EntreContos

Detox Literário.

A Voz (EdwarT Angst)

Delegacia de polícia:

O investigador entra na sala do delegado.

– Senhor, acho que eu deveria lhe mostrar uma coisa.. É sobre a chacina naquele mercadinho…

– O retardado?! Ele confessou?

– Mais ou menos…

– Como assim mais ou menos? Ou confessou ou não confessou! – exaltava-se o delegado.

– Veja o vídeo…

 

Começo da transmissão:

“ Eu tinha uma vida normal, emprego simples, trabalhava como empacotador no supermercado… Meu patrão vivia me dando umas mijadas, dizia pra não misturar tal produto com outro, nunca fui bom em decorar esse tipo de coisa. De um dia pro outro comecei a sentir alguma coisa diferente, acho que era raiva, não sei explicar direito. Fui demitido, a raiva aumentou, queria bater nele, sim, era isso que eu queria. Esperei ele sair a noite do mercado, sabia que daria algumas voltas, coloquei uma máscara e o ataquei em um trecho escuro, perdi na luta corporal mas consegui escapar… Minha vida daí em diante foi um inferno, eu não era desse jeito, nunca tive algo assim. Foi quando comecei a escutar algumas vozes, falavam em matar, eram chiados, preencheram minha cabeça. As vozes mandaram eu levar uma faca junto, só pra assustar. No começo era aterrorizante aquilo, quem estava falando comigo afinal? Eu não sabia. Esperei meu ex-patrão da mesma forma, ele parecia não estar nem ai pro perigo. No mesmo trecho tirei a faca e mandei ele levantar as mãos, ele me reconheceu da briga passada e resolveu me enfrentar… A voz dizia pra mim matar ele, falava varias vezes, mate ele, mate ele, foi o que eu fiz, não tinha auto-controle.  O que fazer com o corpo? A voz mandou eu atirar ele no lago, eu fiz isso, fiz isso e apaguei, não sei quem matou os outro funcionários do mercado e os atirou no mesmo lago, eu não sei.”

Fim da transmissão.

 

DELEGADO:

– Esse cara é louco, chamem um doutor pra examinar ele!

INSPETOR:

– Senhor, não é bem isso que eu queria lhe mostrar…

DELEGADO:

– Então o que é?

 

O inspetor então começou a voltar a fita do vídeo a certo ponto e o aproximou bem, se fosse bem observado, notar-se-ia um rosto parcialmente desfigurado próximo a orelha do homem…

Anúncios

21 comentários em “A Voz (EdwarT Angst)

  1. swylmar ferreira
    12 de julho de 2014

    Gostei do conto, como disse um dos comentarios anteriores, pareceu faltar algo, um pequeno complemento talves. Parabens!

  2. Thata Pereira
    12 de julho de 2014

    Acho que entendi. Já ouviu a história daquele homem que nasceu com um rosto na nuca? Ele disse que aquela outra pessoa nele era má e acabou se matando com um tiro dentro da boca do seu “segundo ser” (acho que é isso mesmo, li a história apenas uma vez). Perturbador! rs’ A história merecia ser melhor desenvolvida.

    Boa sorte!!

  3. Cristiane
    11 de julho de 2014

    A ideia é interessante, principalmente a parte em que aparece o rosto próximo a orelha do suspeito… SOBRENATURAL… eu acho. rs

    Penso que a forma de narrar não foi uma boa escolha, a impressão que tive no inicio é que estava lendo uma piada (o estilo me confundiu um pouco). Esse início pede um pouquinho mais de ambientação.

    Boa sorte no desafio!

  4. Bia Machado
    10 de julho de 2014

    Gostei, principalmente por causa das personagens. E por eles, acho que poderia ter desenvolvido mais. No começo, achei que seria algo no estilo de “causo”, rs. Eu gostei do final, dá uma explicação, mas deixa a coisa bem “aberta”, uns podem acreditar, outros não. Tipo “Além da Imaginação”, rs. Valeu! 😉

  5. Pétrya Bischoff
    3 de julho de 2014

    Ah, certamente uma estória “batida”, mas que, se bem desenvolvida, teria muito potencial. Houve certa pressa na execução. O enredo lembrou-me “Conforme Disseram as Vozes”, do Matanza.

  6. Fabio Baptista
    28 de junho de 2014

    Não gostei.

    Nada que se destacasse na narrativa, nada interessante na história, diálogos pasteurizados. A “surpresa” no final é gratuita.

    Como já foi falado, o texto pedia mais desenvolvimento (mais caracteres).

    Abraço.

  7. Edivana
    27 de junho de 2014

    Achei legal, mas não surpreendente.
    Consegui imaginar o rosto, mas acho que é uma distorção do vídeo, e não ‘a voz’. Acredito que esse final aberto foi o que mais gostei. Boa sorte!

  8. felipeholloway2
    27 de junho de 2014

    Achei bem ruinzinho. O mote e o desenvolvimento são tão simplistas, e a “reviravolta”, tão inócua, que minha reação, como leitor, beirou a indiferença. A coisa toda é quase um truísmo.

  9. rsollberg
    26 de junho de 2014

    Muito interessante. Um conto bem visual, que funcionaria também muito bem na telinha.
    O final é bem bacana.
    Um suspense curto e bem escrito.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Rodrigues
    26 de junho de 2014

    Bom texto, gostei da revelação final. É claro que da pra imaginar muitas coisas. Não sei, vi também uma carinha nascendo da orelha do cara, os dentinhos brotando… “Vai, vai lá, mata mata!”. Achei bacana.

  11. Anorkinda Neide
    25 de junho de 2014

    O conto é bom, ser curto é a qualidade dele.. mas…
    o último parágrafo roubou o brilho e o terror… não sei dizer porquê…
    ele merece um polimento e uma esticada, acho q é isso 🙂

    Abraço

  12. Eduardo Selga
    25 de junho de 2014

    Quando aqui me lanço em comentários nunca os faço em função de gosto pessoal, e sim seguindo algumas questões estéticas da Teoria da Literatura. Evidentemente, determinado estilo, por ser mais próximo ao meu universo enquanto autor, me chama mais atenção do que outros, distantes. Mas isso não significa que tenha má vontade ou não dê atenção a eles.

    Se pegarmos os personagens, verificaremos que todos se situam num mesmo universo linguístico, em que a falta de rebuscamento verbal é regra. Em função disso, a escolha lexical e as construções sintáticas do conto são coerentes. Não caberia, portanto, falar em texto pobre, desleixado, ou coisa do gênero. Até mesmo a pouca extensão dos diálogos relaciona-se a isso. Como também, na fala do suspeito, algumas construções “simplórias” -condenada pelo “bom gosto” literário-.

    Entretanto, se os personagens desempenham bem seus papéis, falta o ato de narrar. Se ela é desnecessária na parte relativa à transmissão, dado que a fala do personagem consegue dar conta de “mostrar” as cenas, quando delegado e investigador falam parecem estar flutuando no nada. Apenas indicar o espaço ficcional com a palavra “delegacia” é pouco para criar ambientação (que é mais que espaço “físico” da cena). Houvesse uma voz narradora mais efetiva poderíamos ter uma visão menos sumária desses dois personagens e do conto como um todo.

    Isso posto, a opção pelo miniconto não me parece a melhor. Acredito que a trama pede um desenvolvimento maior, de modo que as questões acima fossem respondidas.

  13. Brian Oliveira Lancaster
    24 de junho de 2014

    Tem um bom impacto, mas pequenos detalhes poderiam ser melhor trabalhados. O final “entenda o que desejar”, abre inúmeras portas.

  14. Marcelo Porto
    24 de junho de 2014

    Faltou alguma coisa. Talvez o terceiro ato pudesse ser um pouco mais longo, com algumas descrições da chacina no mercado, criando um suspense para o gran-finale.

  15. Jefferson Reis
    24 de junho de 2014

    Gostei!

    O comportamento teimoso do patrão, que, mesmo depois de ser atacado por um mascarado, insiste em sair novamente a pé e caminhar sozinho durante a noite, incomodou-me um pouco.

    O desfecho me deixou com medo.

  16. tamarapadilha
    23 de junho de 2014

    Não gostei muito. O chamaria de regular. Em certos pontos ficou uma linguagem muito rápida, um tanto desleixada, além de o acontecimento todo ter sido muito rápido. É como se fosse um rascunho. Talvez com um desenvolvimento adequado ficaria melhor.
    Boa sorte.

  17. Tiago Quintana
    22 de junho de 2014

    Gostei da trama, mas acho que a prosa precisa ser um pouco refinada. Também não sou fã do formato de roteiro, mas reconheço que é uma questão de gosto pessoal.

  18. JC Lemos
    22 de junho de 2014

    Bem legal! Lembrou-me alguns filmes de terror que vi. O problema é ser tão pequeno, mas esse final ficou certeiro!

    No geral, gostei.
    Parabéns e boa sorte!

  19. Claudia Roberta Angst
    22 de junho de 2014

    Ah, deixou um rastro de suspense atiçando minha curiosidade. Gostei do miniconto, da ideia, da linguagem. Dá para continuar, por favor? Boa sorte.

  20. mariasantino1
    22 de junho de 2014

    Pá!
    Achei legal teu miniconto, a gente imagina um monte de coisas. Se um dia você desejar desenvolvê-lo mais, mantendo o mesmo final, certamente ficará muito bom, pois a trama é bacana.
    Por hora eu desejo sorte. Abraço.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado às 22 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .