EntreContos

Detox Literário.

Levanta a Guarda (Wesley Nunes)

???????????????????

Todos sabem que a raiva  funciona como um combustível  e Floyd vivia com o tanque cheio.Não sabia o que mais lhe dava raiva, se era mãe viciada em Crack, ou pai que não podia bater na vida, então batia nele.

Tudo que lhe restou era luta. Cada soco desferido, cada baque surdo do corpo do seu adversário, caindo inconsciente no chão, era um passo mais distante do fracasso. Este tal de fracasso, que em muitos dias parecia que tinha sido marcado a ferro em sua carne, desde do dia que nasceu.

O tio Roger era o amigo, o pai, a mãe, o treinador e o Deus de que precisava. Era único que via talento em Floyd  , todos eram céticos e diziam “É bom lutador, mas não sabe defender.” Na academia tinha o apelido de o Bicho. Batia como louco nos dois primeiros rounds, se o adversário aguentasse a surra, teria o melhor presente que poderia sonhar. Um oponente cansado que não sabia se defender.

Roger marcou outra luta, já era a sua vigésima tentativa. Ganhando ou perdendo, todas elas, Floyd disputou ainda na categoria de amador. Derrota de Floyd no terceiro round.  Depois de um bom banho seu tio veio lhe encontrar , parecia estar mais cansado e acabado do que o próprio Floyd:

– Quantas vezes já falei para você levantar a guarda?

– Eu sou bom, ganho na próxima .

– Estou cansado desse papo Floyd . Se fosse qualquer outro eu já teria abandonado.

Floyd deu as costas ao tio, pegou suas coisas e falou:

– Não já te falei que ganho na próxima.

– Está vendo? Você não ouve ninguém! – O tio o puxou para próximo de si e soltou as palavras que por muito tempo entupiam a sua garganta – Quer virar um fracassado que nem o seu pai?

Floyd  levantou a mão , se manteve assim por alguns segundos e então desabou:

– O que você quer que eu faça?

-Me ouça, só isso. Me ouça e não questione.

No próximo dia na academia, antes de colocar as suas luvas, Floyd escutou:

– Você irá atacar só quando eu mandar. Se vir você dando qualquer golpe, nem que seja em um saco de areia, você está fora da minha academia.

O que se viu foi Floyd  apanhar por dias, semanas. Os olhos atentos do tio, percebiam o que ninguém reparava, que a cada pancada recebida, ele se defendia melhor.

Um dia quando só faltava uma luz para ser apagada na academia, o sobrinho perguntou:

– Porque tudo isso?

– O boxe resume a vida Floyd . Antes de atacar você precisa se defender, quando você está com a guarda levantada você olha com mais calma, descobre aonde seu oponente é forte e a forma que ele vai bater , consegue se proteger e sabe  o momento exato de atacar. Nunca comece atacando de forma ansiosa, você sempre será surpreendido e vai acabar na lona.É um conselho não só para o ringue Floyd.

No ringue chamado vida, aonde se trava uma luta contra o tempo, um round é mais rápido do que o outro. Virou profissional e de bicho o seu apelido mudou para o Bonito Homem . Ganhou esse nome pela ausência de cicatrizes no rosto, graças a uma apuradíssima técnica defensiva , ensinada pelo seu tio.

Como a sua vida mudou, quem fosse apresentado ao seu passado e acessasse o seu presente pelo facebook, iria ver bem isto. Fotos com carrões, milhões em joias pelo pulso, dedos e  pescoço. Convenceu a si mesmo que tinha por direito, de comprar tudo do bem e do melhor.

Agora estava com Shantel, já é o segundo casamento. Faz o perfil gostosa, que ronda a mente de qualquer  adolescente. Mas se você parar e olhar bem. Verá o nariz empinado por uma cirurgia, as maçãs dos rostos secas e chupadas, seios siliconados , pele bronzeada artificialmente, umas costelas a menos na cintura e um botão na costas, que quando se aperta faz ela sorrir. Era só mais um acessório de Floyd, que usava para ir em festas e eventos, que brilhava da mesma forma que os diamantes  e o ouro.Um brilho irritante que cegava a todos , longe de causar admiração e só capaz de promover inveja.

Ela estava grávida . Quando se nasce pobre e tem um filho quando fica rico, é a própria vida que faz questão de te dizer ” É uma chance de viver de novo, de dar para seu filho tudo o que você não teve, de não cometer os mesmos erros que o seu pai e a sua mãe”.Só de pensar que seria pai de gêmeos, era mais um motivo para dar uma festa.

Desliza suave pelo asfalto, a rua ainda não tinha sido coberta de esmeraldas. Cada vez que dirige o olhar para a sua mansão , é apagada uma lembrança do ninho de drogados em que vivia.

Encostou o carro importado na garagem. Foi até a sala e viu a sua mulher de maquiagem borrada, com as pernas dobradas no sofá, um monte de remédio jogado no chão e uma garrafa de Whisky pela metade que rolava pelo tapete:

– O que está acontecendo Shantel?

– Eu fiz o aborto nessa manhã.

Nunca recebeu um golpe como aquele. Com um olhar vago e sem expressão ela repetia “Não queria mutilar o meu corpo”. Ele a xingou até perder a voz , suas últimas palavras foram o pedido de divórcio e “assassina”!.

Pegou a garrafa de whisky e a virou. A garrafa de mais de 500 dólares agora tinha o mesmo valor e o mesmo destino  de um vinho barato.

A bebida o deu um ingresso para uma viagem para dentro de si:

– Como eu não percebi nada.Eu devia ter visto alguma coisa? Perguntado o que ela estava sentindo. Dizer que tudo iria ficar bem. Será que eu sou cúmplice?

Dormiu com as seguintes palavras do seu Tio:

“Quantas vezes já falei para você levantar a guarda?”

Publicidade

28 comentários em “Levanta a Guarda (Wesley Nunes)

  1. felipeholloway2
    12 de julho de 2014

    Muito ruim. O conto trata de boxe, mas a rapidez com que narra a guinada profissional do personagem está mais próxima do universo dos cem metros rasos. Há uma espécie de displicência narrativa quase total.

  2. tamarapadilha
    11 de julho de 2014

    Bom até a parte em que ele é pobre. Depois vira rico do nada, cheio de carrão e relógio caro no pulso… Ficou bem clichê essa parte. Talvez seria legal uma maior exploração do aborto contar como a mulher se sentiu, é, possivelmente isso iria sair fora de foco, mas talvez desse um gostinho interessante a segunda parte.
    Boa sorte

  3. Bia Machado
    10 de julho de 2014

    Da primeira metade eu gostei bastante. Da segunda, nem um pouco. Não vi sentido, desculpe, inclusive, parece até que correu, sei lá. Se há uma relação da parte de playboy com a primeira metade, me desculpe novamente, mas infelizmente eu não consegui identificar.

  4. Rodrigues
    4 de julho de 2014

    Sei lá, tinha comentado, mas quando mandei publicar, sumiu. Agora vou resumir. Eu estava gostando MUITO, MUITO mesmo, até a mudança de apelido do cara de Bicho para Bonito Homem, isso meio que resume o que achei do conto. Até essa mudança estranha, a narrativa ia rápida e certeira, a história do homem perdido buscando a redenção pelo esporte e tudo mais, estava bom. Mas do nada o tal JakeLamotta vira um playboy e vem o tal drama da criança… Pô, cara, não faz isso. Parece que o conto foi escrito por duas pessoas, mas queria ler mais do primeiro autor. Valeu.

  5. Felipe Rodriguez
    4 de julho de 2014

    Porra, eu estava achando esse conto muito bom, a narrativa rápida, certeira como um direto, a história tão batida – e tão boa – do homem perdido buscando vencer pelo boxe. Mas aí, cacete, vem aquela história de Bonito Homem. Porra! Você me passa o cara de um apelido tão bom quanto Bicho para Bonito Homem, parece até que um outro cara assumiu o conto nessa hora, na boa, pois o conto descamba a partir desse momento. O Jake LaMotta aí, de repente, de um cara desenvolvendo a técnica no boxe, vira um playboy, sem mais nem menos, e a história pega um rumo que quase me fez parar de ler, mas fui até o fim. Queria ler mais do autor que escreveu o começo do texto.

  6. Thata Pereira
    3 de julho de 2014

    Gostei da temática do box, mas não gostei da história. Ficou parecendo o esqueleto de um conto. Faltou desenvolvimento, como você já deve ter percebido. Mas eu fico feliz em ler contos assim, pois todos começaram assim. Ficarei mais feliz se o(a) autor(a) continuar participando dos desafios com a gente!
    Boa Sorte!!

  7. rsollberg
    2 de julho de 2014

    Se eu fosse definir esse conto em apenas uma palavra diria: “abrupto”. Parece um novelão resumido em uma sinopse. É impossível se conectar com qualquer drama. Adorei a temática pois gosto muito Boxe, gostei também da escolha dos nomes.

    Acho que se ficasse um tempinho na maturação, poderia render algo bem bacana.
    Ter mais profundidade, uma vez que esse é o ponto crucial do Conto.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  8. rubemcabral
    29 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: drama.

    Pontos fracos: muitas falhas de escrita passaram pela peneira da revisão, lição de moral, descrições superficiais e apressadas, personagens que são arquétipos vazios somente.

    Sugestões de melhoria: uma boa revisão, descrições mais ricas, maior desenvolvimento das personagens, nomes “reais”.

    Conclusão: o conto peca sob vários aspectos. Seja por muitos problemas de escrita, seja pelas personagens sem alma, meio hollywoodianas. Eu trocaria os nomes de todos para nomes mais comuns (evitaria a “americanização”), injetaria mais história na vida inicial do Floyd, e tentaria não fechar o texto com uma lição meio rasa. Como o Floyd não gera empatia de quem lê, chegamos ao final, sabemos do aborto e tudo mais e nos perguntamos: “E aí?”.

    Por tudo isso, o conto está bastante irregular.

  9. Pétrya Bischoff
    25 de junho de 2014

    Senti o Mestre Miyagi naquele tio hahaa’.
    Não estava gostando da temática do box, mas houve esse fundo de lição de moral o tempo todo e, quando ele ficou famoso, ansiei pelo que viria. Acabei gostando do desfecho. Boa sorte.

  10. Brian Oliveira Lancaster
    24 de junho de 2014

    Vi um grande potencial “aí”. Precisa apenas de um pouco mais de cuidado e lidar com a ansiedade de publicar (todos lidamos com isso). O contexto é muito bom. No entanto, ficou um pouco corrido. Dá para notar que você tem a habilidade de desenrolar uma ideia com cuidado. Trabalhe nisso!

  11. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    A história em si pode ser interessante, acho que o que mais precisa ser trabalhado é a prosa; por enquanto, ela está muito crua.

  12. Cristiane
    20 de junho de 2014

    Você pensou toda a história, colocou-a em sequência como se jogasse informações na tela. O texto acaba soando mais como um rascunho.

    É praticando que se aprende né, então vamos praticando juntos nesse desafio.

    Boa sorte!

  13. Anorkinda Neide
    17 de junho de 2014

    Acho que já foi dito de um tudo aqui…
    Eu gostei da história, apenas ela foi rápida demais, do treinamento à glória e durante os tempos de glória, vc poderia ter passado mais tempo ali… a esposa é uma personagem rica, bem caracterizada, com uma crítica social importante… inclusive sua morte é bem significativa.
    Parabens pelo conto!

  14. Edivana
    15 de junho de 2014

    Oi,
    Não é uma história difícil de entender, nem uma história surpreendente, é uma lição de vida e ponto. Você já recebeu algumas dicas que concordo, então não vou me estender nelas, só tenho uma coisa a mencionar, achei que, como ele tornou-se um babaca – ao meu ver – quando profissional, o fato do aborto ter mexido tanto com ele, não colou pra mim. Talvez você devesse ter trabalhado isso melhor. Ah, o botão nas costas da Shantel foi uma sacada perfeita. Boa sorte!

  15. Swylmar Ferreira
    15 de junho de 2014

    Vinicius Vilela
    O texto apresenta um enredo interessante no qual o autor(a) procura mostrar o aprendizado na vida do personagem – um boxeador. O modo de narrar não foi legal, mas com o tempo você vai pegar o jeito.
    Boa sorte.

  16. Vinicius Vilela
    12 de junho de 2014

    Agradeço pelo comentário de todos.

    Somente com criticas podemos evoluir.
    Agora que alguns pontos foram mencionados eu fico me perguntando “o por que não pensei nisso”

    As vezes somente um olhar de fora pode perceber algumas coisas.

    O segredo é aprender e não desistir.

    Desenvolver mais a historia e os personagens, ter mais emoção no final ou em certos momentos. Focar em um ponto e não falar de um todo.Manter o mesmo ritmo e por ai vai,

    A boa e velha língua portuguesa que devemos tomar tanto cuidado.

    O que me deixa com esperança e que no meio de tudo isso surgiu alguns elogios.

  17. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Bem, eu particularmente não gostei, mas espero que outros gostem.
    Acho que ainda falta um apuro na escrita como um todo, acredito que o autor seja iniciante, não sei.
    De qualquer forma parabéns pela iniciativa de participar do desafio e boa sorte.

  18. Davi Mayer
    10 de junho de 2014

    Gostei da história, mas nnão muito do texto… O.o como assim? Tipow, a hitória é envolvente e te prende. O problema foram os erros já pontuados, esquecimento de algumas palavras, etc. Mas o que você quis transmitir gostei. A ultima parte poderia ter colocado mais drama, mais impacto, por que o conto, muitas das vezes, tem um final que traga o protagonista para o seu destino… pelo menos é assim que faço com os meus contos.

    Quanto ao seu comentário logo abaixo, concordo, que fala da evolução dos leitores. As vezes uma frase diz muito de um texto como um todo, e do personagem, e os leitores não se apercebem disso.

    Enfim, bom conto, mas precisa se aprofundar um pouco, escolher melhor as palavras e pensar num desfecho legal.

    Parabéns.

  19. Jefferson Reis
    9 de junho de 2014

    O conto não me agradou muito.

    Gostei do começo, que pode ser melhorado, mas recebi com estranheza ruim a mudança abrupta de tempo: começo de carreira – sucesso profissional de Floyd. Senti-me assistindo ao início de um filme, mas de repente já estava quase no final dele.

    Entendi a ideia principal, que aparece bastante gratuita. E os diálogos do tio são tão didáticos. Seria melhor que não tivessem tanto esse tom.

  20. Rafael Magiolino
    8 de junho de 2014

    Acredito que o Fabio resumiu grande parte do que que tinha para dizer. Entretanto, o maior erro que percebi foi a tentativa de contar a vida inteira de Floyd em uma narrativa curta como essa.

    Meu conselho é de que guarda essa ideia, analise todos os comentários até o final do desafio e, daqui um tempo, reescreva-o, mas com calma. Construa uma backstory mais detalhada do personagem, envolva-o em uma trama maior e, de fundo, o drama pessoal com a mulher.

    Talvez colocá-lo como um lutador fracassado em busca de redenção, ao mesmo tempo que a mulher realiza o aborto…ou talvez um lutador bem sucedido que precisa lidar com a morte da mulher e de seu filho após o parto e, a partir disso, sua vida desmorona.

    Enfim, apenas ideias um tanto clichês, apenas proporcionando-lhe uma visão de como a ideia pode ser melhor aproveitada e o conto virar uma boa obra, pois enxerguei o potencial dela.

    Abraço!

  21. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2014

    Eu também reconheci um autor principiante, ou talvez seja apenas o vigor da narrativa sem se importar com detalhes formais. Entendi o protagonista, o seu arrependimento pela displicência em relação a sua vida pessoal. Faltou um pouco de ênfase na passagem em que a mulher revela ter cometido o aborto. “Não queria mutilar o meu corpo” soou um tanto estranho. Ficou parecendo que a moça iria se despedaçar com a gravidez. O uso mais comum seria – não queria estragar o meu corpo…
    Por uma questão de hábito profissional, não consigo simplesmente me desviar dos erros e seguir tranquilamente com a leitura. No entanto, isso seria fácil de solucionar com uma boa revisão. Leia, escreva, leia de novo, escreva um pouco mais. Não desista.Boa sorte!

  22. Eduardo Selga
    8 de junho de 2014

    Vinicius,

    Por certo você ainda está nas fases iniciais da produção textual de ficção, e essa imaturidade é perfeitamente captável na estrutura do texto. O Fábio Baptista já falou de alguns aspectos relevantes, não carece repetir. Então, vou me atentar nalguns aspectos concernentes à narrativa.

    Você procurou desenvolver seu enredo seguindo o padrão realístico, ou seja, tentou dar a sensação de real, que é a escolha da maior parte dos autores, por ser mais fácil o leitor “identificar-se” com o texto porque as referências citadas existem no “mundo real”. Ocorre que, nessa escolha, o elemento PERSONAGEM precisa ter vida própria, como se não fosse ficção. Não pode ficar perceptível que ele é uma peça numa estrutura previamente pensada a que chamamos “conto”. Neste texto, o protagonista é claramente uma marionete em suas mãos de autor, mudando-o de cenário. Mas ele não existe por si, dentro do texto. Neste Desafio, leia (ou releia) com atenção a essa perspectiva os contos que estão centrados no personagem, mais do que no enredo. Particularmente, dentre os que li até agora, “Depois que Você se Foi” e “A Menina 2D”.

    Seu personagem tem uma “vocação natural” para o heroico, dado sua atividade e sua história pretérita. Contudo, o heroico não se completa. Ele inicia sua jornada contando com ajuda de alguém mais experiente, vence na vida, mas o final não é sublime. Procure conhecer um conceito chamado JORNADA DO HERÓI. Não para fazer personagem dentro de uma fôrma, mas para que, ao quebrar a fórmula, como você fez meio sem querer, saiba em quais pontos deve quebrá-la. Alegoricamente, é preciso conhecer anatomia para esquartejar com eficiência um corpo.

    Um conto não é um corpo humano, é uma parte dele. Não queira explicar tudo (mas o que for essencial, não deixe sem esclarecimentos), não precisa entrar em todas as nuanças dos personagens. Conto é um recorte de tempo e espaço, e justamente por ser restrito a divagação, a fuga ao tema é muito prejudicial. portanto, o NÚCLEO DRAMÁTICO do conto deve ser apenas um. Se houver dois, este deve funcionar secundariamente, numa espécie de cenário ou recheio.

    Escreva mais, escreva muito. Leia sempre.

  23. mariasantino1
    8 de junho de 2014

    Olá, Vinicius Vilela!

    Gostei de algumas passagens do seu conto, mas senti que faltou maior profundidade. Veja bem, você chama a atenção para o boxe, mas passa por ele superficialmente e isso deixa o leitor frustrado (ao menos, foi o efeito que causou em mim). Achei o começo muito, muito bom mesmo, mas depois da intervenção do tio senti uma queda na narrativa e uma guinada que acabou prejudicando uma maior apreciação de minha parte.

    Achei tudo rápido demais, mas me prendi nas descrições da mulher (Shantel) que Floyd arranjou e rachei de rir. Uauau!
    .
    Quem sabe um texto maior com maior descrições de lutas, treinamentos (vida já tem) não nos fisgaria mais e repassaria a ideia que você quis passar?
    .
    É isso. Desejo sorte.
    .
    INTÉ!

  24. Fabio Baptista
    8 de junho de 2014

    Olá, Vinicius!

    Não me incomodei com a resposta não, de modo algum. Fico até feliz por ter visto que você encarou a crítica numa boa.

    Sobre evoluir como leitor, eu discordo de você. Na verdade, acho que sou um leitor “evoluído” e nem vou falar “modéstia à parte”, porque isso não é mérito nenhum… essa suposta evolução só me tornou um chato de galocha que não consegue mais ler sem que um corretor ortográfico fique rodando em background na cabeça. É como se eu estivesse dirigindo e cada erro gramatical e cada “furo” na trama fossem buracos na estrada… eu continuo a viagem, mas meu estado de espírito muda, não consigo mais aproveitar a paisagem como aproveitava antes, quando só me incomodava mesmo caso algo mais grave acontecesse – se furasse um pneu, batesse o carro ou esquecesse meus CDs dos Beatles em casa, por exemplo.

    Posso garantir que leio atentamente todos os textos e tento, sim, entender o que o autor quis dizer em cada trecho. Não tenho uma capacidade de análise de simbolismos como do amigo Eduardo Selga, por exemplo, mas faço o melhor que posso dentro das minhas limitações.

    Veja, seu texto é bastante compreensível… todas a motivações do Floyd e os eventos que se desenrolam em sua vida são claros. Eu notei que ele teve uma infância sofrida (tanto que até mencionei isso no meu primeiro comentário), notei o treinamento do tio e também percebi que ele se tornou um babaca quando ficou rico e famoso. E compreendi perfeitamente a analogia do boxe com a vida.

    O que eu quis dizer (e talvez aqui eu tenha me expressado mal) foi que a abordagem de cada um desses trechos foi muito rasa, muito corrida. Conseguimos entender o que se passou com o boxeador, mas não conseguimos nos apegar a ele. Não dá tempo. Esse conto parece mais a espinha dorsal de um romance… algo que deveria ser abordado em 200 páginas, para que o leitor conseguisse assimilar as nuances propostas.

    Da maneira que foi colocado, não há envolvimento (pelo menos para mim não houve) com o personagem. Parece, ironicamente, que estamos lendo uma notícia sobre alguém que nunca ouvimos falar e não nos importamos muito.

    Minha sugestão de focar em um dos pontos da vida do Floyd era justamente na intenção de buscar esse envolvimento do leitor. Fazer com que o leitor torcesse pelo Floyd na disputa do título, se indignasse com a falta de gratidão dele em relação ao tio, ficasse puto com ele pelo jeito que tratava a Shantel, etc. Acredito que o resultado teria sido melhor dentro da proposta de um conto.

    Mas essa é sua minha opinião. Uma análise totalmente subjetiva. Tenho certeza que outras pessoas enxergarão o texto de outra forma (dificilmente existe unanimidade aqui no desafio, para o bem e para o mal).

    Abraço.

  25. Fabio Baptista
    8 de junho de 2014

    Olá,

    Vou falar sem rodeios – o texto está muito ruim.

    Abaixo, uma lista de apontamentos do que pode ser melhorado (na minha opinião que não é uma verdade absoluta, é claro):

    – Capricho na primeira frase. É até possível reconquistar um leitor depois de um mau começo, mas a tarefa é árdua.

    “Todos sabem que a raiva funciona como um combustível e Floyd vivia com o tanque cheio”
    >>> Todos sabem que a raiva funciona como combustível E Floyd era cheio de raiva, ou só que a raiva é combustível?

    Sugestão:
    Como todos sabem, a raiva funciona como combustível. E Floyd vivia com o tanque cheio.
    Ou
    Se a raiva funciona como combustível, Floyd vivia com o tanque cheio.

    – se era mãe >>> se era a mãe
    – ou pai que >>> ou o pai que
    – muitos dias / desde do dia >>> repetição de “dia” na mesma frase
    – rounds, se o adversário >>> eu colocaria um “mas” depois da vírgula, ou a substituiria por um ponto.

    – “Roger marcou outra luta, já era a sua vigésima tentativa. Ganhando ou perdendo, todas elas, Floyd disputou ainda na categoria de amador.”
    >>> É possível entender esse trecho, mas ele é meio confuso, mistura assuntos (vitórias/derrotas com a categoria).
    Sugestão: Roger marcou outra luta. Seria a vigésima de Floyd na categoria de amador. Até então, seu retrospecto era de oito vitórias, todas por nocaute (sempre nos dois primeiros rounds), e onze derrotas.

    – Não já te falei que ganho na próxima. >>> faltou uma “?” no final
    – Porque tudo isso? >>> – Por que tudo isso? (“porque” em perguntas é separado)
    – descobre aonde >>> descobre onde (aonde só se usa atrelado a movimento)
    – não só para o ringue Floyd >>> não só para o ringue, Floyd
    – aonde se trava >>> onde se trava
    – Bonito Homem >>> não imagino um boxeador com esse apelido…
    – Agora estava com Shantel, já é o segundo casamento >>> dois tempos de verbo na mesma frase (estava / é). Ou muda para “está / é” ou “estava / era” (sugiro esse). Isso vale para todos os outros pontos do texto em que essa variação ocorre.
    – Mas se você parar e olhar bem >>> havia mesmo necessidade de dialogar com o leitor?
    – acontecendo Shantel? >>> acontecendo, Shantel?

    * * * * *

    Sobre a história: o autor quis contar muita coisa e acabou não contando nada. Narrou a vida inteira do cara, mas de uma maneira tão rasa que tudo acaba passando batido. Seria melhor dedicar o espaço para abordar apenas uma parte da vida do Floyd… ou a infância problemática, ou o treinamento, ou o casamento com a Shantel.

    Desculpe pela crítica tão pesada, mas acredito que ouvir opiniões sinceras seja o melhor para evoluirmos como autores. Além, evidentemente, de sempre praticar a escrita e a leitura.

    Abraço.

    • Vinicius Vilela
      8 de junho de 2014

      Olá Fabio Batista.

      Primeiramente agradeço pelas criticas sinceras.
      Em relação a gramática e o português , você tem toda razão. Não tenho tanto domínio da língua e lhe dou os devidos parabéns.

      Não precisa se desculpar pela critica.

      Em relação a historia eu gostaria de fazer alguns esclarecimentos.
      Não quis somente contar a historia da vida do Floyd. Queria contar que um boxeador aprendeu uma lição no ringue , só que não usou essa mesmo aprendizado na vida.

      Foquei em dois pontos, o treinamento do tio e a vida de estrelato junto com o aborto de Shantel.

      A respeito de suas sugestões:

      Quando você citou que eu poderia falar da infância traumática.

      “Não sabia o que mais lhe dava raiva, se era mãe viciada em Crack, ou pai que não podia bater na vida, então batia nele.”

      Acho que esse trecho resume a sua infância, algo que ele queria esquecer e se isolar. Não vi um motivo para falar mais da infância deles. Nesse trecho confiei no leitor, para deduzir e imaginar como teria sido a infância de Floyd. Acho que se descrevesse mais e mais da infância o texto acabaria ficando cansativo.

      No treinamento também quis ser conciso e rápido, mas foi explicado sim como Floyd aprendeu a sua técnica defensiva , que foi a chave para se tornar uma estrela do boxe.E o grande acontecimento é o tio dando o conselho “levanta a guarda”. Esse é o ponto principal do conto, que tem a ver com o começo , meio e fim.

      O casamento com a Shantel você sugeriu. Me desculpe, mas seria totalmente arbitrário, contar um acontecimento em que o personagem principal não dá a mínima e não teria relevância nenhuma para a historia.Floyd via a esposa simplesmente como um acessório , não se importava com ela , não sabia o que ela estava passando.Se eu conto em detalhes como foi o casamento , ou até mesmo ele sendo o ponto principal, o leitor iria questionar.

      ” Pera ai, o casamento foi descrito em detalhes desse jeito, foi o momento chave na vida de Floyd e ele não percebeu que a mulher queria fazer um aborto”
      Acho que errei no fato da noticia do aborto ter sido contado de forma abrupta. Poderia ter trabalhado mais nesse ponto. Queria que fosse algo rápido e impactante, fazendo até uma analogia a um soco em uma luta de boxe.
      Eu poderia explicar outros pontos, mas não quero me alongar muito. Acredito que se explicar tudo , possa acabar influenciando indiretamente a leitura de outras pessoas.

      Você falou em evoluirmos como autores. Com a sua critica tenho a certeza que vou evoluir.

      Agora se me permiti, também quero te fazer uma sugestão.
      Temos também que evoluir como leitores. Não ficar se atentando a cada fato como se estivéssemos lendo uma notícia. Tentar ver o texto em seu conceito geral, se tem um tema em que ele aborda, o que o autor queria contar, tentar deduzir algumas informações, a partir de algumas frases ou parágrafos que foram escritas de forma subjetiva pelo autor.

      Ler com calma e paciência. Sempre se questionar “O por que dessa frase?”. Ler mais de uma vez, se achar necessário.

      Dar uma chance para o autor e tentar entender a sua historia.

      Mais uma vez obrigado pelas criticas e espero que não se incomode com a minha resposta.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 7 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .
%d blogueiros gostam disto: