EntreContos

Detox Literário.

A Morte do Infinito (Thales Soares)

rocha

 

Algo em Comum

O Espartano

O vento soprava de forma voraz, balançando seus cabelos negros assim como o rudimentar manto rubro que encobria seus resistentes músculos. Apenas observava o alaranjado pôr do sol, com sua lança descansando sobre o solo árido do campo de batalha. Atrás dele, seus bravos companheiros de guerra estavam estirados no chão. Haviam tombado com orgulho, pois deram seus últimos surpiros combatendo destemidamente o até então insuperável exército inimigo.

A batalha enfim havia sido vencida, mas a que preço? Antes dos invasores serem abatidos, a cidade havia sido destroçada, as mulheres estupradas, as crianças exterminadas. Era tradição de seu povo suportar o sofrimento em silêncio, por isso o espartano continha o desesperador grito de fúria que explodia em sua alma. Sua família jazia sobre as mãos de Hades, assim como todos os seus irmãos.

O guerreiro esticou suas pernas, pegou sua lança e caminhou em direção ao horizonte. Sua vida não possuía mais nenhuma finalidade. Sem casa, sem amigos, sem família, sem sonhos.

O Homem

Com a gravata apertada, camisa social, relógio no pulso, Paulo passava o dia organizando a papelada sobre sua mesa e montando planilhas no computador. Tudo tinha de estar mais perfeita ordem. Os lápis, sempre apontados, eram posicionados de forma alinhada ao lado de duas borrachas igualmente gastas. Seu cabelo era penteado somente com gel L’oreal e com muita precisão para ocultar os indícios de calvície. Seus sapatos eram engraxados todas as noites, de forma a sempre estarem reluzentes e limpos.

Paulo não era muito audacioso. Trabalhava na mesma empresa há quase dez anos em troca de um baixo salário, fazendo as mesmas tarefas todos os dias, sem nunca ser promovido. Seu chefe era o diabo em pessoa, aterrorizava todos os funcionários e, para cada erro mínimo, punia-os severamente com broncas e longos discursos de como uma empresa deveria funcionar para ganhar espaço no mercado de trabalho.

Paulo era casado e tinha dois filhos. Valéria, sua esposa, tinha um caso com seu irmão, e todos os seus colegas de trabalho sabiam disso. Ele próprio também sabia, mas nunca tocava no assunto, a fim de evitar confusão. Seu filho mais velho era viciado em crack e roubava e vendia objetos de sua própria casa para conseguir drogas, e Paulo também sabia disso. Sua filha adolescente estava grávida e desconhecia quem era o pai da criança.

Certo dia, sem mais nem menos, Paulo foi demitido de seu emprego. O desafortunado homem começou a levar em consideração a possibilidade de cometer suicídio.

A Criança

Sofia era uma garotinha órfã que morava na rua. Seus pais haviam morrido quando ela ainda era um bebê, e ela foi criada com seu tio por um tempo. Mas em poucos anos ele a abandonou.

Estava acostumada a passar fome e frio. Dependia da sorte e da boa vontade das pessoas para sobreviver. Apesar da vida difícil, Sofia gostava muito de pôneis, coisas coloridas e animaizinhos. Rezava todas as noites para o papai do céu ajudá-la.

O Primata

– BA, BÉ, BI, BÓ, BU – explicava o professor, novamente – Preste atenção, droga!

O chimpanzé se distraíra com uma pequena formiga que passava por sua mesa. Acompanhando-a com os olhos, decidiu pegá-la com os dedos indelicados e, por fim, comeu-a.

– Não adianta, John. Esse macaco é burro, você não vai conseguir ensinar ele a falar.

– Balela! Eu vou conseguir, eu sei disso. Assim, ficaremos ricos e famosos. O mundo inteiro vai querer conhecer o macaco falante e o homem que o educou.

– Esse bicho está doente. De que adianta ensinar novos truques para um macaco moribundo?

– Ele é tudo o que temos, Pietro.

Aproveitando-se da distração dos dois, o chimpanzé avançou em direção ao homem que estava ensinando-o e tentou roubar um cigarro do maço visível em seu bolso. O homem recuou bruscamente, empurrando algumas carteiras ao seu redor. O chimpanzé, no entanto, estava agressivo e avançava de forma perturbadora, babando e emitindo um estranho ruído.

– Droga, John! Qual é o seu problema? Você sabe que esse macaco idiota tem problema com cigarros, por que diabo você tinha que deixar ele ver isso?

– Não é culpa minha – explicava o professor enquanto tentava empurrar e se defender da fúria do animal – Eu sou fumante, porra!

Com alguns dardos contendo uma substância química específica, o chimpanzé foi dopado e colocado para dormir. Seria bom que descansasse agora pois no dia seguinte, logo cedo, estava marcada sua seção semanal de quimioterapia.

***

O Legado de Deus

Todos estavam espantados e confusos. O salão que os abrigava era colossal, com dimensões quase infinitas, de tal forma que era impossível de se enxergar as paredes, sendo visível somente o teto e o chão. Isso desnorteava-os ainda mais. Por trás das estátuas de mármore, lustres esplendorosos, móveis de ouro, taças de diamante, pianos de cauda feitos quase que inteiramente de marfim, e de todo o resto daquele esplendor e elegância sem fim, havia uma grande dúvida pairando no ar: que lugar era aquele e como cada um deles havia chegado ali?

Um macaco, um guerreiro espartano, um homem comum, um golem alienígena e uma criança estavam agora na mesma situação. Na mesma sala. Com as mesmas dúvidas.

– O que significa toda essa armação? – manifestou-se o golem – Ordeno que alguém entre em ação, explicando-me o motivo desta conturbação.

– Quem é v-você? – perguntou Paulo.

– Eu era o rei supremo do meu planeta. Um mundo distante, impossível de ser visto com uma luneta. Infelizmente ele todo foi destruído. E eu de meu cargo fui destituído.

O espartano fitava-os com seus olhos, com o semblante fechado. Apesar da linguagem não ser o grego por ele habituado, misteriosamente ele era capaz de compreender.

Sofia e o chimpanzé brincavam e faziam travessuras pelo salão. Em meio à folia, quebraram acidentalmente uma taça esbarrando numa mesinha de mogno muito bem construída, chamando a atenção dos outros. A garota sentiu-se sem graça pois jamais seria capaz de consertar o estrago ou pagar por uma taça de diamante nova, enquanto que o chimpanzé pegou um charuto que encontrou pelo salão e tentou acendê-lo com uma vela de um candelabro, a fim de acalmar os nervos.

– Mas que b-baderna!– disse Paulo enquanto disputava na força com o chimpanzé tentando arrancar o charuto de sua mão, mas acabou desistindo pois o primata estava com muito mais convicção de fumar do que o homem em lhe ajudar – Criança c-correndo e fazendo ba-bagunça, macaco f-fumando. Esse lugar é to-to-totalmente caótico!

– Bem-vindos! – disse uma misteriosa criatura que possuía a forma de um gato com asas – Todos vocês foram reunidos aqui por um simples motivo–

– Você é o senhor desta espelunca? – interrompeu-o o golem – Achei que ninguém viria nos auxiliar nunca.

– Não sou o senhor deste magnânimo palácio. Mas certamente sou, em todos os sentidos da palavra, um servo de Deus – respondeu a criatura.

– Eu também! – disse Sofia.

– Sim, disso eu tenho certeza, garotinha. Mas eu trabalho diretamente para Deus. Ele é o meu patrão.

– Se o seu pa-patrão é Deus, o m-meu era Satã – disse Paulo – Mas n-não se preocupe, eu fui de-demitido recentemente.

O chimpanzé, agora sereno, observava a conversa com um olhar de seriedade. Soltou uma longa baforada com seu charuto, como se quisesse dizer “por favor, prossiga”.

– Deus, o arquiteto de todo o universo, é o dono deste palácio – disse a criatura – Porém, meu senhor está muito cansado, e planeja partir muito em breve.

– Você está d-dizendo que Deus vai mo-mo-morrer?! – espantou-se Paulo.

– Certamente que não, pois um de seus dons é o da imortalidade. Mas ele pretende sair de férias, entende? Porém, a existência não pode continuar “existindo” sem alguém para comandá-la.

– E v-você pretende e-encarregar essa ta-tarefa a nós?

– Não a todos vocês… mas a apenas um. Cada um aqui foi convocado para participar de uma seleção, onde o escolhido representará o papel de Deus pelo resto da eternidade. A vocês será incumbida a tarefa de reger ordem em todas as galáxias, por meio de poderes ilimitados como onipotência, onipresença e onisciência.

O chimpanzé ficou tão espantado que o charuto caiu de sua boca. Os olhos de Paulo brilharam com esperança, ele nunca recebera promoção alguma em sua vida, e agora estava prestes a ser promovido à Deus. O golem apreciou a ideia de ser rei novamente, mas desta vez ser o rei absoluto de todo o universo. Sofia e o espartano foram os únicos que não compreenderam a proposta.

– A que deus você está se referindo, pequena criatura? – perguntou o espartano – Zeus? Poseidon? Ares?

– Bom, apenas imagine que todos os deuses são um só – explicou o gato-alado – Você assumirá o papel de todos eles ao mesmo tempo.

O espartano arregalou os olhos só de imaginar as possibilidades da insana promessa do gato. Ele seria absolutamente imbatível numa batalha possuindo o poder de todos os deuses do Olimpo! Sofia, no entanto, era a única no salão que ainda não se animava com a ideia.

– Eu vou ter que ser crucificada igual Jesus? – perguntou a garota.

– Só se você quiser. Você terá poderes infinitos para fazer o que desejar.

– Ah… então eu posso usar meus desejos pra ter uma família?

– Não se trata de um gênio da lâmpada para você ficar fazendo desejos… mas sim, você poderá criar uma amada família para si. Lembre-se de que você será Deus! E a realidade será moldada de acordo com as suas vontades e caprichos.

– Ora, e p-por que nós f-fomos escolhidos para concorrer a esse ca-ca-cargo tão importante? – questionou Paulo.

– Vocês todos foram inquestionavelmente injustiçados pelo universo. Quem melhor do que seres marginalizados da existência para compreender todo aquele que necessita de ajuda? Cada um aqui já esteve no fundo do poço, sentiu na pele o sofrimento absoluto. Receio que ninguém aqui há de ignorar quando alguém na mesma situação rogar por ajuda.

– Apenas prossiga com a explicação, almejo partir logo para a ação – disse o golem com certa impaciência.

Agora todos cobiçavam intensamente o prêmio a que estavam concorrendo. Mas o que deveriam fazer para ganhar tamanha recompensa?

***

Desafio Onipotente

A luz de três sóis artificiais iluminava tudo em cima de um campo aberto sem fim, de forma a fazer um complexo jogo de sombras devido aos diferentes ângulos de iluminação. O vento balançava a grama verdinha, chacoalhando-as sob certa sincronia, assim como as ondas do mar. O céu era de um azul forte e prestigioso, repleto de nuvens fofinhas e com os mais diversos formatos. Os cinco escolhidos situavam-se em meio a essa agradável paisagem, aguardando que alguém os guiasse para que a seleção tivesse início.

Um grande rinoceronte roxo com asas de borboleta surgiu para orientar o grupo:

– Excelente, fico feliz que todos estejam ansiosos para iniciarmos o processo de escolha do próximo deus do universo.

– O que aconteceu com o gatinho? – perguntou Sofia.

– Sou eu. Tenho o poder de me transformar em qualquer criatura que eu desejar.

– E por que você não quer mais ser um gatinho?

– Eu gosto de variar minha aparência dependendo do local e da situação em que me encontro. Achei que um rinoceronte roxo com asas de borboletas seria o mais apropriado para agora.

O espartano ficava apenas observando enquanto os outros se manifestavam. Para os gregos que viviam na península da Laconia em sua época, era muito comum o costume de se falar pouco e nunca questionar nada, pois dessa forma o governo possuía um maior controle sobre os cidadãos.

– V-você ainda não nos d-disse o seu nome se-senhor.

– Oh, queira me desculpar, caro Paulo. Conheço o nome de todas as criaturas existentes, mas desconheço o meu próprio. Por isso seria impossível eu lhes fornecer tal informação.

– Posso te chamar de Algodão Doce?

– Por que julga esse nome o mais apropriado para meu ser, Sofia?

– Porque você é engraçado.

– Mas que grande perda de tempo. Será que poderíamos parar com esse papo marrento? Estou cansado de tanto observar o vento – reclamou o golem.

O rinoceronte fechou os olhos e fez sinal para que todos aguardassem em silêncio por um instante. O espartano apertou com força sua espada; se fosse uma prova de batalha, ele acreditava ser o mais apto à vitória. Paulo pegou uma caneta e um bloco de notas de seu bolso; se fosse uma prova de que exigisse atenção e análise de dados, ele acreditava que poderia ser o grande campeão. Sofia fechou os olhos de forma a acompanhar o rinoceronte; ela não tinha ideia de que tipo de prova poderia vencer, mas estava muito empolgada em ter a chance de participar. O chimpanzé estava triste pois nesse novo cenário não havia nenhum tipo de nicotina para acalmar seu vício. O golem estava sorridente e transbordando confiança; independente da escolha de desafio, tinha certeza de que poderia vencer.

– Pronto! – disse o rinoceronte – Agora todos vocês possuem onipotência. Ou seja, possuem poder infinito para fazer exatamente qualquer coisa que quiserem. Agora, quero que cada um–

– Só com isso já posso tomar o lugar de Deus. A vocês só me resta deixar o meu adeus – disse o golem enquanto partia voando a uma velocidade ilimitada em direção ao horizonte.

O chimpanzé usou seu novo dom para transformar a grama ao seu redor em cigarros, até que teve a brilhante ideia de fazer um cigarro do tamanho de um ônibus. Fumou-o com muita intensidade, como se não houvesse o amanhã. Sofia, a partir do barro, criou uma porção de pequenos e coloridos pôneis, alguns alados e outros com chifres de unicórnio, e logo considerou-os sua mais nova família. Paulo usou suas habilidades para trazer seu antigo chefe junto a ele naquele lugar. O ex-chefe estava confuso e sem reação, mas Paulo orientava-o com socos em sua cara, enquanto dizia:

– E a-gora, ein? Não vai me d-dar aquela pro-promoção, né? Eu sou D-DEUS! Vou de-de-demiti-lo da existência!

O espartano utilizou seus poderes para adquirir a força de Hércules e com uma rápida e agressiva investida tentou atacar o rinoceronte com asas de borboletas, com o intuito de evitar que a criatura tentasse retirar sua onipotência. Tratava-se de um ataque preventivo.

O rinoceronte teleportou-se cinco palmos para a direita, desviando-se da agressão do grego ingrato. Em seguida, a criatura soltou um potente rugido, dando um basta em toda aquela balbúrdia.

***

Disputa de Poderes Ilimitados

O cenário agora era um inóspito e seco deserto. Areia era a única coisa visível naquele ambiente, num raio de quase um bilhão de quilómetros. O sol era ardido e parecia querer agredir propositalmente qualquer um que tivesse a audácia de estar ali. Não havia nem mesmo sinal de brisa para provocar algum refresco.

Todos os cinco candidatos estavam novamente reunidos e seu anfitrião agora assumira a forma de um grande e musculoso leão, trajando uma armadura com um belo acabamento, soldada com a lava do próprio inferno. Com um olhar de reprovação, dirigiu palavras severas para os escolhidos, que agora estavam desprovidos de seus poderes.

– Bom… devo dizer é que estou desapontado com vocês, apesar de já prever tal situação.

– Devolva-me os poderes imediatamente! Não me force a agredi-lo como um doente!

– Você foi o primeiro a abandonar a prova, tolo golem, sem nem ao menos ouvir qual era a proposta. Aliás, nenhum de vocês se preocupou em ouvir-me. Todos se encontravam demasiadamente ocupados com objetivos egocêntricos. O chimpanzé utilizou seus dons divinos para saciar seu vício, enquanto Paulo usou-os para vingar-se de seu antigo chefe. E o espartano teve a audácia de tentar me destruir!

– E eu? – perguntou Sofia.

– Você isolou-se do restante de nós e mergulhou em seu próprio mundo. Não foi pior do que eles, mas também não foi melhor. Todos vocês falharam. Todos ficaram cegos diante da enorme quantidade de poder adquirida. Não foram capazes de arcar com as responsabilidades de Deus nem por quinze segundos, quem dirá pelo resto da eternidade.

– Desculpe… – disse Sofia, envergonhada, em nome de todos os seus colegas.

– Muito bem, darei uma segunda e última chance a vocês. Todos ganharão onipotência novamente. Mas desta vez não quero nenhum tipo de desacato, ou a desclassificação será imediata, estamos entendidos?

– O que d-devemos fazer? Qual será a pro-pro-prova?

O leão com sua bela couraça olhou e examinou cada um deles da cabeça aos pés. Em seguida, desviou o seu olhar para as dunas do deserto e disse:

– A partir de agora todos vocês são deuses e novamente possuem poderes ilimitados para executar qualquer tarefa imaginável. O que eu quero é que cada um use sua onipotência para criar uma pedra…

– Só isso? – perguntou Sofia, ansiosa.

– … uma pedra que nenhum outro deus seja capaz de levantar…

– Só isso?

– … aquele que conseguir tal façanha, será o novo senhor de todo o universo.

– Só isso?

– Sim, Sofia, é só isso. Podem começar.

Todos deram início às suas obras. Paulo invocou os melhores engenheiros e físicos da Terra para ajudar-lhe no planejamento da construção da tal objeto. O resultado foi um rochedo escorregadio com um formato estranho baseado em fractais, tendo aproximadamente cinquenta e oito metros de altura, feito de um material com altíssima massa específica, deixando-o muito mais pesado do que um objeto de mesmas dimensões feito com qualquer outro tipo de material. O espartano criou uma pedra grande, redonda e simples, mas enclausurou-a numa quase impenetrável fortaleza, com um milhão de hábeis guerreiros para guarda-la e várias armadilhas inescapáveis para protegê-la. O chimpanzé criou uma pedra do tamanho de um ovo, guardou-a em seu estômago e transformou a si próprio num gorila tão grande que até mesmo King Kong ficaria apavorado ao vê-lo. Sofia aparentemente não fez nada além de brincar com seus novos amigos pôneis. O golem criou uma pedra maior do que o planeta em que eles residiam. A gravidade gerada pela massa colossal da pedra planetária do golem engoliu o deserto e puxou todos para ela, mudando completamente o ambiente da prova, passando de um deserto árido para um planeta cinza e rochoso.

– Tentem levantar minha magnânima pedra! Serei o novo deus de acordo com a regra.

– Minha p-pedra é a melhor de to-todas! Meus f-funcionários bolaram uma fó-fó-fórmula que impossibilita levantá-la.

O chimpanzé – que agora era um gorila – e o espartano apenas olhavam de forma tranquila para seus adversários, com extrema confiança de que o desafio estava ganho, pois cada um considerava sua própria artimanha como sendo inabalável e superior a dos demais.

– Todos terminaram? – perguntou o leão.

– Sim! – todos responderam numa única voz.

– Muito bem. Então eu quero que você, golem, tente levantar a pedra de Paulo.

O golem sorriu de forma sinistra e aproximou-se com certo desdém da pedra de seu concorrente. Concentrou-se por um instante e usou seus poderes para criar uma espécie de anti-gravidade em volta do objeto, removendo, assim, todo o seu peso. Levantou-a com um único dedo, esnobando Paulo pelo seu fracasso.

– Excelente. Paulo, quero que você tente levantar a pedra do nosso colega outrora chimpanzé, mas que agora é um gorila.

Com a ajuda do conhecimento de seus cientistas, Paulo criou um cigarro especial para o gorila. O gorila, por sua vez, não foi capaz de recusar tamanha generosidade de seu companheiro. No instante em que tragou o aparato, seu estômago revirou-se e ele gorfou tanto que quase expeliu as tripas. Paulo pegou a pedra em meio ao vómito do primata e levantou-a para que todos pudessem contemplar seu ato.

– Ótimo. Agora você, gorila, quero tente levantar a pedra do guerreiro espartano.

O gorila, enfurecido por ter sido enganado, ficou ainda maior e mais poderoso, descontando toda sua frustração nos soldados do espartano. Cuspiu fogo pela boca e derreteu boa parte deles. Sua pele era impenetrável e nenhuma lança era capaz de feri-lo. As armadilhas falharam e nenhuma muralha foi capaz de contê-lo. Sem muito esforço, chegou à pedra e levantou-a, soltando um poderoso rugido para demonstrar sua superioridade. Espremeu-a entre os braços e destroçou-a inteiramente, sem nenhuma piedade.

– Impressionante. Chegou a sua vez, espartano. Tente levantar a pedra de Sofia.

O espartano caminhou vagarosamente até Sofia. Encarou-a por alguns instantes, olhou a sua volta, procurou por toda parte pela pedra mas não obteve sucesso. Então perguntou:

– Onde está sua pedra, garota?

– Eu inventei ela na minha imaginação.

Um silêncio se alastrou enquanto o guerreiro a encarava. Até que perguntou novamente:

– Onde está sua pedra, garota?

– Ela n-não fez pedra ne-ne-nenhuma!

– Isso é verdade, pequena Sofia? Você não fez sua pedra? – questionou o leão.

– Fiz sim! Mas ela é de faz-de-conta. Vocês não podem vê-la, só eu e meus pôneis podemos.

– Então ela não existe! – alegou o espartano.

– Sua tarefa é ergue-la, espartano, quer exista ou não – retrucou o leão – Você é capaz de tal façanha?

– Se a p-pedra não existe, então a ga-garota não a criou.

– A pedra de fato existe – esclareceu o leão – Porém, no nosso mundo ela é invisível, não ocupa espaço físico e é impossível detectá-la, pois trata-se de uma pedra imaginária e só pode ser visto pela própria Sofia. Se eu estiver enganado, e a pedra realmente não existir, então eu quero que algum de vocês me prove tal fato para que eu possa desclassifica-la da prova.

Todos entreolharam-se e, por um curto intervalo de tempo, nada disseram ou fizeram.

– Então eu desisto – disse o espartano – Não posso mover algo que, para mim, não existe.

– Declaro que houve um empate. Ninguém conseguiu superar-me nesse embate – disse o golem, auto proclamando-se vencedor.

– A veracidade de sua afirmação é questionável, caro golem, pois ninguém experimentou sua obra – indagou o leão – Sofia, tente levantar a pedra de nosso confiante companheiro.

Sofia pediu ajuda para seus pôneis. Através de um debate com eles, reuniu um apanhado com várias ideias diferentes e selecionou a melhor delas. A garota então levantou as duas mãos e encolheu a pedra planetária, deixando-a do tamanho de uma laranja. Pegou-a em meio ao espaço vazio enquanto flutuava devido à falta de gravidade gerada pela ausência de massa concentrada no local, e assim derrotou o convencido golem.

– Acho que temos uma vencedora – disse o leão.

– Isso é totalmente injusto! A pedra dela não tem nenhum busto!

– Aquele que discorda de minha decisão, que dê uma passo a frente e levante a pedra da garota.

Ninguém se manifestou. Ainda estavam em choque pelo resultado da competição.

– Então eu declaro Sofia como a campeã de nossa prova. Meus Parabéns. A todos os outros, agradeço muito a participação, mas agora vocês serão forçados a abdicar de seus poderes, terão as lembranças sobre este episódio apagadas e serão devolvidos para os seus respectivos tempos e espaços. Você, Sofia, vem comigo para conhecer o grande criador e substituí-lo em seu grandioso papel.

***

Resultado Divino

Sofia estava de volta ao luxuoso salão onde tudo começara. O lugar, no entanto, estava agora com um clima mais festivo. Havia balões de hélio coloridos amarrados nas cadeiras, serpentina jogada por entre os móveis, purpurina espalhada pelo chão.

– É aniversário de alguém? – perguntou Sofia.

– Não, garotinha – respondeu a criatura, que agora assumira a forma de um homem elegante todo vestido de branco. Sua barba era longa e sua aparência era a de um legítimo sábio – Esta comemoração é para a sua vitória. Você vai ser nomeada “Deus”.

– Eu não sei se quero ser uma deusa… você não pode ser no meu lugar?

– Como eu disse, criança, eu pretendo viajar, me afastar um pouco das coisas. Mas antes eu preciso colocar alguém em meu lugar. Sim, eu sou o atual Deus.

– Você mentiu pra gente então? Deus de verdade não mentiria!

– Não menti para ninguém. Em momento algum eu disse que não era Deus. Apenas falei sobre mim mesmo na terceira pessoa, e isso não é considerado uma mentira. Vocês perguntaram meu nome… mas “Deus” não é um nome, e sim um título. Não tenho um nome pois nunca tive um pai para me nomear, sempre fui o pai de tudo e de todos. E convenhamos: seria um pouco estranho um filho dar um nome para seu pai.

– Por que você tá cansado de ser Deus?

– Porque eu já fui Deus por incontáveis anos. Quando se trata da “eternidade”, estamos falando em muito mais do que apenas alguns bilhões de anos. Este não é o primeiro universo que crio. Estou cansado, e desejo experimentar afazeres diferentes. Na verdade, eu quero saber o que é ser mortal, quero viver intensamente dentro de um limite de tempo determinado pelo destino. Fiz isso há mais de dois mil anos atrás, mas a humanidade me crucificou. Então voltei para meu papel de regente universal e não pensei mais no assunto. Mas agora vejo que aquela foi a época mais divertida de toda a minha infinita existência. Agora quero renascer na época moderna. Aproveitar a tecnologia criada por meus filhos, deliciar-me com a culinária, criar um facebook, participar de desafios literários em blogs na internet e utilizar outras ferramentas de interação virtual.

– Mas eu sou pequenininha… não vou conseguir tomar conta de tudo sozinha!

– Você possui poderes infinitos, garota. Pode fazer tudo o que desejar.

– Eu só quero uma família pra cuidar de mim…

No âmago de seu egoísmo, Sofia elevou sua vontade acima a de Deus. Fechou seus olhinhos e através de sua onipotência alterou toda a realidade.

O ano era de 2014. Sofia era uma menina muito alegre, morava numa casa confortável junto com seu pai, sua mãe e seus dois irmãos mais velhos. Todos a amavam muito, e a menina era muito grata por tudo o que tinha.

Deus tornou-se um reles mortal. Era um homem de negócios que cuidava da parte de marketing em uma empresa de sua cidade. Nos finais de semana saia com os amigos para tomar cerveja, fanfarrear e aproveitar a vida.

Graças a Sofia, hoje em dia não existe um “Deus” cuidando de todos. O céu e o inferno, os anjos e o diabo, tudo isso agora pertence ao plano da inexistência. A bíblia é toda verdadeira, Jesus realmente era quem dizia ser. Sua segunda vinda ocorreu e ninguém percebeu pois ele acabou se tornando apenas um humano comum no meio da multidão. Em 2016, Deus foi esfaqueado e morto num beco por uma vagabunda para a qual ele devia dinheiro. Agora todo o universo está por conta, não há ninguém orquestrando a existência, que aliás, deixou de ter qualquer sentido.

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25 comentários em “A Morte do Infinito (Thales Soares)

  1. Thales Soares
    13 de julho de 2014

    Só por curiosidade: galera que leu meus contos nos desafios passados, deu pra perceber que esse texto era meu antes da revelação dos pseudônimos?

    Ás vezes fico meio temeroso em relação a isso… tenho medo que meu estilo seja marcante, e que as pessoas consigam adivinhar facilmente quem sou eu durante os desafios. Eu sempre tento mudar meus traços e fazer algo totalmente diferente do mês anterior para me disfarçar… mas percebi que é quase impossível escondermos nossas essências…

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Não percebi nada. Nem sabia que você estava participando, aliás, foi uma surpresa quando vi seu nome na lista, rs.

    • Anorkinda Neide
      13 de julho de 2014

      Olha, eu acho bom a gente ter uma essência.. rsrsrs
      Mas, claro, pro desafio seria bom permanecer irreconhecível, mas ao mesmo tempo, acredito que não votamos por amizade e sim pelo agrado pela leitura.. e mesmo se desconfiando da autoria, nunca temos certeza.
      Eu, particularmente, erro todos meus chutes!
      Não, não descobri o Thales por trás do pseudônimo. 😉

  2. Thata Pereira
    12 de julho de 2014

    Gostei, apesar de ter percebido com facilidade que Sofia seria a vencedora. Se o objetivo do(a) autor(a) era esconder isso, não funcionou para mim. Mas se a reposta for não, gostei muito do conto!! Parabéns!!

    Boa Sorte!!

  3. Bia Machado
    12 de julho de 2014

    Fiquei dividida com este conto, ainda sem poder dizer se gostei ou não. Por enquanto, digo que gostei em partes, gosto de coisas que fogem do comum, são um prato cheio. Mas não consegui me concentrar muito e acabei prestando atenção em errinhos bobos, que distraíram minha atenção. Nada de mais, coisa comum, mas parabenizo o autor por esse enredo.

  4. Pétrya Bischoff
    11 de julho de 2014

    Putz’, em todos os desafios aparece algum tipo de psicodelia (que não as minhas) que me agrada muito! Estava eu fazendo a cabeça enquanto avançava n’O Espartano. Imagine minha surpresa ao surgirem golens alienígenas, chimpanzés fumantes, gatos e rinocerontes alados e… pôneis, claro! Cara, eu ri tanto com essas viagens. Gostei também do fim; em algum momento existiu alguma espécie de Deus, mas hoje estamos só. E esse era o mundo de Sofia? Haha’
    Foi massa. Parabéns e boa sorte.
    P.S. “Em 2016, Deus foi esfaqueado e morto num beco…” Hahahhahah’

  5. rubemcabral
    27 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: humor, psicodelia, descrições vivas e imaginativas.

    Pontos fracos: algumas falhas de escrita passaram pela peneira da revisão. O golem ficou bastante secundário com relação às outras personagens por não ter um capítulo para si e por não apresentar maiores características, salvo a fala com rimas. Alguns diálogos saíram teatrais. Não gostei da divisão em capítulos.

    Sugestões de melhoria: revisão, mais desenvolvimento das personagens, mais capricho na construção de frases, para fugir do simples trivial.

    Conclusão: a história sobre a abdicação de um deus não é lá muito original, vide filmes (O Todo Proderoso), HQ (Estação das Brumas, por exemplo), etc. No entanto, o texto até logrou um sopro de novidade com esta “pegada” de conto de fadas + alta voltagem de psicodelia.

    Bom conto!

  6. Edivana
    27 de junho de 2014

    Bem, gostei da história. Não estou tão cansada quanto ao tema como os outros colegas, então acho que apreciei mais o texto por isso. Porém estava meio óbvio a ação de cada personagem. Acho que você deveria ter brincado mais com a personalidade de cada um, tornando o conto mais insólito ainda. Mas está legal. Boa sorte!

  7. Brian Oliveira Lancaster
    27 de junho de 2014

    Empolgante. A introdução em seções ficou muito legal, assim como o tom bem humorado e absurdo do restante do texto. Imaginei um anime lendo o desenvolvimento.

  8. felipeholloway2
    27 de junho de 2014

    Sentimentos conflitantes em relação a este conto.

    Por um lado, a narrativa visual, bastante despojada, e os desdobramentos inusitados tornam a leitura, depois de certo ponto, um bocado imersiva. Nós a acompanhamos com a mesma ansiedade e disposição com que acompanhamos o desenvolvimento de uma anedota: pela curiosidade a respeito do que acontecerá. Só que, também como ocorre com a maior parte das anedotas, a sedução estética inexiste. A rigor, nada impediria que o conto começasse com: “Um golem, um guerreiro espartano, uma menininha, um chimpanzé fumante e um burocrata fracassado estão disputando para saber quem assumirá o lugar de Deus”, mais ou menos como se ouve narrar “Um português, um alemão e um brasileiro entram em um bar…” Isto porque, ao ocupar-se quase inteiramente da ação, o autor negligencia aspectos que diferenciam o texto literário do mero relato escrito, deixando sua obra mais próxima deste último gênero. Há, espalhados pelo conto, achados de humor interessantíssimos (e também truísmos, construções frasais tacanhas e soluções pouco convincentes), que, aliados a outras virtudes, me fazem crer que o autor tem, sim, potencial para ir muito além do que demonstrou aqui, que é plenamente capaz de transformar suas ideias em algo mais que uma longa e curiosa anedota.

    • felipeholloway2
      27 de junho de 2014

      P.S.: a imagem remetendo ao mito de Sísifo foi uma ótima escolha.

  9. Fabio Baptista
    26 de junho de 2014

    Gostei!

    Tem muita “psicodelia” aí e a apreciação exige uma boa dose de desapego da realidade (ou uma boa dose de coisas mais fortes, talvez :D), mas o resultado ficou bacana, explorando bem o paradoxo da pedra para resolver a questão, embora eu também tenha pensado no mesmo que o amigo Jefferson.

    Também acredito que o golem deveria ter um capítulo à parte e que o resultado é de certa forma previsível. Porém a escrita nos instiga a embarcar nessa viagem e ver até onde o barco vai nos levar. (Putz, acho que essa minha última frase ficou meio no estilo “chamada da sessão da tarde”).

    Enfim, um bom texto… não é brilhante, nem leva a maiores reflexões, mas é uma leitura bastante agradável.

    Algumas falhas na gramática:

    – Repetição de “sua’

    – de estar mais perfeita
    >>> faltou um “na”

    Alguns diálogos são muito teatrais, exemplo:
    “– Balela! Eu vou conseguir, eu sei disso. Assim, ficaremos ricos e famosos. O mundo inteiro vai querer conhecer o macaco falante e o homem que o educou.”

    E algumas descrições pobres:
    “e de todo o resto daquele esplendor e elegância sem fim”

    – quilómetros

    – da construção da tal objeto
    >>> do tal

    – Fiz isso há mais de dois mil anos atrás
    >>> Redundância (há / atrás)

    Abraço!

  10. Marcelo Porto
    25 de junho de 2014

    Gostei. A ideia não é original, mas o desenvolvimento é bom e delineia muito bem os interesses dos personagens, porém em nenhum momento ele realmente deslancha.

    É isso. O conto é bom, mas não deslancha.

  11. tamarapadilha
    25 de junho de 2014

    Conto bem escrito, apesar de alguns erros no meio dele. O estilo de usar as pequenas divisões o tornou interessante. Mas não gostei. Enredo bem chatinho, bem cheio de surrealismo, bastante previsível.
    Boa sorte.

  12. Anorkinda Neide
    25 de junho de 2014

    O conto é bom, bem desenvolvido. A ideia não é original, o Deus humanizado, cansado e a disputa pelo sucessor.
    Gostei da solução ‘pedra imaginária’ da Sofia. E acho que foi a única coisa de que gostei… rsrsrs Mas o Jefferson, no comentario abaixo, vem e acaba com a superioridade da menina… ohh isso não se faz!
    O final demonstra que todo o enredo quer justificar uma visão ateísta da realidade…eu achei assim.
    Boa sorte ae!
    Abração

  13. Jefferson Reis
    24 de junho de 2014

    Acredito que o trecho “Ou seja, possuem poder infinito para fazer exatamente qualquer coisa que quiserem. Agora, quero que cada um–” não está incompleto por erro, apenas grafado errado. O(a) autor(a) deve ter tentado passar a ideia de que o “falante” fora interrompido. Nesse caso, o travessão deve ser substituído por reticências.

    A técnica de dividir o conto em pequenas partes diminui o cansaço que a leitura poderia causar por se tratar de uma narrativa um tanto longa para os parâmetros do desafio. Boa!

    O golem alienígena deveria ter uma parte somente dele, como os outros personagens.

    Se o espartano tivesse dito “Sofia, acabo de recriar sua pedra em minha imaginação e estou levantando-a agora mesmo”, teria vencido?

    O desfecho é interessante.

    • autor deste conto
      27 de junho de 2014

      Bom… espartanos nunca foram muito bons em pensar, apenas em lutar… se fosse um ateniense, talvez ele pensasse nisso também…

      Mas de qualquer forma, veja bem… imagine um pedra em sua mente! Pronto? Agora eu vou tentar levantá-la. Estou aqui me esforçando. Consegui? Acho que não… a não ser que você me permita isso, e imagine ela sendo levantada. O máximo que eu conseguirei é imaginar uma nova pedra, dizer que essa nova pedra é a sua, e levantá-la em minha imaginação. Mas ela não será a sua pedra… afinal, eu não sei nem mesmo a cor da sua pedra, como eu posso recriá-la em meus pensamentos?

      Obrigado pela sugestão de resolução do enigma 😉

      • mariasantino1
        27 de junho de 2014

        Deus, eu posso me intrometer no seu conto? Putz… Já me intrometi 😛
        Pois é, a Sofia poderia responder ao Espartano que havia pintado a pedra e colocado detalhes que só ela sabia, então não teria como ele ganhar, afinal esse Deus aí deu onipotência e não onisciência, pois se assim fosse o Espartano poderia ler a mente da guria, dai… 😉 Abraços.

      • Jefferson Reis
        29 de junho de 2014

        O que a Maria Santino colocou faz sentido. O Espartano poderia ter lido a mente de Sofia. Poderia até mesmo tê-la feito, por meio de poderes, imaginar o adversário levantando a pedra.

      • autor deste conto
        29 de junho de 2014

        Sim, mas veja bem…. não estamos mais falando sobre a simples tarefa de se levantar uma pedra, mas sim sobre o ator de ler e controlar a mente de um deus. Se a mente humana já possui uma complexibilidade quase infinita, imagine a mente de Deus. E, se tal façanha fosse possível, então não haveria necessidade do espartano ter se esforçado na criação de sua pedra, pois bastaria fazer qualquer coisa e depois controlar a mente de seus oponentes para que eles desistissem sem nem ao menos tentar levantá-la.

        E a questão do conto é justamente essa: até onde vai a onipotência? Será que é possível controlar a mente de alguém que possui onipotência somente porque você também possui onipotência? Será que não seria possível usar a onipotência para matar ou simplesmente desativar a onipotência dos concorrentes? Será que não seria possível usar a onipotência para fazer com que você fosse o vencedor instantâneo do desafio, ou simplesmente para fazer com que todos pensassem que você ganhou, lhe garantindo todas as recompensas que viriam a seguir?

        As possibilidades não são poucas. Isso não significa que o conto é furado, mas significa que ele está mexendo com um paradoxo. A onipotência é algo totalmente paradoxal.

  14. Claudia Roberta Angst
    23 de junho de 2014

    A disputa pelo poder, pelo maior poder de todos. A ideia, embora não seja original, surge plena de possibilidades.
    Algumas falhas na redação escaparam à revisão, como já apontado pelos colegas.
    No geral, a linguagem foi muito bem empregada. Não me incomodou em nada o vento soprar de forma voraz. Eu gostei.
    Apesar de longo, o conto conta com uma divisão que, a princípio vi com desconfiança, mas depois percebi que a leitura correu mais fácil assim. Aliás, a divisão faz com que eu pense na autoria do conto…. Será?
    Boa sorte!

  15. Swylmar Ferreira
    23 de junho de 2014

    Gostei do conto.
    Bem construído e detalhado, muito bons enredo e narrativa. Tem alguns erros que o autor(a) pode sanar a qualquer momento. Diversas passagens interessantes como “Deus, o arquiteto de todo o universo”.
    Em minha opinião a questão da previsibilidade do texto citada por alguns está relacionada ao titulo da obra que em nada atrapalha o texto.
    Parabéns e boa sorte.

  16. Eduardo Selga
    22 de junho de 2014

    Os motes são antigos, por isso é preciso fazer deles um uso que fuja ao esperado. Refiro-me ao “Deus exausto” e à reunião de diferentes para cumprir alguma tarefa que definirá mérito. Mas o resultado final é um texto sem brilho. E muito cansativo por ser previsível. Desde o início do “certame” era possível perceber que a arrogância do golem seria punida e a ingenuidade infantil premiada.

    Comentando outro conto, falei a respeito da hiperadjetivação que, naquele caso, era ponto positivo. Aqui também acontece isso, mas depõe contra porque os adjetivos em excesso não acrescentam muita coisa à parte substantiva, mormente no primeiro capítulo. Acaba funcionando como floreio. O primeiro e o segundo parágrafos exemplificam isso.

    A construção frasal apresenta muitos problemas, dentre eles:

    Redundância: “O espartano fitava-os com seus olhos […]” (se ele fitou só poderia ser mesmo com seus olhos);

    Ambiguidade: “Apesar da linguagem não ser o grego por ele habituado […]” (ele habituou o grego? Deveria ser “ao qual estava habituado”);

    Grafia: “[…] seu estômago revirou-se e ele gorfou tanto que quase expeliu as tripas. (golfou);

    Rima sem função estética: “Será que poderíamos parar com esse papo MARRENTO? Estou cansado de tanto observar o VENTO”

    Oração incompleta: “– Pronto! – disse o rinoceronte – Agora todos vocês possuem onipotência. Ou seja, possuem poder infinito para fazer exatamente qualquer coisa que quiserem. Agora, quero que cada um–”

    Imprecisão vocabular: “O chimpanzé estava triste pois nesse novo cenário não havia nenhum tipo de nicotina para acalmar seu vício” (nenhum tipo? A substância “nicotina” só há uma; além disso, ausência de nicotina não causa tristeza, e sim ansiedade, inquietação, nervosismo).

  17. mariasantino1
    22 de junho de 2014

    “criar um facebook, participar de desafios literários em blogs na internet” Hum… Achei forçado o humor aí.
    .

    Faltou o “na” antes de ordem.Tudo tinha de estar mais perfeita ordem. E aqui nessa passagem, houve um corte? [Ou seja, possuem poder infinito para fazer exatamente qualquer coisa que quiserem. Agora, quero que cada um–] senti que você queria dizer mais coisas, pois essa parte soa estranha, desconexa.
    .

    Bem, o conto psicodélico precisa de uma dose de imaginação para acompanhar. É bastante insólito, mas o cerne é legalzinho. Fala de poder (afinal, é um elemento que move as pessoas).
    .
    Não gostei muito não, mas desejo sorte para você.
    .
    Abraço.

  18. Tiago Quintana
    22 de junho de 2014

    Bem interessante a ideia e a leitura é agradável! Sugiro apenas um pouco mais de cuidado com o vocabulário – não havia nada de “marrento” no papo, por exemplo, e como pode o vento soprar de forma “voraz”? Não quis dizer “furiosa”, na verdade?

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Publicado às 21 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .