Então foram conversar com o cachorro, mas o cachorro disse que o leão era mais poderoso. Então foram conversar com o leão, mas o leão disse que o elefante era mais forte. Então finalmente foram conversar com o elefante, mas o elefante disse que morria de medo do ratinho. Então eles voltaram para o ratinho inicial, e a princesa se casou com ele.

    Eu sei que existem uma infinidade de variantes para essa mesma história, mas isso é algo que estava oculto na minha mente. Sabe aquele tipo de pensamento que te marca, aí hora ou outra você pensa nele sem nem ao menos perceber? Eu até já havia pensado em escrever uma história utilizando essa ideia, num dos desafios aqui do EC. Então, logo de início da sua história, eu já sabia que voltaríamos para o livro. A frase final foi surpreendente. Ficou uma história bastante redondinha, eu adoro histórias assim. Acho que é uma das melhores que li até agora. Aprecio muito quando o escritor é ousado e apela para elementos fantásticos, como o garotinho que fazia os objetos revelarem seus pensamentos ocultos. Achei isso incrível! Parabéns ao autor ou autora pela criatividade.

    • Willians Marc
      24 de fevereiro de 2015

      Olá, Thales!

      Que bom que curtiu! Quando você falou do meu conto lá no facebook fiquei louco pra saber o seu comentário, e vendo-o agora, é bem engraçado mesmo. Esse tipo de trama já foi usado algumas vezes, mas acredito que dependendo dos objetos ou animais usados, diferentes resultados podem ser obtidos, sendo que, no meu caso, o comentário do Eduardo Selga conseguiu extrair praticamente tudo o que eu pensei.

      Abraço!

  38. Luis F. T.
    7 de fevereiro de 2015

    Adorei! Um conto mais light! Uma única ressalva: quem hoje em dia ainda tem um rádio antigo na cômoda? Era melhor já ter passado pra TV, rs. Ótima história. Parabéns!

  39. Brian Oliveira Lancaster
    6 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.

    Essência: Complicado definir isso. Nota 6,00.

    Gosto: Gostei muito. Bem criativo. O ciclo e o inexplicável deixa o leitor curioso até o final. Tem certo tom poético nas entrelinhas. No entanto, apesar de ter gostado bastante, não consegui conectar ao tema. Sei que se trata de inveja, mas o contexto principal não deixa isso muito claro e nem tem a característica de “coisa ruim”. Mas a forma escrita me agradou bastante. Nota 10,00.

    Unidade: Nada me incomodou. Nota 10,00.

    Adequação: Não quero ser injusto, mas não consegui sacar de primeira. Tive de reler. Nota 6,00.

    Média: 8,00.

  40. Claudia Roberta Angst
    6 de fevereiro de 2015

    Inveja deve ser o pecado abordado neste conto. Os objetos ganhando vida sob o toque de um bebê. Ideia diferente, mas não sei se ficou meio fantástica demais para mim. Tem um certo quê de redação escolar, com direito à liçãozinha de moral no final. “Uma página em branco” ficou bem clichê pra mim.
    Há alguns errinhos que podem e devem ser banidos do conto através de uma boa revisão.
    A leitura correu fácil, o que é um ponto positivo. Boa sorte!

  41. Alan Machado de Almeida
    6 de fevereiro de 2015

    Começou bem, mas pessoalmente não gostei do final. O último parágrafo ficou um pouco piegas e a citação não contribuiu muito.

  42. Mariana Gomes
    5 de fevereiro de 2015

    Esse conto foi tão fofo rs
    Não sei o que um objeto inanimado realmente decidiria ser caso algo o desse vida a ele(magicamente talvez?), mas a filosofia toda apresentada é bem desenvolvido. Gostei muito. Boa sorte e Tchau!

  43. Pedro Coelho
    5 de fevereiro de 2015

    Fugiu demais do assunto proposto no desafio,e a progressão seguida de regressão dos objetos propostos não funcionaram muito bem. A inveja ficou muito em segundo plano. Eu não a sinto como tema principal e sim um recurso dentro de um tema ligado a passagem do tempo e aprendizagens da vida. Mas não deixou de ser criativo e é um conto movimentado que prende o leitor até o final.Estruturalmente bom e bem conduzido até o final.

  44. Fabio Baptista
    5 de fevereiro de 2015

    Olá,

    Apesar de algumas palavras sem a devida acentuação (angustia, arvore…) e algumas repetições próximas, gostei da escrita.

    As falas do jornal e do rádio foram bem criativas.

    Aliás, todo o mote foi bem criativo. Um pouco nonsense (que comentei em outro conto não ser meu estilo favorito), mas criativo.

    Certa vez comecei a escrever algo parecido, mas era com animais. Tipo o macaco invejava algo do peixe, que invejava algo do sapo, etc. Não levei o conto pra frente, por não conseguir pensar em nenhum desfecho bom como você conseguiu pensar.

    Veredito: bom conto.

  45. Karla Kélvia
    5 de fevereiro de 2015

    Amei!!!

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Informação

Publicado às 5 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .