EntreContos

Detox Literário.

Aurora (Felipe Moreira)

aurora

“On borderland we run. I’ll be there tonight. A high road, a high road out from here”.

Quando Adeba viu a bandeira negra dançando sobre seu vilarejo, sentiu a ardência dos olhos em choro. “Não olhe pra trás”, advertiram tantas vezes. A aridez do deserto se estendia por um infinito campo de lamento. Os yazidis gritavam por não aceitarem a dominação dos jihadistas que em seguida isolaram todos no monte Sinjar, incluindo yazidis de outras regiões do nordeste iraquiano. Ali, Adeba questionou se esse não era o preço que eles estavam pagando pelo dia em que o anjo pavão confrontou Adão no Éden.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

37 comentários em “Aurora (Felipe Moreira)

  1. Eduardo Barão
    4 de outubro de 2014

    Outro conto que li há tempos mas me enrolei para comentar. Não tenho problemas com tamanho de conto e tudo mais, mas especialmente neste a leitura me pareceu muito travada e sem maiores atrativos. Geralmente priorizo a trama, mas a narrativa “dura” (como apontado pelo colega abaixo) me impediu de apreciar todo o potencial da mesma nessa primeira leitura.

    Todavia, parabenizo o(a) autor(a) pela competência e desejo boa sorte.

  2. Fabio D'Oliveira
    4 de outubro de 2014

    Este foi o único conto que me intimidou na hora de lê-lo por causa de seu tamanho. Não gostei disso… A história é interessante e narrativa é muito boa, mas o texto não me completou.

  3. Angélica
    4 de outubro de 2014

    O conto é um pouco longo, mas isso não prejudicou a leitura, pois o texto é bem instigante. Gostei do tema utilizado que é bem atual ,da estrutura da escrita com as descrições dos locais e dos personagens e o desenrolar dos fatos. Boa sorte!

  4. Thiago Mendonça
    4 de outubro de 2014

    Não consegui me imergir muito na história, não consegui me adaptar a seu estilo de escrita, que, apesar de competente, não vi muitos atrativos.

    Não consegui sentir empatia pelo personagens, apesar da história ser bastante emotiva, mas isso é apenas uma opinião pessoal. Sua técnica é boa e a trama interessante.

  5. tamarapadilha
    4 de outubro de 2014

    Minha primeira impressão: grande demais! Eu gosto de narrações que se passem no oriente, mas essa não me chamou atenção. Muita narração desnecessária. Em algumas partes a linguagem ficou bastante informal,

  6. Edivana
    4 de outubro de 2014

    Um conto excelente! Muito bem narrado, as personagens são cativantes e a história é triste e real. Porém, dois clichês me incomodaram, a fuga e a intervenção do final, por mim, ela poderia ter morrido também, mas em todo caso, é sem dúvidas muito bom conto.

  7. Andre Luiz
    4 de outubro de 2014

    Opinião pessoal, considerei a leitura difícil. Nada que desvalorize sua obra, sendo que, no meu caso, não foi impossível lê-la. Talvez seja pelo excesso de adjetivos, substantivos e outros. Enfim, gostei bastante da ambientação e enredo, ambos muito bem executados, com um tema polêmico e atual, bastante proporcional. Parabéns e boa sorte!

  8. Pétrya Bischoff
    4 de outubro de 2014

    Buenas!, a escrita está muito boa e a ambientação remete boas imagens mentais. A narrativa em si não me agrada, parece muito com um filme hollywoodiano, apesar de haver o mérito da pesquisa. Também não me agradaram os diálogos por parecem muito artificiais; e o final, bueno, um final feliz. De qualquer maneira, boa sorte.

  9. Alana Santiago
    3 de outubro de 2014

    Gostei muito, pela pesquisa e pelas personagens cativantes. Só não me envolvi com a leitura dos diálogos, achei um tanto forçados, assim como o final. Mas parabéns pelo seu texto, outras falhas já foram apontadas pelos colegas. Eu fico aqui desejando-lhe sorte!

  10. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    No início, tive a mesma impressão do Fabio: a narrativa distanciada meio que bloqueava o pleno envolvimento emocional, eu não estava realmente me importando com o destino de Adeba e do amigo. Essa falha foi sendo abrandada ao longo do texto. As descrições excelentes serviram para tornar a leitura extremamente imersiva. O clima de tensão com a chegada dos jihadistas foi muito bem construído, mas o final… é quase literalmente um Deus ex machina, se considerarmos a origem teatral da expressão como “solução vinda dos céus por meio de uma engrenagem”. No caso, o helicóptero.

    Mas o texto tem compensações suficientes para essa pequena falha.

  11. williansmarc
    3 de outubro de 2014

    Olá. Assim como o Fabio Batista falou abaixo, eu também achei o conto um pouco travado, mas isso deve ser mais um problema meu do que do autor(a).

    A descrição dos cenários é ótima, uma grande pesquisa deve ter sido realizada.Os personagens são bem construídos e também gostei da inclusão da camisa de um time de futebol no conto.

    Apenas o fim do texto me incomodou um pouco, essa cena de um casal indo embora no deserto, o rapaz fala para a moça correr e, de repente, aparece um helicóptero para salvá-la é algo bem clichê. Mas, no geral, apreciei muito o conto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. rsollberg
    3 de outubro de 2014

    Caro autor, só posso dizer que você tirou onda.
    Seu timing foi perfeito. É notório que naquela região histórias como essas aconteceram e acontecem aos montes (Como PC falou em o Monte Cinco), mas essa nova faceta conhecida como Estado Islâmico deu mais força para o seu texto.

    Essa brutalidade desenfreada foi passada ao leitor com muita maestria. Fez me até lembrar de um provérbio árabe que diz “a ignorância é vizinha da maldade”. Esse tipo de história testa sistematicamente minha tolerância, e aqui fiquei novamente com raiva. A perseguição aos curdos é cruel e implacável, justamente pela interpretação diferenciada dos preceitos.

    Desculpe a digressão, autor… Os personagens são muito bem caracterizados e os diálogos muito bem empregados. Um excelente conto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Thata Pereira
    2 de outubro de 2014

    Como alguém destacou, também lembrei de Khaled Hosseini. Gostei muito do conto, realmente consegui entrar na história. Queria um final feliz, mas não esperava que Rumi morresse, gostei dele. O final do conto me desagradou um pouco, pela chegada mágica do avião, mas o último parágrafo me passou com lealdade do sentimento de ouvir o final da música escolhida.

    Boa sorte!!

  14. Fabio Baptista
    1 de outubro de 2014

    ========= ANÁLISE TÉCNICA

    Achei a narrativa meio “dura”, o que deu a percepção de certa distância (não consegui me envolver emocionalmente com o texto). Não é meu estilo preferido, mas notadamente o autor possui experiência em contar uma história. A ambientação foi feita a contento, mas poderia ser melhorada (Consegui visualizar uma história no Oriente Médio, mas não me senti no Oriente Médio…)

    Conforme detalhado abaixo, achei que o autor pecou um pouco nos diálogos e também na clareza do texto em algumas partes, não pela técnica em si, mas pela profusão de nomes estranhos aos ouvidos brasileiros.

    – lamentando a queimação das feridas e zombaria da lua
    >>> colocaria um “a” antes de “zombaria”

    – almas despidas pelo imponderável
    >>> São poucas as boas metáforas (como essa por exemplo) que aparecem ao longo do texto. Eu arriscaria mais uma ou duas, aqui e ali… mas, claro – isso é questão de gosto (como vemos nos comentários desse e de outros textos, temos muitos amigos que preferem uma narrativa sem muitos floreios).

    – Se escaparmos daqui, é uma prova de que o destino nos quer juntos
    >>> Melhor cantada, EVER!!!! kkkkkkk

    — Entenda – Rumi notou ter errado bruscamente
    >>> Era “entenda” mesmo?

    – Eu tenho catorze anos (…)
    >>> Achei esse diálogo com tom muito didático.

    – uma faca entrar na sua carne lentamente
    >>> Tiraria esse “sua”

    – observando com indiferença o sofrimento de cada refugiado com serenidade
    >>> Deixaria só a indiferença ou a serenidade

    — Chora não, lindeza
    >>> Também é uma questão totalmente de gosto… eu acho estranho esse tipo de diálogo em ambientações fora do Brasil. É algo que me incomoda também no cinema… depois que assisti “Paixão de Cristo” e “Apocalypto” (ambos do Mel Gibson), meus conceitos mudaram totalmente.

    – Todas, incluindo Adeba
    >>> Meio redundante

    – Admita que você tem desejos sexuais com o califado
    >>> Achei que em todo esse trecho os diálogos, independente dos filmes do Mel Gibson, descambaram um pouco para a teatralidade. Esse acima é um exemplo mais “gritante”, na minha opinião.

    – aguardavam no cio
    >>> Não acho que combina muito bem para o desejo sexual masculino

    – Lá tinha
    >>> Cacofonia

    – oasis
    >>> oásis

    – Eu prometi seu pai
    >>> Faltou “a”

    – caçavam como leões
    >>> Evitaria essa repetição

    ========= ANÁLISE DA TRAMA

    A história é muito boa.

    Tudo é bem verossímil, até a chegada do helicóptero (finalzinho), quando tudo ficou bem Hollywood…

    ========= SUGESTÕES

    – Encurtar um pouco a história.

    – Tentar diminuir os nomes de lugares, cidades, etc. Daria nome apenas aos 3 personagens.

    – Eu não deixaria a menina viva… kkkkk

    ========= AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ****
    Impacto: ***

  15. Swylmar Ferreira
    1 de outubro de 2014

    Conto interessante, o(a) autor(a) mostra bom conhecimento da situação histórica atual e consegue construir sua obra e personagens dentro de uma realidade crível.
    O texto apresenta boa estrutura semântica, a linguagem é objetiva onde o autor(a) mescla muito bem narrativa e diálogo.
    Esses diálogos entre os personagens não ficaram muito bons. Se porventura fizer uma revisão …
    De qualquer modo, o conto é bom. Parabéns e boa sorte.

  16. David.Mayer
    1 de outubro de 2014

    Estou sem palavras para expressar o que acho do conto. Me senti lendo Khaled Hosseini. O texto foi muito bem construído, sem falhas.

    Prende o leitor do inicio ao fim, a tensão, a trama envolvente, enfim.

    Um dos melhores contos do desafio.

    Parabéns autor.

  17. Camila H.Bragança
    1 de outubro de 2014

    Prezado/a colega

    Vosso texto usa como pano de fundo um conflito armado – banal e vergonhoso -, que ocorre não só no Oriente Médio, mas também em outras partes da Africa e em outros lugares. Não fiz nenhuma pesquisa, pois observei somente o que foi apresentado em vossa obra. Achei bastante crível os acontecimentos, bem dosada e aprazível as sensações e quadro visuais, não tornando algo enfadonho e sensabor .
    Saudações!

  18. Lucas Almeida
    30 de setembro de 2014

    Bom, gostei do conto porque me forçou a saber o que está acontecendo além do atlântico para entendê-lo, e ficou melhor por ser baseado em fatos reais. Só não consegui ver a musica usada de inspiração nele. Não sei se foi erro da minha leitura mas enfim, parabéns e boa sorte! 🙂

  19. Anorkinda Neide
    28 de setembro de 2014

    Fiquei torcendo pelo casalzinho depois que Basin deu-lhes a chance de fuga! Bem sacado! Até ali, eu não estava me conectando com a historia…talvez a ambientação nao nos seja nada familiar, apesar de estar nos telejornais todos os dias.. enfim.. talvez seja verdadeiro demais…
    Queria muito que Rumi sobrevivesse 😦

    Casou muito bem com a música do U2
    parabens pelo conto

  20. Carolina Soares
    28 de setembro de 2014

    Olá,
    seu conto está muito bem escrito, nada cansativo, apesar de longo. Enredo envolvente e personagens bem construídas. Boa sorte no desafio!

  21. Andréa Berger
    28 de setembro de 2014

    Muito bom. Uma narrativa primorosa e uma história interessantíssima. Histórias como essa sempre me deixam extremamente reflexiva. Ponto para a música escolhida, U2, além de ser excelente, sempre combina com esses temas sociopolíticos. Só reformularia alguns diálogos que soaram um pouco artificiais. Mas, fora isso, meus parabéns pela linda história.
    Um abraço e boa sorte.

  22. José Geraldo Gouvêa
    28 de setembro de 2014

    Achei curioso, para começar, que o autor tenha recorrido ao pavão para seu pseudônimo. Esta é uma ave de grande simbolismo no contexto do Oriente Médio, servindo de símbolo, por exemplo, para o Irã. O único problema do texto em sua verossimilhança é o uso do termo “frota”, já no final. Acho que os soldados não usariam esse termo naquele contexto. A região está muito longe do mar. Mas, que sei eu de tática militar, vou tacar um dez mesmo assim e deixar que o autor revise isso, se achar que deve, ao refazer a pesquisa.

  23. Lucimar Simon
    27 de setembro de 2014

    Este é um ótimo conto. É um dos que veio para competir e ganhar. Longo de mais, mas não seria perfeito se não usasse esse artificio, uma vez que a temática e as amarrações sequencias pediram isso. Claro, o que se confirma. A teoria que lancei desde o início. “Os últimos contos publicados são os favoritos”. Tiveram amadurecimento, leram e presenciaram opiniões no decorrer do processo do certame. Claro, isso não desmerece a boa estruturação dos autores. Este particularmente foi muito bem feito, se apropriou de elementos importantíssimo para a construção da narrativa. Sem por menores. Parabéns e Boa sorte.

  24. Miguel Bernardi
    26 de setembro de 2014

    E eis aqui o melhor conto que já li até agora nesta edição do EntreContos. Como estou feliz com esta obra, querido(a) autor/a! Vejo que se dedicou com a pesquisa, e muito, cuidou muito bem dos detalhes e da escrita, a narrativa ostenta beleza, impecável.
    Encontrei apenas um erro, uma vírgula faltando: não foi, nem de longe, o suficiente para tirar sequer um centésimo do brilho do conto. É forte, intenso, engole o leitor e o faz sentir na pele a dor, a solidão, a perda. Caramba, que felicidade!

    Um conto muito bom, muito acima da média, muito bonito e triste ao mesmo tempo. É algo raro.

    Parabéns!

  25. mhs1971
    24 de setembro de 2014

    Um conto bem escrito, com detalhamentos de ambientação e costumes com um boa pesquisa. Apenas ressalto que usou certos termos que somente católicos usariam e que acredito que jihadistas ou muçulmanos não usariam.
    O bom de se ambientar contos em outros países e culturas é que poucos sabem realmente como seria ou como um habitante ou praticante de religião que pouco temos contato se portaria de fato. Portanto, a imaginação é o guia para a elaboração de uma trama diferente mas que não foge muito o que as tvs mostram.
    Pessoalmente poderia ser um pouco mais curto e pela experiente escrita do autor a história evoluiu bem.

  26. piscies
    24 de setembro de 2014

    Já li oito contos e este se destaca como uma pérola. Um verdadeiro achado. O conto é de apertar o coração. A técnica é muito boa e o texto é fluente como a água.

    Em poucas palavras você conseguiu com que eu gerasse conexões com Adeba, Basin e Rumi; conexões essas que foram difíceis de romper. Seu conto é um daqueles que quando acabo de ler chego a sentir um vazio, como se minha mente gritasse “quero mais”.

    A conexão com a música do U2 é excelente também. Não tenho mais o que comentar. Um lindo conto e um excelente autor. Parabéns mesmo!

  27. Claudia Roberta Angst
    24 de setembro de 2014

    A atenção aos detalhes da pesquisa impressiona. O autor realmente sabe do que escreve e aborda o tema com propriedade. A guerra mesclada ao romance deixa o texto tenso, mas com momentos de ternura. Não é o meu estilo favorito de conto, mas jamais negaria o talento do autor. Trabalho magistralmente bem realizado. Boa sorte!

  28. fmoline
    23 de setembro de 2014

    O ponto alto da história foi a ilustração, para mim. Geralmente as pessoas se perdem descrevendo locais distantes, mas a sua precisão e habilidade ambientaram a história com maestria. A trama em si eu não gostei tanto, bobeira pessoal, mas a maioria deve ter gostado. O autor(a) escreve muito bem, ao mesmo tempo original e claro.

    Parabéns! Boa sorte.

  29. Fil Felix
    23 de setembro de 2014

    #O que gostei: costumo ter um certo preconceito com histórias que se passam fora do Brasil, mas nesse caso eu curti bastante. A leitura é fluída e gostosa, os personagens são críveis e profundos. Bastante emocionante. A cultura do “deus-pavão” também foi interessante, além do desenvolvimento. Parabéns, um dos melhores que li até agora.

    #O que não gostei: me julguem, mas não estava a par desses acontecimentos no mundo real o.O Quando li pensei que houvesse uma inspiração, sim, no terrorismo desses países, mas que o autor houvesse criado toda a história. Ao pesquisar, perdeu um pouco da magia (pelo menos pra mim) ao descobrir que a Adeba Shaker existe, mesmo. Deu um ar de crônica.

    #O que mudaria: poucas coisas. Se eu fosse o criador, certeza que focaria na cultura pagã, mas é um estilo meu kkk

  30. Gabriela Correa
    23 de setembro de 2014

    Excelente escrita, essa articulação com o contexto sociopolitico me agrada especialmente. A temática da guerra geralmente é profícua mesmo, e você abordou muito bem. Aliás, concordo com Maria Santino: “Essa mesclagem da tensão do clima de guerrilha com o enternecimento da história de amor deu uma boa liga.” O final, porém, me soou abrupto… Meio deus ex machina. Tirando isso, nenhuma ressalva: parabéns pelo excelente trabalho e boa sorte!

  31. JC Lemos
    23 de setembro de 2014

    Muito bom!

    Sempre tive vontade de escrever algo assim, mas não teria esta competência. Hehe
    A história se desenrola sem notarmos, e quando vamos ver, esta chegando ao fim. É moderno e aproxima o leitor da atualidade. Nos faz pensar no dia-a-dia das populações que sofrem desse mal.

    Tenho um palpite de quem seja o autor. 🙂

    Parabéns pelo ótimo trabalho e boa sorte!

  32. Brian Oliveira Lancaster
    22 de setembro de 2014

    Impressionante e muito atual. Apenas uma troca verbal me incomodou, o restante me fez querer ler tudo até o final. Gostei por fugir do lugar comum – este tipo de cenário ainda não havia aparecido. O tom intimista em meio à guerra fez toda a diferença. Curti! O que precisa melhorar já foi dito, mas com certeza, acima da média.

  33. José Leonardo
    22 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Dos trabalhos que li até o momento, penso que neste é que a música veio a calhar melhor (servindo como inspiração). Não há trechos no corpo do texto (ponto positivo, a meu ver). A narrativa é bem conduzida, e se há erros notáveis, não os percebi. Foi bom também trazer à tona a expressão “jihad sexual” (não sei se ela é ocidental ou expressão própria da guerrilha), que é uma tática reconhecida do ISIS (é incrível saber que há mulheres que deliberadamente aceitam ser escravas sexuais dos “servos de Deus”).

    Entretanto, os diálogos. Como comentei noutro texto de notável qualidade, os diálogos estão aquém do nível da narrativa (o “chora não, lindeza” soou como ponto fora da curva, ou seja, destoa até dos outros diálogos — acho difícil um jihadista dizer isso, ao menos, com essas palavras).
    Um pequeno detalhe gráfico: tenho reservas quanto a usar travessões menores que aqueles a iniciar as falas na mudança de interlocutores, mas é mero gosto pessoal. o enredo me agradou (é pena que Adeba — que vivia na tensão da perspectiva da invasão do ISIS — tenha comparado a situação ao Holocausto, este com dimensões bem maiores e motivações distintas. É perdoável, pois qualquer um pensaria assim em meio àquela atmosfera sitiada).
    O final não me agradou da maneira como está escrito. Desculpe, mas me pareceu a brusquidão que vemos nalguns roteiros cinematográficos (acho que caberiam mais trezentas palavras, aqui) e triunfalista — como se os “salvadores” fossem destruir aquela ofensiva do ISIS, algo bem diferente da realidade atual (ou, vendo de outra forma, poderia ter sido a tentativa do soldado em acalmar Adeba).

    Boa sorte.

  34. rubemcabral
    21 de setembro de 2014

    Gostei bastante: conto rico, talvez fruto de alguma pesquisa, escrita com pouquíssimos erros, personagens com os quais nos importamos…

    Alguns diálogos, contudo, não ficaram muito naturais, feito: “— Eu tenho catorze anos e você dezesseis. Nosso vilarejo foi destruído. Nossas jóias roubadas e o exército curdo parece não se importar conosco, então, por que eu deveria pensar em casamento quando penso que nossa água quente e oleosa está acabando?” (aqui você passou informação ao leitor, pois os dois se são amigos sabem suas idades e certamente sabem que o vilarejo foi destruído e as joias roubadas).

    Resumindo: muito bom conto.

  35. Gustavo Araujo
    21 de setembro de 2014

    Ótima história. Elaborada com base em acontecimentos recentes, tem como ponto positivo a verossimilhança da situação. É possível imaginar perfeitamente os combatentes do ISIS recrutando pagãos à força no deserto iraquiano. Por isso mesmo, a trama prende o leitor sem dificuldades. Gostei também da narrativa subjacente, o rapto da garota Adeba e de seu pretendente Rumi O personagem Basin também foi bem construído, especialmente quando se percebe que ele, na verdade, buscava uma espécie de redenção. É um tanto clichê, na verdade, mas não dá para negar que ficou bem trabalhado.

    Como ponto negativo destaco os diálogos. Não ficaram bons. São artificiais e padecem de um ocidentalismo improvável. “Lindeza”? “Jihad Sexual”? Não consigo imaginar combatentes islâmicos falando desse jeito. Mas não foi só aí. Na verdade, durante toda a trama as trocas de ideias entre os personagens me pareceram forçadas. E isso se sobressai ainda mais quando se nota a riqueza de detalhes das descrições. A camisa do Real Madri, por exemplo, foi uma sacada ótima. Se os diálogos tivessem seguido esse padrão, o conto teria, na minha opinião, se aproximado da nota máxima.

    No geral, contudo, um conto acima da média. Bem acima, aliás. Boa sorte!

  36. mariasantino1
    21 de setembro de 2014

    Parabéns, autor!

    Você escreve muito bem, seu conto está acima da média (em minha opinião, claro). Gostei da sua capacidade de criar cenários, ambientar e usar bem os diálogos. Essa mesclagem da tensão do clima de guerrilha com o enternecimento da história de amor deu uma boa liga. Parabéns pelas ótimas alegorias: “Ele não dormiu naquela noite, lamentando a queimação das feridas e zombaria da lua que traçava um sorriso cínico.” Achei que você usou bem o espaço fazendo “flashbacks” para criar vínculo do leitor com o mundo dos personagens. Infelizmente o finalzinho me decepcionou. Parece que você correu com ele, além do louvor ao homem ocidental, sem falar que você sinalizou as neves de Istambul e acabou não dando esse final (gosto de reviravoltas, mas essa não foi lá tão bem – vinda. – Mas isso é pouco diante do muito que me agradou em seu conto)

    No mais, não entendi a mudança do tempo verbal aqui: “Ao amanhecer, alguns virão armados e levarão mais meninos para torturar”. Não seria VIRIA e LEVARIAM? Acho que esse trecho deveria ser reformulado “Eis que o homem que a tirou do chão a abordou novamente.” EIS QUE O HOMEM QUE TIROU-A DO CHÃO…

    Parabéns mesmo! Um abraço e Boa Sorte!

  37. Leandro
    21 de setembro de 2014

    Caro autor, achei a trama no seu conto um tanto quanto interessante, bem escrita e rica em detalhes, mas a ideia em si, (principal) pouco me agradou. Boa sorte!!!

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Publicado às 20 de setembro de 2014 por em Música e marcado .