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Detox Literário.

Pequenos Prazeres (Edivana Berganton)

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Eu poderia sentir o aroma de sol em sua pele! Não, isso é bobagem. Estamos ao sol, mas dela apenas se desprende o aroma do desodorante – eu que não vou poetizar sobre o brilho do sol na pele morena, nos pelos fininhos, macios ao toque. Refletia o sol também nos fios dourados, nos lábios rosados, nos olhos brilhantes de lágrimas não derramadas. Parece lhe incomodar o pano enfiado nos lábios secos, mas talvez isso seja minha impressão, ela certamente não está reclamando, mas também pudera, quando abre a boca, é só para falar bobeiras, que quer ir embora, para eu soltá-la, que eu devo desamarrar seus pés, suas mãos, que a corda está machucando, que tem saudades dos pais etc. Poxa, fala sério, a gente aqui preocupado com a pessoa, e ela só quer saber dos pais, só quer saber de ir embora, puta sacanagem.

Os raios de sol pendiam perpendiculares em seu nariz levemente adunco, explodia o ar de cores. Admirado eu contornava seu delicado nariz, tecendo uma ode à sua beleza jovial. Como já mencionei, não sou poeta, nem romântico, nem louco, longe disso, mas te digo aqui, posso tecer elogios a uma bela mulher quando dou com ela. Se ela se diz insatisfeita com as minhas atenções, convenhamos, não posso fazer muito nesse quesito, como você bem sabe, quando elas dizem não, querem dizer sim.

O calor do dia goteja de suas sobrancelhas depiladas. Delírio imaginar um suor de amor, mas sei lá, há momentos em que penso que ela está com medo de mim, não saberia dizer o motivo, não é uma grande oportunidade permanecer parada, saboreando o dia em minha companhia? Olha, não sou um cara burro, posso conversar sobre política, religião, cinema, livros, filmes e muito mais. Confesso que, para ela responder com esse pano na boca é meio complicado, mas ela pode concordar ou negar com a cabeça, não? Não é assim tão difícil.

Quem não gosta de um piquenique? Tá certo que, ela veio no porta-malas, mas poxa vida, foi ela quem pediu. Podemos voltar no tempo e você vai vê-la se comportando muito mal, chutando e gritando, dando socos a torto e a direito. Consegue ver essa mancha arroxeada no meu queixo? Foi ela que me bateu com a cabeça. Vadia. Só não vou dar um beliscão nela pois você está olhando, mas não se preocupe, eu não sou um cara violento, nada que uns tapinhas na bunda não lhe ensine sobre um pouco de respeito com o cara que a venera.

Trouxe vinho e pão com mortadela, mas parece que ela não gosta muito de mortadela. Tu vê, ela deitada aqui, não faz um único movimento para pegar o lanche que preparei com tanto carinho, os ingredientes selecionados, tudo do bom e do melhor. O que? Ela está amarrada, e daí? Isso não é desculpa. Ela ainda pode pedir. Aliás, vê se você entende essa agora, começou a chorar. Poderia ser de emoção?

Ventos refrescantes balançam seus fios de ouro. Deslizo meus dedos pelas suas coxas desnudas. Me diga se uma garota, deitada numa toalha listrada em pleno dia, usando apenas uma calcinha, as pernas fatais e as unhas pintadas de vermelho não está provocando um homem inocente? Eu estou excitado tem um tempo já, mas não tenho certeza se devo tomá-la, você imagina, ela pode ter alguma doença e eu esqueci completamente da camisinha. Depois, ela pode até engravidar, e eu não quero ser pai tão logo, talvez eu possa usar outro orifício. Que acha você?

Oh, que coisinha apertadinha. Muito apertadinha. Será que ela gostaria de um pouco de margarina? Mas eu não trouxe margarina, esqueci, também não estava planejando isso. Oh, sim. Muito bom, isso querida, mexe mais, sim, sim, não faça tanto barulho, não sabe que tem plateia, docinho? Ah, que coisa doida, que doido. Esse é o melhor lugar do mundo, certeza, e sabe o que? Não penso acabar tão já, ah merda… tá vindo…

Ejaculação precoce é uma porra não? Literalmente, eu diria, mas é melhor que ser impotente. Esses dias eu procurei o médico, falei que as minhas meninas estavam insatisfeitas comigo, que sempre que eu acabava, elas choravam. Teve uma, coitada, que ficou tão chateada que começou a se debater, e não sei como, as mãos delas se soltaram e a vaca me arranhou todo. Depois tive que contar pro pessoal do trabalho que foi um gato, ninguém acreditou, claro, uma unhada daquela grossura, só podia ser uma mulher, ao fim e ao cabo ainda levei fama de garanhão. As meninas que me olharam meio torto, mas elas são estranhas mesmo, nem ligo.

Bem, parece que ela dormiu. Será? Coitadinha, deve estar cansada. Melhor a gente ir para casa. Talvez ela esteja com sede? Mas que caralho viu, essas mulheres são muito dependentes, a gente tem que fazer tudo, amarrar, desamarrar, pôr a roupa, tirar, enfiar no porta-malas, depois tirar dele, dar água na boca, até a posição certa pra foder é a gente que tem que achar. Dependentes demais!

Mas eu estou sendo injusto. Esses dias ouvi uma música que dizia, only know you love her when you let her go, ou algo assim, por isso não reclamo tanto, pois é bem verdade. A minha garota de São Paulo, ela ficou comigo por dois meses e o que? Morro de saudades dela. Toda vez que vejo a faca que abriu sua garganta, tenho ganas de meter a faca em mim, mas não, um amor não pode ser substituído, mas sempre há outros buracos que preenchem o vazio da saudade.

43 comentários em “Pequenos Prazeres (Edivana Berganton)

  1. Edivana
    5 de outubro de 2014

    Senhoras e senhores, agradeço suas considerações, elogios, críticas e sugestões! Tudo serve para que possamos crescer enquanto escritores, embora nem tenho essa pretensão. Sucesso e paz para todos e todas! Até a próxima.

  2. Eduardo Barão
    4 de outubro de 2014

    Um conto ousado e que não puxa qualquer feio de mão na hora de chocar eventuais leitores. Só achei que certas passagens não casaram muito com a personalidade do personagem (que oscila entre a falta de escrúpulos e demência) e alguns deslizes passaram batidos pela revisão.

    Boa sorte.

  3. Fabio D'Oliveira
    4 de outubro de 2014

    Pessoalmente, não gostei do texto, pois a história não me capturou. Achei a escrita boa, sinceramente, então digo que você tem potencial. Invista nisso e você vai longe. Parabéns.

  4. Angélica
    4 de outubro de 2014

    Conto bastante irônico o que pode explicar ou dar indícios sobre a psique do personagem, muito descritivo no inicio. Gostei do dialogo que o autor tem com o leitor contando tudo sobre seu ponto de vista que é bem antagônico e controverso da visão que a sociedade tem dessa situação. Boa sorte!

  5. tamarapadilha
    4 de outubro de 2014

    A narração ficou um pouco adolescente demais. É um conto bom… mas como alguns colegas citaram, eu também me senti incomodada com algo, não sei o que. Me lembrou o livro Dias perfeitos, do Raphael Montes.
    Acho que no geral o tema é bom, somente o modo como foi trabalhado não me agradou…

  6. Andre Luiz
    4 de outubro de 2014

    Com certeza me surpreendi muito em encontrar este conto aqui e com bastantes críticas positivas, sendo que a erotização da trama é evidente. Contudo, é algo que nunca havia visto antes, assim sendo uma composição inédita para mim. Logo, está muito acima da média e digo mais: Está entre o Top 5. Pois é, tristes fatos como este retratados no texto acontecem diariamente no Brasil, e o conto pode ilustrar com maestria a mente de um ser diabólico que sente pequenos prazeres em cada mulher violentada. “Sempre há outros buracos que preenchem o vazio da saudade.” Certamente ficarei, por hora, com saudade de suas produções, Nigel. Parabéns!

  7. Alana Santiago
    3 de outubro de 2014

    Gostei, em partes. Na verdade, sendo sincera, não sei o que me incomoda, mas há algo me incomodando nesta história. É como se alguma coisa não estivesse se encaixando em meio à sua criação. Certamente é um texto forte, e eu gosto de textos assim. Talvez eu tenha sentido falta de um pouco mais de caracterização. Ou, quem sabe, eu quisesse saber um pouco mais dessa loucura toda? Personagens assim me chamam a atenção, I love Hannibal, rs. Mas parabéns pelo texto.

  8. rsollberg
    3 de outubro de 2014

    Olá autor, adoro essa coragem de escrever sobre temas polêmicos (basta ver meus comentários nos desafios anteriores. No entanto, nesse acho que faltou algo, queria ter gostado mais do que verdadeiramente gostei.

    Curti muito o humor e o sarcasmo do protagonista, mas fiquei com vontade de mais. Penso que faltou mais lama, sei lá.

    O título foi uma boa sacada, assim como a foto de destaque.

    obs: desconfio da autoria, mas como sou péssimo em apostas, vou ficar quietinho.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Esse conto tem a mesma temática (e pessoa do discurso) de outro postado no blog, no desafio Tema Livre, mas uma abordagem muito diferente. Aliás, aqui sobra o elemento que lá faltava: ousadia, capacidade de perceber que, como disse Oscar Wilde, “não existem textos morais ou imorais: textos são bem ou mal escritos, nada mais”. No caso do presente trabalho, logo se vê, bem escrito. O exercício de imersão na psicopatia do narrador, aqui, é total, não deixa nem meia mão de fora. Esse compromisso com o realismo mais árido tem o efeito de ampliar o impacto da leitura, aumentar a carga de perturbação. E, citando o analista de Bagé, “a zona de conforto é a única zona da qual eu sempre vou pedir para ser tirado.”

  10. mhs1971
    2 de outubro de 2014

    A narrativa fragmentada, tentando simular a casualidade de um monólogo de um perturbado saiu um tanto desajeitada. Ora tentava ser poético, ora jogava de forma casual, para parecer mais real a uma pessoa falando. Mesmo pra um perturbado, faltou uma amarra que prendesse a atenção pela linha narrativa.
    E não encontrei a coerência que se encaixasse na temática do desafio também. Foi como encaixasse de qualquer maneira pra participar.
    Boa sorte

  11. Felipe Moreira
    2 de outubro de 2014

    Gostei dessa narrativa teatral, um monólogo. Eu me senti mesmo numa plateia, observando um cara insano tentando parecer comum e engraçado. Achei sensacional. Eu ri demais com o trocadilho da ejaculação precoce.

    Achei muito competente, bem escrito e com um final macabro, em contraponto com o restante do texto. Muito bom. E a música? Não vi qualquer relação com a citada, pareceu forçado. Por mais que pareça clichê, uma referência de música clássica cairia bem; uma que combinasse com o tom doentio do protagonista e conduzisse a mente dele ao longo do conto.

  12. David.Mayer
    1 de outubro de 2014

    Uau. Muito bom o conto.

    Me pegou desprevenido logo no primeiro parágrafo. A mentalidade lunática dele, tendendo parecer normal, chega a ser insano. Gosto de contos assim, mas faltou algo no final. Sei lá, uma reviravolta, outra revelação que gerasse um segundo impacto ao leitor.

    Enfim.

    O texto está justinho, bem trabalhado, delineando gradativamente a mente assassina e sua vitima, sem pressa e sem preâmbulos desnecessários. Muito bem construído.

    Parabéns.

  13. Swylmar Ferreira
    1 de outubro de 2014

    Que personagem interessante. Trama fantástica, narrativa impressionante
    Não fiquei chocado, ao contrário, a bravura do autor(a) me surpreendeu nesta obra.
    Bem, vamos lá.
    O texto apresenta excelente estrutura semântica. O tema escolhido pelo autor(a) é interessante, a linguagem é objetiva e a escrita é excelente. O final apesar de esperado é legal.
    Chama a atenção a narrativa do personagem-narrador, tão diferentes.
    Parabéns Nigel e boa sorte.

  14. Thiago Mendonça
    30 de setembro de 2014

    Apesar de não fazer nem um pouco meu estilo, devo admitir que até gostei do seu conto. No começo me pareceu um pouco gratuito, mas acabou caindo no meu gosto. Não posso dizer que amei ou que foi excelente ou revolucionário, mas foi relativamente bem escrito e descontraído. Só cuidado pra não exagerar demais e deixar a linguagem muito gratuita ou chocante só pelo fato de ser chocante, sempre tem que haver uma certa profundidade à história.

    Boa sorte e parabéns!

  15. Thata Pereira
    30 de setembro de 2014

    Perturbador! rs’ O conto é realmente muito bom! Essa técnica de trazer o leitor para dentro da história não funcionou comigo no sentido de me deixar mais do que com um sentimento de estranheza, — porque não imaginei a cena como se eu estivesse do lado — mas eu curti muito!

    Boa sorte!!

  16. Camila H.Bragança
    30 de setembro de 2014

    Prezado/a colega

    Então, eis-me aqui novamente. Se refiz os comentários, foi porque alguém alertou-me acerca da filosofia do Blog e para que vosso texto não deixasse de receber uma boa nota. Reafirmo que assuntos doentios como pedofilia, estupros, e todos atos hediondos devem ser mostrados e debatidos. A literatura pode servir como arma de explanação – sem forçação de barra -, de assuntos os quais muito fecham a cara, como se tal atitude fosse válida para frear quem age a margem da lei. Vosso texto fala de estupro/torturas/loucura de uma forma leve e aprazível. Pontuo que o uso de poesia deveria ser extirpado de vossa narrativa para equilibrar com a mente do psicopata. Vosso texto agradou a mim.
    Gostaria de ver um desafio só com temas polêmicos e o trato que cada um daria.
    Saudações!

    • Nigel
      1 de outubro de 2014

      Olá, moça. Primeiro, fico feliz por você ter se dado ao trabalho de refazer seus comentários, também para usufruir da classificação final. Obrigada. Segundo, os temas polêmicos, de fato, não escrever sobre eles não os impedem de ser realidade, então compartilho seu desejo de um dia, participar de um certame com esses assuntos, com certeza!
      Abraços.

  17. Lucas Almeida
    30 de setembro de 2014

    Eu fiquei muito chocado com seu texto. Mas ele é muito bom, não me entenda mal! O pecado mesmo ficou nas passagens um tanto poéticas que descaracterizaram a mente doentia do narrador. Sem isso seria perfeito, pelo menos pra mim. Parabéns e boa sorte!

  18. Fabio Baptista
    29 de setembro de 2014

    ======= ANÁLISE TÉCNICA

    Gostei, mas fiquei com uma sensação estranha, como se o narrador não “combinasse” com as coisas narradas.
    Não que ele precisasse demonstrar ser louco ou doente o tempo todo… entendi a proposta aqui. Mas algo ficou desconexo… (desculpe, autor, sei que essa crítica não ajuda em nada, mas foi minha sensação ao ler, e não sei explicar ao certo os motivos de ter ficado com essa impressão).

    – Tá certo que, ela veio no porta-malas, mas poxa vida, foi ela quem pediu
    >>> Tiraria essa primeira vírgula

    – nada que uns tapinhas na bunda não lhe ensine sobre um pouco de respeito com o cara que a venera
    >>> Essa frase ficou estranha, parece ter erro de concordância ou algo assim

    ======= ANÁLISE DA TRAMA

    Muito bom. Mais um texto com todas as características “clássicas” de um conto.

    O final é excelente.

    ======= SUGESTÕES

    – Tentaria encurtar um pouco o conto. Ele já é curto, mas mesmo assim a ladainha do criminoso começa a cansar um pouco em determinado momento.

    – Descrever melhor as reações da moça durante o estupro (não estou sugerindo pornografia, mas sim algo que faça o leitor sentir ainda mais revolta, que parece ter sido a proposta aqui).

    – Diminuir um pouco a poesia. Talvez tenha sido isso que causou o tal “estranhamento”.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ****
    Impacto: ***

    • Claudia Roberta Angst
      29 de setembro de 2014

      Acionaram meu lado professora. Só palpitando no palpite alheio:
      – Tá certo que, ela veio no porta-malas, mas poxa vida, foi ela quem pediu
      >>> Tiraria essa primeira vírgula
      JÁ eu deslocaria a vírgula para depois do MAS

      – nada que uns tapinhas na bunda não lhe ensine sobre um pouco de respeito com o cara que a venera
      >>> Essa frase ficou estranha, parece ter erro de concordância ou algo assim
      SIM, há um erro de concordância aí (tapinhaS > ensine). Mudaria para: (…) uns tapinhas não lhe ensinem…
      No entanto, se for erro mesmo do narrador? E se além de psicopata, ele for usuário de drogas tipo padrão inculto?

  19. Carolina Soares
    28 de setembro de 2014

    Olá,
    seu conto me incomodou, e isso, de certa forma, é bom. Ele foi muito bem escrito, rico em detalhes que nos transportam para as cenas grotescas e doentias. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  20. Anorkinda Neide
    28 de setembro de 2014

    Um texto muito bom. Um conto perfeito, excetuando o ultimo paragrafo.
    Geralmente eu não gosto do autor conversando comigo..mas aqui ficou bom, ficou natural, naturalmente insano.
    Parabens pelo conto!

  21. Andréa Berger
    28 de setembro de 2014

    Demorei uns minutos para conseguir digerir esse conto. Que personagem doentia. Um bom conto, uma narrativa simples e a crítica muito bem-vinda aos estupradores nojentos que vivem nesse mundo. Acho que ainda estou muito chocada para conseguir achar algo que me incomodou no texto em sim, só consigo pensar em quão asqueroso sua personagem é.
    Um abraço e boa sorte.

  22. Lucimar Simon
    27 de setembro de 2014

    Muito bom esse texto. Bem interessante e motivador. Tem uma sequencia que nos leva a uma imaginação incrível, ele é muito imagético e insinuador, nos faz até certo ponto querer adentrar nas passagens, nos faz querer intervir, agir para com os rumos dos acontecimentos. Bem escrito, coeso e singular até aqui fugiu completamente do mesmo. E sim é verdade acredito que pela proposta não cumpriria os propósitos, mas os mesmos não são claros pra impedir que a narrativa não seja enquadrada na proposta. Parabéns, boa sorte.

  23. Willians Marc
    26 de setembro de 2014

    Ótimo conto, muito bem escrito e que consegue passar toda a maldade do protagonista/vilão do conto. A grande falha é não ter tanto a ver com o tema proposto do desafio, aquela frase no final não faz o texto se encaixar ao tema.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. Miguel Bernardi
    26 de setembro de 2014

    Primeiramente… suspeito de algumas coisas haha.

    Bem, vamos lá, sádico autor(a). Você manda muitíssimo bem, creio que este é o conto mais bem estruturado (os jogos na narrativa, as ‘pegadinhas’) que já li. É verdade que não sou tão experiênte assim em ler contos, mas já são mais de centena…

    A narrativa flui muito bem, é ágil, remete aos contistas de antigamente. A ação ocorre, um provável psicopata vai nos contando a história – um baita filho da mãe, se me permite – e eu acabei o texto e o reli. Ri em alguns trechos, mais do que o normal. Não encontrei nada para me queixar: parabéns.

    Grande abraço!

  25. piscies
    24 de setembro de 2014

    A temática do conto não tem absolutamente nada a ver com a temática do desafio. O sentimento é que única frase que faz menção a alguma música, que está no último parágrafo, foi colocada ali apenas para ver se ele entraria na categoria de “conto sobre música”.

    Tirando isso, o conto é bom. Uma viagem para dentro da mente de um psicopata, e os incomodados que se mudem. Gostei da ideia, apesar de não curtir este estilo de conto. O trecho de abertura me fez sorrir. Depois até me senti arrependido de achar o personagem principal engraçado, por que o cara é um canalha. Só de fazer me sentir assim, o conto já ganha pontos por ter mechido comigo de alguma maneira.

    A escrita é diferente mas não agrada. Coloquial demais. Falas coloquiais podem ser aceitas, claro, pois expressam falas do mundo real. Mas não concordo com narrativas coloquiais. O conto todo parece uma grande fala de um personagem, o que pode ser verdade mas não agrada aos olhos. Os xingamentos também não agradam nem um pouco. Eu entendo que muita gente tira “licença poética” para escrever contos, chamando de “inovação”. Mas existe um limite. Para mim, é quase uma desculpa para justificar a quantidade de erros de escrita. Sugiro dar um passo para trás e usar uma forma de narrativa um pouco mais formal e artística. Não precisa ser muito – afinal, sua identidade deve ser mantida – mas o suficiente para fazer o texto fluir melhor.

  26. fmoline
    23 de setembro de 2014

    Sádico? Naaaaaão, que isso… O autor(a) escreve muito bem e os jogos de interação com o leitor funcionaram ( e muito bem). Uma narrativo boa de ler para um contexto grotesto requer muita habilidade, então, parabéns! Não só isso, mas o estuprador é muito carismático, mas é uma carisma mais Mephisto da Ópera do Fausto, permitindo passagens muito engraçadas.

    De novo, parabéns! Boa sorte.

  27. Claudia Roberta Angst
    23 de setembro de 2014

    Acabou de confirmar minhas suspeitas. 😉

  28. Fil Felix
    23 de setembro de 2014

    #O que gostei: sua narrativa é excelente, realmente prende o leitor. O tamanho do conto é perfeito, rápido de ler e com começo, meio e fim. O protagonista é interessante e certeza que não passará despercebido. Aliás, esse é um ponto importante no seu conto: boa ou não, ele gerará uma emoção no leitor. Principalmente pela temática.

    #O que não gostei: como comentaram, algumas frases do cara destoaram. Pra mim, isso se aplica aos palavrões, achei desnecessário. Também não vi muita relação com a música =/

    #O que mudaria: no início, quando descreveu a mulher amarrada, minha mente viajou a mil e imaginei muitas coisas. Pensei até que ela já estaria sem as pernas, meio Jogos Mortais. Devido sua fluência, daria pra prolongá-lo numa boa.

  29. Gabriela Correa
    23 de setembro de 2014

    Sua escrita crua combinou com a realidade chocante (e nauseante) abordada aqui. Seu odioso personagem é bem construído, sua frieza e seu cinismo… A trama é ousada e a reflexão é mais que válida. “Me diga se uma garota, deitada numa toalha listrada em pleno dia, usando apenas uma calcinha, as pernas fatais e as unhas pintadas de vermelho não está provocando um homem inocente?”… Em tempos de “Eu não mereço ser estuprada” foi uma boa lembrança. Abordagem inusitada da música, o que também me agradou… Parabéns pela ousadia, pela ótima escrita. Boa sorte!

  30. José Geraldo Gouvêa
    22 de setembro de 2014

    Este é um conto digno do nome de conto, porque se preocupa em construir um personagem crível, dentro dos limites de um conto clássico (unidade de tempo-espaço-ação, aquela coisa). Esses limites podem, claro, ser transgredidos. Mas quando não são, e o autor é competente, temos um texto de bravura concentrada como esse. Certamente a tensão se quebraria se essa unidade não fosse observada. A força maior desse texto está no que ele nos nega, e não no que ele nos dá. Conto muito bom, merecedor de boa nota.

  31. Brian Oliveira Lancaster
    22 de setembro de 2014

    Instigante e visceral. Não curto este estilo, mas as construções deixam o leitor interessado em saber mais da história, o que é um ponto alto, apesar do tema polêmico. Bem escrito, passa a sensação perfeita de sarcasmo/esquizofrenia do protagonista.

  32. JC Lemos
    22 de setembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Gostei. O escrita é até simples, mas é boa e cumpre seu papel de transmissão perfeitamente. Gostei das descrições ao longo do texto. Lembraram-me certa autora.
    O conto funcionou com a personagem em primeira pessoa, e acho que de outro modo não ficaria tão bom.

    Não é o melhor, mas é bem mediano e eu curti.
    Parabéns e boa sorte!

  33. José Leonardo
    22 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Gostei do tom impregnado no seu conto. Não obstante o que consta no último parágrafo (daqui a pouco tratarei dele), o narrador me pareceu mais sádico que propriamente um psicopata. Ele estaria descrevendo tudo para algum voyeurista, para uma plateia? Ou essa “plateia” seria nós, leitores, que recebemos as informações quase como observadores “in loco” da violência sexual? Gosto de aventar tais possibilidades e ainda estar em dúvida.

    Autor, fui supondo cenários, finais bem escabrosos que coadunassem com o enredo durante a leitura, mas o último parágrafo, desculpe, foi decepcionante (mera opinião). Talvez não tivesse a intenção, mas ele pareceu sentimentalizar na hora errada em se tratando do restante do texto (nem a bela imagem da faca atravessando garganta salvou tal final). Seria mais “conveniente” um desfecho mais tétrico, inclusive envolvendo a vítima amordaçada.
    Quanto à base musical: sinceramente, só a percebi no último parágrafo. Não conhecia a letra. Depois de conhecer, vi que ela só se encaixa (a meu ver) no desfecho e pouco tem a ver com o restante. A letra de “Let her go” (Passenger), se é esta a canção aproveitada aqui, me transmitiu melancolia e a nulidade de sensações tardias (oportunidades desperdiçadas, nostalgia pelo que se perdeu etc.). A parte boa do seu conto mescla loucura, sadismo e certo deboche — o que não vejo aproximar-se da canção.

    Boa sorte.

  34. Gustavo Araujo
    22 de setembro de 2014

    Parabéns pelo conto ousado. Dá para perceber que você não se importa se a receptividade vai ser boa ou não. Alguém poderia dizer que seu intuito é chocar pura e simplesmente, mas creio que não. Acho que você está mergulhando, ou tentando se aprofundar no que deve passar por uma mente doentia. É uma viagem certamente interessante. Algo me incomodou, porém. O narrador alterna digressões filosóficas com outras essencialmente malucas. A justificativa poderia ser “ah, mas é que ele é louco mesmo”. Não penso assim. Não sou psicólogo, mas imagino que mentes psicopatas seguem um padrão, normalmente um padrão muito inteligente, já que precisam dissimular. Tirando isso, o conto cumpre a função de tirar o leitor da zona de conforto, o que não é pouco. Também não sou de apontar falhas gramaticais, mas a quantidade de “que” em finais de frase, sem acento circunflexo, me chamou a atenção, algo a ser corrigido quando você revisar o texto. Boa sorte.

  35. rubemcabral
    22 de setembro de 2014

    Não gostei muito, talvez devido ao tema escolhido. Contudo, com efeito você conseguiu passar seu recado, digo, a visão doentia do molestador, o que não é pouca coisa. A escrita está quase boa, com alguns deslizes somente. Porém achei às vezes o narrador estranho, variando de construções frasais sofisticadas a outras muito simples, o que me fez não acreditar muito nele (verossimilhança) em determinados momentos.

  36. Leandro
    21 de setembro de 2014

    Achei mais uma ideia em tantas outras que ja foram escritas e narradas neste tema, pouca criatividade no desenrolar da narrativa e este vazio preenchido com putarias mentais de pessoas que dificilmente pode-se entender e muito menos descrever. Boa sorte !!!

  37. Claudia Roberta Angst
    21 de setembro de 2014

    A imagem já nos alerta de que a coisa vai ficar tensa. Ainda mais que na sexta estreou Psicopata na TV e fiquei sugestionada. Bom, acho interessante essa coisa de fazer o leitor atravessar a narrativa e ficar ao lado do protagonista. Cara demente, o cinismo por vezes me passou um quê de bobo, sei lá.
    Poxa, fala sério…me senti um pouco agredida,mas ao mesmo tempo curiosa para continuar a narrativa. Não gostei. Gostei. Segundo conto aqui que me deixa assim, bipolar.
    Mas o tamanho do conto é perfeito.
    Boa sorte!

    • Claudia Roberta Angst
      29 de setembro de 2014

      *a série policial Dupla Identidade chega à grade de programação da Rede Globo. A produção, escrita por Glória Perez, retrata a vida do serial killer Edu (Bruno Gagliasso) . http://www.guiadasemana.com.br/

      • Nigel
        1 de outubro de 2014

        Tenho que confessar aqui, moça, que eu nem sabia da série, você imagina, dá um trabalho doido cuidar dessas garotas que nem vejo televisão! (estou brincando!) rs. Uma pena você ter chegado sugestionada.

  38. mariasantino1
    20 de setembro de 2014

    Boa noite!

    Hum… fiquei aqui cismando, será que esse cara não é o mesmo que oferece tratamento dentário em outro Recanto? Sei não… acho que é o mesmo. rs.
    Pois sim, se você é quem eu penso que é, não vai se importar com o meu parecer sincero, e se não for quem eu penso que é, espero que não se importe da mesma forma.
    Gostei de algumas passagens, outras nem tanto. Gostei de me fazer ver pelo buraco da fechadura, do tom cínico desleixado. Mas achei que é somente um breve relato, nem deu para sentir dó da mina, nem raiva do personagem. Achei a narrativa simples (isso não é crítica) e acho que a escolha em primeira pessoa não foi o ideal para descrições, no entanto, ele pode ser ferramenta para deixar as emoções a flor da pele (invista!). Vi alguns erros quanto a vírgulas, e sobre a música? Não sei bem, só aquele trecho…

    Desejo sorte e que siga firme.

    Abraço!

  39. Pétrya Bischoff
    20 de setembro de 2014

    Cara, que narrativa boa. Poucas vezes li algo dessa maneira, também pelo ponto de vista do molestador, mas essa narrativa tem um tom despreocupado, quase inocente.
    Aborda, obviamente, uma realidade odiosa, mas a maneira que o autor conduz nos faz querer saber mais do cara… E as gurias? São mais algumas, simplesmente.
    Não há uma construção sofisticada, mas não senti necessidade disso.
    Gostei, boa sorte.

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Publicado às 20 de setembro de 2014 por em Música e marcado .