EntreContos

Detox Literário.

Mal Du Siècle (Jefferson Reis)

Gosto de manter as janelas sempre fechadas, tenho esse costume de antecipar a noite. Não sou como as pessoas que buscam liberdade no espaço, ou nas outras pessoas: procuro pela liberdade dentro de mim, onde há um garoto que dança ouvindo a música. Ele rodopia no vazio. Não sente tanto medo, nem mesmo da morte. Quero ser jovem para sempre, e ele será. Ninguém deve pensar, no entanto, que esse garotinho sou eu. Nem mesmo o tenho, ele apenas me habita.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

48 comentários em “Mal Du Siècle (Jefferson Reis)

  1. tamarapadilha
    12 de julho de 2014

    Muito bom. Tem uma profundidade imensa e eu gosto disso. Um garoto tentando se descobrir, se reinventar… Fantástico, sem palavras para elogiar. Concordo com a colega que diz que leria páginas e mais páginas sobre Nero. No começo achei meio cansativo, mas depois ficou ótimo.
    Boa sorte.

  2. Marcelo Porto
    12 de julho de 2014

    Um excelente texto.

    Uma das coisas boas desses desafios é me fazer ler coisas que não leria normalmente, não leria por puro comodismo, apenas por não “gostar” deste tipo de narrativa, introspectiva e lenta.

    Porém a qualidade de contos como este me faz repensar esse “gosto” e cada vez mais me aventuro em textos assim.

    Parabéns, vai pro meu pódio.

  3. Bia Machado
    12 de julho de 2014

    Muito bom! Eu leria um livro inteiro, páginas e mais páginas, sobre Nero, sua vida, seus dilemas, seus questionamentos. Apenas uma coisa me incomodou: a cacofonia do BOCA DELA, hahaha, engraçado que geralmente só pego isso no texto dos outros, nos meus… Não consigo. =P Fiquei “querendo mais” na parte do encontro dos dois, alguma coisa mais revoltada, sei lá. O texto tem umas construções muito bonitas. Parabéns! =)

    • Fabrizio Panarello
      12 de julho de 2014

      Também tenho dificuldade para perceber cacofonias, mesmo com revisões e mais revisões. Essa, por exemplo, foi uma surpresa engraçada: vou corrigi-la e prestar mais atenção.

      Bia, obrigado pelos elogios. Fico muito feliz em saber que gostou de meu conto. Alguém comentou sobre eu colocar mais intensidade no encontro entre Nero e Adrian, o que acho válido. Vou reescrever a narrativa e levar todas as dicas em consideração.

      Grazie mille!

      • Bia Machado
        12 de julho de 2014

        Por nada! E talvez essa estranheza da intensidade se deva à preocupação de não exagerar, de não exceder… Novamente, parabéns. 😉

  4. felipeholloway2
    2 de julho de 2014

    O caráter fragmentário de várias construções parece refletir a fragmentariedade psicológica do próprio narrador, cujo esforço de auto-definição resulta quase sempre irresoluto, etéreo. Não à toa, a princípio, o associei a uma espécie de aparição renitente de cuja existência só a irmã tinha consciência. Há, em seu discurso, um distanciamento existencial melancólico, desprovido de arrogância e obtido a contragosto, como o da voz sobrenatural que solicitava à moça do conto de Carlos Drummond de Andrade que devolvesse a flor que ela, moça, tirara de sua sepultura. A “flor” que o narrador deste conto deseja é ainda mais impossível de ser recuperada, já que, aparentemente, nunca esteve em seu poder, e constitui o âmago do tal “mal do século”: a possibilidade da integração. É essa indefinição, esse “demônio do deslocamento” onipresente, que torna o conto algo prismático. Como o narrador, para o leitor e para o amigo virtual, ele não revela todas as suas sutilezas ao primeiro contato. Sob o repositório de aspectos e imagens muito belas que o personagem nos lança em torrente, há algo pulsando, familiar mas indizível.

    Uma epígrafe possível para o conto (ou para o que o conto evocou em mim) seria o seguinte trecho de O Fim, do Borges: “Existe uma hora da tarde em que a planície quer nos dizer alguma coisa e não diz, ou talvez diga infinitamente e não entendemos, ou entendemos mas é intraduzível como a música.”

    Desnecessário dizer que adorei.

    • Fabrizio Panarello
      3 de julho de 2014

      Estou imensamente agradecido.
      Posso, por favor, aceitar sua dica de epígrafe?
      Gostei do conto de Jorge Luís Borges. O trecho que você selecionou conversa com o meu.

      • felipeholloway2
        3 de julho de 2014

        Opa, eu ficaria honrado, Fabrizio, mesmo a epígrafe não sendo de minha autoria. Borges é um de meus autores preferidos de todos os tempos.

        Já aproveito a oportunidade para parabenizá-lo “pessoalmente” pela obra. =)

  5. Thata Pereira
    30 de junho de 2014

    Gostei do conto. Algumas construções são realmente muito bonitas, é o ponto forte do conto. Destaco uma bem do comecinho: “Alguém pode me mostrar o descaminho?”. Como desejamos muitas vezes encontrar o descaminho… rsrs’

    Só achei que Adrian ficou muito passivo quando descobriu que Nero era Francine. Esperei que ele espancasse Nero nessa hora (que horror, mas pensei). Acredito que muitos segredos são revelados em uma amizade de dois anos, da forma como o conto transpareceu. Talvez faltou alguma descrição sobre a personalidade de Adrian que justifique essa reação.

    Boa sorte!!

    • Fabrizio Panarello
      30 de junho de 2014

      Você tem razão. Trabalharei na personalidade de Adrian na reescrita.
      Muito obrigado pelo comentário.

  6. Cristiane
    25 de junho de 2014

    Gostei da profundidade e complexidade que você tentou dar a personagem. Em alguns momentos conseguiu me cativar, mas o excesso de descrições acabava quebrando o elo e se tornando cansativo. Talvez, se você tivesse trabalhado apenas a melancolia e a relação dele com a irmã o texto teria mais identidade. #: )

    Apesar das críticas penso que você tem bastante potencial, só precisa explorar isso com mais calma.

    Gostei de várias passagens. Escolhi três frases em particular:

    “O embrulho fica lá embaixo, soterrado de criancice.”

    “E deixo de comer para me sentir morrendo”

    “Ela me olha fortificando nossa cumplicidade”

    Boa sorte no desafio!

    • Fabrizio Panarello
      26 de junho de 2014

      Nero c’est moi.

      Obrigado pelo comentário.

  7. JC Lemos
    25 de junho de 2014

    Fiquei incomodado enquanto lia o conto, e acho que isso foi bom, pois foi forte o suficiente para causar-me o incomodo da solidão. Imagino que muitas pessoas já passaram por isso em suas vidas e a empatia é automática.

    Além disso, o conto ficou muito bem escrito. O autor mostra domínio das palavras. Estaria mentindo se dissesse que o conto não me cansou, porém, acho que é o cansaço do serviço que tem agido sobre mim.

    Enfim, um bom conto, não é o que costumo ler, mas tem sua qualidade e seus fãs, como se pode ver. rs
    Parabéns pela pela obra e boa sorte no desafio.

    • Fabrizio Panarello
      26 de junho de 2014

      Obrigado.

  8. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Excelente conto! Nada tenho a sugerir. Não, desculpe, tenho apenas uma sugestão: marque visualmente os trechos que são conversas pelo computador, talvez em itálico.

    • Fabrizio Panarello
      24 de junho de 2014

      Obrigado, Tiago Quintana!
      Na reescrita, lembrarei-me de sua dica.

  9. Edivana
    14 de junho de 2014

    Boa noite, autor.
    Seu conto é belo. Vez ou outra acabamos nos sentindo fora da realidade, presos dentro de nossa própria loucura, desconectados das emoções banais do cotidiano. Achei sua linguagem primorosa, e o sentimento da personagem é palpável,visceral. Confesso que achei que ele nem de casa saísse. A Natasha não está mesmo muito desenvolvida, mas acho que ela é uma personagem flutuante nesse conto, um contraponto para dar um chame no final, está bom assim. Boa sorte.

    • Fabrizio Panarello
      20 de junho de 2014

      Boa tarde, leitora.
      Estou grato por seu comentário e feliz que tenha gostado de meu conto.

  10. Anorkinda Neide
    14 de junho de 2014

    Apesar de um pouco cansativo, a conversa no chat achei que ficou fraca em conteúdo apesar de longa…
    Mas eu achei o conto excelente, tem várias nuances para reflexão e empatia com os personagens.
    Parabens e obrigado por ele!

    • Fabrizio Panarello
      20 de junho de 2014

      Anorkinda, vou repensar a conversa no chat, melhorar o conteúdo.
      Muito obrigado pela dica.

  11. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Achei muito interessante, a forma de escrita e temática me lembram um conhecido, mas devo estar enganado.
    Gostei do texto, apesar de não ser o tipo de material que gosto de ler.
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

    • Fabrizio Panarello
      12 de junho de 2014

      Grazie mille!

  12. Brian Oliveira Lancaster
    10 de junho de 2014

    Conto bem enigmático, conforme já comentado. Sempre acho interessantes textos que ressaltam os sentimentos acima dos eventos e já escrevi muitos “dramas” curtos neste estilo, apesar de sempre colocá-los em contextos diferentes ou extremos. Hoje em dia estou um pouco distante do gênero “lamúria”, mas aqui você causou uma lembrança estranha, lá no fundo do inconsciente. Ou seja, atingiu o objetivo. Um pequeno pedaço do meio para o fim cansou um pouco, mas depois retomou o fôlego. Histórias “comuns” também são muito boas de ler quando bem escritas, que é o caso.

    • Fabrizio Panarello
      20 de junho de 2014

      Estou satisfeito por ter tocado seu inconsciente com meu conto, Brian Lancaster. Obrigado pelo comentário.

  13. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2014

    Se eu fosse um ser choroso, estaria me desidratando agora. Narrativa forte, ao mesmo tempo poética, densa como areia movediça, puxando o leitor para as profundezas de um sentir sem fim. Lindo, horrível, suave, dramático, uma miscelânea de sentimentos, de sensações agarradas a palavras muito bem escolhidas e entrelaçadas. Parabéns. (Recuso-me a desejar boa sorte, vou deixar a sorte para nós, os outros…rs) Abraço.

    • Fabrizio Panarello
      10 de junho de 2014

      Claudia, agradeço pelo comentário. Estou contente por ter gostado de meu conto a ponto de chamá-lo de horrível, entre outras qualidades.

      Um grande abraço.

  14. rsollberg
    6 de junho de 2014

    Triste, forte, chocante e perturbador. Que bela construção de personagem. Senti tristeza, muita tristeza, pois sei que esse protagonista é real e existe aos montes. São invisíveis, mas estão em todas as escolas.

    O conto é muito bem escrito.
    Adorei esses trechos:
    “Parada em meu umbral, não pousa em minha lareira porque não tenho uma. Desliza como um fantasma. É assim que gosto de pensar sobre ela. Mãos cadavéricas e olhos profundos pintados de preto.”

    “Às vezes faço uma espécie de ritual, penso em fadas, em ninfas, penso em Narciso à beira do lago. Mas não me apaixono por mim, eu me estupro. E a água leva minha oferta à coisa alguma. A mãe natureza é uma grande boca. O mundo tem tudo de mim, pois me entrego, mesmo estando aqui, entre quatro paredes, debaixo da água. Mas se você vive sozinho, você está vivo se ninguém vê você vivendo?”

    Realmente muito bom.
    Parabéns e boa sorte!

    • Fabrizio Panarello
      6 de junho de 2014

      Seu comentário muito me alegra e encoraja.
      Agradeço pelos elogios.

      Grazie mille.

  15. mariasantino1
    6 de junho de 2014

    Olá! A escrita parece ser de alguém bem jovem (ou ao menos soou como assim). Gostei de muitas passagens, do fim, por exemplo. Alguns recursos não acrescentam em nada, mas compreendi tudo o que ocorreu. O encontro do Adriam e a “Francine” foi bacana.
    .
    Desejo sorte. Abraço

    • mariasantino1
      6 de junho de 2014

      soou assim*

    • Fabrizio Panarello
      6 de junho de 2014

      Estou contente por ter gostado do fim.
      Não o acho banal, como já foi comentado aqui.
      Talvez eu não tenha conseguido deixar claro para o leitor, ou para alguns leitores, o que esse desfecho, exatamente como foi escrito, significa.
      Mas fico feliz que tenha gostado dele.

      Agradeço pelo comentário, Maria Santino.

  16. Adriane Dias Bueno
    5 de junho de 2014

    Então. A metalinguagem do conto é muito boa. Existem passagens de reflexão intimistas excelentes.
    Contudo, ou eu não tenho coração ou alguma coisa não encaixou.
    Por exemplo, não estranho os nomes, entretanto, por mais que um adolescente seja um aficionado pela leitura, ele não iria exteriorizar a problematização dos seus medos da maneira como foi descrita aqui, a linguagem seria menos rebuscada.
    Um adolescente que usa a palavra “umbral”?
    E a seguinte passagem:
    “Problematizar a existência, porém, nunca foi meu objetivo. Faço isso apenas quando não posso me controlar”.
    Então, Nero está sempre fora de controle, creio até que era isso que o autor queria demonstrar, porque ele problematiza até a existência da lua.
    Assim, apesar de ser bem escrito, a mim não causou maior impacto, inclusive em função do fim tão banal diante do restante do texto.
    Mas é opinião pessoal. Desejo sucesso.

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Acredite, esse adolescente existe.
      Adriaine, agradeço pelo comentário.

  17. Rafael Magiolino
    5 de junho de 2014

    De fato, um conto bem perturbador. Confesso que a leitura foi um pouco travada no início, ao menos para mim. Entretanto, conforme o desabafo de Nero foi ficando mais forte, demostrando seu conflito psicológico, o texto atingiu um outro patamar.

    Em relação aos nomes, como já dito pelo colega abaixo, poderiam ser mais comuns e os personagens mais bem aprofundados.

    De qualquer forma, um bom conto. Abraço!

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Abraço, Rafael!

  18. rubemcabral
    5 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: a personagem central, a trama bem bolada sobre Adrian desconhecer o sexo verdadeiro do Nero, o chat, os devaneios surreais e sinestésicos. O Nero é muito interessante: parece combinar uma mescla de Asperger com esquizofrenia. Esta coisa de se esconder atrás de outra identidade é realmente muito comum, não somente entre adolescentes.

    Pontos fracos: há algumas vírgulas faltando, vi um possível erro de concordância: “Em mim existe paixão e indiferença”.

    Sugestões de melhoria: seria interessante talvez desenvolver melhor a Natasha, para reforçar a dicotomia dos irmãos, ou descartá-la da trama e se centrar no conflito do namoro virtual dos garotos. Ah, os nomes Adrian, Nero e Natasha são meio incomuns, ao menos se a história se passa no Brasil, não? Nero, principalmente, é um nome meio improvável, visto os feitos pouco simpáticos do homônimo. Pessoalmente, eu utilizaria outro nome.

    Conclusão: o conto é muito bom, imagético e bem escrito. Gostei bastante.

    • Fabrizio Panarello
      6 de junho de 2014

      Rubem Cabral, agradeço por ter ressaltado os pontos fortes do conto, em sua opinião. A concordância em “Em mim existe paixão e indiferença” realmente me escapou nas revisões.

      Quanto aos nomes incomuns no Brasil, concordo com você.
      Nero é tão incomum que chega a ser apelido.
      Adrian é um nome latino.
      “E lá está ele, atravessando a rua correndo. Assim como disse, usa uma camiseta vermelha, uma calça jeans e tênis baixos. Seus cabelos negros rentes à cabeça e a pele morena de latino.”
      Adrian tem relação com algum país cujos nativos falam a Língua Espanhola. Não achei necessário deixar isso claro. Não dei importância, na verdade.
      Retirei o nome Natasha de uma personagem interpretada por Marjorie Estiano em uma fase da novela Malhação. A personagem vivia no Rio de Janeiro. Não me julguem, mas eu assistia a novela e gostava da personagem.

      Natasha é importante para o conto. E não exatamente por causa da dicotomia objetividade-subjetividade. Ela é importante por ser a única personagem que fala cara a cara com Nero. E no final, os dois são afastados. É como se algo afastasse dele tudo o que pode oferecer uma resposta. Você carrega o peso de dez mil mundos dentro de você, mas não existe reação para sua ação.

      Mais uma vez, agradeço pelo comentário.

  19. Pétrya Bischoff
    3 de junho de 2014

    Teu conto me perturbou de tal maneira prefiro não falar… No fim, só chorei.

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Certa vez, uma professora me disse que a Literatura deve causar algum tipo de estranheza: despertar o belo ou perturbar. Quando possível, as duas coisas. A Literatura é loucura, é transgressão. Literatura é a mancha na brancura.

      • Pétrya Bischoff
        5 de junho de 2014

        Bueno, passado o torpor que me causou, sinto-me pronta para comentar.

        Eu gostei, profundamente. Da narrativa e da escrita. O conto pareceu-me um desabafo -óbvio que não posso afirmar isso. O que me estremeceu internamente foram as descrições de solidão. Acabou remetendo-me à adolescência… A tristeza e medo constante, bem como sensação de estar sendo observado-julgado-analisado a todo instante. A gota d’água foi a frase: “Preciso voltar lá e pegar um copo de água, se eu não fizer isso, algo de ruim pode acontecer”. Uma pessoa muito próxima a mim sofreu com TOC por muitos anos, e essa era coisa mais angustiante que eu via acontecer; ser refém de sua própria mente…

        Enfim, está de parabéns. Só sinto necessidade de alertar as pessoas mais sensíveis sobre sua leitura.

  20. Davi Mayer
    3 de junho de 2014

    O conto é interessante, mas o autor se prendeu demais nos pensamentos loucos. Acho que é um gosto pessoal meu. Prefiro mais dinamica, mais ação dos personagens, narração de fatos, e etc. A parte do encontro com o amigo da net foi o ponto alto.

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Davi Mayer, pensei bastante antes de enviar o conto para o desafio. O principal motivo foi exatamente o perfil de leitor que supus encontrar aqui: o pessoal que prefere dinâmica, ação e narração de fatos. Fiquei com medo de ter meu conto ignorado ou severamente criticado, o que não aconteceu, deixando-me animado.
      Muitos de meus contos seguem um estilo íntimo-existencialista, pois admiro muito autores como Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu.

      De qualquer forma, agradeço por ter lido “Mal Du Siècle” e opinado. É muito boa a sensação de ter um conto de minha autoria vivo, existente e comentado.

  21. Jefferson Reis
    3 de junho de 2014

    Gostei do conto!

    Não preciso comentar a forma interessante como o(a) autor(a) usou o internetês; a narrativa densa, levando o leitor para dentro da mente da personagem; nem a antinomia irmã e protagonista: razão e sensibilidade. Também não preciso comentar sobre o excesso de “desvario” e alguns trechos que parecem desconexos, pois Eduardo Selga o fez muito bem em seu comentário.

    Eu gostaria de chamar a atenção, no entanto, para o título do conto. Mal Du Siécle (Mal do século, em francês), fez-me pensar nos românticos e sua melancolia, o tédio, o pessimismo. Parece-me que o(a) autor(a) quis brincar com a Escola Literária e com o comportamento de algumas pessoas do hoje, como se sugerisse um novo Mal do Século, ainda a ser delineado.

    Para melhorar, sugiro que o(a) autor(a) costure melhor alguns trechos, que parecem desconexos e intrusos. Ah, acho que encontrei uma vírgula no lugar errado, só não me lembro onde.

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Jefferson Reis, preciso encontrar essa vírgula, é serio.
      Fico feliz que tenha comentado sobre o título do conto (estou sorrindo).
      Eu poderia tentar “explicar” o porquê dos trechos desconexos, mas acredito que autores não devem explicar suas obras. Quando decidi publicar “Mal Du Siècle”, ele passou a pertencer a você da mesma forma que me pertence. Você tem a liberdade de interpretá-lo como seu coração mandar, sua alma sentir e sua vivência completar.

      Agradeço pelo comentário.

  22. Fabio Baptista
    2 de junho de 2014

    Muito bom!

    A qualidade da escrita nos faz mergulhar nesse universo de solidão da personagem e a ver as asiáticas bizarras no canto 😀

    Gostei dos diálogos do computador, da surpresa no encontro com o melhor amigo, do jeito que o autor conseguiu prender a atenção sem apelar. Parabéns!

    Só não compreendi o papel da irmã nessa história toda. Talvez eu tenha perdido, ou não captado direito a ideia, mas acredito que o resultado teria sido melhor se a trama focasse somente no encontro entre os amigos virtuais.

    Abraço!

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Fabio Baptista, eu quis transformá-lo em Nero por alguns minutos. Tentei, realmente tentei.

      Agradeço pela crítica contra a personagem “Natasha”. Pensarei nisso quando for escrever novos contos.

  23. Eduardo Selga
    2 de junho de 2014

    O ritmo paquidérmico do conto é um recurso que se liga à necessidade de demonstrar o universo do narrador-personagem, um adolescente cujo universo é caótico, poético e ligeiramente homoafetivo. É um mundo que parece em permanente construção e desconstrução, tendo como contraponto sua irmã.

    Entretanto, enquanto o personagem caminha dentro de si mesmo, há algumas estradas que não se completam, alguns rios que não deságuam. Como o texto é escrito em prosa poética, em que sempre há muito de performance (e isso em si não é defeito), causam a sensação de gratuidade algumas dessas “passagens incompletas”. Ou seja, é o performático pelo performático. Claro, as questões existenciais do protagonista pedem o devaneio, mas não tanto. Algumas belas passagens, seja do ponto de vista imagético seja do ponto de vista filosófico, se tornam, quando chegamos ao fim do conto e temos a visão do todo, excessivas.

    Como construção, do ponto de vista formal, gostaria de ressaltar o uso do bate-papo de chat, no qual o(a) autor(a) incluiu, com inteligência, o “internetês”. Serviu não apenas para alterar brevemente o ritmo narrativo: aproxima o leitor do universo contemporâneo do adolescente. Criou um efeito curioso, pois a narrativa até então vinha em primeira pessoa (o protagonista), mas quando chega nesse ponto a primeira pessoa, embora se mantenha, é outra, é a “voz” do computador, criando uma sensação de impessoalidade, como no exemplo:

    “Adrian diz: To esperando. Pq ñ responde?

    Você diz: Desculpe-me, não pude responder antes. Minha irmã estava aqui.”

    Lendo toda a conversa do chat pode-se ter a falsa sensação de que o “Adrian diz” é enunciado pela “voz” do narrador e o “você diz” faz referência a outra pessoa, que não o personagem-narrador. Parece-me que essa instabilidade provisória ficou muito boa, acentuando ainda mais certa esquizofrenia do protagonista.

    A antinomia protagonista versus sua irmã, parece-me, talvez merecesse melhor abordagem, principalmente quando nos damos conta de que ela é o mundo concreto, prático e materialista (“Ou faça como eu, não sonhe com nada. Beijo!”) e ele um mundo possível, ainda sem forma definida, porém contrário ao dela. Num mundo materialista, os sonhadores são postos à margem; mas no conto o comportamento marginal, ao fim, é dela, trancafiada na viatura.

    Como ponto negativo, acho que, destoando de muitas frases muito bem elaboradas, houve algumas clichês, como essa: “Não se apresse em julgar. Pense duas vezes antes de falar qualquer coisa […]”.

    • Fabrizio Panarello
      5 de junho de 2014

      Eduardo Selga, seus comentários são sempre muito bem elaborados e demonstram que você é um leitor crítico e atencioso.

      Confesso que esperei com ansiedade por sua opinião.
      As críticas me servirão como conselhos e os elogios como motivação.

      Fabio Baptista acredita que não há a necessidade da existência de Natasha em “Mal Du Siècle”. Você apontou um dos papéis dessa personagem na narrativa, inclusive fazenda uma crítica construtiva sobre.

      Agradeço por isso e por todo o comentário.

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Publicado às 1 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .
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